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História Amor de Bala - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Oie, muito tempo sem postar, até troquei de pseudônimo, agora é caldodaalma.
Se alguém chegar a ler, diga-me o que achou! :)

CaldodaAlma

Capítulo 1 - Capítulo Único


Agradecimentos

 

É uma história curta, que, como todo projeto, tem as suas musas inspiradoras. Agradeço às mulheres perfeitas que me mantém motivada e com os pés no chão. Agradeço por lerem as milhões de versões e por inspirarem toda a trama.

Amor de Bala é resultado de uma história principal, combinada com diversas outras. É a junção de retalhos de vidas.

À Ana Sabará, que fez com que tudo virasse realidade, inspirou diretamente, ao me fazer gargalhar com o que aconteceu. À Juliane Perrone, que participa dos diálogos com os seus conselhos (que eu me pego repetindo para mim mesma). À Lígia Nery, cuja personalidade aflora, junto com a minha, na construção da personalidade da personagem principal. À Giovana Cardoso, que dá conselhos e consultorias de marketing impressionantes, além de gostar de histórias grandes.

Aproveito para agradecer também às demais pessoas incríveis que não participaram diretamente do pequeno projeto quarentenado, mas que muito me inspiram: Ana Carolina Herzog, Isabella Dias, Jade Araújo, Fernanda Montenegro, Beatriz Oliveira, Thaís Marcelina da Silva, Juliana Sena, Giovana Seabra, Yasmin Santana, Giovana Bion, Mariana Pedroso, Gabriela Pedroso e Vitoria de Melo.

Meninas, amo vocês.

Antes de finalizar, agradeço também às pessoas que, infelizmente, não estão mais na minha vida, mas que me ensinaram muito.

Todas e todos vocês são e estão na Ana.

 

Obrigada, por tudo.

:)

19/05/2020,

Rio de Janeiro

CaldodaAlma

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Amor de Bala

Com coração quebrado há um tempo, já começando a se curar, Ana trabalhava numa agência de publicidade. É mulher que não precisa de descrição, sua presença já deixa logo claro quem é.

Ian tem coração de ouro, mas nunca soube muito bem como se expressar, quase como se tivesse medo das pessoas. Formou-se em artes cênicas e vivia fazendo projetos aleatórios que expressavam tudo que ele queria dizer, mas que não tinha coragem.

Os dois se conheceram numa reunião da agência. Ela trabalhava com a equipe de marketing e ele com a de design. A pauta daquele dia era uma propaganda de pasta de dentes que a agência foi contratada para produzir. Ana, sempre muito criativa, sugeriu que a propaganda saísse um pouco daquele normal de uma pessoa na frente do espelho com dentes exageradamente brancos. Apontou que deveria sair do comum, para que chamasse a atenção dos consumidores.

Ian olhou para ela e ficou um pouco instigado: ela tinha acabado de entrar na empresa e já estava dando ideias e soluções com uma confiança digna de chefe. Ele queria perguntar como que ela pretendia fugir do normal no projeto, mas sabia que não teria coragem de questionar. Tímido demais. Porém, Ana já se antecipou e respondeu questão que nem fora indagada - no mundo concreto:

“Hoje em dia, consumidores buscam dados, afinal temos uma fonte de informação interminável no alcance dos nossos dedos. Então, sugiro uma propaganda que explique como o produto funcione, como as substâncias agem para a limpeza dos dentes. Desse modo, mostraremos que o produto é tão confiável e eficiente que a propaganda é a explicação da sua própria fórmula.”

A diretora da arte, parte da equipe de Ian, demonstrou interesse pela ideia. Carol era formada em Belas Artes pela UFRJ e conduzia a equipe há 11 anos. Assim, com um ar de unanimidade, a ideia de Ana foi escolhida, já que as outras consistiam em pessoas escovando os dentes na frente do espelho e logo depois mostrando a dentadura branca brilhando, quase como osso polido, ou coisa do gênero.

***

Era a décima reunião da equipe, quase todos os detalhes estavam definidos, tudo pronto para a gravação do comercial. Era uma sexta-feira, final de tarde. O prédio da Rio branco estava cheio de escritórios produzindo, mas ansiosos para o fim do dia. A ânsia pelo fim da semana, só pra depois começá-la de novo, após um breve período de catarse era grande..

Ana saiu da reunião cansada: como a ideia era sua, esperava-se que viessem dela as sugestões. Pegou sua bolsa caramelo e saiu da sala. Ian observou-a saindo e uma coragem inundou-o. Ele havia observado-a durante todo aquele mês. Estavam trabalhando quase todos os dias juntos. Reparou que ela mexia nos dedos quando ficava nervosa ou quando falava em público, percebeu que prendia o cabelo toda vez que se sentia desafiada e mordia o interior da bochecha quando procurava a resposta para algo.

Levantou um pouco depois dela, alcançando-a na sala de espera do escritório, onde ficam os elevadores.

“Oi!” Ele disse.

Ana estava pensando em tanta coisa que não tinha reparado que ele tinha chegado ali. Abriu um sorriso e respondeu:

“Olá! Acho que ainda não nos conhecemos.” Parou, deu uma risada ao perceber a expressão de desapontamento dele. “Como você tá, Ian? Tudo certo?”

Ele riu e percebeu a brincadeira: “Como você sabe meu nome? Eu não tive chance de me apresentar! Prazer, Ian.” Ana riu e retrucou:

“Prazer, Ana.”

O elevador chegou e os dois entraram, junto com as mais cinco pessoas que esperavam. Ian começou a enfrentar um dilema: Se ele chamasse ela para uma cerveja ali e ela recusasse, teria tido um palco que testemunhou a sua rejeição. Decidiu ficar quieto. Ana, sendo Ana, olhou para ele e percebeu o estado nervoso. Estando ao seu lado, falou:

“Eu tô indo pro lançamento de um disco de um amigo meu em Bota, cê quer ir?”

Ian olhou pra ela, sorriu e, fingindo naturalidade, respondeu que sim.

Ao saírem do elevador, ele perguntou qual era o nome do disco, qual o gênero, como era a capa, como eram as músicas. Ele morria de medo do silêncio. Ana respondeu todas as perguntas e puxou assunto:

“Você fez faculdade onde?”

“Ah, ESPM, conhece?” - respondeu, enquanto caminhavam até o metrô.

Ela deu um pequeno sorriso e respondeu que sim, que tinha vários amigos que lá estudaram.

Entraram no metrô e continuaram a conversar, os diálogos corriam de modo natural, não existiam muitos silêncios constrangedores, mas, às vezes, eles apareciam e Ian se desesperava.

Depois de 30 minutos, chegaram na estação e saltaram. O lançamento seria em um dos plurais bares da Voluntários da Pátria. Ao chegarem, o amigo de Ana, Leo, estava no palco improvisado fazendo uma introdução do disco.

“Depois de três anos trabalhando nisso, finalmente apresento-lhes: Redemoinhos!” - terminou, um som alto de guitarra começando logo em seguida.

Ana olhava fixamente para o palco, era perceptível que a moça estava vidrada no amigo. Ian sugeriu que sentassem em uma das mesas e pedissem alguma coisa para beber. Ana concordou com a cabeça, mas sequer olhou para ele.

Caminharam para uma mesa próxima ao palco e não trocaram mais nenhuma palavra. Parecia que seus olhos não saíam do vocalista em momento algum. Ian sentiu que tinha perdido a chance sem sequer tê-la tido.

O show acabou e Ian achou um tanto quanto entediante. A música era diferente, tinha um estilo não muito definido, era uma mistura de MPB, rock, pop, jazz e um pouco de samba. Parecia uma grande orgia de sons que não faziam muito sentido juntos. Eram agradáveis, mas separados, não juntos.

Assim que o show acabou, Ana correu para falar com Leo, parecia que ela tinha se esquecido completamente que havia convidado o Ian para o bar. O colega de trabalho manteve-se na mesa com a sua cerveja, esperando que ela voltasse.

“Leo! Amei o show, muito bom, o disco ficou incrível!” Disse ela, com os olhos brilhando.

Leo sorriu para ela e respondeu, depois de abraçá-la:

“Valeu, Ana, muito obrigado por ter vindo!”

Ele olhou em volta e disse:

“Olha, eu já volto, vou cumprimentar as outras pessoas e daí a gente conversa, tá?” E saiu andando, sumindo naquela multidão de cadeiras de madeira escura.

Com o sumiço de Leo, Ana voltou para a mesa e começou a conversar com Ian. Conversaram e conversaram até que o garçom os avisou que estavam fechando. Pagaram a conta e saíram para a calçada agora cheia dos frequentadores do bar recém fechado.

“Ana, te achei!” Disse Leo, andando em sua direção. “A gente vai pra um outro bar aqui perto, tem sinuca e karaoke, tu topa?”

Ela olhou para Leo e perguntou para Ian se ele queria ir.

“Pô, na verdade, tô meio cansado, já são duas da manhã.”

“Mas a noite é uma criança, cara, vamos!” Incentivou Leo.

Ele insistiu que estava muito cansado e que devia ir pra casa.

Ana concordou com a cabeça e abraçou-o, despedindo-se.

“Se cuida, viu! Me manda mensagem quando chegar em casa!” Disse, sorrindo, as mãos de Leo estavam agora em sua cintura.

Ian sorriu e falou, olhando bem para ela:

“Você também, não esquece de me avisar!” Depois, olhou para Leo e continuou:

“Aí, cara, parabéns, o disco ficou muito bom! Ana, depois me manda as redes sociais dele, para eu seguir e acompanhar, viu?!”

Leo agradeceu o elogio e Ian começou a andar na direção contrária daquele grupo de pessoas.

***

No caminho todo até o novo bar, Leo não soltou a cintura de Ana. E ela não reclamaria, jamais. Tinha quase um ano que estava enrolada com ele, fato que às vezes a deixava sem sono de tanto frio na barriga que sentia ao pensar nele. Ela se desconcentrava facilmente quando lembrava do cara de cabelo loiros e sorriso torto.

Era pior ainda quando se lembrava dele tocando guitarra no sofá de sua casa, no seu aniversário do ano passado. Mas o problema era que Leo não queria nada sério com Ana, coisa que ela queria muito. Então, parece que desde o princípio, os dois já sabiam, de alguma forma, que aquilo não daria certo.

Leo, como tudo que fizera em sua vida, sempre dava um jeito de postergar assumir responsabilidade. Assim, embora soubesse que ela nutrisse um sentimento forte por ele, jamais deixava claro o que queria. Na verdade, toda a relação era baseada em falsas iscas que dava. Ana nutria uma esperança de um grande amor com aquele cara de sorriso solto.

O lugar era escuro e tinha cheiro de mofo. Ana logo entendeu a arquitetura: um grande cômodo onde ficavam as mesas de sinuca e uma parte bem menor que hospedava o karaokê e os banheiros. Ana achou essa coincidência de localização uma ironia engraçada. No mesmo cômodo que as pessoas cantavam, elas também faziam merda. Bem, é tudo questão de estilística.

Começaram a jogar sinuca enquanto bebiam uma cerveja extremamente amarga. Ela sentiu-se feliz, naquele momento. Estava conversando com Dani, uma grande amiga de Leo, sobre o que estava acontecendo no trabalho:

“Ah, cara, eu tô meio estressada, sabe? A gente tá fazendo uma propaganda para uma empresa bem importante, a maior que já contratou a agência, sendo que foi a minha ideia a escolhida. Então muita coisa acaba virando minha responsabilidade, eu tô com muito medo do comercial não dar certo, sabe?”

“Cara, conheço você há dois anos, Ana, e eu nunca vi você colocando menos do que o seu melhor. Se o seu melhor não for o bastante, eles que estão errados. Ficar ansiosa não vai te ajudar e eu sei que falar isso, muito menos, mas, como eu sempre digo, olha seus arredores e sente seus braços. Sente que você existe, que o mundo exterior existe. Essa breve concretude vai te ajudar, vai por mim.” Terminou, sorrindo e depois foi jogar.

Dani segurava o taco de sinuca com uma confiança admirável, seu cabelo castanho escuro estava preso em um coque já meio solto. Ela usava uma calça de alfaiataria marrom e uma blusa social com bordados de flores na área dos seios que não estava totalmente para dentro da calça. De alguma forma, conseguia transformar aquela roupa claramente de trabalho em uma “roupa de sair”.

Era a vez de Ana jogar: Mirou na bola branca e foi com toda a confiança que não tinha, seus talentos em sinuca eram quase que inexistentes. Milagrosamente, encaçapou duas bolas: uma azul e outra amarela. Todos do jogo comemoravam. Era engraçado, sempre que alguém encaçapava, todo gritavam e ficavam felizes, na verdade, ninguém estava contando pontos.

Ana gostava muito daquele grupo de pessoas que andava com Leo. Na verdade, ela era muito grata por ter conhecido eles. Dani virou amiga de coração, João virou amigo de hambúrguer, suas conversas e saídas basicamente eram em volta de comidas, principalmente hambúrgueres. Já Gabriel era maluco como ela e nutriam uma amizade de conselhos e reflexões filosóficas que quase nunca faziam sentido. Lúcio, por sua vez, virou seu amigo de piadas infames, sempre caíam os dois na gargalhadas, sozinhos, enquanto os outros fingiam ficar incomodados com a qualidade precária de suas piadas. Bia se tornou uma das melhores amigas de Ana, uma de suas maiores conselheiras. As duas dividiam apartamento e eram companheiras de vida. Às vezes, Ana se pegava pensando o quão era grata por ter conhecido Leo e seus amigos.

Todo o grupo sabia que ela era apaixonada por Leo e todos já haviam conversado com os dois. Avisaram-na para desencanar e pediram para ele deixar as coisas claras, logo no início. Mas o ser humano não foi feito para ouvir conselhos.

Depois de cinco jogos, o grupo decidiu que estava na hora de encerrar. Começaram a buscar Leo. Ana tinha percebido que ele não tinha ficado com eles durante a noite. Ela e Bia foram procurá-lo na área do karaokê e Bia decidiu ir ao banheiro. Ana disse que a esperaria do lado de fora. Enquanto aguardava ali, à porta, viu uma cabeça loira que era um tanto familiar. Bia então voltou e viu o que ela tinha visto. As duas se entreolharam e Ana riu, já que não sabia bem o que fazer. Chegaram perto e cutucaram ele, que se virou e empalideceu ao ver Ana.

“Oi” Disse ela, com um sorriso um pouco constrangido, mas que garantia que não choraria. “A gente veio avisar que geral tá indo embora.”

Leo olhou e riu:

“Certo, certo.” Olhou para a menina com quem, segundos antes estava se agarrando e continuou: “Eu vou ficar mais um pouco, você avisa o pessoal?”

“Claro! Pode deixar.” Ela virou para a menina, se apresentando:

“Oi, tudo bem? Prazer, Ana.”

A menina abriu um dos sorrisos mais lindos que já tinha visto na vida e respondeu:

“Tudo, menina! Sou Clara! Cara, eu amei a sua blusa, caraca!”

Ana sorriu um sorriso genuinamente agradecido:

“Ah, muito obrigada, viu! Eu faço essas camisas e vendo pela internet, caso você queira comprar ou divulgar!” Terminou, rindo: “Tenho que fazer merchan, né?!”

Clara riu, colocando a mão no ombro de Leo. Bia se apresentou e as duas então saíram:

“Bem, então nós vamos indo! Prazer, Clara! Tchau, Leo, mais uma vez, parabéns pelo disco! Ficou foda!”

Leo percebeu que aquela foi a primeira vez que Ana não pediu para que ele avisasse quando chegasse em casa, mas resolveu deixar pra lá e voltou sua atenção para Clara.

Bia virou-se para Ana, preocupada.

“Amiga, tá tudo bem? Você agiu surpreendentemente bem, eu sei que quando você faz isso, que tá prestes a desabar.”

Ana olhou pra ela com as unhas quase esfolando as palmas:

“Cara, só vamos chegar em casa.”

Encontraram-se com o restante do grupo e foram para suas casas. Todos moravam relativamente perto.

***

Depois de quinze minutos, as duas chegaram em casa. Ana foi logo avisar para os outros que tinha chegado e pediu, de novo, para que os amigos avisassem também. Ela podia ser chamada de moça que pede pra avisar quando chegasse em casa. Na verdade, Lúcio já tinha feito essa piada e eles ficaram chamando ela desse jeito o resto da noite.

Ao lembrar-se do que tinha acontecido perto dos banheiros, Ana olhou pra Bia e, bem, pode-se dizer que transformou a cozinha do pequeno apartamento em uma banheira. Não, melhor, numa piscina.

“Amiga, eu nem sei o que dizer.” Bia falou, abraçando-a. “Um chocolate ajuda?”

“Bia, eu não consigo descrever o que tô sentindo, sendo que eu nem tenho DIREITO de sentir isso, sabe?” falou, num soluço.

“Ana, peraí, como que você não tem direito? Pelo amor de deus, o Leo fica te dando esperança e te tratando como se ele quisesse o que você quer. Ele nunca deixou as coisas claras.”

“Bia, mas isso é drama de adolescente, sabe? Sofrer porque o menino que você gosta não quer ficar com você.”

“Miga, não é drama de adolescente não, é sentimento. E sentimento todo mundo tem, lembra daquilo que eu te falei anteontem?”

“Não.” disse, com os olhos inchados e a voz falhada.

“A gente precisa errar para aprender e eu não tô falando que você estará imune de desilusão daqui em frente não, mas pelo menos vai identificar a hora de cair fora.”

“É, talvez seja disso que eu precise. Tomara que eu aprenda com isso, mas agora eu só quero chorar.”

Bia sempre foi uma ótima conselheira, mas, dessa vez, ela errou. Ana precisava de outra coisa.

***

No dia seguinte, acordaram às 14h e decidiram ir à praia, era um sábado de sol lindo e rachante. Convidaram o mesmo grupo da noite anterior, mas chamaram também alguns amigos do trabalho.

“Amiga, e aquele menino que tava no bar ontem, você ficou na mesa com ele, nem ficou com a gente, era um encontro?” Bia perguntou.

Ana estava deitada, de barriga pra baixo, numa canga amarela que ganhou de sua avó quando completou 15 anos. Olhou para a amiga e riu:

“Bem, a gente acaba sempre trocando olhares no trabalho, só que ele é bem tímido, então por isso que fiquei sozinha com ele, achei que talvez se eu fosse pra mesa que vocês tavam, ele fosse se sentir desconfortável, sabe?”

“Tendi, cê não quer chamar ele para cá?”

Ana pensou um pouco. Elas tinham chamado todo mundo do grupo, ou seja, Leo também poderia vir, mas não tinha como saber. Mas, peraí, ela iria impedir uma amizade de acontecer por causa de um cara que não tava nem aí para o que ela sentia? Mas e se Ian achasse realmente que era um encontro e ela acabasse magoando ele?

Ana nem pôde pensar muito, já que no momento que todos os pensamentos passavam em sua cabeça, ela levantou os olhos e viu aquele cabelo inconfundível. Leo tinha chegado, junto com o grupo: Lúcio, Gabriel , Dani e João.

É claro que Ana sentiu o coração disparar, seu corpo inteiro ficou alerta. Subitamente, lembrou-se que sua depilação não estava perfeita, que sua bunda estava cheia de estrias e que sua barriga não estava plana. Percebeu, ali, defeitos que não percebera, mesmo depois de uma hora na praia.

“E aí, Bia! Ana! Como cês tão? Gente, a noite foi muito louca ontem, o rolê ficou muito trash, os seguranças que me expulsaram do bar.” Falou Leo, rindo.

Lúcio, Gabriel e Dani cumprimentaram as meninas e estenderam suas cangas. O plano era ficar o dia todo na praia e depois ir pra uma balada na Lapa, o de sempre.

De repente, a moça da noite anterior chegou e cumprimentou todos. Ana ficou branca, dentro do limite da pele que já se avermelhava. Todos responderam a menina e um silêncio típico de bronzeamento se instalou.

Só que Ana e Bia sentiam uma tensão a mais. A tensão de um coração partido que sequer tinha “direito” de estar partido. Era tensão de coração iludido.

“Gente, essa balada de hoje vai deixar a gente torto, porque é um amigo meu que faz direito que organizou.” Falou Lúcio, já esperando as reações não receptivas à piada. Ana, como sempre, riu alto, olhou nos olhos dele com uma expressão de agradecimento. Lúcio sabia que ela precisava de algum alívio.

***

Depois de ir até o Arpoador aplaudir o sol, combinaram de se juntar na casa de Dani para beber antes da festa.

“Gente, mas não vou poder ir hoje.” Disse Ana, fingindo que estava desapontada.

“Pô, Ana, vamos! Você é rata da Lapa, a gente sabe!” Falou Gabriel, encorajando-a.

“Cara, eu tenho que revisar o planejamento para o comercial, sabe como eu sou, né?” Respondeu, com um riso comedido, tentando parecer relaxada. Ela só não queria ficar perto de Leo.

Aquele sol tinha sido diferente, se é que isso é possível. Parecia ter tons mais alaranjados do que o normal, Ana não se sentia muito bem.

***

Ao chegar em casa, Bia perguntou se a amiga queria que ficasse em casa com ela, mas Ana disse que precisava ficar sozinha para revisar direito.

“O projeto é importante demais, preciso estar completamente concentrada.” Completou.

“E tu vai conseguir se concentrar?” Retrucou Bia, com aquele olhar quase que maternal, suspeitando que Ana fosse olhar as fotos dos dois juntos e chorar.

“Eu não vou ficar chorando por conta do Leo, pode deixar.” Assegurou, com um olhar sincero e foi para o seu quarto.

O cômodo era pequeno, mas Ana tinha conseguido torná-lo aconchegante, na medida do possível. Não morava mais com os pais por razões práticas, eles moravam muito longe do centro, onde trabalhava. Tinha uma pequena escrivaninha, uma cama encostada na parede e uma estante que ocupava todo o espaço restante. Os passos tinham que ser feitos de modo milimétrico.

Sentou-se na cama de colcha branca e abriu o livro que estava lendo. Passou os olhos pelas palavras, mas não conseguiu compreender quase nenhuma delas. Sua mente parecia gostar de sentir dor, ficava revivendo os momentos bons com Leo. Irritou-se. Ela não tinha como controlar aquilo, muito menos direito de sentir aquilo.

“Por Deus, ele nunca me prometeu nada, eu que me iludi, inferno.” Falou baixinho para si mesma e começou a encarar a parede.

Depois de um tempo que não conseguiu medir, pegou o celular e abriu o Instagram. No feed logo apareceu uma foto de Leo com Clara, no perfil dele, com a seguinte legenda: “Que sorte a minha <3, tomara que eu possa ficar para sempre com você.”

Ana riu sozinha e sentiu, novamente, aquela dor e raiva infundadas inundar seu corpo. Dois dias antes, ele estava com a mão na cintura dela, falando com o rosto perto, beijando-a escondido, horas antes de encontrá-lo com sua nova namorada, ele tinha beijado-a, antes de sumir naquele bar. Ali, ela acreditou nos avisos dos amigos de Leo, que tinham se tornado seus também.

Foi assim que Ana passou a noite de sábado chorando. O projeto não foi revisado, mas lágrimas jorraram.

Acordou com o rosto inchado e sentindo-se desidratada. Levantou e olhou em volta. Seu quarto estava como sempre: A estante quase sem espaço para livros novos, a escrivaninha com os inúmeros papéis de sempre. Mas tinha um papel amassado que parecia ter sido jogado, coisa que ela não fazia.

Chegou perto do móvel e pegou o papel. Então, lembrou-se: Logo depois de ver a foto, Ana ficou em um estado quase que catatônico, a ponto de escrever um pequeno poema, tentando canalizar toda aquela frustração:

 

 

Tomara

me descarta, ainda bem.

me trata como ninguém.

tomara, mesmo,

que esteja com seu alguém.

boa sorte,

tomara.

Ela riu, amassou o poema e colocou-o no lixo embaixo da escrivaninha. “Tenho que crescer.” Decidiu, depois de tomar café, que iria revisar todo projeto e assim o fez.

Aquela sensação gostosa e desesperadora de final de tarde de domingo fez com que Ana quisesse ver o pôr do sol. Foi até o quarto de Bia e perguntou se queria ir com ela, mas respondeu que não poderia, já que tinha que escrever mais um capítulo do artigo que ia publicar. Ana concordou com a cabeça e se arrumou.

Na realidade, ela sempre se desesperava ao fazer as coisas sozinha. Tinha medo da sua própria companhia, então chamou os amigos que sabiam que teriam alguma chance de ir: Todos estavam ocupados. Mandou uma mensagem para Ian, mas ele não respondia e, se ela esperasse, perderia o pôr do sol. Era ir sozinha ou não ir.

Saiu do prédio com o coração um pouco acelerado. Apesar de já morar sozinha há um ano, ainda ficava com medo de fazer qualquer coisa sem algum acompanhante. Parecia que sem outra pessoa ela ficava sem pernas.

Ana sabia que esse tipo de sentimento era congelante e só atrasava sua vida. Além disso, dado seu histórico de namoros, percebeu também que não aguentava ficar sozinha, por mais que isso significasse namorar ou ter amizades com pessoas terríveis. Ela queria agradar todo mundo. Inclusive, sacrificava amizades realmente boas por relações novas ou namoros. Parecia que sentia felicidade quando havia um superávit de relacionamentos. Só que isso desgastava muito pessoas que já estavam com ela.

Chegou no Arpoador, estendeu uma canga e sentou-se. Naquele silêncio de pessoas conversando, o desespero por estar sozinha veio novamente. Sentiu-se um fracasso por não ter companhia. Ela não era suficiente para si mesma, na verdade, nunca foi.

Com 24 anos, parecia ainda aquela menina apavorada de sempre. Além do medo de fracasso profissional, determinava que para ter sucesso pessoal, tinha que ter pessoas para todos os momentos. Mas o grande problema é que ela nunca se tinha para momento nenhum. Ana, desde sempre, com raras exceções, viveu para os outros.

Tinha ela para todo mundo, menos para si mesma.

Cariocas aplaudem o pôr-do-sol, coisa que sempre achou interessante e um tanto admirável. Se aplausos são feitos para, de certa forma, retribuir algo ou dar um retorno positivo, era basicamente agradecer o sol por ter ido embora. Era engraçado, mas fazia muito sentido. Talvez fosse forma de agradecer pela vida. Ou sei lá, só para se sentir parte de alguma coisa. Os dois sentimentos fazem bem.

Desde pequena, gostava de desenhar, mas achava que era tudo ruim e poucas pessoas sabiam desse hobby. Sempre gostou de desenhar muito ao vivo, só que tinha vergonha. Andava com um pequeno bloco que permanecia vazio, já que aquele medo sempre falava mais alto.

Ainda com uns raios dourados escassos, ela pegou o bloco e, escondido na bolsa, rascunhou uma mistura entre o que sentia e o que via. Quer dizer, o que os seus olhos permitiam ver. E, naquele bloquinho, nasceu o arpoador só dela.

Sorriu ao ver o que tinha desenhado. Conforme a caneca azul riscava o papel, sua respiração tinha se acalmado, aquele medo tinha dado lugar a um conforto desconhecido por ela. Ana tinha que criar mais arpoadores só dela.

***

Segunda-feira veio forte: era o dia da gravação do comercial e o dia que Bia ia se encontrar com seu editor. As duas se encontraram na mesa da cozinha e trocaram sorrisos nervosos.

Ana chegou no trabalho com o estômago vazio, não tinha conseguido comer nada. Foi até a sua mesa e se surpreendeu com um pacote de bala beijos da fini. Em cima do objeto, um bilhete:

Os únicos beijos que posso te dar.

:) Ian

 

Ela riu ao ver o pacote, mas sentiu uma pontada. Ana sentia o seu interior retorcendo, mas não sabia se era falta de comida ou falta de Leo. Ela tinha vivido por ele, por um tempo, mas isso era algo que fazia com todo mundo. Só que com ele era mais intenso, por razões óbvias. Não estava livre de Leo, sequer do seu costume de se deixar de lado sempre e tinha medo de demorar até se anistiar.

Guardou o pacote na bolsa, junto com o bilhete e desceu. A gravação era no banheiro do terceiro andar, no fraldário do prédio.

O cômodo, apesar de grande, tornou-se pequeno com todo equipamento e engenharia para que a câmera não aparecesse nos espelhos enormes. A modelo que ia encenar a escovação tinha dentes claramente clareados. Ana riu para si mesma, pensando que não dava para acreditar em nada.

Encontrou Ian com a chefe da equipe num canto dali. Caminhou até eles e cumprimentou-os. Deu um sorriso para Ian e, discretamente, agradeceu pelo presente.

Tudo correu bem, conseguiram todo o material depois de cinco horas de trabalho e Ana acompanhou todo o processo de perto. Tinha que verificar se correspondia fielmente ao seu projeto.

Quando acabou, Ian veio falar com ela, que conversava com o operador de câmera.

“Oi, Ana. Como cê tá?” Perguntou, visivelmente nervoso.

Ela sorriu para ele, respondeu que estava bem e continuou perguntando como ele estava. Aquela conversa fiada de sempre.

“Você quer beber alguma coisa?” sugeriu ele, com um sorriso simpático.

Ana olhou pros olhos castanhos-escuros, quase negros, e disse que adoraria.

***

Dessa vez, como era segunda-feira, foram para um bar ali perto e sentaram-se naquelas cadeiras amarelas da Skol.

“O que você achou de hoje?” Indagou ela, depois de dar um gole na cerveja.

“Ah, o de sempre, né? Eu acho um pouco chato esses projetos, já que não são algo que eu faria.”

“Nossa, sim, eu sinto a mesma coisa. Parece que não é genuíno, não sei. Às vezes, por sentir isso, acho que não mereço estar onde estou, sabe?” Respondeu ela.

Ian concordou com ela e começaram a contar piadas infames, trocar conselhos e, bem, parece que naquela conversa ele reuniu todos os tópicos que conversava com os amigos de Leo.

Cinco minutos antes do metrô fechar, ainda estavam no bar. Ana foi checar o celular, ao receber uma mensagem de Bia, perguntando onde ela estava.

“Cara, são 23:55! A gente vai perder o metrô.”

Ela tirou uma nota de vinte da bolsa, colocou em cima da mesa e os dois saíram correndo até a estação. Era uma caminhada de normalmente 10 minutos, mas conseguiram fazer em cinco.

Entraram por um fio e embarcaram no vagão. Continuaram a conversar assim que as respirações se equilibraram. Saltaram em botafogo, onde os dois moram, até chegarem na casa dela.

“Bem, então é isso, boa noite, Ana.” Disse Ian, com um sorriso comedido.

“Me avise quando chegar em casa, viu? Não esquece!” Respondeu ela, com um sorriso no rosto.

Abraçou-o e subiu.

Ian ficou um pouco confuso, achou que naquele momento iria beijá-la, mas pareceu que ela só queria um amigo. Ele não sabia como se sentia em relação àquilo. Na verdade, enquanto caminhava até a sua casa, percebeu que sabia sim. Ele queria alguma coisa com ela, sua barriga ficava toda embrulhada, começava a suar só de pensar nela. Ian sabia bem como era estar apaixonado, mas percebeu que ela era uma amiga valiosa.

 

***

Ana estava em sua mesa, editando uma foto para uma outra campanha da agência quando Ian se aproximou.

“Bom dia, e aí, como cê tá?” Perguntou ele, com um belo sorriso no rosto.

Ian não tinha esse tipo de coragem normalmente, mas a sentia em relação à Ana, ela transparecia conforto, segurança e alegria. Era leve.

Ironicamente, antes mesmo dela conseguir respondê-lo, Leo entrou na sua sala com uma expressão assustada. Ana, imediatamente, endureceu o corpo, entrou em estado de alerta. Começou a suar e engasgou com as palavras.

Ian ficou sem resposta e, ao ver Leo entrando na sala, percebeu que era sua deixa. Ela não tinha espaço pra ele.

“Ana, como tu tá?” Indagou Leo, ao passar a mão naquelas mechas loiras de sol.

Ele tinha feito a barba naquele dia, coisa que jamais fazia. Estava com uma aparência arrumada.

“Oi, Leo, tô bem e você?” Perguntou, realmente querendo saber, já que eles estavam se evitando.

“Posso sentar?” Perguntou, enquanto puxava a cadeira. Ana respondeu que sim com a cabeça.

“Eu acho que você já sabe, mas eu quis vir aqui contar. Então, eu comecei a namorar.” Falou, depois de um grande suspiro, seu rosto mudou de expressão, pareceu ficar aliviado.

Ana olhava nos olhos dele, sentia falta de suas conversas diárias, que desde daquele dia em Botafogo não teve mais. Lembrava-se com carinho das sessões de foto que fez com ele, mas não conseguia entender a necessidade de estar ali. Aquilo era puramente para que Leo se sentisse melhor consigo mesmo. Bem, tomara que sirva para alguém se sentir melhor, porque ela ainda tinha um peso no coração.

“Ah, eu vi no Insta! Parabéns, cara, fico muito feliz! Ela deve ser um amor!” Respondeu, com o sangue fervendo nas veias. Seu telefone apitou com uma notificação, era Ian:

“Quer que eu invente uma emergência?”

Ana sorriu ao ver a mensagem e respondeu com um Sim. Segundos depois, Ian entra na sala com a respiração ofegante:

“Ana, temos um problema enorme com aquela versão do panfleto! A gráfica errou ao redimensionar e querem que paguemos mesmo assim.”

Os dois olharam-no e ela levantou, na mesma hora.

***

“Tá tudo bem?” Perguntou Ian, no elevador. Sentia que ela estava prestes a chorar.

Ana sorriu aquele sorriso de dor e ele olhou-a com carinho. Mal a conhecia, não entendia como estava tão preocupado com ela.

“Não tá não.” Respondeu, com os olhos agora cheios de água.

O elevador chegou no térreo e Ana passou os dedos nas lágrimas. Ele olhou-a e disse para irem para as escadas, já que ninguém as usava.

Ana concordou enquanto tentava conter as insistentes gotas d’água.

***

O único problema dali era o eco. Toda vez que Ana soluçava, o soluço se repetia no mínimo três vezes. Ian só se manteve ao lado dela, pedindo para que contasse o que quisesse, falava para que colocasse para fora.

A verdade é que ele não sabia muito bem como reagir a uma pessoa chorando, visivelmente sentindo aquela dor cujo remédio age muito devagar. Finalmente, depois de contar toda a história, ficou claro que Leo tinha a iludido e que ela tinha sérios problemas internos.

“Eu nunca me acho capaz de nada, sabe?” Disse, por entre soluços. “Eu nunca serei boa o suficiente, bonita o suficiente, inteligente o suficiente. Eu nunca vou ser suficiente. Acho que deveria começar a sonhar mais baixo.” Concluiu, enquanto novamente secava as lágrimas.

Ela odiava que a vissem chorando, mas também não conseguia controlar aquela mistura de raiva e rejeição. Ela tinha sido rejeitada, mais uma vez.

“Ana, eu acho que você precisa de um espelho. Você é a funcionária mais nova e que mais tem feito projetos bem sucedidos, você se formou numa das melhores universidades do país e, outra coisa, você é linda. Mas essa última parte é a qualidade que menos importa. Você é linda por fora e por dentro.” Terminou, segurando a sua mão. Ele sabia que quando alguém se sente perdido, é importante estimular a pessoa para que perceba que existem coisas concretas e reais.

“Você nem me conhece, Ian, não sabe nem da metade.” Retrucou ela, olhando para as paredes amareladas das escadas.

Eles estavam sentados no mesmo degrau, de frente para a porta que dava acesso ao primeiro andar.

“É verdade, não te conheço e, mesmo assim, já sei que isso tudo é verdade.” Disse com um sorriso de quem entendia aquilo tudo. “Sei bem como é essa sensação, você acha que tudo vai acabar, que nada vai dar certo.”

O silêncio englobou-os, confortando aquele coração quebrado mais por ela mesma do que por qualquer outra pessoa.

Ana uniu suas mãos e começou a pensar em tudo que tinha acontecido. E, surpreendentemente, ela percebeu.

Era ela quem se rejeitava.

***

Cinco meses depois, Ana estava arrumando as malas. Aconteceria uma grande conferência de marketing em Luca, na Itália e ela estava ansiosa para treinar o seu italiano de quatro meses de estudo.

A agência tinha pago para que ela fizesse essa viagem e apresentasse as últimas campanhas feitas por eles. Então, passou esses meses traduzindo e preparando a apresentação. A empresa tinha pedido, também, que elaborasse um projeto só seu, sem marca nenhuma, algo inovador. Um novo formato de campanha. E ela assim o fez.

Pediu ajuda de vários profissionais para executar a ideia e teve muito medo. Poderia ser ousado demais ou careta, poderia nunca ser o suficiente. Mas sempre que tinha dúvidas, conversava com Ian, pois sabia que ele a diria se estivesse ruim.

Ensaiou a apresentação com ele, Bia, Lúcio, Gabriel, Dani, Leo, Clara e João de palestra e, apesar de somente Ian estar imerso no ramo, todos disseram que sinceramente gostaram.

No dia anterior à viagem, Ana precisava se despedir do Arpoador. Convidou Ian para ir com ela aplaudir o sol.

“Tu acredita que eu nunca fui lá?” Disse ele, enquanto estavam no caminho.

“Mentira!” Ela respondeu, rindo. “Seus olhos vão derreter com tanta beleza, sério. Os raios de sol quase cegam, mas sabem exatamente em qual intensidade devem brilhar para cada pessoa, eu acho.” Terminou, rindo com aquela metáfora boba.

A pedra estava um pouco úmida, porque tinha chovido. O céu, como é de praxe no Rio, estava azul, mesmo que no dia anterior estivesse cinza e chorando. Sentaram na parte que ficava de frente para o sol, ela um pouco atrás dele.

Os raios começaram a sumir e Ana sentiu aquela vontade de pegar seu bloquinho. Começou a desenhar, mas agora, menos escondido. E, quando terminou, entre alguns dos raios que desenhara, tinha a parte de trás da cabeça de Ian.

Ele a ajudou a aprender a desenhar o seu próprio arpoador.

Ainda bem, já estava na hora. 

 


Notas Finais


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Ou não kakaka


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