História Amor de Carnaval - Capítulo 1


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Categorias Henrique & Juliano
Tags Henrique & Juliano
Visualizações 201
Palavras 4.443
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Hentai, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi! Não deixem de deixar o feedback de vocês, para eu saber o que estão achando da história! :)

Capítulo 1 - Capítulo um.


─ Diabinha? Sério? ─ arqueio a sobrancelha, duvidando da primeira escolha de Adriana.

Estou vestindo um body vermelho, cheio de lantejoulas com uma saia de tule que poderia muito bem ter saído do guarda-roupa da minha irmã caçula, de apenas cinco anos, e um par de chifres bem característico.

Eu ainda não sei como fui convencida a sair para pular carnaval por ela, junto com Priscila, Helena, Vitor e Diego. Eu esperava passar esses cinco dias inteiros trancafiada em meu quarto e gastar meu tempo com algo mais útil, como colocar minhas séries em dia.

─ É sexy... ─ minha amiga argumenta, puxando a alça do maiô para o lado. Minha pele está bronzeada, denunciando que passei as últimas semanas das minhas férias na praia. ─ Principalmente se você deixa a marquinha do biquíni a mostra.

─ Mas eu não quero ser sexy. ─ respondo, mordendo os lábios ao me analisar.

Cinco minutos depois, os chifres deram lugar a um único, rodeado de flores, e estou tão colorida que acredito que um unicórnio vomitou em mim. Torço o nariz para meu reflexo no espelho e minha amiga faz o mesmo.

─ Infantil demais! ─ argumento.

Mais cinco minutos se passam e meu reflexo no espelho é um pouco melhor. Dessa vez, não me pareço com alguém que acabou de assaltar o guarda-roupa de uma criança. Eu estou fantasiada de sereia.

A saia é justa e termina em uma cauda na parte de trás, já o cropped branco marca demais meu corpo, especialmente no busto, o que deve fantasiar a imaginação de muitos caras, devido aos meus seios fartos. No entanto, eu consigo me sentir muito mais à vontade ─ e também sexy ─ do que vestindo a primeira opção que Adriana me trouxe.

─ Pelo sorrisinho eu sei que gostou.

Cinco minutos mais tarde, saímos da loja com a fantasia comprada. Adriana me envergonhou na frente da vendedora quando fez uma dancinha da vitória assim que passei meu cartão no caixa. Comprar essa fantasia significa que eu vou sair com ela no carnaval. Melhor, com eles, já que nossos demais amigos estarão juntos.

─ Só tem uma coisa que não é legal...

Na praça de alimentação, ela se senta sobre uma mesa bem em frente ao KFC ─ onde fez seu pedido. Deixando a bandeja com um enorme balde de frango frito sobre a mesa ─ e beliscando um enorme pedaço ─, ela prossegue:

─ Você sair por ai mais sexy do que eu.

─ Pode ter certeza que os caras vão prestar muito mais atenção em você ─ argumento, mergulhando uma de minhas batatas fritas no meio do meu sanduiche de cheddar.

─ Você não vai dispensar um por um, ou vai?

─ Dri, eu não estou saindo no carnaval para trepar com qualquer um e pegar uma DST ─ ela faz uma longa careta devido a minha última palavra, erguendo apenas o canto esquerdo da boca. Como disse algo sério, eu não esboço reação diante de sua brincadeira.

─ Desculpa, eu sei disso

─ Por favor, Adriana, eu não sou sua mãe pra te dizer o quanto é importante você se proteger antes de sair transando com qualquer um.

─ Nunca se sabe onde um pinto passou antes de você sentar nele ─ eu de novo tenho uma reação careta sobre sexo e, ao contrário do que fez anteriormente, Adriana ri e mergulha a mão no balde de frango frito novamente. ─ Ah, qual é, Cami? Você parece a minha avó!

Rio com a sua reação ao rolar os olhos e cruzar os braços, como se estivesse realmente indignada. Se minha melhor amiga não é a melhor pessoa desse mundo, eu posso apostar que eu nunca vou encontrá-la.

─ Cami, sexo é ótimo para tirar o estresse. Você deveria tentar!

─ Prefiro ir a um massagista para relaxar ─ vejo seus olhos verdes-acinzentados rolarem com minha afirmação.

─ Por favor, né? Parece que você tem setenta anos, não vinte ─ sou em que rola os olhos dessa vez. Essa sua forma indiscreta ─ ou nem tanto ─ de me chamar de careta sempre me persegue. Quando dou um gole na minha coca-cola, sua pergunta seguinte por pouco não me engasga: ─ Você por acaso já transou?

Não sei o motivo real da pergunta. Ela sabe da verdade. Ela é minha melhor amiga, afinal, e é muito pouco provável que tenha se esquecido daquela declaração feita por mim, há mais de dois anos.

─ Dri, você sabe que eu e o Marcelo... ─ brinco com o canudo, evitando olhar para Adriana.

─ Eu quero saber se você já transou de verdade! O Marcelo não conta!

Marcelo é meu ex-namorado e também o cara que tirou minha virgindade. Ficamos juntos por não mais de seis meses e só terminamos porque ele era um merda, como meus amigos ─ especialmente Adriana ─ diziam desde o começo. Marcelo nada mais era do um playboyzinho sustentado pelo pai que queria só diversão.

Depois que ele me deixou por uma outra garota com mais bunda que eu, Adriana começou a dizer que seu pinto era pequeno. Não sei porque todo homem precisa medir o ego com base no tamanho do seu pau.

─ Eu já estive com outros caras, você sabe... ─ minhas bochechas coram. Não é estranho conversar com minha amiga sobre sexo, afinal já falamos disso muitas outras vezes, mas é um gesto involuntário.

─ Nunca imaginei que você tivesse transado com alguém além do...

─ É, mas aconteceu ─ corto, antes que ela venha com seu apelido ridículo para Marcelo. Molho mais uma batata no cheddar e me concentro no meu lanche por um momento.

─ Com todos aqueles caras que você ficou?

─ Não todos, mas alguns... ─ deixo a frase incompleta, porque ela sabe o que eu quis dizer.

Eu nunca fui o tipo de ficar com vários em uma noite, mas quase todas as vezes em que sou arrastada para uma balada por qualquer um dos meus amigos, acontece.

─ Safada! ─ a exclamação de Adriana vem acompanhada de um sorrisinho malicioso e um empurrão leve em meu ombro. ─ Por que você nunca contou desses caras pra mim? Eu sou sua melhor amiga! ─ ela faz beicinho ao final da frase e eu lanço uma risada curta.

─ Eu sei disso, Dri, mas não sinto necessidade de contar de cada cara que eu fico pra você.

─ Vaca!

Reviro os olhos com base na sua acusação e rimos juntas. Adriana, em todos os meus anos de vida, é a pessoa mais extrovertida que eu conheço. Estar com ela é garantir uma risada a cada dois ou três minutos e estar despreparada para ouvi-la falando sobre sexo livremente, além de sua longa cartela de palavras baixas, que usa sem moderação.

─ Vem cá... ─ quando finalmente consigo morder meu sanduíche, Adriana volta a falar: ─ O que você vai fazer hoje à noite?

─ Não ─ digo antes mesmo que ela me venha propor qualquer saída. Esse é meu primeiro sábado de descanso desde que as aulas retornaram e eu já tenho meus planos.

No entanto, apesar de já ter antecipado minha reposta, os lábios de Adriana permanecem crispados. Eu a conheço há muito tempo para saber que ela ainda vai insistir mais quatro ou cinco vezes antes de se cansar e terminar nossa discussão me chamando de careta.

─ Mas, Cami...

─ Não, Adriana. Minha cama me espera e minhas séries também.

Com mais um gole na coca, eu engulo uma terceira batata e arqueio as sobrancelhas devido ao silêncio que emana. Adriana, como eu, está muito concentrada em seus frangos fritos e isso não é natural.

─ Você não vai insistir? ─ por força do hábito, pergunto. Adriana, no entanto, apenas balança os ombros.

─ Se você vai mesmo trocar seus melhores amigos por uma série idiota... Mas você sempre faz isso. A gente deveria estar acostumado...

─ Se eu prometer pedir comida japonesa você me faz companhia?

Eu realmente gosto de estar sozinha. Depois de passar o dia todo fora de casa, seis dias por semana, o mínimo que eu gosto de ter é um pouco de privacidade em meu próprio apartamento. No entanto, ter Adriana comigo essa noite não é nenhum sacrifício.

─ Olha, por mais tentador que soe... ─ eu sei o quanto é tentador. Adriana é louca por sushi ─ ou qualquer outro prato que se resuma a peixe cru e arroz, uma vez que eu não sei diferenciar um do outro. ─ ...eu já marquei de encontrar um cara.

Não é como se eu estivesse surpresa. Ela é previsível nesse quesito. Assim, não digo nada, apenas continuo a observá-la, sugando o canudinho.

─ E mesmo assim você me chama?

─ Ué, eu achei que você pudesse querer ir com a gente. Ele vai levar um amigo...

─ Você sabe que a gente não está mais na escola pra fazer uma coisa dessas, não é?

Nenhuma palavra sai da boca de Adriana pelos minutos seguintes. Começo a acreditar que esse é um feito inédito na minha vida: conseguir ficar por mais de um minuto inteiro com Adriana sem que ela diga nada.

Olhando a fila do KFC, que dobrou desde que nos sentamos, eu consigo pensar em alguma coisa para dizer e quebrar o silêncio que já se tornou estranho:

─ E você? ─ Adriana ergue a cabeça rapidamente, ocupada ao beber um gole de seu guaraná. ─ Já comprou sua fantasia?

─ Eu só vou mostrar no dia. Quero que seja uma surpresa ─ quando pisca para mim, no final da frase, entendo que está tudo bem.

[...]

Chegar em casa depois de um sábado cheio como esse é... A melhor sensação do mundo. Depois do meu almoço e todo o mistério envolvendo a fantasia de Adriana ─ que disse que eu teria que aguentar minha ansiedade ─ eu trabalhei por mais quatro horas na perfumaria que trabalho, no mesmo shopping e gastei mais meia hora do trabalho até em casa de ônibus.

Em dia de semana, essa rotina é ainda mais puxada; do trabalho eu vou direto até a faculdade e chego em casa por volta da meia noite e meia, quando não mais. Ser independente tem um preço bem alto.

A água corrente do chuveiro deveria ser considerada a oitava maravilha do mundo, especialmente depois de um dia cheio como hoje. Visto apenas calcinha e sutiã e sigo até a cozinha. Outra grande vantagem de se morar sozinha é a liberdade de vestir o que eu quero e jantar o que me der vontade.

Eu não sou uma cozinheira de mão cheia como meu pai, mas o ovo frito que eu preparo fica muito bom ─ e, claro, como tudo que sei fazer na cozinha, aprendi com ele. Completo o prato com arroz e feijão e me sento sobre o sofá da sala, ligando o Netflix.

Estou na metade do episódio quando meu celular vibra. Desligo-o da tomada por um momento e desbloqueio a tela. Sem pausar o episódio, não tiro os olhos da tela até que um pequeno flash de luz me diz que mais mensagens chegaram.

Dri: “Ei, bora sair?”

Diego: “Vamos! No mesmo barzinho de sempre?”

Eu posso apenas ignorar a mensagens. Quero dizer, poderia, mas a minha curiosidade fala mais alto.

“Qual é, Dri, levou um bolo do cara do tinder?”

Permaneço com o celular na mão, apesar de voltar minha atenção a tela e as loucuras daqueles dois adolescentes que acabaram de roubar o carro do pai do garoto. Meu celular vibra e eu corro os olhos pela tela.

Dri: “Miga, encalhada sim, mas encalhada desesperada nunca. Partir pro tinder é... Qualquer coisa, menos aceitável”.

Rir sozinha das graças de Adriana é um hábito frequente.

Diego: “Ah é, me diz então porque eu vi o aplicativo instalado na última vez que eu vi seu celular”

“Tem medo não, meu jovem? Falar assim da Adriana é estar pedindo pra morrer”

Eu deixo a série completamente de lado para continuar a conversa. Assim, estico as pernas para fora do sofá e deito meu corpo, permanecendo com os pés descalços rondando o tapete felpudo.

Dri: “Exatamente! E sim, logo eu, maravilhosa, plena, levei um bolo. Esse é o momento em que vocês se solidarizam e saem comigo pra eu esquecer esse cara e dizem: ‘relaxa amiga, ele não vale nada. Você merece alguém que te valorize e te trate como a princesa que é’”

Minha gargalhada ecoa pelo apartamento tão alta que aposto que o andar todo conseguiu escutar. Isso não é bem um problema, mas eu às vezes fico envergonhada em encontrar meus vizinhos de andar no elevador e saber que eles escutam mais do que deveriam sobre a minha vida.

Pri ♥: “Mas se você já disse...”

Dri: “Eu preciso ouvir de vocês, porque vocês são os melhores amigos do mundo e não vão me deixar sofrer por homem que não me merece. A gente se encontra daqui uma hora?”

“Aliás, a dona Camila vai, não é mesmo?”

“Foi mal, já tenho um encontro marcado com a Alyssa e o James. Boa sorte, miga

PS: Não fica brava comigo não. Apesar de eu te amar, já estou de banho tomado e acabei de jantar. Tudo o que eu quero é um grande encontro com a minha cama”

Fico com o celular desbloqueado por mais alguns minutos, com a série rodando. Estou esperando uma mensagem de Adriana. Depois de dez minutos, eu começo a suspeitar que minha amiga levou isso a sério demais. De qualquer jeito, amanhã eu me entendo com ela. Não tenho nada com o que me preocupar.

[...]

─ Eu não consigo acreditar que ele estava lá com outra! Qual é, tivesse me dito alguma coisa, falado que não estava afim, que tinha outros planos, mas não me iludir assim...

Troco olhares com Helena, que dá de ombros, tão perdida quanto eu.

Quando Adriana disse que precisávamos sair, eu estava acreditando que ela queria contar como a noite de ontem foi maravilhosa e que aquele bolo não significou nada, não depois de um cara maravilhoso que encontrou no bar por acaso. Não sabia que iria cair em uma mesa com Helena, Adriana e Priscila em meio ao Outback e ouvir incontáveis reclamações da minha melhor amiga.

─ Dri, não fica assim... ─ Priscila diz em consolo, passando a mão pelas costas de Adriana.

─ O que ele tem de tão especial assim? ─ mexendo meu suco depois de ter adicionado açúcar, recebo olhares de todas elas. ─ Qual é, Dri, você nunca liga pra uma coisa dessas. A não ser que você esteja apaixonada...

─ Sai fora, Cami. ─ Adriana com seu jeito engraçado bate na mesa três vezes, como forma de superstição.

─ Ah, vai, não é natural você ficar assim. ─ encolho meus ombros ao me justificar, experimentando do suco agora adoçado.

─ Realmente. ─ Helena concorda sem acrescentar palavra nenhuma.

─ Não que ele fosse o Milo Ventimiglia, mas... ─ após um suspiro, um entendo o que Adriana quer dizer com as palavras seguintes: ─ Sei lá, eu ‘tava’ curtindo ele, achava que a gente podia ter algo legal juntos e aí ele me vem com essa...

─ Acontece, bola pra frente! ─ incentivo, conquistando um sorriso de lado ─ o que já é uma grande vitória, considerando a situação. ─ Você é mulher maravilhosa e independente que não vai abaixar a cabeça por um rolo qualquer que resolveu te dar um bolo. Qual é, assim você não é a nossa Adriana.

─ Como você supõe que a sua Adriana resolva a situação? ─ ela ironiza profundamente, gesticulando em meio a luz fraca do lugar.

─ Erguendo a cabeça e colocando um sorriso no rosto. ─ Helena faz com que Adriana solte outro meio sorriso. ─ Bola pra frente, garota!

─ Quem perdeu foi ele, não você. ─ com a frase completada por Priscila, eu sinto que Adriana está prestes a se levantar da mesa e dar um dos seus discursos motivadores de sempre, mas a chegada dos nossos pratos faz ela se aquietar.

Meu suculento prato com filé mignon alcança minhas narinas e o menor resquício de cheiro me faz salivar. Apesar do restaurante fugir um pouco do meu orçamento (lê-se: muito), eu sei que vou gastar muito bem cada centavo aqui.

─ Ok, vocês são as melhores amigas do mundo e não se cansam disso. ─ rimos as quatro juntas, instigando o garçom que entrega o último prato a Helena. ─ Eu não vejo a hora de sair amanhã!

─ Eu também não. ─ Priscila comenta.

Eu aprecio meu prato antes de cortar a carne e não desvio meus olhos por um momento, querendo evitar o assunto. Seria tão bom se por acaso minhas amigas sofressem uma amnesia repentina e me deixassem em paz nesse assunto...

─ Você vai, né Cami? ─ Pri me cutuca levemente com o cotovelo, me forçando levantar a cabeça enquanto ainda mastigo. Com um sorriso falso, assinto.

─ Mal posso esperar. ─ completo, ao engolir.

─ Falsa! ─ Helena empurra meu ombro e Adriana rola os olhos. Eu rio fraco com suas reações. ─ Você acha que engana quem aqui?

─ É melhor do que virar e dizer que eu acho uma merda.

─ Você vai se divertir...

Apesar do que dizem minhas melhores amigas, eu tenho certeza que essa saída vai ser um pretexto para me fazerem de vela. Qualquer um é.

─ Eu já disse que preferiria mil vezes a minha cama, com meu computador e minhas séries do que sair por ai fantasiada, mas a Adriana não me escutou... ─ conforme indico a loira por meio de um aceno de cabeça, ela torce o nariz para mim.

─ Uma vez na vida dá pra você parecer ter sua idade e não o triplo? ─ Adriana mostra a língua para mim, arrancando risadas de Priscila e Helena. Percebendo que eu permaneço séria, ela tenta de redimir: ─ Cami, por favor. Eu entendo que você não é fã dessas coisas, mas uma vez, só uma vez, você pode parecer menos obrigada a ir?

Lanço um sorriso falso sem exibir os dentes, mas não digo nada em resposta. Eu não estou tão brava quanto Adriana pensa.

Como em silêncio por alguns minutos, vendo isso se estender a cada uma de nós a mesa. Quando estou na metade do prato, meus olhos pairam sobre Adriana, que me olha exatamente com aquela expressão de cachorro que caiu da mudança. Limpando meus lábios no guardanapo, alongo um suspiro e digo:

─ Eu não vou sair por ai obrigada. Se eu não quisesse eu batia o pé e dizia não. Eu vou porque vocês querem...

─ Ninguém aqui está requisitando sua presença não! ─ Priscila diz em tom de brincadeira, empurrando meu ombro. ─ A gente só quer se divertir com você.

─ Eu só espero que vocês estejam todos prontos, porque dessa vez eu vou sair para dar trabalho. ─ anuncio, mais uma vez mexendo o suco com o canudo. Todas olham para mim, tentando desvendar o que acabo de dizer. ─ Dessa vez eu vou sair pra beber. Beber, beber mesmo.

As três riem comigo quando concluo meus planos. Mais uma vez cortando a carne suculenta, Adriana diz:

─ Algum motivo específico para isso?

─ Se eu vou ser obrigada a ficar em um lugar que eu não gosto, o mínimo que eu posso fazer é arrumar um bom divertimento ─ pisco na direção de Priscila e Adriana.

Passados alguns segundos, mais uma vez, rimos as quatro juntas. Aproveitando um momento de silêncio, eu saboreio um pedaço de carne.

O silêncio prevalece por poucos minutos, até que Priscila devolve seu copo de caipirinha para a mesa e comenta:

─ Eu ainda me lembro da última vez que eu te vi bêbada.

─ Meu Deus... ─ Helena comenta referente ao assunto, levando a mão até a testa e fazendo com que minhas bochechas queimem instantaneamente.

Bebida e eu são duas coisas que não andam lado a lado. Eu dificilmente bebo, mas quando bebo acabo fazendo algumas (grandes) merdas e não preciso beber tanto para isso. Além de dar PT em quase todas as vezes que saio, eu normalmente me esqueço dos limites de vergonha alheia e isso quer dizer que eu já fiz muita, mais muita coisa, mesmo.

─ Você dançando em cima da mesa foi maravilhoso ─ Adriana não se contenta com o momento vergonhoso que estou vivendo e ressalta.

─ Ou ela ligando para o Marcelo... ─ Helena relembra. ─ E vomitando em cima do...

─ Tá bom, tá bom! ─ interfiro na conversa, atraindo todos os olhares para mim. Voltando a me sentar, depois de ter me levantado para conseguir a atenção de todas.

─ Faz merda e não tem coragem de assumir? ─ reviro os olhos diante da afirmação de Adriana, levando o canudo até meus lábios.

Após engolir mais um gole de suco, novamente deixo o copo sobre a mesa e deslizo meu corpo pelo estofado do sofá, querendo me esconder.

─ O que eu falei pro Marcelo? Eu não me lembrava dessa parte.

Pela troca de olhares entre as três, já é previsível que coisa boa não é. Não que eu realmente não soubesse disso antes, eu só não consigo me lembrar do que eu disse no telefone, porque sua reação quando apareceu cedo na minha porta na manhã seguinte, gritando comigo e me fazendo enfrentar a pior ressaca da minha vida me deixou dúvidas.

─ Amiga... ─ Pri me chama brevemente, mas eu não tenho coragem de encarar nenhuma delas. ─ Eu não sei o que você disse exatamente, mas eu lembro de ouvir você xingando ele e falando alguma coisa sobre o término de vocês...

─ Disse que foi a melhor coisa que aconteceu na sua vida! ─ Adriana ressalta e a julgar pelo seu balançar de ombros, a coisa foi bem pior do que eu imaginava.

─ Que merda! ─ bufo de insatisfação, provocando risadas baixas de cada uma das minhas amigas.

Voltando minha atenção ao prato, minha meta, no momento, é não conseguir me envergonhar mais nesse almoço. Seguido de mais uma garfada, Helena diz:

─ Você já fez coisas piores.

─ É, mas eu não queria ter ofendido ele ─ respondo ao engolir, já com as mãos nos talheres para mais uma garfada.

─ Ele é um merda, só pra começo de conversa... ─ pelo seu tom de voz, eu consigo saber que Adriana está inconformada. Eu não esperava outra reação dela, com toda sua perseguição com Marcelo.

─ Sim, e eu deveria ter deixado tudo quieto porque a gente terminou ─ dou de ombros. Minha matemática é simples.

─ Correção: ele terminou com você! ─ Adriana insiste, inconformada. Eu balanço a cabeça, seguido por mais um gole de suco, e troco olhares com Priscila. Essa história está começando a me parecer estranha demais. Será que é mesmo que é só sobre nosso término que estamos falando agora?

Com a minha pergunta, reconheço a cara que minha melhor amiga faz ao morder a parte interna da boca. Com os olhos vidrados nela, meus lábios permanecem por mais tempo sobre o canudo, mas nenhuma resposta vem de Adriana e sua feição está indecifrável.

Com o copo vazio, eu limpo a boca sobre um guardanapo e decido encerrar essa perseguição por aqui. Pego minha carteira dentro da bolsa e saco uma nota, deixando-a sobre a mesa. Adriana me encara com os olhos arregalados, mas somente no momento em que estou para me levantar da mesa, diz:

─ Você não vai mesmo embora porque eu falei algumas coisas do seu ex, né?

Em pé, eu me viro para mesa, guardando a carteira sobre a bolsa novamente. Quando termino, sigo com os olhos até Adriana. Eu ainda não consigo adivinhar o que está se passando em sua cabeça.

─ Adriana, eu só queria entender o porque de toda essa perseguição. Ele me magoou? Sim, me iludiu também e apesar de você ser minha melhor amiga, isso está ultrapassando os limites. Você está me fazendo acreditar que você realmente odeia ele. ─ vejo ela engolir em seco devido ao meu breve desabafo e descanso a mão sobre a cintura, esperando uma resposta descente ─ que não vem. Todas na mesa parecem ter vergonha de me olhar, depois das minhas palavras, mas o sorriso de lado de Helena com certeza é a sua forma de me apoiar.

Se passam alguns minutos e eu começo a ter certeza de que o que quer que tenha acontecido entre Adriana e Marcelo, eu não saberei por ela. Isso leva minha imaginação longe, com certeza, mas eu ignoro qualquer sentimento que me deixe com vontade de insistir no assunto.

Giro os calcanhares e começo a caminhar para a saída do restaurante quando Adriana me chama.

Reluto, querendo não me virar, mas meu corpo responde por mim antes que eu consiga me dar conta. Voltando meu olhar para Adriana, acomodo a bolsa em meu ombro e permaneço sem reação até que ela fale:

─ Cami, não é nada do que você está pensando. ─ dando um passo a frente, ela abre um meio sorriso enquanto nós caminhamos para fora do restaurante, localizado no meio de um shopping. ─ Você vai me escutar?

─ O que você tem pra me dizer? ─ cruzando os braços, eu me arrisco a perguntar.

Os cabelos de Camila caem sobre seu rosto, impedindo sua visão em alguns momentos, mas ela parece não se importar. Reconheço seu nervosismo ao torcer os pés, ainda que ela tente disfarçar.

Mordendo os lábios, a escuto dizer:

─ Cami, o que a gente teve foi antes de você...

─ Vocês tiveram alguma coisa?! ─ grito em uma reação instantânea, mas o silêncio paira com o passar dos segundos.

Entro em estado de choque com essa revelação que me faz. Ficamos um longe momento em silêncio, enquanto tento absorver o que acabou de me dizer. Meu ex-namorado e minha melhor amiga tiveram algo? E ela me escondeu por todo o tempo em que namorei com ele?

Da parte de Marcelo eu não faço questão; nós terminamos há algum tempo e ele já não faz parte da minha vida. Mas da Adriana? Adriana? Minha melhor amiga? Eu jamais imaginaria uma coisa dessas. Nunca.

─ A gente ficou um pouco antes de vocês se conhecerem...

─ Por que você não me contou antes? ─ essa é a única coisa que tenho a declarar no momento. Ainda não sei dizer como me sinto em relação a isso, mas depois dos minutos que passei ponderando, eu começo a imaginar que não é tão grave.



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