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História Amor de Outras Vidas - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Mais uma vez, eu comecei pensando de um jeito e acabei terminando de outro kkk mas fazer o que, vida que segue...

ALERTA: possivelmente você vai se emocionar, então por precaução, tenha um lencinho em mãos...

Boa leitura :)

Capítulo 1 - Não vou te perder de novo!


Jin GuangYao nunca fora um garoto que costumasse sonhar sempre que adormecia. Com dois empregos de meio período, uma faculdade e uns bicos que ele arrumava como doceiro em alguns finais de semana, ele mal tinha tempo simplesmente para respirar, quem dirá sonhar. Porém, tudo mudou quando em uma manhã fria e chuvosa de domingo, ele ouviu vozes em frente à sua porta, no corredor, onde ao sair para ir na vendinha do velho tio Qiren, ele deu de cara com seu novo vizinho, que por um breve segundo, também o olhou.

Lan Huan, ou XiChen, como os amigos mais chegados o chamavam, havia se mudado para aquele prédio com a oportunidade de ser mais próximo à universidade em que daria aulas como professor de história. Mais especificamente, história da China antiga. Apesar de ser cético para algumas coisas, no fundo, XiChen acreditava muito em reencarnações, vida após a morte e coisas relacionadas ao destino, o que gerava certas brincadeiras entre os amigos. Mas tudo bem, ele não se importava. Também não se importara quando sentiu os olhos curiosos de seu vizinho quando o mesmo irrompeu porta a fora e com um cumprimento rápido, saiu quase que correndo de seu campo de visão. 

Como um bom amante de comida, A-Yao era um excelente estudante de culinária, passando horas navegando na internet atrás de novas receitas para testar com seu único amigo, Xue Yang, já que toda a sua família o abandonara à própria sorte quando ainda tinha somente 15 anos, sendo acolhido pelo Yang de bom grado. Desde então, eles moravam juntos, se ajudando em qualquer situação, principalmente amorosa, como era o caso de Xue e seu crush impossível pelo estudante de medicina, Xiao XingChen, que para azar do amigo, já parecia sair com Song Lan, um vetereno da faculdade de veterinária.

Naquele dia, quando realizou a proeza de acordar ainda mais cedo que seu próprio despertador, GuangYao decidiu que queria fazer uma torta de maçã que parecera deliciosa no vídeo em que assistira antes de dormir. Mas, ele não tinha nenhum dos ingredientes que pedia, fazendo-o assim se arriscar ao sair na rua até a vendinha na rua de trás. Sempre com um sorriso no rosto revelando suas preciosas covinhas, A-Yao chegou rapidamente até seu destino, cumprimentando Qiren que lia um de seus muitos livros antigos enquanto ajeitava o óculos sobre o nariz.

GuangYao, "Bom dia, seu Qiren, como está hoje?", perguntou educadamente ao pegar uma cestinha e ir atrás do que precisava, recebendo um aceno do mais velho.

"Caiu da cama hoje, A-Yao? Não deveria estar descansando? Você sempre se esforça demais, pode acabar ficando doente!", Qiren respondeu, avaliando a aparência miúda e infantil do garoto - mesmo que ele já estivesse quase com 28 anos -, "Eu estou bem, obrigado, e você?"

De longe, entre os corredores, a voz animada de GuangYao surgia, "Mais ou menos isso, mas estou bem também, e eu sempre descanso quando me sobra algum tempo ou tenho aulas livres na faculdade, obrigado por se preocupar!", cantarolava baixinho uma canção qualquer quando uma nova voz soou em frente ao balcão. 

A voz era melódica, suave, trazendo uma sensação de tranquilidade para GuangYao, que ele não conseguia explicar como ou porque. Ao terminar suas pequenas compras, ele voltou até onde Qiren estava e dando de cara com o vizinho novamente, algo em seu coração apertou. 

Qiren, "Achou tudo o que precisava, meu filho?", perguntou após indicar a direção para a pergunta que Lan Huan havia feito, "Qual a sobremesa da vez?", conhecedor das habilidades do garoto, sabia que algo bom e gostoso iria surgir mais tarde.

"Hoje eu vou fazer uma torta de maçã!", respondeu entregando o dinheiro contado nas mãos do velho, "Quando ficar pronta, eu trago um pedaço pro senhor!", disse ao pegar as sacolas e se despedir.

Qiren, "Vou aguardar ansioso, A-Yao!".

Quando chegou em casa, Jin GuangYao percebeu que o amigo já havia acordado, largado no sofá assistindo algum jogo de futebol na qual ele não fez a menor questão de saber os nomes, vestindo somente a boxer preta que de tão velha, o elástico já estava frouxo em sua cintura. Revirando os olhos, ele foi para a cozinha. 

Xue Yang, "Bom dia, A-Yaozinho, o que vai fazer hoje?", a voz manhosa vindo do sofá, com a cabeça inclinada para trás por alguns momentos, "Você já viu o novo vizinho? Mó gatão hein? Ele parece ser seu tipo!"

"Sim, eu já o vi...", GuangYao respondeu sem qualquer pingo de emoção em sua voz, retirando as compras das sacolas, "Deixa de fogo no cu, ChengMei, você não sabe qual é o meu tipo!", a cabeça surgindo entre a porta que separava a cozinha da sala, "E eu vou fazer torta de maçã!"

Com uma risada alta, Xue Yang se levantou, indo até a cozinha e ao se encostar na porta, cruzou os braços, apontando um dedo para o amigo, "Se ele não faz seu tipo, porque está tão vermelho desse jeito? E não venha me dizer que é o calor, porque ta frio a semana inteira!"

"Vai se lascar!", respondeu decidido a ignorar o amigo e se concentrar em sua receita, ouvindo novamente a risada do outro que se afastava na intenção de voltar para seu jogo, "Se está frio, porque ta só de cueca pela casa?", perguntou vendo-o dar de ombros. Maluco.

Algum tempo depois, a torta já esfriava sobre a pia, que seguia impecavelmente limpa e organizada. Xue Yang havia saído alegando que iria para uma boate com o primo, Jin ZiXuan, e uns amigos, não tendo hora para voltar. Sozinho pelo apartamento e extremamente cansado, GuangYao tomou seu banho e jogando-se espalhado na cama, ele aos poucos adormeceu. E então o primeiro sonho surgiu.

No sonho, ele se via em um templo antigo, cercado por estátuas e outras pessoas que ele não conseguia reconhecer quem eram. Em sua frente, um jovem bonito, parecendo importante lhe perfurava o peito com uma espada, a expressão de raiva que o outro possuía em sua face, era totalmente contrária à de dor e mágoa, misturado à surpresa que surgia em sua própria face no sonho. Lan XiChen, era o nome dele. Coincidentemente, o homem em seu sonho lhe era muito familiar.

Assustado, com uma enorme dor em seu peito como se sentisse a falta de algo ou alguém que não saberia dizer o que ou quem, GuangYao acordou com os olhos inchados e molhados. Nem percebera que estava chorando e com uma leve falta de ar. Ele quase nunca sonhara, e logo agora, ele tivera aquele pesadelo, porque nem de perto ou longe, aquilo lhe parecia um sonho. Levantando-se meio grogue, ele foi até a cozinha beber um copo de água na tentativa de se acalmar.

"Vamos lá, A-Yao, foi só um pesadelo!", era o que dizia a si mesmo, tentando a todo custo lembrar onde já havia visto aquele homem antes.

Três meses se passaram da mesma maneira, com A-Yao tendo pesadelos praticamente todas as noites, o que havia começado a afetar seu rendimento nas aulas e em seus trabalhos. A presença de Lan Huan em sua vida fora o marco para que essas mudanças surgissem, fazendo-o fugir sempre que o encontrava pelo campus ou no corredor quando ia para casa. É claro que a atitude não deixou de ser percebida pelo mais velho que sorria minimamente, sempre paciente.

Era uma tarde de sexta quando ambos se esbarraram enquanto GuangYao se dirigia para a aula prática de culinária, murmurando um "desculpa" e correndo tão rápido quanto o diabo fugindo da cruz, deixando Huan para trás, que suspirava sempre ao vê-lo. Ao seu lado, Jiang Cheng - seu colega e conhecedor de toda a história do amigo e sua crença sobre destino - lhe encarava, esperando ser notado.

Jiang Cheng, "É ele?", perguntou atraindo a atenção do mais alto para si, que balançou a cabeça concordando, "Ele sabe?"

"Eu não sei, A-Cheng, provavelmente...", Lan Huan respondeu sincero, sentando-se em um dos bancos mais próximos à eles, "Nem sei se ele acredita nessas coisas como eu..."

Jiang Cheng sentou-se ao lado, apoiando a cabeça em uma das mãos parecendo analisar a coisa toda mais uma vez. Segundo o outro, ele e esse tal A-Yao - que ele vivia enchendo a boca para falar e suspirar -, se conheceram em vidas passadas, e se não fosse por infortúnios, poderiam ter desenvolvido um relacionamento mais sério, "Se ele não acreditasse, porque fugiria ao invés de permanecer no mesmo lugar que você?"

"Eu não sei...", a resposta viera baixa, o olhar ainda permanecia na direção pela qual o outro havia ido embora, e, durante o restante do dia, Lan Huan não vira nem a sombra do garoto.

Agradecendo mentalmente por ter somente a aula prática naquele dia, mesmo que ainda estivesse perturbado pelo mesmo pesadelo de todas as noites, A-Yao correu de volta para seu apartamento no momento em que o sinal anunciando o fim da aula havia soado, encontrando Xue Yang na cozinha, se entupindo de doces.

Xue Yang, "Meu parceiro, sua cara tá uma bosta, viu?", comentou ao ver o amigo jogar a mochila sobre o sofá e tendo o mesmo destino em seguida, "É aquele pesadelo com o vizinho de novo?"

"Hm..", GuangYao resmungou erguendo minimamente a cabeça, antes de suspirar ao sentir a mesma dor voltar a lhe incomodar.

Odiava ver o amigo naquele estado, mas não tinha nada que pudesse fazer além de aconselhá-lo, e foi o que fez, ao se aproximar do sofá e puxando o corpo leve do outro, se ajeitou, deixando-o que fizesse seu colo de travesseiro, afagando-lhe os cabelos, Xue Yang, "A-Yao, porque não o enfrenta de uma vez?", perguntou sério, "Sabemos o quanto você é sensível com esse tipo de coisa, o quanto acredita no passado e em outras vidas.. Isso está te perturbando a mais de 3 meses, faça alguma coisa!"

Ficaram ali por mais algum tempo até ambos levantarem e repetirem a mania que tinham desde a infância. Sem malícia alguma, Yang foi empurrando GuangYao até o banheiro, ligando o registro na água morna e começando a se despir, vendo-o fazer a mesma coisa. Sempre que o garoto tinha essas crises, Xue Yang o levava para o banho e cuidava-lhe com muito afeto, percebendo sua melhora quase instantânea depois que ambos saíam do chuveiro. Desde crianças, essa tática sempre lhes funcionou muito bem, dessa vez não seria diferente.

Depois do banho, com muito custo, Xue Yang conseguiu fazer o amigo dormir, deixando a porta do quarto encostada ao sair e dirigindo-se ao próprio louco para se jogar na cama e ter seu corpo fundido aos lençóis. Às vezes se perguntava se em alguma vida passada ele fora pai do amigo ou algo do tipo, porque era inacreditável o quanto ele cuidava do outro, que parecia uma criança manhosa.

2h50 da manhã, GuangYao acordou com o mesmo pesadelo, do mesmo jeito que das outras sabe-se lá quantas vezes. Os olhos inchados, o nariz fungando pelo choro, a dor em seu peito e a imagem de Lan XiChen ou Lan Huan em sua mente o enlouquecendo mais uma vez. Cansado e com raiva, ele levantou, calçando sua pantufa de bichinho - presente de A-Yang em seu aniversário - e em silêncio, porém com passos firmes, decidiu por um fim em tudo aquilo. Decidiu bater na porta de quem vivia fugindo.

Vestindo somente uma calça de moletom, de óculos e segurando um de seus livros, Lan Huan abriu a porta na primeira batida, dando de cara com um Jin GuangYao terrivelmente abatido. Estava prestes a abrir a boca, quando um dedo o calou. GuangYao, "Por tudo o que é mais sagrado, me diga porque continua me atormentando desse jeito? Porque continuo sonhando contigo e com uma vida totalmente diferente do passado? Porque diabos eu te vejo enfiando a droga de uma espada no meu peito, Lan XiChen? Porque infernos você me matou, quando eu não tinha feito nada pra ti? Porque, Lan XiChen, depois de tantos anos, você só apareceu agora e trazendo de uma vez essa maldita lembrança entre tantas boas que tivemos?"

Fora preciso muita concentração em suas palavras, para Huan entender o que o outro lhe dizia em meio aos tapas dados em cada pergunta, ao choro que não cessava. Havia escutado direito? Entendido direito? Com medo de acordar os vizinhos, ele o puxou pela mão, trazendo-o para seus braços mais uma vez, depois de tantos e tantos anos de espera. Guangyao se deixou ser abraçado, estava cansado demais para impedir o maior de fazer qualquer coisa, dando-se ao trabalho somente de ouvir o coração descompassado do outro na altura de seu ouvido. 

Lan Huan, "A-Yao?", perguntou incerto sentindo seu coração bater loucamente no peito, fazendo-o olhar para si, "Você... Você se lembra...? Você se lembra de tudo?"

GuangYao, "De você enfiando uma espada no meu peito e me acusando injustamente? Sim, eu me lembro...", respondeu secando os olhos e fungando novamente, "Com tantas lembranças, porque teve que trazer logo essa no primeiro dia que te vi? Tem noção do quão horrível é acordar todas as noites sentindo a dor daquela espada repetidas vezes? Porque demorou tanto?"

Lan Huan, "Você se lembra do que me disse?"

"Irmão, fique e morra comigo!"

Mesmo não dizendo em voz alta, Guangyao balançou minimamente a cabeça em concordância. Ele se lembrava muito bem também de tê-lo afastado quando viu que ele estava disposto a morrer com ele, o motivo é que ele não sabia, nunca soube. GuangYao, "Porque?"

Lan Huan suspirou, acariciando-lhe a face com seu sorriso gentil, "Porque eu te amava, A-Yao, por amor, eu morreria por você, e eu morri por você, logo depois que você se foi!", respondeu, beijando-lhe a testa demoradamente, seguindo por um breve beijinho na pontinha do nariz e terminando com um nos lábios, "Você é meu amor de outras vidas, A-Yao, de todas as vidas passadas e as que virão... Eu te perdi uma vez, não vou te perder de novo!"

Jin GuangYao nunca fora um garoto que costumasse sonhar sempre que adormecia, mas naquela madrugada, nos braços de Lan Huan, seu amado e eterno Lan XiChen, ele sonhou, tendo leves vislumbres de épocas diferentes, anos diferentes, situações diferentes, mas eles sempre iguais, se reencontrando, se amando, sendo felizes.

Com um sorriso nos lábios que evidenciava suas covinhas, ele murmurou, ao aconchegar-se ainda mais no calor daqueles braços, "Você também é e sempre será meu amor de outras vidas, A-Chen..."


Notas Finais


To triste com a minha própria história e não sei o que falar kk mas obrigada a quem leu até aqui :)


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