História Amor e confusão - Capítulo 24


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Categorias Histórias Originais
Tags Lésbica, Lgbt, Romance
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Palavras 2.820
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri (Lésbica)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 24 - Capítulo 24


Não demorou e ela apareceu usando o mesmo vestido de quando conheceu meus pais, senti uma leve nostalgia, saudade de tudo que passamos juntas e sorri. Ela se sentou no sofá e ligou a tv enquanto eu terminava o almoço, mas ela olhava o nada e não estava prestando atenção nenhuma ao que passava na televisão. 

— Carol – ela me chamou.

— Oi, linda.

— Agnes, Melinda ou Paula?

Fiquei um pouco sem entender, mas respondi:

— Agnes — ela olhava o celular e escreveu algo nele.

— Ok. Max, Henrique ou Felipe?

— Gosto mais de Théo.

— Ok, Théo.

— Pra que isso, Luísa? – perguntei curiosa.

— Tô pensando que nome a gente pode dar pro nosso bebê – ela falou e eu ri.

— Gosto de Mariana também, Elisa talvez.

— Elisa não. Minha mãe tinha uma irmã que chamava Elisa e ela era terrível – ela disse e eu ri.

— Ok, Elisa não. E Gabriela?

— Eu estudei com uma Gabriela na faculdade. Gabriela Alvarez, já ouviu falar dela?

— Acho que não, deveria?

— Não, ela é uma referência no meu ramo. Ela construiu um império do zero, excelente profissional.

— Sei – confesso que tive uma pontada de ciúme.

Eu não era nada daquilo que ela admirava, uma mulher de negócios, e ela estava sempre cercada de mulheres lindas e executivas. Vi um sorriso travesso colorir seu rosto.

— Que foi? Tá com ciúme?

— Não, só mudei de ideia, não gosto de Gabriela – ela gargalhou.

Ela se levantou e foi ao meu encontro.

— Eu não sei como você conseguiu, mas ficou incrivelmente mais linda em trinta segundos.

— Para Luísa – falei quando ela afastou alguns fios de cabelo e beijou meu pescoço.

Cada milímetro do meu corpo se arrepiou com aquele beijo.

— Eu juro que nunca tive nada com ela, ela só era minha amiga.

Parei o que fazia e me virei de frente para ela.

— Ah é? E como é que você tem tanta certeza disso?

Ela me pressionava com seu corpo contra a pia.

— Eu sei que nunca me envolvi com ela antes de te conhecer e aposto tudo que eu tenho que não fiz isso depois que te conheci.

— Tá bom viu, vou pensar se acredito em você.

— Eu posso te convencer se precisar – ela falou e passou o nariz por meu pescoço, respirando em minha pele, me fazendo tremer de um jeito que eu nunca imaginei ser possível.
Sua mão esquerda segurava meu rosto e a outra passeava minha cintura. Segurei seu braço com força sentindo meu íntimo latejar de desejo por ela e ela soltou quase um sussurro em meu ouvido:

— Já te convenci?

Um gemido involuntário saiu sem que eu conseguisse segurar.

— Talvez – falei apenas e ela riu em meu pescoço.

Ela passou a ponta da língua por meu pescoço até alcançar minha orelha e apertou forte minha bunda. Não consegui segurar outro gemido.

— E agora? – perguntou sem vergonha.

— Quase – respondi meio sem perceber.

Ela passou o braço pela bancada afastando as coisas e me colocou sentada de frente para ela. Ela tirou minha blusa e tomou meu seio esquerdo em sua mão, passando a língua por minha barriga antes de alcançar o mamilo. Segurei seu cabelo num rabo mal feito já esperando ela tirar meu short e acabar com aquela angústia, mas ela não tocou nada abaixo do meu umbigo. Então percebi que o meu orgasmo já estava perto, meu corpo dava vários tremores rápidos involuntários, minha pele estava tão arrepiada que parecia que ia se desfazer, minha respiração estava mais ofegante que a de um maratonista, meu coração batia tão rápido que parecia que ia sair pela boca a qualquer momento e eu me perguntei como ela conseguia fazer aquilo comigo, como ela conseguia, além de ter controle total sobre mim, ter também sobre o meu corpo.

— Luísa – gemi já não conseguindo mais segurar.

Eu amava aquela mulher de uma maneira que eu mesma achava impossível, mas que existia dentro de mim e me movia como um combustível.

— Deixa sair – ela falou suavemente em meu ouvido e eu não aguentei, gozei por ela, para ela, sem que ela tocasse meu íntimo.

Ela contornou minha cintura com um braço e segurou meu rosto em seu ombro, onde eu gritei sem pudor nenhum antes de um arrepio intenso e um tremor forte tomarem conta do meu corpo. 

— Convencida agora? – ela perguntou quando a encarei.

Não sei explicar porquê, mas me senti envergonhada daquela situação. Não vergonha dela, de estar quase nua na bancada da cozinha, nem do que tinha acontecido, mas da maneira como meu corpo me traía e se entregava a ela daquela maneira, sem precisar muita coisa. Levei minhas mãos ao rosto para esconder minha expressão e ela perguntou:

— O que foi?

— Será que eu nunca vou conseguir descobrir como me controlar quando você faz isso comigo? – ela riu.

— Eu espero que não, gosto de como as coisas acontecem naturalmente entre a gente.
Não respondi, apenas sorri e a abracei. Ela afagou minhas costas nuas e sussurrou um "te amo".

— Vai tomar um banho, eu termino essa salada – ela disse.

Dei um beijo rápido nela, peguei minha blusa no chão e subi, entrando logo no banheiro. Tomei uma ducha fria para espantar o calor e, talvez, apagar o fogo que eu sentia por ela. Demorei um pouco pensando naquela história de ter um bebê, ela parecia ter aceitado bem, aderido realmente à ideia, e eu me perguntei se era isso mesmo que eu queria. Pensei se conseguiria largar o restaurante para ficar em casa e cuidar apenas das crianças, pensei se ela aceitaria isso, se não era muito ousado da minha parte, mas cortei todos esses pensamentos quando me lembrei do almoço. Desliguei o chuveiro, me sequei e fui ao quarto me vestir. Quando voltava para a cozinha ouvi uma melodia suave vindo da sala e dei de cara com ela sentada de frente para o piano. Ela sorriu quando me viu chegando e começou:

Te ver e não te querer, é improvável, é impossível. Te ter e ter que esquecer, é insuportável, é dor incrível.

— Você nunca cantou pra mim – falei quando me sentei em seu colo.

— Eu nunca cantei pra ninguém, nem pra minha mãe, nem pra Laura, nem pro meu professor de música. Pra falar a verdade acho que nem sozinha.

— Que honra – falei e sorri largo antes de dar um beijo nela. – Vem, vamos comer.

Nós comemos juntas e depois eu lavei a louça enquanto ela assistia tv. Ficamos jogadas no sofá pelo resto do dia e anoitecia quando o Léo e as meninas ligaram. Conversamos com eles por um tempo, depois jantamos, tomamos banho e fomos para a cama. Ela ficou se remexendo e eu perguntei:

— Que que foi, em?

— Não sei, parece que tá faltando um pedaço de mim — ela suspirou.

— A gente vai passar por isso, linda, prometo. Tá bom?

— Tá bom.

— Mas... — instiguei e ela sorriu.

— Mas é que eu queria tanto saber de tudo que a gente viveu juntas, saber nossa história. Eu sinto como se eu estivesse iludindo você, como se eu não estivesse sendo sincera, sabe?

— O que você sente aqui? — levei uma mão ao seu peito quando perguntei.

— Sinto que eu nunca senti nada por ninguém como eu sinto por você e que dependo disso pra existir, mas tem tanta coisa faltando que parece que não é verdade — ela suspirou quando disse.

— Você vai descobrir tudo de novo, eu tenho certeza — falei e deixei um beijo em sua bochecha.

Aconcheguei-me nela e peguei no sono rapidamente.

Acordei sozinha na cama com minha mãe ligando.

— Oi mãe — atendi.

— Tá dormindo ainda Carolina? A essa hora?

— Agora não mais, dona Eloísa. Posso te ajudar?

— Só queria saber como a Luísa tá.

— Ela tá bem, mãe. Tá se lembrando das coisas aos poucos. A propósito, eu também tô bem viu, caso queira saber.

Ouvi ela rir do outro lado.

— Tá bom, minha filha, qualquer coisa me liga.

— Tá bom.

Desliguei e soltei o celular na cama, afundando o rosto no travesseiro. Fiquei esperando a Luísa aparecer, mas como ela não deu as caras resolvi levantar e procurar por ela. Encontrei ela no quarto que era da Laura, sentada na cama olhando os arredores vazios, sem fotos, sem decoração, sem nada. Ela correu meu corpo com os olhos, de cima a baixo, e sorriu, então eu notei que usava apenas um blusão que deixava parte da minha bunda de fora.

— Bom dia — falou animada com um sorriso sacana no rosto.

— Bom dia, levantou cedo em — falei e me sentei em seu colo, deixa do um beijo rápido em sua boca.

— Eu não dormi muito, aí resolvi arrumar esse quarto pro nosso bebê — eu ri —, mas já não tem mais nada.

— Você tirou as coisas daqui e do quarto dos seus pais faz mais de um ano, linda.

— Eu não me lembro, mas eu tô bem, sabe? Com tudo isso. Eu achei que não ia conseguir nem entrar aqui dentro.

— Você superou muita coisa, Luísa.

— Eu aposto que você tem muita culpa disso — ela disse e deixou um beijo em meu pescoço.

— Você fez tudo sozinha — falei.

Ela não disse nada e eu perguntei:

— O que foi?

— Você acha que a gente dá conta? Eu tenho tanto medo de não ser uma boa mãe — ela suspirou.

— Você vai ser ótima, Luísa, acredita em mim, e em você também.

— Tá bom — ela respondeu apenas.

— Mas... — instiguei e ela riu.

— Por que você sempre sabe que tem um "mas"? — eu ri.

— Eu te conheço, linda, me diz o que tá te incomodando.

Ela suspirou.

— Eu sei que eu disse ontem que queria esperar um tempo, me situar primeiro, mas eu mudei de ideia. Meu coração tá gritando pra gente fazer isso logo e eu sempre confiei nele.

— E no que você tá pensando?

— Eu conheço uma obstetra especializada em reprodução assistida e eu acho que a gente devia trocar uma ideia com ela.

— Eu acho ótimo, princesa.

— É sério? Pensei que você ia me chamar de louca — nós rimos.

— Uma vez eu te disse que sua loucura combina com a minha e eu ainda acredito nisso — ela sorriu largo e me deu um beijo demorado e cheio de amor. — Liga pra ela e marca pra gente ir lá conversar. Eu preciso ir no restaurante hoje resolver umas coisas com o Fred, mas eu não demoro. Depois eu vou pegar meus pais pra gente almoçar junto, pode ser?

— Eu posso ir com você? Não quero ficar sozinha.

— Claro, princesa, mas tá tudo bem?

— Tá, é só que... não sei, eu tô com medo de ficar sozinha.

— Eu não vou deixar você sozinha, tá bom?

Ela acenou em afirmação e eu a abracei contra meu peito.

— Vamo tomar um banho e comer alguma coisa pra gente ir.

Levantei-me e a puxei pela mão até o quarto. Nós tomamos banho, comemos e saímos antes das dez.

— Eu acho que eu já estive aqui — ela disse quando paramos na porta do restaurante e eu ri.

Nós entramos e o Fred nos recebeu com alvoroço.

— Pelo amor de Deus garota, não faz isso com a gente de novo — ele disse quando a abraçou.

— Prometo que vou tentar — ela respondeu.

— Você quase matou a gente do coração.

— Eu sei, desculpa, mas eu tô bem agora. Minha memória ainda tá voltando, mas eu tô bem mesmo.

Deixei ela sentada em uma mesa e fui até uma salinha com Fred.

— Ela tá bem mesmo? — ele perguntou.

— Tá sim, Fred. Algumas memórias já voltaram e continuam voltando aos poucos. Mas não é sobre a Luísa que eu quero conversar com você. Eu quero te propor uma sociedade.

— Como assim, Carol?

— Eu tô com uns planos aí e preciso de tempo, então eu vou vir aqui o mínimo possível. Eu quero que você tome conta de tudo, inclusive se quiser colocar outra pessoa no meu lugar na cozinha. Você vai ficar com 51% do restaurante e eu com 49%. Você decide tudo, eu só vou participar dos lucros e assinar quando precisar.

— Eu tô passado — ele disse e eu ri. — Eu não tenho dinheiro pra isso agora, Carol.

— Eu não tô te vendendo, Fred, eu tô te promovendo. Você me ajudou tanto com isso aqui quando eu precisei, agora é minha vez de retribuir. Eu quero deixar na mão de alguém que eu confie, que eu sei que vai fazer o melhor possível e esse alguém é você — ele ficou em silêncio. — Diz que aceita, Fred, porque eu não tenho outra opção.

— Tá, tudo bem. Eu só tô um pouco surpreso, eu não esperava por isso.

— Então você trata de sair do choque porque agora você tem um restaurante pra guiar.

Ele me abraçou forte, me agradeceu e disse que não ia me decepcionar. Nós voltamos para o salão e a Luísa me esperava sentada. Ela sorriu quando me viu e eu suspirei, o que eu tinha feito pra ganhar tanto na minha vida? Não tive resposta. Nos despedimos do Fred e saímos.

— O que foi, em? — ela perguntou.

— Não sei. Eu não sei se fiz certo, tô com medo de me arrepender.

— Quer me contar?

Respirei fundo e contei a ela.

— Eu sei que ele vai cuidar bem, mas eu não sei se devia ter saído mesmo — falei.

— Vai dar tudo certo, princesa — ela disse e deixou um beijo em minha mão.

Pegamos meus pais no meu apartamento e fomos para casa. Preparei o almoço enquanto eles conversavam na sala e sorri quando a Luísa se sentou diante do piano a pedido de meu pai. Acho que ela teve outra lembrança quando se sentou, do dia do seu aniversário, pois ela me encarou, sorriu e tocou a mesma música que tocara naquele dia. Nós comemos logo depois que ela terminou e ficamos conversando durante a tarde. Anoitecia quando chamei um Uber e meus pais foram embora. Ela ficou sentada na sala enquanto eu arrumava a cozinha e atendeu o celular. Não ouvi o que ela disse, mas soube que era importante quando ela me encarou ainda conversando.

— Que que aconteceu? — perguntei secando as mãos em um pano de prato e indo até ela.

Ela não se levantou, mas se ajeitou no sofá para eu me sentar ao seu lado.

— Era a Vitória, a obstetra que eu te falei. Ela vai receber a gente amanhã às nove.

— Mas já? — perguntei.

— Você mudou de ideia?

— Não, linda, de jeito nenhum. É só que eu não achei que ia ser tão rápido.

— Eu posso desmarcar se você quiser.

— Não, a gente vai. A gente vai fazer isso juntas — ela sorriu e segurou meu rosto, seus olhos marejaram. — Que foi? — perguntei.

— Essa criança vai ser tão linda — ela respondeu e eu sorri.

— A gente devia tomar um banho — falei depois de abraçar. — Vai tomando, eu só vou terminar de arrumar as coisas aqui e já subo.

Ela deu um beijo em meu rosto e fez o que eu pedi, então me deixei cair no sofá abraçada a uma almofada e chorei um pouco pensando se as coisas iam se resolver, se nós íamos conseguir seguir em frente juntas, se ela ia se lembrar de mim e do nosso amor. Não sei explicar porque aqueles sentimentos me atingiram naquele momento, mas não me culpei. Subi depois de um tempo, peguei algumas coisas e fui tomar banho no quarto que era dos pais dela, sozinha. Deixei ainda as lágrimas caírem na intenção de a água levar embora toda aquela dor que me atormentava, mas não ajudou muito. Terminei o banho, me vesti e voltei ao nosso quarto, ela me esperava deitada olhando o celular e colocou ele no criado mudo quando me deitei.

— Me perdoa por fazer você sofrer desse jeito, eu juro que eu quero me lembrar de tudo, mas eu não consigo — ela baixou os olhos culpada e uma lágrima pingou.

— Ei, para com isso — levantei seu rosto com um dedo e sequei algumas lágrimas. — A gente vai passar por isso juntas, tá bom? A gente vai conseguir — ela fungou, mas acenou em afirmação.

Puxei ela para um abraço e afaguei suas costas, ela deixou o rosto em meu ombro e me contornou com os braços.

— Agora vamos dormir que a gente vai levantar cedo amanhã — falei e sorri.

— Você tem certeza que quer fazer isso comigo? Eu não consigo lembrar o que aconteceu meses atrás, você acha que eu posso ser uma boa mãe? — ela perguntou e eu ri.

— Eu tenho certeza sim, tá bom? Eu nunca duvidei do que há entre a gente e não vai ser agora que vou duvidar, você só precisa de um tempo. Eu levei vinte e quatro anos pra achar o amor da minha vida, eu não me importo de esperar mais um pouco — falei e ela riu.

— Você é tão especial, eu não sei se te mereço.

— Você merece o mundo, eu já te disse isso. Agora vem aqui, vamos dormir — deitei-me e ela se deitou em meu peito.

Conversarmos por um tempo e acabamos dormindo.



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