História Amor é tudo que eu preciso - Capítulo 4


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Categorias Mitologia Grega, Percy Jackson & os Olimpianos
Personagens Annabeth Chase, Hera (Juno), Hermes, Percy Jackson, Personagens Originais, Zeus
Visualizações 23
Palavras 1.067
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Heterossexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Capítulo 4 - Decisões que importam


 

Vendo minha hesitação em adentrar na casa, a senhora - que mais tarde descobri chamar-se Amora - me puxou para dentro sem cerimônia alguma e eu continuei parada no interior do local.

- Ora, não seja tímida! - disse sorrindo - venha, vou te mostrar o local - eu a segui mesmo relutante

Era um lugar muito aconchegante, embora fosse pequeno, com as paredes em tom pastel uma de cada cor, os quartos das crianças cheios de brinquedos e arrumados lá em cima e um jardim bem cuidado lá trás, onde várias crianças brincavam sob a supervisão de um homem de cabelos castanhos que estava de costas para mim. Talvez fosse algum voluntário também.

Em algum momento ao longo do percurso, eu realmente decidi me tornar voluntária dali. Se eu fosse mesmo ficar com essa criança -  tenho que arrumar um nome -, eu precisava criar laços com a sociedade novaiorquina.

- Então, eu te mostrei todo o orfanato, menos as crianças, e nem sequer sei seu nome ou sua história - Amora insinuou, mas parecia apenas curiosa

Amora era muito gentil e parecia ter muito amor por essas crianças. Tinha 65 anos e cuidava de crianças desde seus 20, quando veio trabalhar como voluntária aqui. Ela cuida do lugar junto com as duas filhas, Ruby e Amélia, e mais dois homens da minha faixa etária que eu não fiz questão de gravar o nome. Parece pouca gente para cuidar de todas as crianças que moram aqui, mas são apenas dez no momento.

A senhora é a diretora e professora do lugar desde que a antiga dona faleceu e mora aqui com as crianças desde que seu marido se foi. Ruby passa alguns dias aqui, visto que é solteira, enquanto Amélia morava com o marido, Charlie, e suas duas filhas, Sophia e Marina, do outro lado da cidade, mas vem aqui para ajudar a cada três dias. Os voluntários se intercalam a cada três dias também. 

Parece uma coisa bem organizada e harmoniosa. Ainda não acredito que ela me contou metade de sua vida, quando só me conhece há uma hora. Sinto que ela vai me contar o resto ao longo do tempo. Essa senhora tem um instinto maternal muito grande sobre ela e eu espero aprender muito neste lugar. Vai valer a pena, mesmo que interações com humanos, nesse estágio dos meus poderes, me deixem mais humana.

- E então? - perguntou novamente - qual sua história? - me encarou e eu percebi que a divagação tinha sido mais longa do que eu calculei

- Bom... - suspirei e ajeitei a criança dorminhoca no meu braço, tentando me dar tempo de inventar uma história em que ela pudesse acreditar, mas eu não precisei - me chamo Melissa Parker e este garotinho aqui se chama Anthony - sorri para ele

As palavras fluíram da minha boca de forma suave, como se fossem reais. Algumas coisas eram. Parker era um sobrenome comum e crível que Amora não ia perder tempo  me procurando na internet. Melissa e Anthony são nomes que sempre me chamaram atenção.

Melissa teve um destino cruel que hoje sei que não foi justo e ela aguentou Zeus por muito tempo, assim como eu. Já Anthony, essa criança merecia tudo de bom no mundo e precisava de um nome valioso como ela.

- Nós vinhemos de San Diego - um lugar distante para não haver falhas - há uns dois dias. Na verdade, nós fugimos - ela me olhou espantada - meu marido, Alexsander, era um homem muito abusivo e me maltrava diversas vezes - disse pensando em Zeus -  e eu não podia deixar ele fazer isso com meu filho também. 

Eu já estava com os  olhos marejados e precisei parar um pouco antes de continuar. Ter a criança comigo há menos de um dia fez uma reviravolta na minha vida e me fez pensar em vários quesitos que eu nunca me importei antes. Penso muito em Hefesto e no que eu fiz com ele, aquilo nunca deveria ter sido feito e eu falhei como mãe dele, assim como falhei com os outros. Era o meu papel e eu nunca fiz jus a ele. Espero que um dia Hefesto me perdoe pela megera horrenda que eu fui.

Eu acreditava que não conseguiria mais mentir/contar meias verdades para a mulher bondosa à minha frente, porém Anthony acordou nesse momento e segurou minha mão com seus dedinhos pequenos e firmes, como se esse ato me passasse confiança. E passou.

- Desculpe - eu disse fungando e rindo sem graça

Amora apenas me analisou e deu um sorriso singelo, como se dissesse " vai ficar tudo bem". Eu torcia por isso.

- Eu me casei muito nova, por causa da imposição das nossas famílias - ele é meu irmão, pelo amor dos deuses! Como nunca percebi o quão doentio é isso?! - o casamento nunca foi feliz ou saudável e eu nunca percebi isso até adotar esse serzinho, sem meu marido saber, na semana passada - sorri para o garotinho - então ele enlouqueceu e eu fugi para o mais longe possível dele. Sinto muito.

A senhora negou com a cabeça, mas me olhou com carinho, parecendo acreditar 100% em minhas palavras. Ou eu era uma mentirosa muito boa, ou tinha mais verdade nessa história do que eu queria aceitar.

- Não tem problema, minha querida - falou segurando uma de minhas mãos - agora você está livre, nós vamos cuidar de você

A capacidade que ela tinha de acolher a mim como uma filha ou uma neta era algo até então inacreditável para mim, mas eu aceitei. E não tenho vergonha de admitir, eu chorei. Chorei por mim, por Zeus, por ter um afeto nunca antes direcionado a mim e que eu nunca imaginei que precisava tanto, por estar me comportando como uma pessoa humana e não como uma deusa. Chorei pela frustração que eu tinha dos meus poderes falhos. Chorei por estar aqui. Chorei por ter um bebê agora, mesmo sabendo que eu não deveria.

Amora foi compreensiva e apenas me passou conforto enquanto isso acontecia. Assim que passou meu surto - porque era o que tinha sido - e me acalmei, ela começou a conversar comigo como se eu não tivesse passado uma vergonha grande há meio minuto.

- Então, o que você quer fazer no orfanato? - perguntou interessada em fazer isso dar certo.

 



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