História Amor é tudo que eu preciso - Capítulo 5


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Categorias Mitologia Grega, Percy Jackson & os Olimpianos
Personagens Annabeth Chase, Hera (Juno), Hermes, Percy Jackson, Personagens Originais, Zeus
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Palavras 2.119
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Heterossexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Notas do Autor


Então, né. Esse deu um pouco mais de 2000 palavras e eu tô com preguiça de cortar. Vou fingir que tem apenas 1500.

Capítulo 5 - Segundas chances


- Eu não sei... - respondi com dúvidas, afinal eu não entendia nada de crianças - como você pode ver, eu não tenho muita experiência no assunto - sorri sem graça, enquanto ajeitava mais uma vez a criança em meus braços - Melhor dizendo, eu nunca peguei numa criança antes do meu filho

Eu comecei a dizer "meu filho" com um orgulho tão grande que doía. Era quase como se eu sempre quisesse aquilo para mim e só com Anthony eu finalmente pudesse ter. Eu já estava aceitando aquilo como verdade. E, pra ser sincera, era reconfortante.

- Não tem problema, querida. Eu te ensino, com o tempo você terá mais jeito do que eu - ela riu - Enquanto isso, você pode ler para as crianças, o que acha? Qualquer ajuda é sempre muito bem vinda.

Ler parecia uma excelente ideia, sem riscos de derrubar criança alguma.

- Seria ótimo, eu... - fui interrompida  por um furacão ruivo em forma de menina entrando na sala

- Irmã Amora! Irmã Amora! - disse a criança. Aparentemente aquele era um orfanato religioso.

- Diga, docinho - me pediu desculpas com o olhar e destinou sua atenção à garota 

Como alguém podia ser tão doce e meiga sem ser falsa enquanto faz isso? Eu a invejava totalmente. Ela tem tanto que me ensinar sobre ser humana.

- Henry está implicando comigo e Nina! - eu pensei que Nina era outra criança até que a menininha apertou uma girafa em seus braços  e parecia muito indignada

- Daqui a pouco eu vou ficar com vocês, mas enquanto isso, por que você não pede a Thomas para cuidar disso, tenho certeza que ele não vai se importar, Alice - disse enquanto a abraçava e limpava uma lágrima que saia de seus pequenos olhos.

A menina, Alice, assentiu fungando e ia sair da sala, mas assim que me viu, ficou espantada e se dirigiu até mim.

- Você é minha mamãe? - perguntou  sem tato algum e um pouco maravilhada com a ideia

Confesso que eu também não possua tato nenhum, já que me surpreendi com a pergunta e comecei a tossir, porque me engasguei. Ela percebeu pela minha reação que eu não era sua mãe e se afastou de mim, mas ainda esperou uma resposta minha.

Eu olhei para Amora, esperando algum tipo de comando de sua parte, porém ela só ficou me olhando, provavelmente querendo ver como eu lidaria com a situação.  Ah, humanos!

- Não, querida - falei calmamente - Sinto muito - acrescentei

A criança me olhou decepcionada e saiu correndo em seguida. Eu não a culpava. Alice era muito parecida com a minha persona - que decidi manter. Ruiva, cabelos ondulados - não estragados como o meu - brilhantes e sedosos. As diferenças eram as sardas pelo rosto e seus olhos azuis claros como a água.

- Me desculpe por isso - Amora suspirou - Alice é uma criança adorável, mas também muito difícil de lidar, às vezes. Ela é a única que está aqui há três anos, sendo que os outros mal passam de um ano. A situação mexe muito com ela.

- Não, está tudo bem - eu disse ainda olhando a porta aberta deixada pela menina

- Então, vamos conhecer as crianças? - falou cortando o clima estranho que ficou. Era engraçado o jeito que ela conseguia criar uma harmonia no lugar apenas com uma frase. Talvez ela devesse ser a deusa da família e do casamento. Eu sou uma piada, ela seria divina. Sem trocadilhos.

- Eu não posso - disse me levantando ao olhar o relógio, já era tarde - melhor deixarmos para sábado, vou ter tempo para conhecê-los melhor - ela assentiu - já são quase 15 h e eu ainda preciso arrumar um emprego

- Tem uma Kodak à duas ruas daqui, talvez você ache algo por lá

Agradeci pela prestatividade, mesmo sem saber o que poderia vir a ser "Kodak" e ela me levou até a porta. Eu ainda consegui ver a cabeleira ruiva de Alice tentando se esconder atrás de uma parede enquanto eu passava; tentei sorrir para ela, mas ela percebeu que eu a peguei no flagra e foi embora. Já sabia que seria complicado me comunicar com essa menina.

- Ela vai se acostumar, só precisa dar tempo a ela - Amora me disse ao ver a cena 

Eu sorri assentindo e criei coragem para pedir um favor.

- Olha, eu não conheço ninguém ainda e eu não posso pagar nesse momento, mas você poderia cuidar... - Amora me interrompeu rapidamente

- Besteiras! - ela disse com tanta exclamação que eu me assustei - É claro que eu cuido de Tony para você, Mel. Será um prazer - eu levantei uma sobrancelha pelos apelidos e pela intimidade, mas não disse uma palavra. Ela não percebeu. - E sem pagamento! - eu tentei insistir, porém essa mulher sabia como convencer alguém - sem mas, ou eu não cuido dele. Não é, querido? - continuou brincando com ele, Anthony riu 

- Certo - concordei relutante, embora eu só fiz isso, porque já confio nela - Amanhã eu trago ele para cá, se arrumar alguma coisa

- Estarei esperando ansiosamente - disse se despedindo e fechando a porta atrás de mim

- Então... Tony... - disse testando o apelido dado por Amora, não era tão ruim assim - o que me diz, eu, você, lanche? - ele gritou animado, como se o lanche fosse algo além de leite. Eu o abracei forte só pela fofura. Acho que amo esse garoto.

Tá bom, eu preciso pensar sério agora. Em três horas, eu me tornei mãe, assumi uma persona humana, me tornei voluntária de um lugar com mais crianças do que fiquei em milhares de anos e agora preciso de um emprego. Eu vou mesmo desistir de tudo que eu conquistei por essa decisão repentina e um pouco louca? Porque eu sei a punição se eu fizer isso.

Eu ainda tinha dúvidas se essa direção era a certa a se seguir, mas um olhar nos olhos de Anthony me fez perceber que eu já tinha essa decisão formada a partir do momento que cheguei ao lixão ontem. Não havia felicidade naquele lugar que eu estava antes e nunca houve. Minha vida era aqui e agora e essa foi a melhor coisa que eu fiz desse que nasci. Finalmente poderia me libertar.

Eu nunca mais voltaria para o Olimpo. Nunca.

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Eu avistei o local antes mesmo de terminar de dobrar a rua do endereço. Era do tamanho do orfanato - talvez fossem todas casas de condomínio antes -, mas em vez das cores suaves do orfanato, esse lugar tinha tons chamativos de vermelho e amarelo com o nome "Kodak" escrito com letras garrafais e mal fixado em cima da porta principal. Nome estranho para um negócio.

Onde fui me meter?

Suspirando, entrei no estabelecimento. Um sino tocou e logo um casal veio me atender.

- Boa tarde - disse um

- Em que podemos te ajudar? - o outro completou

Eles eram bem intimidantes e não soube dizer muita além do meu nome.

- Boa tarde - respondi sem jeito - Me chamo Melissa Parker e esse é o meu filho Anthony. Eu queria saber se vocês estão contratando... - disse nervosa

- Que falta de educação a nossa - riu o homem mais alto, ruivo de olhos castanhos - Me chamo David - apertou minha mão - e esse aqui é meu marido, Michael - apontou para o homem ao seu lado que só olhava entre mim e o bebê e não apertou minha mão - e nós somos os donos dessa empresa de fotografia. - agora que ele falou, pude notar a quantidade ignorante de fotos, álbuns e câmaras na recepção de paredes vermelhas.

Eu não tive problemas ao comprovar que eles eram um casal homossexual. No Olimpo, sempre foi normal dois homens ou duas mulheres ficarem juntos e aqui embaixo não seria diferente.

Michael era um pouco mais baixo, mas igualmente mais alto do que eu, possuía um cabelo bastante preto e olhos azuis. Ele era uma versão de 40 anos de Jackson e isso me fez estremecer por dentro. Ele já não gostava de mim, pelo que eu podia ver. Só podia ser o "carma" que os humanos falam.

- Me desculpe, querida - Michael respondeu por David e eu não soube dizer se ele estava sendo sarcástico ou se era seu jeito normal de ser - mas não estamos contratando no momento - sim, ele era rude e ainda encarava meu bebê.

- Michael! - repreendeu David

- Por favor, eu faço qualquer coisa por um emprego - eu escondi Tony em um gesto protetor de sua vista, enquanto implorava por um trabalho. Eu não me daria vencida e se fosse preciso me humilhar, eu faria. Não é como se eu nunca tivesse sido humilhada antes mesmo.

Meu imploro pareceu surtir efeito, porque ele me olhou com mais atenção.

- Você é muito nova para ser fotógrafa, criança - Michael frisou a última palavra como um ato de superioridade, enquanto David assistia somente.

- Eu não sou fotógrafa e não possuo experiência com nada. Nunca trabalhei - admiti - mas preciso muito desse emprego. Eu posso lavar os banheiros, se necessário - eu disse sem vergonha, pois era isso ou os banheiros do posto e lá seria muito mais nojento.

David me deu um copo de água, talvez eu estivesse um pouco alterada, mas eu precisava alimentar essa criança que eu escolhi criar. Anthony apenas observava tudo calado e curioso.

- Qual é a sua história, querida? - perguntou David se sentando e pedindo para eu fazer o mesmo. Michael ficou escorado no sofá branco do recinto, ainda me analisando, mas com menos arrogância no olhar.

Contei a mesma história que contei para Amora - sem chorar dessa vez - e os homens conversaram silenciosamente com o olhar - acho que isso era típico de casais - e chegaram a uma conclusão.

- Melissa, realmente não temos vagas de emprego - eu assenti e já ia me levantando, mas Michael segurou meu braço levemente em um sinal para eu esperar e eu continuei ali

Ele me olhava diferente do que me olhava quando eu entrei ali. Eu interpretei como pena. Eu não quero a pena de ninguém e nem preciso, não foi por isso que contei a história de novo. Eu só queria que entendessem minha necessidade.

- Mas Rachel, nossa secretária da recepção, vai tirar uns meses de folga por causa da licença maternidade. Não é um emprego fixo, você vai organizar os horários e as fotos dos clientes, e como você não tem experiência, ela pode te ajudar por enquanto, porém isso é tudo que nós temos. 

Eu nem acreditava no que estava acontecendo. Eu teria uma casa. Eu teria um trabalho. Eu teria uma vida. Eu fiquei tão feliz que quase abracei os dois, mas me contive. Humana demais, Hera. Humana demais.

- Muito obrigada! Muito obrigada mesmo! Vocês não vão se arrepender. - disse me levantando e indo em direção a saída - Até segunda. - eles assentiram, mas ainda ouvi Michael falar baixinho

- Cuidado ao atravessar a rua, os carros não respeitam o limite de velocidade muito bem por aqui. - eu ri, mas aceitei o conselho

Proteção. Não era pena, era olhar de proteção, preocupação.

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Ficou acordado que eu só iria na próxima semana, porque já era quinta-feira e eu ainda precisava organizar algumas coisas, além de procurar uma casa.

Eu estava muito cansada. Quando cheguei à pousada só tinha vontade de dormir até a hora de alimentar Tony de novamente. Falando nele, eu mal o dei atenção hoje e me senti como aquelas mães omissas que só bebem o dia todo e não ligam para os filhos. Eu sei que é um exagero, mas eu quero fazer isso certo dessa vez. Amanhã, depois que eu achar uma casa, vou ao Central Park com ele. Uma tarde ao ar livre fará bem para nós.

Acenei para a dona do lugar quando entrei, só para ser educada, mas estranhei quando ela me lançou um sorriso debochado, como se soubesse algo que eu não tinha ideia.

Deixei para lá - humanos são loucos - e subi as escadas para meu quarto. Ao fechar a porta, tive a infeliz surpresa de encontrá-lo sentando na cadeira perto da cama batendo o pé no chão. Estava me esperando há bastante tempo pelo visto.

Quando me viu, veio para minha direção completamente irritado. Como se tivesse todo o direito do mundo.

- O que você pensa que está fazendo nessa espelunca?? - gritou a plenos pulmões



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