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História Amor é tudo que nós dissemos que não era - Capítulo 6


Escrita por:


Notas do Autor


Bem, no cap anterior teve um comentário que me deixou meio preocupado, sobre plágio e etc.. Realmente tem outras 4 histórias no spirit com o mesmo nome da minha, e até mais antigas, com histórias totalmente diferentes, porém, gostaria de avisar que esse nome, pelo menos no meu caso, foi inspirado no livro de Charles Bukowski, um escritor que eu sou muito fã, tanto que já fiz menção a ele em outra fanfic de GO que agora tá excluída. Nunca tive a intenção de plagiar ninguém. Eu nem sei se podem denunciar a fic por isso, e sinceramente eu ficaria muito triste se o fizessem porque tô me esforçando pra escrever cada cap em meio as turbulências da minha vida.
Então é isso.

Agora sobre o cap de hoje, decidi dar uma leve aprofundada na vida do Crow antes do que já conhecemos, só mostrar uns fatos mesmo.

Gif do Adam não ta ai por engano ok shushushushdsudhs

O cap deveria ser bem maior do que está, e já teríamos nosso Azi de volta nas tentações do Crowley, porém eu achei que deveria terminar aonde terminei e creio que vocês vão entender, e até concordar, depois de lerem.

Mas não se preocupem, Azi volta no próximo, fora outras coisas boas que vão rolar tbm hehe

Créditos do título para o Slipknot.

Boa leitura e desculpem pelos erros ewe

Capítulo 6 - Anjos mentem para manter o controle


Fanfic / Fanfiction Amor é tudo que nós dissemos que não era - Capítulo 6 - Anjos mentem para manter o controle

Amor é tudo que nós dissemos que não era

 

Capítulo 6

 

“Anjos mentem para manter o controle”

 

Ainda naquela quinta-feira turbulenta, Crowley confirmou por mensagem a noite do pijama na casa de Bel no intervalo do almoço. Teve suas aulas da primeira parte da tarde sem nenhuma animação, como sempre, e agradeceu quando elas acabaram. Já estava em um dos corredores lotados quando uma ligação tomou sua atenção. Mesmo sendo um número desconhecido algo lhe dizia para atender.

- Crowley?

A voz infantil do outro lado fez seus olhos se arregalarem. Suas pernas ameaçavam bambear enquanto buscava algum lugar menos barulhento para estar, chegando por fim ao gramado do campus.

- Crowley você está aí? – A voz tentou mais uma vez.

- Sim! Eu estou aqui – Seu rosto naquele momento era uma mistura de felicidade, surpresa e apreensão. Tudo de uma vez só.

- Estou tão feliz em ouvir sua voz – Seu tom alegre indicava um sorriso – Ela parece mais grossa agora.

- É, acho que ela está – Deu uma risadinha tímida – Eu também estou feliz em ouvir a sua voz – Crowley tirou os óculos para secar o suor da adrenalina no rosto.

A voz do outro lado pertencia a Adam, o irmão mais novo do ruivo, na verdade, ele era seu único irmão. Quando deixou a casa da família mais ou menos cinco anos atrás, em meio as discussões e palavras nada bonitas de se ouvir, Adam estava presente, parado no segundo andar, próximo a escadaria, ouvindo e vendo tudo sem entender nada do que acontecia. Depois de receber um tapa na cara vindo de sua mãe, os olhos de Crowley encontraram o garoto lá parado, mas não houve tempo para se despedirem. Crowley fitou sua mãe pela última vez e deixou o lugar com uma mala na mão. Naquela época Adam beirava os 11 anos, agora, pelos seus cálculos, ele já devia ter 16. E como ele havia conseguido o seu número não importava, Crowley estava feliz que seu irmão ainda lembrasse de si. Estava feliz por ele ter ligado.

Mas nem tudo são flores.

- Você está bem? – A pergunta só veio à mente do ruivo quando o impacto inicial passou.

- Sim, estou – Houve um momento de silêncio até que Adam continuasse – É que bem, eu queria te fazer uma surpresa, uma visita, ver você, sabe.

- Ah claro, nós podemos marcar um dia.

- Hoje é o dia, eu estou em Londres.

- Uau – O garoto era rápido – Mas me pergunto como a nossa mãe deixou você vir. Ela está com você? – Estava torcendo para a resposta ser “não”.

- Não.

- Nossa, que coisa – Um sorriso estava estampado em seu rosto.

- Eu já tenho idade para viajar sozinho.

- Claro claro – Embora ainda fosse estranho sua mãe deixar Adam ir vê-lo, logo ela que vivia dizendo em como Crowley transformaria o irmão em, suas palavras, “uma bicha sulista”, assim como ele.

- Como eu disse era para ser uma surpresa, mas não sei onde você mora, e mamãe não quis dizer.

- Se ela te deixou vir porque não iria falar o meu endereço?

- Bem.... – Engoliu em seco – Ela estava com pressa, sabe. Assuntos do trabalho.

- Certo – Algo dizia a Crowley que seu irmão estava mentindo, mas ele tentou deixar essa suspeita de lado naquele momento – Não se preocupe, eu posso ir te buscar na...?

- Estação de ônibus.

- Ok, estação de ônibus – Se virou para entrar na Universidade e pegar suas coisas, então se lembrou que ainda tinha mais uma aula, e agora estava em um impasse – Seria pedir muito que você esperasse por umas.... 2 horas?

- 2 horas?! – Seu grito quase fez Crowley perder um dos tímpanos – O que eu vou fazer esse tempo todo numa estação de ônibus?

- Aproveitar a paisagem?

- Crowley!

- Ah ok – Passou a mão livre nos cabelos enquanto pensava em alguma coisa que fosse capaz de entreter um adolescente recém chegado de viagem – Você gosta de sorvete?

- Claro que gosto – Franziu o cenho sem entender o que aquilo tinha a ver com o assunto.

- Então tome todo o sorvete que encontrar por aí e nos vemos em 2 horas – Desligou antes de qualquer protesto.

A Universidade não era mais importante que seu irmão, de forma alguma, mas vamos aos fatos: Não tinha um carro para busca-lo imediatamente e não podia faltar sem um motivo plausível, porque se o fizesse sua mãe seria alertada, e levando em conta a história mal contada de Adam, ela provavelmente nem sabia que ele estava em Londres. Seria um desastre em todos os sentidos. Eram só 2 horas, ele sobreviveria, talvez até criasse juízo nesse meio tempo e voltasse para casa.

Quando as aulas de Uriel encerraram, Crowley foi de encontro a Beelzebub no estacionamento, pedir o seu favor de mais cedo, onde teve que praticamente implorar para conseguir o carro da amiga emprestado. Seguiu para a estação e 20 minutos depois estava lá, não sabia se reconheceria seu irmão, quer dizer, foram 5 anos e não 5 meses. Crowley também tinha mudado, roupas, cabelo, fisionomia, talvez devesse ter pedido uma foto no caminho, mas tudo bem, porque ele o encontrou pouco tempo depois, sentado em um banco da estação com uma mochila ao lado e um.... cachorro?

Definitivamente era um cachorro, sentado ao lado de seus pés com coleira e tudo, por deus, o garoto estava fazendo uma visita ou estava de mudança? Crowley respirou fundo e foi até eles, não se aproximou tanto quanto gostaria já que o vira lata começou a latir sem parar.

- Desculpe, ele é assim mesmo – Adam não parecia ter o reconhecido.

- Está esperando alguém?

- Sim, o meu irmão.

- Por acaso o nome dele é Crowley?

- Esse mesmo, como você.... – Adam sorriu – Droga, é você né?

- Seu cabeça oca – Deu um abraço apertado no garoto.

Ele não tinha mudado tanto, o cabelo continuava igual, só estava com mais volume e o rosto ainda era juvenil, como se nada tivesse mudado além da sua altura, e o cachorro, é claro, ele não tinha um antes.

- Você tá bem diferente – Adam comentou assim que se separaram.

- Que bom, né – As lembranças do seu “eu” de antigamente faziam Crowley querer vomitar. Ele não era tão péssimo assim, mas ainda era ruim – E onde você arrumou esse vira lata?

- Ele não é vira lata – O repreendeu – O nome dele é cão.

Crowley arqueou uma sobrancelha.

- Não é um pouco estranho chamar um cão de cão?

- Eu não acho.

- Certo – Pegou a mochila no banco – Vamos para casa então.

- Estou ansioso para conhecer o lugar onde você mora.

- E eu estou ainda mais ansioso para ver você lavando os pratos.

- Pensando bem, acho que não estou tão ansioso assim.

Os dois compartilharam uma risada. Até mesmo o cachorro entrou no clima.

 

[....]

 

No caminho para o apartamento Crowley não conseguia deixar de pensar que aquela história de Adam estava pra lá de estranha. Primeiro que era até meio compreensivo ele levar o cão com ele, mas outras coisas não se encaixavam, como a mochila que não devia ter muita roupa dentro, se sua mãe sabia nunca deixaria Adam sair só com aquilo, no mínimo ele devia ter uma mala. Mochilas eram para casos de emergência, como alguém que está fugindo de algo ou alguém. Depois vinha o fato que o ano letivo, tanto para Universidades quanto para escolas ainda estava em andamento, sua mãe nunca deixaria Adam perder as aulas para viajar, muito menos para viajar até ele. Por último, ainda nesse ponto, levando em conta tudo que aconteceu, não havia sentido de deixar Adam ficar próximo, ela sempre deixou isso muito claro. Crowley era considerado uma má influência para o irmão.

- Então Adam – Abaixou a música que estava tocando – Como vão as coisas na casa com a nossa mãe?

- Vão bem, nada para se preocupar.

- Você já está de férias?

- Ainda não.

- E mesmo assim você veio?

- Não vou reprovar só por faltar alguns dias.

- O que a mamãe acha disso? – O encarou, dando mais peso a pergunta.

- Ela disse que tudo bem – Engoliu em seco, evitando olhar para o irmão.

- Posso te dizer uma coisa, Adam?

- Claro – O garoto pareceu ficar ainda mais nervoso quando Crowley parou o carro em frente uma livraria no Soho.

- Eu não sou idiota e você não sabe mentir.

- Eu não estou mentindo.

- Para! – O ruivo interrompeu com um olhar sério – Se não for sincero comigo eu vou dar meia volta, te colocar num ônibus e nunca mais vamos nos ver de novo.

- É isso o que você quer? – Adam cerrou os punhos, seus olhos estavam se enchendo d’água.

- Não – Olhou para a rua movimentada lá fora e depois para o irmão novamente – Mas é isso que ela vai fazer se descobrir que você está aqui.

O garoto não conseguiu mais aguentar e as lágrimas começaram a cair, uma após a outra. Crowley queria conforta-lo, mas primeiro precisava saber da verdade.

- Eu sinto sua falta, Anthony – E essa verdade veio como um soco no seu estômago – Eu odeio aquela casa, odeio aquela mulher, odeio o que ela fez com você!

- Adam.

- Não, não tente dizer que ela estava certa, eu não me importo se você gosta de homens.

- Eu gosto de mulheres também – Acrescentou, embora aquele não fosse o momento para isso.

- Não me importo se você não tem um emprego, ou qualquer outra coisa que ela sempre usa pra falar mal de você – Seus olhos foram de encontro aos do irmão – Eu só quero ter você ao meu lado, como antes. Só quero o meu irmão de volta.

Crowley sentiu como se uma faca tivesse sido cravada no seu peito ao ouvir aquilo. Uma faca que se fundia a sua alma e a fatiava pedaço por pedaço. Amava seu irmão tanto quanto a si mesmo, sentiu sua falta todos os dias até aquele momento e nunca teve dúvidas que sua mãe sabia disso, e que com certeza ela sentia prazer em machuca-lo dessa forma.

- Eu te amo, Anthony.

- Eu também te amo, Adam.

Puxou o menor para um abraço e os dois demoraram a se largar, o cão acabou se enroscando neles também, mas o ruivo não protestou quanto a isso.

Crowley nunca gostou muito de crianças, na verdade é difícil imaginar que tipo de pessoa gostaria desses demônios anões, e o fato de amar o irmão já era um milagre por si só, porque mesmo sendo alguém do seu sangue não era como se isso fosse sua obrigação também. A relação com sua mãe foi difícil desde que podia se lembrar e a gestação dela não mudou isso, Crowley continuou afastado, em compensação haviam muitas empregadas para ocupar seu lugar, assim como o de seu pai. Pensar nisso o fez muitas vezes se questionar se talvez a ausência de seu pai como marido foi o que desencadeou o ódio de sua mãe por ele, pois havia herdado a aparência dele, os cabelos ruivos e olhos cor de mel, era claramente uma cópia do pai, só que mais novo, obviamente. Porém, isso era só uma teoria.

Quando Adam nasceu, Crowley permaneceu longe, e de certa forma era grato pelo novo morador ter aparecido, assim sua mãe ficava ocupada e eles tinham menos tempo para brigar. Uns anos depois, quando Adam tinha 5 e já sabia andar é que as coisas mudaram, quase todos os dias quando Crowley chegava da escola, lá estava o irmão dormindo na sua cama embaixo das suas cobertas, Adam não mexia em nada do quarto – o que era ótimo porque se não ele estaria em maus lençóis – o garoto apenas ficava lá, em silêncio, chupando o dedo, deitado na cama e mais nada. Crowley não sabia porque o pequeno gostava tanto do seu quarto, mas ele não protestou. Fazia suas tarefas sentado na janela, fumando um cigarro e vez ou outra se certificando de que Adam ainda dormia. Olhar para ele, por algum motivo, acalmava toda a tensão que Crowley enfrentava quando chegava e sua mãe estava na sala pronta para proferir alguma reclamação sobre ele e seu pai. Ao longo dos meses eles passaram a dormir juntos também, quando o ruivo chegava cansado demais e apenas se jogava ao lado do irmão. Não demoraram a criar uma relação mais ampla, e acredite, Crowley era um ótimo irmão, era grudado em Adam e o mimava de todas as formas que podia. Quando terminou a escola teve ainda mais tempo para passar com o irmão, em compensação as brigas com sua mãe estavam mais frequentes, a cobrança por uma faculdade ou emprego, sua sexualidade e seu jeito arrogante geralmente eram a maior pauta, até chegar ao ponto que as coisas saíram do controle e Crowley teve que ir embora para manter sua sanidade a salvo. Mesmo que isso significasse deixar a única pessoa com quem ele se importava para trás.

Depois do longo momento de abraços e palavras tranquilizadoras os dois se soltaram, Crowley bagunçou os cabelos do irmão e os dois seguiram em frente.

- Ok, vamos nessa, ainda preciso colocar gasolina nessa potranca.

- Eu gostei do seu carro.

- Na verdade ele não é meu.

- E de quem é então? – Adam parecia curioso.

- Ah, é uma longa história – E começava com “B” de Beelzebub [email protected] da vida.

Adam adorou o apartamento do irmão, o que não era para menos já que Crowley nunca foi muito humilde, o cão também parecia ter adorado, principalmente o sofá, e o ruivo não gostou muito dessa parte. Não estava afim de ter que passar o fim de semana tirando os pelos do vira lata do seu estimado sofá de couro.

Deixou Adam no banho e olhou o celular, estava anoitecendo e precisava devolver o carro da amiga. Avisou o irmão que estava de saída e que não iria demorar, até prometeu uma pizza na volta e então foi para a casa de Bel. Passara todo o caminho pensando em tudo que estava acontecendo, seu irmão fugindo de casa para vê-lo e a ira de sua mãe quando descobrisse que Adam estava com ele. Não podia culpar o garoto, era muita pressão aguentar aquela mulher e suas exigências de perfeição. Ela era uma mentirosa patológica, uma pessoa manipuladora e dissimulada que almejava ter controle sobre tudo e todos o tempo inteiro. Provavelmente nem seu próprio pai aguentava aquilo, mas pelo menos ele estava livre agora, não que ele fosse melhor, não era, nunca foi, nunca seria. Desde que podia se lembrar seu pai era um cretino ausente e traidor, em todos os sentidos. Traiu a esposa, os filhos, e sabe-se lá quem mais estava na lista. Então quando percebeu que não podia mais continuar com aquilo ele decidiu deixar Adam e Crowley para trás, morrendo como o merda que sempre foi.

Realmente, o amor paterno era tudo. Tudo que Crowley nunca teve. Nem o de sua mãe, nem o seu próprio, nem o de ninguém. Aparentemente estava fadado à solidão.

Mas não era de morrer sozinho que ele tinha medo, e sim de como seria para o seu irmão. Ele ainda tinha 16, precisaria aguentar mais um pouco, quem sabe o quanto, e Crowley não podia fazer nada, não podia leva-lo para morar consigo porque, bem, ele estava tão preso àquela família quanto o próprio Adam. Afundando mais e mais no meio daquelas notas de 100, impregnadas no seu apartamento, suas roupas, seu cabelo, a droga da Universidade, ok, dessa última nunca fez questão mesmo, porém mesmo assim, ele estava lá. Sentia-se acorrentado à essa vida, e ele não a queria. Não era um suicida, só queria que as coisas fossem diferentes. Só queria acordar em um belo dia, com um bom emprego, uma casa, mesmo que alugada, um carro legal e suas próprias conquistas.

Só queria se sentir vivo de verdade, em uma vida de verdade, com pessoas de verdade e não fantoches dos seus traumas passados.

Isso com certeza não era pedir muito, mas para pessoas como Crowley, era como desejar o mundo.

O mundo que ele nunca teria.

 

 

[....]

 

 

A princípio tudo ocorreu bem na casa de Beelzebub, até Crowley dizer que não poderia ficar para dormir como haviam planejado e a amiga começar a fazer perguntas que o ruivo não estava disposto a responder.

- Crowley o que aconteceu? Tem a ver com a sua família? – Bel foi até o amigo, mantendo um olhar sério e segurando sua mão.

- Olha, quer saber – Crowley se afastou de forma brusca – Somos amigos, não somos casados. Eu já te disse que está tudo bem e não tem nada acontecendo, agora se você não pode acreditar em mim, então o problema é seu – Pegou o casaco estirado em um dos sofás e saiu batendo a porta com força.

Não esperava que a morena viesse atrás de si, e foi melhor assim. Só precisou virar a esquina para seus pés paralisarem e tudo o que estava acumulado em seu peito o atingisse em cheio. Crowley apoiou as mãos nos joelhos, se inclinando, encarando a calçada e seus sapatos caros. Malditos sapatos. A chuva começou a cair sem um aviso prévio, mas estava tudo bem, assim o ruivo não precisava se preocupar com as lágrimas que escorriam de seu rosto e misturavam-se com o temporal ao seu redor.

Odiava chorar, mas se até os céus o faziam às vezes, porque ele não?

Sabia que não era a melhor pessoa do mundo, afastou aqueles em quem confiava muitas e muitas vezes, dos melhores aos piores, e talvez a pior parte nem mesmo fosse essa, mas o fato de que não havia arrependimento em sua mente, e ele queria que houvesse, porém não tinha. Confiava em Beelzebub, claro que sim, mas era um assunto de família e isso só dizia respeito a si mesmo, poderia muito bem resolve-lo sozinho. Um dia, quando as coisas estivessem bem, ele poderia apresentar a amiga ao irmão. Até lá, continuaria a afastando dessa parte de sua vida. Seria melhor assim.

Na volta para casa, comprou a pizza prometida a Adam, nesse meio tempo a chuva já havia cessado, embora suas roupas ainda estivessem encharcadas. O relógio apontava 20h30 da noite quando adentrou o apartamento, o caçula estava de um lado para o outro com o cachorro e acabaram tomando um susto quando o ruivo entrou.

- Vem cá, só porque a gente é rico não quer dizer que você pode destruir a minha casa – Crowley os repreendeu ao perceber que estava tudo uma zona, e não era a leste.

- Desculpe – Adam pegou o cão pelos braços e foi até o irmão, analisando a caixa de pizza com toda a cautela – Que sabor você trouxe? – Ele perguntava como se suas vidas dependessem disso.

- Metade Margherita e metade Diavola tá bom pra você? – Colocou a mão livre na cintura, fazendo uma pose que o irmão não pôde deixar de achar engraçada.

- Está perfeito – Sorriu grandiosamente – E o que você trouxe para o Cão?

- É... – Não tinha lembrado dessa parte – Ele pode comer os seus restos.

- Que cruel, Anthony – Seguiu o mais velho até a cozinha – Mas tudo bem, eu dou o meu prato pra ele depois.

- Ah não, no meu prato de porcelana não! – Exclamou enquanto colocava os pratos na mesa.

- E onde ele vai comer então?

- Por mim ele pode comer até na sua cara, desde que não seja nas minhas coisas.

- Desde quando você ficou tão chato?

- Ser adulto é chato, Adam.

- É o que parece – Colocou o Cão em uma das cadeiras e se sentou na outra ao lado, de frente para o irmão enquanto o observava servi-los – Você acha que eu vou ser chato também?

Crowley o encarou por um instante, geralmente ele faria uma piada sobre o assunto, mas Adam não era como os outros adolescentes. Ele era mais sensível e a pergunta havia sido feita em tom de seriedade, então Crowley tentou ser o menos idiota possível em sua resposta.

- Não – Sua resposta deixou Adam pensativo. O ruivo foi até a geladeira, pegou cerveja para si e refrigerante para o caçula e voltou a mesa – Você não vai ser chato.

- Como pode ter tanta certeza? – Indagou.

- Eu não tenho – Os dois se entreolharam – Mas é no que você deve acreditar. Porque se ficar preso nisso não vai precisar chegar aos 18 para se tornar um saco.

E nada mais foi dito.

As próximas duas horas foram feitas de estômagos vazios sendo preenchidos e dois irmãos e seu cachorro no sofá vendo um filme qualquer que passava na programação daquele momento. Crowley coletou todas as informações possíveis da vida do mais novo no jantar, era difícil acreditar que Adam havia feito tantas coisas durante aqueles 5 anos. Crowley não podia deixar de se sentir culpado por não estar lá com ele, principalmente quando as aventuras descritas foram substituídas pelos momentos de solidão e tristeza, onde Adam contou sobre tudo que sentia, mas foi a sua pergunta no final do jantar que abalou mais o ruivo:

“Por que você nunca tentou falar comigo depois que foi embora?”

Seguida de:

“Eu era um irmão ruim?”

Dando espaço a:

“Tudo o que passamos foi só você fazendo a sua obrigação de irmão mais velho?”

Terminando com:

“Não importa, você está aqui agora. Nunca mais vamos nos separar de novo, não é?”

E isso dilacerou Crowley. Porque ele sabia. Ele sabia que o desejo de Adam não era possível. Mas como toda boa pessoa que preza aquilo que ama, ele mentiu para manter as coisas sob controle.

- Nunca mais - Crowley respondeu dolorosamente.

- Você promete?

Houve hesitação.

- Eu prometo – E as palavras saíram em um tosco arranhão, como se rasgassem seus lábios mesmo depois de ditas.

Adam sorriu. Seus olhos brilhavam de forma que Crowley não podia evitar em sorrir de volta para o caçula.

Oh deus, ele era um cretino. Um cretino mentiroso. Por favor o perdoe, embora ele saiba o que faz. Ele está tentando o seu melhor, senhor. Então por que essas coisas continuam acontecendo ao seu estimado filho? Por que ele continua pecando mesmo quando se esforça para não pecar?


Notas Finais


O que eu posso dizer desse final?


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