História Amor em pétalas - Capítulo 8


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Categorias Haikyuu!!
Personagens Asahi Azumane, Chikara Ennoshita, Daichi Sawamura, Kei Tsukishima, Koushi Sugawara, Ryuunosuke Tanaka, Shouyou Hinata, Tadashi Yamaguchi, Tobio Kageyama, Yuu Nishinoya
Tags Hanahaki Byou, Kagehina, Romance
Visualizações 249
Palavras 2.129
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 8 - Parte VIII - Hinata Shouyou


A maçã apodrecera na mochila, fazendo sua existência ser lembrada à força quando Hinata sentiu em sua mão uma coisa mole ao caçar alguma eventual bala deixada em um dos bolsos da mala. No momento em que o acontecimento se sucedera, já estava na quadra, no intervalo do treino, e tinha perto de si Tsukishima e Yamaguchi. O primeiro não controlou uma careta quando Hinata, chamando sua atenção, gritou “eca” enquanto erguia o fruto apodrecido.

— Por que você vive pedindo comida para os senpais quando esquece o que tem na sua bolsa? – questionou Kei, após ouvir um pouco da explicação de Hinata sobre o que se sucedia.

— Eu não vivo pedindo comida para os senpais!

— Então por que sempre sai com eles para comer depois do treino se nunca tem dinheiro?

Hinata resmungou mais algumas coisas antes de Yamaguchi encerrar a discussão que se formava e o pequeno ruivo percebeu-se ainda mais sozinho. Normalmente, quem participava com ele das discussões com Tsukishima era Kageyama, mas fazia tempo que o levantador mantinha-se longe. Naquele momento estava do outro lado da quadra, conversando com Asahi e sequer notara o pequeno alvoroço formado perto das arquibancadas. Tobio o estava evitando desde o momento em que ele e Tanaka se despediram dele na rua de sua casa.

No dia seguinte àquele, o time de vôlei fizera uma pequena surpresa para Hinata ante as notícias de sua melhora: conseguiram um bolo e alguns confetes. Quando o jogador chegou à quadra, foi recebido aos gritos, gargalhadas, abraços e com estouro de cores caindo sobre sua cabeça. Todos estavam felizes por ele e demonstravam isso. Kageyama, no entanto, não estava lá. Chegara um pouco depois, quando Shouyou já tinha as bochechas cobertas de chantilly –obra do líbero – e pequenos papéis coloridos se misturavam à sua cabeleira, no entanto ficou afastado do grupo, apesar de ter sido chamado escandalosamente para participar. O único pedaço de bolo que comeu foi à força, No mais, se restringiu a reclamar sobre o tempo de treino perdido com a comemoração. Naquele momento, parecia que Kageyama fugia de todos e Hinata não pensou se tratar de nada pessoal, até compreendia o motivo. O pequeno sustentara a versão que contara para Tanaka, alegando que provavelmente fora o beijo que recebera de Yachi que provocara sua cura. No entanto, isso não impediu Sugawara dar um firme aceno com a cabeça a Tobio quando este chegou. Aparentemente, não era fácil enganar o braço direito do capitão do time.

Contudo, a distância que Kageyama imprimia entre eles parecia apenas aumentar. Em resposta a isso, o corpo de Hinata reagiu com duras fisgadas no peito, que doíam como se tivesse sido golpeado por lâminas afiadas. Era como se o rasgassem. E, com propriedade, ele apalpava o peito com constância, como se quisesse encontrar uma fissura por onde penetrar os dedos e terminar o estrago, esperando, assim, destruir por completo o que ainda jazia inteiro para, enfim, encerrar seu desconforto. Para ele, tornou-se nítido que aquilo machucava mais do que as flores crescendo em seus pulmões e a tristeza que por consequência o acompanhava dava a Hinata a sensação de estar adoentado. Se pudesse responder de forma sincera sobre sua saúde, diria que a partir do dia em que se descobriu curado foi que passou a desejar, de fato, tratamento médico. Estava combalido. Se aquilo significava estar apaixonado, Hinata preferia ter passado a vida na ignorância. Se aquele era o sentimento de rejeição, preferia senti-lo sem o conhecer. Se antes pensava muito em Kageyama – em como superá-lo, mais especificamente –, agora este preenchia quase que integralmente seus pensamentos com as lembranças do beijo quente no parque e com o anseio de perdê-lo, se é que um dia o tivera.

Em meio a isso, os artifícios que Tobio se utilizava para evitar o outro eram tantos e variados que às vezes recorria a iniciar uma conversa com Tsukishima para não dar oportunidade de Hinata se aproximar. Também havia pedido a Daichi para trocar seu dia de limpeza da quadra para que não fossem mais coincidentes com o do pequeno central – ainda que não tenha admitido isso para ninguém, mesmo quando questionado. Contudo e apesar de tudo, a dupla não perdera sincronia em jogo e, quando estavam em quadra, conversavam sobre jogadas e outras questões necessárias como se nada estivesse acontecendo. De alguma forma, o vôlei suplantava qualquer adversidade entre eles e estava acima de seus problemas pessoais. E como era costume, Kageyama não se furtava, naqueles momentos, a lançar suas broncas ou xingamentos, mesmo que não o encarasse nos intervalos ou nos corredores da escola. Eram duas reações incondizentes. Todavia, como pontuavam trabalhando em equipe, ninguém quis interferir diretamente na situação, embora fosse consenso o comportamento esquisito do levantador.

Como se não fosse o bastante, para acrescentar mais solidão à Hinata havia ainda outra pessoa cuja atitude mudara em relação a ele: Yachi Hitoka. A menina, para alegria do pequeno, não fizera novas investidas românticas e nem mencionara mais os eventos do encontro. Ao invés disso, parecia nervosa toda vez que chegava perto do garoto, enrubescendo imediatamente. Em consequência, preferiu evitar tais constrangimentos guardando uma distância segura do meio de rede. É certo que, para os mais atentos, como Sugawara, era visível as expressões de alívio e carinho que a menina assumia em seu rosto toda vez que seus olhos pousavam em Hinata quando o observava ao longe, embora, se ele retribuísse o olhar, tudo viesse a se transmutar em pânico. Suga confidenciava para si mesmo sua teoria de que Yachi sentia algo pelo amigo, mas não maturara o sentimento o suficiente para apresentá-lo e as circunstâncias haviam atropelado a ordem natural das coisas, bem como aumentado a carga de responsabilidade e estresse sobre a menina, o que era um problema para ela. Uma tarde, no entanto, as coisas passaram a gradualmente voltar ao normal entre eles. Hinata não entendeu o que motivou a reaproximação de Hitoka e, na verdade, apenas ela, Tsukishima e Kageyama tinham a resposta disso. Tudo ocorreu após o dia em que o levantador estava com sua garrafa de água e uma toalha no pescoço, sentado em um dos bancos, e não pôde deixar ouvir a conversa entre o loiro e a menina quando aquele disse:

— Acha mesmo que após anos de estudo os médicos iriam se enganar sobre o tempo necessário para a cura acontecer?

Aquilo fazia sentido. E caiu como um luva para Yachi, que recobrou sua confiança perto de HInata e reestruturou seus antigos laços- mudança de comportamento que foi perceptível para todos, especialmente para Shouyou.

— Ela está aliviada por não ser ela...

— O que disse, Suga?

— Ah, nada, Daichi. Só estava pensando alto.

— Certo. O que acha de dobrarmos o treino de recepção amanhã?

— Acho que você quer acabar conosco.

— Nossa mais nova assistente gostou da ideia, se isso te anima. Você não tira os olhos dela.

— Isso não tem nada a ver comigo! – rebateu, embora o tom vermelho que sua pele pálida assumiu fosse inevitável.

Mais do que Suga, no entanto, havia alguém que estampava a face rubra quando o assunto era Yachi: o próprio Hinata. Não que isso acontecesse quando interagia com ela – contra todas as expectativas, ele se mantivera bastante calmo após o encontro -, mas tão somente quando Nishinoya e Tanaka vinham até ele usando suas melhores asas de cupido e com as flechas mais afiadas, embora não dispusessem de nenhum arco que os permitisse realmente acertar o coração de seu alvo. Seus dois veteranos estavam realmente dispostos e empenhados em unir o casal, embora tivessem falhado miseravelmente a cada tentativa.

— Se a Kyouko-san tivesse me beijado, eu jamais a deixaria ir embora. – reclamou Tanaka, numa certa tarde, enquanto arrumava suas coisas na mochila antes de deixar a sala de aula.

— A Yachi não é a Kiyoko. – retrucou Noya.

— Você entendeu o que eu quis dizer!

— Entendi o que disse sobre a Kiyoko-san, mas ela não tem nada a ver com isso. Não foi ela quem beijou o Hinata.

— Você deixaria o amor da sua vida se afastar depois de beijá-lo?

— Não.

— Então você realmente entendeu o que eu quis dizer.

Não. Provavelmente Nishinoya não havia entendido, já que por mais que a menina loira fosse amável, jamais chegaria aos pés da mulher que expressamente tentava conquistar com as piores cantadas possíveis. A comparação de Tanaka era desmedida.

Nesse contexto, cada um com seu universo de pensamentos e interesses seguiram vivendo suas vidas, dando continuidade a seus estudos e encontrando-se na quadra diariamente, quando deixavam de ser unidades independentes para comporem o corpo do time, tal Kuroo expressava com suas palavras de motivação a cada jogo, embora Karasuno nunca tivesse ido tão além em termos de abstração. Fato, no entanto, era que muitas das partes daquele ser estava frágil à sua maneira, ainda que escondesse isso com desempenhos forçados suficientemente bons para ocultar o que se passava na intimidade de cada um.

— Você deveria conversar com ele. – soltou um dia Suga, não aguentando ver Hinata se remoendo em silêncio.

— O que? – perguntou Shouyou espantado, quase saindo de um transe.

— Kageyama... Você deveria conversar com ele. É ruim vê-los distantes dessa forma.

— Não estamos distantes!

— Essa sua atitude defensiva só mostra que estão. Não há nada que uma boa conversa não resolva, você deveria pensar nisso. – concluiu enquanto amarrava os cadarços do próprio tênis.

Shouyou não teve outra opção a não ser se calar. E engolir seco.

As palavras de Sugawara ficaram na sua cabeça a semana inteira. Claramente Kageyama o estava evitando. Não só ele e Koushi perceberam isso, como Yachi o abordara para questionar o que haveria acontecido, perguntando se eles haviam tido uma briga séria de novo (como se Hinata se lembrasse do que ela se referia como “de novo”).  A pobre menina até questionara se ela havia sido a causa de discórdia entre eles. “Não quero te causar problemas, Hinata.”, dissera, aparentando uma preocupação mais intensa sobre isso do que suas palavras admitiam.

Ao final de quatro dias, com seu peito quase explodindo de inquietação, optou por tomar uma atitude. Kageyama não poderia simplesmente beijá-lo e depois agir como se ele sequer fosse importante. Tiraria aquilo a limpo! E foi com tal determinação que acordara naquela sexta-feira, arrumara-se o mais rápido possível e rumara para o colégio, adentrando seus recintos com passos firmes e pesados, os punhos cerrados. Seu destino já havia sido traçado e nada poderia impedi-lo, nem mesmo se o diretor ou o vice-diretor o abordasse no corredor – tal qual este último de fato tentara fazer. Seguiu certeiro para o lugar no qual Kageyama se sentava para assistir às aulas e já com as palavras espirrando pela garganta e esbarrando na língua, descobriu que seu precioso alvo faltara à aula.

Decepção seria uma ótima palavra para descrever o que Shouyou sentiu, caso não houve outra melhor: desespero. O menino ficou sem chão. De tudo o que estava esperando para aquele dia, não havia cogitado a hipótese aterradora de sequer ter a chance de verbalizar seus pensamentos. A ansiedade era tanta diante da frustração de não conseguia digerir o fato de ter que aguardar o fim de semana passar antes de ver Kageyama de novo para tirar satisfações com ele. Resultado disso foi um nervoso que sentiu pulsar em suas veias e disparar seu coração. E com tal agitação em sua mente, estômago e pés, que não paravam de mover dentro do tênis, passou a manhã sem conseguir absorver nada das aulas.

Terminado o período, correu para a quadra: o vôlei, como sempre, seria seu alento. Foi o primeiro a chegar, já que os veteranos estavam ocupados ou com reuniões de grupo para apresentação de trabalhos ou com conversas com os professores sobre suas vocações, e Tsukishima e Yamaguchi nunca eram os primeiros a chegarem – bem com Hitoka, que nos últimos dias estava resolvendo questões externas para o clube. Assim, completamente só e envolvido unicamente pelo som de seus passos ecoando pelas paredes altas e frias que o circundavam, correu para o vestiário. Ao abrir a porta, sobressaltou-se. Deixou a mão escorregar dar maçaneta e, recuando, pisou em falso; quase torceu o tornozelo. O vestiário não estava vazio, como imaginara, mas guardava, sentado sobre um dos bancos ao canto, uma figura silenciosa e pálida de olhos perfeitamente delineados por duas olheiras profundamente roxas, que o encarou com olhar fuzilante. Coberto de preto, estava tão cadavérico que Hinata pensou ser um regresso do Mundo dos Mortos antes de se dar conta que o ser tinha nome e rosto que lhe eram conhecidos: era Kageyama. Quando Hinata recobrou um pouco da postura, substituindo o medo por assombro, teve seu princípio de gaguejar interrompido.

— Qual a chance de eu contrair Hanahaki depois de te beijar?

Mantendo-se sentado, foram essas as únicas palavras de Kageyama para Shouyou.


Notas Finais


Gratidão a quem leu!
Estamos às vésperas do final, então até o próximo capítulo!


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