1. Spirit Fanfics >
  2. Amor em Quarentena >
  3. Capítulo 23

História Amor em Quarentena - Capítulo 23


Escrita por: WritingSuenos

Capítulo 23 - Capítulo 23


Carlos ficou muito feliz quando me viu, grato por eu ter ido até o hospital. Fez questão de insistir que estava disponível caso eu precisasse de ajuda agora que perdi meu trabalho no campus. Desde o primeiro dia de aula ele sempre foi um anjo em minha vida, me ajudando na adaptação à faculdade. Sua influência me impediu de sofrer preconceito por ser novata, no primeiro semestre.

Fiquei surpresa quando ele me deu um dos livros que devolvi. Aquilo custa o olho da cara. Não quis aceitar, mas garantiu que não precisava mais dele. Falou que só ficava acumulando poeira em sua estante. Após muita insistência de sua parte, resolvi aceitar.

Ao chegar ao ponto de ônibus, me arrependi amargamente de não ter colocado a máscara antes de sair de casa. A fila estava enorme, ninguém protegido. Por ser das últimas a chegar, consegui manter uma distância razoável das outras pessoas. O coronga devia estar fazendo a festa ali.

Depois de muitos empurrões, finalmente consegui entrar. Não havia mais onde sentar, tive que ficar em pé. Assustei-me com uma mão tocando minhas costas. Reflexivamente quase pulei, de maneira brusca. O sorriso do sujeito me fez relaxar. Não era perigo.

— Vem cá, tem um lugar aqui pra sentar.

O possível duplo sentido da frase sumiu da minha mente quando ele tirou a mochila que ocupava o assento vizinho. Agradeci mentalmente aos céus, não aguentava mais o cansaço nas pernas. Eu já havia ultrapassado o limite de caminhada que o meu corpo sedentário aguenta em um dia.

— Não sabia que médicos usavam ônibus. — Brinquei.

— Só os estagiários. — Sorriu.

Ele é muito simpático. Não deixou faltar assunto durante o trajeto todo, sempre fazendo alguma piada sobre a situação ao nosso redor. Perguntou-me sobre o curso, meus planos de vida e o que eu achava da faculdade — no ponto de vista de uma “relativa caloura”. O tempo passou voando. Só percebi que estava chegando perto do condomínio quando ouvi o som do mercadinho tocando brega.

— Vou descer na próxima parada, muito obrigada por ceder o lugar.

— Que nada, não precisa agradecer. Minha mochila nem tava tão cansada assim. Ela aguenta o tranco.

Sorri com seu comentário.

— Qualquer dia a gente se esbarra por aí. — Falei, já ficando em pé.

— Quem sabe. — Também se levantou.

Estranhei ele vir atrás de mim. Vendo minha expressão, explicou-se.

— Também vou descer aí.

Rimos ao perceber que estávamos fazendo a mesma rota em direção ao condomínio.

— Você mora aqui? — Perguntei.

— Não, vim encontrar um amigo. E você, mora onde?

— Aqui, nesse prédio.

O porteiro não estranhou sua presença. Talvez já o conheça, deve ter vindo antes.

Quando entramos no elevador, ele perguntou.

— Para qual andar você vai?

— O quinto.

Apertando o número “5” do painel, manteve-se em silêncio até chegarmos ao andar. Perguntei-me se ele não havia desconfiado do fato de eu não questionar sua companhia até aqui. No mínimo, deveria ter fingido surpresa. Resolvi fazer a egípcia. Acho melhor passar por tapada do que assumir que sei quem é.

— Eu moro aqui. — Falei ao abrir a porta do meu apê. — Quer entrar e beber um copo d’água?

— Não, obrigada. — Bateu à porta vizinha. — Você conhece? — Perguntou, apontando para o apartamento de Ricardo.

— Só de vista.

Aproveitando a brecha, Luís saiu para o corredor. Farejando o ar, foi em direção a Henrique e começou a se esfregar em suas pernas.

— Oi, gatinho. — Falou pegando Luís no colo, após ouvi-lo miar.

Muito bonito pra cara desse palhaço fazer isso, ontem queria me arranhar quando eu chegava perto e hoje tá se arreganhando todinho para um desconhecido. Não vale o sachê que come.

— Então... foi um prazer te conhecer, mas eu tenho que entrar. Obrigada por tudo.

Quando fui em sua direção para pegar o gato, ele surpreendeu-me com um abraço. Eu não sabia que precisava de um — até receber o seu.

Ainda sem sair do aperto, falou.

— Meu dia foi um lixo, obrigada por melhorar ele. Você é muito gentil.

Afastei-me um pouco para trás, já com o bichano em meus braços. Henrique me deu um sorriso de falhar as pernas. Retribui com a mesma intensidade.

— Até mais.

— Até.

Interrompendo nossa despedida, uma voz raivosa bradou.

— Que porra você tá fazendo, sai de perto dela agora seu filho da puta!

Assustei-me quando Henrique caiu no chão.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...