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História Amor em risco - Capítulo 2


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Notas do Autor


Olá amores,
Capítulo duplo hoje, espero que gostem,

Beijos!

Capítulo 2 - Primeiras impressões


Fanfic / Fanfiction Amor em risco - Capítulo 2 - Primeiras impressões

O avião chegou com quase duas horas de atraso.

Nada de surpreendente, dado o mal tempo e não era culpa de ninguém, mas isso não lhe tirava o direito de estar irritado.

Extremamente irritado!

Claude era uma pessoa paciente, precisava ser. Era um dos pré-requisitos do seu trabalho, mas ser forçado a esquentar uma daquelas cadeiras duras e desconfortáveis do Aeroporto Charles de Gaulle definitivamente lhe dava o direito de perder a paciência.  Aquilo, além do fato de descobrir que o frio daquela manhã aumentava consideravelmente as dores em seu ombro, quase completamente curado e da falta de opções, devido a seu acidente recente, praticamente obrigá-lo a aceitar aquele trabalho, em nada contribuíam para melhorar seu humor.

Ah, se as pessoas soubessem o quanto sua profissão era glamourizada!

No fundo, era só um homem tentando ganhar a vida como outro qualquer, com a única diferença de nunca se separar de sua arma e estar realmente disposto a dar sua vida por seus clientes. Podia ser algo nobre e estimulante, mas isso dependia muito. Dar a vida por um líder de estado, um diplomata ou um vencedor do Nobel da Paz, era bem diferente que ficar duas semanas servindo de babá para uma empresariazinha cabeça-dura e mimada, mas isso era um pensamento inconfessável, que nem mesmo deveria passar pela sua cabeça.

Todos os clientes eram iguais e sua ética garantiria que faria seu trabalho com igual empenho. Apenas pensava coisas absurdas quando não estava de bom humor, quando seu ombro estava praticamente matando-o de dor, mas acima de tudo, quando não tomava café!

O expresso com gosto de queimado daquelas máquinas automatizadas não contava!

Olhando para seu copo, suspirou demoradamente e alongou as pernas, quando seu amigo tentou animá-lo.

-Vamos, mon amie, não entendo a razão desse mau humor! – Frazão o olhou com um sorriso. – Não é tão trágico como faz parecer, são apenas duas semanas e depois, estará novo em folha! – Claude suspirou resignado. – Logo você volta à ação de verdade. – Ele fez aspas com os dedos, nas três últimas palavras. – Mas, mudando de assunto. – Ele se aproximou, baixando o tom. – Por acaso já viu uma foto dela? A mulher é deslumbrante!

Claude olhou para o amigo e lhe lançou seu famoso sorriso carregado de ironia.

-Sabe que nón misturo negócios e prazer e, para dizer a verdade, ela não é assim tón...

-Deslumbrante!  Frazão completou divertido.

-Oui! Ele respondeu, sem a menor empolgação, mas se lembrou do dia anterior no escritório, quando seu chefe lhe mostrou algumas fotos.

Precisava admitir, apesar da postura séria e das roupas extremamente formais, em todas elas, estava realmente deslumbrante, mas uma em especial lhe chamou a atenção, era uma foto que a mostrava sorrindo, usando um vestido floral e rodado que fazia com que parecesse uma mistura intrigante de delicadeza e sensualidade.  Ao lembrar da foto, sentiu algo que, talvez pudesse classificar como fascínio ou desejo sexual, mas Claude tentou ignorá-los por completo, isso era lógico!

Não era esse tipo de homem, era pragmático e a frieza era sua maior aliada, afinal, na linha tênue que separava a vida da morte não havia espaço para emoções, essa havia sido uma das mais duras lições que aprendera em sua vida.

Uma lição que jamais esqueceria.

Começou a pensar no relatório que o diretor lhe dera a respeito dos últimos acontecimentos da vida de Rosa Petrone e se metade daquilo fosse verdade, poderia se dar por satisfeito se não tivesse um infarto naquele período.

-Deslumbrante, mas mimada, prepotente e cabeça-dura! Frazão fez que sim com a cabeça e só então, Claude notou que havia dado voz aos seus pensamentos.

-Teria sido muito mais fácil se ela tivesse trazido a sua segurança pessoal. Frazão apontou após um longo silêncio e Claude apenas assentiu, mas ao repassar mentalmente todos os detalhes dos vários "acidentes" sofridos por ela nos últimos tempos, chegou a uma conclusão nada animadora: alguém realmente estava tentando acabar com sua vida e ela simplesmente parecia fazer questão de ignorar o fato. E isso o levava a duas outras possíveis conclusões: Rosa Petrone era uma mulher corajosa, forte e destemida que não se deixava abater ou era uma inconsequente e, sinceramente, nenhuma das duas opções facilitaria seu trabalho.

Pouco tempo depois, o saguão do aeroporto ficou lotado, burburinhos em vários idiomas, uma infinidade de executivos com seus ternos sóbrios, turistas sorridentes, que olhavam para todos os lados, felizes por visitar uma das mais belas cidades do mundo, enquanto crianças corriam de um lado para outro, seguidas por suas mães à beira de um ataque de nervos.

Claude tomou um último gole de seu café expresso, agora completamente frio, fez uma careta e respirou fundo, seguindo até o portão de desembarque. Os alto-falantes anunciaram a chegada do voo 1412 da Air France.

Finalmente era o voo dela e ele agradeceu aos céus por poder sair dali e claro, aproveitou para pedir que aquelas duas semanas passassem bem depressa e, de preferência, sem nenhuma intercorrência.

A primeira coisa que Rosa fez ao chegar ao Aeroporto Internacional de Paris foi agradecer a Deus o fato de seu avião ter aterrissado com segurança, apesar do mau tempo. Colocou seus óculos escuros, apanhou a bolsa de grife, que valia alguns milhares de dólares, e desembarcou.

Era completamente impossível não notá-la!

Usava uma saia lápis azul marinho, um pouco acima do joelho, blusa branca de gola laço e um sobretudo vermelho, nada discreto, mas extremamente elegante. Caminhava tão decidida e ao mesmo tempo com tanta graça e leveza, que parecia flutuar.

Claude estava há alguns metros dela, mas podia jurar que ouviu o barulho que seu scarpin preto fazia no chão de mármore polido, era insano, ele sabia bem, mas a partir do momento em que a viu, parecia não ver nem ouvir nada além dela.

A multidão, o burburinho, a dor insistente em seu ombro, até seu mau humor, tudo desapareceu.

Só via ela!

Seus olhos se fixaram no rosto. A pele num tom levemente bronzeado, a boca perfeita e bem desenhada e o nariz delicado formavam um conjunto harmonioso e incomum ao mesmo tempo. Ela tinha uns traços italianos e um algo mais que ele atribuiu a tão famosa beleza das brasileiras. Mas faltavam os olhos. De repente, um desejo de olhar bem dentro deles pareceu tomar conta dele e Claude mal pôde acreditar quando ela pareceu atender ao seu anseio e retirou os óculos escuros. Em seguida, balançou os cabelos, sedosos, perfeitos, num tom incrível de castanho e olhou ao redor como se já tivesse visto tudo aquilo outras milhares de vezes. 

Parecia uma mulher bem difícil de impressionar.

Então seus olhos se fixaram nos dele. Aquela sombra pareceu se dissipar e um brilho surgiu. Sim, ela realmente era deslumbrante, fascinante e, certamente, a mulher mais linda que já viu na vida.

Ele teve a impressão de ter sussurrado o nome dela, talvez só tenha pensado, mas a questão era que, de repente, o nome dela lhe pareceu uma poesia, um adjetivo.

Rosa Petrone era...Rosa Petrone.

E naquele instante foi como se não houvesse palavras   para descrevê-la.

Todas se tornaram prosaicas, insuficientes, diante do nome dela.

-Ela é linda! Frazão deu um assobio e exclamou, cheio de entusiasmo. – Realmente deslumbrante! – O tom de provocação não passou despercebido por Claude.

-Pode até ser, mas é um alvo muito fácil. Seria melhor se tivesse a prudência de se vestir de forma mais discreta. Claude pareceu ligeiramente incomodado com o fato de Rosa atrair vários olhares masculinos, enquanto caminhava em sua direção, mas intimamente, sabia que não importava o que vestisse, aquela mulher jamais passaria despercebida.

Frazão corrigiu a postura e respirou fundo.

-As francesas levam a fama de ser as mais belas do mundo, mas eu adoraria que elas tivessem metade da beleza dessa...

-Quer parar com essa conversinha, Frazon! Claude o repreendeu com sua irritação costumeira e, apesar de estranhar um pouco a reação do amigo, ele resolveu se calar.

Rosa aproximou-se dos dois homens que aguardavam sua chegada e estendeu a mão a um deles.

-Como vai, sr. Geraldy? Sinto muito que meu avião tenha se atrasado. Claude devolveu-lhe o sorriso e o aperto de mão.

-Deve haver centenas de homens de terno preto neste aeroporto, srta. Petrone, como sabia quem era eu? Ele a encarou curioso e a resposta veio rápida.

-É que fui informada que era um homem muito mal-humorado. – Ela caiu na risada, sendo acompanhada por Frazão, enquanto Claude apenas respirou fundo. –Estou brincando, seu chefe me mandou uma foto sua ontem!

Que não fez jus à sua beleza e ao seu charme.

Ela pensou olhando-o brevemente.

Já ouvira falar da beleza dos homens franceses, especialmente na última semana, enquanto organizava sua viagem, mas a verdade é que Rosa estava bastante impressionada com a aparência daquele tal agente designado para acompanhá-la.

A figura alta e imponente, o corpo forte e definido sem exageros realçado pelas roupas de extremo bom gosto. A camisa branca evidenciando o peito firme, ombros largos e o terno preto, um pouco formal demais, que lhe conferia aquela aura sexy e misteriosa.

Os cabelos castanhos claros levemente bagunçados eram o contraponto de toda aquela formalidade e o deixavam mais jovial.

As mãos cruzadas à frente do corpo logo lhe chamaram a atenção. Eram mãos bonitas, grandes e fortes e ela se perguntou se seriam tão habilidosas como imaginava.

Ela sentiu que corou.

Céus, isso era tão desconcertante, mas no momento, não importava.

O rosto era lindo, os traços harmoniosos, a boca sensual, o nariz perfeito, aquela barba por fazer que parecia destoar completamente de sua personalidade sisuda, era quase como um ato de rebeldia, mas o deixava lindo e infinitamente mais charmoso.

E ainda tinha aquele olhar!

Ah, olhos castanhos e expressivos que pareciam ter um brilho único. Eram desafiadores e misteriosos e ela adorava as duas coisas.

Claude, porém, não pareceu muito satisfeito com a brincadeira e ainda a olhava sério, mas Rosa pareceu não se importar e sorriu, cumprimentando Frazão, que ao contrário do amigo, era o entusiasmo em pessoa.

-Fui designado para acompanhá-la em sua viagem por Paris. Era impossível não ver o ar de desdém e ironia na cara do tal francês.

Evidentemente, o homem já tinha sua opinião formada sobre ela, preferindo a fofoca aos fatos. E, estranhamente, isso a decepcionou, as pessoas em geral a julgavam antes de conhecer.

O fato de ser mulher e considerada jovem demais para assumir as empresas da família, na ocasião da morte de seu pai, a fizeram tornar-se quem era hoje. Mas precisou esconder a dor e a insegurança sob uma máscara de frieza que agora era sua característica mais marcante. Mas aqueles que ousavam conhecê-la, de verdade, além das manchetes, se surpreendiam com a sua doçura e simplicidade.

Se ele está esperando a dama de ferro dos jornais sensacionalistas, é exatamente o que vai ter.

Ela lhe lançou um olhar igualmente carregado de desdém.

-Não preciso de um segurança, o que realmente preciso é de alguém que carregue minhas malas. – Ela precisou suprimir o riso. – Presumo que esse também seja seu trabalho, certo? – O brilho de ódio nos olhos de Claude teria causado medo em qualquer ser humano comum, mas não nela. 

Seria um prazer enorme ensinar um pouco de boas maneiras àquele francês antipático e mal-educado.

-O carro a aguarda no estacionamento. – Ele informou com voz seca e se virou para o amigo. – Frazon será seu chofer, enquanto estiver no país. – Ele soltou a respiração por entre os lábios. –E vai acompanhá-la até o carro, enquanto eu apanho sua bagagem.

-Por favor, não leve o dia todo para fazer isso. Ficar esperando dentro de uma limusine, definitivamente não está nos meus planos. – Ela suspirou, como se estivesse entediada. – Como dizem, tempo é dinheiro! – Ela sorriu e Claude sentiu um desejo enlouquecedor de acabar com toda aquela arrogância de um jeito bem divertido. Encostá-la na parede mais próxima e...

Ele se assustou com o pensamento.

-Vou fazer o possível para nón demorar, alteza. Ele ironizou.

-Acho bom! Ela respondeu, antes de girar nos calcanhares e se afastar, seguida por Frazão, que a olhava embasbacado.

Murmurando um palavrão, Claude dirigiu-se à esteira das bagagens, tentando se lembrar que mal fizera a Deus para receber tal castigo.

Para o inferno com aquela empresariazinha prepotente!


Notas Finais


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Beijos e até o próximo!


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