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História Amor em risco - Capítulo 4


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Notas do Autor


Olá amores,
Mais um capítulo com muito carinho, espero que apreciem.
Beijos

Capítulo 4 - Admirável


Fanfic / Fanfiction Amor em risco - Capítulo 4 - Admirável


Era uma linda manhã de sol em São Paulo, quando dois homens, um de pouco mais de trinta anos e outro, com pelo menos o dobro disso, tomavam um desjejum farto, numa mesa afastada de uma grande cafeteria no centro da cidade.

-Ela já chegou. O mais jovem comentou, tomando um gole do suco de laranja. 

-Ótimo, espero que tenha apreciado nosso pequeno presente. – O mais velho disse malicioso e os dois sorriram. 

-Soube que viajou sozinha e, antes de ir, dispensou os seguranças que o irmão contratou, isso vai facilitar bem as coisas para nós. – O mais jovem sorriu e o velho acendeu um cigarro e tragou sem pressa, pensando na interessante informação que acabara de receber.

-Que surpresa agradável! – Ele deu uma longa tragada em seu cigarro e ficou observando a fumaça desaparecer no ar. – Então, ela está viajando completamente sozinha?

-Não exatamente. – O jovem começou a passar manteiga na torrada. – O irmão contratou um segurança francês, mas ela deve dispensá-lo assim como fez com todos os outros. 

-Espero que sim! – O velho fez uma pausa e serviu-se de uma grande fatia de bolo. – Mas, de qualquer modo, se ele nos atrapalhar, terá de ser eliminado também. – Ele afirmou e o jovem concordou com a cabeça. 

-Sem dúvidas, já tomei minhas providências para tal eventualidade. O velho sorriu. 

-Desta vez. – Prometeu o mais jovem. – Não vamos falhar, não vamos mesmo!

Os dois se entreolharam sorrindo e continuaram a refeição.


***

Quase uma hora depois de deixar Rosa em sua suíte, Claude, que estava hospedado num quarto anexo ao dela, havia tomado banho e terminava de se vestir, quando ouviu batidas insistentes na porta.

Imaginou que seu amigo, mais uma vez havia esquecido as chaves do quarto, mas ainda assim, tocou em sua arma enquanto se dirigia para a porta. Ao abrir, se surpreendeu ao ver Rosa, pálida e com a expressão de dor. 

Ela deu um passo vacilante na direção dele, que a amparou.

-Meu estômago! Ela falava com dificuldade e, ao tocar em seu rosto, Claude notou que suava frio. Com um gemido, ela pareceu se contorcer de dor e perdeu os sentidos por alguns segundos.

-Rosa! Claude a tomou nos braços e, colocando-a em sua cama, ligou para a emergência.

A chuva caía fina e persistente sobre a capital francesa, enquanto Claude caminhava nervosamente de um lado para outro da pequena sala de espera, que parecia ainda menor e mais claustrofóbica diante da aflição que sentia. Frazão chegou trazendo-lhe um café, que ele rejeitou com o olhar. 

-Envenenamento, Frazon! – Era nítida a aflição em sua voz. – E a culpa é toda minha! – Ele finalmente se sentou, enterrando o rosto entre as mãos. 

-Pode ter sido alguma coisa que ela comeu na viagem. – O amigo ponderou. – Talvez seja apenas uma intoxicação alimentar. – Ele olhou brevemente pela janela, voltando-se em seguida para o amigo, que acabara de sentar-se numa das cadeiras de couro grafite disponíveis ali. 

-Nón seja ingênuo! – Ele exclamou com a voz torturada e pareceu entender alguma coisa. – Os bombons! – Frazão o olhou sem entender. – Mon Dieu, como nón percebi? – Claude passou uma das mãos pelos cabelos. – Assim que chegou, ela provou um bombom na minha frente, achando que era cortesia do hotel, mas os hotéis nón oferecem chocolates, oferecem…

-Uma cesta com frutas da estação! Frazão completou e Claude assentiu.

-Como pude ser ton desatento? Ele se martirizou e Frazão tocou-lhe o ombro, oferecendo apoio.

-Não se culpe tanto. – Frazão olhou para o amigo. – Em todo caso, vou retornar imediatamente ao hotel e enviar os bombons para perícia.

-Faça isso! Claude o olhou agradecido e levantou-se num pulo, assim que avistou o médico chegando. 

Depois de uma breve conversa com o médico, as suspeitas de Claude se confirmaram, por sorte, a ingestão do veneno foi pequena e não causou nenhum dano mais sério. O médico o tranquilizou, dizendo que Rosa já estava bem, informou o número de seu quarto e que ela seria liberada após algumas horas em observação.

Claude encarou por alguns instantes a porta do quarto dela, buscando coragem para entrar. A culpa o consumia e, ao pensar que sua desatenção poderia ter custado a vida de Rosa, sentiu uma dor sufocante no peito. Respirou fundo, como se buscasse coragem para encará-la e finalmente, girou a maçaneta, abrindo a porta.

-Como se sente? Ele parou a certa distância, sem coragem de encará-la.

-Estou bem! Ela se sentou parcialmente na cama e o olhou com um sorriso doce.

-Por favor me perdoe por isso, a culpa foi toda minha. – Ele a olhou por alguns segundos, sentindo-se aliviado ao notar que realmente parecia melhor, estava corada e sorria para ele. – Ainda hoje vou solicitar que meu diretor providencie outro agente para acompanhá-la durante sua estadia...

-Não! – Ela o cortou e ele a olhou surpreso. – Não foi sua culpa. – Ela o tranquilizou. – Já viu o tipo de comida que servem nos aviões? – Ela gracejou e ele sorriu, notando que o médico não havia lhe contado a verdade.

-Mas eu...

-É uma ordem, agente! – Ela usou o tom autoritário, mas sorriu em seguida. – Vamos continuar como estamos. – Ela disse num tom conciliador e ele apenas assentiu.


***

Quando Claude a viu confirmando sua presença na recepção que premiaria seu projeto, poucas horas depois de sair do hospital, teve a certeza de que tudo o que havia pensado a respeito de Rosa era verdade. Aquela mulher era forte, destemida e também parecia não ter noção do perigo que corria, o que definitivamente não era bom, por uma infinidade de motivos, mas não deixava de ser admirável.


***

Já era noite na capital francesa, quando Rosa finalizava a maquiagem frente ao espelho e ouviu leves batidas na porta.

-Entre! Ela disse sem se virar.

Quando Claude a viu, parou ainda na porta, sem reação, dando-se conta de que a mulher que o fitava através do espelho era simplesmente, a mais linda que já vira em sua vida. 

Deixando de lado o brilho, os paetês e os babados usados pela maioria das mulheres, que pareciam querer disputar entre si para ver qual chamava mais atenção, ela escolheu um tubinho de veludo preto tomara-que-caia que realçava as curvas perfeitas. 

Os cabelos estavam presos num coque elegante, evidenciando seu rosto de traços perfeitos e dando a ele a visão do pescoço delicado. Claude se pegou pensando que nunca desejou tanto alguma coisa como deslizar os lábios por aquela pele e experimentar seus lábios, que agora se entreabriram, como se ela partilhasse do mesmo desejo que ele.

Claude pigarreou, tentando afastar os pensamentos e se aproximou mais dela, que se virou de frente para ele.

-Tem certeza disso? Ele perguntou ainda perturbado com o rumo que seus pensamentos tomavam sempre que estava perto dela.

-Claro! Ela sorriu, admirando-o por alguns segundos. 

Estava simplesmente lindo naquele smoking elegante e, certamente, era o homem mais bonito que já vira na vida. 

O sorriso tímido o deixava ainda mais charmoso e Rosa se perguntava como aquele homem que conhecia há apenas algumas horas tinha o poder de despertar nela tantas sensações e desejos. Era tudo tão estranho e ao mesmo tempo familiar. O olhar cheio de admiração que ele lhe lançou ao entrar fez tudo dentro dela sorrir e, de certa forma, perceber que ele não era indiferente a ela como tentava demonstrar.

-Não sabe como me esforcei para conquistar esse prêmio e não vou permitir que nada estrague esta noite! – Ela disse com firmeza e ele a admirou ainda mais. – Está sorrindo? – Ela perguntou, erguendo uma das sobrancelhas. 

-É uma mulher admirável, srta. Petrone! Ele a surpreendeu e ofereceu-lhe o braço. 

Rosa devolveu-lhe o sorriso e, apoiando uma das mãos na curva do braço dele, pegou sua pequena bolsa e saíram.

Desde o primeiro momento em que entrou no elegante salão de festas da famosa construtora, Rosa parecia ter o total controle da situação. Apesar de não falar francês, seu inglês tinha uma fluência impressionante, mas o que mais chamava a atenção era a elegância e desenvoltura como transitava diante de empresários importantes, cumprimentando-os com um sorriso discreto nos lábios que parecia ter nascido com ela.

Observando-a do canto da sala, Claude suspirou pensando que aquelas seriam duas semanas muito longas para ele.

Por motivos inconfessáveis! 

Algum tempo depois, ela lhe lançou um olhar divertido, quase como se zombasse de sua expressão preocupada, erguendo sua taça de champanhe, cumprimentando-o, enquanto parecia ser o centro das atenções de uma pequena roda de conversa.

Ao invés de conversar com as outras pessoas e circular pelo salão com um sorriso nos lábios e um copo nas mãos, Claude preferia ficar num canto, completamente sozinho. E, embora não ficasse atrás dela o tempo todo, cada vez que Rosa se virava em sua direção, percebia que ele estava observando-a com muita atenção. Era como se estivesse sempre alerta, sempre pronto a enfrentar algum perigo. 

E de alguma forma aquilo lhe pareceu extremamente sensual.

Apesar da conversa animada a sua volta, ela se desligou por um momento e tentou imaginar como ele seria na cama. As mãos deslizando por seu corpo, pensou nos lábios que cada vez lhe chamavam mais atenção e imaginou como seria beijá-los e senti-los sobre sua pele, imaginou-se contemplando seu corpo por completo e...

Céus, o que estou pensando?

Ela se sentiu um pouco tonta e, percebendo que havia algo de errado com ela, Claude se aproximou rapidamente.

-Está tudo bem? A voz dele era baixa e rouca. O toque leve de seus dedos em seu cotovelo foi como um choque em sua pele.

-Claro! A voz dela estava fraca.

-Tem certeza? – Ele a olhou preocupado. – Está um pouco pálida. 

-Certeza absoluta. Estou um pouco cansada, só isso. Ou talvez tenha abusado um pouco da bebida... Ela tentou se justificar.

-A senhorita está segurando a mesma taça de champanhe a noite toda. E ela está quase cheia. Eles estavam muito próximos agora, os corpos quase se tocando e aquela proximidade os deixava cada vez mais intrigados com a inquietação que sentiam.

-É um homem muito observador, sr. Geraldy! Ela sussurrou próximo ao seu ouvido e sentiu que o corpo dele enrijeceu.

-Um dos pré-requisitos necessários para o meu trabalho, senhorita! Ela franziu a testa, incomodada pelo tratamento formal que ainda dispensavam um ao outro.

-Talvez. Mas também não seria parte de seu trabalho circular pelo salão e conversar com as pessoas para passar despercebido? – Ela o provocou. – Eu mesma cumprimentei praticamente todos os presentes, mas o senhor não conversou com absolutamente ninguém. 

-Estou conversando com a senhorita! Ele rebateu, com um meio sorriso.

-Certo! – Ela sorriu. – Mas sou a primeira e única pessoa a quem o senhor dirigiu a palavra. 

-Acho que sou um pouco antissocial. Ele deu de ombros.

-Antissocial? Ela franziu a testa.

-Conheço uma ótima solução para isto! – Ela disse ao ouvir a orquestra tocar uma música da qual gostava. 

-Que seria? Ele perguntou, já esperando mais uma de suas tiradas espirituosas e completamente irritantes.

-A dança! – Ela exclamou com um sorriso. – E para sua sorte, sr. Geraldy. – Ela o olhou demoradamente. – Estou especialmente. – Ela pareceu pensar numa palavra. – Disposta! – Ela sorriu. – Muito disposta para uma dança. – Ela completou e ele a olhou surpreso, sorrindo em seguida.

-Podemos testar sua teoria, senhorita? – Ele perguntou, tocando-lhe de leve as costas. Rosa o olhou nos olhos ao sentir o calor de sua mão atravessar o tecido do vestido e espalhar por todo seu corpo.

-Com uma condição! Ela disse divertida.

-Estou ouvindo! Ele entrou na brincadeira.

-Que pare com esse tratamento tão formal. – Ela sorriu. – Pode me chamar de Rosa.

-Desde que me chame de Claude! Ele respondeu num sussurro e ela apenas assentiu, enquanto ele a conduzia para a pista de dança.




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