História Amor em tempo de Drag Queen - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Hello leitor!!!
Tudo bem do lado daí? Me chamo Harpia e essa é uma das minhas histórias originais :D
É uma história leve e que espero que gostem.
Boa leitura e caso gostem deixem um comentário no final ><

Capítulo 1 - Froot


Sempre antes de começar minha maquiagem eu gosto de me observar bem pelo espelho.

Encaro meus olhos esverdeados e é uma das partes que mais gosto de mim, eles demonstram uma determinação que eu queria ter. Em seguida vem a minha boca, o desenho dela sempre me fez feliz, é como se um "M" formasse em meus lábios superiores. 

O pior processo para mim era a retirada da barba, sempre acabava me machucando ou deixando minha pele um pouco irritada, mas nada que o poder da base não fazia desaparecer.

Já fazia mais de meses que mantinha meu cabelo cortado bem curto, facilitava para por a peruca e eu gostava de algo mais prático para o dia a dia. Eu trabalhava como drag Queen em um restaurante badalado de Campos dos Jordão, o pequeno lugar ganhou espaço nos jornais pelo pessoal inusitado que trabalham lá, minhas irmãs drags queens e algumas drags king. Agora o restaurante era famoso e eu ganhava bem, mas ainda assim eu trabalhava apenas nas sextas e sábados e nos outros dias eu tinha que me virar com um emprego normal em um café.

Mas posso dizer que mesmo com pouco eu sou feliz, faço o que gosto e é a realização de um sonho. Claro que ainda penso em crescer mais, mas sendo drag e pra isso preciso do tempo.Faz apenas seis meses que me monto e isso ainda é apenas o começo.

Sempre que penso nisso sinto uma onda de energia passar por mim, isso me motiva! Comecei a preparar a minha pele e fazer meus contornos. Eu não escondia minhas sobrancelhas , na verdade o formato da minha era boa, acabava apenas arrumando ela com maquiagem mesmo e era isso.

Falei que faz seis meses que faço drag e daqui uma semana vai fazer um ano que estou morando em Campos do Jordão. Eu vim para melhores chances e acabou mesmo que eu consegui algo, mas passei alguns mals bocados. Coisas da vida.

Justamente sai de casa porque lá eu nunca poderia ser quem eu sou de verdade. Se me assumir gay já seria uma luta, assumir que sou uma drag seria pior ainda. Meu pai tem a cabeça muito fechada para entender e me amar pelo que sou, e a minha mãe apesar de saber ainda não me entende.

Ai você me pergunta se agora ele sabe que o filho dele, o único filho homem, se veste de mulher... Então, acho que sim, se sabe ele nunca entrou em contato. Nem eu na verdade, com ele e com ninguém mais da família a não ser minha mãe.

Fico triste quando penso nisso, mas acontece. Aqui acabei ganhando uma família também, tanto de minhas irmãs e irmãos drags, alguns amigos que fiz no café. Em especial um, meu melhor amigo daqui, Matheus.

Matheus tem 26 anos e é administrador de uma empresa bem conhecida daqui. No horário de almoço ele sempre vai ao café e acabou que fizemos amizade. Ele é muito observador, tanto que quando contei a ele sobre minha orientação sexual ele não ligou. Ele disse não se importou em nada, fiquei  muito chocado. Mais chocado que isso foi quando ele me apoio no dia em que saímos e disse a ele meu desejo de ser drag, ele me até me presenteou com unhas postiças lindas que são as minhas preferidas. Longas, afiadas e com a cor nude.

Não é o que você espera quando conhece um homem tão sério igual a ele. E naquele dia eu chorei pela primeira vez na frente dele, eu que sempre me mantive forte acabei desabando com um apoio que nunca havia recebido antes.

TOC TOC TOC

Batidas na porta me tiraram do transe em que me encontrava, olhei no espelho e ainda estava fazendo meu olho calmamente. Hoje passaria uma sombra prateada e batom em um tom de vinho mais escuro.

-Roberto? - A voz de Matheus interrompeu o silêncio, rouca como sempre.

Meu coração acelerou.

 Esqueci de mencionar? Sim, claro que a meninona aqui acabou se apaixonando pelo único amigo que tinha. Ele é lindo, me aceita como eu sou  e de quebra é simpático. Cupido mirou e acertou bem em cheio.

-Pode entrar - Falei voltando atenção para o espelho esfumando minha sombra pela pálpebra.  Ele costumava a me levar e buscar no restaurante, porque era perigoso ir sozinho, tem como não se apaixonar?

Ele abriu a porta e entrou, vestia uma camiseta azul marinho, seus cabelos eram dourados escuros que batiam no ombro, mas que hoje estavam presos em um coque. Seus olhos eram lindos e mudavam de cor a todo momento, transitando entre o verde e o mel. A barba que cobria o maxilar estava bem aparada como de costume.

 

-Você ainda nem vestiu a roupa?! - Ele advertiu com o cenho franzido - Você vai se atrasar!

-"Uma rainha nunca está atrasada, os outros que estão adiantados" - Citei uma frase do filme Diário de princesa, enquanto passava delicadamente o batom vinho em meus lábios com cuidado.

-A rainha ai vai perder o emprego isso sim. Você tem quinze minutos, vou lá para o carro esperar - Matheus disse sorrindo - Quinze minutos! - Disse batendo no relógio prata em seu pulso e me lançando aquele olhar brincalhão.

Revirei os olhos e ele saiu do meu quarto. Era tão clichê isso se apaixonar pelo melhor amigo. Mas não tem como!  Gente ele me conquistou aos poucos e quando vi já estava ficando nervoso toda vez que o via, ansiava para contar pra ele sobre minhas experiências e até mesmo perguntar dicas sobre o que usar.

Deixando os pensamentos de lado eu me levantei e retirei a roupa, ficando apenas de cueca. Arrumei meu amiguinho confortavelmente e coloquei outra cueca, em seguida os enchimentos e depois duas meias calças. Era o ritual. Depois de acertar tudo no lugar, vesti o que iria usar hoje, um vestido preto  básico de manga longa com pequenos pontos de brilhos, seu comprimento ia até o meu joelho e um decote ia ate o umbigo salientando meu peito magro. Um salto alto escuro e as unhas que Matheus havia me dado.

Olhei no relógio e ainda tinha cinco minutos, passei fita no cabelo e coloquei a peruca loira bem lisa que batia em minha cintura, passando a cola para colar a lace enquanto pegava minha gargantilha preta simples. Sempre gostava de usar algo na garganta, porque tenho meu pomo de adão avantajado.

Peguei minha bolsa e tranquei a porta do apartamento, eu morava em um pequeno prédio bem aconchegante e tinha vizinhos até que bons. Eles não me incomodavam e eu não os incomodava.

Desci pelas escadas já que morava no primeiro andar, com bastante cuidado para não cair.

O senhor Luis, nosso porteiro me olhou e sorriu.

-Boa noite Rober...Afrodite! - Corrigiu a tempo. Ele sabia que quando estava montado era melhor me chamar pelo nome de drag.

Sorri e dei uma piscadinha para ele antes de sair, o ar estava frio, mas agora era tarde para voltar e pegar uma blusa. Me abracei e apressei meu passo em direção ao carro de Matheus.

Eu escolhi Afrodite para ser meu nome, porque representa a deusa da beleza e do amor.

Abri a porta e me sentei sorrindo para ele.

-Podemos ir! - Falei colocando o cinto e abrindo minha pequena bolsa.

Peguei os brincos que ali estavam bem simples, mas que combinariam com o look.

-Na volta você pode vim de taxi? É porque eu vou ter que acordar cedo amanha, ir visitar minha mãe – Matheus  falou enquanto avançava com o carro pelas ruas.

-Claro! Eu falei que se você quiser eu posso ir e voltar de taxi, fica tranquilo - Falei enquanto me olhava no espelhinho que tinha em minha bolsa - Manda um beijo pra ela.

E então Matheus começou a falar e contar coisas do trabalho, sobre muitas coisas que eu realmente não entendia, mas gostava de ouvir a voz dele. Amava observar ele de perfil, a maneira que ele sorria o deixava mais bonito, e com a luz dos faróis de outros carros era possível ver seus olhos ganharem um tom esverdeado.

-Chegamos! - A voz dele quebrou novamente meus pensamentos. Estava tão perdido olhando para ele e pensando que nem notei que haviamos chegado no restaurante.

-Ahhh - Resmunguei, queria tanto ficar mais - Vamos  lá para o work,work,work!

Então comecei a tentar soltar meu cinto, mas algo estava travando ele. Tentei de tudo que é jeito e não estava conseguindo. Ao meu lado Matheus soltou o cinto e se inclinou para tentar tirar o meu. Ele realmente se aproximou muito, que seu rosto ficou de frente para o meu, seus olhos focados na fivela de alumínio. O som do cinto se soltando quebrou o silêncio e ele me encarou.  Tão perto que eu sentia sua respiração leve contra minha pele.

Já avisei que sou impulsivo? Então, eu sou. Sem pensar apenas me inclinei e por segundos tive meus lábios unidos aos dele. Matheus pulou para trás como se tivesse recebido um choque e seus olhos estavam estalados me encarando.

E ali, naquele momento a ficha caiu do que eu havia feito. Fechei meus olhos não acreditando e levei uma das mãos no rosto. Eu sou tão estúpido!

-Me desculpa! - Foi o que consegui dizer antes de abrir a porta do carro e sair.

Assim que sai um vento veio a meu encontro, fazendo meu cabelo voar e meu vestido ondular a minha volta. Eu não iria chorar ali, não podia! Tinha que trabalhar e precisava estar em perfeito estado.

Quando bati a porta olhei novamente para Matheus e ele mantinha a expressão indecifrável.

-Perdão! - Falei novamente e me virei caminhando o mais rápido que meus saltos permitiam.

O frio agora não sortia nenhum efeito sobre mim, por dentro agora estava me sentindo vazio e quebrado.

Como sempre eu consigo estragar tudo!

Mas não podia deixar isso me abalar, não agora. Assim que entrei no restaurante imaginei uma caixa imaginaria e tranquei tudo lá dentro. Eu tenho que ser profissional! Precisava sorrir e passar algo de bom para as pessoas que iria lá essa noite, depois eu veria o que iria fazer.

Por hora, o estrago estava feito e não tinha como ser desfeito.

 

 

                                                                                     *****

 

 

Quando abri  a porta de casa eu estava me sentindo destruído.

Foi cansativo fingir que estava tudo bem, e ter que menti para cada pessoa que me perguntava "tá tudo bem?", na verdade eu queria chorar e ser abraçado. Mas lá não!

Cheguei em casa na expectativa que iria conseguir chorar o quanto quisesse,mas acabou que agora só me sentia vazio mesmo. Teria eu estragado uma das coisas que me fazia feliz? Era bem a minha cara isso.

Me desmontei lentamente e depois fui para o banheiro tomar um banho bem quente. Era seis horas da manha de domingo e  apesar do cansaço não sentia sono algum.

Deixei a água quente bater em minhas costas e fechei os olhos tentando relaxar. Molhando a mão eu passava no meu rosto, tirando a maquiagem que ainda havia ficado mesmo depois de passar o lenço umedecido.

Coloquei meu pijama normal e me enfiei debaixo das cobertas, procurando me aquecer mais. E quando tudo em mim se acalmou ai sim senti meus olhos encherem de lágrimas e ali eu chorei. Chorei sentindo mesmo, deixei meus soluços ecoarem pelo apartamento silencioso e as lágrimas molharem meu travesseiro.

E foi assim que peguei no sono, não lembro direito depois de quantas horas foram que passei chorando, só sei que no final a exaustão venceu.

Quando acordei já era fim de tarde, e meu domingo se consistiu nisso. Olhei no meu celular e não havia nenhuma mensagem de Matheus. Olhei para ver se ele havia me bloqueado em alguma rede social, mas nada, permanecia tudo intacto.

Pensei se era melhor eu mandar uma mensagem explicando ou um áudio. Optei por uma mensagem mesmo de texto bem curta.

"Matheus, queria pedir desculpas! Sei que passei do limite. Eu não sei te explicar nada ao certo... Espero que me perdoe de verdade!" Apertei em enviar e vi ficar com apenas um sinal indicando que ele não estava com internet.

"Não se afaste...'' Escrevi e mandei também. Séria isso me humilhar? Bom era o que meu coração dizia que eu tinha que fazer isso sendo  certo ou errado.

Depois disso eu comecei tentar me distrair, mas tudo caia no mesmo assunto e me vi vendo toda hora se ele havia recebido a mensagem. Mas então a noite chegou,  o inicio da madrugada e nada de ele ter recebido.

Suspirei e desliguei o celular, uma hora ele veria aquilo e era isso. Quando deitei minha cabeça no travesseiro fechei os olhos e várias memórias dele passaram por minha mente, ele era tão lindo da maneira única que apenas ele conseguia ser... E aquilo doeu em meu peito. Apertei o travesseiro pedindo tanto para que de alguma forma eu pudesse voltar no tempo e arrumar as coisas...

Na manhã seguinte fui para o trabalho com a expectativa de pelo menos o ver na hora do almoço. A mensagem não tinha sido entregue. Aquilo estava me matando de ansiedade.

E se ele quisesse me bater? Matheus nunca foi violento, mas ele é fisicamente mais forte que eu e me quebraria em dois com bastante facilidade...Mas eu poderia correr, afinal o que ele tem de forte eu tenho de rápido.

Quando ele aparecesse no café na hora do almoço eu tentaria explicar tudo e ver se conseguiria reparar o dano feito.

Era um bom plano.

E foi um plano que afundou, porque chegou a hora do almoço e nada dele. Eu estava tão nervoso que estava quase colocando no cardápio o meu coração que parecia que ia sair pela minha boca.

Mas passou os minutos e nada, nenhuma cabeleira dourada, ninguém de terno, nada daqueles olhos de gato, nada. Matheus não foi aquele dia no café. E naquele momento eu entendi que ele parecia então que estava me evitando.

E aquilo valia mais que mil palavras.  A mensagem era clara, ele não queria me ver e nem falar comigo. Se conforme Roberto! Acontece!

Falei isso para o meu subconsciente, mas a minha vontade mesmo era chorar como um bezerro desmamado. Na minha mente também já fui pensando na playlist com músicas de superação que iria ouvir depois em casa e sofrer bastante, porque sou desses.

Respirei fundo e segurei as pontas, ainda tinha quatro horas de trabalho.

 

                                                                                     ***

 

Quando finalmente meu turno acabou já era bem de tarde e o sol estava fraco e no tom alaranjado que eu tanto amava.

Sai com meu uniforme do café mesmo e minha mochila no ombro. Sempre espero o ônibus para ir embora, mas hoje estava querendo pensar mais e iria apé mesmo. Levaria um tempinho, mas seria bom. Voltei para dentro e peguei uma latinha de guaraná e um salgadinho para ir beliscando no caminho.

Quando fui para saída estava pegando salgadinho para abrir e vejo que quase trombo em alguém.

-Nossa desculpa! - Peço e olho para cima.

Dando de cara com ninguém menos que Matheus parado na minha frente com o seu terno normal e a expressão séria. Por um momento senti que meu estomago tinha sido sugado para outra dimensão e uma tremedeira possuiu o meu corpo. Logo fiz o que era mais esperado, tentei sair  correndo de qualquer jeito  pelo lado.

Mas Matheus segurou firmemente em meu braço e eu não consegui me soltar.

- O que você tá fazendo?! - Ele falou franzindo o cenho surpreso.

-Se for me bater, não pode fazer isso em um lugar mais privado? - Falei ainda tentando me soltar.

Ele me encarou como se eu fosse um retardado  e começou a me puxar para parte de trás do café, onde ficava a área para fumantes que estava vazia. Matheus realmente levou ao pé da letra quando disse um lugar mais privado.

Quando fui empurrado contra a parede, coloquei meu plano B em ação, que era fechar os olhos e aguentar o máximo que poderia.

Mas a dor não veio, nada na verdade, apenas o som das nossas respirações e a pressão que agora as duas mãos de Matheus faziam em meus ombros. Lentamente abri meus olhos e ele me encarava, foi um tapa de beleza, queria tirar uma foto para pendurar na minha parede.

-Você é meio pirado mesmo -Ele falou balançando a cabeça.

-Obrigado! - Dei um meio sorriso e percebi que os olhos castanhos dele focaram em minha boca.

Matheus apertou mais meus ombros e se inclinou me beijando. Seus lábios estavam secos e a sensação de agora ter sua língua em minha boca foi surpreendente. As mãos dele desceram para minha cintura me puxando para mais perto e me permiti realizar uma fantasia que era passar as mãos em seus cabelos.

Então interrompemos o beijo e ele me abraçou com força, afundando o rosto em meu pescoço deixando um leve beijo no local.

-Eu... Por essa não esperava - Falei puxando o ar.

Ele então se separou e me encarou nos olhos.

-Eu não sei ainda... - Disse mantendo o contato visual, ele passava toda sinceridade que era possível - Eu preciso de um pouco de tempo, sabe?

-Se ajuda, eu estava de mulher e isso pode ter acabado bagunçando um pouco sua noção - Falei tentando sufocar aquela chama que estava crescendo em meu coração.

Ele me deu um tapa na cabeça de leve.

-Eu não sou estúpido em achar que isso é por isso! - Respondeu convicto - No carro eu acabei me assustando...Porque senti algo e agora mais ainda... Não sei explicar.

E era tarde demais agora eu estava totalmente perdido em esperança. E eu não sabia o que poderia falar, tinha medo de sair algo totalmente idiota.

-Calma, vamos seguindo né - Falei sem nenhuma firmeza.

Ele concordou e ficamos nos encarando sem assunto. Eu quase conseguia ver ele tentar encontrar uma solução em sua mente, mas sentimentos não são números e muito menos possuem um resultado exato.

-Acho melhor eu ir embora, senão eu vou chegar muito de noite em casa - Quebrei o silêncio.

-Eu te levo! - Ele disparou rápido demais tanto que sua voz sempre grossa deu uma pequena escorregada.

No fundo eu queria rir, mas isso o deixaria desconcertado. Acabei aceitando e fomos para seu carro, onde  iniciou toda aquela confusão. Durante a volta para casa falamos de coisas aleatórias e ele me contou como estava em sua casa e sobre os trabalhos que teria essa semana. Que tinha tanto coisa que nem sair para almoçar conseguiu e que não tinha internet para me avisar.

Quando ele estacionou de frente ao prédio, eu não sabia como me despedir.

-Tchau, até depois! - Falei olhando para ele.

-Até depois! - Matheus respondeu com um sorriso um pouco nervoso.

De repente ele me puxou para um selinho rápido e voltou para seu lugar olhando para frente, apertando o volante. Sorri e sai do carro, caminhando em direção ao meu apartamento. No caminho o porteiro me encarou de soslaio e sorriu.

-Finalmente! - Disse e eu apenas dei um sorriso amarelo.

Fui apressado até meu apartamento e fechei a porta com força, eu queria gritar em parte por muita felicidade. Mas eu sabia que tinha que me controlar, afinal não era certeza de nada e poderia ser um tombo horrível.

Joguei a mochila no chão da sala e respirei fundo, precisava beber um pouco de algo. Abri a latinha e despejei o líquido saboroso em minha boca, apenas para matar a sede.

O som de alguém esmurrar  minha porta me assustou, não é muito comum baterem na minha porta assim de maneira tão forte. Abri assustado e dei de cara com Matheus mordendo os lábios inferiores. Muito sedutor não vou mentir.

-Acho que já tive tempo demais ! - Ele disse e entrou dentro da minha casa, fechando a porta atrás de si com força.

Eu apenas consegui sorrir e isso foi o bastante para que ele avançasse sobre mim. Sentir novamente sua boca e o seu sabor foi a melhor coisa para mim. Logo minhas mãos estavam acariciando partes que eu nunca imaginaria que fosse tocar de verdade. Nossas roupas aos poucos foram caindo espalhadas por toda sala e nós acabamos nos amando ali mesmo.

De toda fantasia que já imaginei não era assim que iria acontecer, mas de toda fantasia que já tive nenhuma sensação chegou perto do que estava sentindo naquele momento.

E aquilo foi o meu começo.

Não demorou muito e oficializamos o nosso namoro, mas mesmo que agora adicionamos carinhos a mais em nossa relação ela ainda permanecia do mesmo jeito que sempre foi. Era como se sempre fossemos namorados antes só que sem algumas coisinhas... Matheus além de meu companheiro ainda era meu melhor amigo.

E estava me sentindo realizado fazendo algo que gosto, minha arte drag e ainda podendo dividir tudo com alguém que eu amava de verdade.

E sempre teve uma música que eu amava um trecho: I've been saving all my summers for you. (Tenho guardado todos os meus verões pra você)

E não é que eu achei mesmo alguém a quem eu entreguei todos meus verões e minhas primaveras!

E assim colhi a fruta mais doce que existe... O amor.

 


Notas Finais


Gostaram? Deixem um comentário caso der :D
Um abraço do Harpia <3


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