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História Amor Eterno - Capítulo 12


Escrita por: moniquetayahh

Notas do Autor


Que seja tão bom para vocês quanto foi para mim!
Boa leitura!!!

Capítulo 12 - Real identidade - Regina


— Mãe? – Henry chamou por Emma. – Fala para Regina que a gente não pode colocar o nome de uma delas de Cora. – Henry estava sentado ao meu lado.

Snow, Charming, Emma, Henry e eu estávamos tomando café da manhã na parte externa do castelo. Rumple e eu havíamos refeito um feitiço de proteção – para Zelena não passar, não nos ver e não nos ouvir – não duraria para sempre, mas tomamos a liberdade em começar o dia em um lugar aberto, sem medo de sermos atacados por um macaco voador, ou pela super-desagradável vadia verde.

— Se for colocar o nome de uma delas de Cora, a outra vai ter que se chamar Snow White. – Snow disse séria, mas era uma piada.

— Não, nada disso. – Emma que estava ao meu lado até parou de beber o café. - Minhas filhas não vão se chamar Cora e Snow. – Seu tom de voz era de total recusa. – Já não escolhi o nome do Henry, quero poder escolher os delas.

— Qual o problema com o nome do Henry, Emma? – Perguntei fingindo irritação.

— É, qual o problema com meu nome? – Henry falou do mesmo jeitinho que eu.

— Não... – Ela se desconcertou, fazendo-me prender o riso. – Não tem problema nenhum... É um nome lindo, filho. – Ela falou diretamente com Henry. Ele me olhou de relance também prendendo o riso. – Não quis dizer que tinha algo de errado com seu nome, querido... só que não foi eu quem o escolheu.

— Se fosse você quem tivesse que escolher meu nome Sra. Emma Swan Mills. Qual seria? – Henry a desafiava com o olhar.

— Não pode me chamar assim, ainda não sou casada. – Emma olhou-me de relance sorrindo de canto. – E respondendo sua pergunta... – Voltou a olhar para nosso filho. – Eu não faço ideia o único nome que consigo imaginar sendo seu é Henry.

— Olha gente, eu até sugeriria o nome da minha mãe também. – Charming comentou ao engolir um pedaço de pão. – Mas acho que temos que colocar nomes novos, sem passado, sem nada. Acho que nossas crianças merecem algo completamente novo.

— Estão vendo? – Emma concordou com o pai. – David tem toda a razão. Nomes novos para os três. Nada de colocar o passado no nosso futuro.

— Tudo bem, Emma, não vamos colocar o nome da minha mãe. – Ainda fingia irritação. – Já que quer tanto algo novo, diga-me, tem alguma ideia?

— Não subestime minha capacidade de escolher nomes, Regina. – Ela me ameaçou com os olhos, eu amava quando ela fazia aquilo. – Posso ser tão boa quanto minha avó... que escolheu Snow White a minha mãe. – Foi inevitável, todos riram... bem... menos Snow.

— Meu nome é muito bonito, está bem? – Disse indignada, mas com toda a calma do mundo.

— Não, Snow... – Eu ainda ria. – Vamos deixar essa parte de fora da conversa, não é saudável uma grávida se chatear.

Rimos mais um pouco, enquanto Snow defendia seu nome a todo custo. Aqueles pequenos momentos de risada com eles – minha família – eram tão bons, tão gostosos, que eu tremia por dentro, só por lembrar que corria o risco de perder aquilo tudo.

Eu, Regina Mills, que tive uma vida completamente conturbada encontrei meu final feliz, onde acreditei por muitos e muitos anos ser a causa da minha infelicidade. E mesmo já sofrendo mais do que poderia imaginar, muita coisa ruim ainda iria acontecer.

— Agora é serio, deixem-me falar. – Emma pediu em tom alto, ainda com um sorriso no rosto, pelas piadinhas anteriores. – Eu tenho um nome, para uma delas. – Disse séria.

— Já sei! Vai colocar, Anna Duck, em minha homenagem. – Henry falou rindo, fazendo todos rirem. Menos Emma, que deixou transparecer toda a sua tristeza.

— Não, não faz essa cara, querida. – Eu peguei em sua mão, que a puxou correndo não querendo contato. Cruzou os braços e fechou a cara como uma criança. – Fala, fala qual é o nome que você quer.

— Não importa, Mary Margaret pode escolher quando estiver longe com elas. – Ela falou séria, fazendo o clima de brincadeira sumir completamente.

Emma estava sempre brincando, sempre me apoiando, sempre tentando me passar a força que eu precisava. Porém, para os outros, ela dificilmente se abria, quem estava de fora acreditava que não sofria com aquilo. Mas, eu a conhecia, eu sabia que dentro dela as coisas não estavam daquele jeito, eu sabia que minha querida, Swan, estava desesperada e morrendo de medo do que estava por vir.

O problema de se fazer de forte o tempo todo era aquele, explodir no momento errado, onde estávamos brincando e rindo.

— Hey... – Eu chamei sua atenção com a voz firme. – Nada disso, esse não é o momento. – Seus olhos estavam marejados. Puxei sua cadeira para bem próxima a mim. – Elas são nossas filhas... nossas... Emma! – Peguei em seu rosto para que olhasse em meus olhos. – Somos eu e você que vamos escolher. Juntas! Mais ninguém tem esse direito. – Eu fiz uma pequena pausa. – Se as coisas continuarem nesse mesmo rumo, Snow vai mesmo ter que leva-las para longe, mas mesmo assim, essas duas menininhas ainda vão ser nossas. Maldição nenhuma nesse mundo vai tirar isso de nós, porque seja onde for... nossas filhas, vão ser sempre nossas filhas.

Uma lagrima escorreu por sua face, imediatamente ela a secou, respirou fundo com os olhos fechados e sorriu de leve antes de abri-los.

— Desculpa. – Pediu ao abaixar a cabeça.

— Fala... – Levantei seu rosto e ignorei o seu pedido sem sentido. – Qual o nome que você pensou? Porque eu também tenho um. – Sorri lhe mostrando todo meu companheirismo.

— Sarah...

— Qual? – Henry perguntou de imediato por não ter ouvido.

— Sarah! – Sua voz saiu determinada. - Uma delas vai se chamar Sarah. – Sorriu para nosso filho, que pareceu refletir sobre o nome.

— Eu gosto de Sarah. – Chamring comentou com um sorriso paternal para a filha.

— É lindo, querida. – Snow tinha o mesmo sorriso que o marido.

— Princesa Sarah... – Eu falei mais para mim do que para eles. – E Princesa Elise. – Dessa vez falei diretamente com Emma. – A outra vai se chamar Elise.

Acordei de repente com o despertador tocando.

Ainda deitada, sorri com a imagem nítida de meu novo sonho. Finalmente algo diferente, bom e gostoso durante meu sono. Já estava a tantos dias sonhando com a mesma coisa, que acreditei que minha mente louca havia dado defeito e logo na pior parte de todas.

Meu humor havia se transformado depois daquele simples sonho. A lembrança clara daquele café da manhã, das risadas e até da tristeza de Emma. Fizeram com que eu flutuasse para o mundo dos contos de fadas. Onde eu tinha meu final feliz e vivia para sempre ao lado daqueles que amava.

A caminho da loja, eu sorri mais uma vez, ao rever o sonho onde escolhemos os nomes de nossas filhas. Ammy iria amar aquela novidade, já que fez questão de me ligar no dia anterior para dizer todas as suas teorias - depois que nos entregou as pizzas e partiu. Agora com mais um sonho, ela teria mais no que pensar, talvez assim ficasse mais tempo calada.

Sábado não era um dos meus dias preferidos, ainda mais que eu trabalhava pouco e passava o resto do final de semana sozinha. Mas eu estava me sentindo tão bem, que nem aquilo me deixou chateada.

Eu tinha conhecido aquelas três crianças apaixonantes. Tinha sonhado algo novo e bom de lembrar. Henry apareceria na loja logo pela amanhã. E com sorte eu veria a Xerife para deixar as coisas ainda mais bonitas. Olhando bem para tudo que eu tinha e que não tinha, eu senti que as cosias em minha vida logo iriam mudar. Que por mais que tudo fosse muito confuso e doloroso, eu estava perto de me libertar – seja no sentido figurado, ou literalmente.

Minha mente ainda continuava a querer me enlouquecer, mas naquele dia, eu não a deixaria falar mais alto, passaria todo o meu tempo tentando pensar apenas nas coisas boas. Sejam elas da fantasia ou realidade. Eu passaria o dia todo pensando em como Henry é um garoto incrível, em como sua mãe me trazia paz como mais ninguém naquele mundo. Eu passaria o dia lembrando-me de como Elise, Sarah e Levi eram encantadores e estavam apenas entrando em minha vida. Eu passaria o dia apenas vendo o lado bom de tudo. Mesmo que as melhores partes fossem quase todas dos bons sonhos.

— Bom dia Ammy! – Cumprimentei com um sorriso, que me olhou desconfiada. Nossos cafés em suas mãos.

— Bom dia?! – Ela não afirmou, mas também não perguntou ao me entregar um dos cafés. – O que aconteceu? Você parece uma pessoa completamente diferente de ontem.

— Digamos que tive um sonho bom... – Sorri mais uma vez ao entregar a chave da loja em sua mão, para que a abrisse. – E que decidi que hoje... não vou ficar me torturando... Vou focar nas partes boas, sejam elas da minha imaginação ou da realidade. – Ela abriu a porta e nós entramos. – Porque tudo na vida, querida, tem dois lados. E mesmo que o lado bom seja quase todo parte da minha loucura, eu vou pensar apenas nisso.

— Uau. Estou impressionada com sua atitude. – Ela sorriu satisfeita. – Eu realmente achei que teria que passar o dia tentando te animar. – Me devolveu as chaves. - Mas vendo que não vou precisar disso, quero que me conte seu novo sonho e que me responda mais algumas perguntas. – Abriu seu melhor sorriso ao ir para trás do balcão.

— É... Eu já vim preparada para isso. – Me juntei a ela e coloquei minha bolsa no pequeno armário ao canto. – Então, deixa-me contar antes de abrirmos de fato a loja.

Contei o sonho com todos os detalhes. Diferente do dia anterior, eu amei repetir as partes que Ammy pediu. Por que aquele era realmente um sonho bom, agradável e me fazia sentir um friozinho gostoso na barriga. Por mais que não fosse real, a lembrança nítida que ele havia deixado fazia com que eu – de um jeito bem insano – me sentisse amada.

Assim que acabei de falar abrimos a floricultura. Antes que Ammy pudesse me contar mais uma de suas loucas teorias, atendemos alguns clientes. A primeira hora de sábado sempre era bem movimentada.

Quando minha querida funcionária sentiu que teríamos um tempo a sós, ela voltou correndo para trás do balcão, já com seu melhor sorriso, como se fosse me contar algo extraordinário.

— Eu acho que de tudo que já pensei, a teoria de que seus sonhos são reais e nossas vidas mentiras... essa sim é a que mais me parece se encaixar em tudo isso. – Ela fez uma careta engraçada. – Mesmo sendo a que faz menos sentido.

— Por que em vez se você ficar pensando no motivo disso tudo, você não tenta pensar em como fazer tudo isso parar? – Meu lado racional falou mais alto.

— Porque é fascinante!? – Ela disse como se fosse obvio. – Por que duas pessoas sonharem com a mesma coisa é surreal?! Tem que ter algo que explique tudo isso, Regina! Nesse mundo existem tantas coisas que nem imaginamos que possa existir... Que só de pensar no tamanho desse universo, eu me perco dentro de mim. – Sua voz era firme e animada. – A vida não é só isso aqui. Tem que haver mais! Não pode ser apenas o acaso tudo que está passando. Porque, na verdade o acaso não existe. Tudo está escrito no nosso destino.

— Você quer que eu acredite em que exatamente?

— Quero apenas que abra sua mente, que a livre de todo o preconceito, e que esteja aberta a qualquer possibilidade. Esqueça seus medos, esqueça o que é certo e o que é errado. Deixe que seu coração e sua alma falem por você. – Eu fechei os olhos por alguns segundos tentando fazendo o que Ammy estava pedindo, mas a porta abriu, fazendo-me abrir também os olhos.

— Bom dia... – Henry nos comprimento com a voz cansada. Seu olhar era triste e sua aparência nada boa.

O jeito com que Henry estava fez todo o meu bom humor desaparecer. A preocupação me invadiu de uma maneira, que cheguei a ficar nervosa com a possibilidade de algo ter acontecido com ele. Sai de onde estava quase em um pulo, já ficando a sua frente, que tentou sorrir, mas fracassou.

— O que aconteceu, querido? Você está passando mal? – Eu levei uma de minhas mãos a sua testa, que segurou a mesma a retirando com calma.

— Não! Não to doente... Dormi muito pouco, uma hora e meia no máximo. – Ele sorriu de canto. – Mas... tá tudo bem... – Não senti confiança no que tinha dito. Poderia não estar doente, mas algo estava errado. – Cheguei mais cedo hoje, tem problema?

— Claro que não, Henry. Sábado não temos horário certo, você sabe.

— É... Por isso vim mais cedo... Zelena me deixou aqui antes de ir para Prefeitura. – Comentou sem nenhuma emoção. – Vamos logo para estufa? – Ele parecia desconfortável. Antes que eu falasse que sim, ele já foi indo em direção à porta de trás. – Oi Ammy... – A cumprimentou que apenas sorriu para ele.

Ele continuou sem olhar para trás, e logo saiu pela porta indo para a estufa. Troquei um olhar curioso com minha amiga, que do mesmo jeito que eu, não havia entendido o motivo de seu desanimo. Porque aquele olhar não era apenas de cansaço como ele tinha dito, tinha algo muito maior ali. Eu conseguia ver sua angustia por trás daquela noite mal dormida.

Henry estava de costas quando me aproximei. Diferente de todas às vezes que foi lá cuidar de sua begônia, não a pegou já começando a fazer o que tinha que ser feito. Ele permaneceu ali, parado, olhando para algo que havia colocado sobre a mesa, que de onde eu estava não conseguia ver. Mesmo com minha aproximação ele não se moveu, continuou do mesmo jeito, como se estivesse hipnotizado.

— O que foi Henry? – Me aproximei ainda mais. Ao colocar minha mão sobre seu ombro eu poder ver o que ele encarava.

Era o livro. O livro que eu já havia sonhado antes. O livro que o Henry dos sonhos colocou os pergaminhos. O mesmo livro que entregamos a Snow e Charming para levarem junto com Sarah e Elise. Era o livro dos contos de fadas. Onde em meus sonhos, continham todas nossas histórias.

Ao vê-lo a minha frente, com tudo igual, sem nada distinto. Senti meu coração se apertar. Minha cabeça dava voltas e voltas. Já meu estomago embrulhou, me fazendo perder o ar. Eu queria abrir minha mente, deixar o medo de lado e ouvir apenas o coração e a alma como Ammy tinha me dito para fazer há menos de dois minutos. Mas, ao ver a minha frente, mais uma vez meu sonho na realidade, eu só conseguia pensar em como eu era louca e em como eu queria que aquilo parasse.

— Onde... – Minha voz quase não saiu. – O que é isso? – Eu consegui perguntar e fazê-lo ficar de frente para mim.

— Foi a Mary Margaret que me deu ontem... – Meus medos, minhas duvidas, minhas confusões, estavam nítidas em sua expressão. Era como me ver no espelho. – Você o conhece? – Seu olhar confuso buscava respostas.

— Não e sim... – Respondi com sinceridade.

— Como assim?

— Eu já vi esse livro em meus sonhos... Mas nunca o tinha visto de verdade... – Confessei aliviada, como se tirasse um grande peso de minhas costas.

Henry olhou para o livro, mas voltou a me encarar. Não só eu, como ele também estava confuso. Foi ali que entendi o motivo de sua aparência. Aquela era eu no dia anterior, aquele era o meu olhar nas últimas duas semanas. Henry não estava nada bem, aquilo era mais que nítido, era fato. Eu não podia afirmar que ele estava vivenciando o mesmo que eu, mas seu olhar estava tão perdido quanto os meus.

— Passei quase a noite toda foleando esse livro. – Falava em tom baixo. – A cada palavra que eu lia eu sabia qual era a próxima. – Fez uma pequena pausa me analisando. Já eu apenas o ouvia com meu coração batendo cada vez mais forte. – Como se eu conhecesse tudo, mesmo nunca tendo visto nada disso. – Apontou para o livro sem tirar seus olhos dos meus. - Em algumas partes, até me deu vontade de chorar. Me deu... saudade... uma dor estranha... Sabe? – Apertou o casado como se pudesse apertar o coração.

Eu sabia que dor era aquela. Eu a sentia o tempo todo. Mas saber que ele também estava naquela situação me doía em dobro. Eu não queria que ele presenciasse aquilo, não queria vê-lo sofrer. Já era ruim o bastante lidar com toda a minha loucura, ter que ver Henry passar pela mesma coisa era ainda pior do que tudo junto.

— Consegui dormi quando o sol estava quase nascendo... – Ele prosseguiu depois de alguns segundos em silêncio. Eu simplesmente não tinha palavras, tudo estava confuso demais dentro da minha cabeça. – O que foi mais assustador, Regina... Não foi o livro, ou a parte escrita à mão com minha própria letra... E sim o sonho que tive. – Pronto, ele falou de sonho, eu não aguentaria mais emoções fortes, estava começando a me sentir fraca. – Sonhei com você e minha mãe, Emma. – Ele falava com pausas, como se tentasse entender o que se passava. – O sonho tinha tudo a ver com o livro de contos de fadas, mas o que sonhei, não foi contado em nenhuma página, nem mesmo nas escritas a mão... – Olhou para o livro por alguns segundos antes de prosseguir. Minha respiração estava começando a ficar irregular. - Foi tão... tão real... – Voltou a me encarar com os olhos vermelhos. – Que mais parecia uma lembrança...

Henry parou de falar ao desviar o olhar para um ponto qualquer. Eu não sabia o que dizer, eu não sabia nem o que pensar. Eu estava literalmente paralisada, assustada, confusa. Seria aquele momento um sonho? Se fosse eu logo acordaria, mas onde? No mundo de contos de fadas? Ou em outra realidade completamente diferente?

— Andei pensando sobre algumas cosias. – Ele prosseguiu depois de um tempo, que pareceram horas. – Eu amo a Emma, amo de verdade! Sei também... que deveria amar minha mãe Zelena... mas não sinto isso, não sinto nada por ela. – Eu vi o desespero em seus olhos, mas não conseguia fazer nada para acalma-lo. – É como se ela fosse uma estranha naquela casa, uma estranha na minha vida. – Seu olhar cada vez mais confuso, me deixando cada vez mais angustiada. – Acho que estou enlouquecendo... – Ele soltou uma risada nervosa.

— Então estamos enlouquecendo juntos... – Ele me olhou surpreso. Sorriu tristonho para mim, abaixou o olhar, mas voltou em seguida.

— Regina, eu não sei o quanto isso vai parecer estranho. – Sua voz saiu meio tímida. – Mas nada além da Emma parecia real em minha vida antes de conhecer você. – Meu coração bateu forte e feliz com aquela declaração. Não só minha confusão, como meus bons sentimentos também eram recíprocos. – Minha cabeça diz uma coisa, mas meu coração diz outra! – Estava me ouvindo naquelas palavras. – Você pode ate achar que é coisa de criança que ta entrando na adolescência... De menino rebelde... Mas, eu odeio minha vida. – Seus olhos marejaram – Odeio ter Zelena como mãe! Odeio ter que morar com ela! Ela não me ama, ela finge que ama... – Ele engoliu a seco, tentando engolir o choro. – Depois dessas duas semanas com você, depois de ontem, depois desse livro e do sonho que tive... – Respirou fundo – Eu não consigo não acreditar que tem algo de errado aqui! – Sua última frase saiu em tom de raiva. – Eu não quero mais essa vida, eu não quero mais voltar para lá! – Uma única lagrima escapou de seus olhos, mas imediatamente ele a secou.

— Com o que você sonhou? – Depois de todo o seu discurso, foi a única coisa que eu consegui dizer.

— Foi... triste... – Ele soltou o ar que estava preso. – Você estava grávida... estava... tendo os bebês... – Aquele sonho, não podia ser aquele sonho. – Eu segurava sua mão de um lado, já Emma, do outro... Você teve duas meninas...

— Sarah e Elise. – Eu completei sentindo minhas lagrimas descerem, fazendo-o me olhar mais assustado do que nunca.

— Mas a maldição estava chegando, e...

— Tiveram que leva-las da gente... – Mais uma vez sua surpresa foi nítida.

— Você também sonhou com isso...? – Eu apenas afirmei com a cabeça.

Rever aquele sonho, junto com Henry, era ainda mais doloroso. O que estava acontecendo afinal? Não só Ammy já havia sonhado o mesmo que eu, como Henry ali a minha frente. O que estava acontecendo? Quem era eu? Quem era ele? Onde estávamos?

Eu acreditei que as coisas não poderiam ser muito piores do que eram. Porém, naquela situação em que me encontrava, era ainda mais desesperador. Eu literalmente não sabia se o abraçava, se corria dele, ou se tentava entender toda aquela bagunça.

— Meu coração, Regina... Ele está me implorando... Ouvi-lo parece a única coisa certa a fazer.... Ele quer acreditar nessa maldição... – Seus olhos ainda estavam desesperados, eu tinha que fazer alguma coisa para ajuda-lo. – E o seu coração, Regina? O que ele tá te dizendo? – Perguntou com medo, me pegando se surpresa.

Respirei fundo tentando esvaziar a mente. Era uma pergunta simples, eu sabia o que queria, mas não sabia se deveria dizer a ele que estava na mesma situação. Não sabia se era certo alimentar nossa loucura. Respirei mais uma vez tentando buscar algo a dizer, mas a única coisa que me vinha à cabeça era a voz de Ammy “Esqueça seus medos, esqueça o que é certo e o que é errado. Deixe que seu coração e sua alma falem por você”.

— É loucura, Henry... É loucura... – Encontrei minha voz e minha coragem, fazendo o que Ammy havia me pedido. – Mas essa loucura é a única coisa que faz eu me sentir completa... – Eu segurava as lagrimas. – Meu coração também está implorando para que eu acredite nisso. – Prendi o choro. Já Henry, sorriu ligeiramente.

— Sabe o que mais meu coração me diz?

— O que?

— Que eu realmente tenho duas mães, a Emma é claro... Já a outra... – Meu coração chegou a parar junto com sua pausa. – Minha outra mãe é você... – Não consegui mais segurar minhas lagrimas. - De tudo, Regina, isso é no que eu mais quero acreditar... Que você é minha mãe também... – Ele deixou as lágrimas descerem, mas com um sorriso satisfeito nos lábios.

— Henry... – Ele era meu filho, mesmo que apenas nos sonhos. Aquele menino era meu. Sem pensar, apenas agindo com o coração, eu o abracei.

— Seja minha mãe... – Ele falou baixinho ainda em meus braços.

— Eu sou, querido. – O abracei ainda mais forte.

Naquele instante, eu aceitei, aceitei que tudo era real. Que minha vida na verdade era um pesadelo, fruto de uma maldição. Eu aceitei que fazia parte de um conto de fadas. Aceitei que Henry era meu filho.

Uma energia forte passou por nós, fazendo com que nos separássemos. De imediato uma dor de cabeça muito forte me fez ficar tonta. Flashs de toda uma vida surgiram a toda velocidade. Apoiei-me a mesa para não cair, era muita informação ao mesmo tempo. Aos poucos tudo foi ficando claro. Minhas lembranças tomando forma. Minha loucura desaparecendo e dando lugar a sanidade. Eu não era uma florista. Não eram sonhos que me atormentavam todas as noites. Aquela era a minha vida. A minha real identidade.

Respirei fundo deixando a verdadeira Regina tomar o seu lugar. Eu estava morrendo de saudades de mim.

Eu me lembrava de tudo! Eu não tinha mais que ter medo do desconhecido. Eu não tinha mais que ser quem eu não era. Eu podia ser até Evil Queen, mas nunca mais seria aquela florista.

— Mãe? – Henry me chamou sorrindo entre algumas lágrimas. – Eu me lembro! – Ele estava emocionado. Estávamos livres.

— Eu também, meu filho... – Eu abri os braços para que me abraçasse outra vez, que de imediato veio até mim. – Eu também... – Repeti sentindo toda aquela felicidade por voltar a ser eu mesma. Por voltar a ter uma vida. Por finalmente poder voltar a lutar pela minha felicidade, pela minha família.

— E agora? – Ele perguntou ainda me abraçando, mas me soltou em seguida. – O que vamos fazer? Será que quebramos a maldição?

— Agora? – Sorri cheia de esperança. – Antes de tudo, preciso ver minhas filhas... E depois, preciso tirar Emma de perto de Zelena.

Sorrimos um para o outro, em acordo com meus planos. Não eram planos de verdade, mas eram minhas prioridades. Manter a salvo minha família. Mesmo que nem todos lembrassem o motivo de estarmos ali.

Henry guardou o livro em sua mochila. Com presa voltamos à loja, não queríamos mais perder tempo. Se Tinker tivesse suas memórias de volta, isso era um sinal de que todos ali haviam recuperado também. Caso ela não as tivesse, teríamos um longo caminho pela frente, para realmente quebrar aquela maldição.

Naquele instante eu tentei focar apenas em minha prioridade – família. Por que se eu desviasse só um pouco daquilo. Se eu parasse para pensar que minha irmã estava dormindo com minha mulher. Se eu parasse para pensar que tudo que era meu, estava em seu comando. Se eu parasse para pensar que minhas filhas já tinham nove anos. Se eu parasse para pensar o quanto eu me senti louca e perdida naqueles tempos... Eu simplesmente queimaria toda a cidade com o ódio que ardia dentro de mim. Mesmo Zelena sendo muito mais forte que eu, eu faria questão de deixar aquela cara dela, ainda pior de quando era verde.

Olhei para Henry ao meu lado, seu sorriso cheio de esperança. Respirei fundo voltando minha atenção para o que tinha que ser feito, antes de destruir aquela vadia. Ela teria o que merecia, mas antes, eu precisava ver Sarah e Elise. Precisava ver Emma, a minha Emma.

— Ainda bem que terminaram, tenho que fazer uma entrega. – Tinker falou naturalmente. Ela ainda era Ammy, a maldição não havia sido quebrada.

— Cancela tudo e fecha a loja. – Eu falei ao pegar minha bolsa as pressas.

— O que? Por que? O que aconteceu? – Ela me olhava tentando me entender. Sorri ao perceber que mesmo sem lembrar, Ammy era bem parecida com minha querida amiga Tinker.

— Apenas faça! – Eu dei uma ordem. – Depois a gente conversa, ok? – Afirmou com a cabeça ainda surpresa com meu tom de voz. Eu não tinha mais o que dizer, fui em direção a porta.

— Tchau Tinker. – Henry disse seu nome querendo brincar com a realidade.

Fomos as pressas para aquele carro horrível da florista. Além daquela lata velha, tinha também aquelas roupas horrorosas que eu estava vestindo. Não... eu não tinha mais que ser daquele jeito. Eu não precisava de nada daquilo.

— Vamos ver se isso ainda funciona. - Olhei ao redor antes de girar a mão, fazendo minha fumaça roxa me contornar da cabeça aos pés, dando-me roupas que me agradavam e não aqueles trapos, da pobre florista confusa e cheia de medos... Tá que ela não se vestia tão mal assim. Mas nada se comparava as minhas reais roupas de Regina Mills, a dona da cidade.

— Também prefiro essas. – Henry comentou descontraído. – Da para mudar seu carro? Sinto falta do outro.

— Da, mas requer mais energia. – Expliquei já abrindo a porta do carro. - Quero guardar minhas forças para aquela vaca, que agora é rosa. – Minha voz saiu fria e com raiva, mas foi inevitável não sorrir ao imaginá-la sofrendo.

Fomos direto ao Granny’s, onde os Charmings e minhas filhas estavam hospedados.

Meu coração acelerado, ansioso por aquele encontro. Eu as tinha visto no dia anterior, mas era completamente diferente vê-las naquele momento. Conhecer de fato minhas filhas, saber quem elas eram de verdade. Abraçá-las e amá-las muito, para tentar suprir todo o vazio que senti na ausência de todos. E claro ouvir Snow contar histórias dos anos que passaram.

Já em frente a porta o quarto eu travei.

— Mãe? O que foi? – Henry perguntou ao tocar em meu braço.

— Eu não sei... – Meu coração batia forte. Medos começaram a me invadir. – Não sei se é uma boa ideia.

— Vai dar tudo certo. Eu confio em você. – Ele sorriu como Emma costumava fazer quando queria me encorajar.

Que saudades eu estava daquele sorriso, que saudades eu estava do meu filho como meu filho. Tive que segurar o choro para não bater na porta já com lagrimas nos olhos. Respirei fundo, olhei para Henry que ainda sorria do mesmo jeito, voltei a encarar a porta e bati três vezes sentindo todo meu corpo ficar tenso.

Meu sangue chegava a ferver por ter que conhecer minhas filhas já crescidas. Por aquilo Zelena iria pagar muito caro. Por que não era apenas uma separação qualquer, não era ter tudo que era meu, ou achar que poderia viver para sempre sendo eu. O pior era ter de fato me feito perder toda a infância das minhas princesas. Mas, as coisas iriam mudar, na verdade já estavam mudando. Storybrooke não era a Floresta Encantada, as coisas por lá eram bem distintas. E como a profecia de Rumple havia dito “Apenas os frutos, do mais incomum amor verdadeiro, podem trazer de volta todos os finais felizes.”

— Isso me lembra de quando conheci Emma... – Henry comentou ansioso.

Em seguida a porta abriu fazendo meu coração parar por alguns segundos. Porém, a mulher a minha frente, era uma desconhecida.

Todo aquele nervosismo para acabar batendo na porta errada.

Bufei irritada pela idiota da Granny não ter nos dito o numero correto do quarto. Já estava me preparando para descer e perguntar se a velhice estava afetando sua memória. Já que eu havia sido bem clara quando pedi as informações e ainda fiz questão de repetir as tudo para não haver erros.

— Desculpa. – Eu pedi irritada. – Porta errada. – A mulher me olhou sem entender, mas parecia querer dizer algo.

— Não mãe! – Henry me segurou pela mão antes que eu pudesse dar meu primeiro passo. – Essa é a Glinda, ela veio com eles. – Ele sorriu para a mulher que lhe sorriu de volta.

— Prazer em conhecê-la. – Glinda estendeu a mão com um sorriso simpático. Sem duvidas era sim amiga de Snow.

— Regina Mills. – Falei e apertei sua mão com pressa, não estava muito a fim de conhecer ninguém naquele momento.

— Quem é? Quem é? – Ouvi a voz animada do menino Levi se aproximar. – Sra. Mills, Henry! – Ele falou surpreso e sorridente, ao nos ver parados a porta.

Levi era realmente filho de Snow e Charming. Não tinha como negar, até no sorriso e no olhar aquele pequeno era igual a eles. Além de ser também bem parecido com Henry quando era mais novo. O laço de sangue estava bem nítido.

Sorri ao ver sua felicidade. Sorri ao perceber que também sentia falta daquilo, sentia falta dos pais de Emma. De toda a minha família junta, naquele castelo que nem era meu.

— Entrem... – A mulher nos deu passagem.

Henry entrou primeiro, fazendo meu coração disparar novamente. O nervosismo tomando conta de mim. Por um curto tempo me perdi, não sabia muito bem o que tinha ido fazer ali. Mas, ao ver Sarah sentada ao sofá, com Elise deitada em seu colo, voltei à realidade já com meus olhos se enchendo de lágrimas.

Uma felicidade e uma paz me invadiram de imediato. Não consegui dizer absolutamente nada, apenas as olhava com todo o amor do mundo. Minhas meninas tão lindas e tão perfeitas. Já elas, estavam nitidamente surpresas com minha aparição.

Snow surgiu de outra porta com o olhar tão assustado quando de minhas filhas.

— Aconteceu alguma coisa Srta. Mills? – Snow perguntou com todo aquele teatrinho, o que me fez sorrir.

— Somos nós, Snow... – Eu sorri feliz para Henry e depois para ela, deixando uma lágrima escapar. – Somos nós. – Eu repeti ao voltar meu olhar apenas para Sarah e Elise, que mantinham suas expressões de assustadas.


Notas Finais


E AIIII??????


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