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História Amor Eterno - Capítulo 14


Escrita por: moniquetayahh

Notas do Autor


BOA E MARAVILHOSA leitura! <3

Capítulo 14 - Meus três filhos - Regina


Fanfic / Fanfiction Amor Eterno - Capítulo 14 - Meus três filhos - Regina

— Somos nós, Snow... – Eu sorri feliz para Henry e depois para ela, deixando uma lágrima escapar. – Somos nós. – Eu repeti ao voltar meu olhar apenas para Sarah e Elise, que mantinham suas expressões de assustadas.

Aproximei-me do sofá fazendo Elise se levantar, ficando sentada ao lado da irmã.

Não era a primeira vez que eu as via, o encontro do dia anterior havia servido para eu conhecer aquelas duas meninas encantadoras. Mas, ali naquele momento, era de fato a primeira vez que eu as via como minhas filhas.

A emoção tomando conta de todo o meu ser. Minhas lágrimas transbordando minha felicidade, minha euforia por estar frente a elas – o produto do meu amor por Emma.

Eu literalmente me ajoelhei diante ao sofá que estavam. Ambas me olhavam assustadas, imóveis, sem nenhuma reação. Aqueles segundos encarando cada rostinho me fez ter uma paz tão grande, que eu pude sentir todo o universo dentro de mim.

Levei minha mão direita ao rosto de Sarah, que ao sentir meu toque sorriu fechando os olhos.

— Sarah... – Minha voz falhou, mas eu sorri ao vê-la me encarar com suas lágrimas quase transbordando.

Aquela menina que tinha meus olhos e meu sorriso era linda, perfeita e minha. Era parte de mim, meu sangue, meu amor.

Voltei-me para Elise apoiando minha mão esquerda em seu rosto, que deixou seu choro lhe invadir, derramando várias lágrimas sem medo.

— Elise... – Sorri entre meu próprio choro.

Seus olhos verdes idênticos aos de Emma, sua boca comprimida em uma linha do mesmo jeito que sua outra mãe costumava fazer. Elise era linda, perfeita e minha, como sua irmã.

Elas estavam ali, todo aquele sofrimento havia acabado. Toda a dor que eu sentia mesmo inconsciente, não existia mais. Elas tinham voltado para mim, minhas princesinhas salvadoras haviam conseguido. A profecia mais uma vez estava se cumprindo. Nada poderia mudar o destino.

— Minhas filhas... – Revezei o olhar entre elas.

Com todo o amor que eu poderia sentir, com toda a saudade que meu coração estava, com toda a vontade do mundo, eu as puxei e as abracei com força. Ambas não retribuíram de imediato, mas depois de alguns segundos, juntas como se fosse algo ensaiado, elas também me abraçaram com força. Ficamos ali, aproveitando aquele “primeiro” contato ao máximo. Só não foi perfeito, porque Emma e Henry não fizeram parte dele. Por Emma eu teria que esperar, mas por Henry não.

Desprendi-me do abraço com calma voltando meus olhos para meu filho que observava toda a cena com um sorriso lindo nos lábios.

— Vem aqui. – Eu o chamei de onde estava. – Meus três filhos. – Puxei a mão de Henry fazendo-o se abaixar ao meu lado. – Meus três filhos... – Eu repeti deixando mais algumas lágrimas caírem e os abraçando novamente.

Que momento único, que abraço maravilhoso.

Quando a maldição chegou logo após o nascimento das meninas, por mais que eu acreditasse que elas voltariam um dia, eu achei que aquele instante nunca fosse chegar. Achei que jamais olharia para elas outra vez, ou até mesmo para Henry e Emma. Porém, ao ver que a que vida trouxe de volta o meu final feliz, eu consegui respirar em paz depois de tanto tempo.

— Acho que estou sonhando... – Comentei ao soltar os três e olhar atentamente para cada um.

Henry sorria realmente contente. Sarah tinha um sorrisinho de canto e uma alegria muito grande em seus olhos. Já Elise ainda chorava em silêncio e sem esboçar nenhum sorriso, mesmo que seus olhos estivessem me mostrando boas emoções.

— Não está não. – Sarah disse sorrindo, sua voz era tão doce que me fez sorrir ainda mais. – Chega para lá... – Ela empurrou a irmã que a olhou de cara feia.

— Não me empurra! – Elise reclamou, mas obedeceu.

— Senta aqui... – Sarah pediu para que eu me sentasse entre elas. Com cuidado me acomodei entre minhas duas princesinhas, enquanto meu príncipe sentou-se ao chão entre minhas pernas. Aquele momento até merecia uma foto, não só para guardar aquela cena linda, mas para deixar registrado para sempre a minha felicidade por estar ali.

— Vocês... – Snow ainda estava de pé no mesmo lugar, boquiaberta e com os olhos arregalados. – Como... Como que vocês conseguiram? Digo, vocês quebraram a maldição? – Ela se aproximou de nós.

— Não, a maldição ainda não foi quebrada... – Lembrei de Emma, de como ainda tínhamos um longo caminho pela frente, até ela voltar a ser realmente minha.

— Mas... como? – Snow sentou-se na poltrona a nossa frente, já esperando por uma história.

— O livro... – Henry quem começou a contar. – Ontem quando cheguei em casa, a primeira coisa que fiz foi pegar o livro que você me devolveu. – Levi se juntou a sua mãe sentando em seu colo, já a mulher loira que não eu lembrava o nome, encostou-se ao braço do sofá onde estávamos.

Foi meu filho que contou a eles como havíamos recuperado nossas memórias. Na verdade, o que nos fez realmente lembrar era algo que eu ainda não tinha entendido muito bem, já que não quebramos a maldição. Porém, acredito que logo entenderíamos o motivo do destino ter nos feito lembrar antes de tudo.

— Não achei que seria tão rápido, tanto que só entreguei o livro e o resumo. As cartas eu ia entregar depois... – Snow ainda estava surpresa, mas sorriu após alguns segundos em silêncio. – Bem... não importa como e nem o tempo que levou. O importante é que estão aqui e se lembram de tudo.

— Agora que você já sabe como aconteceu. - Foi inevitável não debochar de Snow por ser naturalmente fofoqueira. – Faça o que sabe fazer de melhor. Conte-me tudo! Quero saber de cada detalhe da vida das minhas filhas.

— Desculpe de decepcionar, Regina, mas não vou te contar nada agora. – Sorriu achando graça e olhando para as meninas, fazendo-me olhar para elas também.

Tanto Elise quanto Sarah sorriram para a avó, viraram o corpo completamente em minha direção, uma de frente para outra, mas olhando diretamente para mim.

— Enquanto elas te mostram... – Snow se levantou, deixando Levi sentado em seu lugar. Já Henry que até então permanecia sentado de costas para mim, também se virou em minha direção. – Eu vou buscar o álbum e o diário. – Ela foi para o outro cômodo.

— Me mostrar o que? – Perguntei ao ver o olhar travesso em ambas minhas filhas.

— Quer fazer primeiro, Elise? – Sarah perguntou, fazendo sua irmã rapidamente balançar a cabeça negativamente.

— Fazer o que? – Elas me ignoraram pela segunda vez, me deixando ainda mais ansiosa.

— Eu sei que você quer... – Sarah continuou a falar diretamente com ela. – Eu estou aqui, você vai conseguir. – Sorriu encorajando a outra. Elise por sua vez, deu uma piscada longa e bufou como se não tivesse paciência, fazendo-me achar aquilo a coisa mais lindinha do mundo.

— Está bem... – Elise disse a contragostos, voltando a me olhar.

— Ok, já podem me dizer o que vão fazer? – Olhei para Sarah, mas parei em Elise, já que era ela quem começaria.

— Vou te mostrar uma de minhas lembranças. – Elise falava tão igualmente a mim, como se não tivesse paciência com nada, que era inevitável não sorrir para ela o tempo todo. – Por que você tá sorrindo? – Era uma pergunta inocente, mas até ali ela parecia meio brava.

— Porque você é uma menina incrível e linda. – Falei passando a mão em seu rosto.

— Tá... – Ela fez a mesma carinha que Emma costumava fazer quando ficava sem graça. Quebrou o contato visual por alguns segundos, soltou o ar e voltou a me encarar meio tímida. – Você vai ter que ficar quieta e deixar a cabeça sem pensamentos. – Eu apenas assenti.

Com calma ela estendeu uma de suas pequenas mãos com a palma para cima. Movimentou os dedinhos fazendo uma fumacinha em tom lilás surgir. Era magia o que estava fazendo. Eu sabia que elas seriam capazes, mas não achei que já praticavam alguma coisa. Ainda mais aquilo, que eu nem sabia exatamente o que era. Mostrar uma lembrança para alguém com mágica, era algo que eu nunca tinha visto em minha vida. Sem duvidas aquilo não era para iniciantes.

Eu queria perguntar, queria saber mais sobre seus poderes, mas como ela mesma havia me pedido para relaxar e limpar minha mente. Deixei minhas perguntas para quando terminasse. Não queria interromper o seu feitiço.

Quando parou de movimentar seus dedos, uma pequena nuvem lilás pairava por sua palma. Com muito cuidado ela foi aproximando sua mãozinha de mim.

— Fecha os olhos... – Ela pediu quase em um sussurro. Fiz de imediato. Logo senti repousar sua mão em minha cabeça, fazendo sua magia penetrar poderosamente

Com meus olhos fechados, eu vi em minha mente, com total clareza, tudo que Elise estava vendo e sentindo na lembrança em que colocou em mim. Por um curto tempo deixei de ser eu, para ser apenas Elise.

Era um campo aberto, a tarde fresta, o vento batendo no rosto. Ela cavalgava a toda velocidade. Seus pensamentos eram confusos, estava brava com o mundo, se sentia perdida no meio daquele lugar que conhecia como seu quintal. Porém, a alegria estava tão viva e explicita em cavalgar sem rumo, que eu podia sentir meu coração bater em paz com aquela lembrança. Ela amava a sensação de liberdade – igualmente a mim quando bem jovem. Ao mesmo tempo em que vivia a lembrança dada por ela, eu conseguia igualar as minhas – de quando ainda morava com meus pais – onde eu usava meu cavalo para fugir de todas as minhas dores. Foi uma pequena recordação, mas com grande significado. Provou-me que por mais que ela não tenha crescido comigo, era realmente parte de mim.

Apenas pouco segundos foram precisos para sentir e ver tudo que minha filha sentiu, com aquela pequena parte do seu passado. Por mais que ela estivesse chateada com alguma coisa naquele certo dia, sentir o vento bater em seu rosto, foi o suficiente para lhe fazer esquecer tudo que lhe atormentava.

Abri os olhos com calma, ainda com aquela sensação gostosa em meu ser. Para mim, que sempre fui apaixonada por andar a cavalo, foi uma experiência única poder fazer aquilo sem fazer de fato.

Olhei para Elise que estava nitidamente ansiosa. Sorrir ao ver seu nervosismo. É muito estranho conhecer suas filhas já crescidas. Por que tudo que fizessem, um ato carinhoso ou birra, eu continuaria achando a coisa mais linda do mundo. Diferente de Henry. É claro que eu o amava, e tinha orgulho dele, mas como fui eu quem o criou, que o viu crescer, não achava suas birras nada engraçadinhas. Contudo, eu sabia que isso logo mudaria e que assim que eu me acostumasse com elas, pararia de sorrir o tempo todo. Mas enquanto não acontecia, enquanto ainda estava morrendo de curiosidade sobre suas vidas... e morrendo de saudades – não só delas como de Henry também – eu tinha era que aproveitar ao máximo aquela fase maravilhosa.

— Viu? – Elise perguntou impaciente.

— Qual você mostrou para ela? – Não só Sarah, mas todos na sala nos olhavam curiosos, incluindo Snow, que já havia voltado.

— Era um campo aberto, ela estava cavalgando a toda velocidade em uma tarde fresca. – Eu respondi por Elise, ainda feliz com a sensação que havia me proporcionado.

— Achei que fosse mostrar a casinha na árvore. – Levi comentou.

— Eu também... Mas o Gael também é legal. – Sarah sorriu para a irmã do mesmo jeito que antes. – É a minha vez. – Falou animada, fazendo-me olhar somente para ela.

— Depois, eu quero que me expliquem como é que conseguem fazer isso.

— Depois... – Sarah respondeu em tom baixo já erguendo uma de suas mãos. – Faça como fez com Elise, não pensa em nada e relaxe. – Seu sorriso, por mais inocente e infantil fosse, passava uma confiança muito grande, mesmo só tendo nove anos.

Sarah fez tudo igual a sua irmã. Palma de uma das mãos para cima, dedinhos de mexendo e sua magia surgindo. A única diferença era que sua fumaça não era lilás como de Elise, e sim em tom azul claro.

Antes mesmo de me pedir, eu fechei os olhos. Com o mesmo cuidado e sendo até um pouco mais delicada, repousou sua pequena mão em minha cabeça. Mais uma vez eu deixei de ser apenas eu, sendo inteiramente Sarah.

Eu vi Elise pelos olhos dela, que estava sentada ao chão do quarto, que encarava o próprio relicário. Eu podia sentir todo o amor que Sarah tinha pela irmã, toda a preocupação e vontade de protegê-la. Um sentimento único, que eu jamais saberia como era – caso não tivesse sentindo através de minha filha. Sarah voltou seus olhos para um piano que estava a sua frente, posicionou as mãos sobre as teclas e respirou fundo. Sua cabeça cheia de perguntas sobre Emma e eu, mas seu coração estava cheio de esperança e fé. Com calma ela moveu os dedos, transformando o silêncio do quarto em uma música melancólica cheia de emoção. Eu podia sentir em mim, cada nota, cada movimento, cada olhar que dava para a irmã e sorria – lhe passando segurança. Quanto mais tocava, mas feliz se sentia, como se um mar de sensações boas lhe invadisse com sutileza. Junto a aquela lembrança eu pude vivenciar coisas que eu nem sabia que existiam. O amor incondicional por um irmão, junto com o prazer de deixar a melodia de um piano entrar em minha alma, lavando tudo que há de ruim.

Uma lembrança tão única quanto de sua irmã. Com tanto amor e significado que da outra. Sarah poderia sim se mais parecer comigo quando se olha apenas o exterior, mas quando se via dentro, aquele instinto de proteção era todo da Emma. Acredito que se Swan não tivesse crescido em lares adotivos, seria tão doce quanto Sarah. Talvez não se portasse como uma princesa, sim como um camponês subindo em árvores. Porem, não teria todos aqueles muros que tive que derrubar para mostrar-me o quanto poderia ser uma mulher carinhosa – mesmo que durona.

Eram situações distintas, mas que me mostraram a mesma coisa. Que independente de onde e quando, Elise e Sarah eram nossas, pertenciam a Emma e eu.

Abri os olhos com calma, querendo aproveitar o máximo que aquelas duas lembranças puderam me proporcionar. Eu estava feliz, me sentindo viva outra vez. Não existia mais medo, confusão e angustia. A esperança por dias melhores tomavam conta de todo meu ser. Eu tinha fé de que logo seríamos a família completa que tanto esperamos.

— E ai, o que Sarah te mostrou? – Levi quem perguntou animado.

— O piano... – Respondi serenamente, ainda sentindo as notas me invadindo de paz.

Apoiei uma de minhas mãos no rosto de Sarah, encarando seus olhos castanhos que sorriam felizes para mim. Sem retirar meu carinho de seu rosto, me virei para Elise e apoiei a outra mão sobre sua face, que tinha um olhar cheio de expectativas. Revezei entre elas com um sorriso fixo em mim. Quebrei o contato físico e visual voltando-me diretamente para Henry, que me mostrava toda a sua curiosidade. Passei a mão em seus cabelos que sorriu com meu carinho. Por fim mirei Snow a minha frente.

— Obrigada. – Falei diretamente a ela que tinha dois livros parecidos com o do Henry em mãos. – Obrigada por tudo. – Eu nunca de fato havia agradecido. - Tudo mesmo...

— Não tem que me agradecer, Regina. – Ela sorria daquele jeitinho típico dela, com paz e amor, para dar e vender a todos.

— É sério. – Falei de coração. – Obrigada por Emma, por Henry, por ter me perdoado, por ter criado minhas filhas, por trazê-las de volta... Obrigada por mesmo depois de tudo que passamos... ainda ter me aceitado como família. – A cada palavra dita, mais leve eu me sentia.

— Bem, da família você sempre foi. Só que antes era minha madrasta, e agora é minha nora. – Ela fez piada, fazendo Henry e eu rirmos juntos a ela.

— Madrasta? Nora? – A mulher que eu já havia me esquecido que estava ali, perguntou confusa.

— Ah, Glinda... – Snow sorria com divertimento. – Ainda tem muita coisa que não sabe.

— É, achei que Elise e Sarah serem filhas de verdade de duas mulheres, era a coisa mais diferente que poderiam me contar. Mas, a cada segundo que passa, eu vejo que tem muita coisa nessa história toda que eu nem imagino que exista.

— Ah, querida, pode apostar que sim. – Eu comentei só de pensar na quantidade de acontecimentos que todos nós já havíamos passado.

— Conhece o Peter Pan? – Henry perguntou para Glinda.

— Já ouvi histórias... É o garoto eterno daquela ilha, não é?

— Exatamente... Ele era meu bisavô. – Meu filho comentou rindo.

— É... E eu achando que minha história com Zelena que era complicada. – A loira soltou o ar desviando o olhar.

— História com a Zelena? – Perguntei de imediato, meu tom provavelmente saiu mais acusatório do que deveria. Em um instante ela era uma mulher qualquer, no segundo seguinte eu consegui encaixar todas as cosias. - Você é aquela Bruxa boa do Sul. A tal Glinda... – Empurrei Henry ligeiramente para poder me levantar, já me preparando para atacá-la caso fosse preciso.

— Regina... – Snow me chamou com toda a calma do mundo, seu tom queria me tranqüilizar, mas antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, eu despejei minhas perguntas em cima dela.

— Por que essa mulher está com vocês? De onde a conhecem? Que história é essa com a Zelena? – Eu perguntava com raiva em minha voz, e culpava Snow com o olhar.

— A Glinda é nossa amiga. – Elise falou com firmeza, defendendo a mulher. Seus olhos verdes me recriminado por fazer aquelas perguntas.

— Ela é boa... não precisa ter medo dela. – Sarah completou com os olhos tristes.

De imediato respirei fundo tentando me controlar. O medo de ter alguém ligado a Zelena perto da minha família soava completamente perigoso para minha cabeça. Bruxa Boa do Sul, pelo seu nome eu não deveria temer. Só de pensar na possibilidade daquela mulher ser cúmplice da minha querida irmãzinha, eu sentia vontade de esmagar seu coração.

— Está tudo bem, Regina. Glinda é realmente nossa amiga. – Snow explicava. – Zelena a amaldiçoou e a aprisionou em Nárnia.

— E como sabe que isso é verdade?

— Confia em mim, Regina, não há nada a temer em relação a Glinda. – Snow sorriu tentando me acalmar. Mas aquilo ainda não era o suficiente.

— Me de um motivo para confiar em você... Glinda. – Eu a olhava de cima.

— Você não me conhece. – Começou a falar de maneira mansa. – Sei que por eu conhece Zelena isso te assusta. É normal, já que ela tirou tudo que você mais amava. Minha história com ela é longa. Eu tentei ajudá-la, tentei mostrar que mesmo depois de tudo que passou, que mesmo sentindo toda aquela inveja da sua vida, ela poderia construir o próprio final feliz. Deu certo por um tempo... Porém, como com todos vocês, Zelena tirou tudo que eu tinha. – Conseguia sentir a sinceridade em suas palavras. – Eu não tenho que provar nada à você, Regina. Estou aqui para ajudar a todos. E isso inclui Zelena.

— Ajudar Zelena? – Perguntei incrédula.

— Acredito que todos... assim como você conseguiu... todos merecem um final feliz. Mas, sem prejudicar o outro, é claro. – Sua voz era firme e doce ao mesmo tempo. – Eu vou ajudar a sua família. Como também quero que Zelena consiga deixar as trevas, como já fez um dia.

Tentei refletir sobre o que ela tinha me dito. Eu nunca havia pensado em Zelena como alguém que sofreu, como alguém que passou por coisas ruins assim como eu. Por mais que nunca tenha entendido o motivo de seu ódio por mim. Pela primeira vez eu pensei por alguns segundos que talvez ela não fosse tão louca. Mas, ao olhar para minhas filhas já crescidas, aquele momento de pensar sobre o assunto se foi. Aquela maluca tinha que ser punida, já que nem motivos ela tinha para me odiar tanto.

— Por que ela me odeia tanto? – Perguntei em um impulso.

— Ela te culpa por tudo de ruim que a vida fez com ela.

— Mas isso não faz sentido. – Me apoiei no braço do sofá próximo a Sarah, oposto onde Glinda estava, já que Henry havia tomado meu lugar.

— É claro que não. – Glinda sorriu. – Mas ela tem inveja de você, por ter tido a vida que ela teria, caso não tivesse sido abandonada por Cora.

— Isso é algo que nunca entendi, por que minha mãe a abandonou?

— Bem, nem eu sei o motivo. A história entre eu e ela é realmente longa, posso te contar tudo que sei amanhã. – Ela olhou em seu relógio de pulso – Já está quase na hora do almoço. Acredito que gostaria de passar esse seu primeiro dia com eles – apontou para meus filhos – e não comigo – sorriu simpática. – Se a maldição não foi quebrada ainda, temos muito trabalho pela frente. Se esperou até hoje... espere mais um dia...

Assenti sorrindo de canto. Por mais que eu quisesse saber o que Glinda tinha a dizer, minhas prioridades naquele momento eram meus filhos e Emma. Só de pensar que minha mulher não sabia de nada e ainda estava casada com aquela vadia, me dava embrulhos em meu estomago. Depois que eu passasse mais um tempinho com eles, eu tinha que tirar Emma de perto de Zelena, ela não ia mais voltar para aquela casa, nem que eu tivesse que acorrentá-la ao meu lado. Só assim eu iria conseguir pensar direito na quebra da maldição – mantendo minha família em segurança.

— Mãe... – Henry me chamou apreensivo. – Eu não volto para aquela casa enquanto ela estiver lá. – Ele estava determinado.

— Não mesmo, Henry. Preciso arrumar um jeito de tirar vocês dois de perto dela. – Eu me levantei indo em direção a Snow. – Eu vou arrumar um jeito meu filho, fique tranqüilo. – Sorri para ele, mas virei para sua avó. – O que temos ai?

— Album com fotografias. E um diário sobre o crescimento delas. – Ela estendeu-os para mim. – O que acham de comermos aqui mesmo? – Perguntou a todos. – Enquanto esperamos podemos ver as fotos.

— Tudo bem... – Eu segurei cada livro grande e grosso em uma das mãos, olhando atentamente para as capas.

— Tinha câmera em Nárnia? – Henry perguntou do mesmo jeito que sua mãe, quando estava confusa.

— Não tinha, mas nós tínhamos. – Explicou sorrido. – Um vendedor andarilho surgiu com várias coisas do mundo real... Isso quando Levi tinha um mês de vida e as meninas três. No meio de um monte de coisas ele tinha uma Polaroid, junto com dois filmes para serem usados. É claro que compramos sem nem pensar duas vezes... por mais que só tivesse dois filmes para serem usados... Quando o filme acabou, nossa amiga Glinda, com magia fez outros filmes aparecerem. E foi assim que conseguimos fotografar todos esses anos.

— Glinda a bruxa boa. – Falei com deboche, mas Snow apenas riu.

— Eu vou descer. – Glinda falou com a amiga. – Vou comer lá mesmo, preciso pensar em algumas coisas...

— Você ta chateada? – Elise perguntou com preocupação.

— Não princesa... – Ela sorriu para minha filha. Fazendo-me sentir tristeza, elas eram intimas e se gostavam. – Só preciso ficar um pouco sozinha.

— Você vai voltar, não vai? – Sarah quem perguntou, mostrando também sua preocupação. Minhas filhas gostavam mesmo daquela desconhecida.

— Eu não vou embora, só preciso de um tempo para pensar em algumas coisas. – Disse com calma.

— Você jura que volta? – Foi Levi quem perguntou.

— É claro que eu juro! – Ela sorriu feliz. – Alguma vez na vida eu abandonei vocês? – Eles negaram com a cabeça. – Então pronto, não tem que se preocupar com isso... – Levantou-se. – Com a companhia de Regina e Henry, vocês nem vão reparar que não estive aqui. – Ainda falava diretamente com os três pequenos. – Aproveitem o almoço crianças... E Elise, lembre-se do que te falei, respire fundo, que tudo fluirá. – Elise sorriu feliz para ela. – Mary Margaret, eu faço o pedido para aquela garçonete bonita e ela traz aqui , certo?

— Isso mesmo, Glinda.

Ver o quanto minhas filhas tinham uma grande ligação com aquela mulher, fez meu coração apertar. Elas gostavam da boazinha, elas se conheciam. A bruxa era apenas uma amiga da família, mas mesmo eu sendo a mãe, eu não tinha nem a metade daquilo que Glinda tinha com minhas filhas. Eu literalmente não as conhecida, enquanto aquela estranha deveria saber até dos seus segredos.

Respirei fundo tentando afastar aqueles sentimentos ruins. Poderia sim não conhecer Elise e Sarah como Glinda, Snow e David. Mas elas me pertenciam, fomos Emma e eu que as fizemos e nada e nem ninguém poderia nos tirar aquilo. Conhecer era questão de tempo. Logo seria eu quem daria conselhos a Elise e não a boazinha do Sul.

Quando Henry recebeu a ligação de Emma, meu coração se partiu. Foi naquele instante em que decidi que não queria ver o álbum de fotografias, aquilo era para ser feito junto a ela. Então esses momentos de ler o diário e ver as fotos, eu guardei para um futuro próximo. Onde nós conheceríamos profundamente nossas filhas, juntas como deveria ser.

Durante o almoço Henry e eu não paramos de falar. Contamos histórias que aqueles três não sabiam, respondemos perguntas e rimos bastante. Como eu havia decidido, deixei que Sarah, Elise e Levi nos conhecessem mais. E deixaria para conhecê-los melhor quando a família estivesse completa.

Aquele seria um dos dias mais felizes da minha vida, isso se a outra mãe dos meus filhos não estivesse ausente. Por mais sorrisos e gargalhadas eu tivesse dando, por mais alegria eu estivesse sentido, ainda faltava uma parte de mim. Ainda faltava o meu amor verdadeiro.

Algumas horas depois do almoço, onde Glinda já havia voltado, Henry deu a ideia de irmos para a pracinha. Eu concordei é claro. Mas estava preocupada com Emma, ela não havia atendido as últimas ligações de Henry e ir passear pela primeira vez com nossos filhos, era algo que ela também tinha que estar presente.

Na pracinha Henry parecia ter nove anos outra vez. Corria e brincava com suas irmãs e tio sem a menor vergonha – coisa que pré-adolescente normalmente tinha e muita. Glinda preferiu ficar na pensão, já Snow estava sentada ao meu lado, sorrindo para nossos filhos, que brincavam como se mais nada no mundo importasse. Não existe nada mais belo do que a inocência de uma criança.

— Mãe, mãe!? – Henry chegou correndo e ofegante, com os outros três atrás de si.

— Henry, não pode me chamar de mãe em publico. – O alertei por ter gritado mãe no meio da cidade. A pracinha não estava cheia, mas as pessoas iriam reparar que o suposto filho da prefeita com a xerife, estava chamando a florista de mãe.

— Foi mal. – Ele sorriu sem jeito. – Você tem dinheiro para gente comprar pipoca? Eles nunca comeram, acredita? – Henry falou rindo.

É claro que eu acreditava, muitas coisas que existiam ali em Storybrook nem se quer sonhavam em existir em outros Reinos, ainda mais aqueles que tinham magia.

Entreguei o dinheiro para ele, mas antes que fossem até o outro lado da rua, eu segurei em seu braço o impedindo de seguir.

— Deixa o celular comigo, vou ligar para Emma outra vez. – Ele apenas assentiu, tirou o celular do bolso e me entregou. – Cuide deles e cuidado ao atravessar a rua.

— Eu sei cuidar muito bem de mim. – Elise falou como se já fosse adulta, o que fez eu e Snow rirmos.

— Claro que sabe, querida. – Falei ainda sorrindo, fazendo-a semicerrar os olhos em minha direção.

— Sabe nada, sou eu quem sempre cuido de você. – Sarah comentou desmascarando a irmã. O que fez Elise revirar os olhos e ir em direção a Henry que já estava mais a frente.

Henry era bom com crianças, eu nem sequer me preocupei em ficar olhando, para saber se conseguiriam atravessar sem problemas. Meu filho mais velho já estava virando um rapaz, eu confiava nele.

— Já sabe o que vai fazer para tirar minha filha de perto da bruxa verde? – Snow perguntou olhando para o horizonte, sua voz pela primeira vez parecia preocupada. – O sol já vai se por, e ela logo sairá do trabalho. – Se virou em minha direção.

— Sinceramente, Snow... – Eu falei me sentindo perdida. – Eu não sei. Eu conheço sua filha, conheço como mais ninguém no mundo. Mas aquela... aquela não é a minha Emma, eu sei que ela está escondida em algum lugar dentro daquela mulher... – Fiz uma pequena pausa. – É isso o que mais me assusta... não saber o que fazer para aquela Emma simplesmente sair de casa e ficar comigo. Eu não sei como ela vai reagir.

— É claro que sabe. A nossa Emma é muito mais forte do essa ai que está amaldiçoada. – Como sempre Snow sorria tentando passar sua fé. – O amor de vocês é tão único, que eu acredito que você vai conseguir fazer, com que mesmo inconsciente ela seja, ela mesma... Que mesmo sem lembrar, fique ao seu lado, porque o amor é a magia mais poderosa de todas. – Sua última palavra veio junto ao celular de Henry vibrando em minha mão.

Mostrei o visor para Snow, que sorriu ainda mais, me encorajando a fazer o que tinha que ser feito, mesmo eu não fazendo ideia do que era. Respirei fundo antes de atender, aquela seria a primeira vez que eu falaria com Emma depois de me lembrar de tudo.

— Henry, desculpa não ter atendido antes, mas estava trabalhando. – Cheguei a sorrir ao ouvir sua voz do outro lado da linha. Respirei fundo para fazer aquele teatrinho.

— Swan? – Falei tentando parecer natural.

— Srta. Mills? Cadê o Henry? Aconteceu alguma coisa? – Sua voz mostrando toda sua preocupação com nosso filho. Aquilo era parte da minha Emma.

— Ele está bem, deixou o celular comigo. – Expliquei para tranqüilizá-la.

— Como assim? Ele esqueceu o celular com você? – Sorri por sua confusão.

— Não, nós estamos na pracinha. – Contei com meu coração na mão, queria tanto ela ali comigo. – Henry foi comprar pipoca com as crianças. – Uma sensação distinta me invadiu ao explicar aquilo.

— Que crianças? – A sensação ficou ainda mais forte, eu precisava da minha Emma o mais rápido possível.

— Emma? – Fechei os olhos fazendo mil lembranças me invadiram. Eu estava com tanta saudade. – Vem para cá. – Eu pedi com firmeza, se ela dissesse não, eu teria que buscá-la.

— Está bem... – Sua voz quase falhou, do mesmo jeito que a minha Emma fazia.  – Chegou em dez minutos.

Aqueles dez minutos nunca foram tão longos. Fiquei tentando bolar uma conversa que a convencesse a sair de casa. Pensei até em contar toda a verdade, mostrar o livro, as fotos, as cartas e tudo mais. Porém, conhecendo a Emma como eu a conhecia, essas coisas não seriam o suficiente. Ela antes de tudo tinha que sentir que era real, para enfim acreditar naquilo. Se já havia acreditado uma vez – quando quebrou minha maldição – ela conseguiria de novo.

A viatura parou próxima a carrocinha de pipoca. Emma desceu já nos procurando com os olhos. Foi Henry quem acenou para que nos visse. Eu estava nervosa e aquilo era nítido.

— Vai dar tudo certo. – Levi falou sorrindo tentando me acalmar. – O amor verdadeiro sempre vence. – Ele falou baixinho como se fosse um segredo. – E mesmo que ela não lembre, você sabe... Ela gosta de você. – Sorriu travesso me fazendo sorrir junto a ele.

— Obrigada, Levi. – O agradeci, que deu de ombros como se suas palavras fossem as mais normais do mundo.

Até mesmo seus passos em nossa direção pareciam mais lentos que o comum. Ou estava tudo em câmera lenta, ou eu que estava mais ansiosa do que o normal. Finalmente ela estava a nossa frente. Mãos nos bolsos da calça - mostrando seu nervosismo - cabelos soltos levemente ondulados, jaqueta marrom escura, junto com um sorriso tímido e lindo nos lábios.

Minha vontade era única, levantar, abraçá-la e beijá-la. Tentar ao menos matar um pouco a saudade do tempo em que ficamos separadas. Entretanto, ainda não era o momento eu ainda teria que esperar um pouco mais. Mesmo aquilo sendo muito difícil.

Por mais que ela não tivesse suas memórias, eu sabia que seu coração estava muito feliz em nos ver naquele momento. Emma passou seus olhos por cada um presente ali... Snow que sorria do jeitinho de sempre, Sarah sentada entre eu e sua avó, Elise e Levi que estavam sentados ao chão próximo ao banco, Henry de pé a nossa frente e por fim seus olhos pararam em mim.

— Dia longo? – Henry perguntou ao perceber, assim como eu, seu semblante cansado.

— Muito. – Ela soltou o ar ao retirar as mãos do bolso e apoiá-las em sua cintura. – Ainda bem que acabou. – Sorriu pra Henry devolvendo suas mãos ao bolso as calça. Ela estava realmente muito nervosa.

— Você quer? – Sarah ofereceu sua pipoca a Emma.

— Quero... – Ela sorriu para a pequena princesa sentada ao meu lado, e pegou um pouco de pipoca. – Estou mesmo morrendo de fome. – Ela disse colocando tudo em sua boca de uma só vez, o que me fez sorrir e lembrar-me de algo em especial.

— Emma... – Chamei seu nome adorando a sensação familiar que aquilo me causava. – Ainda te devo um café, não e?! – Comentei, fazendo-a ficar nitidamente rígida. – O que acha de um bom lanche para matar essa sua fome? – Tentei ser tão simpática quando a florista, mas acho que nem com muito esforço eu conseguiria ser daquele jeito.

— Ótimo! – Henry disse animado, olhou rapidamente em minha direção para piscar, ele tinha um plano. – Mãe, enquanto você come com a Regina, eu vou ficar lá na pensão com a Mary Margaret e os filhos dela. Eu prometi que ia mostrar ao Levi como se passa a fase naquele meu novo jogo.

— Que jogo, Henry? – Emma perguntou desconfiada.

— Um que baixei no celular. – Ele estendeu a mão em minha direção para que eu devolvesse seu telefone. – Quer que eu te mostre? – Ele o pegou de minha mão.

— Não precisa. – Emma parecia confusa.

— Então, fechado? – Henry falava animado. – Eu vou com eles para a pensão, enquanto vocês vão comer... – Emma o analisava com cuidado.

Eu sabia como era estar naquela situação. Eu sabia que seu coração gritava para dizer um sim, mas sua cabeça, suas falsas memórias insistiam que aquilo não era certo. Por mais cética Emma fosse, eu acreditava que seus sentimentos iriam falar mais alto.

Ela pensou por longos segundos, chegou a negar com a cabeça como se tivesse um conflito interno. Respirou fundo e ao soltar o ar, olhou diretamente para mim.

— Onde? - Perguntou sem rodeios.

— Faço uma torta de maça maravilhosa. – Me contive em sorrir com os lábios, não queria mostrar minha euforia. – E dizem que meu café é muito bom. – Molhei meus lábios tentando manter a calma, meu coração estava acelerado.

— Então o nosso café seria em sua casa? – Perguntou com um sorriso torto como se eu tivesse fazendo uma proposta indecente.

— Algum problema com a minha casa, Xerife? – Sua cara de espanto com o meu tom foi nítido, tive que sorrir, o que a fez relaxar um pouco. – Relaxa, Swan, é só um café.

— Ok então. – Sorriu sem graça com sua respiração alterada.



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