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História Amor imenso-Hinny - Capítulo 21


Escrita por: LiviaWsleyy

Capítulo 21 - Vinte e um


Aquelas primeiras horas de espera em que Bea estava na unidade de terapia intensiva foram terríveis, as mais assustadoras da minha vida.

Ela estava ligada a tubos intravenosos e com a máscara de oxigênio. Os médicos fizeram vários exames procurando lesões internas e problemas neurológicos. Aparentemente, depois de uma parada respiratória, podia haver um dano cerebral tardio não perceptível de imediato. Ia demorar um pouco para todos os resultados saírem.

Sem prognóstico claro, minhas preces silenciosas eram ininterruptas. Pedi a Deus para poupar minha bebê de sequelas. Bea dormia muito, provavelmente exausta depois do trauma, então era difícil avaliar a evolução do quadro.

Mas ela abriu os olhos, e eu tinha que agradecer por isso,por ela estar viva e respirando. Graças a Deus eu havia acordado naquele momento. Se houvesse chegado ao quarto dela um minuto mais tarde, o desfecho poderia ter sido bem diferente. Eu não suportava nem pensar nisso.Definitivamente, alguém estava tomando conta da gente nesta noite. Até ter todas as respostas, precisava me concentrar no positivo, no fato de ela estar viva, e continuar rezando.

No meio da manhã, eu ainda não havia saído do lado de Bea. Tinha medo até de ir ao banheiro e perder a visita do médico, que poderia trazer mais informações. Uma enfermeira simpática finalmente me obrigou a beber alguma coisa e ir ao banheiro. Ela prometeu ficar de olho na Bea e garantiu que não ia acontecer nada enquanto eu estivesse ausente.

No banheiro ao lado da estação da enfermagem, as lágrimas começaram a transbordar dos meus olhos. Cheia de culpa, finalmente desabei. Não fosse aquele suéter idiota e meu descuido, nada disso teria acontecido. Não olhei o berço antes de colocá-la para dormir. Tentei me controlar, porque precisava parecer forte quando voltasse para perto da minha filha. Ela era intuitiva, e eu não podia deixar que ela sentisse meu medo.

O médico apareceu pouco depois de eu voltar para o lado dela. 

— Srta. Weasley...

Fiquei em pé e senti meu coração apavorado. 

— Sim? 

— Acabamos de receber o resultado dos exames. Não houve nenhuma lesão interna, só uma leve fratura nas costelas, a qual vai se resolver sozinha. O exame neurológico também não mostrou nada, mas quero observar ainda algumas coisas nas próximas vinte e quatro horas antes de a liberarmos. Ela não precisa mais ficar na unidade de terapia intensiva, então vai ser transferida para um quarto comum.

Um alívio enorme me invadiu. 

— Doutor, obrigada. Muito obrigada. Eu gostaria de te abraçar. Posso te abraçar? — Ele assentiu desconfortável, e eu o abracei. — Muito obrigada.

 — Poderia ter sido grave. Já vimos situações semelhantes terem um final diferente, e é comum. Bebês ou crianças pequenas engasgam com uvas, salsichas, brinquedos pequenos. Você teve muita sorte.

Assim que o médico saiu, mandei uma mensagem para Harry.

Graças a Deus! O médico disse que ela vai ficar bem. Querem observá-la por mais vinte e quatro horas. Estou muito feliz!

Nenhuma resposta.

Pouco depois, Bea foi transferida para um quarto no terceiro andar. Deitada na cama nova, ela estava de olhos abertos e parecia confusa com os painéis de luz fluorescente no teto. Estava alerta, mas não demonstrava sua alegria habitual. Provavelmente tentava entender o que estava fazendo ali.

Disseram que eu podia pegá-la no colo. Embora recebesse líquidos e vitaminas por sonda, sugeriram que eu a amamentasse. Ultimamente eu dava mais mamadeira que leite materno, mas decidi amamentá-la, porque sabia que isso a confortaria. Foi um alívio ver que Bea mamava sem problemas. A cada minuto que passava, eu tinha mais certeza de que ela ficaria bem.

Tinha que ficar.

Depois que devolvi Bea à cama, Shelly, uma das enfermeiras, apareceu para verificar seus sinais vitais. Atenta a tudo o que ela fazia, quase não o vi ali parado.

Harry estava na porta, com o peito arfante e os olhos fixos em Bea na cama de hospital. Ele disse que embarcaria no primeiro voo, mas não tive mais nenhuma notícia dele nas últimas horas nem sabia se ele conseguiria lugar em algum voo. Estava despenteado, com os olhos vermelhos. Apesar da aparência cansada, quase esgotada, ele ainda estava muito bonito.

Meu coração deu um pulo. 

— Harry.

Sem dizer nada e sem desviar os olhos de Bea, ele se aproximou da cama com passos lentos. Parecia chocado por vê-la ali deitada e tão fraca.

 — Ela está bem? 

— O médico disse que sim. Não recebeu minhas mensagens?

Ainda olhando para Bea, ele balançou a cabeça. 

— Não, não, eu estava no avião e meu telefone ficou sem bateria. Peguei o primeiro voo disponível em Los Angeles e vim direto para cá.

Shelly olhou para ele. 

— Você é o pai?

Harry estendeu o braço e tocou o rosto de Bea. 

— Sim. — Sua resposta foi um choque. Um arrepio percorreu meu corpo quando ele olhou para mim e repetiu: —Sim, eu sou o pai dela.

Quando olhou para Bea novamente, seus olhos vermelhos ficaram úmidos. Em todos os anos desde que o conheci, nunca vi Harry derramar uma única lágrima sequer. Ele se acomodou na cadeira do outro lado da cama.

Shelly percebeu que Harry estava chorando e disse: 

— Vou deixar vocês à vontade.

Quando ela saiu e fechou a porta, Harry se debruçou sobre a cama e beijou o rosto de Bea. Chocada e emocionada por ele ter se declarado pai da minha filha, esperei que Harry dissesse alguma coisa. Levou um tempo para as palavras saírem de sua boca. Ele ficou ali parado, olhando para Bea, enquanto admiração e alívio substituíam lentamente o choque. Eu sabia que ele havia percebido que ela não agia como de costume. Era difícil não notar. Bea já estaria sorrindo ou balbuciando para ele. Em vez disso, ela estava sonolenta e quieta. Eu esperava que fosse só porque ela não o via havia algum tempo, não um sinal de algo mais sério. 

— Amo você, Abelhão. Lamento ter demorado tanto para dizer isso. — Harry enxugou os olhos e se virou para mim. —Nunca fiquei tão apavorado na vida, Ginny. Tive medo de que acontecesse alguma coisa com ela antes de eu chegar aqui, de nunca mais vê-la sorrir, de não ter uma chance de lhe dizer quanto quero ser o pai dela. Vim rezando no avião, barganhei com Deus. Prometi que, se tudo acabasse bem, eu não deixaria passar nem mais um segundo sem dizer que a amo. O negócio é que, mesmo sem eu dizer, ela já pensa que sou o pai dela. Eu sei que não sou o pai biológico, mas ela não sabe disso. E sangue não faz ninguém ser pai. O que me faz ser pai dela é que ela me escolheu. Bea me ganhou no momento em que sorriu para mim pela primeira vez. E, se antes isso me enchia de medo, agora não imagino minha vida sem ela. 

— Pensei que não quisesse ter filhos. 

— Eu também. Talvez não quisesse filhos imaginados,genéricos. Mas eu quero a Bea. Eu quero — repetiu ele, sussurrando.

Agora eu também estava chorando. 

— Ela também ama você. Muito. 

— Eu sou o único pai que a Bea conheceu. E ela acha que eu parti sem dar explicação. Isso me mata todos os dias. 

— E a turnê?

 — Ah, não vai ter abertura nos shows em Los Angeles, Calvin entendeu a situação. Todo mundo sabe quanto a Bea é importante para mim. E me deixaram à vontade para não abrir os próximos shows depois de L.A., se for necessário. Não volto enquanto não tiver certeza de que ela está bem e em casa.

Nós dois olhamos para Bea quando ela começou a balbuciar Harry brincou:

 — Ei, tem alguma coisa para me dizer? — Ele sorriu para ela antes de olhar para mim. —Posso pegá-la ou é melhor não? 

— Sim, eles disseram que eu podia segurá-la. Só não a jogue para cima nem nada assim.

Harry a tirou da cama com cuidado e a acomodou em seus braços.

 — Quase me matou de susto, srta. Abelha. Tem certeza de que isso não foi um truque para me trazer de volta para o Natal? Se foi, bom trabalho.

Eu havia esquecido completamente que era véspera de Natal. Passaríamos o primeiro Natal de Bea no hospital. 

Inclinei a cabeça e admirei os dois juntos. Sempre senti a conexão entre eles, mas me preocupava pensar que Harry talvez nunca se entregasse de verdade. Estava muito feliz por Bea, por esse homem maravilhoso querer ser pai dela. Sabia que, o que quer que acontecesse entre mim e Harry, ele sempre estaria presente para ela.

Quando Bea dormiu em seus braços, eu contei tudo o que havia acontecido, com todos os detalhes que conseguia lembrar.

Bea ainda dormia quando ele a pôs na cama e perguntou: 

— Quando foi a última vez que comeu, Ginny? 

— Ontem. 

— Vou buscar comida e café enquanto ela dorme. 

— Ótimo.

Com Harry fora do quarto e Bea dormindo, minha mente acelerou. Estava escurecendo lá fora. Sozinha e com muita coisa em que pensar, alimentei a culpa por tudo o que acontecera. Eu tinha uma obrigação na vida: cuidar da minha filha e garantir sua segurança. E nem isso consegui fazer.

Quando voltou, Harry carregava uma sacola de papel e uma árvore de Natal bem pequena que devia ter comprado em uma farmácia.

Eu devia estar horrível, porque ele largou tudo e se aproximou de mim.

 — O que aconteceu?

 — A culpa é minha. Eu devia ter olhado dentro do berço antes de acomodá-la para dormir. 

— Foi um acidente. Aquela porcaria de lâmpada caiu do seu suéter. Você não viu. 

— Eu sei, mas se tivesse feito as coisas de outro jeito... 

— O que está falando? Você salvou a vida dela. 

— Sim, mas só porque tive a sorte de acordar quando acordei. Não consigo nem imaginar como seria o dia de hoje se não houvesse acordado.

 — Não pense nisso. Deus estava com ela. Bea está bem. E vai ficar bem. Não foi sua culpa. 

— Estou me sentindo uma mãe horrível. 

— Escuta. Lembra aquela noite que passamos acordados conversando no primeiro verão na casa de praia? Você disse que achava que não tinha nascido para ser professora, que sentia que devia haver outra coisa em que fosse melhor.

 — Sim. 

— Nunca vou esquecer o verão passado, quando cheguei à casa de praia e você estava lá com a Bea, naquele estado lamentável. Nunca vi ninguém se entregar tão completamente pelo bem de outro ser humano. Não tem um momento do dia em que não a coloque acima de tudo. Você não pensa em você, na sua saúde mental, em descansar. Às vezes te vejo amamentando e penso que queria ter tido uma mãe como você. Não para chupar seus peitos. — Ele piscou. — Mas por ser uma pessoa que se doa, que cuida. Quando éramos adolescentes, eu sempre achei você incrível, mas aquela admiração não chega nem perto de como vejo você agora. Então  nem se atreva. Não ouse dizer que é uma mãe horrível,Ginny Weasley . A coisa que você nasceu para fazer e não sabe o que é? Era ser mãe dessa garotinha. Essa é sua vocação. E você Está fazendo um ótimo trabalho.

Fechei os olhos e respirei fundo, grata pelas palavras que me tiraram da beirada de um precipício mental.

 — Obrigada.

Ele foi pegar as sacolas e me deu um café gelado do Dunkin’ Donuts e um burrito do Chipotle. 

— Agora coma... antes que ela acorde.

Quando acabamos de comer, Harry ligou a árvore em uma tomada no canto do quarto. Até que era uma boa véspera de Natal, considerando as circunstâncias.

Quando Bea finalmente acordou, recebemos nosso milagre de Natal. Harry olhava para ela quando ela sorriu pela primeira vez desde o acidente. Foi o melhor presente que poderíamos ter pedido.

 — Feliz Natal, Abelhão — disse Harry.

Dava para sentir o alívio no ar. Podia ser um sorriso de muitos, mas era um sorriso importante. Para nós, significava que ela ia ficar bem.

Harry abriu um aplicativo de músicas no celular e tocou canções natalinas até tarde da noite. O hospital providenciou duas camas, que colocamos uma de cada lado da cama de Bea.

Passava das onze da noite. Harry estava exausto da viagem e cochilou. Bea também dormia. Eu ainda não tinha conseguido relaxar o suficiente para fechar os olhos. Não ficaria feliz enquanto não voltássemos para casa.

Com os dois dormindo, peguei o celular e conferi as mensagens  para ver o que tinha escrito para Harry quando estava na ambulância. Estava tão estressada que não lembrava o que havia digitado naqueles momentos de pavor. Foi quando notei uma mensagem que tinha chegado naquela noite, uma mensagem que não vi em meio a tudo o que acontecera com Bea.

Não gosto de brigar com você. Caso ainda tenha alguma dúvida,eu te amo.

O horário da mensagem era pouco antes das quatro da manhã. Quase a mesma hora em que acordei e ouvi Bea sufocar. Pensei ter acordado do nada, mas deve ter sido o som da notificação de mensagem do celular que interrompeu meu sono.

Olhei para Harry dormindo tranquilamente e tive a impressão de que meu coração ia pular do peito. Não por ele ter finalmente dito aquelas palavras que eu tanto queria ouvir.Era outra coisa que eu percebia. Não fosse por aquela mensagem de texto, eu não teria acordado.Não fui eu quem salvou a vida da Bea.

Foi o Harry.



Notas Finais


Gente chorem comigo pois faltam dois capítulos e o epílogo pra acabar 😭😭😭😭


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