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História Amor marginal - Capítulo 4


Escrita por: 0Pantsu0

Capítulo 4 - Não é normal


 

xxx

“Sem fotos, por favor.”

 

Essa foi a frase que eu mais ouvi durante essa reunião completamente descabida e constrangedora. Parece que tiraram cinco personagens de diferentes gêneros, um de um filme de época, outra de um noir, um desses filmes horrorosos do Adam Sandler, mistura aqui, retalha ali, e voilá, temos essa mesa no Ginza. Eu já estava puta com o Hordak com aquele discurso, e também com Double Trouble por ter nos feito de gato e sapato. Para completar com chave de ouro só faltava a Adora. Eu não estava me divertindo, eu não estava trabalhando, eu não conseguia nem ao menos beber a taça de vinho ou apreciar a comida. E para piorar toda a situação, ao meu lado estava apenas a banda mais famosa do país junto com a modelo mais famosa do país também. O que significava…

 

“Posso ter um autógrafo? Pra minha filha.”

 

“Qual o nome dela? Sem fotos, por favor.” Era o que Adora respondia cordialmente.

 

Se nós, ou melhor, se eles conseguissem manter uma conversa por quinze minutos sem ninguém os interrompendo era muito. Tinha um sentimento misto: quando tentavam direcionar a conversa para meu lado aparecia alguém para atrapalhar e eles perdiam o foco. Mas ao mesmo tempo todas aquelas pessoas estavam me irritando. Tudo estava me irritando naquele momento.

 

“Então, Catra, desde quando você conhece a Adora? Ela nunca fala muito sobre você…” Madeline me perguntou, quando um silêncio maior se instaurou na mesa.

 

“Nós-”

 

“Seis anos. Desde os seis anos que a gente se conhece. A Catra era tipo, a menina briguenta da turma. Ela tinha essa atitude de bully, mas era só a marra mesmo.” Adora resolveu interceder e cada palavra dela eu tinha vontade de calar sua boca. “Eu lembro de você toda sem jeito quando eu ia falar contigo.”

 

“Então temos um cordeiro em pele de lobo aqui.” Madeline riu, assim como todos que estavam presentes.

 

“Parece com um certo alguém.” Bow olhou para Glimmer, que estava ao seu lado, terminando sua terceira taça.

 

Adora viu meu olhar indignado e baixou a cabeça. Podíamos estar a cinco anos separadas, mas eu ainda sabia ler alguns gestos delas, como a que ela fez, brincando com suas mãos. Isso quer dizer que ela estava arrumando coragem para falar ou fazer alguma coisa, ou, em uma descrição mais sucinta, prestes a fazer merda.

 

“Mas ela foi uma grande companheira durante a escola, tinha fins de semanas que a gente ficava até de madrugada assistindo série e falando mal do pessoal da nossa turma. Ninguém mexia comigo, com a gente. Ela…” Adora decidiu olhar para mim novamente e me senti pressionada a retribuir o olhar. Ela não olhava em meus olhos, mas sim para algum ponto aleatório do meu rosto. “Eu lembro que tinha dias que eu tava péssima e você aparecia do nada lá em casa com um Monstro lá do 1406.”

 

“Monstro?” Glimmer perguntou.

 

“Era um sanduíche que vendia numa lanchonete perto da escola, a 1406. Era enorme. Tipo, quatro pedaços de carne, bacon, queijo, um molho que a gente sabia que era dali pro banheiro, mas era muito bom. Eu nunca comi um daqueles inteiro. Alguns dias eu queria estar mal pois eu sabia que ela iria me trazer um desses.”

 

Porque ela estava querendo vender que tínhamos uma boa relação? Porque ela não conta do nosso namoro? Nem nessa época nós tínhamos uma boa relação. Vendo agora, eu era um capacho, uma cachorrinha que ela levava pela coleira e fazia tudo por ela. Desde daquela época a balança era desigual entre nós duas, mas esse sentimento estava disfarçado em forma de amizade. Talvez houvesse realmente alguma amizade, afinal, você não fofoca sobre metade da escola com estranhos, mas para Adora, eu era insubstituível, não porque eu era sua melhor amiga, mas sim porque eu era a única louca que tinha coragem de assumir esse papel. Eu era a única que conseguia aturar ela nos seus piores dias, e não incomodá-la nos seus melhores.

Bow começou a contar a história de como conheceu Glimmer e Mermista, ainda nos tempos de escola. Uma história que eu estava deveras interessada em saber. Eu não conseguia nem fingir o mínimo de interesse ou de animação e minha perna não parava de balançar, de raiva ou de ansiedade.

 

“E você Catra, não tem nenhuma história para nos contar sobre a Adora? Você tá meio quieta.” Madeline voltou a puxar conversa comigo. Agora eu estava exponencialmente irritada: com Adora, com ela, com Hordak, com a Catra do passado, até com a Catra que achou uma boa ideia vir jantar no Ginza.

 

“Eu tenho que ir ao banheiro.” Saí fumaçando, e creio que eles perceberam isso. Minha cara de poucos amigos não era o suficiente, talvez porque essa fosse minha expressão na maior parte do dia. Porra, eu já estava pedindo a sobremesa enquanto eles ainda estavam jantando. É claro que eles devem ter percebido.

 

Pretendia passar sonoros cinco minutos naquele banheiro, enquanto pensava na melhor forma de sair daquela situação. Eu estava ensaiando meu discurso no espelho. Mas a experiência recente com banheiros já devia me preparar pelo que estava por vim. Não, não era Adora. Era Madeline.

 

"Dia ruim?" Foi o que ela me perguntou, se aproximando das pias.

 

"Péssimo."

 

Ela riu, enquanto retocava a maquiagem. "Todos nós temos." Silêncio. "Você não parece muito feliz de rever a Adora e conhecer seus amigos." Ela repassava o batom, fazendo caras e bocas. O silêncio continuou e ela viu aquilo como uma oportunidade para continuar. "A Adora me contou da briga entre vocês na loja. Não foi difícil ver que tinha algo errado já que ela chegou chorando."

 

"Eu não gosto de pessoas que ficam rondando o assunto, então se você puder adiantar a conversa…"

 

"Qual era a sua relação com Adora? Melhor, qual é sua relação com ela?" Ela se virou para mim.

 

"Porque não me entra na cabeça ela querer alguma coisa com alguém que a fez chorar."

 

Eu sentia na voz dela as implicações daquelas perguntas. Eram mais do que elas queriam dizer. "Você não devia perguntar isso para ela? Afinal, ela é sua namorada."

 

Ela cerrou seus olhos, me encarando. "Eu vou falar isso só uma vez: é melhor você não ficar com gracinhas com a Adora. Você não me parece alguém confiável e não me parece alguém que fez bem pra ela. Eu não sei que tipo de sentimento a Adora nutre por você, mas ela ainda se agarra em algum tipo de apego ou amizade que tinha com você, mesmo que isso esteja fazendo mal a ela, mesmo ela sabendo que você não tá nem aí e que não presta."

 

O que essa doida pensa que eu vou fazer? Roubar a namorada dela? Eu quase cheguei a dizer isso em voz alta. O que eu mais queria era distância de Adora. Se ela quer fazer a linha possessiva, que ela faça com Adora, não comigo.

 

"O que você quer com todo esse discurso piegas de mulher maluca? Quer saber, vocês duas se merecem, as duas não batem bem da cabeça." Isso não pareceu suficiente. "Olha, eu não quero nada com a Adora, eu não tenho nenhum interesse nela nem na sua amizade, se é isso que você quer ouvir."

 

"Se aproxime da Adora e você vai ver o que é uma mulher maluca. Boa noite." Ela saiu do banheiro, com uma expressão determinada. Eu estava atônita.

 

Que mulher doida do caralho.

_____________________________

Quando voltei a mesa, Madeline estava despedindo.

 

"Você sabe como o Formetti é. Ele só trabalha na hora que ele quer. Pode ser dez da manhã de um sábado ou as nove da noite de uma quarta. E eu já adiei esse ensaio três vezes. Eu prometo que vou compensar amanhã."

 

Adora fez uma expressão meio compadecida, antes de lhe dar um beijo. Logo após a saída da modelo, metade da mesa era uma festa, metade era um enterro. Glimmer e Bow resolveram entrar no seu mundinho próprio de flertes, namoricos e piadas sem graças, enquanto eu estava contando os minutos para as dez, limite máximo que eu me deixando para aturar aquilo. Resolvi voltar a olhar para a lista de contatos e riscar nomes. Passar tempo com o Ethan estava me fazendo ter os mesmo tiques nervosos dele. Eu batia com os dedos na mesa, algumas vezes com mais força, outras com menos.

 

"Tem como parar de fazer isso? Me dá nervoso."

 

Adora se sentiu deslocada, com seu casalzinho agindo como se fossem adolescentes e eu pensando na hora de ir embora, completamente alheia. Ela olhava para os lados e para mim, querendo arrumar coragem para dizer algo, em vão. Eu sabia que ela estava furiosa comigo, mas eu pensei nisso como um karma por ter me metido nessa roubada.

 

"A gente tá pensando em ir na Memphis. Dizem que é a melhor balada daqui. Você confirma Catra?" A única que eu absorvi daquela pergunta do Bow era que marcava 21h44 e eu iria embora dezesseis minutos antes do previsto.

 

"Não, nunca fui. Mas deve ser boa. A conta, por favor." Chamei o garçom que prontamente nos atendeu. Glimmer insistiu em pagar e eu não fiz questão de discutir com alguém bêbado e que estava me oferecendo comida de graça.

 

"Porque não vamos nós quatro?" O rapaz insistiu. "É bom que você conhece também."

 

"Eu não posso, nem todo mundo é um rockstar que nem vocês." Me levantei, visto que minha presença ali já não era mais necessária. "Foi um prazer conhecer vocês, mas eu tenho que ir." Não esperei um tchau, nem um até mais.

 

Percebi que Adora queria ter falado alguma coisa, mas eu já estava saindo pela porta. Atravessei a rua iluminada e agitada, pois era conhecida por seus bares e restaurantes, e fui em direção ao meu carro. Recebi uma mensagem de Hordak, retirando que não era para eu pisar na empresa amanhã.

 

"Eu entendi na primeira vez que você me disse." Falei sozinha, enquanto girava a chave.

 

Olhei novamente para a porta do Ginza e vi Bow e Glimmer saindo abraçados, seguidos por Adora.

Eu não sei a razão, mas decidi esperar para ver o que acontecia. Imaginava que Adora iria junto com seus amigos de banda para a tal da Memphis. Eu já tinha ido na Memphis. Muito nome, pouca qualidade. Lugar para gente endinheirada se esbanjar e pagar três vezes mais numa cerveja. Ela até foi com eles em direção a um carro, um Mercedes de último tipo, mas não entrou. Conversou algo com Bow pela janela e viu os dois partirem, ficando sozinha. Estranho. Vão deixar sozinha, ela, a vocalista da She-Ra, numa rua movimentada de uma cidade que eles não conheciam? Esses dois são burros ou o quê? Álcool eu até acredito, mas eu não sabia que flertar causava demência.

Parti com o carro, devagar, olhando para ela pelo retrovisor. Ela estava no celular, provavelmente chamando um Uber. Era para eu seguir direto, meu apartamento era uma reta com relação ao Ginza. Tomar um banho, dormir a noite inteira, me programar para amanhã, me programar para tirar algo de Double Trouble. Eu tinha que fazer isso. Eu tinha um milhão de motivos para fazer isso, para abandonar Adora ali. Banais, verdadeiros, paranoicos, estúpidos. Tipo, abandonar? Não era como se eu fosse alguma coisa dela. Ademais, dentre esses um milhão de motivos estavam aquele me faziam pensar em odiá-la.

Mas eu arrisco a dizer que esses eram os mesmo motivos que tinha para eu pensar em amá-la.

Cinco anos se passaram e nada mudou. Só precisou de uma imagem pelo retrovisor. E o quê? Duas brigas? Parecia que nós duas estávamos presas nessa dinâmica horrível.

Antes que eu me perguntasse, eu virei a direita e dei a volta no quarteirão. Logo eu estava de volta ao Ginza, e parei o carro em frente dela. Buzinei. Eu vi sua expressão surpresa, olhando para o celular e para o veículo.

 

Resolvi abrir o vidro. Não olhei para ela. "Entra, antes que eu me arrependa."

 

Ela não questionou, ainda bem, apenas entrou no carro e sentou-se no banco da frente.

 

“Coloca o endereço no GPS. Seus amigos perderam o juízo? Ainda mais o Bow, o cara que disse que não ia beber porque era responsável.”

 

Ela digitava o endereço, sem olhar para mim. “Ele queria me deixar no apartamento. Eu insisti que não.”

 

Os carros atrás de mim começaram a buzinar, o que respondi com um belo dedo do meio para fora da janela. “Eu pensei que você fosse maluca, mas se superou. A vocalista da She-Ra no meio de uma rua movimentada, sem ninguém conhecido, pedindo um Uber. Porque você fez isso?”

 

Tudo que ela fez foi me olhar, com um sorriso sacana e um ar debochado. Não demorou muito para eu ligar as peças.

 

“Você é uma tremenda filha de uma puta sabia disso?” A loira apenas riu, totalmente faceira. Resolvi acelerar o carro. “Então você tá se contentando com algum resquício de pena ou de responsabilidade que eu tenho? Patético.”

 

“Eu tinha que descobrir se você ainda se importava comigo. Acho que já tenho minha resposta. Eu sabia que você não me deixaria sozinha.”

 

Sim, a resposta é que você precisa de uma terapia o mais rápido possível. Eu iria dizer isso, mas preferi o silêncio. Creio que Adora entendeu o recado, de que eu não estava nem um pouco contente com aquilo. Mendigando pena? Isso não era do feitio dela.

 

“Olha, me desculpe por hoje tá? Eu não contei pra eles que você não vinha, eu ia avisar quando eu chegasse, ia dizer que você teve um compromisso de última hora e não iria. Eu fui pega tão de surpresa quanto você.”

 

Ela continuou se desculpando e tentando se explicar e tudo que eu queria era um cigarro e chegar o mais rápido possível.

 

"Tem como você ao menos conversar comigo?"

 

Era um monólogo entre duas pessoas, onde uma falava e a outra tentava não escutar, e vice-versa. "Você quer conversar? Então vamos. Eu não entendo você mentindo sobre a gente. Eu não entendo porque você está insistindo nessa idiotice. O que você vai ganhar com isso?"

 

"Eu não estava mentindo, nada do que eu falei era mentira. Você era minha melhor-"

 

“Eu era seu capacho, Adora. Eu só percebi isso tarde demais. É claro que pra você as coisas estavam bem, você era o lado mais beneficiado, é lógico que você vai achar que tivemos mais momentos bons que ruins. Eu não entendo é como você pode ser tão cega e surda. Faz uma semana desde aquele jantar e tudo que a gente fez foi brigar. Igual a antes.”

 

“Eu não quero brigar, mas você não deixa muita opção. Olha, mil perdões por antigamente, mas era difícil eu saber o que você estava passando se você não falava nada!”

 

“Talvez você devesse presumir alguma coisa já que você era apenas a porra da minha melhor amiga e minha namorada. Que tal?” Eu vi que ela iria retrucar e logo a interrompi. “Você estava mal e eu lhe trazia um sanduíche da 1406 e ouvia suas mazelas enquanto você reclamava da nossa turma. Eu estava mal e… Você ia me contar sobre alguma garota que estava afim."

 

O resto da curta viagem foi em silêncio. Eu ouvi um me desculpa fraco sair de sua boca e só.

 

Tínhamos chegado ao prédio onde ela estava ficando nesse período de férias. Parei em frente a portaria. “O que preciso fazer pra você parar com isso?” Perguntei.

 

“Nada. Você não pode fazer nada.“

 

O alarme do meu celular soou. Eram dez e ponto. Sinal de que meu tempo com Adora também havia acabado. Destranquei as portas, num nítido sinal para ela sair.

 

Ela respirou fundo, entendendo o recado. “Domingo, a Netossa me convidou e convidou o pessoal da banda para discutir as músicas que vão tocar na festa. É só uma desculpa pra gente passar a noite tocando e conversando. Eu queria que você aparecesse. Vai ser às oito.”

 

“Ela não me convidou.”

 

“Você sabe que é bem vinda no apartamento delas.”

 

“Eu tenho uma reunião nesse horário.”

 

“Você pode aparecer uma da manhã que ainda vamos estar lá e você continua sendo bem vinda.”

 

Eu acendi a luz interna do carro e olhei para seus olhos. Por um segundo eu fui transportada para o ensino médio, onde acreditava que ter aqueles olhos em mim eram o suficiente. Mas eu não tinha mais 16, nem mesmo Adora.

 

"Você não respondeu o que você vai ganhar com tudo isso."

 

“Você ainda se importa comigo. Você tá sendo mal porque você quer. Eu não vou desistir tão fácil. Eu não virei um rockstar desistindo fácil.” Ela desviou minha questão. “Você pode falar o que quiser, mas seus olhos te entregam. Eles te entregam agora. Sempre entregaram.”

 

Uma parte de mim gritava prepotência para aquelas palavras. “Então antigamente porque você não viu em meus olhos que eu não estava bem?”

 

Ela olhou diretamente para mim, seus olhos passearam por todo o meu rosto, eu senti um arrepio percorrer minha espinha, incapaz de saber o que ela falaria. “Eu vi. Eu sorria pra você toda vez que via. Eu só fingi que não sabia.” Adora esperou alguma resposta, mas eu não sabia o que dizer. “Eu quero tentar me redimir de tudo isso.” Disse baixinho. Ela virou-se para frente, suas mãos ansiosas, mudando de assunto. "Eu vou ficar muito chateada se você não for amanhã."

 

“Se eu não aparecer amanhã você vai dá essa história por encerrado?”

 

Adora não me respondeu, apenas sorriu meio indignada. “Apareça domingo, por favor.” Ela abriu a porta do carro e fechou com força.

 

Nunca confie no sorriso de uma garota.

_____________________________

“Então eu lembro de achar o look dela horroroso, quem vai de branco em um casamento, essa mulher não tem noção…”

 

Mil sóis surgiram e caíram no horizonte, noites e noites em claro de estudo, mais algumas incontáveis doses de café e alimentação baseada em enlatados e comidas de microondas, contatos e cursos de oratória e persuasão… tudo isso, todo esse tempo, não serviu de nada.

O dia de domingo havia chegado, e estávamos eu e Hordak na sala de reuniões, sentados na ampla mesa, junto com Double Trouble. Hordak sentava em uma ponta, Double Trouble ao seu lado, e eu estava na outra ponta. Em teoria, era para estarmos discutindo e obtendo informações preciosíssimas sobre o que acontecia nos cultos do senador Prime, já que, aparentemente, Double Trouble era um frequentador assíduo deles. Mas aquela sala de reuniões mais parecia a do TMZ do que a da LQNH.

 

“Eu já contei que ela vomitou na festa? Foi horrível, e o quanto que tiveram de molhar a mão dos fotógrafos para eles não vazarem… por isso que até os noivos lá não tem crédito.”

 

“Sim, você nos contou essa história anteontem. Pode nos falar sobre o Prime?“ Eu respondi irritada, olhando para o relógio.

 

“Tudo ao seu tempo, amor. Continuando...”

 

Esse fofoqueiro estava fazendo a gente perder nosso tempo com suas histórias do mundo podre das celebridades. Histórias essas que não queria saber, e que não me fariam diferença alguma.

Meu celular vibrou na mesa. Netossa. Olhei para o horário. Nove e doze. Automaticamente lembrei da conversa com a Adora que tive no carro. Deslizei o dedo, rejeitando a chamada. Eu tinha que dar um ultimato para esse projeto de gente, que ou nos dizia o que sabia sobre Prime, ou que poderia pegar o primeiro avião de volta para o fim do mundo de onde veio.

Netossa me ligou uma segunda vez. Dessa vez chamou a atenção tanto de Hordak tanto de DT.

 

“Você não vai atender? A minha política é: se ligou duas vezes pra mim tem que ser muito importante.” Elu disse, esquecendo totalmente do assunto e desviando o foco para mim.

 

“Caso não saiba, estamos no meio de uma reunião importante, que pode mudar a política do país.” Disse aumentando o tom de voz e batendo a caneta com força na mesa.

 

“Atenda querida, eu não tenho pressa em mudar a política do país.” Falou sorridente.

 

Olhei para Hordak, que assim como eu, estava se sentindo cansado com aquela enrolação. Fez um gesto para que eu atendesse fora da sala. Haviam apenas algumas pessoas ainda trabalhando a essa hora.

 

“Você vem ou não?”

 

“Netossa, eu estou no meio de uma reunião, eu não posso-”

 

“Eu tô perguntando se você vem, não onde você está.”

 

Suspirei. Sem papas nas língua. “Não. Não vou.”

 

“É por que a Adora está aqui? Ela está te esperando.”

 

“Não-”

 

“Fale a verdade, Catra.”

 

Eu já estava irritada. “Olha, Netossa. Eu não quero me envolver com ela mais do que o necessário. Eu estou tentando tolerar por causa do seu casamento. Eu prefiro… eu prefiro não ficar próximo dela se assim eu puder.”

 

“Então você não vem porque ela está aqui. OK.”

 

“Netossa, não é-” A linha ficou muda. Ela havia desligado."

 

Retornei a sala, ainda absorvendo a conversa ao telefone. e Double Trouble continuou a tagarelar sobre os homens maravilhosos que encontrou em Orlando na última viagem.

 

"E pensar que um lugar lindo daqueles foi frequentado por desgraçados como Ray Cohn. Ele era advogado que nem vocês."

 

Chegou um ponto que simplesmente passei a ignorar o que o famoso falava, parte por que não era muito difícil, parte minha cabeça não estava focada ali. Esses últimos dias um furacão chamado Adora resolveu tomar de assalto minha rotina.

Adora. Adora. Adora.

A conversa com Netossa foi rápida, brusca, sucinta. Era só a cereja do bolo. Eu passei o dia de ontem inteiro pensando na vocalista, ou melhor, Adora atrapalhou meu dia inteiro, mesmo não presente. Era difícil não pensar quando ela marcava ponto nos últimos dias, ou quando alguém que você considerava enterrado, morto, reapareceu.

“Eu quero tentar me redimir de tudo isso.” Isso foi o que ela disse no carro, quando perguntei sua insistência. Era tão mais fácil para nós duas esquecermos uma da outra. Mas Adora nunca aceitou o caminho mais fácil. Diferente de mim. Essa frase era a que mais me incomodava.

Eu não gostava disso. Era por isso que não gostava de pensar na Adora. Adora me fazia pensar em coisas desnecessárias, em momentos inapropriados. E eu detestava como apenas alguns encontros com ela já eram o suficiente para bagunçar completamente tudo que eu já tinha dado por encerrado. Me fazia sentir como se eu não tivesse aprendido nada com o que aconteceu. Eu pensei que se, por algum acaso do destino, minha vida se chocasse com a de Adora novamente, eu estaria pronta. Eu a trataria como uma estranha.

Tentei fugir desses pensamentos. Olhei para o lado, a sala tinha um vidro escurecido, mas que dava para ver o que estava ocorrendo do outro lado. E estava acontecendo alguma coisa, já que quatro pessoas desceram a escada em polvorosa. Pelo menos alguém estava conseguindo ser produtivo hoje.

Haviam coisas maravilhosas, que você buscava e encontrava por preços moderadamente baratos. Em primeiro lugar nessa lista estava uma garrafa de Erdinger. Do lado oposto, haviam coisas horríveis, que simplesmente apareciam na sua frente e que saiam de graça. Nesse caso, em primeiro lugar se encontrava Adora.

O que mais me assustava nisso era que ambos me davam a mesma sensação.

 

"Catra?" A voz de Hordak interrompeu meus pensamentos que estavam indo para um buraco de coelho.

 

“Desculpe, o que foi?”

 

“O rapaz-”

 

“Por favor, eu já lhe disse para me chamar por ela.” Double Trouble chamou sua atenção.

 

“Eu lhe chamei de rapaz na quarta feira e você não reclamou.” Quando Hordak começava a retrucas as pessoas era porque ele estava visivelmente irritado.

 

“Na quarta eu estava me sentindo como rapaz. Hoje eu quero ser tratada como uma moça. Me chame por ela.”

 

Mais uma suspiro. Faltava pouco para Hordak explodir. "Ela quer saber se terça feira é um bom horário para continuarmos isso.”

 

“Acabou?”

 

Hordak lançou um olhar indignado. Estávamos perdendo tempo como um fofoqueiro de famosos que não se mostrava nem um pouco disposto a nos ajudar. Se ela tinha informações sobre Prime, não iria abrir a boca tão fácil. Não como pensávamos. Acenei com a cabeça, confirmando a data.

 

“Certo, nessa terça no mesmo-”

 

A porta da sala de reuniões abriu repentinamente. Era Clarisse, outra estagiária contratada recentemente. Diferente de Ethan, a moça conseguiu se adaptar mais rapidamente a nossa rotina, afinal já era possível ver suas olheiras e como ela tentava disfarçar com a maquiagem. Eu desisti de tentar fazer isso na segunda semana.

 

"Me desculpe senhor Hordak. Senhorita Catra, eu acho que é necessária sua presença na recepção."

 

Eu não tive nenhuma reação a não ser de surpresa. Mas não tive tempo de perguntar o que havia de tão importante na recepção que precisasse atrapalhar uma reunião teoricamente importante e que necessitasse de minha presença. Alguém já deu a resposta pela estagiária.

 

"Adora Lovejoy tá aqui! A vocalista do She-Ra!" Um rapaz da minha idade, de nariz arrebitado e óculos fundo de garrafa, gritou bem alto, nem fazendo questão de sair do elevador. Em poucos segundos, um amontoado de cabeças partiam pela escada, abandonando seus postos. Esse era o efeito She-Ra.

 

Eu não acredito. Eu não acredito que essa loira prepotente veio até aqui, até o meu trabalho, para arrumar confusão. Meu cérebro estava processando isso ainda.

 

"Senhorita Catra, essa Adora Lovejoy. Ela… foi muito incisiva em querer falar com você. "

 

"Finalmente algo interessante!" Escutei Double Trouble bater palmas. "Anda, vamos!" Ela partiu em disparada, sem se importar com meus protestos ou de Hordak, que estava sem reação. Ele pegou seu celular na mesa e guardou no bolso, andando para a fora da sala.

 

"Vamos vê o que essa garota quer. E o que ela quer com você."

 

Eu sei o que a Adora quer.

Problema


Notas Finais


milagres aconteceram e de uma hora para outra minha semana apertada ficou um pouco mais tranquila para postar o cap hoje. e vcs perceberam que coincidentemente toda vida que a catra tá discutindo no banheiro ninguem mais aparece? hmkk.

a musica do titulo é não é normal - nx zero (todos tiveram uma fase emo)

eu tô tentando usar linguagem neutra ao se tratar do personagem do Double Trouble.

curta. comente. subscreva.

~spacibo.


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