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História Amor não tão à primeira vista - Capítulo 70


Escrita por:


Notas do Autor


oiii, depois de muito tempo
Tenho que tomar vergonha na cara
Ai gnt, to uma decepção de enrolação, eu sei, to péssima
Mas como eu já disse antes, jamais vou abandonar essa história

Capítulo 70 - Meu sexto sentido - Capítulo 20


Fanfic / Fanfiction Amor não tão à primeira vista - Capítulo 70 - Meu sexto sentido - Capítulo 20

Narrado por Sofia

Era quinta feira de noite, fazia quase 2 semanas que estava na faculdade e tinha uma pilha pra estudar. Minha vida social foi pro ralo. Dei adeus às minhas tardes de pipoca e videogames na casa de Thomáz e as visitinhas frequentes pra ver minha afilhada. Fiquei muito tempo “de férias” que nem lembrava como era ficar o dia todo grudada com a cara no livro. Minha coluna já estava doendo, eu desisti de tentar entender e fechei o livro pesado de anatomia. Deitei na minha cama me espreguiçando ao máximo e fui responder as mensagens. Não sei como, nem quando, mas eu dormi que nem senti. Acordei 7:30 da manhã com meu pai batendo na minha porta:

-Bora filha, já estou saindo, te espero no carro.

Eu levantei no pulo, e gritei:

-To indooooo

Pego o celular para olhar o horário e penso: “ótimo, descarregado”. Enfio o carregador na bolsa, corro pra lavar o rosto e usar o banheiro. Abro o guarda-roupa e visto uma calça qualquer e uma camiseta antiga. Peguei um chinelo slide, porque estava sem tempo para procurar meias, agarrei a bolsa e sai correndo. Quando pisei no último degrau lembrei que não tinha escovado os dentes. Escuto a buzina do meu pai. “Não vai dar tempo” – penso. Resolvo pegar uma maçã e ir comendo no carro, assim não precisaria escovar os dentes. Entro no carro fingindo estar despreocupada, coloco o cinto e meu pai dá a partida no carro.

-Parece que nem penteou o cabelo – meu pai comenta rindo.

“Meu Deus! Eu não penteei mesmo não” – Penso. Eu rio como se tivesse tudo bem e abaixo o espelho do carro. Eu tentei de tudo pra abaixar um pouco o volume penteando com os dedos, mas ele estava muito bagunçado. Irritada, amarrei um coque alto e deixei uns fios pendendo.

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-Um de cada vez! Bora bora! – Uma veterana gritava tentando colocar a gente em fila.

Era o dia do trote. Quando acordei de manhã nunca achei que iria agradecer por não ter tomado banho hoje. Fiquei sabendo só através de colegas que iria ter o trote hoje, porque estava com o celular descarregado. Pelo que parece os veteranos tinha avisado 6 horas da manhã para pegar a gente de surpresa. Muitos tinham trocado de roupa e, pela segunda vez, agradeci meu atraso por ter vestido qualquer uma. No final da aula nos encurralaram e começaram a passar tinta nos nossos rostos. Foi engraçado passear pela faculdade pingando tinta e carregando plaquinhas. Parecia que era um evento esperado por todos os alunos de todos os cursos. Muita gente parava pra assistir e rir.

Eles estavam levando a gente para fora da faculdade pra jogar ovo e outras espécies líquidos e pastas estranhas. No caminho, entre os demais que riam e gravavam a cena, encontrei Thomáz carregando minhas coisas. Pelo visto, antes de nos sujar, quando falaram que iam guardar nossos pertences, entregaram a minha bolsa pra ele. Não fazia ideia que as pessoas sabiam que eu e Thomáz éramos amigos. Nem o mesmo curso nós fazíamos. Estranhei, mas fiquei feliz dele estar lá pra gravar tudo, afinal, meu celular aquele dia estava morto.

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-Não to acreditando que você sujou meu banco – Thomáz resmungava.

-Até parece que você não sabia que iria dar carona à uma pessoa suja. – Respondi rindo.

-Mas eu botei a lona justamente pra isso, e tu inventou de colocar essa mãozinha imunda no banco LOGO onde não tem lona.

-Mas eu já disse que foi sem querer... e é couro, sai rapidinho – Falei me apressando pra justificar.

Ele me olha cerrando os olhos e balançando a cabeça.

-Se continuar me ameaçando com esse olhar eu vou te dar um abraço. – Falo brincando.

-Você não ousaria – Ele fala dando um sorriso no canto de boca ainda vidrado na avenida.

“Você não me testa”. Eu rio com o meu pensamento e fico observando a sujeira do meu corpo, com certeza meu cabelo estava um ninho. O cheiro era péssimo, não sei se era o óleo ou o café, mas tinha algo que estava me enjoando. Minha cabeça também estava um pouco dolorida, porque eles não tiveram pena nenhuma na hora de quebrar o ovo. Comecei a pensar no momento em que chegasse em casa. Minha mãe provavelmente iria fazer um book e espalhar minhas fotos por todo grupo da família no whatsapp. Depois de revirar os olhos para esse pensamento, me lembro da festa que teria essa noite de recepção dos calouros.

-Será que vai dar tempo de me arrumar? – Pergunto pra Thomáz.

-Rapaz, você vai ter que tomar pelo menos uns três banhos. Se eu fosse você, ficaria de molho. Nem assim vai sair, o café vai ficar cheirando por uns 3 dias ainda – Completa dando língua.

-Aff, nem acredito que na primeira festa de faculdade vou estar fedendo – Reclamo.

-Fica tranquila, já é teu cheiro natural – Ele me pirraça.

Com esse comentário eu dou um tapinha em seu braço e rio. Ele faz uma cara de indignação, porque acabei passando farinha nele e isso me fez rir mais ainda.

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Eu estava na vigésima tentativa frustrada de fazer cachos no cabelo com a chapinha, já que eu não tinha um babyliss. Desisti e resolvi que ele ia ficar o ondulado natural mesmo. Me olhei no espelho e pensei que um batom mais escuro ficaria melhor, destacaria mais com o vestidinho branco de ombros caídos que eu estava usando. Tinha passado o shampoo pelo menos umas cinco vezes, mas Thomáz estava certo, todos os cheiros saíram, menos o café. Tentei disfarçar o cheiro colocando mais perfume, mas sabia que não ia sair tão fácil. Calcei a minha velha sandália de couro, mesmo sabendo que meus colegas estariam todos muito arrumados. Só que fazia muito meu estilo, e não queria deixar de ser eu mesma usando saltos. Contente com o visual que criei pra mim, percebi que faltava uma única coisa e sai para procurar pela casa onde tinha largado a bolsa que combinava, que no fim, acabei achando no meu próprio quarto.

Como ainda não estava no horário, mas sabia que iria me esquecer, troquei meus óculos velhos pelas lentes de contato. Fui me deitar na cama e devanear no celular. Estava só sentindo a brisa da janela quando outra cena me chamou atenção. Fazia tempo que eu não observava aquele quarto. Me levantei sentando no batente da janela e olhei para Miguel que estava dormindo apenas de calça de moletom, abraçado ao travesseiro. Estava de barriga pra baixo e suas costas ficaram à mostra, iluminada apenas pela luz externa. Dava pra ver sua cicatriz no alto, uma das que ele tinha causadas pelo bêbado do pai de Malu (PS/AA: Aiai, só quem viveu sabe). Aquela imagem me fez relembrar momentos do nosso passado, nossos momentos juntos e separados. Senti meu rosto se enrugar ao pensar quantas vezes chorei por ele, de raiva e de amor.

Não estava conseguindo processar o sentimento que eu sentia. Tudo nele me atraia, aquelas costas, o jeito afoito de conversar, a forma como seus olhos cravavam em mim, como se visse minha alma através da orbita. Lembrei da primeira vez que o vi, da primeira vez que caminhei nas nuvens, que senti borboletas corroerem meu estômago no mesmo compasso das batidas do meu coração. Da nossa primeira conversa, que ele ficou tão calado que nem parecia o mesmo. Do nosso primeiro beijo, na piscina. E do último. Nós dois tínhamos sentido algo especial, nós dois sabíamos desse sentimento desde o primeiro dia que trocamos olhares na porta da minha casa. É impossível esquecer quantas e quantas vezes eu o desejei por perto quando não puder ter. Só não lembrava se alguma vez eu tinha agradecido por tê-lo, por me sentir completa junto a ele. Esse pensamento me fez questionar se tudo que vivemos se tornou apenas uma lembrança boa, ou se algo mais nos esperava.

Como eu disse, tudo nele me atraia. Sua beleza inexplicável, aqueles olhos azuis; aquele sorriso perfeitamente alinhado; aquele rosto quadrado, que inúmeras vezes dancei beijos por ele; aquele tanquinho que, minha nossa senhora, me segure; aquele jeito tosco de conversa mole que faz qualquer uma se derreter; aquele romance colegial bem filme americano que vivemos. O fato de sempre parecer propício a ficarmos juntos me incomodava muito, porque apesar de tudo ser perfeito, tinha um sexto sentido me avisando no fundo que faltava alguma coisa.

Todos esses anos eu tinha sentido isso, mesmo que as vezes aparecia como uma pontada bem leve, traçada com muita cautela. Eu tentava convencer a mim mesma que era só uma paranoia da minha cabeça. Até mesmo porque a paixão ardente, aquele fogo do início, mascarava essa sensação.

Tudo começou numa atração física, sem dúvidas física, como começa muito dos relacionamentos. A diferença é que era tudo muito cômodo. Era bom ser a popular da escola, era bom chamar atenção com o namorado gato e disputado ao meu lado, afinal, eu não tinha prejuízo algum com isso. Parecia que eu estava todos esses anos alimentando meu ego e vivendo em um conto de fadas. Era óbvio que é fácil gostar dele, ele é do tipo que rouba nosso coração com uma cantada velha. Era fácil amá-lo. Foi mais fácil ainda depois de dividir momentos incríveis de nossas vidas juntos. Crescer juntos, formar nosso próprio grupo de amigos inseparáveis, nos divertir, compartilhar simples situações, como a vez que inventamos de fazer um bolo e fomos capazes de quase incendiar a cozinha de seu Jorge – ri sozinha com meu pensamento enquanto ainda observava o sono pesado que ele estava tendo em plena 7 da noite.

Aquela noite eu pensei no amor e tirei a conclusão foi que eu o amava verdadeiramente. O amava por ter sido meu amigo, um dos mais próximos, por ter sido paciente, por ter sido presente, ter demonstrado seu amor por mim de muitas maneiras, ter me amado de volta, e até mesmo por ter quebrado meu coração diversas vezes. Eu precisei muito viver isso, e hoje eu não faria nada diferente. Eu o amava muito, não platonicamente, não apaixonadamente, não como se minha vida dependesse dele, mas carregava o carinho que ele tinha por mim e que eu criei por ele.

Eu não sabia o que vinha pela frente, não fazia ideia se meu coração estava decidido, ou caso estivesse, se ele iria se apaixonar por ele ou por outro, mas o importante é que demorei bastante pra entender que eu tenho muita coisa pra viver ainda.

Precisei amadurecer para aceitar esse sentimento que meu sexto sentido sempre me alertava. Tenho plena certeza de que muitas garotas gostariam de ter Miguel aos seus pés, e eu me condenava por esse sentimento que me incomodava existir, por não conseguir aceitar o príncipe que eu tinha nas mãos, ou melhor, o bobo da corte.


Notas Finais


Quero nem dizer mais nada, só imploro para não me matarem depois dessa kkkkkkkk
XOXO :3


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