1. Spirit Fanfics >
  2. Amor Perigoso >
  3. Capítulo Único

História Amor Perigoso - Capítulo 1


Escrita por: e wtfyeol_


Notas do Autor


oioi gente, essa é a minha primeira estoria no neoficzens e eu não poderia estar mais feliz. jaeyong+mafia: tudo pra mim.
dei meu melhor na fanfic e espero que vocês gostem muito, boa leitura!

Capítulo 1 - Capítulo Único


As mãozinhas se esfregaram uma na outra, era mesmo um dia friorento. O pequeno garotinho estava todo coberto com casacos, uma toquinha adoravelmente fofa; a única coisa que não tinha era luvinhas – o salário pequeno de seu pai não tinha dado para que pudesse comprar –, mas Jaehyun realmente não se importava. Tinha ficado mega feliz recebendo aqueles presentes de natal, nunca reclamaria afinal.

Já estava a um bom tempo do lado de fora daquele galpão, a neve continuava a cair, as mãozinhas estavam dentro do bolso do casaco pesado, e nada do seu pai aparecer. Aquele lugar era estranho, não era muito longe de sua casa, mas seu pai sempre dizia que não poderia nunca ir ali, então porque estavam ali?

O pequeno Jaehyun ouviu uns barulhos estranhos dentro do galpão. Parecia algo caindo, então vieram os gritos raivosos e logo a porta barulhenta se abria com seu pai sendo enxotado para fora. Jaehyun se assustou, dando alguns passinhos para trás, enquanto o homem mais velho estava caído no chão, o rosto ensanguentado, enquanto ele segurava o nariz.

Os olhos de Jaehyun marejaram.

– Papai? – ele perguntou choroso.

O homem não o respondeu, na verdade, quem abriu a boca foi o homem todo vestido de preto que tinha o enxotado de lá.

– E não volte enquanto não tiver a porcaria do dinheiro. Se não você já sabe...

O pai de Jaehyun apenas se levantou do chão, pegando a mão do filho, que estava extremamente assustado, saindo o mais rápido que pôde daquele lugar.

 

– Por que o deixou ir embora? – o homem robusto perguntou. Estava indignado, mas não deixava seu posto elegante. O terno bem passado, de alguma marca famosa, o relógio rolex no pulso, os olhos de marca, os anéis de ouro, assim como as correntes. – Já fui piedoso demais com esse homem. Ele mal tem onde cair morto, acha mesmo que ele vai pagar o que deve?

– Achei que...

– Você não achou nada. Eu mando aqui. – ele falou.

– Sim, senhor Lee.

– Que lição estarei ensinando ao meu filho desse jeito? – falou consigo mesmo. – Ele irá assumir tudo isso futuramente, não pode fraquejar sendo piedoso com aqueles que não merecem. Vá atrás do Jung, você sabe o que fazer.

– Ele tem um filho, o senhor não acha que...

Apenas o olhar mortal do Lee foi o suficiente para que o homem calasse a boca.

– Faça o que eu mando, sem questionamentos. Se puder se livrar da criança também, seria maravilhoso.

O capanga engoliu em seco.

Às vezes o senhor Lee lhe dava calafrios.

 

Seu pai dormia no andar de cima, enquanto Jaehyun assistia seus desenhos. Os olhinhos claros estavam grudados na televisão, de vez em quando os risinhos graciosos saindo altos demais, o que obrigava Jaehyun a tapar a boca, já que não podia acordar o seu pai.

O garotinho bufou frustrado assim que ouviu a campainha soar. Desceu do sofá, correndo até a porta. Procurou pelo banquinho que sempre estava ao lado da porta para que ele subisse e visse pelo olho mágico, mas o banquinho não estava ali. Pensou em procurá-lo, mas a campainha soou novamente.

Bufou, abrindo a porta e se arrependendo no mesmo instante.

Homens altos demais o empurraram, entrando sem permissão na casa.

– Quem são vocês? – perguntou estridente. – Saiam.

– Levem o garoto pra cozinha, o pai deve estar no andar de cima. – um dos caras falou, subindo as escadas.

– Não, não. – Jaehyun gritou. Esperneou com toda a força que tinha, escapando das mãos do homem que o segurava. Correu atrás do outro, encontrando seu pai já de pé, contra a parede, enquanto o cara apontava uma arma para ele. Antes que pudesse falar alguma coisa, ouviu o barulho estrondoso do tiro, enquanto o vermelho coloria dramaticamente a parede do quarto.

Jaehyun gritou, tapando os ouvidos.

Ficou nessa posição, sentindo não muito depois, dedos em seu cabelo.

– Sinto muito garotinho, mas vou ser caridoso com você. Fuja, corra para longe, e nunca mais volte, faça isso antes que o senhor Lee o pegue também.

E Jaehyun correu, fugindo dali com medo pela própria vida.

Senhor Lee. Quem era senhor Lee?

Jaehyun acordou assustado, extremamente ofegante, enquanto o bolo em sua garganta parecia o sufocar. Sentou na cama enquanto tentava conseguir ar, ficou assim por alguns segundos até sua respiração voltar ao normal e seu coração parar de bater tão forte no peito.

O garoto olhou para os lados, o rosto amassado, o cabelo apontando para todos os lados, o torso nu e forte exposto. Seus olhos inchados seguiram até o relógio na estante vendo que ainda era cinco e meia da madrugada. Meia hora para que se arrumasse e fosse para a escola; seu primeiro dia no último ano do ensino médio.

Jaehyun estava de certa forma feliz.

Levantou-se da cama lentamente, sentindo sua cabeça rodar, fazendo com que o adolescente se apoiasse na parede. Aos poucos sua visão foi voltando e o Jung seguiu até o banheiro. Apoiou-se na pia, olhando o reflexo no espelho acabando por notar que parecia mais acabado do que nunca, mas já estava acostumado.

Os pesadelos eram constantes, fazendo com que ele acordasse toda madrugada com o coração batendo forte, logo não conseguindo mais pegar no sono.

Estava cansado.

Era tudo tão desgastante. Desde criança, desde que presenciara aquela cena de filme de horror, Jung Jaehyun não conseguia mais levar uma vida tranquila. Ele lembrava dos gritos, dos rostos, do barulho dos tiros. Tudo estava ali o atormentando constantemente, mas nada era tão perturbador quanto aquele nome.

Lee.

Jaehyun sabia quem era aquele homem.

A medida que ia crescendo, depois de conseguir abrigo na casa dos tios – muito horrorizados ao ver a pequena criança aos prantos e desesperada em sua porta, contando que seu pai havia sido morto por homens estranhos – Jaehyun foi se enfiando de cabeça em conseguir tudo o que podia sobre as pessoas que mataram seu pai. Pesquisou, pesquisou e pesquisou, até finalmente encontrar um nome; Lee Taeyang.

Lee Taeyang era um cara extremamente poderoso. Mesmo sendo um empresário de renome, muitos boatos rondavam o Lee, dentre eles o mais forte era que Lee Taeyang seria chefe da máfia da parte mais rica de Seul, Gangnam. Mesmo com os boatos fortíssimos, Lee Taeyang era intocável, sendo temido o suficiente para que ninguém ousasse desafiá-lo. Ou seja, Jaehyun estava ferrado, logo ele, um mero adolescente de bairro humilde nunca poderia fazer nada contra Taeyang.

Jaehyun tomou um banho demorado, deixando não só o sono sair de seu corpo, mas tentando fazer aquele peso em seus ombros desaparecer de vez. Escovou os dentes, botou o uniforme da escola, arrumando o cabelo castanho em um topete, pegando suas coisas e descendo para o andar debaixo. Já era quase seis e meia, sua tia já estava acordada e tomava café da manhã.

– Olá querido, dormiu bem? – a mulher perguntou, dando uma olhada no sobrinho.

– Na medida do possível.

A mulher suspirou.

– Eu já disse que tem pílulas na gaveta.

– Eu já disse que não quero depender dessas pílulas, tia. Estou bem, não se preocupe.

– Você sabe que me preocupo tanto com você... – a mulher alisou o rosto do garoto, sorrindo afável.

Sua tia era como uma mãe, e Jaehyun sabia que ela o via como um filho; a mulher, infelizmente, não podia ter filhos, logo Jaehyun era o mais próximo que ela tinha de um.

Jaehyun sorriu pequeno para a mais velha, agradecendo baixinho.

– Agora eu preciso ir, a escola é um pouco longe. – Anunciou, tomando um último gole de café, pronto para sair.

– Não quer uma carona?

– Não precisa, está tudo bem. Até mais. – deixou um beijo na bochecha dela, saindo de casa.

Sua escola realmente ficava longe, mas Jaehyun gostava de caminhar. O Jung tinha a mania de todo fim de semana ir caminhar em uma praça perto de sua casa, puxava peso e andava na bicicleta disponível de graça na pracinha. Graças a sua rotina Jaehyun havia se tornado um belo rapaz. No auge de seus dezenove anos o garoto era bastante cobiçado pelas pessoas de sua escola, ganhava elogios constantes, mas não somente pela sua bela estrutura física, como pela sua inteligência invejável.

Chegou à escola quase sete horas, sorriu para algumas pessoas que o cumprimentaram e logo adentrou o colégio. Jaehyun não era de muitos amigos, quiçá era popular, mas era razoavelmente conhecido por uns e outros.

– E aí cara – escutou alguém falar entusiasmado e sabia que esse alguém era Jeno, seu amigo.

Jeno era um ano mais novo, mas haviam se conhecido no ano anterior e acabaram virando amigos.

– Bom te ver depois das férias. – Jeno falou, dando um abraço no Jung.

– Bom te ver também, cara.

– E aí? Fez o que nas férias?

– Nada grandioso, fiquei trancado no quarto.

Jeno suspirou.

– É sério cara? – revirou os olhos. – Achei que não tivesse saído comigo porque pelo menos estaria saindo com alguém.

– Quê? Não viaja. – Jaehyun riu. – Tô saindo com ninguém não.

– Porque não quer, você sabe que o Johnny é louco pra sair contigo, mas você não dá brecha.

– Porque eu vejo o John como um amigo, não quero estragar isso.

– Tá, tá. Como se sente no último ano?

– Normal. – deu de ombros, abrindo seu armário. – Eu só quero que acabe logo.

– É, eu também. – torceu os lábios. – Oh, eu fiquei sabendo que vai ter aluno novo esse ano, talvez algum novato bonito. – ergueu as sobrancelhas.

– Você é uma criança, não devia estar pensando nisso. – O mais velho riu.

– Falou o velhote. – outra revirada de olhos. – Desde que eu te conheço, nunca te vi com ninguém.

– Não tenho tempo pra isso, Jeno.

– E por que não?

Jaehyun ficou em silencio. O Jung não confiava em ninguém para falar sobre sua obsessão com Lee Taeyang. Ele era a única coisa que rondava a mente de Jaehyun, ele e a justiça que Jaehyun queria pela morte do seu pai.

– Nada, esquece isso. Vamos? – desconversou, fechou seu armário e deu um sorriso pequeno de covinhas a Jeno, que concordou.

Ambos foram para suas respectivas salas, mas Jeno exigiu que Jaehyun o esperasse na hora do recreio. Jaehyun entrou em sua sala sendo cumprimentado por algumas pessoas e sentou-se onde costumava sentar. Pegou seu celular e abriu o Google, digitando o nome tão conhecido por si; era rotineiro, Jung Jaehyun estava sempre de olho nas notícias relacionadas a Taeyang. Ele gostava de estar a par de tudo, e anotava tudo o que achava interessante nas matérias que saíam constantemente do empresário.

Os alunos na sala pararam o falatório assim que viram dois rostos novos na porta. Jaehyun ergueu a cabeça fitando os dois garotos na porta, notando que um deles, o maior, estava visivelmente nervoso, enquanto o menor aparentemente tentava o acalmar. Depois de alguns cochichos, o garoto de fios castanhos deu um abraço no outro, sorrindo reconfortante para ele e logo saindo dali.

Os olhares de todos ainda estavam no garoto que ficou e, lentamente, ele foi entrando na classe de aula. Estava tímido, evitando contato com todos, e com a cabeça baixa ele foi andando até sentar-se ao lado de Jaehyun, que não conseguia tirar os olhos dele. Os cochichos a respeito do garoto começaram e Jaehyun sentiu-se mal pelo novato – era claro que ele era novo ali, estava acanhado e Jaehyun nunca o tinha visto antes.

Respirando fundo, Jaehyun achou que não seria mal tentar algum tipo de contato.

– Oi. – falou baixinho, inclinando-se um pouco para perto do outro. – Qual o seu nome?

– Taeyong. – ele respondeu, mais baixo do que Jaehyun.

– Eu sou o Jaehyun, seja bem-vindo. – sorriu, ganhando os olhos escuros do garoto em suas adoráveis covinhas.

– Obrigado.

– Sente-se bem?

Taeyong estranhou a pergunta, mas balançou a cabeça em afirmação.

– Por que pergunta?

– Eu sei como pode ser sufocante ser novato em uma escola nova.

Taeyong respirou fundo.

– É, é bem sufocante. É minha primeira vez.

– Sua primeira vez em uma escola?

– Sim, eu era educado em casa.

– Oh, interessante. Não se preocupe, aqui é bem legal.

– Assim eu espero. Eu não conheço ninguém, apenas o Donghyuck.

– Você agora me conhece. – deu de ombros. – Qualquer coisa pode falar comigo.

Taeyong sorriu pequeno pela primeira vez.

– Obrigado, Jaehyun.

 

No recreio, depois de quatro tempos cansativos de aula, Jaehyun seguiu para a mesa que costumava sentar com Jeno, pronto para esperar o mesmo dar as caras no refeitório. Não demorou muito para que Jeno aparecesse, pegou sua comida e praticamente correu até a mesa, sentando-se à frente de Jaehyun.

– Você não vai acreditar! – exclamou animado.

– O que foi? – Jaehyun deu uma mordida em seu sanduíche.

– Tem um novato na minha sala! Mas não é qualquer novato, é simplesmente o cara mais lindo que eu já vi na vida. Eu não sei... talvez eu esteja apaixonado – derreteu-se no seu lugar, fazendo uma expressão apaixonada.

Jaehyun riu divertido.

– Você acabou de conhecê-lo.

– É por isso que agora eu acredito em amor à primeira vista.

Ambos os amigos engataram em uma conversa imersiva, e Jaehyun falava sobre algo até se perder em sua fala ao ver Taeyong e seu amigo de mais cedo. Os dois pareciam um tanto perdidos e o Jung ergueu o braço para Taeyong assim que o garoto o olhou de longe, chamando-o. Taeyong sorriu envergonhado caminhando com o amigo até a mesa onde Jaehyun e Jeno estavam.

– Oi, querem sentar aqui com a gente? – Jaehyun perguntou assim que Taeyong estava perto o suficiente.

Ele concordou e ambos sentaram-se na mesa. O que Jaehyun não notou de primeira foi que Jeno parecia ter virado uma estátua, isso porque ele olhava abismado para o garoto ao seu lado enquanto Taeyong comia sua comida sentado ao lado de Jaehyun.

– Ah, Jaehyun, esse é o meu amigo Donghyuck. – Taeyong apresentou.

Donghyuck deu uma acenada com a cabeça para o Jung.

– Esse é o Jeno, meu amigo. – Jaehyun também apresentou Jeno.

– Já nos conhecemos, Jeno é da minha turma. – Donghyuck falou. Jaehyun olhou para o melhor amigo notando as bochechas rubras dele. Ah, entendeu tudo. Donghyuck era o novato.

O destino era engraçado.

– De que escola você veio, Hyuck?

– Não estudei em escola, estudava em casa.

– Igual o Taeyong?

– Sim, estudávamos juntos.

– Vocês são parentes? – foi Jeno quem perguntou.

– Não, mas nos conhecemos desde pequenos, então é como se Donghyuck fosse mesmo um irmão mais novo. Os pais de Donghyuck são amigos do meu pai.

– Ah, que legal. Jaehyun e eu nos conhecemos ano passado, mas é como se nos conhecêssemos a vida inteira.

– Jeno também é um irmão mais novo para mim.

– Como era estudar em casa? – Jeno perguntou curioso.

– Era normal, tínhamos professores particulares, mas ao mesmo tempo era entediante. Nunca tínhamos ido a uma escola, conhecido pessoas novas...

– E por que decidiram vir esse ano para cá?

– Eu pedi ao meu pai para que ele deixasse. Eu estava entediado, foi difícil convencê-lo, mas ele deixou no fim das contas. – Taeyong sorriu.

– Não tem nada que o Taeyong não peça que o tio não deixe. – Donghyuck comentou.

– Yah, não fale assim, vão pensar que eu sou filhinho de papai.

– Você é.

– Hyuck! – Donghyuck riu, sendo acompanhado por Jeno – por mais que ele não soubesse exatamente do que ambos estavam falando. – É brincadeira dele.

Jaehyun sorriu, engolindo o último pedaço do seu sanduíche.

– Já que é o primeiro ano de vocês aqui, podemos mostrar a escola.

– Ah, seria interessante.

– Por que não vamos agora?

E todos concordaram em ir.

 

As semanas passaram tranquilamente.

O novo grupinho havia nascido. Jaehyun, Taeyong, Jeno e Donghyuck só andavam juntos agora. Taeyong e Jaehyun estavam sempre juntos na sala, e muitos comentavam sobre a aproximação repentina de ambos, enquanto Jeno e Donghyuck mal disfarçavam o interesse que os dois tinham pelo outro. Jeno vivia dando em cima de Donghyuck, um tanto sutilmente, enquanto Hyuck era mais direto e já tinha deixado claro que gostava de Jeno, mas ninguém tinha mesmo dado o primeiro passo para um possível relacionamento.

Jaehyun estava verdadeiramente feliz – coisa que ele não sentia de modo tão intenso há muito tempo –, mas ao mesmo tempo ele seguiu focado em seu maior objetivo de vida. E as coisas ficaram turbulentas para o garoto ao ele descobrir que Lee Taeyang iria abrir um novo prédio em Gangnam. O prédio era avaliado em bilhões, seria o maior arranha-céu de Seul, e era óbvio para o Jung que aquilo tudo era uma fachada, o irritava profundamente ver todas as matérias endeusando Taeyang, colocando-o como um Deus, como um homem de respeito e honesto, sendo que tudo aquilo era mentira.

Era injusto.

Lee Taeyang era um criminoso, um assassino, ele tinha que pagar pelos seus crimes, não ser endeusado pela mídia. Aquele homem havia matado seu pai, havia arruinado sua vida, ele tinha que pagar por aquilo, mas como o fazer pagar sendo Jaehyun apenas Jaehyun.

O mundo era injusto.

 

– Estamos namorando. – Jeno anunciou, deixando Jaehyun e Taeyong de queixo caído.

– O quê? – Taeyong perguntou abismado.

– Finalmente! – Jaehyun exclamou. – Achei que vocês nunca iam dar esse passo.

– Eu também achei. – foi Donghyuck quem falou. – Mas ontem ele me convidou pra sair e me pediu em namoro.

– Nos pedimos em namoro ao mesmo tempo, praticamente.

– Sim. – Hyuck riu.

– Enfim... Estamos juntos.

– Uau, eu tô muito feliz. – Taeyong falou. – Donghyuck eu nunca imaginei você namorando novamente... – deixou escapar. Hyuck franziu o cenho, e Taeyong se deu conta do que falara. – Quer dizer... esquece. Estou feliz.

O clima pareceu estranho por um momento, mas Jeno tratou de dissipá-lo.

– Mas, e aí? Quando vai chegar a hora de vocês? – sugeriu.

Jaehyun o olhou confuso e Taeyong corou completamente.

– D-do que está falando?

– Vocês fazem um baita casal. Quero saber quando vão se assumir.

– Eu nem penso nisso. – Taeyong falou. – Somos amigos. – Ele estava claramente nervoso.

– Sim, bons amigos. – Jaehyun falou calmamente, mesmo que no fundo soubesse que não era apenas isso que queria ser de Taeyong.

Nunca tinha se apaixonado na vida. Mas Taeyong era diferente. Taeyong era gentil, educado, engraçado, inteligente e muito bonito, era tudo e mais um pouco. Jaehyun não programou isso, mas talvez ele tivesse uma queda por Taeyong no fim das contas. E a julgar pela reação de Taeyong, ele também sentia algo, entretanto, se ele não estava preparado para assumir isso, Jaehyun daria o tempo que fosse necessário – ele mesmo não sentia-se cem por cento confiante.

 

– Tenho um trabalho para vocês. – o professor anunciou. – É em dupla então as forme agora. – Só precisou de um olhar para que Jaehyun arrastasse a carteira para perto de Taeyong. Os dois riram juntos, enquanto o resto da turma também se dividia em duplas. – É algo simples, todos irão receber um livro, eu quero um resumo completo dele inteiro, entenderam?

O professor distribuiu os livros para todos. Jaehyun e Taeyong passaram o resto do tempo lendo o livro, mas ele era, relativamente grande, então no final das aulas Taeyong tivera a brilhante ideia de convidar Jaehyun para a sua casa.

– Sabe, o meu pai não gosta muito de visitas, normalmente Donghyuck é o único que vai à minha casa, mas eu sei que ele vai entender.

– Tem certeza?

– Tenho, mas não vai ser problema pra você? A minha casa é um pouco longe.

– Onde?

– Gangnam. – sorriu sem graça.

Jaehyun sorriu para Taeyong, abraçando-o pelos ombros.

– Vamos logo então.

Jaehyun sabia que Taeyong tinha um estilo de vida muito bom, então não foi surpresa se deparar com um motorista particular os esperando. O homem abriu a porta do carro de luxo para os dois adolescentes e partiu em direção à parte rica da cidade. Jaehyun ia à Gangnam poucas vezes, as coisas lá normalmente eram caras e ele não conhecia ninguém ali, tirando Taeyong; foi uma viagem divertida, eles conversaram animadamente dentro do carro, mas por um momento Jaehyun deixou seu olhar trombar com o do motorista pelo retrovisor e seu sorriso morreu um pouco ao ver o olhar que o homem o dirigia.

Era de reprovação.

Claro, Jaehyun e Taeyong eram diferentes. Certamente era a primeira vez que Taeyong andava com alguém que não fosse da mesma classe social que a sua. Jaehyun ficou incomodado com o olhar, mas sorriu quando Taeyong lhe contou algo e assim seguiram até chegar a casa de Taeyong – casa não, estava mais para mansão.

A mansão era grande, os portões foram abertos e o carro de luxo parou em frente a enorme porta. O motorista abriu novamente a porta para que os adolescentes descessem e Taeyong foi puxando Jaehyun para dentro do casa.

– Vem, vem, você tem que conhecer o meu quarto.

Assim que entraram a boca de Jaehyun despencou um pouquinho ao ver o interior do casarão. Por um momento seu corpo tremeu com medo de se encostar em algo e acabar estragando, tudo ali parecia tão caro, mas tão caro. Taeyong continuou puxando Jaehyun pela mão em direção às escadas, não dando a devida chance do Jung observar melhor a casa.

Entraram em um largo corredor onde havia várias portas, e a última era o quarto de Taeyong. Entraram no quarto e Taeyong fechou a porta enquanto Jaehyun observava tudo.

– Uau, seu quarto é muito bonito. – De fato era. Havia vários quadros na parede, a cama era grande, havia um enorme guarda-roupas também, tudo era grande e abundante.

– Obrigado. – Taeyong agradeceu envergonhado. – Você quer alguma coisa?

– Não, estou bem.

– Mais tarde então eu peço que preparem algo para nós dois. Vem cá. – Taeyong chamou Jaehyun subindo na cama. Jaehyun tirou seu tênis subindo na cama de lençóis beges notando o quanto ela era macia. Taeyong abriu a bolsa tirando de lá o livro. – Eu realmente gostei muito desse livro, acho que já tenho a ideia de como o resumo vai ser.

Jaehyun só concordou, e ambos voltaram a ler o livro. Em algum momento Taeyong se deixou ficar perto demais de Jaehyun, sua cabeça parou no ombro do maior e Jaehyun o abraçou pelos ombros. Os dois adolescentes estavam deitados na cama e quem visse de fora poderia até confundi-los com um casal de tão próximos que estavam.

A todo momento Taeyong comentava algum parágrafo do livro, Jaehyun ouvia tudo atentamente e também dava sua opinião, mas em algum momento o garoto tirou sua atenção do livro e ela caiu totalmente em Taeyong. Jaehyun notou como a raiz do cabelo dele começava a ficar escura novamente, notou o quanto os fios era sedosos e cheirosos, analisou de perto também parte do rosto de Taeyong notando que a pele parecia não ter imperfeições. Taeyong todo em si era cheiroso, parecia muito macia também, quando ele usava bermudas Jaehyun notava como as pernas dele eram longas e esbeltas.

– Jaehyun... – ouviu o chamado de Taeyong, seu olhar se desviou da boca de Taeyong – que ele nem ao menos havia notado que encarava – para os olhos dele. – Tá no mundo da lua?

– Estava analisando você... – confessou.

Taeyong arregalou os olhos, desviando-os envergonhado.

– E percebi que você fica mais bonito a cada dia que passa. – Elogiou.

– Jaehyun...?

– Eu gosto de você. – Jaehyun confessou. Se ajeitou na cama, ficando sentado frente a frente com Taeyong que também se ajeitou melhor. – Muito.

Taeyong sorriu pequeno. Não conseguiu disfarçar as bochechas coradas, assim como Jaehyun não conseguia disfarçar as pontinhas das orelhas pegando fogo.

– Eu também gosto de você. Muito, muito mesmo.

O clima era tão leve, Jaehyun sentia seu coração batendo rápido e não era diferente do coração de Taeyong.

– Posso beijar você? – o Jung tomou coragem para perguntar. – Porque eu quero muito.

– Eu também quero te beijar.

E foi Taeyong quem tomou a iniciativa de se aproximar. De maneira vagarosa e um tanto tímida ambos colaram as bocas em um selinho beirando ao inocente. Aos poucos que sentiram coragem de aprofundar o beijo, Taeyong sentiu a língua de Jaehyun pedindo passagem e ele cedeu facilmente. Jaehyun segurou o rosto do Lee, o beijo se intensificando ainda mais, quando Taeyong percebeu ele já estava inclinado totalmente na direção de Jaehyun, então sem pensar muito ele tomou coragem para subir no colo alheio.

Jaehyun rodeou a cinturinha de Taeyong colando ambos os corpos, sentindo os dedos do menor puxarem os fios da sua nuca. Arrepiou-se, mordendo o lábio inferior de Taeyong, finalizando o beijo. Ofegantes, ambos os garotos colaram as testas, as respirações colidindo e se não fosse pelo barulho alto das respirações, os dois poderiam ouvir ambos os corações batendo loucamente no peito.

No fim das contas o livro foi deixado de lado e Jaehyun jurou a si mesmo que poderia ficar a tarde inteira beijando Taeyong – que foi o que acabou acontecendo.

 

– Kun me avisou que você trouxe um amigo hoje para cá. – Taeyang dirigiu-se ao filho. – Por que não me falou nada?

– Achei que não se importaria.

– Vieram estudar?

– Sim. – Taeyong respondeu rapidamente, enchendo a boca com a comida servida.

– Então, não me importo. Qual o nome do garoto?

– Jaehyun.

– É um bom garoto?

– Sim, pai, ele é. – suspirou. Sabia que com bom garoto seu pai queria saber se Jaehyun tinha dinheiro.

– Ótimo, da próxima vez o traga aqui para que eu possa conhecê-lo.

– Certo.

– Como anda a escola?

– Está tudo bem – respondeu simplista.

– Achei que não fosse se acostumar lá, não sei porque insistiu em ir para aquela escola, poderia ter ido para uma mais conceituada.

– Estou bem lá, pai, a educação é muito boa.

– Assim espero, você sabe que quando terminar irá assumir a empresa, não sabe? Já tem 19 anos, está na hora.

Taeyong franziu o cenho desgosto, e seu pai acabou notando.

– Não me venha com suas baboseiras novamente, Taeyong, já conversamos.

– Eu quero cursar artes.

– Isso é tolice. Irá assumir a empresa, irá virar um homem de negócios, negócios muito importantes. Quem sabe não poderá se casar com Lucas, você sabe, o filho do Wong. Lucas é um ótimo menino e tem um futuro brilhante.

– Não vou casar-me com Lucas.

Lucas era mesmo um ótimo menino e tinha mesmo um futuro brilhante, mas Taeyong não gostava dele dessa forma, via o chinês apenas como um bom amigo.

– Bobagem, futuramente você verá que ele é perfeito para você.

Taeyong bufou.

– Terminei, posso subir?

O empresário respirou fundo, assentindo.

– Boa noite, pai – despediu-se.

– Boa noite, Taeyong.

Taeyong subiu as escadas apressado e se jogou na cama do seu quarto assim que fechou a porta. Afundou o rosto no travesseiro e sorriu ao lembrar de Jaehyun.

Estava perdidamente apaixonado.

 

– Eu sabia! – Jeno exclamou animado assim que viu Jaehyun e Taeyong sentados na mesa do refeitório. Os dois olharam confusos para Jeno, mas ele logo retornou a falar: – Não adianta negar, Hyuck me contou tudo.

– Tudo o que?

– Vocês dois se beijaram.

– Hyuck! – Taeyong chamou a atenção do amigo.

– Você me contou e não disse para que eu mantivesse em segredo. Confesso que ele tava comigo quando você me contou também, ele leu as mensagens e surtou do meu lado.

– Finalmente o meu casal aconteceu.

– Não somos um casal. – Taeyong argumentou.

– É, não estamos namorando. – Jaehyun se intrometeu na conversa.

– Ainda não estão, é questão de tempo até o Jaehyun pedi-lo em namoro Taeyong, confia em mim – Jeno avisou, acabando por deixar Taeyong mais vermelho que tomate. – Ah, vocês não vão adivinhar, ouvi dizer que amanhã vamos a uma excursão em um museu.

Os olhos de Taeyong brilharam.

– Mesmo?

– Mesmo.

– Ah, adoro museus. – falou entusiasmado. – Mal posso esperar.

 

O amanhã chegou e a excursão ao museu realmente aconteceu. Todas as turmas iriam, então os amigos se encontraram dentro do mesmo ônibus. Taeyong estava muito ansioso, animado demais para ver as obras de arte no museu da cidade. Enquanto isso, Jaehyun também estava ansioso, mas por outro motivo.

O Jung trocou um olhar com Jeno, não conseguindo manter a perna parada. No bolsa do casaco que usava o Jung sentiu a caixinha pequena assim que botou a mão.

Preciso da sua ajuda. – Jaehyun parou Jeno.

Para quê?

– Preciso comprar uma aliança?

Jeno ficou confuso, mas logo entendeu o que o amigo queria dizer com aquilo.

– Jaehyun, meu deus, eu falei namoro, não casamento.

O Jung riu desacreditado revirando os olhos.

– Eu vou pedi-lo em namoro, mas quero um anel para oficializar.

– Ah, que foda. Mas por que precisa da minha ajuda?

– Pergunta o tamanho do dedo do Hyuck é o tamanho do dedo do Taeyong e me fala.

Jeno sorriu satisfeito.

– Pode deixar.

Havia comprado o anel depois da aula, não era algo grandioso, mas significava muito para si e Jaehyun sabia que para Taeyong também significaria.

O plano era bem simples: iria pedir Taeyong em namoro no museu já que o Lee gostava muito do lugar. Entretanto, o nervosismo corroía Jaehyun por dentro, e só piorou quando chegaram ao destino.

A excursão ocorreu bem, depois de visitarem grande parte das obras, ouvindo as explicações da professora, ela liberou os alunos para que eles pudessem observar tudo por si mesmos, e aquele era o momento perfeito para que Jaehyun botasse seu plano em ação.

– Vem Jae, vem logo. – Taeyong chamou o garoto. O Lee estava louco para ver as obras de sua artista favorita no museu. Os olhinhos castanhos de Taeyong brilharam assim que ele ficou cara a cara com uma das obras de Yoo Hae Ri.  – Você a conhece?

Jaehyun negou.

– Ah, ela é uma artista incrível. Suas obras abstratas retratam o lado mais obscuro da psicologia humana. Eu a admiro muito.

Jaehyun sorriu.

– Eu admiro você. – Soltou. – Jeno estava certo, era apenas questão de tempo até eu pedi-lo em namoro. – Jaehyun passou a língua nos lábios ressecados, respirando fundo. – Taeyong – tirou a caixinha do bolso do casaco surpreendendo Taeyong. – Você aceita namorar comigo? – abriu a caixinha onde um par de anéis estava. Os olhos de Taeyong brilharam úmidos.

– É-é sério?

– Muito sério.

Taeyong sorriu grande.

– Aceito, eu aceito namorar com você, Jaehyun.

Jaehyun também sorriu e abriu os braços recebendo o corpo de Taeyong em um abraço caloroso. Sentiu os lábios de Taeyong contra os seus e sorriu entre o beijo.

 

Quando Hyuck e Jeno voltaram a encontrar o mais novo casal, Donghyuck correu para abraçar Taeyong, girando-o no ar.

– Eu sabia que o anel ia dar certinho.

– Você ajudou?

– É obvio, já pode agradecer – brincou.

Todos riram e em seguida voltaram para onde estavam os outros alunos, já estava na hora de voltar para a escola.

– Quer ir lá em casa depois? A gente ainda não terminou de ler o livro.

– Claro. – Jaehyun concordou.

– Ler livro é? – Jeno cerrou os olhos. – Conta outra.

– Meu pai, o Jeno não era assim, quem tá te ensinando isso, garoto?

Jeno olhou para Hyuck que desviou o olhar.

– Eu juro que não fiz nada. – Donghyuck se defendeu.

 

Jaehyun já não estava com o queixo aberto como da primeira vez que pisou na sala da mansão de Taeyong. Taeyong também não aparecia afobado, então o Jung tivera a chance de analisar melhor o cômodo. Assim como o resto da casa, a sala era muito bonita. O lustre no meio dela deveria custar tudo o que havia no quarto de Jaehyun, brilhava tanto que por um momento os olhos de Jaehyun doeram.

O Jung observou que não havia muitos porta-retratos, havia algumas fotos de Taeyong espalhadas pela sala, e uma lhe chamou atenção; era Taeyong com uma mulher ao lado, o garoto ainda era pequeno na fotografia e Jaehyun sorriu ao perceber que o rostinho do Lee não havia mudado muito.

– Essa é a minha mãe. – Taeyong voltou da cozinha.

– Ela é muito bonita, vocês se parecem muito.

– Sim, todos falam isso. Inclusive meu pai sempre falou.

Jaehyun observou que não havia fotos do pai de Taeyong em lugar algum.

– Você não tem fotos com o seu pai?

– Ele nunca foi muito fotogênico, odeia tirar fotos – revirou os olhos. – Quer comer alguma coisa?

– Pode ser – Jaehyun deu de ombros.

Taeyong pediu gentilmente à empregada que ela fizesse alguma coisa para ambos comerem e que levasse até seu quarto. O casal subiu para o quarto de Taeyong e passaram a tarde toda lá. Novamente em algum momento o livro foi esquecido e Taeyong estava com os dedos por debaixo da blusa de Jaehyun sentindo a rigidez do abdômen dele.

Beijaram-se afoitamente e Jaehyun já sentia seu pau pulsar dentro da calça jeans com as carícias de Taeyong. Os toques do Lee eram tão sutis, mas Jaehyun não conseguia raciocinar devidamente ainda mais com as pernas de Taeyong ao redor da sua cintura, praticamente colando os quadris.

– T-temos que ir mais devagar. – Jaehyun se afastou. – Acabamos de oficializar nosso relacionamento.

– E-eu sei. – Taeyong responde ofegante. – Mas a gente pode brincar um pouco, hm? Eu sei que você tá duro agora, posso te ajudar? – ofereceu.

– Porra... – Jaehyun abaixou a cabeça.

Taeyong acabava com ele.

Taeyong sorriu para o maior, trocando as posições. Deitou Jaehyun na cama e ficou por entre as pernas dele. Desafivelou o cinto do mais novo e abaixou a calça junto com a cueca dele. O pau de Jaehyun pulou latejante para fora e instintivamente a boca de Taeyong encheu d’água. O Lee passou a masturbar Jaehyun e ousou passar devagarinho a língua na fenda melada de pré-gozo sorvendo do gosto de Jaehyun, que jogou a cabeça para trás e mordeu os lábios.

Naquela tarde o Jung recebeu o melhor boquete da sua vida, Taeyong lhe chupava bem pra caralho, estocou a garganta do Lee diversas vezes ficando ainda mais excitado quando ele se engasgava, mas continuava a lhe chupar olhando no fundo dos seus olhos.

Jaehyun não foi o único a receber um belo boquete. Assim que esporrou na garganta de Taeyong, Jaehyun o jogou na cama o desfazendo das suas roupas de baixo rapidamente. E o Jung gostou da forma como Taeyong gemeu manhoso ao chamar seu nome, os dedos finos embrenhando-se nos fios do seu cabelo enquanto o Jung se esforçava para dar o melhor oral da vida de Taeyong.

Quando ambos já terminaram o que faziam, Jaehyun notou que já estava na hora de ir ou sua tia iria ficar preocupada.

Desceu as escadas de mãos dadas com Taeyong, notando o exato momento em que o namorado ficou rígido.

– P-pai? – o menor gaguejou, chamando a atenção do homem na sala.

Contudo, Jaehyun conseguiu ficar ainda mais rígido que Taeyong ao notar o homem que os olhava por debaixo dos óculos escuros.

Era impossível.

– Taeyong – Taeyang falou abrindo um sorriso de lado. – Surpreso? Quem é seu amigo?

Aquilo só podia ser brincadeira, e uma de muito mal gosto.

Ali à sua frente era Lee Taeyang, o maldito Lee Taeyang que havia destruído a vida de Jaehyun. Não, não, não.

Jaehyun soltou a mão de Taeyong, passando a língua nos lábios ressecados. Ok, ele precisava manter a calma, mas era quase impossível. A vontade de Jaehyun era pular em cima daquele homem e lhe quebrar os dentes, os ossos, tudo! Entretanto, Taeyang não estava sozinho, mais dois homens estavam ao seu lado, homens que Jaehyun sabia que conhecia de algum lugar, mas o pior não era isso. O pior era saber que Taeyang era pai do seu namorado, era pai de Taeyong.

Aquilo era inacreditável.

– Pai, esse é o Jaehyun. – Taeyong respondeu, apresentando-os. – Jaehyun esse é o meu pai, Taeyang.

– É um prazer conhecê-lo, Jaehyun. – O homem cumprimentou. – Desçam aqui, vamos conversar.

Taeyong suspirou, mas desceu as escadas ficando confuso ao notar que Jaehyun nem saíra do lugar.

– Jae?

O Jung continuava olhando o empresário fixamente, ódio queimava suas entranhas, mas ninguém pareceu notar.

– Jaehyun! – acordou ao ouvir a voz mais alta de Taeyong.

Piscou os olhos rapidamente indo até o Lee.

– Eu tenho que ir – falou rapidamente.

– Mas–

– Minha tia vai ficar preocupada, depois nos falamos.

Taeyang observou atentamente o garoto, estranhando o comportamento dele.

Jaehyun passou pelo pai do namorado, evitando contato visual.

– Foi um prazer conhecê-lo, Jaehyun.

O Jung parou no lugar.

– O prazer foi meu, senhor – falou duramente, engolindo a saliva presa na garganta, abrindo a porta e saindo. Percebeu que estava ofegante e com os punhos cerrados.  Assim que deixou a propriedade dos Lee, Jaehyun se pôs a correr rapidamente para longe dali, e correu, correu até sentir seus pés arderem, seus joelhos doerem, mas só parou quando chegou em um ponto de ônibus distante, agachando-se e respirando fundo para recuperar todo o ar perdido.

Estava muito, muito ferrado.

 

Jaehyun estava jogado na cama fitando o teto do próprio quarto. Sentiu uma vibração do seu lado e se virou na direção do celular observando o nome de Taeyong brilhar na tela. Voltou à posição anterior, respirando fundo. Ok, estava sendo um babaca. Fazia alguns dias que não atendia as ligações de Taeyong, nem mesmo respondia suas mensagens, ou as de Hyuck, ou as de Jeno. Também não estava indo à escola, sua tia acreditou na gripe repentina, mas Jaehyun sabia que não poderia fingir por muito tempo.

Era demais para ele associar.

Estava apaixonado pelo filho do cara que matou friamente seu pai. Como poderia lidar com aquilo? Sabia que Taeyong não tinha culpa de absolutamente nada, mas Jaehyun não sabia se teria coragem de voltar àquela casa, olhar novamente na cara de Taeyong ou ficar frente a frente com o assassino do seu pai.

Ficava o dia trancado no quarto, havia voltado a pesquisar mais sobre Taeyang. No tempo em que esteve com Taeyong, Jaehyun mal pesquisava sobre o empresário, sua atenção estava completamente focada no namorado, mas depois daquele dia... Como havia deixado escapar que Taeyang havia tido um filho?

Inúmeros sites falavam sobre inúmeros filhos desconhecidos, Taeyang era muito mulherengo aparentemente, mas não havia absolutamente nada sobre Taeyong ou sua existência? Por quê? Taeyang queria proteger de alguma forma o filho?

Jaehyun estava sozinho naquela quarta-feira em casa, sua tia havia saído para trabalhar e o Jung terminava de preparar um sanduíche quando bateram na porta de sua casa. Bufou pegando o sanduíche mordendo rudemente um pedaço do mesmo – pelo menos estava bom.

Estava apenas com uma calça de moletom quando abriu a porta e deu de cara com a última pessoa que imaginaria.

– Taeyong?

– Pelo visto eu tenho que vir até aqui pra você lembrar que eu existo, né? – bufou, entrando na casa sem nem mesmo receber o convite.

– O que faz aqui?

– O que eu faço aqui? Vim ver meu namorado que esqueceu da minha existência, que anda faltando pra porra, o que tá acontecendo com você?

– Estou doente.

– Jura? Pra mim você parece mais saudável que nunca – mediu o outro dos pés a cabeça.

– Não devia ter vindo, eu queria ficar sozinho um pouco.

– O quê? No mesmo dia que você me pede em namoro, você sai super estranho da minha casa e passa a me ignorar. O que foi? Eu fiz algo errado?

– Não, óbvio que não! – negou rapidamente. O sanduíche não importava mais, Jaehyun se aproximou rapidamente de Taeyong. – Eu gosto de você, gosto muito.

– E eu amo você – Taeyong soltou. – Eu amo. Você foi o primeiro que se aproximou de mim na escola quando eu cheguei e não foi porque eu sou rico, mas sim porque você é uma pessoa incrível. Você foi tão legal comigo, e-eu... Eu passei a te amar, a te amar muito.

– Taeyong...

– Me diz o que eu fiz? – os olhos de Taeyong começaram a ficar marejados.

– Você não fez nada, você é perfeito, porra... – colou ambas as testas. – Eu achei que era cedo demais pra falar eu te amo, mas você falou, falou tudo o que eu sinto. Eu também te amo, mas...

– Mas...?

Jaehyun suspirou fundo.

Estava numa sinuca de bico.

Amava Taeyong o suficiente para saber que não queria machucá-lo com aquela história. Tinha que afastá-lo, não podia continuar com ele daquele jeito. Iria usar a pior desculpa possível, mas era sua única alternativa para que não fizesse Taeyong sofrer de outra forma mais dolorosa, porque Jaehyun continuaria com seu objetivo e não iria desistir de fazer justiça pela morte do seu pai. Lee Taeyang pagaria por tudo.

– Eu acho que esse tempo é necessário.

– O-o quê?

– Somos de mundos totalmente diferentes, Taeyong. Não posso ser seu namorado, não combinamos.

Taeyong se afastou do maior.

– N-não, do que você tá falando?

– Você merece alguém à sua altura, não um pé-rapado como eu.

– Você tá terminando comigo? E com essa desculpa ridícula? Eu não tô acreditando nisso – negou com a cabeça, puxando os fios do próprio cabelo.

– Taeyong, por favor, entenda. É necessário.

– Eu não deveria ter vindo aqui, que merda... – já não conseguia parar as lágrimas que trilhavam por sua bochecha. Passou por Jaehyun pronto para ir embora, mas teve o braço segurado.

– Não fica assim, eu juro que eu te amo muito, por favor, não fica assim – implorou.

– Não fala mais comigo, nem toca em mim. – Se afastou do toque alheio. – Finge que eu não existo mais, Jaehyun. – gritou, saindo e batendo a porta com força.

E se vendo sozinho, mais frágil do que imaginava, Jaehyun se deixou cair no sofá da sua humilde sala e permitiu-se chorar como não chorava há tempos.

 

Depois do seu encontro doloroso com Taeyong, Jaehyun voltou à escola. A primeira coisa que observou ao entrar na sala foi que Taeyong estava lá, mas sentado do outro lado da sala, bem longe de si. No recreio, Hyuck não sentou com eles, indo sentar-se com Taeyong em outra mesa. Jeno estava inquieto, e parecia chateado com o melhor amigo também.

– A sua atitude foi ridícula. Que porra foi aquela, cara? – perguntou indignado.

Jaehyun mexeu na comida sem sentir fome de verdade.

– Você não entenderia, ninguém entenderia.

– Então por que você não me explica, não explica pra ele? Cara, eu jurei que vocês iam ser aqueles casais que duram 40 anos juntos, firmes e fortes, mas você vai lá e faz uma merda dessa? Você foi clichê pra caralho e pediu ele em namoro em um museu, pra quê? Terminar com ele na semana seguinte?

– Eu sei que eu fui um bosta, não precisa jogar na minha cara!

– Precisa, precisa sim! Por que você não pede desculpas? É óbvio que você tá sofrendo também.

– Eu não posso ficar com o Taeyong! Não posso, somos muitos diferentes.

– Jaehyun? Desde quando você se importa com isso, cara? E daí que ele tem grana e você não? Cara, eu tô com o Hyuck e ele mora numa casa que tem cinco vezes o tamanho da minha, a gente ouviu merda sobre o nosso namoro, mas você acha que ligamos? Óbvio que não. E eu sei que você também não liga. Nunca ligou. Isso é alguma desculpa, só pode. Mas, por que, exatamente?

Jaehyun suspirou.

– Jeno...

– Me conta, eu sou seu melhor amigo, não sou? Pode confiar em mim, eu vou te apoiar em tudo, cara, mas isso... isso não, não quando eu sei que tá te machucando também.

Jaehyun ficou em silêncio. Ponderou muito se deveria ou não contar a Jeno o real motivo. Nunca havia se aberto com alguém antes, aquilo era um problema só seu, unicamente seu.

O mais novo lhe sorriu bonito, e Jaehyun retribuiu.

Confiava muito em Jeno.

– Vem comigo. – pediu. Pegou sua bandeja de comida e Jeno fez a mesma coisa, seguindo o amigo para fora do refeitório depois de deixar as bandejas em seu respectivo lugar.

Da mesa onde estava, do outro lado do refeitório, Taeyong acompanhou com os olhos os dois amigos saírem do lugar. Abaixou os olhos, sentindo o lábio tremer.

– Você tá bem? – Hyuck perguntou. Pegou a mão do melhor amigo, confortando-o.

– Estou, claro que estou.

– Não fica assim, hyung, eu fico triste te vendo assim.

– Eu vou ficar bem, prometo que eu vou. Daqui a pouco o Jaehyun  vai ser passado.

Hyuck se levantou do seu lugar, sentando-se ao lado do amigo. O abraçou de lado, apoiando a cabeça no ombro dele.

– Eu vou cuidar de você, hyung. Sempre.

 

– E foi isso o que aconteceu... O que eu lembro que aconteceu. – Jaehyun terminou sua fala, passando a mão pelo cabelo. Parecia que tinha tirado quilos e quilos de seus ombros, sentia-se até mais leve.

Jeno estava sério, muito sério. Jaehyun nunca tinha o visto assim antes.

– Eu... Cara, eu nem sei o que falar. Você passou por tudo isso ainda pequeno e tá aqui atrás de justiça, eu só consigo te admirar. Só que, cara, não seria mais fácil contar isso ao Taeyong?

– Contar ao Taeyong? Jeno...

– Ele pode te ajudar.

– Me ajudar a ferrar o pai dele? Óbvio que não, o cara é pai dele, Jeno! Pai! – Jaehyun passou os olhos ao redor querendo se certificar que ninguém estava por perto. Estavam na quadra da escola, conversando na arquibancada. – Eu tenho que fazer isso sozinho.

– E eu entendo, entendo e apoio. Esse cara tem que pagar por tudo o que ele fez, sim. O que eu não apoio é você se machucar nisso e machucar a pessoa que tu ama, isso eu não apoio. Conta pra ele, você não sabe se...

– Ele não vai entender, isso eu tenho certeza. Entre o cara que ele conheceu agora e o pai dele, quem você acha que ele vai escolher?

– Não é questão de escolha, Jae. É princípios, o Taeyong nunca compactuaria com isso.

– Eu sei que não, mas é mais complexo do que a gente imagina. É família, e eu sei que ele ama o pai dele assim como eu amava o meu.

Jeno suspirou.

– Olha, pode contar comigo pra qualquer coisa, tá ok? Eu fico feliz que você tenha confiado em mim pra contar tudo isso, sério. Eu te amo, tu é como o meu irmão mais velho, mesmo, mesmo.

Jaehyun sorriu, abraçando o amigo.

– Eu também te vejo como um irmão mais novo. E é por isso que eu não quero te meter nisso, eu contei, mas quero que fique com você. Eu resolvo tudo sozinho, tá ok?

Jeno assentiu.

– Tá ok.

 

Os dias se passaram e Jaehyun e Taeyong ainda tinham algo em comum: o resumo do tal livro. Taeyong novamente convidou o Jung para a sua casa e Jaehyun até tentou negar, mas Taeyong insistiu e por fim Jaehyun aceitou. O que menos queria era encontrar Taeyang novamente, por isso combinou em um horário mais cedo que o normal. Chegou na mansão Lee e foi recebido cordialmente por um empregado, que prontamente foi chamar Taeyong em seu quarto.

A primeira coisa que Jaehyun notou ao avistar Taeyong, foi que ele estava abatido, tinha olheiras perceptíveis, parecia ter chorado recentemente e estava com uma roupa bem simples. Taeyong não lhe deu um olhar nem nada, apenas passou por ele e foram em direção a cozinha.

– Podemos fazer o resumo aqui. – Foi tudo o que falou. – Eu começo e então você complementa com o que entendeu. – disse por fim.

Um silêncio perdurou por um bom tempo e era estranho, bem estranho. Taeyong continuava escrevendo na folha, enquanto Jaehyun observava calado, mexendo nos próprios dedos.

– Aqui – depois de um longo tempo sem falar, Taeyong voltou a se pronunciar. – Terminei a minha parte, faça a sua. – Jaehyun concordou e pegou as coisas que Taeyong lhe ofereceu, os dedos se esbarrando acidentalmente no processo. – Eu vou lá em cima rapidinho. – Foi o que Taeyong disse, deixando Jaehyun sozinho na cozinha.

O Jung suspirou e passou a fazer a sua parte no trabalho, escrevendo grande parte do que havia entendido sobre o livro. Ficou ali sozinho por um tempo, Taeyong estava demorando bastante para voltar, mas Jaehyun não se importou muito. Ouviu um barulho e levou seus olhos para a pessoa que entrava na cozinha, só que quem ele encontrou não foi Taeyong voltando, mas sim Taeyang, o pai dele.

– Ah, olá, Jaehyun. Bom vê-lo novamente, vejo que está estudando, pelo visto é um garoto aplicado.

Jaehyun travou totalmente. De repente ele não sabia mais o que fazer.

Taeyang cerrou os olhos na direção do garoto.

– O que foi? O gato comeu sua língua, ou você apenas não gosta de mim? Percebi que fica desconfortável em minha presença.

Jaehyun puxou o ar fortemente para seus pulmões.

– Sabia que você me é familiar. – O homem comentou. – Parece que eu já o vi antes.

Antes que Jaehyun pudesse responder, outro homem entrou na cozinha, e Jaehyun o conhecia muito bem; era o mesmo homem  de anos atrás, aquele que havia poupado sua vida e o deixou ir. O homem lhe olhou estranho, o cenho franzido em confusão.

– Quem é, chefe?

– Um amigo do meu filho. Aliás, onde está Taeyong?

– No quarto – falou baixo.

Lee Taeyang sorriu, aproximando-se do jovem.

– Sabe Jaehyun, eu notei sua aproximação com o meu filho, gosta dele? – Jaehyun não respondeu, apenas se remexeu desconfortável. – Talvez ele goste de você, entretanto, eu não sou ele, logo não fui com a sua cara. Quer dizer, eu como pai planejo um futuro perfeito para o Taeyong, ele irá assumir meu lugar na empresa, nos negócios da família... – o jeito que ele havia falado, Jaehyun fez uma careta.

Então era aquilo? Taeyang queria que o filho assumisse seu lugar na máfia? Ah, será que ele conhecia mesmo o próprio filho? Taeyong nunca faria aquilo, como Jeno havia dito: o garoto tinha princípios.

– E o que eu mais quero é que ele se case com alguém à sua altura, inclusive já tenho o pretendente perfeito. Taeyong ainda o vê apenas como um mero amigo, mas logo ele irá se apaixonar por Lucas. Essas crianças se apaixonam muito rápido. O que eu quero dizer, é que, bom, Taeyong é bom demais para alguém como você – analisou Jaehyun de cima a baixo. – Entende?

O Jung trincou os dentes.

– Ele é bom demais, sim, mas para ser o filho de alguém tão podre – rosnou entredentes.

– Como é? – Taeyang estava surpreso. – O que disse?

– Você não o merece como filho, não merece mesmo. – Jaehyun se levantou da cadeira, resolvendo enfrentar o homem. Seu coração batia acelerado, e ele sentia adrenalina correndo por suas veias. – Ele não merece ser filho de um assassino.

Taeyang trincou os dentes ficando visivelmente irritado.

– Sabe com quem está falando, seu fedelho?

– Sim, sei. Com um assassino maldito que ainda vai pagar por todos os seus crimes. – Pelo canto de olho, Jaehyun observou o capanga do homem fazer menção de puxar uma arma, seu coração errou uma batida, mas ele manteve-se firme.

Taeyang fez um sinal de mão para que ele parasse.

– Não será necessário, esse garoto está falando baboseiras. É apenas um fedelho que não pode provar nada do que está falando.

– Isso é o que você pensa. Eu ainda vou fazer justiça.

– Justiça? Ah, então eu provavelmente mandei algum recado para você, ou alguém da sua família, talvez?

O capanga de Taeyang se pronunciou surpreendendo, Jaehyun.

– Jung. O velho Jung, você lembra chefe? O garoto é a cara dele.

Taeyang analisou Jaehyun atentamente, sorrindo grande.

– É claro, é o Jung cagado e cuspido. Estou surpreso, esse cara aqui levou uma surra por ter fraquejado e o deixado escapar, mas eu achei que você fosse morrer em alguma vala por aí, mas olha só... Você está bem melhor do que imaginei.

– Você vai pagar pela morte dele.

– Isso se você conseguir provar algo.

– Eu irei, irei provar que você não é quem todos pensam, é apenas um mafioso de sangue frio.

– Por que não acabamos logo com ele, chefe? Não irei cometer o erro duas vezes.

– Não! Não na minha casa, ainda mais com o Taeyong aqui. Mas, saiba que eu não tolero ameaças, eu as faço.

– Pai! – Taeyong apareceu na entrada da cozinha. – Achei que não ia voltar cedo.

– Pois é, acabei voltando. E encontrei seu adorável amigo na minha cozinha, estávamos papeando. Mas Jaehyun já vai embora, certo?

– Certo – respondeu duro, começando a arrumar suas coisas. Taeyong não entendeu nada.

– M-mas, o resumo Jaehyun?

– O entrego amanhã. Até mais Taeyong. – Jaehyun se despediu rapidamente, saindo daquela casa. Taeyong notou o olhar duro assim como a voz do ex-namorado, e Jaehyun não era de ficar desse jeito.

– O que falou a ele?

– Nada filho, só o achei interessante. Mas me diga, ele é apenas seu amigo?

Taeyong suspirou.

– Talvez nem isso mais...

– Ah, é uma pena filho, uma pena.

 

Jaehyun soltava fogo pelas narinas. Fechou em um baque a porta do seu quarto jogando a mochila na cama enquanto andava de um lado para o outro no cômodo. Sentia seu corpo tremer de raiva, suas mãos se fecharam em punho, seus olhos arderam pelas lágrimas de ódio contidas.

– Maldito! – praguejou alto. – Eu tenho que fazer alguma coisa, tenho que fazer. – puxou os próprios fios de cabelo, sentando-se na cama.

Mas, como acabar com alguém como Taeyang?

– Pensa, pensa, pensa.

Ele, infelizmente, estava certo, Jaehyun teria que conseguir provar os crimes cometidos por ele. E esse era o maior problema. Taeyang era poderoso demais e era óbvio que ele não deixaria seus rastros por aí, ele era esperto demais para isso. Ou será que não?

– Provas, preciso de provas contra ele. E eu vou consegui-las.

Nos dias que se seguiram, Jaehyun estava com a cabeça lotada de inúmeras coisas. Eram coisas da escola, coisas de casa mesmo, e, o mais importante, eram coisas relacionadas a Lee Taeyang. Jaehyun reuniu tudo o que sabia sobre o empresário – por mais que muitas delas fosse mais especulações da mídia do que provas de fato –, mas fez algo ainda melhor, passou a seguir de perto os passos de Taeyang.

Para alguém como Jaehyun seria difícil conseguir alguma coisa. Ele não poderia seguir o empresário para lá e para cá, não apenas por ainda ser um estudante, mas porque seria impossível segui-lo a pé ou de ônibus. Contudo, Jaehyun depois das aulas passou a ficar de prontidão na porta da empresa Lee. Conseguiu entrar no prédio algumas vezes – antes de ser enxotado para fora pelos seguranças –, mas ainda não tinha nada em mãos que pudesse acabar de vez com Taeyang.

No meio tempo que ficou de prontidão na frente da empresa, Jaehyun flagrou Taeyong no prédio, e, inesperadamente, ele não estava sozinho. Taeyong entrou e saiu algumas vezes acompanhado de Wong Yukhei, filho de um grande empresário chinês. Eles não pareciam tão íntimos, mas Jaehyun sentiu algo se remexer dentro de si ao ver Taeyong sorrindo para algo que Lucas contava.

O Jung sentia falta do sorriso de Taeyong, ainda mais quando era direcionado para si.

Taeyong nunca notou a presença de Jaehyun ali, o garoto fazia questão de se esconder quando via o ex-namorado. Não queria passar a impressão errada para ele.

– Então é isso que você anda fazendo o dia inteiro? – Jeno perguntou com a boca cheia de comida. – É bizarro.

Jaehyun suspirou.

– Eu sei. Mas o que eu posso fazer? Eu preciso dessas provas rápido, esse homem já ficou ileso tempo demais.

– E o que você pretende? Invadir a empresa dele, subir até a sala do cara e encontrar algo no computador dele? Isso não é um filme, Jaehyun, é a vida real. Você pode ser preso por isso.

– Eu posso tentar.

– Não, não pode. Não vai. Eu não vou falar para você esquecer isso, eu sei o quanto é importante para você, mas arrume outro método de conseguir as provas. Esse é muito perigoso.

– Não existe outro método.

– Claro que existe, por exemplo... Ah, o Taeyong.

Jaehyun franziu o cenho e Jeno logo explicou seu raciocínio:

– Taeyong não é filho dele? Então, ele poderia ajudá-lo.

– Ah, não. De novo essa história não. Isso não vai acontecer, você sabe.

– Não, eu não sei, nem você sabe. Apenas tente.

– Não dá, não posso. – Jaehyun suspirou novamente, botando a mão no ombro do amigo. As aulas já haviam acabado e os dois já se encaminhavam para fora da escola. – Eu agradeço por tentar me ajudar, mas eu vou continuar com esse plano, é tudo o que eu tenho agora, preciso arriscar.

– Jaehyun...

– Eu vou pra lá agora, depois te mando mensagem.

– Toma cuidado, tá ok?

O maior assentiu.

– Olha, eu não to brincando, toma cuidado, me liga se acontecer algo, e fica bem. Não se mete onde não deve, ouviu? Se cuida.

– Vou me cuidar, prometo. Até depois. – Jaehyun se despediu rapidamente indo para o ponto de ônibus. Jeno continuou parado no meio do corredor da escola, logo sentiu braços passando pela sua cintura e reconheceu o perfume do namorado.

– Hyuck...

– O que faz parado aqui, hm? – Hyuck o soltou e ambos ficaram de frente um para o outro. Jeno deixou um selar nos lábios rosados do menor, finalmente percebendo que ele estava sozinho.

– Cadê o Taeyong?

– Está vindo aí, precisou ir ao banheiro.

Jeno ponderou por um momento, pensando na conversa que havia tido com o amigo.

– Preciso falar com ele.

– Sobre?

– É um assunto particular.

– Aposto que esse assunto particular se chama Jung Jaehyun. – Hyuck cruzou os braços. – Amor, ele não quer mais saber do Jaehyun.

– É importante, sério.

– Donghyuck, vamos? – Taeyong apareceu guardando o celular na bolsa. Seu olhar cruzou com o de Jeno e o Lee sorriu pequeno. – Ah, oi, Jeno.

– Oi, hyung, a gente pode conversar?

– Conversar? Agora?

– Vai ser rápido, prometo.

– Hm, tá bom. Você vem, Hyuck?

– É em particular. – Jeno alertou.

Taeyong ficou ainda mais confuso, mas concordou.

– A gente já volta. – Jeno garantiu ao namorado, deixando um selo no canto da boca dele. E os dois seguiram para uma parte mais afastada do colégio para que pudessem ter a conversa a sós.

 

Taeyong fez um biquinho enquanto esperava Jeno começar a falar, contudo era complicado para o Lee arrumar um jeito de como começar aquele assunto.

– Então... Eu quero falar com você sobre o Jae.

Taeyong engoliu seco ao ouvir o nome do ex-namorado.

– Olha, Jeno, se ele pediu para que você viesse aqui comigo falar algo, esquece, eu não quero saber. O Jaehyun me magoou muito.

– Eu sei, eu sei. Mas não é isso, e... Eu sei que pode soar estranho, mas ele teve motivos.

– Ele teve motivos pra me magoar? – perguntou desacreditado. – Você é amigo dele, mas não precisa passar pano pra péssima atitude que ele teve, sabia?

– Não estou passando pano, olha Taeyong... Eu vou te contar algo que se o Jaehyun sonhar que eu contei, ele me mata. Mas, eu tô fazendo isso pro bem dele.

– Do que tá falando?

– Jaehyun pode estar correndo perigo, entende?

Taeyong remexeu-se inquieto.

– Perigo? Como assim?

Jeno respirou fundo, decidido a contar o que sabia a Taeyong.

– Taeyong, quando o Jaehyun era criança, ele presenciou a morte do próprio pai. Ele foi morto pela máfia, devia dinheiro parece, alguma coisa assim. Por sorte o Jaehyun foi poupado, ele conseguiu ir embora e depois disso ele foi morar com a tia. Só que o Jaehyun nunca esqueceu desse dia, ele cresceu com a ideia de justiça na cabeça, ele luta por isso até hoje. Só que... Bom, o responsável pela morte do pai dele é um cara muito poderoso, então o Jaehyun não tem chance para fazer algo, seria a palavra dele contra a de um cara que tem um império gigantesco, sabe?

O Lee mais velho estava embasbacado. Céus, Jaehyun...

– Por que ele não me contou isso?

– Ele nunca confiou em ninguém para contar, foi difícil contar até para mim. Só que a história só complica ainda mais porque... Envolve você.

Taeyong fez uma careta confusa.

– Me envolve? Como assim Jeno?

Jeno ficou em silêncio por um momento.

– Eu nem sei como contar isso, talvez seja um choque para você, mas... Bom, aqui vai. O homem responsável pela morte do pai do Jae, é... Lee Taeyang, o seu pai.

Taeyong piscou os olhos confusos, a boca entreaberta em choque, enquanto um silêncio excruciante perdurava no lugar. Jeno se preocupou imediatamente com a reação do Lee, mordendo o interior da bochecha.

– Taeyong?

– O-o que você falou? – Taeyong perguntou em um fio de voz, os olhos começando a marejar. Ele negou com a cabeça rapidamente. – I-impossivel, isso... Não, claro que não, do que você tá falando, Jeno?

– O seu pai foi quem ordenou o assassinato dele. Ele é o chefe da máfia–

– Não! – Taeyong se levantou abruptamente. – Ele não é, i-isso é mentira.

Jeno também se levantou, amparando Taeyong pelos ombros.

– Taeyong, me escuta, por favor. O Jaehyun nunca brincaria com algo assim, muito menos eu. Ele me confidenciou isso, eu apenas estou falando a você porque o Jaehyun está indo muito longe, eu não quero que ele se machuque e nós sabemos que o seu pai tem grande influência.

– Meu pai não é um assassino. Não é um chefe de máfia, isso é mentira.

– Você não tem como saber, ou tem?

– Ele é o meu pai, ele não faria isso.

– Ele pode ter mentido pra você a vida toda. A gente não sabe, mas o Jaehyun tem certeza que foi ele quem assassinou o pai dele. Por que você acha que ele sempre age estranho na presença do seu pai? Ele me disse que tem medo, medo do que ele pode fazer, mas ele também tem muita raiva. Ele só quer justiça, Taeyong, apenas isso.

Taeyong enxugou as lágrimas, ficando com a cabeça baixa por um tempo. Jeno viu que ele não tinha mais capacidade de falar alguma coisa, então continuou:

– O Jaehyun te ama muito, ele falou aquilo apenas para que você não se machucasse de forma ainda pior. Ele não vai parar, ele vai até o fim atrás de justiça. Eu estou com medo por ele, ele é meu melhor amigo, o Jaehyun está tentando reunir provas contra o seu pai, mas é uma tarefa muito difícil. Olha, eu conheço você e sei que você tem muitos princípios, você não é igual o seu pai, então... Ajude-o. Ajude o Jaehyun, ele merece paz, vocês dois merecem paz, mas sabemos que isso só vai acontecer quando essa história chegar ao fim. Ele merece descanso de tudo isso.

– Eu preciso ir... – Taeyong pegou sua bolsa.

– Taeyong, por favor, pense no que eu lhe disse. – Jeno implorou.

– Pensarei, pensarei.

Jeno observou o Lee ir embora, pedindo internamente que ele realmente pensasse com cuidado e ajudasse Jaehyun.

 

Taeyong chegou em casa e subiu imediatamente para o seu quarto. Estava inquieto, com um bolo na garganta desde sua conversa com Jeno. Se jogou na sua cama, o rosto enfiado nos travesseiros com cheirinho de lavanda. As lágrimas voltaram a trilhar pelo seu rosto e a molhar a fronha, mas o Lee não se importou, deixou que suas lágrimas lavassem seu rosto, tirando aquela angústia toda de dentro de si.

A todo momento as palavras de Jeno voltavam à sua cabeça, e, aos poucos, a mente de Taeyong começou a trabalhar em um quebra-cabeça; Jeno estava certo, Jaehyun ficava extremamente estranho ao ver seu pai, e foram apenas duas vezes, na primeira ele parecia ter sido petrificado, já na segunda foi impossível não notar o clima que estava na cozinha.

Só que... Taeyang, apesar de tudo, era o seu pai. O homem nunca tinha deixado faltar nada a Taeyong, ainda mais na época em que sua mãe morreu. Com o passar dos anos, Taeyong acompanhou a empresa do seu pai crescer rapidamente, ele era respeitado por muitos nomes e Taeyong queria ser assim um dia, mas não comandando uma empresa, fazendo o que mais gostava; sendo um artista.

Iria contra os planos de Taeyang para si, ainda mais se... Não, era mentira, só poderia ser mentira. Seu pai, líder da máfia? Era loucura, muita loucura. Mas por que Jaehyun mentiria?

Taeyong deitou de barriga para cima, enxugando o seu rosto.

Ajude o Jaehyun.

O Jaehyun te ama muito.

E como Taeyong ainda amava aquele garoto. Ele queria poder esquecer o Jung facilmente, mas não conseguiria. Jaehyun estava em sua mente a todo tempo, sorrindo-lhe deixando em evidência as covinhas bonitas, olhando-o de maneira apaixonada, abraçando-o apertado e o beijando com adoração.

Jaehyun era diferente, Taeyong notou isso desde o início. Jaehyun não se importava com a diferença de classe dos dois, desde o início ele tratou Taeyong bem, tanto que o Lee custou a acreditar naquela justificativa para o fim do relacionamento dos dois.

Ele falou aquilo apenas para que você não se machucasse de forma ainda pior.

Estranhamente, Taeyong não duvidava. Jaehyun sempre lhe pareceu o tipo de cara que faria de tudo pela pessoa amada.

– Não, Taeyong, não – falou a si mesmo. – Não acredite nisso.

 

As semanas se passaram voando e Taeyong não conseguia mais ignorar aquele incômodo que sentia. Passou a olhar seu pai com outros olhos, eram observadores e de certo modo julgadores. Estava desconfiado, mega desconfiado. Perguntava a si mesmo se ele realmente seria capaz de fazer tudo aquilo.

Seria.

No fundo, mesmo que não quisesse acreditar, Taeyong sabia que seu pai seria capaz de qualquer coisa. Às vezes o assustava o modo frio como Taeyang lidava com as coisas, e isso vinha desde criança. Era bizarro o modo como ele agiu à notícia da morte da própria mulher, ele não se importou, quiçá chorou, parecia que tudo o que lhe importava era a sua própria imagem.

Enquanto passava a olhar quase que de maneira acusatória ao pai, Taeyong começou a olhar com mais compaixão a Jaehyun; a mágoa do término ainda estava ali, mas Taeyong pensava em como Jaehyun tivera que lidar com tanta coisa ainda muito novo. E ele não estava errado em querer justiça, Taeyong provavelmente também fosse querer, mas talvez não tivesse toda a força de vontade do Jung.

Taeyong o admirava muito.

E o amava.

Amava tanto.

E foi graças a esse amor que ele tomou uma decisão crucial; iria ajudar Jaehyun, sim.

O primeiro passo era saber como iria fazer aquilo.

Taeyong lembrou que seu pai trabalhava muito no escritório que tinha em casa. Era óbvio, deveria começar por lá. Contudo, Taeyong não contava com o fato de que a porta do escritório estava trancada e aparentemente apenas seu pai tinha a chave. Ou não.

O garoto recorreu a Kun. O homem trabalhava com Taeyang antes mesmo de de Taeyong nascer, era um homem de confiança do Lee, então ele deveria ter alguma cópia, ou algo do tipo. Convencer Kun de lhe entregar a cópia da chave foi difícil, Taeyong contou uma mentira super fajuta sobre estar atrás de alguns livros que sabia que seu pai tinha, e torceu para que o chinês acreditasse; no fim ele acabou acreditando entregando a chave para Taeyong.

Estava dentro do escritório, só que mais um problema resolveu atrapalhá-lo: a senha do computador.

Tentou todas as combinações que poderia ser, mas no fim o computador ainda estava inacessível. Que tipo de senha seu pai usaria? O jovem Lee tentou mais algumas com combinações e acabou se surpreendendo ao ver que a senha era a data do seu aniversário. Sim, a data do seu aniversário.

Aquilo obviamente mexeu com Taeyong, mas ele tratou de respirar fundo e se atentar ao seu real objetivo. Fuçou todas as pastas que haviam no computador alheio, e no meio do processo acabou se confundindo com tantos arquivos. Meia hora depois, quase ao ponto de desistir, Taeyong atentou-se a uma pasta suspeita. Abriu a pasta dando de cara com inúmeros arquivos nomeados de fichas. Movido pela curiosidade, o Lee abriu um dos arquivos, chocando-se ao ver informações pessoais de uma pessoa que ele nunca havia visto na vida. Ali tinha tudo, número de celular, número da casa, endereço, tipo sanguíneo, tudo o que poderia se imaginar, contudo, nada era mais bizarro do que estava escrito no final.

Finalizado.

Taeyong piscou os olhos, aturdido demais.

Fechou a ficha e passou a abrir todas as outras de diferentes vítimas.

Ao que tudo indicava, seu pai tinha a ficha de todas as pessoas que já haviam sido vítimas dele. Eram homens, mulheres, idosos.

Taeyong estava perturbado. Só que tudo pareceu piorar no momento em que ele deu de cara com uma ficha que trouxe lágrimas pesadas e grossas ao seus olhos.

Lee Minji.

Os olhos claros de Taeyong refletiram nos olhos tão claros quanto os seus.

– Mamãe? – alisou com a ponta do dedo a imagem da bela mulher sorrindo na fotografia. – N-não – negou com a cabeça afundando o rosto nas mãos. – C-como ele pode?

Taeyong chorou por algum tempo na frente da tela do computador, recuperando-se aos poucos. Pegou o pen-drive que havia levado e conectou no computador, passando para ele todas as fichas. Desligou o computador e depois de deixar o escritório, o Lee, muito perturbado, correu para o seu quarto, trancando-se lá pelo resto do dia.

Taeyong demorou a dormir aquela noite. Remexeu-se de um lado para o outro na cama, e antes de pegar no sono completamente, o Lee jurou a si mesmo que faria justiça, não só por Jaehyun, mas por ele mesmo.

 

Taeyong manteve-se de sangue frio ao encontrar seu pai na manhã seguinte. Respondeu ao bom dia dele cordialmente, tomou seu café da manhã e ouviu ele falar por um longo tempo sobre seu futuro na empresa. Taeyong segurou fortemente todos os seus instintos que gritavam para ele surtar e expor tudo o que havia descoberto. Entretanto, Taeyong queria mais.

E foi pensando nisso que ele decidiu seguir seu pai.

Taeyong nunca havia se metido ou se interessado cem por cento nos negócios do seu pai. Mas, agora, ah, ele queria mais do que tudo saber o que ele tanto aprontava. Assim que o homem saiu de casa no sábado de manhã, Taeyong pegou seu carro e o seguiu. Tomou cuidado para que não fosse percebido, mas também tomou cuidado para não perdê-lo de vista. O Lee jurou que o homem fosse para a empresa, era um sábado, mas como Taeyang era o CEO, ele poderia ir para a empresa quando quisesse, só que Taeyong foi surpreendido ao pegar um trajeto completamente diferente do que conhecia.

Pouquíssimos carros iam por aquela estrada, e Taeyong agradeceu por não ter sido notado. Havia sido esperto o bastante para pegar um dos carros do seu pai e o homem tinha tantos que ele mal se lembrava. Taeyong estacionou o carro de luxo mais distante, observando o carro do homem parar em frente a um galpão. Seu pai desceu do veículo e adentrou a construção acompanhado de seus seguranças.

– É agora. – O adolescente sussurrou a si mesmo, pegando o celular e descendo do carro. Devagar, temendo que fosse notado, o Lee foi se aproximando abaixado do velho galpão. Encostou-se na parede, analisando rapidamente como entraria ali sem que ninguém o visse. Rodeou a construção, notando a porta lateral. – Por favor, que esteja aberta, por favor, que esteja aberta – pediu baixinho, botando a mão na fechadura percebendo que estava fechada. – Merda! – praguejou. – Ah, foda-se. – se levantou e jogou-se contra a porta, uma, duas, até na terceira vez ela ceder e Taeyong conseguir abri-la.

Tratou de se mover dali e se escondeu atrás de algumas caixas altas. Tirou o celular do bolso e tirou foto do que estava vendo; eram muitas caixas, Taeyong se assustou ao ver mais a frente algumas armas empilhadas, a grande maioria sendo fuzis e submetralhadoras. O galpão tinha um cheiro forte, Taeyong não sabia ao certo o que era, mas chutou que talvez fosse de drogas.

Havia uma salinha no canto do galpão, Taeyong seguiu seu pai com os olhos, o homem estava andando de um lado para o outro na sala, aparentemente falando alto com os caras que estavam ali. Taeyong fotografou o momento em que seu pai recebeu uma grande quantia de dinheiro e colocou tudo dentro de uma bolsa preta.

Estava decidido a ir embora finalmente, já tinha provas o suficiente para incriminá-lo. Contudo, sentiu seu corpo gelar ao sentir o cano da arma em sua nuca, enquanto o homem atrás de si falava:

– Ora, ora, o que temos aqui? Um bisbilhoteiro.

Taeyong ergueu as mãos para o alto completamente rendido.

– Não faça movimentos bruscos ou eu estouro seus miolos – ameaçou. – Me acompanhe.

Levou Taeyong até o aparente escritório e o garoto ficou frente a frente com seu pai, que parecia surpreso.

– Taeyong? O que faz aqui?

– Peguei ele atrás das caixas espionando. O garoto arrombou a porta traseira.

– Eu estou surpreso. – Taeyang comentou.

– O surpreso aqui sou eu. – O Lee mais novo rebateu. – O que significa isso? Eu não quero acreditar que seja o que eu acho.

Taeyang abriu um sorriso.

– É exatamente o que você está achando. Mas não fique assim, meu filho, isso tudo aqui é para você – abriu os braços vangloriando-se. – Eu construí isso apenas pensando no seu futuro.

– Você pelo visto não me conhece. Acha mesmo que eu tenho orgulho de ter um pai mafioso, corrupto, assassino? Eu tenho nojo de você, nojo! – cuspiu as palavras.

– Não seja ingrato, Lee Taeyong. Foi graças a isso que você nunca passou necessidade na sua vida. Sempre teve tudo o que quis na mão, e com que dinheiro você acha que conseguia? Com esse dinheiro aqui.

– Dinheiro sujo e manchado por sangue. Sangue de inocentes, de... Eu odeio você! – gritou, lembrando da maldita lista e do nome de sua mãe. – Eu nunca vou perdoá-lo, nunca! Seu monstro assassino.

Taeyang relaxou a expressão, dando as costas ao filho.

– Ah, pelo visto descobriu o meu pequeno segredo. – falou quase divertido.

– Pequeno segredo? Como você pode ser tão desprezível?

– Não me leva a mal, filho. Foi algo necessário, eu também a amava muito.

– Mentira! Você nunca a amou, nunca. Talvez nunca tenha amado ninguém em toda a sua vida, você é vazio, é podre, não existe sentimento em você.

– Eu amo você filho, por isso faço tudo isso. Para que quando eu partir, você possa viver tranquilamente.

Taeyong negou com a cabeça.

– Eu não sou igual você. Pode pegar todo o seu dinheiro e toda essa sujeira e... Exploda!

O mais velho riu.

– O que pretende, Taeyong? Você nunca trabalhou ou fez algo por si mesmo, não sabe viver sem o que lhe proporciono.

– Sei, vou saber perfeitamente viver sem você quando você estiver apodrecendo na cadeia.

– Então é isso? Vai entregar seu próprio pai? – ergueu as sobrancelhas.

– Você não pode nem ser chamado de pai.

Taeyang deu de ombros.

– Solte-o – pediu ao seu capanga. – Eu não vou tentar impedi-lo. Você está livre para fazer o que quiser, até mesmo me denunciar. – Se aproximou mais do filho. Ambos eram idênticos, Taeyang era como uma versão mais velha do menor. – Mas eu duvido que você tenha coragem, é um fraco – cuspiu as palavras no rosto do filho, sorrindo presunçoso.

– É o que veremos.

Taeyong correu rapidamente para fora do galpão, entrando no carro e dando partida para bem longe dali.

 

Jaehyun comia uma tigela de lámen enquanto assistia algum programa na televisão, o notebook ao seu lado no sofá aberto em uma guia com notícias de Lee Taeyang. Jaehyun ouviu um catar de pneu na rua, franziu o cenho em confusão, contudo, continuou comendo sua comida tranquilamente, rindo com a boca cheia com as palhaçadas dos apresentadores do programa.

O Jung quase se engasgou de susto ao ouvir batidas apressadas na porta da sua casa. Engoliu o que tinha na boca, deixando a tigela de lado e se levantando do sofá. Andou até a porta e abriu-a, dando de cara com aquele que ainda fazia seu coração bater desgovernado no peito.

– Taeyong?

Jaehyun notou de primeira que Taeyong estava estranho; ele tinha uma expressão angustiada, tremia levemente e quando Jaehyun olhou para trás do Lee ele percebeu que o catar de pneu devia ter sido do carro de Taeyong, que estava estacionado de qualquer jeito na frente da sua casa.

– P-podemos conversar? – Taeyong perguntou e por um momento Jaehyun achou que ele fosse chorar ali mesmo.

– Claro, entre, por favor – deu passagem ao menor, respirando fundo e fechando a porta. Sentiu-se nervoso de repente e tentou ao máximo manter a calma porque ficar perto de Taeyong depois de tudo era mesmo complicado. – Quer me contar o que aconteceu e por que está assim? Senta, por favor. – Jaehyun tirou a tigela e o notebook de cima do estofado, permitindo que Taeyong sentasse. Os olhos do Lee passaram rapidamente pela tela do notebook e ele engoliu a saliva presa na garganta.

– Estava pesquisando sobre o meu pai?

Dessa vez quem engoliu seco foi Jaehyun.

– É que... Bom, você não entenderia.

Taeyong juntou as mãos negando com a cabeça.

– Não, eu entendo sim. O Jeno me contou tudo.

– Quê? – Jaehyun praticamente gritou, arregalando os olhos. – Eu não acredito nisso!

– Jaehyun calma, antes que fosse fique puto com ele, saiba que ele só me contou porque se preocupa muito com você, sério.

– Mas ele não tinha esse direito, eu contei porque confiei nele.

– E eu tenho certeza que pode confiar. Tenho certeza que ele não contaria se não estivesse realmente preocupado. E não se preocupe, eu... Acredito em você.

– Acredita? – sussurrou desacreditado.

– Acredito. – Taeyong se levantou do sofá, aproximando-se do ex-namorado. – Me magoou saber que você não confiou em mim para contar algo assim, mas eu entendi o porquê – confessou. – Eu sei que era complicado demais, e sim, eu fiquei desacreditado quando o Jeno me contou tudo aquilo. Mas eu sei que você nunca inventaria algo assim, não faz o seu tipo. – Pegou nas mãos de Jaehyun, unindo-as às suas.  – Você é a pessoa mais honesta e incrível que eu conheci, foi por isso que eu me apaixonei perdidamente por você – deu um sorrisinho, levantando os olhos para Jaehyun. – Eu confio em você, confio muito.

– O que isso significa? – Jaehyun perguntou baixinho, a testa colando na de Taeyong.

– Significa que tudo o que você disse era verdade. Eu descobri que sim.

– Como?

– Se tinha alguém que poderia descobrir os podres do meu pai, esse alguém era eu. Eu encontrei provas que revelam quem ele é de verdade. Estão aqui – puxou do bolso traseiro de sua calça o pequeno pen-drive. – Aqui já tem coisa o suficiente para fazer com que ele pague por tudo o que fez. Mas aqui, – tirou o celular do bolso também, encostando o aparelho no peito de Jaehyun. – Tem muito mais. Eu o segui – confessou, ganhando olhos esbugalhados em cima de si.

– Taeyong! Você não podia se arriscar desse jeito, eu nunca quis que–

– Eu sei, eu sei. Eu fiz não só por você, mas por mim mesmo. – os olhos de Taeyong começaram a marejar. – E-ele... Ele matou a minha mãe, Jaehyun. – desabou na frente do maior, que o acolheu em seus braços fortes. – O nome dela está nessa lista e ele assumiu na minha frente que a matou. Esse homem é um monstro.

– Você o confrontou?

– Eu tive que fazê-lo. Ele assumiu tudo. – encostou o rosto no peitoral de Jaehyun, abraçando-o pela cintura.

– Eu sinto muito que você esteja passando por isso.

– N-não, eu que sinto muito por você ter sofrido tanto por causa desse homem. Você não merecia isso.

– Nós não merecemos. – Jaehyun abraçou Taeyong ainda mais forte. – Eu sei que ele é seu pai, mas...

– Ele não merece ser chamado de pai, não merece.

– O que pretende fazer com tudo isso?

– Ele disse que eu não seria capaz de entregá-lo, que eu sou fraco demais pra isso. Ele está certo. Eu sou um fraco.

– Não é! – Jaehyun pegou o rostinho do mais velho em mãos, olhando profundamente nos olhos dele. – Você é a pessoa mais corajosa que eu conheço.

– Você é a pessoa mais corajosa que eu conheço. – Taeyong repetiu a Jaehyun. – E é por isso que essa tarefa é sua. Aqui, pegue tudo isso – entregou tanto o pen-drive quanto seu celular ao maior – e vá atrás da sua justiça, da nossa.

Era Jaehyun agora quem sentia seus olhos marejar.

– Taeyong...

– Você lutou a vida toda por isso, então você merece acabar de vez com essa história. – Taeyong sorriu para Jaehyun, que rodeou a cintura dele com um dos braços.

– Eu nunca quis magoá-lo.

– Eu sei que não. – Foi Taeyong quem puxou o maior para um beijo apaixonado, conseguindo matar toda a saudade que sentiam um do outro. – Eu amo você, Jaehyun.

– E eu amo você, Taeyong. – declararam-se um para o outro, as testas grudadas e os lábios próximos o suficiente.

 

Taeyong tinha o rosto deitado no ombro de Jaehyun, sendo segurado por ele pela cintura enquanto estavam no refeitório na companhia de Jeno e Donghyuck.

– Hyung, você está se sentindo bem? – foi Jeno quem perguntou.

O escândalo que havia estourado na mídia envolvendo Lee Taeyang foi assunto mundial. O homem estava ligado há inúmeros casos de desvio de dinheiro, envolvimento com o crime organizado, associação ao trafico, assassinatos. A ficha de Lee Taeyang era bem extensa.

Taeyong tomou seu suco de caixinha, assentindo.

Seu pai havia sido preso há dois dias. Foi estranhamente satisfatório ver o rosto chocado dele enquanto era algemado dentro da própria casa. Taeyong ainda lembrava perfeitamente das palavras dele:

Como teve coragem de entregar seu próprio pai?

– Não entreguei. Você estava certo, eu não seria capaz. Mas o Jaehyun seria. – e Taeyang chocou-se ainda mais ao ver o Jung aparecendo ao lado do filho.

– Estou ficando na casa do Hyuck por enquanto.

– Você sabe que pode ficar lá para sempre, não é? Meus pais adoram você.

– Eu sei, mas estou com outros planos. – Trocou um olhar cúmplice com Jaehyun, pegando o outro casal de surpresa.

– Estão pensando em morar juntos? Céus, vocês são novos demais para casar! – Jeno se desesperou, enquanto Donghyuck abria um sorriso de orelha a orelha.

– Ah, se vocês forem casar eu exijo organizar toda a festa, incluindo as despedidas de solteiro.

Jaehyun riu divertido, tombando sua cabeça para o lado, sentindo um beijo ser deixado perto do seu ouvido por Taeyong.

– Casaria comigo? – O Lee perguntou divertido.

– Você ainda pergunta?


Notas Finais


então meus amores, obg por lerem até aqui.
primeiro quero agradecer a betagem do roy @omri e essa capa lindíssima feita pela @Daddy_Yixing, obg pessoal :)
é isso, até a próxima!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...