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História Amor Por Acidente (Malec) - Capítulo 11


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Capítulo 11 - Primeiro Dia


Pov Alec

-Levantaaaaa! –Ouvi a voz irritante de Clary soar pela sala. Eu estava dormindo em um colchão que não era muito confortável, mas eu daria tudo pra ficar deitado nele por mais algumas horas. –Vamos, Alec!

-Você é a pessoa mais insuportável do planeta! –Resmunguei me levantando, já aceitando o fato de que ela não me deixaria em paz. Olhei meu celular, e vi que ainda eram seis da manhã. –Clary, nós só temos que estar no hospital as nove.

-Na verdade, hoje eu estou de folga. –Falou se sentando em uma das poltronas. Ela ainda estava de pijama, e seu cabelo estava uma bagunça.

-Então por que caralhos você me acordou?! –Perguntei indignado.

-Para nossa corrida matinal! –Sua empolgação as seis da manhã era invejável. –Você vai ficar horas e horas de pé, trabalhando e trabalhando, então..

-Tá, tá, tá! Eu vou, satisfeita? –Ela assentiu, e eu fui direto para o banheiro, porque se tivesse que ouvir uma palestra do que é bom pra saúde, eu enlouqueceria.

Tomei um banho rápido, vesti uma roupa confortável para correr e quando sai do banheiro, Clary já estava pronta.

-Você tem um corpo de dar inveja! –Exclamou. Eu estava de bermuda e regata, além do tênis de corrida. –Você sabe que eu te pegaria né?

-E quem não pegaria, minha querida? –Respondi com convicção.

-O Dr. Perfeito.. –Retrucou, e rapidamente minha expressão mudou de convencida, para emburrada.

-Essa doeu, Clary.

(...)

-Já sabe o que vai fazer da vida? –Perguntou enquanto corríamos pelas ruas de Los Angeles.

-Vou arrumar um velho rico.. –Brinquei, e Clary parou de correr para me lançar um olhar chocado.

-Estou brincando, cabelos de fogo. –Ela respirou aliviada. Já estávamos correndo há uma hora, então resolvemos nos sentar em um banco que havia na calçada em frente a um parque. –Eu costumava achar que tinha todo o dinheiro e tempo do mundo para escolher uma profissão.. agora eu não tenho nenhum dos dois.. como soube que queria ser enfermeira? –Clary suspirou antes de responder.

-Não queria. Meu sonho era ser medica pediatra, mas quando não se nasce em berço de ouro, fica quase impossível realizar um sonho desses. –Pela primeira vez desde que a conheci, eu vi tristeza passar pelos olhos dela. –E pra mim que não nasci em berço nenhum, fica mais impossível ainda. –Sorriu, mas seu sorriso não era sincero.

-O que quer dizer com isso?

-Eu cresci em um orfanato.. nunca fui boa o suficiente pra ser adotada, então eu morei lá até que completei 18 anos e pude viver por conta própria. –Eu estava chocado, não sabia nem o que dizer, e estava completamente arrependido em ter tocado no assunto.

-Sinto muito, cabelos de fogo. –Clary sorriu quando eu baguncei seus cabelos tentando quebrar o clima triste. –Juro que se tivesse te conhecido antes eu teria pago sua faculdade de medicina. –Ela ia responder, mas meu celular começou a tocar no meu bolso.

Vi a foto de Izzy na tela e suspirei, eu não queria que ela descobrisse ainda o que havia acontecido, provavelmente ela iria querer voltar, ou pior, ia contar para o nosso irmão Jace.

-Que gata! –Clary comentou olhando por cima do meu ombro.

-Oi, Maninha! –Sorri para tela, mas a expressão de Izzy era irada.

-Nada de “oi maninha”! Como pode não me contar que foi expulso de casa? Achei que contássemos tudo um para o outro! –Falou em um tom alto, e Clary dava risadas do meu lado.

-Não acredito que até sua irmã mais nova te dá bronca.

-Isabelle, Calma, eu só não quis te preocupar, você iria querer voltar e..

-Mas é claro que sim! aliás, eu já estou providenciando uma passagem para voltar.

-Nada disso, Izzy! Você está no começo do ano letivo, vai se prejudicar muito se vier até aqui. –Falei. –Eu estou bem, estou morando com uma amiga, estou trabalhan..

-TRABALHANDO?!? –Gritou do outro lado da tela, me fazendo tomar um susto, e fazendo Clary rir até se engasgar.

-Sim, Isabelle, estou trabalhando na lanchonete de um hospital.

-Meu deus.. –Murmurou chocada. –Você é mesmo o meu irmão?

-Há há, engraçadinha. –Respondi mal humorado. –Agora eu sou um novo homem, comportado, trabalhador.. um verdadeiro homem de família.

-Ah, não exagera, Alec. –Clary se intrometeu, e eu mostrei meu dedo do meio pra ela.

-Não vai nos apresentar? –Izzy perguntou, e eu a conhecia o suficiente para saber que tinha um tom de ciúmes ali.

-irmã, essa aqui é a minha amiga, Clarissa. –Clary se aproximou para poder aparecer na tela. –Clary, essa é a minha irmã Isabelle.

-Oi. –Izzy a cumprimentou com um sorriso gentil.

-Oi.. seu irmão fala muito de você.. está solteira? –Perguntou sem cerimonia e eu arregalei os olhos, Izzy gargalhou colocando a mão na barriga.

-Sim, ela está solteira e no Canadá.. –Respondi a Clary.

-Mas estou voltando pra casa ainda essa semana.. –Izzy piscou para Clary, e eu fiquei de boca aberta. –Só preciso resolver algumas coisas, trancar a faculdade e..

-Isabelle, eu já disse que estou bem! Você não precisa voltar.

-Você está sem dinheiro, sem casa e sozinho.

-Realmente não tenho dinheiro, mas tenho sim uma casa e não estou sozinho. –Sorri tentando tranquiliza-la. Isabelle suspirou, mas assentiu.

-Clarissa, tome conta dele, por favor? –Clary assentiu sorrindo, as duas sorriram uma para a outra e eu senti um clima rolar mesmo que Izzy estivesse a milhares de quilômetros de distância. –Alec, eu vou ter que contar..

-Isabelle, não!

-Ele tem que saber. –Falou se referindo ao nosso irmão. Jace estava cuidando temporariamente da empresa da nossa família que ficava em Nova York. –Se prepara que ele vai ligar, beijo, te amo! –Desligou antes que eu pudesse suplicar para ela não contar para o Jace.

Eu amava ele, e estava com saudade dele e também de Izzy. Mas quando soubesse, Jace iria querer voltar, iria querer resolver as coisas, e eu não queria atrapalhar a vida dele.

-Acho que estou apaixonada.. –Ouvi Clary murmurar, e revirei os olhos.

(...)

Cheguei no hospital faltando vinte minutos para as nove. Clary estava comigo, e eu não poderia estar mais grato por isso.

-Alec, essa é a Maria, chefe de cozinha e sua chefe também. –Me apresentou a uma senhora que sorriu, e logo depois me puxou para um abraço.

-Maria, ele não tem muita experiência.. mas aprende super fácil. –Clary comentou.

-Não tem problema, você vai ficar no caixa, onde é mais fácil. –Falou e eu assenti. –Esse é o seu uniforme. –Me entregou uma muda de roupa, e Clary me puxou para ir ao banheiro.

-Você sabe que esse banheiro é masculino, não é? –Falei quando Clary entrou junto comigo. Ela deu de ombros com o meu comentário.

Me vesti rapidamente, e logo depois me olhei no espelho. Era uma calça preta, uma camisa social branca e um avental também preto. Além de uma touca muito desnecessária.

-Você vai contar pra alguém se eu disser que estou nervoso? –Passei a mão pelo rosto tentando me acalmar. Eu nunca havia trabalhado na minha vida, e isso parecia levemente assustador.

-Tudo bem ficar nervoso, é o seu primeiro dia.. mas não se preocupe porque vai dar tudo certo.

-Como tem tanta certeza? –Perguntei tentando regular minha respiração.

-Hoje é minha folga, mas eu não vou embora, vou ficar aqui sentada em uma mesa bem perto da lanchonete, e qualquer problema você me chama. –Disse me fazendo respirar aliviado.

-Eu não sei nem como te agradecer, Clary.

-Vou cobrar cem doares por cada hora que ficarei aqui. -Ela gargalhou quando eu a lancei um olhar de raiva. -Estou brincando, pé grande.

-Não gostei desse apelido. -Resmunguei.

-Problema seu.

(...)

Até agora estava indo tudo bem.

Maria me explicou como funcionava o caixa, e eu aparentemente aprendi rápido.

Agora como teste, ela havia me deixado sozinho atendendo aos clientes, e eu estava feliz porque ainda não havia aparecido nenhum cliente.

Clary estava na mesa em frente ao caixa, e eu nunca diria em voz alta, mas eu só não havia entrado em pânico porque ela estava ali me incentivando.

Meu coração quase parou quando eu vi Magnus se aproximar sorrindo.

-Bom dia, Alexander. -Magnus me cumprimentou, e eu só queria sair correndo dali. Aquele uniforme era horrível, mas a touca era a minha morte.

-Bom dia.. o que deseja?

-Apenas um café. -Falou em um tom ameno. Anotei o seu pedido no computador, e Magnus me deu o dinheiro logo em seguida.-Como está indo o trabalho?

-Acho que estou indo bem..

-Você me deu cinquenta dólares de troco.. e era pra me dar cinco dólares.. -Falou me devolvendo o dinheiro.

-Desculpe, estou um pouco nervoso. -Magnus sorriu compreensivo.

-Não tem problema.

-O que ele está fazendo aqui? -A enfermeira do satanás, Catarina, perguntou se aproximando. -Magnus, não me diga que você permitiu isso.

-Foi eu que o ajudei a arrumar o emprego. -Respondeu calmamente. -E eu espero que você seja educada, Cat, porque eu já o perdoei pelo acidente, então não tem porque trata-lo dessa maneira. -Ela não respondeu, apenas me olhou com desdém e saiu.

-Qualquer problema você me avisa, Alec. -Sorriu, pegou o café e se foi. Eu fiquei babando na bunda coberta pelo terno, até que ele entrou no elevador.

(...)

A manhã passou rápido, eu estava me saindo bem, mas também estava a ponto de enlouquecer.

A maioria das pessoas que eu atendi foram tão grosseiras e sem educação, que eu não sabia como ainda estava ali de pé, dando bom dia a todos, mesmo que na verdade quisesse xinga-los.

-Estou orgulhosa! -Clary exclamou quando eu me sentei a mesa junto com ela no meu horário de almoço. -Tirei várias fotos para mandar pra sua irmã.

-Com qual celular?

-O seu. -Respondeu simplesmente. Eu não fazia ideia de como e quando ela havia o pego, mas também não ligava.

-Estou exausto.. -Resmunguei.

-Pois é melhor descansar agora, porque você ainda tem algumas horas de trabalho pela frente.

-A única coisa boa disso tudo é que eu posso apreciar o Dr. Bane passando pra lá e pra cá com toda sua perfeição.

-Alec.. -Clary falou arregalando os olhos, mas eu sequer dei ouvidos, estava mais preocupado em suspirar pelo Doutor.

-Sim, Clary, eu queria sentar nele pra sempre e não vou mais negar..

-Espero que Camille nunca te ouça dizer isso. -Arregalei os olhos quando ouvi a voz de Magnus.

-Me diz que você não ouviu a conversa toda.. -Magnus se sentou em uma cadeira perto de mim.

-Eu agradeço os elogios.. -Seu tom era divertido, nem parecia que havia acabado de escutar que eu queria sentar nele.-..e quanto a você sentar em mim.. -Falou em um tom mais baixo para que outras pessoas não ouvissem. Eu só queria enfiar minha cara em algum buraco. -Eu na verdade nem sei o que dizer.. -Ele parecia estar tímido. -Bem.. hum.. acho que vou indo. -Magnus estava vermelho, e era a cena mais adorável do meu dia. 

Eu assenti escondendo meu rosto atrás do copo de suco.

(...)

Era fim do expediente graças a deus.

Eu me sentia tão exausto, e só queria correr até o Canadá e pedir colo minha irmã.

Só hoje uma mulher já havia me chamado de burro, uma médica pediu para que eu trocasse o café dela três vezes, e outra comentou que eu só tinha beleza, porque cérebro ela disse que era difícil eu ter.

Clary já estava em casa, ela havia ido embora depois do meu horário de almoço porque  precisava descansar.

Entrei no apartamento e a vi sentada em uma poltrona, assistindo tv.

-Como foi? -Perguntou, mas já dava pra ver a resposta na minha expressão derrotada.

-Péssimo. -Coloquei minha mochila no chão, arrastei a poltrona para ficar perto de Clary, e depois me sentei.

-O que eu posso fazer para você se sentir melhor?

-Pode começar tirando esse filme horrível.

-É Titanic! Quem não gosta de Titanic?



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