1. Spirit Fanfics >
  2. Amor Por Acidente (Malec) >
  3. Perda

História Amor Por Acidente (Malec) - Capítulo 13


Escrita por:


Capítulo 13 - Perda


Pov Alec

Quase cinco da manhã e nós ainda estávamos acordados.

Estávamos pensando detalhadamente o que iriamos fazer daqui pra frente, em qual universidade iriamos estudar e como nós faríamos para pagar as mensalidades.

Eram muitas coisas para resolver, mas depois de horas em claro, nós tínhamos um plano pronto para começar a ser executado.

-Você precisa de um celular! Que ser humano não tem celular hoje em dia? –Falei a ela. Clary estava parecendo um zumbi, jogada em cima da cama, de pijama, enquanto tentava não dormir.

-Ai, Alec.. eu não tenho grana pra comprar um celular, vamos dormir.. –Choramingou com a voz sonolenta. Eu estava jogado na cama do lado dela enquanto olhava para o teto.

-Tô vendo que vou ter que arrumar um celular pra você. –Respondi, mas Clary já havia caído no sono. Eu estava tão eufórico com o plano que só percebi que estava morrendo de sono quando fechei os olhos e dormi minutos depois.

Menos de quatro horas depois, o alarme tocou para irmos trabalhar e eu quase quebrei o meu celular na parede tamanha minha frustração, a única coisa boa era o meu almoço com Magnus.

(...)

-Nossa, eu daria tudo por um cochilo. –Clary murmurou encostada no balcão onde eu trabalhava.

-Eu também. –Respondi tão sonolento quanto ela. –Precisamos comprar um quadro branco pra colar na nossa parede. –Falei olhando os médicos passarem de um lado para o outro e tentando ver se algum deles era o Dr. Perfeito.

-Pra que?

-Para nos organizar, Clarissa! Deixar passo a passo do nosso plano na parede da sala para nunca esquecermos.. além disso, também serve para a nossa rotina de estudos e.. o que foi? –Perguntei quando vi que ela me olhava de um jeito estranho.

-Desde quando você está tão certinho?

-Não estou certinho, apenas focado, além disso eu tenho os irmãos mais organizados do mundo, então eu aprendi uma coisa ou outra.

-Ah, Isabelle e Jace Lightwood, também conhecido como os amores da minha vida.. –Suspirou.

-Você não pode ter os dois!

-Na realidade eu não tenho nenhum, então deixa eu pelo menos suspirar por eles. –Falou antes de bocejar. –Te vejo mais tarde. –Disse antes de sair da lanchonete.

-Bom dia! –Magnus disse com animação enquanto se aproximava do caixa. Ele parecia tão radiante e feliz que por um momento eu pensei que ele tivesse finalmente se separado da Duquesa do inferno.

-Bom Dia, Doutor. –Sorri. –O que vai querer?

-Um café apenas, Alexander. –Pegou a carteira do bolso de trás da calça. –Eu também vim dizer que não poderemos almoçar juntos hoje, sinto muito.

-Ah, tudo bem. –Tentei forçar um sorriso, mas não foi tão convincente. –Não tem problema.

Eu não podia negar que havia ficado levemente chateado, na verdade muito chateado. Talvez Magnus fosse almoçar com a sua namorada, e obviamente ela seria a prioridade dele e não eu.

-Eu vou estar ocupado o dia todo..

-Magnus, não precisa explicar. –Entreguei o café a ele.

Eu iria agradecer muito se ele fosse embora agora, porque eu estava simplesmente horrível com aquela touca na cabeça e a cara de quem passou a noite em claro.

-Mas eu quero explicar.. por favor. –Pediu com a voz baixa e gentil, e eu assenti. –Eu tenho uma paciente de doze anos, Luz, que está há cinco anos esperando por um coração.. e finalmente ela conseguiu! –Falou sorridente e eu que estava sério, sorri também. –É uma cirurgia bastante complicada por que ela está muito fraca, então não sei quanto tempo vou demorar.. não quero te deixar esperando. –Como Magnus conseguia ser tão incrível? Depois de cinco longos anos ele finalmente iria salvar uma menina e mesmo assim pensava em mim e no nosso almoço que poderia ser remarcado pra outro dia.

-Magnus, essa menina vai ter um novo coração, uma nova vida a partir de hoje! O nosso almoço é o que menos importa agora, está bem?

-Não queria que um mal entendido fizesse você ficar chateado comigo.

-Você não é chamado de “Dr. Perfeito” pelo hospital inteiro sem motivos, Magnus! Eu nunca ficaria chateado com você. Agora vai lá, salve a vida da Luz porque depois eu quero conhece-la! –Magnus ficou completamente vermelho de vergonha.

-Hum.. obrigado, Alec.. te vejo depois..

-Boa sorte! –Ele assentiu sorrindo antes de começar a andar a caminho do elevador.

(...)

Era quase hora do almoço quando Jace apareceu, Clary estava ocupada novamente, então almoçamos só nós dois.

-Desculpe, Alec.. eu ainda não consegui convencer o nosso pai, mas ainda estou tentando. –Falou antes de comer um pouco da sua salada.

Jace mesmo tendo vinte e cinco anos ainda se alimentava da forma que nossa mãe sempre mandou que nós comecemos. Já eu estava comendo um prato com bife grelhado, batata frita, arroz, feijão, farofa e uma salada pra ninguém dizer que eu não era saudável.

-Eu estou bem morando com a Clary.. não tem importância. –Dei de ombros. Não era boa a sensação de saber que ainda era rejeitado pelos meus pais, mas eu tentei não dar muita importância pra isso. –Mas eu preciso de um favor..

-Diga.

-Preciso de um celular. Eu não queria ter que te pedir, Jace, mas o meu está péssimo.. e.. eu te pago assim que receber. –O Celular novo na verdade era pra Clary, mas eu não iria dizer a ele, e fazer com que ela se sentisse constrangida.

-O que é isso, Alec? O dinheiro também é seu! Não precisa me pagar nada. –Falou incrédulo. –Depois do almoço nós vamos em alguma loja comprar o celular.

-Obrigado. –Agradeci. Eu não pretendia pedir nada a ele, mas a vida de Clary facilitaria muito se ela tivesse um celular, então eu pedi por ela.

(...)

-Um celular novinho! –Entreguei nas mãos de Clary que olhou pra caixinha completamente chocada.

-Meu deus, Alec.. esse celular é extremamente caro! Como conseguiu?

-Bom... eu pedi ao Jace. –Ela me olhou como se fosse me matar.

-Não se preocupe, eu disse que era pra mim. –Clary suavizou a expressão, e depois tornou a olhar para a caixa como se fosse a coisa mais incrível do mundo.

-Eu não posso aceitar.. esse celular parece ser mais caro que o seu.

-Claro que vai aceitar! Ah vamos, Clarissa, você adora ganhar coisas! –Ela pensou por alguns segundos e depois me abraçou com força. 

–Eu só estava fazendo charme, é claro que eu vou aceitar! –Disse sincera. Estávamos no meio da lanchonete, e os outros médicos nos olhavam com curiosidade. –Eu nunca tive um celular.. obrigada. –Sua voz ficou completamente melancólica.

-Ah, você não vai chorar né, curupira? –Clary deu uma risadinha abafada pelo meu avental.

(...)

As horas seguintes passaram rápido. Na verdade eu trabalhei tanto que nem vi a hora passar, parecia que todo mundo do hospital havia resolvido passar na lanchonete hoje, porque no meu caixa se formavam filas enormes que era assustadora só de ver.

Mas agora, felizmente já eram seis horas e eu havia concluído mais um turno de trabalho.

-Alec? Podemos conversar? –Julia, a caixa que ficava das 18 horas da tarde até as quatro da manhã me chamou quando eu estava guardando o avental para ir embora.

-Claro. –Respondi.

-Eu sei que a gente mal se conhece.. e eu nem sei como te pedir isso, mas é o aniversario da minha filha amanhã e eu queria saber se você poderia ficar no meu lugar.. mas se não quiser eu entendo, já que você teria que ficar quase vinte horas seguidas trabalhando e..

-Não, tudo bem.. eu fico. –Respondi calmamente.

-Ai meu deus! Obrigada! –Eu sabia que seria difícil, mas tanto eu quanto Clary precisávamos desse dinheiro. –Eu vou te pagar o dia, está bem? –Eu assenti.

-Vamos? – Perguntei a Clary que se aproximava, já sem o uniforme e com os cabelos soltos. No seu rosto havia uma expressão de tristeza. – O que foi?

–Alec, eu não tenho uma boa noticia. –Eu sequer prestei atenção no que ela disse quando vi Magnus passar pela lanchonete a passos apressados. Ele foi em direção ao elevador e apertou o botão várias vezes de uma forma agressiva e desesperada.

-O que houve com ele?

-Era sobre isso que eu ia dizer.. a Luz não aguentou a cirurgia.. ela morreu. –Fiquei completamente chocado com o que Clary havia acabado de dizer. Eu olhei pra ela e depois pra Magnus que havia acabado de entrar no elevador. Eu queria ir falar com ele, mas talvez ele quisesse ficar sozinho nesse momento. Eu definitivamente não sabia o que fazer. –Vai, acho que talvez com você ele queira falar. –Clary como sempre me conhecendo o bastante, e sabendo quando eu precisava de um empurrãozinho dela. –Te vejo em casa! –Falou e eu assenti antes de ir em direção ao elevador.

(...)

Eu estava há quase três minutos do lado de fora da porta do consultório de Magnus. Eu sabia que ele estava ali, mais ainda não tinha total certeza se devia ir até ele. eu sequer era uma pessoa gentil, amorosa, e carinhosa. Meus irmãos saberiam perfeitamente o que dizer em um momento como esses, já eu não.

Respirei fundo, me aproximei da porta branca com a plaquinha escrita “consultório do Dr. Magnus Bane” e bati três vezes.

-Entre. –Ouvi ele falar com a voz fraca.

Abri a porta, e olhei para dentro da sala, mas não entrei. Magnus estava sentado no sofá, sem o jaleco, e sem o paletó do tradicional terno. Seu rosto estava com uma expressão desolada.

-Eu.. sinto muito pela Luz. –Falei sincero e Magnus assentiu antes de limpar uma lágrima que desceu pelo seu rosto.

-O-obrigado..

-Bem.. você quer ficar sozinho? –Perguntei, e Magnus negou devagar enquanto mordia o lábio inferior para não chorar. Eu assenti, antes de entrar e fechar a porta.

Coloquei minha mochila em um canto no chão, e depois me sentei do seu lado no sofá.

Eu sabia que ele não gostava de falar quando estava triste, então fiquei em silêncio.

Magnus olhava para a parede branca do seu consultório, e eu ficava o observando. Toda vez que desci uma lagrima, ele limpava rapidamente. Era uma sensação horrível vê-lo dessa forma e não poder fazer nada para ajuda-lo.

-Eu contei pra Luz sobre você.. –Falou depois de muito tempo em silêncio, apenas olhando para o nada. - Falei que você era um amigo, e que queria conhece-la, assim que ela melhorasse.. eu prometi que ela iria melhorar, Alec.. e agora.. -Não conseguiu terminar a frase. Magnus fungou, e eu o puxei para um abraço.

Ele chorou, chorou muito, e eu só confirmei o que já sabia: Magnus era o homem mais amável e bondoso que eu já conheci, ele era incrível e era completamente impossível não se ver envolvido por ele.. era tão impossível que eu percebi naquele momento que estava apaixonado.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...