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História Amor Por Acidente (Malec) - Capítulo 14


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Capítulo 14 - Um Quase Beijo


Pov Magnus

Eu não era de chorar muito, principalmente na frente das pessoas. Mas enquanto Alec me abraçava a minha vontade era de chorar mais e mais para ver se de alguma forma essa dor que eu estava sentindo fosse embora.

Mas eu sabia que essa dor não iria embora nunca, porque era mais do que a morte de uma paciente, era a morte de uma paciente que me lembrava muito a morte da Lizzy.

-Sinto muito por não conseguir dizer, ou fazer nada que faça essa dor aliviar.. eu não sou bom nessas coisas.. –Alec sussurrou tocando levemente os cabelos da minha nuca de forma carinhosa. Mal sabia ele que essa era a primeira vez em anos que eu conseguia chorar na frente de alguém, como se apenas ele fosse capaz de ver o meu lado frágil e entende-lo.

Depois de alguns minutos eu respirei fundo e parti o abraço.

-Quer que eu pegue uma água pra você? –Perguntou em um tom gentil e eu neguei.

Eu olhei para Alec sem acreditar no quanto ele parecia diferente. A primeira vez que eu o vi, a minha impressão foi que ele era apenas um jovem rebelde e imprudente que fazia as coisas provavelmente para chamar a atenção dos pais. Agora, ele me passava uma impressão de ser a pessoa mais amável e confiável que já havia passado na minha vida. Essa impressão era tão forte que eu já até havia chorado na frente dele, o que eu não havia feito nem mesmo com Camille ou Catarina.

Limpei as lágrimas, e tentei me recompor.

-Obrigado por se preocupar comigo, Alexander. –Agradeci. 

-Não precisa agradecer, você já fez muito por mim. –Sorriu. –Se sente melhor? Se quiser ficar sozinho eu vou embora.

-Eu me sinto.. –Eu iria dizer que estava bem, mas não queria mentir. -.. na verdade ainda não muito bem. –Suspirei. –Eu sei , você deve me achar um idiota por ser tão emotivo já que perdas faz parte do meu trabalho, infelizmente.

-Não te acho um idiota, Magnus.. na verdade eu te admiro muito por se emocionar assim.. –Alexander parecia ter uma certa dificuldade em dizer coisas gentis que chegava a ser fofo. –Olha, toda vez que eu não estou bem, a Clary me obriga a aceitar o cafuné dela. 

-Isso quer dizer..?

-Sim, Magnus, eu vou te obrigar a receber um cafuné meu. –Falou em um tom adoravelmente autoritário. –Mas não se preocupe, é tudo na amizade.. se bem que o cafuné da Clary é tão bom que eu me casaria com ela se eu não gostasse mesmo era de chupar um.. –Arregalou os olhos quando percebeu o que ia dizer e eu comecei a rir. No começo era levemente assustador a forma em que ele dizia as coisas sem nenhum filtro, mas agora eu achava engraçado.-Desculpe Doutor, as vezes eu falo as coisas sem pensar.

-Não tem problema algum, Alec. –Respondi ainda rindo. –E então? Aquele cafuné vai rolar mesmo? –Alec assentiu. Me aproximei dele e sentei do seu lado, deitei no seu peito e senti ele começar a fazer carinho no meu cabelo.  Era completamente fora do comum a amizade que nós estávamos criando, mas também era a primeira vez em que eu sentia que alguém se importava realmente comigo, depois que minha mãe morreu. –Você e Clary são amigos há muito tempo? –Perguntei porque adorava conversar com ele.

-Na verdade eu a conheci no mesmo dia em que conheci você. –Ele respondeu sem parar de fazer o cafuné no meu cabelo. –Eu sei que você quase morreu para que isso acontecesse.. mas eu sou grato por ter conhecido ela.. e você. –Falou a palavra “você” em um tom mais baixo, como se fosse um segredo. –Clarissa parece uma versão feminina minha..

-Isso eu tenho que concordar! –Exclamei.

-Mas ela é uma versão melhorada sem duvidas. Clary tem um coração gigantesco sabe, é incrível e minha melhor amiga.. eu não sei o que faria sem ela.

-A amizade de vocês é linda. –Falei.

Ficamos em silêncio, e eu fechei os olhos apreciando o toque maravilhoso, com a desculpa de que seria só por alguns minutos, mas quando percebi já estava cochilando.

(...)

Acordei assustado com o barulho do meu aparelhinho.

Alexander também acordou com o barulho e quando eu olhei no celular me assustei quando vi que já eram três da manhã.

-Meu deus, eu preciso ir pra casa. –Disse esfregando os olhos e com uma voz sonolenta. –Que horas são?

-Três da manhã.

-Porra a Clary vai me matar. –Se levantou em um pulo. –Ela deve estar preocupada.

-Eu preciso ver uma paciente agora, mas espere aqui que eu te levo em casa.

-Não precisa, eu vou de carro.

-É perigoso ir sozinho Alexander, deixa eu te levar e amanhã você pega o seu carro aqui, por favor. -Ele assentiu e eu sorri antes de sair para ir até quarto da minha paciente.

(...)

Quando chegamos em frente ao prédio onde Alec disse que morava com Clary eu estacionei para que ele descesse.

-Obrigado pela carona. –Falou se aproximando para me dar um abraço. Eu fiz menção de que iria lhe dar um beijo no rosto, mas Alec aproximou a boca demais da minha.

Seus lábios grandes e com uma cor naturalmente vermelha estavam perto, muito perto, e eu não sei o que raios deu em mim, mas eu nunca quis provar tanto algo como eu queria provar a boca dele nesse momento.

Alec mordeu o lábio inferior, e eu sabia que ele estava tentando me seduzir, mas eu não estava pensando direito e nem conseguindo me afastar.

Talvez se eu fechasse os olhos por um momento, e beijasse ele como queria tanto fazer, eu conseguisse não pensar no quanto aquilo era errado com a minha namorada.

Não, eu não podia fazer isso com ela, mas os lábios dele pareciam tão macios e gostosos.. o cheiro dele era tão bom, e o corpo dele..

-Ai meu deus, d-desculpa.. –Ele falou se afastando, e eu respirei aliviado, ou frustrado, talvez um pouco dos dois. –Magnus, eu sinto muito por isso, eu não queria ter quase te beijado, na verdade eu queria sim, desculpe, eu sei que é errado.. você é o Dr. Certinho, e tem namorada, e não cometeria um erro desses ainda mais com uma pessoa como eu que não vale a pena e eu não quero perder sua amizade por favor me descul.. –Eu precisei segurar uma das mãos de Alec para que ele parasse de falar tão desesperado como se tivesse acabado de cometer um crime.

-Está tudo bem, não aconteceu nada.. e se tivesse acontecido a culpa não seria apenas sua porque eu também quis. –Respondi com sinceridade.

-Você quis? –Bateu os cílios sem parar com os olhinhos arregalados.

-Sim, você é uma pessoa incrível e é lindo, eu acabei não resistindo. –Fiquei extremamente vermelho.

Eu estava me sentindo completamente culpado em ter feito isso tendo uma namorada me esperando em casa.

-Desculpe, Alexander.. isso foi completamente errado da minha parte.

-Não se preocupe, não tocarei mais no assunto. –Sorriu compreensivo antes de descer do carro. –Tchau, Doutor.

-Tchau, Alexander..

(...)

Pov Alec

Entrei no apartamento, e ele estava completamente escuro.

Deixei minha mochila em cima da poltrona e fui direto para o quarto de Clary.

Bati na porta várias vezes e só depois de muita insistência Clary me atendeu.

Ela estava com o rosto marcado pelos lençóis e os cabelos bagunçados, além de um pijama rosa com florzinhas que era grande e horrível, mas deixava ela fofa.

-Estava dormindo??

-Mas é claro! O que você achava que eu estava fazendo? -Resmungou enquanto voltava pra cama comigo atrás.

-Eu achei que você estivesse morrendo de preocupação com a minha demora.

-Ah, eu estava.. morrendo de preocupação enquanto dormia. -Debochou e eu revirei os olhos.

-Tudo bem.. se quer tanto dormir, eu conto sobre eu e Magnus depois..- Comecei a andar devagar em direção a saída.

-Nem pense em sair desse quarto sem me contar o que aconteceu, Alexander! -Eu estava louco pra contar então voltei depressa e me joguei na cama. -Pelo amor de deus me diz que vocês transaram!

-Quem dera..- Suspirei. -Nós apenas conversamos, nos abraçamos e quase nos beijamos.

-O que?? Aí meu deus! -Clary, que estava semimorta deitada na cama, levantou e se sentou em um pulo.-Por que foi um quase beijo?

-Porque eu me afastei..

-Você o que?! –Me deu um tapa forte no braço. –Por que fez isso?

-Porque eu gosto dele! –Confessei  antes de tapar o meu rosto com o travesseiro.

Depois de alguns minutos eu tirei o travesseiro do rosto e vi a expressão chocada de Clary.

-Espera, você gosta dele, gosta mesmo? Ou apenas quer muito sentar nele?

-Eu gosto, Clarissa. -Respondi. -Gosto dele ao ponto de querer abraça-lo a cada segundo, querer apertar as bochechas dele toda vez que ele fica vermelho e querer ouvi-lo falar sobre medicina ou qualquer outra coisa.. céus eu me sinto um idiota!

-Mas isso não é só gostar.. Alec, você tá apaixonado! -Exclamou feliz.

-Eu sei, estou fudido.

-Por que não o beijou quando teve chance?

-Ele parece gostar de Camille, iria se sentir extremamente culpado.. e eu não quero isso.

-Entendo.. eu diria pra você seduzi-lo até que ele não resistisse, mas não acho que seja um bom conselho.. então infelizmente você vai ter que aceitar apenas a amizade dele, grandão. -Suspirei dramaticamente. -Vem cá. -Clary colocou um travesseiro no colo e me puxou para que eu deitasse. -Tudo se resolve com um bom cafuné. -Começou a fazer carinho no meu cabelo. Geralmente toda vez que ela fazia isso, as coisas pareciam realmente se resolverem, mas agora, acho que nem um cafuné da minha melhor amiga me faria tirar Magnus Bane da cabeça.



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