História Amor por conveniência - Capítulo 1


Escrita por:

Postado
Categorias EXO
Tags Abo, Casamento Arranjado, Chanbaek, Kaisoo, Não Sei E, Talvez Tenha Lemon
Visualizações 239
Palavras 4.770
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção, Fluffy, Lemon, LGBT, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, peixinhos <333 tudo bom?
Faz um tempinho que não apareço com algo descente por aqui, então, para tentar sair desse bloqueio horrível que me abraçou, estou tentando escrever algo diferente. Não prometo atualizar todas as semanas, por causa do estágio que começarei a fazer, mas não demorei muito (dessa vez é sério).
Essa fanfic é para a namorada mais linda desse mundo. Te amo, Alice <3333
Agradeço imensamente a Dulce (@DulceVeiga2) pela betagem maravilhosa <3 você é um arraso, mulher. A Indelikaido pela capa maravilhosa aaaa te amo de montão <3, e a Barbs, por me ajudar com a sinopse. Você é uma rainha <3
É isso, espero que gostem <3

Capítulo 1 - Apenas um golpe


Baekhyun franziu o cenho tentando enxergar o endereço em uma placa que havia no meio-fio. A placa estava parcialmente iluminada pela luz da lua naquela penumbra que tomava conta do bairro devido a uma tempestade que fez com que a energia acabasse, e para ajudar, não fazia ideia de onde havia enfiado seus óculos. Um arrepio cruzou sua coluna quando um vento frio adentrou sua camiseta larga, quase fazendo-a dançar em seu corpo magro. Havia algo singular na forma como o vento soprava naquela sexta-feira, e o rapaz nem de longe saberia dizer se era algo positivo.

Havia feito o certo investindo tanto dinheiro daquela maneira? Afinal, havia juntado aquela quantia durante anos e anos trabalhando meio período em todo o tipo de trabalho, restaurantes, cafeterias, serviços de entrega e até mesmo babá de animais. Sentia seu coração parar só de pensar que havia investido em algo que não o agradaria no final.

Balançou a cabeça duas vezes, concluindo que não tinha como se arrepender de ter comprado uma pequena e confortável casa em um bairro pacato de Seul, afinal, agora tinha seu próprio lar. Com algumas bagagens no ombro, fora um pouco difícil conseguir encontrar o celular na bagunça de roupas que estava sua mochila, e quando conseguiu, ligou a lanterna para que pudesse iluminar a placa novamente, e ter certeza que estava na rua correta. O céu nublado anunciava que logo choveria novamente, e Baekhyun, de forma alguma poderia deixar a chuva molhar suas coisas, ainda faltavam duas prestações para pagar do notebook que havia comprado no começo do ano, e perdê-lo estava fora de questão.

Apertou o passo quando um trovão explodiu no céu, logo virando a esquina e finalmente encontrando o endereço que havia marcado às pressas no papel. Havia estado ali duas vezes apenas, e de táxi, o que não facilitou a localização quando ele saiu do metrô. Havia entrado em duas ou três ruas erradas e temia que fosse assaltado, já que o ômega quase não conseguia sentir quando alguém se aproximava devido ao cheiro de chuva que preenchia seu olfato pouco apurado.

Um sorriso adornou seu rosto ao buscar o molho de chaves em seu bolso e abrir a porta, iluminando o cômodo ainda com a lanterna do celular. Não era uma casa grande, mas era arejada e confortável o suficiente para si. Havia uma cozinha americana e um balcão que separava a sala de jantar da cozinha, uma sala espaçosa onde Baekhyun já se viu tirando vários cochilos naquele sofá. A cozinha era pequena, com armários altos, o que seria um pouco difícil para si, já que não era lá um exemplo de altura, mas havia gostado da casa justamente por ter dois quartos espaçosos, porque seus pais poderiam visitá-lo quando quisessem, e céus, como sentia falta dos progenitores! Principalmente do bolo de abacaxi que a mama Byun fazia. O garoto ficou com água na boca só de recordar.

Como o bom bagunceiro que era, Baekhyun deixou suas bagagens de qualquer forma na porta de entrada e abriu os armários procurando alguma vela por lá. A senhorinha que lhe vendera a casa havia deixado algumas coisas arrumadas para si, como toalhas, lençóis e, se desse sorte, velas. Depois de um tempinho procurando, Baekhyun finalmente as achou em um aparador que ficava no meio da sala de estar, onde, com certeza, Baekhyun colocaria um porta-retrato ou outro. Havia enviado algumas coisas durante a semana, como utensílios domésticos, copos, talheres e coisas do gênero, então pegou uma xícara que estava dando sopa por perto e colocou a vela, pondo-a no centro da mesa para iluminar a cozinha. O rapaz colocaria as coisas em ordem no dia seguinte, naquele só queria comer alguma coisa e descansar. Por isso, foi direto à sacola com a comida chinesa que havia comprado enquanto estava indo, e se deliciou com os rolinhos primavera, adorava o molho agridoce que os acompanhava.

Baekhyun gastou alguns minutos pensando se deveria tomar um banho frio ou deixar para tomar um quentinho quando acordasse, e concluiu que dormir sem banho não o mataria, afinal, estava frio demais para um banho gelado. Apenas colocou um pijama para dormir e deixou Morfeu lhe abraçar.

O Byun não saberia dizer se o fato de ter sono leve era algo positivo ou negativo, porque, por mais fácil que fosse acordar para ir para o trabalho, qualquer barulhinho já o fazia despertar no mesmo instante, e naquela madrugada não foi diferente. Caía o mundo lá fora quando Baekhyun escutou o barulho da dobradiça da porta da entrada, o fazendo alarmar-se. Com um pouco de dificuldade, já que o rapaz era todo espalhafatoso, ele conseguiu manter-se em silêncio enquanto pegava o spray de pimenta que mantinha na mochila, caso algum alfa sem noção tentasse se aproximar com intenções ruins. Tendo isso em mãos, Baekhyun foi pé por pé pelo corredor, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Era impossível que fosse algum amigo seu ou até mesmo seus pais, considerando que não havia feito uma cópia da chave para ninguém. O rapaz desde o começo teve certo receio de mudar-se para um bairro calmo, tinha medo de, por ser pacato, pudesse ser alvo de assaltantes pela madrugada.

Assim que o garoto cruzou o corredor, tentou observar a sala de jantar, e sentiu um cheiro predominante no ar, o que fez seu corpo gelar. Por mais forte que fosse, e que também soubesse lutar, dificilmente conseguiria vencer uma luta de corpo-a-corpo com um alfa; sabia muito bem disso, e era exatamente por isso que carregava o spray de pimenta. Com quase lágrimas nos olhos, o Byun adentrou a sala de jantar, e conseguia ouvir barulhos de panela vindos da cozinha. A penumbra não facilitava em nada, o garoto apenas seguiu seu olfato, e conforme se aproximava da cozinha, o cheiro cítrico ficava mais forte.

Um grito esgoelado deixou sua garganta quando sentiu um puxão em seu pulso, ao mesmo tempo em que um raio iluminou boa parte da casa, fazendo-o ver parcialmente o rosto sem expressão do homem à sua frente, que segurava-lhe com força, impedindo-o de escapar. Merda, merda, merda! A única coisa que passava em sua cabeça era que aquele alfa faria picadinho de si.

– Quem é você? – falou firme, fazendo um arrepio medonho cruzar a coluna do ômega, que deixou seu lábio tremelicar pelo medo. O homem tinha a voz grossa, e por mais que não estivesse usando sua voz de alfa, o fazia tremer na base.

– N-não é da sua c-conta... – declarou baixo, sentindo a força em seu pulso aumentar conforme tentava se esquivar do homem. Sabendo que as chances de sair ileso naquele combate eram quase nulas, o rapaz, em um movimento rápido, pegou o spray com a outra mão livre e espirrou nos olhos do alfa, ouvindo um grito de dor em seguida. Não tendo nenhuma arma consigo ou qualquer coisa que pudesse usar para se defender, Baekhyun tirou a pantufa cor de rosa do pé e se encorajou a bater no assaltante com aquilo. Pelo menos lhe daria tempo para abrir a porta da entrada e fugir dali para pedir socorro e acionar a polícia local, mas antes que pudesse se mover, o rapaz caído no chão segurou sua perna.

– Se você não me soltar, eu vou chamar a polícia!

– Você irá chamar a polícia? – o homem riu sarcástico. – Eu é que deveria estar fazendo isso, seu ladrãozinho de merda. Eu deveria acabar com a sua raça para você aprender a não invadir a minha casa. – Após ouvir aquilo, Baekhyun parou de tentar fugir e franziu o cenho, querendo ter certeza se havia ouvido certo.

– Espera, o que você disse? Sua casa?

– Por que o espanto? – questionou ainda mais confuso que o ômega.

– Porque essa casa é minha. Faz poucas semanas que comprei... Me mudei para cá hoje.

– Isso é impossível. Não acredito que...

– Aquela velha filha da puta nos enganou. – Baekhyun o cortou, tendo finalmente seu tornozelo livre. Seu corpo caiu quase que pálido no chão; então era por isso que estava sentindo um aperto estranho no peito. Sabia que algo bom não estava por vir, mas não esperava que fosse tão ruim daquela maneira. – Quais são as chances de isso ter sido um erro da imobiliária? – perguntou baixinho, ainda não conseguindo ver o rosto do homem nitidamente por causa do escuro, mas tinha certeza de que ele era alto e forte.

– Vamos torcer para que enormes.

– E o que iremos fazer?

– Eu não faço ideia... – o homem suspirou, esfregando os olhos que ainda ardiam.

– Me desculpa pelo spray, eu realmente pensei que fosse um assalto.

– Dado as circunstâncias, realmente parecia. Não se preocupe.

– Não esfrega os olhos – ordenou, tomando a liberdade para segurar o pulso do rapaz, conseguindo ver seu rosto de perto. Seus olhos eram grandes, com um formato adorável, e estavam irritados. – Vem, lava o rosto primeiro. – O alfa concordou, apenas levantando e deixando-se ser guiado por Baekhyun, que o levou até a pia da cozinha e o pediu para lavar o rosto por alguns minutos, para que diminuísse a sensação de queimação que o spray causava na pele e nos olhos. – Ainda está queimando? – perguntou preocupado, vendo o outro aquiescer. – Merda, não tem leite aqui...

– Não se preocupe, eu fechei os olhos e não entrou tanto. Está saindo com água, logo a sensação passa.

– Olha, eu realmente sinto muito. Não quer ir no pronto-socorro?

– Não é necessário. No seu lugar, eu teria feito o mesmo se um desconhecido adentrasse a minha casa – respondeu ainda enxaguando o rosto. Depois de alguns minutos e de lavar o rosto com sabão, a ardência foi embora, mas posteriormente o rapaz pingaria um colírio por precaução. – Eu acho que não podemos fazer nada agora, visto que são três da madrugada. Podemos entrar em contato com a imobiliária pela manhã e resolver isso. Sei que é estranho dividir o mesmo teto com alguém que você não conhece, sequer sabe o nome, mas podemos tentar isso, não é? Pode trancar a porta do quarto se isso te fizer se sentir seguro, eu apenas quero ir para o outro quarto e descansar. – Baekhyun não disse nada, apenas aquiesceu em resposta, com o olhar vago. Estava exausto e queria apenas voltar para o quarto e ter uma boa noite de sono, por mais que soubesse que não conseguiria dormir dividindo a casa com uma pessoa desconhecida, na qual ele não confiava e não fazia ideia se aquilo tudo que o outro dissera era verídico. Aquele homem ainda poderia ser um assaltante e estar lhe enganando, mas algo em Baekhyun o fazia querer acreditar naquele homem. Estaria seguro com a porta do quarto trancada, não é? Se sentiria mais seguro se tivesse bateria no celular e pudesse acionar a polícia. A caixa de energia do bairro havia entrando em circuito devido a um raio que caiu próximo, e provavelmente só resolveriam aquilo pela manhã, então Baekhyun não tinha muita opção a não ser concordar levemente com a cabeça e desejar boa noite, seguindo para o seu quarto. Trancou a porta ao adentrar o cômodo quente e deixou o spray de pimenta no criado-mudo ao lado da cama, caso precisasse usar novamente, e naquela noite, foi a primeira vez que agradeceu por ter o sono leve.

...

Dizer que Baekhyun conseguiu dormir mais de duas horas seria uma enorme mentira. Todo barulhinho que escutava, o garoto entrava em alerta, pensando que sua porta seria arrombada em seguida e aquele homem enorme lhe mataria e venderia seus órgãos no mercado negro. Talvez o garoto tivesse a imaginação fértil demais por conta dos inúmeros filmes policiais que gostava tanto de assistir, mas ainda assim, não era uma opção a ser descartada. Quando os raios de sol começaram a aparecer, Baekhyun anotou mentalmente que deveria trocar a cortina daquele quarto; por ser de uma cor clara, os raios passavam facilmente por si e batiam em seu rosto. Quando o relógio marcou oito da manhã, o garoto despertou completamente ao ouvir barulhos de passos pela casa, anunciando que o homem do quarto ao lado já estava acordado, então o Byun reuniu toda a coragem que tinha dentro de si e levantou-se da cama, disposto a resolver aquela situação. Calçou a pantufa cor de rosa e colocou os óculos de grau, destrancando a porta em seguida.

Um tanto quanto amedrontado, espiou o corredor por uma fresta, vendo-o vazio, o que causou certo alívio em si. Saiu do quarto pé por pé novamente, percebendo que a porta do outro quarto estava fechada. Julgando pelos tilintares de talheres que vinha da cozinha, ele concluiu que o homem misterioso deveria estar tomando café da manhã. Baekhyun parou no final do corredor e espiou o alfa que tomava café de costas para si, e parecia estar entretido com alguma coisa no celular.

– Bom dia – Baekhyun quase sobressaltou ao ouvir a voz grossa ecoando pela casa.

– Hm... – resmungou sonolento. – Bom dia – respondeu sem jeito, não sabendo ao certo como deveria agir diante daquela situação constrangedora. Encontrá-lo ainda ali significava que o homem alto não era um bandido, certo? Baekhyun queria veementemente acreditar naquela suposição. O ômega levou os dedos finos até os fios loiros que caiam em sua testa, tentando de forma falha arrumá-los. Percebendo seu desconforto, o homem alto levantou-se e virou-se para si, e então, na luz do dia, Baekhyun pode perceber que ele era mais alto que imaginava. Poderia facilmente dizer que ele tinha dois metros de altura.

– Bom, antes de tudo, eu gostaria de me apresentar. Eu sou Park Chanyeol – esticou a mão para si.

– Byun Baekhyun – respondeu no mesmo tom, pegando na mão do Park. Agora que conseguia vê-lo mais nitidamente, finalmente pôde reparar em como o Park era bonito; talvez bonito fosse uma palavra um pouco vaga para descrevê-lo. Era corpulento, ombros largos e fortes, braços musculosos e pernas compridas. Os braços fortes estavam bem marcados pela camisa social que usava, com a manga dobrada no cotovelo, o que dava a Baekhyun uma perfeita visão das veias que percorriam o antebraço e acabavam nas mãos grandes. Merda, não era um momento propício para babar em um homem do qual Baekhyun apenas sabia duas coisas: 1ª) o seu nome, e 2ª) que ele possivelmente havia sido vítima de uma falsa corretora de imóveis. Assim como ele próprio, mas Baekhyun estava fazendo o possível para não pensar nessa opção, queria acreditar que havia apenas sido um engano.

Baekhyun não era inseguro com sua aparência, tinha total consciência de que possuía uma beleza fenomenal, mas naquele instante, diante daquele alfa que de alguma forma exalava superioridade só pela forma que se movia, ele sentiu-se pequeno. Enquanto aquele homem estava todo alinhado em plenas oito horas da manhã, Baekhyun não fazia ideia da direção para onde seus fios estavam apontando, sequer sabia se estava vestindo uma cueca por debaixo do pijama. Como se a situação não fosse constrangedora o bastante, Baekhyun sequer se deu conta de que o pijama mal tapava suas coxas, o que lhe fez, por alguns segundos, ficar com vergonha.

“Merda, que tipo de situação era aquela?” pensou Baekhyun, e obviamente não era apenas o Byun que estava a babar por um homem que sequer sabia o nome. Se fosse em uma situação casual, provavelmente o Park se aproximaria e pediria seu telefone, o chamando para um encontro em seguida. Seria mentira dizer que não cogitou aquela ideia, mas sequer sabia se poderia confiar naquele homem que dizia que também havia comprado aquela casa.

– Bom, eu estava te esperando acordar para que pudéssemos ir na imobiliária resolver essa situação.

– Ah, sim... – concordou com a cabeça. – Eu só preciso tomar um banho antes. Prometo não demorar – antes que o Byun pudesse sair da cozinha, ouviu a voz grave do Park ecoar pelo cômodo pequeno.

– Por que não toma café antes? – Baekhyun lhe encarou por breve segundos. – Eu imaginei que estivesse com fome, já que acabou a energia e você provavelmente não conseguiu comer adequadamente ontem de noite, então, tomei a liberdade de preparar panqueca de kimchi. Minha mãe tem um restaurante no centro, e é a especialidade dela, e bom, minha também. Espero que esteja boa. Enquanto você come, eu vou terminar de lavar a louça. – Baekhyun sequer teve tempo para dizer algo, ou protestar, Chanyeol virou-se de costas e começou a lavar a louça que havia sujado para preparar o café. E por alguns segundos, Baekhyun pensou que o Park daria um ótimo namorado, e, percebendo que esse pensamento estava inundando sua cabeça, Baekhyun a balançou duas vezes e sentou-se, pegando o hashi e abrindo a panqueca, começando a comer em seguida. E merda, como se já não bastasse toda aquela aura sedutora, e a beleza inexplicável, aquele filho da mãe cozinhava muito bem!

Baekhyun com certeza visitaria o restaurante da Sra. Park algum dia.

O tempo que demorou para comer fora o suficiente para que o Park terminasse de lavar a louça, e assim que o fez, virou-se para si, enxugando as mãos enormes em um pano de prato.

– Oh, você terminou. Como estava? Espero não ter ficado muito apimentada.

– Sinceramente, é a melhor panqueca de kimchi que eu já comi. Eu poderia comer isso todos os dias que sairia rolando feliz da vida – confessou colocando a mão na barriga em que havia um pequeno volume por ele ter comido mais do que seu estômago aguentava. Sua atenção foi tomada ao ouvir o Park soltar um riso baixo.

– Você é engraçado – disse antes de olhar no relógio. – Já passou das oito horas, a imobiliária já deve estar aberta.

– Eu vou tomar um banho, então. Não irei demorar. – O Park aquiesceu ao mesmo tempo em que sentava no sofá da sala, se distraindo com o celular; enquanto Baekhyun atravessava o corredor para que pudesse ir até seu quarto buscar roupa, já que seria inconveniente desfilar por ali de toalha. O ômega só conseguia pensar sobre aquele homem. Quem era ele? O que fazia? Era realmente seguro confiar nele?

Depois de estar de banho tomado e ter total consciência da direção dos fios louros, Baekhyun retornou à sala, e mesmo que estivesse arrumado, o Park ainda assim parecia grande vestindo aquele blazer cinza, enquanto o Byun apenas vestia uma calça jeans justa ao corpo e uma blusa branca, como estava acostumado. O Park engoliu um riso ao perceber que ele ainda calçava aquela pantufa cor de rosa; era cômico, e estranhamente, adorável.

– Podemos ir? – questionou o Park, levantando-se.

– Sim – dito isso, Baekhyun seguiu Chanyeol até a porta, colocando o sapato que estava na soleira, para então, trancar a porta e saírem. O clima estava ainda gelado por conta da tempestade da noite anterior, por isso, Baekhyun apanhou seu casaco antes de sair. O carro de Chanyeol estava estacionado na frente da casa. O Park abriu a porta e gritou do outro lado “entra aí”, e Baekhyun o fez.

“E se isso for um sequestro?” foi o que o Byun pensou ao adentrar o veículo e colocar o cinto de segurança. Estranhamente, o alfa parecia estar à vontade com a sua presença, como se eles fossem amigos há anos, enquanto Baekhyun queria cavar um buraco e enfiar a cabeça. Odiava quando uma situação saía de seu controle e naquele momento, sentia-se perdido. Não saber o que esperar daquela confusão estava deixando-o ansioso, o fazendo levar o polegar até a boca e mordiscá-lo levemente, tentando ser otimista ao pensar que aquilo seria resolvido em seguida, e que não passaria de um erro cometido pela imobiliária.

O Park percebeu seu nervosismo pela forma como ele balançava a perna, e tentando quebrar aquele clima tenso, ligou o rádio, que começou a tocar uma música antiga do Oasis que o Byun não fazia ideia do nome, porém, sabia uma boa parte da letra, e isso foi o suficiente para lhe distrair enquanto percorria o curto caminho até o local. Por mais que Chanyeol quisesse iniciar uma conversa, pelo jeito que Baekhyun parecia estar afetado com toda aquela situação, ele não sabia se deveria, não queria piorar uma situação que já parecia estar ruim o suficiente. Demorou alguns minutos para que eles chegassem ao bairro onde se localizava a imobiliária, Baekhyun não conhecia aquele bairro muito bem, tinha um péssimo senso de direção. Provavelmente se perderia se fosse ali sozinho, porque todas as ruas pareciam ser iguais. Era um bairro pacato como o seu, pouca coisa mais afastada que o centro. O Park particularmente gostava daquele bairro pelas confeitarias que havia ali, vendiam o melhor bolo de morango que o rapaz já havia provado na vida, e bom, ele era uma formiga que poderia comer doce o dia todo. Não era para menos que aquele bairro estava na sua lista de favoritos, principalmente a confeitaria da Sra. Kim. A mulher havia passado boa parte de sua vida morando no Canadá, e seu Beaver Tail* era de dar água na boca. Park decidiu que passaria ali para comprar alguns e levar para casa, e aproveitaria para visitar a mãe do melhor amigo.

Assim que o Park estacionou o carro, o Byun franziu o cenho ao deparar-se com as portas do local, estavam fechadas e havia uma enorme placa ali com os dizeres “aluga-se”. Imediatamente lhe bateu uma vontade de sentar naquele meio fio e abrir o berreiro. No mesmo instante sua mãe lhe veio na cabeça, lembrou-se dela dizendo que Baekhyun era grande demais para sair chorando por aí, mas Baekhyun sequer ligava. Já havia perdido toda a sua dignidade pela quantidade de vezes que havia chorado no transporte público por conta da matéria acumulada da faculdade. Se aquilo não era motivo para alguém chorar de desespero, Baekhyun não sabia o que era.

No mesmo instante, o Park sacou o celular do bolso e começou a procurar o número da mulher que havia lhe vendido a casa, e suspirou profundamente ao cair na caixa postal inúmeras vezes.

– Penso que deveríamos ir na delegacia – avisou Baekhyun, que até o momento, estava absorto em seus pensamentos encostado em seu carro, ainda mordendo a ponta do dedo, e o Park sentiu-se péssimo ao notar os olhos brilhosos. Não que o Park não estivesse desesperado com aquela situação, mas como advogado, já havia passado por inúmeros processos envolvendo golpes de corretor de imóveis. Nunca sequer passaria por sua cabeça que ele seria a vítima algum dia. Deveria ter tomado cuidado e ter investigado a imobiliária mais a fundo, mas como ela pertencia a mãe de uma colega de trabalho, achou que não seria necessário. Foi naquele instante que teve a ideia de ligar para Soohyung. O número chamou algumas vezes e caiu na caixa postal em seguida, então ele decidiu ligar para o escritório de advocacia. Não demorou muito para que Yifan atendesse e lhe informasse que Soohyung havia pedido demissão no dia anterior.

Tudo indicava que eles haviam sido enganados, e essa possibilidade o fazia querer arrancar os cabelos.

– Entra, vamos na delegacia fazer um boletim de ocorrência – Baekhyun concordou, fungando e entrando no carro em seguida. O caminho foi silencioso, Baekhyun permaneceu com a cabeça encostada no vidro do carro, pensativo. O garoto havia dado todo o dinheiro que tinha em sua conta para aquela mulher; nunca sentiu-se tão perdido quanto estava naquele momento, e não fazia ideia do que iria fazer caso precisasse sair daquela casa. Poderia passar alguns dias na casa do melhor amigo, mas não poderia ficar ali para sempre, e voltar para a casa dos pais estava fora de cogitação, afinal, além de ter que ir para a faculdade, era orgulhoso para admitir que seu pai estava certo quando lhe disse que era inocente demais para morar na cidade grande.

– Byun? – o Park chamou sua atenção, o fazendo virar para si. – Chegamos. Você está bem? – o outro aquiesceu desanimado, tirando o cinto de segurança e descendo do veículo em seguida. No caminho, Chanyeol havia entrado em contato com o delegado, que era um amigo de longa data, e o mesmo lhe esperava na porta da delegacia. Kim Minseok era um rapaz de baixa estatura, porém, era um alfa poderoso, talvez um dos mais fortes da cidade. O Kim lhes direcionou até um bloco que havia ali, pedindo-lhes para sentar em seguida. O Park resolveu tomar o controle da situação e contar-lhe tudo que havia acontecido, inclusive sobre sua ex-colega de trabalho, e o delegado fez algumas perguntas para Baekhyun.

– Bom, eu chequei o nome da imobiliária e a credencial da corretora, e sinto muito, Park, a credencial não existe. A imobiliária realmente existe, a casa está no seu nome, mas tudo sobre ela simplesmente desapareceu. Nós iniciaremos uma investigação e tentaremos localizar a corretora, e sua ex-colega de trabalho. Entraremos em contato com vocês assim que acharmos alguma coisa. Tudo bem? – O Byun assentiu, e o Park fez o mesmo, pegando na mão do delegado e agradecendo em seguida. Quando saíram da delegacia, Baekhyun ainda estava com o olhar perdido.

– O que eu vou fazer? – questionou baixinho, suspirando em seguida. – Eu dei todo o dinheiro que tinha, sequer tenho dinheiro para alugar algo agora – Baekhyun confessou com a voz embargada.

– Acho que a melhor opção agora é voltarmos para a casa. Não é porque a casa está no meu nome que significa que é minha. Afinal, você também a comprou. Vamos para a casa e resolvemos essa questão – Baekhyun novamente, apenas concordou com a cabeça e o Park abriu a porta do carro, lhe indicando para entrar.

Assim que chegaram, Baekhyun deixou o sapato na soleira e jogou o corpo contra o sofá macio; o garoto sentia o chão afundar sob os seus pés, mas sabia que chorar naquele momento não resolveria nada. Talvez devesse ligar para Kyungsoo e pedir para ficar alguns dias em seu apartamento, mas o alfa estava tão ocupado com sua residência no hospital que Baekhyun não queria lhe preocupar com seus problemas, mesmo que soubesse que Kyungsoo lhe chutaria quando descobrisse que Baekhyun lhe escondeu uma coisa como aquela.

Chanyeol aproximou-se um pouco, com medo de invadir o espaço pessoal do Byun; apenas sentou-se no outro sofá, observando o garoto deitado no sofá, ele estava prestes a chorar e o alfa não sabia o que fazer. Nunca sabia o que fazer quando alguém chorava, ele queria muito dar um abraço em Baekhyun, mas temia que um abraço fosse íntimo demais e que ele entendesse de forma errônea e ficasse zangado.

– Eu não vou te pedir para sair, Byun. Você pode ficar aqui o tempo que precisar. Essa casa também é sua.

– O problema não é só esse, Park – disse sentando-se. – Eu não posso morar com um alfa. Meus pais irão surtar se souberem que estou dividindo o mesmo teto que um alfa. Eles são tradicionais, acham que pessoas devem morar juntas só depois do casamento. Eu fui criado assim, e chegar do nada dizendo que estou vivendo com um alfa seria o mesmo que iniciar a terceira guerra mundial. E o pior de tudo, é que eles virão me visitar daqui há dois dias, para conhecer a casa. Eu simplesmente não sei o que fazer.

– Eu não posso dizer que minha situação está diferente.  Faz pouquíssimo tempo que fui aprovado no exame da Ordem dos Advogados. Ainda não tenho dinheiro para alugar outra casa, o dinheiro que usei na compra desta casa foi herança do meu avô. Parece que estamos no mesmo barco – suspirou. – E como se não bastasse isso, minha mãe quer que eu me case. Arrumou alguns encontros às cegas e quer que eu compareça, e ela não irá sossegar enquanto não conseguir o que quer.

– Eu acho que meus pais desistiram de me casar. Foram três noivos, e os três desistiram de mim.

– Isso é incomum. Você parece ser uma pessoa legal, e é bem bonito também – ao perceber o elogio saindo naturalmente, as orelhas do Park ficaram vermelhas de vergonha, assim como suas bochechas.

– Ah... Obrigado – agradeceu sem jeito. – Por mais que eu seja ômega, Park Chanyeol, eu jamais irei aceitar um alfa mandando em mim. Por que ômegas precisam ser submissos sendo que, sem nós, a nossa raça entraria em extinção? Somos tão importantes nessa sociedade como qualquer outra classe, então, eu não aceito que nenhum alfa tente tomar o controle sobre mim ou me coloque para baixo.

– Você me lembra alguém – O Park soltou um riso baixo. – Você tem alguma sugestão para resolvermos isso? – O Byun balançou a cabeça negativamente. Ambos ficaram em silêncio por alguns minutos, até Chanyeol dar um pulo do sofá. – Eu já sei! – exclamou com uma animação que surpreendeu Baekhyun, que o encarou com um olhar solícito, lhe pedindo para continuar. – Você quer se casar comigo?

 


Notas Finais


E então, gente auhdiuahaiu cês acham que o Baekhyun vai aceitar essa loucura? q
Eu espero que tenham gostado <33
Daqui uns dias eu apareço <3
Bomma ama vocês <3


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