História Amor por encomenda - Capítulo 40


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Notas do Autor


Mais um capitulo que é pra diminuir mais rápido o sofrimento de vocês.


Boa leitura

Capítulo 40 - Recaída


Fundo do poço, talvez fosse onde Alex estava, ou onde ela ia acabar. Remoendo aquela maldita mensagem não podia acreditar que Piper seguiu em frente tão rápido e que a esqueceu tão fácil como se ela fosse um nada, era difícil acreditar, onde foi parar o amor que ela dizia sentir?

Estava cansada de tentar, Piper conseguiu tirar tudo dela, menos o amor, esse permanecia intacto e doía, doía tanto que ela podia sentir em todos os seus ossos.
No canto do quarto a caminha de Harper ainda permanecia, era tão injusto, a vida estava sendo tão injusta... Se levantou parecendo um trapo ambulante, tomou um longo banho, se vestiu decentemente e passou um pouco de maquiagem para esconder as olheiras profundas. Estava decidida, iria visitar um lugar que não ia a muito tempo, um lugar que fez parte da vida dela, um lugar que ela prometeu nunca mais voltar, mas que a deixaria bem nem que fosse por algumas horas. Pegou a caminha de Harper colocou dentro de um saco e colocou no lixo, não precisava sofrer mais do que já estava sofrendo vendo o lugarzinho dela vazio todos os dias.

Algumas horas mais tarde, depois de ligar várias vezes e não ser atendida, preocupada Nicky foi até o apartamento de Alex, e não a encontrou lá. Sentou no sofá e pensou onde ela poderia ter ido, mas não conseguia pensar em nenhum lugar especifico e não poderia fazer nada a não ser esperar. Quase uma hora depois Alex adentrava pelo seu apartamento sorrindo.

Nicky estranhou, mas pensou que ela poderia ter conseguido resolver as coisas com Piper, mas ao olhar de perto percebeu uma pequena alteração.

- Não me diz que você está chapada. - falou incrédula.

- Eu não estou chapada - sorriu - eu só estou feliz - continuou sorrindo e foi em direção a cozinha.

- Alex o que você usou?

- Nada, eu só preciso comer alguma coisa - abriu a geladeira e pegou um pedaço de pizza de uns dois dias atrás.

- Alex não minta pra mim, eu te conheço muito bem.

- Maconha ok - mordeu um pedaço de pizza - foi só um cigarro - falou com a boca cheia.

- Droga Alex, você prometeu. - falou brava.

- Eu precisava ok. Eu estava a ponto de ficar louca dentro da merda desse apartamento, eu não aguento mais me sentir deprimida, triste, não aguento mais sentir dor, eu não aguento mais conviver com a ausência dela, eu sinto falta até dos defeitos dela... Eu só queria me sentir bem por alguns minutos, esquecer do monte de merda que a minha vida virou.

- Você mais do que ninguém sabe que é passageiro, que essa onda não vale pena, que você vai se sentir pior.

- Foi só um Nicky, eu estou bem, eu só queria relaxar um pouco - terminou a pizza - não vai acontecer outra vez.

- Eu realmente espero que não, eu não quero você definhando com drogas por causa de mulher.
- Não é qualquer mulher.
- Não importa, nem que fosse a rainha da Inglaterra.

- Posso ir deitar?

- Não, eu ainda não terminei.

- Podemos fazer isso no meu quarto? Eu preciso muito deitar.

- Meu Deus Alex, eu não posso te ver afundar assim.

- Desculpa, não vai acontecer outra vez - saiu andando em direção ao quarto e a amiga atrás - foi só um deslize – suspirou.

- Olha Alex você não precisa de deslize, você tem a mim, tem a Lorna, tem sua mãe, você não precisa passar por isso sozinha. Viaja pra qualquer lugar conheça gente nova, vai meditar, sei lá tem tanta coisa que você pode fazer pra se distrair.

- Vou pensar em algo - tirou toda a roupa - vai dormir aqui?

- Evidentemente que sim. Preciso ficar de olho em você.

- Ok - deitou - preciso dormir, amanhã conversamos.

- O que faço com você?

- Só continue cuidando de mim - sussurrou, o sono já a dominava. Antes que Nicky pudesse falar qualquer coisa Alex já tinha pegado no sono.

Nicky deitou ao lado dela e acariciou os cabelos negros - tudo vai ficar bem. - sussurrou

***

Piper por sua vez levantou, tomou banho, se vestiu e foi trabalhar. Um sorriso falso nos lábios, uma pitadinha de mau humor e por baixo da armadura uma ferida enorme e um coração partido. Tinha dias que a vontade era ir correndo para os braços da sua amada, sentir o cheiro dela, fazer amor, ter ela a cada segundo do dia, respirar o mesmo ar que ela, mas a mágoa ainda era grande, o sentimento de traição ainda a corroía por dentro.

- Bom dia Piper

- Bom dia Maritza - mau olhou para funcionária e seguiu direto para o escritório.

- Bom dia Pipes.

- Bom dia Polly.

- Pelo visto a noite foi ótima.

- Foi maravilhosa, como tem sido os últimos dias - foi puramente sarcástica.

- Você está sofrendo porque quer, está passando por esse merda porque é orgulhosa demais,

- Você não sabe...

- Sei, e como sei. – interrompeu amiga - Você nem ao menos quer ouvir o que ela tem pra falar.

- Eu não tenho que ouvir as mentiras dela – passou a mão no cabelo – você não entende que ela estava ao lado de Larry.

- Quem não entende é você Piper – ficou de frente para a amiga - Você está sendo incrivelmente idiota, quantas vezes você ouviu o idiota do seu ex marido?

- Era diferente.

- Claro que era diferente, ele era um canalha que te traiu e mesmo assim você o ouviu todas as vezes que ele quis e Alex te ama e estava tentando te ajudar e você está fazendo toda essa palhaçada.

- Me ajudar como? - alterou o tom de voz - ajudando meu ex contra mim? Ela sabia que eu queria me vingar do Larry, e ela me convenceu a fazer o contrario.

- Ela não estava ajudando ele, ela estava tentando te proteger.

- De que? – bateu as mãos na mesa. – era só um divorcio e uma empresa que também me pertencia.

- Eu não posso falar, é complicado e cabe somente a ela te contar - abaixou a cabeça por alguns segundos e voltou a olhar pra amiga. - Ela não é Santa, mas as coisas são bem diferentes do que você imagina. Você deveria dar a ela uma chance de explicar e se você achar difícil perdoar ela pelo menos vai ter um motivo real pra sofrer.

- Eu não estou sofrendo. Eu estou ótima.

- Claro que não está – cruzou os braços e sorriu - tenho certeza que essas olheiras são das longas e tórridas noites de sexo com Josh. – ironizou. Piper rubrou de raiva e não respondeu - vou resolver uns probleminhas aqui, te vejo mais tarde. - deixou a amiga e voltou para o seu escritório.

//

Mais um final de semana chegou e as coisas não tinham melhorado, na verdade estava ficando cada dia mais difícil.

Depois de terminarem de fazer amor Lorna e Nicky conversavam sobre alguns assuntos pessoais e surgiu outro assunto que estava presente todos os dias nas conversas delas.

- Como Alex está? - Lorna perguntou.

- Parece bem, mas eu estou preocupada com ela - aconchegou-se nos braços da namorada.

- Talvez ela esteja bem mesmo, e sua preocupação é a toa.

- Eu nunca vi ela assim, ela não é de se deprimir, ela é do tipo: cai, chora se necessário, levanta, liga o foda-se e segue em frente.

- Daqui a pouco ela sai dessa, ela ama a Piper é normal ela se sentir assim – acariciou a face da namorada. – Essa dor não vai durar pra sempre.

- Deus te ouça. - elevou os braços. – Eu não estou agüentando mais ver ela assim e não poder fazer nada. – Respirou fundo – as vezes tenho vontade de pegar Piper e amarrar ela em uma cadeira e deixar ela sair só depois de Alex ter contado tudo.
- Meu Deus amor
- Mas é serio, pelo menos assim Alex tirava esse peso das costas e se Piper não a perdoasse ela teria motivos para seguir em frente.
- Olhando por esse lado eu concordo com você.
- Vou tentar falar com ela, ver como ela está. Já volto ok? – Beijou a namorada e se levantou.

***

No mesmo fim de semana Fahri estava na cidade e combinou de almoçar com Alex, já tinha alguns meses desde a última vez que se viram. Conversaram sobre trabalho, coisas aleatórias, contaram piadas, falaram sobre a vida boa do amigo e sobre a merda que estava a vida de Alex.

- Vou te levar a um lugar que vai te fazer relaxar - o amigo disse quando deixavam o restaurante.

- Posso saber onde?

- Você vai saber quando chegarmos lá.

- Só vou porque eu confio em você. – deu um tapinha no ombro do amigo.

- Tenho certeza que você vai adorar.

Entraram no carro e seguiram para o terreno onde ela aprendeu sua profissão. Alex sorriu.

- Nem lembro quando foi a última vez que vim aqui. - tirou o cinto e desceu do carro.

- Eu lembro bem o quão bem você ficava depois de atirar.

- Era libertador - respirou fundo.

Fahri abriu o porta malas e tirou uma espingarda de chumbinho.

- Aqui está - entregou ela a arma - liberte-se. Ela pegou a espingarda e fechou os olhos. Ele juntou algumas latas e garrafas e as colocou em um lugar estratégico. - pronto Vause, agora é com você.

- Será que eu ainda sou boa? – olhou pra ele.

- Tenho certeza – piscou.

- Vamos ver - engatilhou a espingarda e mirou a primeira lata. O tiro foi certeiro, ela vibrou, a adrenalina percorreu seu corpo inteiro, como era bom sentir-se viva outra vez depois de muitos dias parecendo um zumbi. Olhou para o amigo e sorriu.

- É como andar de bicicleta - ele disse.

Ela mirou o segundo alvo, uma garrafa com a bico quebrado, e acertou. – Realmente é como andar de bicicleta só que menos cansativo.

- Você tem razão. Porque você não pratica tiro ao alvo?

- Não sei, nunca pensei nisso. – acertou mais uma lata.

- Seria uma boa pra você, descarregar um pouco das emoções, esquecer o mundo exterior, mesmo que seja por algumas horas.

- Vou amadurecer essa idéia - disse enquanto atirava nos outros 4 alvos restantes.

- Vai ser bom Alex, você não pode ficar desse jeito. – Apesar de não estar sempre em contato com Alex, ele estava realmente preocupado com a amiga.

- Enquanto isso, você tem alguma coisa aí pra me deixar bem?
- Está falando sobre o que?
- Não fingi que não sabe do que eu estou falando.

- Porque isso agora? Você não tinha parado?

- Parei, mas como você já sabe ficar em casa tem sido uma merda - revirou os olhos - eu só quero um pouco do que você tiver só pra eu ficar bem, talvez eu nem use.
- Não sei Alex, você está limpa a muito tempo. – fungou – você sabe que é dificil
- Por favor Fahri – implorou interrompendo o amigo.

- Você tem certeza disso?

- Absoluta.

- Vou te dar um comprimido, equivale a uma carreira de pó. - Mexeu no bigode - vou fazer isso a contra gosto, você sabe que eu nunca fui fã de você ficar usando essas porcarias, desde a época que usávamos juntos.

- Eu sei, eu não vou me viciar, é só hoje, prometo. -
Ele foi até o carro e pegou um comprimido. Alex mordia o cantinho da boca ansiosa.

- Aqui está o que você quer - entregando-a o comprimido. Ela pegou e o tomou imediatamente, sem pensar. Ele ficou a olhando.

- O que foi?

- Você sabe que isso não vai resolver seu problema, não sabe?

- Eu sei, eu só não quero sentir dor o tempo todo.

- Alex vem viajar comigo, como nos velhos tempos, o que acha? - ele propôs.

- Eu tenho que pensar, não sei se serei uma boa companhia neste momento.

- Eu não quer uma boa companhia, eu quero ajudar uma amiga que está precisando de ajuda. – segurou o queixo dela -Você tem um mês pra pensar.

- Prometo pensar com carinho - disse sem ânimo.

- Quer ir embora ou quer ir em outro lugar?

- Quero ir a outro lugar - abriu a porta do carro e entrou. Ele deu a volta e entrou no carro.

- Onde você quer ir?

- No SPA.

- Tem certeza?

- Eu preciso ver ela nem que seja de longe, eu sinto tanta a falta dela. - o efeito da droga começava a surtir efeito.

- Eu ainda não acredito que você se apaixonou por um alvo. – Ele sorriu, era tão inacreditável.

- Ela é o amor da minha vida e esse foi o pior jeito que o destino escolheu para nos apresentar. - dizia sorrindo – eu estou tão ferrada.

Em frente ao SPA não esperaram muito até que Piper saísse pela porta acompanhada de Polly, parecia mau humorada ou algo do tipo pela sua expressão facial enquanto conversava com amiga.

- Ela é linda não é? - Alex perguntou para o amigo sem desviar o olhos da loira.

- Muito. Eu não a conheci pessoalmente.

- Porque pra você foi difícil tirar a vida dela?

- Eu acho que criei uma certa empatia, estou ficando velho e o coração ficando mole. O jeito que ele falava da loucura dava vontade de esganá-la, mas o que eu nunca te contei é que ele também falava do quão boa ela era, mas ela queria foder com ele. Como você eu também não tive coragem, por isso procurei outras pessoas - sorriu - mas diferente de você eu não me apaixonei por ela.

- Sorte a sua - riu - e azar o meu. - suspirou - acho melhor irmos embora.

- O que você quiser. - ligou o carro.

- Espera - Alex pediu quando viu dois homens se aproximando. Fixou o olhar pra tentando reconhecer.
- O que foi?

- Só um minuto - tirou o cinto e desceu do carro.

Polly viu a aproximação de Alex e cutucou a amiga, Piper engoliu em seco e os homens olharam para trás quando Polly apontou em direção a Alex.

- Oi Alex - Polly disse quando a morena se aproximou.

- Oi Polly, tudo bem com você?

- Estou bem e você? – Ela sabia a resposta de Alex, mas não sabia mais o que falar, era uma situação tensa por não estar esperando tal encontro.

- Eu não poderia estar melhor - o sarcasmo que exalou junto com suas palavras foi sentido por todos - E você Chapman, como você está? - a loira estremeceu. Pete não estava entendendo nada e Josh estava na defensiva.

- É melhor você ir embora - Piper pediu.

- A uns meses atrás você estaria implorando para eu ficar. – encarou a loira.

- A uns meses atrás não é hoje, você deveria respeitar minha vontade e seguir em frente também - disse sem olhar nos olhos da morena - e aqui não é o lugar para falarmos sobre isso.

- E qual é o lugar? - elevou um pouco a voz - tem dias que eu estou tentando conversar com você e você nunca me atende.

- Porque nós não temos o que conversar, já parou pra pensar nisso?

Peter e Polly se afastaram um pouco e cochichavam, ela explicava a situação para ele sem muitos detalhes. Josh continuou próximo a elas.

- Piper - Alex pronunciou seu nome baixo quase num sussurro e se aproximou fazendo com que a loira desse alguns passos para trás até encostar na parede.

- Piper o que está acontecendo? - Josh perguntou encarando-a.
- Alex por favor não faça isso. –Piper implorou com os olhos.

- Você está com medo do seu namoradinho descobrir que nós tínhamos um caso? - sorriu - você não deveria esconder isso dele - falou baixo. - Olha o que aconteceu com a gente.

- Isso não é da sua conta, o que ele deve ou não saber só depende de mim e não de como você acha que deve ser.

- Você tem razão isso realmente não é da minha conta , mas você ainda é da minha conta - aproximou-se ficando a uma distância crítica da loira. Piper respirou fundo - me escuta por favor. - falou bem próximo ao ouvido da loira, fazendo com que ela se arrepiasse com a respiração quente que tocou levemente seu pescoço. Piper por um segundo não se entregou, o jeito que Alex mexia com os sentimentos dela era inexplicável.

- Eu não quero te ouvir - disse de olhos fechados, seus pensamentos foram a mil e a adrenalina implodiu dentro dela. Aquela proximidade estava ficando difícil resistir, a loira engoliu seco e empurrou a morena.

- Eu te amo Pipes, eu te amo mais que tudo nessa minha vida - falou alto - ele não vai te amar como eu te amo.

- Vai embora Alex, você está bêbada.
- Eu não estou bêbada.

- Você a ouviu é melhor você ir embora .– Josh disse tocando o ombro da morena.

- Não encosta em mim – falou em alto e bom som e tirou o ombro bruscamente, olhou pra ele com o cenho franzido - eu não te dei essa intimidade.

- Alex - Piper a chamou.

- Quer saber Piper - seus olhos marejaram - vai se foder, você e esse projeto de homem que você chama de namorado. Eu só não queria te perder sem ter a chance de te contar a verdade, mas eu estou cansada – suspirou - de tentar e você ficar me tratando como se eu fosse a pior pessoa do mundo inteiro sem ao menos ouvir a minha versão, tudo que eu fiz foi por você, meu único arrependimento foi não ter te contado quando você não quis escutar. Eu deveria ter contado mesmo contra sua vontade. – Respirou fundo - Essa foi última vez que te procurei, essa é a ultima vez que você vai me ver e me ouvir, mesmo te amando eu vou seguir em frente como você propôs. Eu sei que você ainda me ama apesar do ódio que está sentindo nesse momento, eu vejo nos seus olhos, é uma pena que você tenha escolhido... Fez uma pausa - Seja feliz Piper com o que você escolheu. - deu as costas pra ela e olhou pra Josh. - Você tirou a sorte grande devido ao meu grande azar, ela é uma ótima namorada e uma ótima mulher espero que você a faça feliz coisa que eu não consegui fazer. Sejam felizes. - Alex nem esperou o homem responder e saiu.
- Alex – Piper a chamou sem sucesso, Alex continuou andando em direção ao carro.
Piper se quebrou e as lágrimas vieram, Josh colocou transpassou o braço pelo ombro de Piper demonstrando apoio e ficaram olhando o carro partir. Polly e Peter se aproximaram.

- Piper - Josh a chamou.

- Desculpa, mas agora eu não posso. – sem parecer rude desvencilhou dos braços do homem.

- Peter eu vou embora com ela, nos vemos depois pode ser? – falou enquanto abraçava a amiga pelos ombros.
- Claro meu amor - beijou a namorada e ela retribuiu.
– E Josh desculpa por isso – Se desculpou pela amiga.


Depois de alguns minutos em silêncio.

- Eu até tento te entender Piper, mas não dá - Polly disse com voz firme. - você fica chorando escondido, lamentando, chama ela durante o sono, você quase não se aguenta quando está perto dela...

- Eu não faço essas coisas - disse interrompendo a amiga, os olhos ainda marejados e o rosto molhado pelas lágrimas.

- Claro que não faz - disse sarcástica - eu que faço. Sou eu que levanto no meio da madrugada pra chorar no banheiro, sou eu que te agarro enquanto dorme e chama por ela. - bufou – eu vejo tudo Piper, mas fico quieta pra não te deixar desconfortável. Ela está sofrendo, você está sofrendo, a troco de que? Você nem sabe a verdade.

- Que verdade?

- Eu não posso dizer porque não é tão simples e cabe somente a ela te contar, eu já te disse isso. Eu juro que se eu pudesse já teria te contado.

- Como você sabe que ela não está mentindo?

- Porque eu vi nos olhos dela, eu confio nela, mas não confio no canalha do seu ex marido. Até longe e indiretamente ele consegue te fazer mau. - parou o carro em frente ao prédio de Piper e encarou a amiga. - deixa seu orgulho de lado e escuta o que ela tem pra falar, não deixa o amor escapar por entre seus dedos desse jeito, um dia você vai se arrepender e vai ser tarde demais.

- Qual a parte do ela me traiu você não entende? – Piper tentava se convencer e convencer os outros de que a decisão dela era a certa e que nada poderia fazê-la pensar ao contrário.
 A pergunta é: Até quando ela iria conseguir manter a armadura que vestiu?

- Ela não te traiu, para de ficar repetindo isso como um disco quebrado. –  alterou o tom da voz – Você quer acreditar nisso como uma desculpa... Ela te ama Piper.

- Grande amor.

- Quer saber Piper cansei, faça o que você quiser, a vida é sua e quem está sofrendo é você, se você acha que assim está bom, ótimo – abriu a porta desceu do carro e fechou com mais força do que o necessário.

- Você fica? – perguntou depois de descer do carro.

- Não, Pete vem me buscar.
- Por favor?
- Não Piper, hoje não – olhou pra amiga – eu tenho compromisso e não vou desmarcar pra ficar aqui com você – cruzou os braços – aproveite esse tempo e vai refletir sua vida.

//

A vida estava ficando cada dia mais insuportável, Alex não via mais sentido na vida, viver virou um martírio. Diane deixou Joe por alguns dias e foi fazer companhia para filha, queria vigiá-la de perto, apesar da mãe ter feito um sermão e ficar pegando no pé dela pra tudo Alex teve dias agradáveis, se distraiu com todas as histórias das viagens da mãe, saíram alguma vezes juntas, foram dias bons, mas os dias bons foram embora junto com Diane e a solidão voltou a assolá-la. Nicky e Lorna eram ótimas companhias, mas elas tinham a vida delas e o trabalho delas, não podiam se dar ao luxo de acompanhá-la o tempo todo, mas faziam o máximo que podiam.

Sozinha e cansada um pacotinho guardado no bolso de sua jaqueta seria sua melhor companhia. Hesitou por alguns minutos, deu meia volta, tomou um copo com água, admirou o lindo lago, gritou, andou de um lado para o outro, deu um soco na parede, derramou algumas lágrimas, respirou fundo e seguiu para o seu quarto, pegou a jaqueta que estava jogada sobre a Chase, pegou o pequeno pacote que estava no bolso e admirou o seu conteúdo, o pó branco refletia com a luz do quarto ela o fechou na mão e caminhou até a sala, pegou um litro de vodka, uma caneta e se sentou no chão. Tomou um gole grande da vodka a deixou de lado, tirou a carga da caneta e deixou o tubo em cima da mesa, abriu o pacote e fez duas pequenas carteiras com o pó em cima da mesa, tomou mais um gole da bebida, pegou o tubo da caneta e cheirou todo o pó.
Ela se sentiu bem, fechou os olhos e sorriu, tomou mais um gole da bebida e cheirou mais uma carreira, ligou o som e dançou, seu riso poderia ser ouvido em cada canto do apartamento.

A certa altura ela estava anestesiada seu corpo pesava, cambaleou até o quarto e usou as paredes como suporte, tudo girava, deitou de qualquer jeito na cama, os pés pra fora e o cabelo cobrindo seu rosto. Foi assim que Nicky a encontrou, depois de ter sabido por Polly o que tinha acontecido a uns dias atrás. A sala estava um caos, o som ainda ligado, vestígios de cocaína em cima da mesa a garrafa com o resto de vodka no chão, no corredor uma pequena mancha que parecia ser vômito. Nicky entrou no quarto as pressas, sabia que as coisas poderiam não estar bem, sentou na beirada da cama e a chamou, mas Alex não esboçou nenhuma reação, e o seu corpo frio fez Nicky quase sofrer um infarto se não tivesse checado o pulso. Ela respirou aliviada, xingou a amiga com todos os palavrões possiveis enquanto tentava acordá-la, com muito custo Alex acordou, com os olhos praticamente fechados balbuciou palavras sem sentido.

- Alex.

- Oi - respondeu grogue.

- O que você está fazendo com sua vida?

- Que? - tentava manter os olhos abertos mas não conseguia.

- Você precisa de um banho - seguiu para o banheiro e colocou a banheira pra encher com água morna, quase fria. Voltou para o quarto entrou no closet, pegou um roupão e um pijama. Alex tentava se mexer e seu corpo não obedecia, Nicky a ajudou se levantar e a levou para o banheiro, tirou sua calça juntamente com a calcinha e depois o sutiã. Depois de ajudá-la a entrar na banheira foi pra cozinha fazer um café forte e amargo.

 Na banheira o corpo de Alex sentiu o impacto da água fria, e aos poucos foi recuperando os sentidos, seu rosto molhou, não pela água, mas pelas lágrimas que rolaram por ele sem ela querer, doía tanto lembrar do desprezo da pessoa que ela mais amava, morrer seria a solução.

- Alex - Nicky chamou a desviando dos seus pensamentos, a morena apenas virou um pouco a cabeça e elevou os olhos para amiga - você pode falar? - Alex levantou a mão tirando-a por completo da água e fez sinal de mais ou menos - quando terminar estarei na sala te esperando.

Enquanto Alex esquecia da vida no banho Nicky deu uma pequena organizada na sala e limpou o corredor e ficou esperando a amiga pacientemente. Pouco depois Alex apareceu na sala usando pijamas, cabelo num coque desgrenhado, cabeça baixa e se sentindo a pior pessoa do mundo, olhou pra amiga, já sabia que iria ouvir um sermão, sentou. - estou ouvindo - suspirou. Nicky se levantou e foi até a cozinha buscar o café. Entregou a caneca cheia pra amiga que imediatamente tomou um gole quase queimando a boca. Nicky deu um sorriso sutil da cara que a morena fez.

- O que você usou? - a voz de Nicky era firme.

- Nada, eu só bebi demais - respondeu de cabeça baixa.

- Sério Alex? Você acha que eu nasci ontem? Olha na minha cara e me diz que você não usou nada.

Alex olhou pra amiga - usei cocaína - limpou a garganta.

- Quantidade?

- Uma carreira. – mentiu.

- Tem certeza?

- Qual a diferença se eu cheirei uma, duas ou 5 - falou alto, largou a caneca na mesinha de centro e se levantou.

- Faz toda a maldita diferença - elevou a voz e se levantou também - se você quer se matar enfia na frente do trem, do ônibus, pula da droga de uma ponte ou até mesmo da sua janela. – colocou as mãos na cintura - se você realmente acha que morrer é a solução e que não existe mais ninguém que se importa com você faça a porra direito. Fez a pausa - Caralho Alex, você estava limpa, feliz - falou num tom de voz mais baixo.

- Você disse certo, eu estava feliz - disse em meio às lágrimas que já molhavam seu rosto novamente e voltou a se sentar. Nicky sentou ao seu lado.

- A vida é assim, cheia de altos e baixos e você sabe mais que ninguém sabe disso - afagou a amiga - você superou tanta coisa.

- Ela não quer me ouvir, ela não me deixa explicar - limpou o nariz - e isso dói tanto - respirou fundo - mesmo que não mudasse em nada de imediato ela saberia a verdade, saberia tudo que eu fiz por ela, eu ficaria livre desse peso e talvez ela me perdoaria e eu teria mais uma chance. Nicky a envolveu com seus braços.

- Ela está magoada, triste.

- Então porque ela não me ouve?

- Não sei, talvez ela tenha medo de se magoar ainda mais.

- Eu comecei tudo errado... E não tinha como terminar de outra maneira, eu deveria estar preparada para coisa desse tipo... Estava tudo tão lindo e perfeito que eu imaginei que nada pudesse atrapalhar, que era apenas eu, ela e nosso amor... Pra onde foi todo o amor que ela disse que sentia por mim? Será que dói nela como está doendo em mim?

- Ela te ama Al - afundou os dedos no cabelo negro - ela apenas o bloqueou, e eu não posso dizer se dói nela como dói em você, mas eu sei que ela sente sua falta. - beijou o rosto da amiga. - uma hora as coisas vão se ajeitar de uma forma ou de outra. Agora eu preciso ir.

- Fica mais um pouco.

- Não posso, tenho que jantar com meus pais e alguns fornecedores. - bufou - não queria te deixar sozinha.

- Eu sou adulta.

- Pois não parece - se levantou - Alex - encarou amiga - promete pra mim que não vai usar mais nada hoje.

- Eu prometo, e mesmo se eu quisesse não tem mais... Eu consegui só um pouco.

- Eu te conheço Alex, sei que você tem contatos, sei que você consegue a qualquer hora.

- Eu prometo, eu estou me sentindo um trapo humano.

- Olha se eu chegar aqui e te encontrar chapada eu juro que...

- Você não me quer morta - falou interrompendo a amiga - estou te dando minha palavra. - se levantou.

- Estou confiando em você, eu te amo demais... Por favor não me decepcione. - lágrimas mais uma vez escorreram pela face vermelha de Alex.

- Eu tentarei - limpou o rosto - também amo você - abraçou a amiga - desculpa por isso, mas eu não sou tão forte como eu imaginava, ela conseguiu me desestruturar.

- Eu não vou deixar você cair, serei seu sustento até você se reerguer e eu não vou esperar mais para fazer isso.- Alex ficou em silêncio. - preciso ir - beijou o rosto da amiga - não faça merda - caminhou até a porta - se cuida. - saiu pela porta com uma idéia formada, ninguém a impediria de seguir em frente com seus planos. Alex por sua vez pegou a caneca com o resto do café e tomou o líquido que já estava frio, deixou-a por ali mesmo e voltou para o seu quarto, se encolheu na cama e dormiu.


Notas Finais


As coisas em brave vão começar a melhorar amores, aguentem só mais um pouquinho. <3 :)


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