História Amor reencarnado - Capítulo 3


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Categorias Naruto
Personagens Indra Otsutsuki, Madara Uchiha, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Amor, Indra, Madara, Naruto, Reencarnação, Romance, Sakura, Sasuke, Sasusaku, Vidas Passadas
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Palavras 5.466
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá
Bem vindo novos leitores, espero que vocês gostem da minha história e que se divirtam lendo!
Muito obrigada a quem comentou e favoritou ;)

* Essa história diverge do material canônico, não tendo compromisso com total fidelidade de alguns acontecimentos e pode ter personagens OOC.
* Imagem retirada do Google Images, não possuo os direitos. Direitos reservados ao autor da imagem

Capítulo 3 - Harumi, Hana e Sakura


Fanfic / Fanfiction Amor reencarnado - Capítulo 3 - Harumi, Hana e Sakura

Sasuke poderia culpar Indra pelo estado em que ele acordou, mas no fundo foi sua curiosidade que exigiu essa resposta.

Sakura ... Sakura esteve presente em todas as encarnações de Indra, todas! Não apenas uma, todas, assim como Ashura reencarnou em todas as vidas de Indra. Ela devia ser alguém muito importante para ter voltado em todas as vidas.

Indra lhe dissera para não esperar equivalências nos papeis que as pessoas tiveram, mas Sasuke teve a impressão que foi lhe dito isso apenas para acalmar seu coração em relação à Itachi. Com Sakura era diferente. Ela era importante nessa vida, com toda certeza seria importante em todas as outras. Além do mais, o modo como Indra disse lhe indicava essa importância.

Tentando não ficar consumido por esses pensamentos o Uchiha tomou um banho rápido e foi para área comum tomar café da manhã. Hoje não conversou com ninguém, apenas aproveitou o silêncio e solidão.

Após o café foi caminhando lentamente para a residência do velho. Lembrou-se que não disse seu nome e nem perguntou o nome do senhorzinho. Não foi necessário, se deram bem de uma forma orgânica. Meras cordialidades não tiveram espaço.

- Bom dia jovem, caiu da cama cedo.

- Ah, você também.

- Velhos acordam sempre cedo, é um horror.

O senhor ria divertido do próprio comentário. Sasuke começou a pegar as ferramentas que usaria no telhado:

- Já tomou café da manhã?

- Ah.

- Bom, não se esforce muito, leve seu tempo nesse telhado. Não tenho pressa. Hehehehe nem posso ter, não estarei te pagando.

Sasuke não pode deixar de se sentir divertido com o comentário do velho, era quase puro e inocente. Ele não cobraria, não era disso que se tratava todos os serviços que ele fez em sua viagem de redenção. Ele fazia isso porque achava necessário, não por dinheiro.

Ele era um shinobi da folha e vez ou outra recebia missões oficiais, para essas ele aceitava o pagamento. Além do mais ele tinha o velho dinheiro Uchiha, ele estaria bem.

Fazer esse tipo de trabalho simples para a comunidade o acalmava. Em tempos de genin ele ficava irritado com isso, não negaria que hoje em dia ele também se irritava algumas vezes por achar que poderia estar fazendo algo maior e melhor, como procurar Zetsus Brancos por exemplo, mas ele sabia que de vez em quando era bom apenas fazer esses trabalhos banais e ajudar alguém.

Ele gostava.

Subiu no telhado e ficou martelando lentamente, era o tipo de serviço que não levava tempo, mas o movimento metódico o relaxava. Seguiu o conselho do senhor e resolveu fazer devagar.

Às vezes ele parava e olhava a paisagem que o alto da casa proporcionava. Era um bonito local. Pequenas casinhas que ostentavam pequenas plantações no fundo de seus quintais. Uma ruela que servia de avenida principal para vila, pequenos comércios abertos ... Poucas pessoas passando.

Era uma vida tranquila, duvidava que aqui haviam problemas maiores do que pragas em plantação. Talvez uma ou outra briga doméstica, mas era tudo tão tranquilo e sereno que ele duvidava.

Algumas horas depois ele escutou o velho conversando com alguém do lado de fora da casa. Um olhar para baixo e viu que a jovem da pousada estava aqui.

- Rapaz, desça do telhado. Você tem visita!

Sasuke desceu pela parte de trás da casa e andou lentamente até a entrada. A jovem segurava contra o peito uma sacola.

Apenas acenou com a cabeça, um convite para que ela lhe falasse o que foi fazer ali.

- Hum, você não disse se iria almoçar na pousada. Eu sei que você está trabalhando na casa de Teko-san, então ... eu trouxe obentô*.

A jovem estendeu a sacola com o rosto tímido. Ele não era uma pessoa ruim a ponto de ignorar o gesto dela. Esticou seu braço e quando pegou o bentô suas mãos acabaram se encostando.

O toque não significou nada para Sasuke, foi algo sem intenção e sem significado. Foi apenas o que foi... um esbarrão de mãos. Mas para ela parecia ter significado algo já que corou violentamente e logo colocou o cabelo atrás da orelha.

Mais uma vez, Sasuke não era ignorante. Ele sabia o que eram esses sinais e gestos. Ela estava atraída por ele e esse toque acidental provavelmente fomentou essa atração, mas nada poderia ser feito, Sasuke não a queria.

Acenou em agradecimento e sentou na varanda. O velho, que agora Sasuke sabia que se chamava Teko-san, apenas olhava entre os dois. Como a garota não se moveu de seu lugar ele os deixou sozinhos.

Pouco tempo depois que o velho se foi ela também veio até a varanda e sentou perto de Sasuke. Ele não ficou intimidado ou incomodado com sua presença, continuou comendo como se estivesse sozinho. Não lhe importava os olhares que recebia quando o viam comendo usando apenas um braço. Era assim que ele era e não havia porque ter vergonha.

Quando terminou a refeição lhe devolveu o bentô e mais uma vez ela colocou o cabelo atrás da orelha:

- Estava boa a comida?

- Ah. Quanto lhe devo?

- Na-nada, era o almoço que está incluso em sua diária de qualquer forma.

- Mas você teve o trabalho de trazer até aqui.

- Não se preocupe, não foi trabalho nenhum. Se você não se importar posso trazer sempre.

- Não é necessário, a partir de amanhã eu voltarei para a pousada nos horários das refeições.

Sua feição caiu um pouco, ele não queria ser rude mas também não poderia deixar seus movimentos avançarem. Seria pior para ela ter esperanças onde nada aconteceria.

- Ah, como quiser. Vou indo. Jaa ne*!

A garota se virou e saiu com passos apressados, pouco tempo depois Teko-san se juntou a ele na varanda.

- Ahhhhhh o romance da juventude!

- Não há romance.

- Da sua parte talvez, mas ela tinha o olhar bobo no rosto.

- Tsc.

- Hahahaha, meu jovem, você é um rapaz bonito! Deve estar acostumado com esse tipo de atenção.

- É um incômodo.

- Então acontece muito, não é?

- Às vezes.

- Hum, ela está fazendo isso atoa, não é mesmo? Apesar da aparência você não é um namorador.

Sasuke apenas olhou para o velho e levantou a sobrancelha para o comentário. Teko-san continuou:

- Você tem o andar e porte de um homem seguro de si e de suas escolhas. Não importa o quanto essas mulheres se joguem para você, você já sabe o que quer e o que tem em casa.

Assustado com o comentário Sasuke perguntou:

- Por que você acha isso?

- Porque ela é uma mulher bonita, um homem sem compromisso teria aproveitado a chance.

Sasuke não achou a garota bonita, sua aparência e jeito não fizeram nada por ele. Era assim com todas mulheres que ele viu na sua redenção. Ele tinha que admitir que algumas eram realmente belas e atraentes, mas apenas isso não fazia nada por ele. Ele não sentia nada.

Para falar a verdade ele nunca havia dado um segundo pensamento a essa atitude fria dele. Ele sempre soube que Sakura o amava e estaria esperando, isso fazia que o que essas mulheres ofereciam fosse inferior.

Ele apenas nunca ficou interessado, não importava o quão bela e atraente essas mulheres fossem. Ele nunca as via dessa forma.

Mas Sakura ele via. Ele sempre viu.

Quando eram genin ele percebia que ela tinha uma beleza diferente. O cabelo incomum fazia um belo conjunto com os olhos verdes, apenas combinavam perfeitamente. Ele percebeu isso mesmo sendo jovem demais.

A beleza dela ficou mais clara para ele quando viu que os outros garotos também a percebiam.

Naruto não escondia o que achava de Sakura, ele conseguia ser persistente e irritante nas suas declarações. Entretanto isso não incomodava Sasuke, talvez seu inconsciente soubesse que Naruto não era uma ameaça, talvez nem o próprio Naruto sabia o que sentia por Sakura.

A primeira vez que Sasuke sentiu algo parecido com ciúme foi na primeira fase do exame chunin. Quando Lee, um menino mais velho e que ele nunca tinha visto antes, apareceu e sem mais nem menos já foi se declarando. Ele ficou verdadeiramente assustado.

Inicialmente foi a atitude de Lee que assustou Sasuke, como ele poderia ser tão aberto com os sentimentos a esse ponto? Como poderia se arriscar dessa maneira?

Depois ele se assustou com a possibilidade de outro garoto achar ela linda, de querer namorá-la. Claro, esse sentimento ele enterrou bem fundo e tentou esquecer. Hoje ele não via problema em admitir isso, pelo menos não era problema admitir para si mesmo, admitir isso para os outros ainda era um desafio.

Esse caso do Lee incomodou menos do que o inútil do Idate Morino, Sasuke não esqueceria seu nome. Com Lee Sakura foi rápida em rejeitar os sentimentos do garoto, o que deixou Sasuke um pouco orgulhoso. Já com Idate... Sakura teve o disparate de corar diante o flerte barato. Nessa missão em particular várias coisas perturbaram Sasuke, essa foi apenas mais uma delas. Ele ficou tão incomodado que teve a atitude que já era conhecida, enterrou esse sentimento, o encarou como fraqueza e tomou a escolha de seguir com a atitude fria e distante.

Naquela época ele não sabia agir diferente, talvez até hoje ele não saiba!

Depois que desertou da vila pela primeira vez para encontrar Orochimaru, Sasuke não teve tempo para pensar nesses sentimentos enterrados. Claro, alguns apareciam sem ser convidados. E claro, ele pode ter procurado saber o que acontecia na vida dela em Konoha. E claro, talvez ele tenha usado algumas memórias para lhe ajudar de alguma forma...Mas ele tentava ao máximo evitar sentir tudo isso!

Nessa época os laços eram uma fraqueza.

Quando ele percebeu o quanto Sakura e Naruto eram importantes em sua vida foi algo difícil de lidar. No início ele queria proteger esses laços, queria proteger essa nova família. Mas quando viu seu irmão e percebeu o quanto faltava para estar no mesmo nível de força... ele simplesmente entendeu a fraqueza por trás desses sentimentos e laços.

Hoje ele faria diferente, mas na época foi o que sua mente queria. Não havia como voltar atrás, essa escolha influenciava sua vida até hoje e ele teria que conviver com isso.

Era para isso que essa redenção servia. Para tentar fazer diferente e para ele ficar em paz com os resultados inevitáveis que suas péssimas escolhas fizeram.

Quando olhou para o lado percebeu que o velho não estava mais lá. Olhou para o céu também, não percebeu que havia ficado tanto tempo à toa nessa varanda.

Sasuke deu a volta na casa e estava indo retomar o trabalho quando Teko-san lhe parou:

- Vá embora jovem.

- Hn? Não terminei o serviço.

- Termine amanhã, minha cabeça está doendo com as marteladas que você deu hoje cedo. Não se preocupe, não irá chover.

Sem dar chance de resposta o senhor entrou em sua casa e fechou a porta.

- Tsc.

Sasuke entendeu que o velho queria lhe dar espaço e tempo para pensar. Ele reconheceu isso nessa atitude estranha.

Ainda estava longe da hora do jantar, resolveu caminhar pela aldeia e ver o que o pequeno comércio oferecia. Gastou o resto de sua tarde assim. Quando voltou para a pousada foi imediatamente tomar banho e se preparar para a refeição.

Ao ir para o refeitório se espantou ao ver mais pessoas, haviam umas cinco mulheres sentadas em uma mesa e dois homens em outra.

Tomou seu lugar de costume e aguardou, logo a garota foi lhe servir. Sua curiosidade falou a melhor e resolveu questioná-la:

- São hóspedes?

- Ah, os dois homens sim. As outras são minhas amigas, às vezes nos reunimos aqui.

- Hn.

- Precisa de mais alguma coisa?

- Não.

Com uma mesura de corpo ela saiu e foi até a mesa onde suas amigas se encontravam. A conversa estava animada e risos suaves eram ouvidos. Vez ou outra alguma olhava em direção a Sasuke e quando via que ele percebia voltavam a olhar para as amigas, rindo.

Resolveu se retirar assim que deu a última mordida, ele tinha muito a conversar com Indra, queria dormir cedo e ficar o máximo de tempo possível naquele plano.

Quando chegou na porta do seu quarto viu que a garota que trabalhava na pousada estava lhe esperando. Não havia notado que ela deixou o salão.

- Sukea-san – Esse era o nome que ele deu ao se registar na pousada – está precisando de algo em seu quarto?

Que tipo de pergunta era essa?

- Não, estou bem.

- Ano – Ela olhou para seu braço e depois para ele – não precisa de ajuda?

Se Sasuke realmente precisasse de ajuda ele teria pedido no primeiro dia, se ela realmente quisesse lhe ajudar também teria se oferecido no primeiro dia. Acima de tudo, ele disse que era um shinobi e ela o viu executando diversas tarefas com apenas um braço. Na cabeça de Sasuke essa pergunta foi estúpida.

- Aonde você quer chegar?

Ela olhou assustada para ele, respirou fundo e falou:

- Eu quero lhe fazer companhia essa noite.

Sasuke achava esse comportamento inacreditável e inaceitável!

- Qual a necessidade de se expor dessa forma? Foi encorajada por aquelas mulheres e acha que é assim que se seduz um homem?

Viu seu rosto ficar vermelho e ela abaixar os olhos enquanto trocava os pés.

- Por que? Eu não sou atraente? Os rapazes da vila pensam que sim.

- Então dê oportunidade a eles. Me deixe passar, quero ir dormir.

Quando foi passar por ela para entrar no quarto ela segurou sua blusa e sustentou o olhar com o dele. Ele não estava com paciência para esse jogo. Deu seu olhar intimidador, olhou para onde estava sua mão e para ela e repetiu a ordem:

- Saia, me deixe passar.

Sasuke viu seus olhos começarem a encher de água, ela finalmente o soltou e se retirou em uma corrida envergonhada.

Não era a primeira vez que mulheres se ofereciam a esse ponto. Karin tentou algo parecido quando ainda o time Taka existia, mas com ela era necessário somente ignorar, Sasuke acreditava que faltava alguns parafusos em sua cabeça, então ele não dava bola a isso.

Em sua viagem de redenção essa era a segunda vez que isso acontecia descaradamente. A primeira foi quando entrou em uma taverna, que claramente era mais do que uma taverna, e uma moça sentou em seu colo o pegando de surpresa. Imediatamente ele se levantou rápido e ela saiu ou cairia no chão. Ele detestava que invadissem seu espaço pessoal e o tocassem, obviamente ele ficou muito irritado com a situação. Como era o único lugar para comer na cidade ele acabou ficando na taverna, mas o tempo todo ela o rodeava e tentava se aproximar, e ele a ignorava.

Sasuke não conseguia entender o que levava a esse tipo de comportamento de forma gratuita. Se uma pessoa sentia atração por outra devia abordar o assunto da maneira correta e não sair se jogando por aí.

Tentando esquecer o ocorrido ele logo se deitou, queria descansar e pensar no que conversaria com Indra. Quando deu por si já estava cochilando e chegou no local que ansiava. Indra estava com os braços cruzados e uma cara divertida, eles estavam em pé na mesma árvore que Sasuke sempre acordava.

- Essa mulher te irritou?

Indra foi assertivo em seu palpite.

- Ah. Como uma pessoa sai tocando outra e invadindo seu espaço pessoal sem permissão?

- Isso acontece muito com você, mas geralmente você se importa menos.

- Hoje ela foi insistente. Devo estar mais irritado do que o normal.

Indra deu uma risada e resolveu provocar Sasuke:

- Quando é Sakura que te toca você não faz essa cara.

- É diferente, Sakura só fazia quando necessário... e éramos praticamente crianças. Era inocente. Além do mais temos intimidade para isso, essa garota é uma desconhecida.

- Hmmmmm, você gostava quando Sakura te tocava. Nem faça esforço tentando me negar.

- Tsc. Hoje você vai ficar me irritando também?

Indra continuava sorrindo para Sasuke, apesar de durão ele era muito tímido e não sabia lidar com intimidades e provocações.

- Sasuke, não fique com vergonha por ter gostado do toque de Sakura. Foi assim que eu a reconheci.

Indra estava se sentindo particularmente nostálgico e bem-intencionado. Hoje ele queria contar mais a Sasuke. Esse por sua vez largou toda irritação e ficou atento ao que Indra tinha a dizer:

- Como assim reconheceu Sakura?

- Eu te disse, Sakura foi Harumi... ou melhor, Sakura é a encarnação de Harumi.

- Mas como assim reconhecer?

- No seu íntimo você sempre soube que havia rivalidade com Naruto, certo?

- Ah.

- Você também sempre soube que havia algo com Sakura, algo que ligava vocês dois, certo?

- Ah.

- Lembra quando começou a se sentir assim? Como se houvesse uma ligação diferente?

- Acho que (...) acho que foi no exame chunin.

- Ahhhhh, isso mesmo. Foi quando eu reconheci Harumi em Sakura.

Sasuke deu um olhar questionador, querendo que Indra falasse mais.

- Você já via Sakura diferente, mas não dessa forma. No exame chunin, quando Orochimaru te mordeu e ela te segurou nos braços... foi nesse momento que eu a reconheci. No toque reconfortante.

Sasuke se lembra bem daquele dia. Foi assustador e decisivo, foi a partir dali que sua vida teve sua segunda grande mudança. Foi ali que ele escolheu o caminho da vingança.

Ele lembra nitidamente de tudo daquele exame, incluindo os sonhos terríveis com seu irmão enquanto estava desmaiado. Mas o que ficou realmente com ele foi como ele reagiu à Sakura a partir daquele exame.

- Quando aquele ninja bateu nela, quando eu vi seu estado... algo ferveu dentro de mim. Eu sempre achei que fosse o selo de Orochimaru. Era você Indra?

Indra começou a andar em uma direção diferente das vezes anteriores. Entraram em uma mata fechada, parecia uma floresta encantada que abrigava fadas e seres míticos. Sasuke achou estranho e ao mesmo tempo belo.

Seu predecessor sentou em um tronco de árvore e Sasuke fez o mesmo, quando estavam confortáveis Indra lhe respondeu:

- Era eu, e era você também. Harumi sempre foi minha fraqueza, por isso Sakura se tornou a nossa, a sua fraqueza. Não pense que todas suas ações tem explicação em mim. Tudo que você fez você fez por que quis, você se sente atraído e gosta dela porque quer. O fato dela ser encarnação da minha Harumi só prova que nosso laço é mais forte, mas ser apaixonado e atraído por ela é uma decisão sua.

- Mas saber que tem uma ligação à nossa alma me deixa mais calmo, eu sempre fiquei incomodado com o quão inevitável era pensar nela. Mesmo eu fazendo todo esforço para cortar esse laço!

- Ela sempre ocupou sua mente, mesmo você não querendo. Por mais que eu também quisesse que você pensasse nela, isso foi você Sasuke.

- O momento em que ela parou o selo (...) Nos meus treinos com Orochimaru eu sempre consegui me controlar quando lembrava desse momento.

- Foi isso o que me irritou em Harumi e o que te irritou em Sakura, o controle que tinham... tem... sobre nós.

- Ah. Isso me deixava fraco.

- Ainda pensa assim?

- Às vezes, grande parte do tempo não. Já assumi o papel que ela tem em minha vida.

- Muito bom!

- Indra, você vai me falar de Harumi e de Hana?

- Vou!

- Hoje?

- Talvez... não são histórias boas, quer realmente ouvi-las?

- Quero.

Indra olhou ao redor vendo a bela floresta que os cercavam. Ele esticou o braço e fez um movimento com os dedos. De repente uma fumaça surgiu e ficou se movimentando, como um feitiço uma mulher muito parecida com Sakura se materializou.

Seus longos cabelos rosas estavam amarrados frouxamente no meio das costas. Ela usava um quimono branco e andava lentamente entre as plantas. Sasuke olhou seu rosto, era muito parecido com o de Sakura, inclusive a cor dos olhos. Mas se reparasse bem dava para ver pequenas diferenças no tom de pele, de cabelo, dos olhos e alguns traços do rosto também se diferenciavam.

- Ela se parece com Sakura. Como você não a reconheceu?

- Porque meu espírito estava, digamos, crescendo em você. Não reencarnamos com todas as memórias, apenas desejos e vontades. E quando havia algum reconhecimento da minha parte você apenas sentia, não tinha como você saber os motivos, você apenas sentia que havia algo sobre ela.

- Ah.

- Harumi é linda.

Indra olhava para ela com muita ternura, ele estava realmente a admirando.

- É praticamente igual a Sakura.

- Sim! Sakura é linda.

Mais uma vez Indra mexeu os dedos e outra fumaça apareceu. Dessa vez ela revelou Sakura, ela estava como Sasuke a viu da última vez. Quando foi socorre-la de Kido e a viu lutando de longe percebeu que ela estava diferente de quando se despediram antes dele partir em redenção, era mais madura e bela.

E era essa Sakura que estava ao lado de Harumi. A imagem que Indra projetou era viva, era como se as duas estivessem ali. Ambas mexiam nas plantas e vez ou outra colocavam o cabelo atrás da orelha. Tinham os mesmos maneirismos.

Sasuke se viu curioso sobre Hana. Indra tinha dito que Sakura foi Hana para Madara e Hashirama.

- E Hana? Como ela é?

- Igualmente linda.

Novamente Indra fez a coisa com os dedos e Hana surgiu. Ela vestia um quimono mais leve e menos formal que Harumi, era claro com detalhes em vermelho. Seu cabelo rosa estava em um coque elegante.

Havia três Sakuras na frente de Sasuke, as sutis diferenças só eram percebidas a quem lhes conhecessem bem e a quem as olhasse detalhadamente. Como ele fazia agora.

Ele ainda achava que a sua Sakura tinha uma beleza superior à Harumi e Hana. Havia força nos olhos dela.

Indra sorriu para Sasuke e acenou com a cabeça. Como se estivesse concordando com ele.

Com um estalar de dedos a visão das três mulheres se desfez.

- Como você conheceu Harumi?

- Nessa floresta que você está vendo.

- O que aconteceu entre vocês?

- Lembra que eu te disse que eu conheci o amor?

- Ah.

- Lembra que eu também te disse que eu tive que tomar uma decisão?

- Ah.

- Harumi me apresentou o amor... e eu fui muito feliz. Fui feliz até perceber que esse amor estava me distanciando do objetivo.

- O que você fez?

- Tomei a decisão que eu disse. Acabei com esse amor e fui procurar uma esposa para dar vida aos meus planos.

Indra estava envergonhado, ele abaixava os olhos e tinha o corpo encurvado. Sasuke queria saber a história, queria fazer muitas perguntas, mas ver como Indra ficou fez ele ter um pouco de compaixão.

Era algo doloroso.

Algum tempo depois Sasuke repetiu a pergunta:

- O que você fez?

Ele temia a resposta, com toda certeza foi algo ruim já que eles não ficaram juntos.

- De certo modo eu a matei.

- Você a matou?

Sasuke estava incrivelmente calmo com a pergunta, apesar de descrente a calma demonstrava que ele esperava uma resposta parecida com essa.

Indra olhou para ele:

- É o que eu mais me envergonho, não tenho a quem culpar a não ser eu mesmo. Eu me casei, tive filhos, tive netos, eu envelheci pensando nela e no que fiz com ela todos os dias. (...) Você quer ver?

- Ver?

- Minhas memórias, minha vida com ela.

- Quero!

Indra olhou para Sasuke com o sharingan girando e virando o mangekyou. Poucos segundos depois Sasuke se viu inserido em uma memória. Era como se ele fosse Indra. Ele olhou para baixo e viu que tinha dois braços, ao esticar um viu as roupas de Indra. Ele estava vendo essas memórias sob a perspectiva de seu predecessor.

Depois de ter consciência disso ele começou a olhar ao redor. Harumi estava nessa floresta, ela estava agachada ao lado de uma cesta e colhia algumas ervas. De sua boca saia um cantarolar suave e agradável.

Sasuke sentiu um coração que não era o seu pulsando forte, batendo alto. O coração de Indra! Sasuke então entendeu, Indra se apaixonou à primeira vista.

Toc Toc Toc

Toc Toc Toc

Toc Toc Toc

- Sukea-san!

Toc Toc Toc

A floresta desapareceu, assim como Harumi. Sasuke estava de volta no gramado de Indra, este olhou para ele ainda com tristeza:

- Estão tentando te acordar Sasuke. Vá!

- Não, quero saber sua história.

- Amanhã Sasuke, amanhã você irá sonhar... você irá sonhar como se fosse eu.

Antes que pudesse dar uma resposta Sasuke acordou mais uma vez.

Toc Toc Toc

- Sukea-san!

Irritado ele foi até a porta atender o chamado igualmente irritante. Ele odiava ser acordado dessa maneira.

- O que foi?

- Desculpe acordá-lo, há uma pessoa te procurando. Vou deixá-la subir.

A garota saiu apressada vendo o mau humor de Sasuke, ele retornou ao quarto e fechou a porta. Assim que entrou resolveu trocar de roupa e jogou uma água no rosto. Uma olhada na janela lhe informou que estava perto do amanhecer, devia ser algo em torno das 5 horas da manhã. O que poderiam querer com ele essa hora? Ou o mais importante, quem poderia procurar ele?

Toc Toc Toc

A contragosto ele foi atender a porta e se assustou:

- Sakura?

- Como vai, Sasuke-kun? – Sakura pronunciou seu nome bem baixinho, quase inaudível.

Sasuke ficou sem saber o que dizer. Ele teria convocado Sakura com seus pensamentos? Era a única explicação para o que acontecia.

Percebendo que Sasuke estava aéreo e a encarando com surpresa, Sakura resolveu se adiantar:

- Posso entrar? Tem alguém que não deixou o corredor. – Ela fez sinal com os olhos para o lado, onde a garota da pousada supostamente foi em direção.

- Ah.

Enquanto ela entrava e procurava um lugar para sentar Sasuke teve a oportunidade de reparar em sua aparência.

Sakura se tornara uma mulher, seus traços infantis deram lugar a finos e delicados contornos. Seu corpo magro ganhou curvas que o modelaram perfeitamente.

Ele se surpreendeu com a roupa que usava por baixo de sua capa bege. Era uma versão diferente da sua roupa de missão. Essa parecia ser um conjunto, seu abdome liso estava à mostra, apenas uma tela transparente o cobria.

Sasuke engoliu seco diante essa visão. Sakura ia em missões assim? Sozinha? Ou esse era um traje de lazer?

- Sasuke-kun?

- Ah, acabei de acordar, estou um pouco lento.

- Me desculpe pelo horário.

- O que faz aqui, Sakura?

- Missão!

Ela levou a mão à bolsa lateral e tirou dois pergaminhos. Um era o modelo exclusivo que Kakashi e Sasuke usavam para se comunicarem, o outro era um pergaminho oficial de Konohagakure no Sato. Esticando os dois a ela Sakura continuou:

- Kakashi me deu sua localização, ele achou melhor do que enviar falcões. Temos uma missão oficial a cumprir por Konoha, aliás eu tenho, mas legalmente é essa missão que você está fazendo. E você tem uma missão extra oficial a cumprir.

- E o que seria essa missão oficial?

- Eu tenho que ir ao País da Terra, em Iwagakure no Sato, a Vila Oculta da Pedra, para implantar o hospital infantil. Quando faço essas viagens geralmente vou sozinha ou com Ino.

- E por que dessa vez eu vou te acompanhar?

- Como disfarce para sua missão extra oficial você estará lá como meu guarda costas. Além do mais Kakashi sensei quer que você estreite os laços com os líderes das vilas ocultas, ele disse algo sobre treinar você e Naruto para esse tipo de coisa, então ele acha que eu posso te ajudar a ser mais diplomático.

- Tsc (...) E ele disse a você qual é a minha missão extra oficial ou você tem que ficar no escuro?

- Os detalhes só você saberá, estão nesse pergaminho extra. O que eu sei é que a última reunião dos Kages deixou Kakashi suspeito do Tsuchikage Onoki, e você sabe que geralmente Kakashi está certo quando ele desconfia de algo.

Sasuke suspirou, pelo visto era uma missão legítima. Ele tinha receio que tudo isso fosse uma desculpa de Kakashi para colocar Sakura em seu caminho. Seu antigo sensei tendia a ser intrometido, em suas trocas de cartas ele sempre comentava algo sobre Sakura. Quando Sasuke mandou o recado dizendo que estaria voltando, depois do caso Chinoike, Kakashi o respondeu provocando seus motivos. Culpa daqueles livros malditos que ele lia, sua cabeça ficava vendo romance em tudo.

Sasuke guardou o pergaminho e não leu, leria no caminho. Ele confiava no que Sakura lhe disse, não havia porque ela mentir. Ele foi até a cômoda e começou a arrumar suas coisas em sua mochila, Sakura o acompanhava com o olhar.

Ele queria conversar com ela, apenas não sabia como. Resolveu ir pelo caminho seguro:

- Já tomou café da manhã?

- Iiê*, ainda não.

- Ah, prefere comer aqui na pousada ou em outro lugar?

- Hummm, pode ser aqui mesmo.

- Ah.

E agora? O que mais ele falaria? Ele queria perguntar como ela estava, o que estava acontecendo em sua vida, como estava Konoha... ele queria saber todo esse tipo de coisa. Coisa que antes nunca lhe interessou, por isso agora ele tinha dificuldade em apenas dizer “como você está?”.

- Sakura.

- Hn?

- Eu (...) eu tenho que ir em um lugar depois do café da manhã, tenho algo para terminar antes de partirmos.

- O que é?

- Nada demais, só estou ajudando a consertar o telhado de um velho. Era para eu ter terminado ontem, hoje falta pouca coisa.

- Ahhh, sem problemas Sasuke-kun, eu vou com você.

- Não é necessário.

- Não me importo, vou te ajudar. Acabaremos mais rápido e podemos partir logo.

Para Sasuke não valia a pena ficar discutindo, ele não queria. Aceitou.

Desceram para tomar o café da manhã, mas antes Sasuke parou na recepção para acertar sua estadia. A garota tinha um rosto mau humorado e encarava Sakura com desdém, Sakura por sua vez apenas sorria em resposta. Talvez isso deixasse a garota mais irritada.

- A conta por favor.

- Já vai embora Sukea-san? – A garota usou um tom melodioso que era inédito a Sasuke, ela não havia falado dessa forma antes.

- Ah. E cobre mais um café da manhã, terei companhia hoje.

Bufando, a garota fez os cálculos e mostrou o valor a Sasuke que a pagou sem pestanejar.

- Vamos Sakura, por aqui.

Chegaram no local do café da manhã, os dois homens do dia anterior também estavam lá. Eles se sentaram e tomaram café em um silêncio confortável, de repente Sakura começou a sorrir e Sasuke ficou curioso:

- O que foi?

- Sukea-san, heim?

- O que tem?

- Você não se lembra?

- Hn?

- Esse foi o nome do fotógrafo que nos ajudou a tentar ver o rosto do Kakashi sensei.

- Ahhhhh, não me lembrava. É um nome comum.

- Era um disfarce também.

- Disfarce?

- Ops hehehehe, não conte a Naruto. Aquele era Kskashi sensei nos provocando.

- Hontoni*? Como você sabe?

- Uhum, era ele. Eu sou médica ué, eu que examino Kakashi e já vi seu rosto diversas vezes.

- Então naquele tempo todo ele estava sem máscara e não percebemos... tsc.

- Uhum, não sei porque ele esconde o rosto. Ele é um homem muito bonito.

Sasuke apenas levantou uma sobrancelha para Sakura.

- O que? Realmente, ele é muito bonito e ainda é muito jovem.

Ele nunca imaginou que ficaria incomodado com a aparência de Kakashi, pelo visto ele estava errado. Querendo mudar de assunto ele disse:

- Hn. Vamos.

- Hai hai!

Seguiram para a casa do velho que ficou espantado ao ver Sakura. Ele não deixou que ela ajudasse Sasuke, ele monopolizou sua presença dizendo que um velho como ele precisava desse colírio para os olhos. Sakura, sendo Sakura, aproveitou o momento e lhe deu um check up médico.

Enquanto terminava o telhado Sasuke ouvia a risada dos dois dentro da casa, o velho era um pouco divertido e Sakura era sociável, uma boa combinação. Rapidamente o telhado estava todo em seu devido lugar e sem buracos.

O velho lhes deu alguns provimentos como agradecimento quando soube que estavam partindo em viagem. Sakura estava empolgada e andava na frente quase dando pequenos pulinhos. Era fofo.

- Vamos Sasuke-kun, nossa viagem começa agora!

- Ah.

O que se viu foi o que Indra disse, um leve levantar de lábios em Sasuke.


Notas Finais


Obentô/bentô = marmita
Jaa ne = até mais
Iiê = não
Hontoni = realmente?


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