História Amor Repentino - Capítulo 13


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Notas do Autor


O último de hoje!! Aproveitem, tá muito soft esse capítulo, tem um lado escondido da Lena que vai começar a ser explorado....

Desculpem qqr erro e,

Boa leitura, kisses

Capítulo 13 - Encantadora


Lena estava pensativa enquanto tomava banho no banheiro em seu quarto.

“A que ponto eu cheguei? Quando foi que eu fiquei tão trouxa assim? Céus! Qual o problema comigo? – se martirizava enquanto sentia a água morna correr pelo seu corpo – Aliás, qual o problema com ela?! Depois do papel de otária apaixonada que fiz ela ainda me trata com indiferença, como se nada tivesse acontecido! Droga, Kara! Depois de transar na piscina de um hotel, ficar no quarto comigo não seria um problema.”

- Já chega! – suspirou pensando em voz alta enquanto se ensaboava – Não vou mais correr atrás fazendo esse papel ridículo. Se não me quer por inteiro não me terá de jeito nenhum!

“Ta pensando o que? – continuou em seus pensamentos – Se aproveita de mim e depois cai fora?! Eu não vou ficar servindo só pra te dar prazer, Kara. Se não me quer, tem quem queira!

- Mas eu quero ela... – soltou num suspiro buscando a toalha para se enxugar.

Após o banho vestiu seu roupão de seda branco e foi em direção à cama. Mal apoiou-se para deitar quando ouviu batidas leves na porta do quarto. Parou por um segundo para ter certeza de que alguém chamava e novamente escutou as batidas.

Um sorriso de canto apareceu em seus lábios imaginando quem poderia ser.

- Será que ela mudou de idéia? – disse baixinho se encaminhando para atender.

Assim que abriu a porta seu sorriso se desfez.

- Boa noite, senhorita. – disse um funcionário do hotel com um sorriso simpático no rosto – Aqui está o vinho que pediu.

O rapaz tinha uma garrafa em mãos a qual estendeu para a morena, que por sua vez o encarava com estranheza.

- Mas eu não...

Antes que pudesse terminar a frase, a porta do quarto à frente se abriu. Kara saiu com um leve sorriso nos lábios.

- Fui eu. Eu que pedi o vinho. Se importa?

Lena sorriu a fitando.

 

- Allioto, safra 2011... – a morena dizia enquanto enchia as taças em cima da bancada ao lado da cômoda em seu quarto – Não sabia que entendia de vinhos, Kara.

- E não entendo. – disse com um sorriso bem humorado – Ao contrário do que você pensa, eu presto atenção em você e no que você diz. Me lembrei que naquele jantar com os editores daquela agência de moda você ficou disputando com um dos editores para ver quem entendia melhor de vinhos. Me lembro de você ter dito que esse era um de seus favoritos.

Lena a encarava surpresa com as duas taças cheias em mãos.

- Nem eu me lembrava mais disso. – disse entregando uma das taças à loira.

- Está vendo como você é injusta comigo. – disse com um sorriso vitorioso.

- Não vamos entrar no assunto de injustiças porque nesse quesito eu garanto que sofro mais que você.

A assistente deu de ombros tomando um gole do líquido avermelhado em sua taça.

- Mas à que devo essa visita inesperada a essa hora da madrugada? – Lena questionou.

- Bem, eu acho que de fato fui um pouco injusta com você.

Lena sorriu.

- Realmente acho que não seria apropriado que eu passasse a noite em seu quarto, não nesse momento. – frisou a última frase encarando Lena nos olhos – Mas devia ter sido mais... gentil com você. Depois de uma noite tão agradável o mínimo que eu poderia fazer é agradecer.

- Concordo. – assentiu tentando segurar um sorriso.

- Então eu resolvi pedir esse vinho e vir até aqui para conversarmos um pouco... Não sei... – a olhou sugestiva.

- Sim, vamos conversar então, Kara. – Lena disse com humor no olhar – Sente-se, por favor.

Sentaram-se nas poltronas que haviam em frente a escrivaninha do quarto, se entreolhando.

“Pois bem, – Lena pensava – ela pensa que vou fazer igual a todas as outras vezes e agarrar ela de novo. Vai esperar sentada! Se ela quiser algo comigo vai ter que ser bem mais clara do que vir até aqui com uma garrafa de vinho e essa conversa fiada. – bebericava o vinho observando uma Kara sem jeito na poltrona à sua frente – Eu vou resistir! Mas por que ela tinha que vir justo com essa camisola preta que mal lhe cobre a metade das coxas?! – fixou o olhar nas pernas cruzadas de Kara e logo subiu os olhos para seu rosto – Concentre-se, Lena! Você não é mais uma adolescente que não tem controle sobre seus desejos. – observou-a tomar outro gole de seu vinho, levando uma mão até sua nuca e descendo suavemente pelos seus seios sob o decote do tecido preto, pousando sobre seu joelho esquerdo – Ela está me provocando ou...? – Lena apertava os dedos no braço da poltrona observando a cena atentamente – Essa mulher... inferno! – suspirou e levou a taça à boca, tomando todo o líquido de uma só vez.

- Esse silêncio todo está me incomodando. – Kara finalmente falou, sem jeito.

- Eu pensei que você queria conversar comigo. – Lena disse se levantando para encher novamente a sua taça.

- Eu vim aqui com essa intenção, mas você está aí parada sem dizer nada, me encarando como se quisesse me fuzilar com os olhos.

- Há muitas coisas que eu gostaria de fazer com você, Kara. Te fuzilar com certeza não é uma delas. – disse tomando outro gole de vinho e indo em direção à vidraça da janela do quarto, observando a vista noturna do lado de fora.

A loira suspirou e terminou de beber o vinho em sua taça, depositando-a na escrivaninha.

- Bom, se não temos assunto então eu vou dormir. Amanhã teremos mais eventos logo cedo.

- Boa noite. – disse sem se virar para olhá-la.

Kara a encarou com os olhos semicerrados e virou-se para sair.

- Kara...

- Sim? – voltou-se para ela novamente.

A CEO virou-se a encarando com um sorriso irônico nos lábios.

- Não vai levar o vinho?

A assistente a fitou com uma sobrancelha levantada.

- Não. Fique para você, de presente. Está na conta do seu quarto, mas pode descontar do meu salário quando voltarmos para o trabalho, senhorita Luthor.

A morena não segurou o riso e caminhou na direção de Kara.

- Não se preocupe. Que fique de presente à nós. – disse levantando a taça em gesto de brinde e levando à boca dando um generoso gole.

Kara observou aquela cena com fúria nos olhos. Num ato impensado arrancou a taça das mãos de Lena e jogou-a contra a parede ao lado, fazendo com que os cacos voassem pelo quarto e o resto do líquido se espalhasse pela parede.

A CEO a encarou surpresa e logo sentiu seu rosto sendo puxado pelas mãos suaves, mas nada delicadas de Kara.

- Se você quer brincar, senhorita Luthor, nós vamos brincar! – sussurrou contra seus lábios e logo os atacou num beijo intenso.

Por um momento Lena não teve reação diante daquela atitude. Correspondia à fúria do beijo que recebia, mas mal movia suas mãos que seguravam os braços da loira.

Kara forçou seu corpo contra o dela encaminhando-as em direção à cama, sem desgrudar seus lábios. Ao se chocar contra o colchão, Lena caiu sentada e logo sentiu o corpo de Kara encostando-se ao seu e sentando em seu colo. A loira logo buscou os lábios de sua chefe novamente reiniciando o beijo que fazia Lena estremecer. Num instante sentiu seu corpo ser arremessado ao colchão. Lena encarou a mulher sentada em seu quadril com um misto de surpresa e desejo no olhar.

- Sobe mais... até a cabeceira da cama. – a loira disse dando espaço.

Sem nada dizer, obedeceu. Logo Kara já estava sentada sobre o quadril de Lena novamente, onde levou as mãos até o laço do roupão da morena o puxando calmamente, enquanto se movimentava lentamente sobre a intimidade da mulher, criando um clima extremamente erótico.

Lena já sentia a tensão aumentando em seu corpo, tendo Kara se movimentando vagarosamente em seu quadril. Ao abrir o roupão e constatar a completa nudez da chefe por baixo do tecido branco, Kara sorriu com malícia mordendo o lábio inferior.

- O que está fazendo? – Lena finalmente teve forças para falar.

- Shhh... – sussurrou – Agora sou eu quem manda, senhorita Luthor.

Kara logo deitou-se sobre o corpo nu abaixo de si, ficando a centímetros da boca de Lena, onde mordiscou puxando seu lábio avermelhado pelo vinho, fazendo-a suspirar pesado.

- Seu corpo... – sussurrou enquanto distribuía beijos molhados pelo pescoço de Lena – sua boca... – desceu uma das mãos pelo seu tronco, acariciando seus seios – o jeito gostoso que você faz... – escorregou a mão pela barriga, arranhando levemente, fazendo-a ter pequenos espasmos e se arrepiar dos pés à cabeça – Tudo em você é uma perdição pra mim, Lena.

A morena suspirava sob aquelas carícias.

- Você tem noção disso? – Kara perguntou olhando nos olhos verdes intensos à sua frente – Tem noção do poder que exerce sobre mim?

- Eu que te pergunto, Kara. – retrucou – Você tem noção do poder que exerce em mim? Porque eu já to que nem uma trouxa apaixonada por culpa sua!

Kara soltou um sorriso e logo buscou os lábios de Lena para um beijo ardente. Buscava os lábios da CEO com desespero, sentindo o gosto do vinho em sua língua. 

Lena, por sua vez, serpenteava suas mãos pelo corpo da assistente, expondo cada vez mais o pouco que estava coberto pelo cetim preto da camisola. Apertava com força as coxas que há pouco admirava e logo foi até a calcinha de Kara, na intenção de eliminar o tecido que impedia o melhor contato, mas antes que pudesse puxar a lingerie, a loira segurou seus braços prendendo-os pelo pulso no alto de sua cabeça.

- Hoje eu que mando, senhorita. – disse num sussurro.

Lena engoliu seco e suspirou pesado sob uma Kara até então desconhecida por ela, que tomava a direção da situação.

A loira voltou a descer seus lábios pelo corpo de Lena, beijando cada centímetro de sua pele sem o menor pudor. Rodeou com beijos o seio direito de Lena, que já se contorcia por um contato mais intenso, que logo foi atendido quando Kara levou a língua até seu mamilo e tomou-o em sua boca, sugando com força. 

Lena suspirava tentando segurar um gemido que há muito queria sair. Sem demora Kara começou a descer seus beijos lentamente pela barriga da morena, lhe provocando mais arrepios e suspiros. Ao sentir os lábios da mulher descendo sem parar, Lena se manifestou, a encarando.

- Kara, o que está faz...

- Shhh... – olhou-a intensamente com um sorriso levado nos lábios, por fim dando uma piscadela para a chefe antes de continuar.

Desceu mais beijos até a coxa arrepiada de Lena, roçando seus lábios vagarosamente pela região sensível. Queria torturá-la o máximo que pudesse. Queria ver Lena Luthor implorando por ela. Queria senti-la da mesma forma como ela a fazia se sentir. Perdidamente fora de si.

- Kara... – se contorcia impaciente.

- Pede, vai... – sussurrou.

Lena sorriu num suspiro.

“Você é sempre tão vingativa assim?” – pensou.

- Por favor, Kara! Me chupa, vai...

A loira deu um último sorriso satisfeito antes de levar a língua até o centro molhado. Serpenteou sua língua pelo clitóris da morena, fazendo-a arfar, enfim deixando escapar o gemido que prendia, que Kara adorou ouvir.

A loira chupava com mais vontade cada vez que Lena deixava escapar um gemido. Sentiu um espasmo invadir seu centro quando ouviu-a gemer seu nome em alto e bom som. Sentiu pela primeira vez como pode ser gostosa a sensação de dar prazer a alguém.

Não demorou para que Lena começasse a se contorcer, convulsionando sob a onda de prazer que Kara estava lhe proporcionando e sucumbindo num orgasmo que há muito estava confinado apenas em seus pensamentos.

Kara logo se pôs sentada sobre Lena novamente, que por sua vez observava aquela cena extasiada. A loira sentada em seu colo, com uma das alças de sua camisola caída sobre seu ombro, limpando delicadamente os cantos da boca com os dedos, a encarando com um sorriso maldoso nos lábios.

“Definitivamente ela é a minha perdição!” – pensou admirando a mulher à sua frente.

- O que foi isso? – perguntou puxando Kara para si.

- Só quis retribuir todos os momentos maravilhosos que você já me proporcionou. – disse se aconchegando no peito dela.

Lena deitou-se de lado, encarando-a. Levou uma mão até seu rosto e acariciou com seu polegar.

- O que você está fazendo comigo, Kara?

- Eu? – disse a fitando – Eu não fiz nada. Sou inocente.

Lena sorriu de leve.

- Aquilo que você disse lá na piscina... ser toda minha... – perguntou sem jeito.

- É... eu disse... – Kara pigarreou desviando o olhar – Nós podemos ir nos conhecendo, com calma.

- Mais do que já nos conhecemos? – disse sugestiva.

- Nos conhecer mais, intimamente falando. Não só sexo, Lena.

- Tudo bem, claro. Com calma.

A loira assentiu.

- E nesse processo de nos conhecer, intimamente falando, é válido você passar a noite aqui comigo? No meu quarto?

- Eu não sei... O pessoal do evento está todo nesse andar. O que dirão se nos virem saindo juntas daqui amanhã de manhã?

- Dirão que eu sou uma mulher com muito bom gosto e com muita sorte de ter uma mulher como você comigo.

- Lena... – a repreendeu.

- Eu não me importo com o que eles vão pensar. Aliás, não me importo com o que ninguém pensa. Ninguém tem nada a ver com a minha vida e nem com a sua.

- Eu sei, é que... isso tudo é um pouco novo pra mim, entende?

- Entendo. – suspirou – Mas fica mais um pouco então? Só mais um pouquinho?

Lena se aproximou de Kara e começou a distribuir beijos por todo o seu rosto enquanto implorava para que ela ficasse.

- Não faz assim... – a loira pediu tentando segurar o riso.

- Por favorzinho, Kara? – continuou beijando seu pescoço, provocando-lhe arrepios – Fica, vai?

- Eu já te disse o quanto você pode ser persuasiva?

- Acho que já comentou algo sobre. – Lena sorriu e logo tomou os lábios de Kara num beijo, reiniciando a noite de prazer que estavam tendo.

***

Kara abriu os olhos sentindo a claridade da manhã pesar em suas vistas. Olhou para as cortinas entreabertas da janela e pôde perceber de onde vinha o incômodo. 

Virou-se para o outro lado da cama e assustou-se com aqueles olhos verdes observando-a. 

Lena estava deitada ao seu lado, apoiada sobre seu cotovelo. Tinha um sorriso bobo nos lábios que ficou maior ao ver a surpresa de Kara ao vê-la ali.

- Você fica linda dormindo. Bom dia!

- Bom dia. – disse sem jeito, se espreguiçando – Eu não me lembro de você ter me convencido a passar a noite aqui.

- Eu me lembro exatamente o momento em que te convenci. – disse com um sorriso cheio de malícia.

- Que horas são?

- Umas 10h30min.

- O que? – Kara deu um salto, sentando-se na cama – Lena, por que você não me acordou? Tínhamos que estar nos eventos desde às 08h da manhã!

- Eu acordei agora a pouco também. E... – disse tentando fixar os olhos no rosto de Kara, mas não conseguia evitar olhar seus seios nus – E... você estava dormindo, e...

Kara a encarou notando que a morena observava. Quando se deu conta tratou de puxar o lençol e segurá-lo sobre seu peito.

- Pare de me olhar e diga logo.

- Me desculpe, eu me distraí. Eles são tão lindos... – disse sem conter o riso.

Kara sentiu suas bochechas queimarem.

- Bom, não faz muito tempo que eu acordei. – Lena disse se ajeitando na cama – Só tive tempo de pedir o nosso café.

Foi até a bancada ao lado da cômoda e pegou uma bandeja, levando até a cama.

- Eu não sei o que você gosta de comer de manhã, então pedi tudo o que tinha para o café. – disse depositando a bandeja ao lado da loira que a encarava surpresa – O que? – Perguntou ao ver a expressão de Kara.

- Nada. Só não achei que você fosse do tipo que traz café da manhã na cama. – sorriu com humor.

- Esse é um privilégio que poucos têm da minha pessoa. Sinta-se agraciada.

- Humm... – pegou uma uva e levou até a boca – Eu e mais quantas mulheres fomos privilegiadas com esse seu ato de romantismo, senhorita Luthor?

Lena a fitou com os olhos semicerrados.

- Você e mais ninguém, Kara. – disse séria – Você é a primeira mulher para quem eu trago café na cama.

A loira a encarou séria e sem jeito.

- E eu não me importaria de lhe trazer café na cama todos os dias, se você quisesse, é claro. – disse tomando um gole de suco.

- Vamos terminar logo para podermos participar das palestras após o almoço. – Kara disse tentando mudar de assunto.

- Eu tinha outros planos para o dia de hoje.

- Como assim outros planos? Temos que ir para o evento. Afinal foi para isso que viemos até aqui. O dinheiro das passagens e das diárias está saindo da conta da empresa.

- Depois eu reponho esses valores, afinal, eu sou dona da empresa. – disse dando de ombros – Isso tudo é uma grande chatice. Não quero desperdiçar uma companhia interessante como a sua num programa desagradável.

Kara não conteve o riso.

- E o que pretende, senhorita?

- Não sei... Podemos ir dar um passeio por Miami.

- Um passeio?

- É! Está decidido, vamos nos arrumar e tirar uma folga. Vamos ficar o dia todo fora do hotel, não quero dar oportunidade pro pessoal do Conselho de Publicidade que está na organização vir questionar a minha ausência no evento.

- Eu não sei... A minha chefe pode não gostar que eu tire o dia de folga. – disse com um sorriso bem humorado – Estou representando a empresa dela nesse evento. E se ela ficar brava comigo? E se ela me demitir? – colocou a mão sobre a boca, arregalando os olhos fingindo preocupação.

- Acho que ela não demitiria uma funcionária como você, senhorita Danvers. Você é uma excelente profissional, competente, linda... – disse se aproximando dela – e está merecendo uma folga! – finalizou selando seus lábios.

*** 

Passeavam pela Ocean Drive Avenue dentro do Range Rover branco alugado por Lena. Apreciavam as belezas da cidade praiana enquanto procuravam um lugar para almoçar. Após quase meia hora rodando pela bela avenida, encontraram um restaurante para onde se encaminharam.

Estavam à mesa apreciando a comida deliciosa e conversando tranquilamente.

- Mas então me diga, Kara. – Lena chamou a atenção da loira – Você acha que se tivesse saído com aquele seu amigo enfermeiro, teria momentos tão agradáveis como esses que está tendo comigo?

Kara a encarou.

- Eu não posso crer que você está lembrando desse assunto num momento desses, Lena.

- Foi só uma curiosidade que me veio.

- Seu ego não tem tamanho!

- Eu duvido que ele saberia tratar você do jeito que você merece.

- Ele pode não ter a riqueza que você tem, mas me pareceu saber tratar uma mulher muito bem sim. – provocou – Isso independe de dinheiro, depende de atitudes.

- E quem disse que eu falava de dinheiro? As gentilezas que lhe fiz até agora não valeram de nada? – disse fingindo indignação.

- Acha que vai me comprar com um simples café na cama, senhorita? Isso eu já recebi antes, e mais de uma vez.

- Vejo que seu café da manhã é bem movimentado. – Lena ficou séria no mesmo instante.

- Às vezes sim. O Barry é um amigo muito gentil.

A CEO a fitou com uma sobrancelha arqueada observando Kara sorrir.

- Pelo visto eu vou ter que me empenhar mais se eu quiser impressioná-la, não é?

- Talvez... – disse prendendo o riso – Me dê licença um minuto, por favor.  – se levantou e foi em direção ao banheiro.

Lena a observou sair e ficou pensativa por uns instantes. Num minuto sua expressão passou de séria para animada, como se acabasse de ter uma ótima idéia. Pegou seu celular e discou para um número em sua agenda.

- Boa tarde, eu gostaria de fazer uma reserva... Sim, para hoje à noite... Não podem abrir uma exceção?... Posso falar com o gerente, por favor?... Ocupado? Diga que é a Lena Luthor... Obrigada.

Após finalizar a ligação a morena sorriu vitoriosa. Logo Kara se aproximou da mesa observando o sorriso no rosto de Lena.

- Algum motivo para o bom humor repentino? Me lembro que ao sair deixei você com uma cara de poucos amigos. – provocou.

- Eu tenho ótimos motivos para sorrir, Kara. Você é um deles, por exemplo.

Kara ainda não havia se acostumado com os elogios inesperados de Lena e corou ao encara-la com um sorriso sugestivo nos lábios.

Após o almoço passearam pela Lincoln Road, uma famosa avenida da cidade, admirando todas as belezas da encantadora Miami Beach. E após um dia agradável e descontraído partiram de volta ao hotel.

Era fim de tarde quando Lena estacionou o carro na entrada do hotel, sendo recebida pelo manobrista que logo tratou de levar o carro. Assim que adentraram o local avistaram um grupo de pessoas que acabavam de sair de um dos eventos de publicidade.

- Droga. - Lena sussurrou – Vamos direto ao elevador e fingir que não vimos ninguém.

Kara a seguiu apressada tentando disfarçar a nada discreta presença delas ali. Duas mulheres como Lena e Kara dificilmente passam despercebidas em qualquer lugar que forem.

- Senhorita Luthor? – um homem de terno chamou assim que notou as duas passando ao lado do grupo.

Lena virou para encará-los com um sorriso amarelo no rosto.

- Olá, boa tarde. Como vão?

O grupo respondeu em coro e logo se dispersou, deixando apenas o senhor com traços asiáticos na presença delas. Era o Presidente do Conselho de Publicidade.

- Senti sua falta nas palestras de hoje, senhorita Luthor.

- Senhor Yoshida, como vai? – disse estendendo a mão para cumprimentá-lo.

- Bem, senhorita Lena. E a senhorita? Teve algum problema hoje?

- Pois é, eu não passei muito bem hoje. Acordei com um mal estar e acabei indo parar no hospital. Fiquei lá até agora.

Kara a encarava incrédula.

- Oh, sinto muito. Já está melhor?

- Sim, foi só um... uma... infecção intestinal. – disse a primeira coisa que lhe veio à cabeça.

- Espero que amanhã já esteja bem para participar do último dia de eventos. As empresas Luthor são uma referência no ramo de publicidade do país. O senhor Lionel Luthor ficaria orgulhoso de você.

Lena sentiu uma pontada de remorso se abater sobre ela.

- Acho que sim. – disse sorrindo fraco.

- Bom, então aproveite a noite para descansar. Melhoras, senhorita. – disse se virando para Kara e acenando com a cabeça – Senhorita. Boa noite.

- Você é realmente inacreditável. – Kara disse seguindo para o elevador.

- O que? Eu não podia dizer para o Presidente do Conselho de Publicidade, que foi amigo de longa data do meu pai, que eu deixei de participar do evento mais importante da categoria para ficar passeando com um affair pela cidade.

- Um affair? É isso que eu sou agora? – disse adentrando o elevador – Já prevejo as matérias: “Paparazzi flagra a rica empresária Lena Luthor em um passeio por Miami com seu mais novo affair. Aparentemente a jovem loira com quem a magnata do ramo de publicidade está mantendo um caso é a sua assistente, Kara Danvers. Mais um caso de relação amorosa entre patrão e empregado.” No caso, patroa e empregada!

Lena não pôde segurar as risadas ao ver a forma dramática de Kara ao falar.

- Primeiro, – disse se contendo – eu não sou famosa ao ponto de terem paparazzi’s ao meu encalço dando conta da minha vida. Talvez alguns em New York, que dão notas sobre a ovelha negra da tradicional família Luthor que se tornou uma empresária, mas não abandonou velhos costumes festeiros. Segundo, eu não devo nada a ninguém, por mim podem falar o quanto quiserem. Por que eu teria receio de sair nas manchetes ao lado de uma mulher maravilhosa como você? E terceiro, um affair porque você quer assim. Acho que já deixei bem claro o que sinto por você, mas respeito seu tempo e sua decisão de ir com calma, então...

Kara a fitava sem nada dizer. Sentia seu maxilar travado tamanha tensão que aquela mulher lhe causava. O elevador parou no último andar e a loira agradeceu em pensamento por poder sair daquela situação. Logo foi em direção ao seu quarto sem dirigir a palavra a chefe.

- Kara... – Lena a seguiu – Kara, espera!

-Lena, boa noite. – disse já na porta de seu quarto.

- Kara... Céus! – suspirou – Eu posso acreditar que toda mulher seja assim tão dramática!

- Você é uma delas. Já deveria estar acostumada com dramas!

- Eu não sou dramática!

A loira virou-se para abrir a porta quando sentiu Lena segurar em seu braço.

- Kara, não seja assim... Me desculpe. Eu não quis ser grosseira, acho que o jeito que eu falo, a forma como me expresso acaba me fazendo parecer grossa, arrogante, mas eu não faço por mal. É só... o meu jeito.

- Tudo bem, Lena. Eu vou descansar um pouco, o dia foi bem... cansativo.

- Cansativo? – sussurrou suspirando.

- Boa noite.

- Não, espera! Eu... queria que você fosse jantar comigo.

- Não precisa se incomodar, senhorita. Eu me arranjo sozinha no restaurante do hotel.

- Kara... – disse se aproximando da assistente, segurando com as duas mãos em seu rosto – Por favor? Vamos?

- Lena, não!

- Sim... – sussurrou em seus lábios e logo os selou – Diz que sim?

- Para com isso! – disse tentando se desvencilhar – Alguém pode aparecer aqui a qualquer momento.

- Se você não aceitar eu vou te agarrar aqui mesmo e só vou soltar quando alguém aparecer e tirar belas fotos nossas para postar na internet. – disse ainda segurando o rosto da loira a centímetros de seus lábios.

Kara não conseguiu segurar o riso.

- Ta bom! Ta bom!

- Linda! – disse lhe dando um selinho – A gente sai daqui em 1 hora.

***

- Aonde vamos? – Kara perguntava já no carro pelas ruas movimentadas de Miami.

- É surpresa. – Lena disse com um sorriso animado.

Após pouco mais de meia hora já estacionavam à frente de um elegante restaurante, um dos mais badalados da cidade, o restaurante Juvia.

Assim que entraram uma jovem elegante e bem vestida as recepcionou.

- Boa noite, sejam bem vindas. As senhoritas têm reserva?

- Sim, – a morena prontamente respondeu – está em nome de Lena Luthor.

A jovem morena arregalou os olhos em tom de surpresa, como se já aguardasse a dona daquele nome.

- Oh, sim! Senhorita Luthor, é claro. Queiram me acompanhar, por favor.

Foram até o último andar da belíssima construção. Havia uma mesa reservada para elas com a melhor vista do lugar. Todo o restaurante tinha uma vista panorâmica. De lá se via boa parte da badalada Avenida Lincoln Road de Miami.

Kara estava extasiada. Desde que se sentaram à mesa ela não parou de observar a belíssima vista um minuto sequer.

- Gostou? – Lena perguntou ansiosa.

- É lindo, Lena!

- Você que é linda, Kara. – a morena a fitou – Está linda nesse vestido, como sempre.

Kara a encarou sem jeito, ajeitando o óculos, corada.

- Obrigada. Você também está linda, como sempre. – sorriu.

O jantar seguiu agradavelmente como Lena havia planejado. Foram servidas como clientes especiais e receberam até uma visita do chef. O que fez Kara ficar surpresa.

- Nossa, eu já sabia, mas não tinha noção do quanto a senhorita Lena Luthor era importante. – disse assim que o chef saiu da mesa delas.

- Por que diz isso?

- Recebe tratamento especial e conhece até o chef desse restaurante, que ao que me parece é um dos melhores de Miami.

Lena riu da situação.

- Na verdade, eu sou apenas uma pessoa com influência. Liguei hoje mais cedo para fazer uma reserva aqui, já conhecia e sabia que era lindo, achei que você gostaria. – disse quase sem jeito – Quando liguei eles já não tinham mais reservas para hoje, então eu pedi para falar com o gerente e dei um jeitinho.

- Deu um jeitinho? – a encarou desconfiada.

- Sim. Eu ofereci publicidade grátis ao restaurante por um mês. Ele foi um pouco relutante, já que o lugar já é bem famoso, mas eu posso ser um tanto quanto... persuasiva.

- Disso eu não tenho dúvidas!

Após o jantar Lena fez questão de ir até o gerente e agradecê-lo pessoalmente, distribuindo elogios ao atendimento, ao lugar e à comida. Kara fez questão de confirmar todos os elogios.

Partiram dali indo em direção contrária ao hotel em que estavam hospedadas.

- Não vamos voltar para o hotel? – Kara questionou.

- Não. Ainda não. – Lena respondeu com um sorriso malicioso.

- E aonde vamos?

- A surpresa ainda não terminou. Não seja impaciente.

- Eu sou muito paciente, Lema. Quem não tem paciência aqui é você. – disse sorrindo.

Lena sorriu e nada disse, apenas seguiu com o carro pelas ruas de Miami. Após longos minutos enfim estacionaram em um píer com luxuosos barcos enfileirados.

- Onde estamos?

- Quem não tem paciência aqui é você! – disse imitando a voz de Kara.

- Qual a sua idade mesmo? – provocou.

- Tenho 26, senhorita. Agora pare de falar e ponha essa venda nos olhos. – disse retirando o tecido preto de dentro do porta-luvas.

Kara a encarou com uma sobrancelha arqueada.

- Vamos! Por favor? Faz parte da surpresa. – a CEO insistiu.

- Tudo bem. Se for me matar agora e desovar meu corpo no mar, pelo menos avise a minha mãe que eu a amo. – disse retirando os óculos e pondo a venda nos olhos – e diga ao Barry que ele pode ficar com o Senhor Fofinho.

- Senhor Fofinho?

- Sim, é o meu urso panda de pelúcia de estimação.

Lena gargalhou.

- Quantos anos você tem mesmo? – devolveu a provocação.

Assim que saíram do carro Lena guiou a loira em direção ao píer. Lá um homem aguardava com um uniforme branco e um chapéu de comandante.

- Boa noite, senhoritas. – disse simpático.

- Boa noite. – a morena respondeu – Lena Luthor.

- Perfeitamente. – o homem assentiu ao ouvir o nome – Me acompanhem, por favor.

Kara tinha o cenho franzido, não entendia nada do que acontecia. Caminharam até um luxuoso iate, onde Lena as acomodou dentro da cabine. Em poucos instantes o iate deu partida em direção ao mar. Após alguns minutos sentiram a velocidade diminuir até parar. 

Lena ainda não havia deixado Kara retirar a venda. Pediu que ela ficasse na cabine até que ela voltasse. A morena foi até o comandante e deixou tudo acertado para que ele voltasse na manhã seguinte para buscá-las. O homem prontamente deixou o barco ancorado, soltou um jetski na lateral da embarcação e partiu dali de volta à terra firme, deixando orientações sobre como entrar em contato pelo rádio, caso precisassem.

A morena retornou à cabine e encontrou Kara impaciente, ainda com a venda sobre os olhos.

- Muito bem, não retirou a venda com eu mandei. – disse sorrindo.

- Até que enfim! Eu já tava achando que você ia mesmo me matar.

- Te matar só se for de... deixa pra lá.

Lena guiou Kara até a parte superior do iate colocando-a em posição estratégica.

- Está pronta?

- Eu não sei! O que vai fazer?

Lena retirou a venda dos olhos de Kara e a observou ansiosa. A loira fixou os olhos na imagem à sua frente e ficou extasiada. O barco estava a pouco mais de 1 km da costa de South Beach. A visão noturna da cidade iluminada vista pelo mar era encantadora.

- É... é lindo, Lena!

- Você gostou? – A morena perguntou apreensiva.

- Sim... Muito!

Lena suspirou aliviada.

- Que bom que gostou. Fiquei com receio de você me achar brega ou romântica demais ou, não sei... Pensar que eu estou tentando forçar e apressar as coisas ou...

- Lena... – a interrompeu – Você é encantadora!



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