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História Amor Secreto - Capítulo 13


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Notas do Autor


Cheguei cedo de novo!!!!!!!

Boa leitura amores.

Capítulo 13 - Sinfonia de encontro






— Izumi Sakazuki. 32 anos. Banqueiro que herdou um dos maiores bancos da Ásia após o falecimento de seu pai há apenas 2 anos atrás, sua fortuna é avaliada em 31,8 bilhões de dólares. Ele é nosso alvo por investir dinheiro na máfia japonesa Akuma, também por ser pego sonegando impostos e por ser descoberto como um banqueiro que rouba pequenas fortunas particulares e dinheiro em outros bancos com rastros mínimos, mas certamente não invisíveis, já que foi descoberto. - explicou Jongin para a mesa onde seu parceiro em comando Sehun e os demais agentes se encontravam sentados, repassando mais uma vez a missão. — Tem outros crimes como podem ver nos arquivos que vocês têm em mãos, o que só aumenta a urgência dele ser apreendido.


— O maior problema é sua ligação com a máfia japonesa, em especial a Akuma - maior máfia do Japão e terceira maior da Ásia. - disse Sehun apontando para algumas fotos sobre a mesa, uma delas de Izumi com um dos filhos do chefe da máfia. — Desde bem jovem ele vem se metendo em encrenca, mas com dinheiro ele nunca para na prisão por muito tempo. Agora ele precisa ser detido de uma vez, porque ele está movimentando uma quantia milionária para a máfia novamente - informação repassada por informantes inseridos dentro da Akuma - e que pode causar um impacto bem sério com o uso desse dinheiro. Izumi investe, mas ele espera retorno, então os mafiosos matam banqueiros rivais, destroem bancos, financiadoras, imobiliárias e qualquer pessoa ou empresa que Izumi decide que é seu rival, também trazem clientes para a sua gama de bancos, assim como trazem pessoas que a máfia quer arrancar dinheiro antes de se livrar delas. 


— Ele é o tipo de homem que não sabe parar, que o poder já esteve em suas mãos desde sempre e ele acredita que nada que ele faça o levará até a prisão, mas precisamos mudar isso e trancafiá-lo de vez por todas, em nome da ISP. - afirmou Jongin com convicção enquanto fechava sua pasta. 


— Desculpem-me, mas há algo que eu não consigo compreender ainda: Por que somos nós, AEGIS, responsáveis por prendê-lo? - indagou Yunho sem esconder a sua confusão. 


— É, eu também me pergunto, não é questionando as nossas designações da ISP… - disse Taeyong com uma expressão que demonstrava que o mesmo estava com algumas dúvidas. — Izumi pode muito bem ser preso por uma polícia local, militar, federal… Tenho certeza que essas forças poderiam prendê-lo com facilidade. Por que a ISP, em especial a divisão AEGIS?


Sehun e Jongin se olharam em silêncio por um momento, até que Yeeun tomou a palavra. 


— Porque assim como na Tailândia, assim como em muitos outros lugares no mundo, infelizmente… Há corrupção. - disse Yeeun girando uma caneta entre seus dedos. — E é exatamente por isso que Izumi saiu da cadeia tantas vezes e tão rápido, porque não somente há pessoas dispostas a receberem dinheiro de suborno, como também há pessoas infiltradas da máfia para atender os desejos daqueles que estão em seu círculo. 


Sehun e Jongin acenaram em confirmação, pois esperavam isso dos AEGIS, que eles pensassem melhor nas missões, pois muitas vezes os dois comandantes tiravam alguns dados do material repassado para que os agentes sentissem que faltavam pequenas lacunas, pontos que precisavam estar presentes para deixar a missão clara, objetiva e completa. 


— E também porque a ISP quer que isso seja feito com discrição, pois ele é um banqueiro de grande influência para o mercado global, o impacto na economia poderia ser grande se a Interpol entrasse em ação por exemplo, porque a mídia iria saber dos motivos de sua prisão de forma definitiva e o alvoroço se instalaria… - disse Eunbi fazendo uma pausa, expressão séria. — E a máfia iria saber rapidamente que perdeu seu maior patrocinador, algo que poderia ser a fagulha perfeita para uma revolta séria, e quem iria pagar por isso seriam muitas vidas inocentes e pessoas que trabalham para deter a criminalidade. Máfias são vingativas, isso é uma verdade em qualquer lugar do mundo.


Sehun ficou tenso em sua cadeira, porque Eunbi estava totalmente certa. Vingança é como um segundo nome para tais organizações criminosas, elas não param até fazerem a vida de seus alvos pó e cinzas.


— E é exatamente por isso que estamos designados a cumprir essa missão, uma missão com muita discrição, de forma tranquila e sem deixar rastros. Izumi Sakazuki irá sumir direto para uma prisão especial e tudo o que vai ficar para trás é o dinheiro dele, a máfia não irá saber de seu paradeiro, eles só podem deduzir que ele fugiu por medo ou que foi morto por outras máfias ou até mesmo por pessoas que ele roubou, e como Izumi não é membro da máfia eles não vão investir dinheiro e tempo para procurá-lo, a única alternativa deles vai ser se retraírem enquanto procuram por um novo patrocinador com o peso bilionário que Izumi tinha para eles, e é aí que outras forças designadas entrarão com o trabalho de desmonte da Akuma. - explicou Jongin acariciando a mão de Sehun na sua por baixo da mesa. 


— É por isso que vocês duas serão as principais nessa fase importante da missão. A ISP tem incontáveis empresas com membros agentes e de agências aliadas. Vocês duas foram inseridas dentro de uma agência de escolta discreta, uma empresa de segurança discreta para escoltar figuras ricas e influentes de forma que não se faça algo notável. Os nomes falsos de Yeeun e Eunbi para a missão já estão inseridos no banco de dados, constando como se vocês já trabalhassem para a agência há alguns anos e com experiência dentro da área. - evidenciou Sehun para as duas mulheres agentes em específico. 


— Izumi gosta de ser acompanhado por seguranças femininas que sejam bonitas e que aparentem não ser nenhuma ameaça, e vocês duas foram escolhidas por ele com a sugestão da agência de segurança discreta para acompanhá-lo em uma apresentação teatral da qual ele é fã no Teatro Kabukiza, pois ele gosta de esbanjar que é um homem bilionário, jovem e famoso em todas as oportunidades que tem de ir para lugares mais públicos. - disse Jongin enquanto Eunbi e Yeeun davam um sorriso divertido e sarcástico. — Se ele tentar algo, vocês têm a nossa total permissão para arrancar o pênis dele fora. 


— Podem ter certeza. - disse Sehun rindo. — Izumi Sakazuki tem os seguranças particulares dele e que o deixarão na porta do teatro onde vocês irão encontrá-lo na entrada, por isso é arriscado ir atrás dele durante o trajeto e em qualquer momento anterior ao teatro. Acompanhem-o durante a apresentação dentro do teatro, ao fim saiam com ele e escoltem-o até uma limousine idêntica a sua para que possamos prendê-lo com discrição máxima e levá-lo para as mãos da ISP em seguida. Eu e Jongin estaremos lá dentro do teatro para ficar de olho em tudo, Yunho e Taeyong ficarão responsável pelo automóvel e os agentes auxiliares à paisana. Cuidem-se senhoritas, eu sei que vocês farão um trabalho impecável como sempre. Vejo todos vocês logo mais à noite. - disse Sehun se levantando ainda de mãos dadas com Jongin, o moreno o seguindo enquanto via seus amigos agentes forçarem vômitos falsos com o apego do casal mais que público e oficial. 







・‥…━━━━━━━☆☆━━━━━━━…‥・







Jongin e Sehun andavam de mãos dadas em direção ao Teatro Kabukiza como um casal estrangeiro que só queria conhecer mais um pouco da cultura japonesa. Jongin estava com seu cabelo pintado de loiro e roupas sociais em uma calça azul marinho e uma camisa branca de botões, acompanhado de um cachecol xadrez preto e branco e um casaco preto. Sehun estava usando lentes de contato azul claro, óculos de armação preta, suéter preto, sobretudo marrom e calça social cinza. Ambos pareciam o típico casal estrangeiro que viaja pelo mundo conhecendo de tudo um pouco e Jongin não tirava os olhos de Sehun por achá-lo irresistível de óculos. 


— Se eu não soubesse que você é meio russo e meio coreano, eu diria sem piscar agora que você é britânico. - disse Jongin sorrindo para Sehun que se ocupava guiando-os pela calçada movimentada. 


— Ah é? - disse Sehun piscando um olho para Jongin, fazendo o moreno puxá-lo para si e roubar um beijo de Sehun no meio da calçada rumo ao teatro. — Certeza que é só o visual.


— É, mas você venceu o meu pai em uma competição para ver quem leva mais tempo para ficar bêbado com soju, meu pobre pai ficou um bêbado de dormir de cara na mesa enquanto você estava lá sentadinho na cadeira com a maior cara cínica de paisagem que eu já vi, então eu sei bem que você de britânico não tem nada, apesar de termos a Inglaterra como país base há um tempinho já.


— É só álcool. - disse Sehun rindo ao lembrar da imagem de si e Jongin carregando Hajoon até seu quarto enquanto Chaila ria alto seguindo atrás de ambos. 


— É, álcool meu lindo e perfeito namorado russo. - disse Jongin envolvendo sua mão ao redor da cintura de Sehun e pressionando seus corpos mais juntos enquanto andavam. — Meu pai nunca ficou tão feliz em ser derrotado, você ganha o coração do meu velho com tudo o que faz. 


— Meu pai me derrota facilmente, Mikhail é foda pra caralho, uma pena que ele teve que voltar tão rápido para a Rússia. Da próxima vez vamos ser todos nós disputando, eu, você e nossos pais enquanto sua mãe assiste tudo brigando no começo com o exagero e se acaba de rir no final. - sugeriu Sehun enquanto ambos se aproximavam da entrada movimentada do teatro.


— Eu topo. - respondeu concordando com Sehun. — Eu ainda não consigo acreditar que a gente tá juntinho e que as nossas famílias se deram tão bem. 


Apenas 8 meses em que Sehun e Jongin entraram na vida um do outro. 

8 meses que se parecem como uma vida toda de tantos momentos vividos. 


— Nem eu meu amor, e foi tudo graças a você. - disse Sehun dando um beijo nos cabelos de Jongin, os dois finalmente chegando ao Teatro Kabukiza. 







☆☆







Os comandantes se sentaram na parte inferior do Teatro Kabukiza - um dos teatros mais famosos e tradicionais do Japão, os dois com folhetos em inglês nas mãos para as apresentações da noite. O olhar discreto de Sehun voltou-se para trás e observou o andar superior do teatro, vendo Eunbi e Yeeun já sentadas em ambos os lados da poltrona de Izumi Sakazuki, as duas firmes no personagem e dialogando com o homem que parecia bastante engajado em dar atenção as duas, a maioria das pessoas no andar superior vestindo roupas bem formais. 


— Acredito que tudo vai ficar tranquilo aqui dentro, apenas Yeeun e Eunbi estão com Izumi como planejado, agora é só ter paciência e checar se está tudo bem com elas antes do próximo passo. - disse Sehun se acomodando melhor em seu assento ao lado de Jongin. 


— Okay. 


A apresentação estava prestes a começar e as luzes da plateia foram desligadas, os olhos de Sehun foram até os de Jongin, sorrindo ao pegar o moreno olhando para si. 


— Sabia que segundo a mitologia japonesa o teatro passou a existir por conta da deusa Ame-no-Uzume, deusa da alegria e do amanhecer? - perguntou Jongin em tom baixo e doce enquanto olhava para Sehun. 


Sehun balançou a cabeça em negação por não saber muito da cultura japonesa, apesar de já ter pisado várias vezes no país rico em cultura. E com a voz de Jongin em tal tom doce e com o olhar brilhante dele sobre o seu, Sehun fingiria não saber sobre qualquer coisa só para ouvir Jongin falar desse jeito consigo, no meio de muitos, na intimidade apenas de dois, Jongin e ele. 


— A deusa dançou na frente da caverna onde a deusa Amaterasu - deusa do sol - estava escondida para se resguardar de seu irmão malvado e violento, o deus da tempestade, Susanoo. Ame-no-Uzume dançou para que Amaterasu saísse para fora da caverna, e a mesma conseguiu o que queria, trazendo a deusa escondida de volta à luz com seu espetáculo de dança que fez quem a assistia sorrir. - murmurou Jongin mordendo seu lábio inferior por um momento, olhos escapando para o palco onde uma apresentação Kabuki estava prestes a se iniciar. — Minha mãe que me contou isso quando eu era criança e eu perguntava coisas sobre teatro e atuação para entender melhor o que ela fazia. Ela sempre adorou vir ao Japão, mas ela nunca me trouxe com ela… 


— Mas agora você pode vir com ela meu amor, você pode aproveitar a sua família e fazer tudo o que quiser… - disse Sehun assistindo ao sorriso de Jongin em resposta. 


— É, você tem toda a razão. - concordou Jongin com um brilho animado em seus olhos.


Ambos continuaram se olhando em silêncio por um momento onde palavras não se faziam necessárias, o ambiente escuro não impedindo que o par prendessem suas atenções um no outro. 


— Eu já te disse hoje que eu te amo mais que tudo nesse mundo e que eu sou grato por ter encontrado você? - indagou Sehun elevando sua mão entre as poltronas que os separavam e acariciando a face de Jongin, vendo o moreno dar um sorriso largo em meio a uma expressão envergonhada com a súbita confissão. 


— Sim, mas é sempre bom ouvir. - brincou Jongin apertando a mão de Sehun em seu rosto. — Eu te amo Oh Sehun, você é a porra do homem mais perfeito que existe nesse mundo e eu sou sortudo para caralho em ter você só para mim.  


Sehun riu e puxou o rosto de Jongin até o seu, selando seus lábios aos dele, beijo que durou por pouco tempo, pois os aplausos que ecoavam pelo ambiente indicavam que a apresentação iria começar. 


O som de um instrumento tradicional japonês chamado shamusen preencheu o ambiente de uma forma hipnótica, prendendo os olhos de todos no espetáculo, inclusive Sehun e Jongin por alguns momentos. Os dois comandantes estudavam de forma discreta a plateia e o andar de cima para checar se tudo ia bem com Eunbi e Yeeun e se não havia nada de suspeito acontecendo, tudo estava nos conformes e suas atenções se voltavam ao palco e para o espetáculo diferente e intrigante que acontecia diante de seus olhos. O tempo passou como mágica diante de seus olhos, e a apresentação teatral estava próxima do fim quando três sons altos foram ouvidos em sequência, fazendo o som dos tambores e cantos no palco pararem de imediato e gritos ecoarem pelo teatro como uma sinfonia do terror.


Tiros. 


O público presente começou a correr como uma manada apavorada em direção às saídas enquanto Jongin e Sehun subiam em suas cadeiras de mãos dadas em pânico, seus olhares focando no andar superior e  vendo as expressões horrorizadas de Yeeun e Eunbi que olhavam para o corpo ensanguentado e imóvel sentado entre elas. 


Izumi Sakazuki havia acabado de ser assassinado.


— SEHUN, AS GAROTAS!!!!!! - gritou Jongin em desespero.


— JONGIN, ESPERA!!!!!! J-... JONGIN!!!!!!!!! PORRA!!!!!!!!! Sehun desceu da cadeira e começou a correr atrás do moreno, sua preocupação sendo tripla com o sumiço de Jongin na multidão. 


Sehun forçou seu caminho entre as pessoas em direção às escadas que o levariam ao andar superior, pessoas chutando-o e empurrando para baixo no caminho, seu corpo quase sendo pisoteado no frenesi de pessoas desesperadas que temiam por suas vidas. Forçando sua passagem para cima com muito esforço, Sehun atingiu o topo da escada e correu até Yeeun e Eunbi que jaziam em choque demais para reagirem, suas roupas sujas de sangue fazendo Sehun entrar em pânico enquanto corria até as duas.


— ABAIXEM!!!!!! VOCÊS DUAS, ABAIXEM-SE!!!!!!! - berrou Sehun engatinhando entre as poltronas por não fazer ideia de onde poderia estar o responsável pelos tiros e que poderia fazer novos alvos a qualquer momento. — VOCÊS ESTÃO BEM??????? VOCÊS ESTÃO FERIDAS????????


— NÃO!!!!!! MATARAM O IZUMI!!!!!! - gritou Eunbi enquanto Sehun saltava sobre uma fileira de poltronas e se jogava na frente das duas agentes agachadas. 


— Estamos bem!!!! - disse Yeeun respirando com dificuldade.


— Cadê o Jongin??!!??!???!!?? - perguntou Sehun congelando em sua posição agachada no chão, seu coração acelerando ainda mais enquanto olhava em volta e o som dos gritos do público em fuga ia diminuindo. — Ele já deveria ter subido até aqui!!!!!!!!!!!! 


— Não sabemos!!!!!!!! - respondeu Yeeun agoniada, seus olhos cheios de lágrimas. 


— E-Eu-... 


Eunbi não teve tempo de terminar, o som das portas do teatro sendo fechadas com força fizeram todos ficarem imóveis. O som de pessoas correndo e gritando já não mais presentes no ar, o que significava que todo o público havia conseguido fugir, o que fazia Sehun torcer para que Jongin houvesse sido arrastado para fora com a maré de pessoas.


O som do instrumento shamusen que antes hipnotizou a Sehun preencheu o ar, mas dessa vez o sentimento que invadiu Sehun foi o de puro medo.


— OH SEHUN. - falou uma voz que Sehun despreza em seu âmago e que rezou incontáveis vezes enquanto crescia para que a mesma desaparecesse de seu cérebro para não ser mais um som familiar. 


Sehun se levantou lentamente do chão onde estava agachado entre uma das fileiras de poltronas, e quando seus olhos focaram o palco abaixo, Sehun sentiu seu peito se rasgar por completo em uma mistura caótica de ódio e medo.




Duas figuras que Sehun já não queria mais encontrar ou se lembrar de suas existências estavam de pé no palco, olhando direto para si.




Han Jia Smirnov. 




Egor Smirnov.




Os progenitores biológicos de Sehun. 




E no meio deles, sentado e amarrado em uma cadeira, com a cabeça pendida para a frente desacordado…


Estava Kim Jongin. 



— Que surpresa ter sua presença aqui meu querido e amado filho… - disse a voz de Jia novamente. — Venha se juntar a nós e traga essas duas belas mulheres com você. Não tente nenhum ato estúpido, do contrário o seu parceiro comandante vai ter os miolos estourados bem na sua frente, e não queremos nada disso, certo? 


Sehun tentou se acalmar enquanto respirava fundo, sua mente a um milhão enquanto olhava para Yeeun e Eunbi sem saber o que fazer. As duas se levantaram e o seguiram escada abaixo, todos em silêncio com seus próprios medos internos.


— Vai ficar tudo bem, eu prometo. - disse Sehun em tom baixo, tentando acalmar suas duas amigas e a si mesmo.


Ao chegarem na frente do palco, Sehun pediu que Eunbi e Yeeun parassem, ambas ao seu lado. Sehun estudou o olhar de pânico do homem que continuava a tocar o shamusen em silêncio, seu corpo tremendo por medo de ser morto pela arma que dançava nas mãos de Egor, o mesmo em silêncio enquanto movia-se de um lado para o outro do palco, assobiando uma canção russa que tanto se fez presente nos pesadelos de Sehun, canção que Egor assobiava sempre que estava prestes a tirar a vida de alguém ou tinha grandes desejos de fazê-lo. 


— Agora chegou a hora de se livrar de todas as armas, coletes e qualquer coisa que podem levar vocês a verem esse belo homem aqui ser morto, não é mesmo? - falou Jia novamente, sua arma passeando pelo corpo de Jongin, seus olhos em Sehun tão vazios e desprovidos de compaixão como sempre foram, mesmo para seu próprio filho. 


Sehun fez o que foi pedido, desfazendo-se de seu casaco e tirando suas duas pistolas de sua cintura e em seguida retirando seu colete. Yeeun e Eunbi retiraram pequenas pistolas debaixo de seus vestidos e que jaziam presa em suas coxas por um coldre. Sehun colocou todas as armas sobre o palco e Egor recolheu-as, colocando-as em um saco de pano e levando-as para o canto esquerdo do palco. Em seguida Egor revistou a todos os três, parando mais tempo em Sehun enquanto o mesmo mantinha seu corpo imóvel para não fazer nenhuma besteira.


— Vocês duas fiquem aí embaixo deitadinhas no chão, se eu ver algum movimento… Eu atiro na cabeça das duas. - ordenou Jia em tom sério, seus olhos nunca desviando dos de Sehun. — E você filhinho querido, suba no palco e se desfaça desse óculos e dessas lentes azuis, eu preciso ver direito e de forma natural a face da coisa mais linda que eu já trouxe ao mundo. 


Sehun jogou o óculos fora enquanto subia no palco e com suas mãos trêmulas retirou as lentes coloridas, descartando-as no chão enquanto andava lentamente na direção de Egor e Jia.


— Lindo nosso filho, não é Egor? - indagou Jia olhando para seu marido por um breve momento. 


Egor apenas deu uma risada sem humor, não dizendo nenhuma palavra até o presente momento, apenas encarando a Sehun com a mesma expressão que tinha para seu próprio filho e que mostrava nada mais além de desprezo, como se Sehun fosse a maior decepção de sua vida. 


— E vocês dois estão velhos para um caralho. - disse Sehun forçando uma risada, cruzando seus braços na frente de seu peito e tentando recuperar um pouco a sua sanidade e racionalidade. — Gente problemática envelhece cedo, e vocês dois me provam isso, meus parabéns.   


— Sempre desaforado, eu deveria ter cortado a sua língua fora quando eu tive tantas chances… Acho que hoje é o dia perfeito. - a voz de Egor se fez ouvir pela primeira vez, bem mais envelhecida do que a última vez em que a ouviu há 10 anos atrás quando fugiu das garras dos dois. 


— Seu aniversário foi há poucos dias atrás, queríamos fazer essa surpresinha!!!!! - disse Jia batendo palmas com a arma na mão. — Foi tão fácil te encontrar no Japão, e quando descobrimos que a sua missão era capturar Izumi Sakazuki… Foi a oportunidade perfeita. Aquele bastardo morto lá em cima nos deve muito dinheiro, e matá-lo agora foi a melhor coisa que poderíamos ter feito. 


— Como vocês souberam da missão????? - perguntou Sehun de dentes cerrados, tentando manter sua atenção mínima em Jongin para não fazê-lo de alvo da ira de seus progenitores psicopatas. — Alguém tem que ter sido comprado por vocês… Vocês jamais tiveram acesso antes a absolutamente nada envolvendo a ISP. 


Nenhum dos dois disseram nada, e o silêncio de Sehun os levou até a conclusão mais óbvia.


— Annika Zima. - afirmou Sehun sem nenhuma dúvida. — Aquela desgraçada do caralho vai pagar caro por isso.


— Ela nos contou sobre o seu precioso namoradinho também. - falou Jia apontando para Jongin que continuava desacordado. — Falou da cara dele ao ver vocês dois conversando juntos, de como ele fugiu feito um cachorrinho assustado por medo de ser rejeitado… Pobre coitadinho. Acorda Kim Jongin, sua sogrinha quer te conhecer… 


Jia desferiu um tapa tapa forte na face de Jongin, fazendo Sehun se apertar por inteiro em volta de si mesmo para não se mover e não arriscar ainda mais a vida do comandante amarrado, desacordado e indefeso. 


— NÃO TOQUE NELE!!!!!!!!!!! - bradou Sehun dando um passo à frente, a arma de Egor apontando com mais precisão em sua direção, sorriso malvado e satisfeito em seus lábios ao ver a expressão de puro ódio com mais clareza na face de seu filho. 


— Ah, ele realmente está apaixonado, que fofo!!!!!! - disse Jia tocando a face de Jongin onde o bateu. — Eu não o culpo, é um belo de um homem, mas sabe como é, eu sempre quis ser vovó, portanto trate de arranjar uma mulher, okay? 


— Você não decide nada na porra da minha vida!!!!!!! - bradou Sehun apontando para Jia e Egor. — Nenhum de vocês dois, jamais, nunca mais!!!!!! 


— De joelhos e mãos para trás Sehun, não desafie a paciência de sua mãe. - demandou Jia em tom ríspido, um sorriso satisfeito surgindo em seus lábios ao ver Sehun fazer exatamente o que lhe foi mandado.


— E eu que pensei que deixá-lo ir seria uma boa coisa, porque com o tempo ele iria perceber que o lugar dele é com o pais e seu aprendizado como agente secreto iria ser a chave para o nosso fortalecimento como reis da máfia a nível global. - disse Egor virando a cadeira de Jongin e arrastando-o para o lado de Sehun, assim os dois estavam na linha de sua arma e da de Jia. — Você não vai aprender nunca Han Smirnov Sehun? 


— Não ouse me chamar assim, o meu nome é OH SEHUN, como o meu avô que escolheu meu nome, que me protegeu de monstros como vocês dois, que me falou para fugir E QUE VOCÊS MATARAM!!!!!!!!!!!!! - gritou Sehun ao fim de sua afirmação, seu corpo tenso com a enxurrada de sentimentos ruins lhe dominando. — Eu não tenho o sobrenome de vocês, eu não tenho nenhum tipo de vínculo com pessoas imundas como vocês!!!!!!!!


Ele fez a sua cabeça, mas eu sou a sua mãe, sou eu que decido o que é melhor para um filho meu ou não, por isso ele tinha que morrer… Mesmo sendo o meu pai. - falou Jia sem nenhum pingo de remorso. 


— Depois de tudo o que fizemos por você, é assim que você nos retribui????? - indagou Egor em tom ríspido. 


— Depois de tudo o que fizeram??????? - disse Sehun enraivado. — Depois de me baterem tantas vezes, de me impedirem de interagir com outras crianças, me trancarem, abusarem psicologicamente de mim, me ensinando coisas erradas e cometendo crimes na minha frente…????? É isso que vocês fizeram por mim???????? É isso que pais devem deixar de legado para seus filhos??????? 


— Você não é pai, você não entende de nada!!!! - repreendeu Egor em tom enraivado. 


— Você tem razão, eu não sou pai. - concordou balançando a cabeça. — Mas eu tenho um pai, um pai que me ensinou que eu eu posso recomeçar do zero, que eu posso me tornar um alguém digno, respeitável e importante, alguém que pode fazer a diferença no mundo, mesmo que seja pouca. Eu tenho um pai que jamais levantou a mão para me bater e que gritava comigo apenas para me ensinar e me manter firme no caminho certo… Um pai que me ama como vocês dois que me geraram juntos jamais amaram ou se importaram. Um pai que me mostrou que eu posso fazer o meu próprio caminho, e que ninguém pode me impedir de ser feliz. Meu pai, Mikhail Orlov, o homem que eu tenho como exemplo, um homem que pode não ter meu sangue, mas que me tem em seu coração, assim como ele está no meu.


— Ele acordou… - disse Egor sorrindo largo para Jongin enquanto o moreno erguia sua cabeça confusa e olhava ao redor.


Os olhos de Jongin encontraram os de Sehun, medo e dor estampados em sua face de uma forma que só fazia Sehun sentir um aperto maior em seu peito em ver o homem que mais ama em tal situação, tudo por sua culpa. 


— S-Sehun???? O… O que está acontecendo???? E-Eu… - falou Jongin olhando em volta, seus olhos assustados notando os corpos deitados de Yeeun e Eunbi imóveis no chão, seu corpo se sacudindo na cadeira e lágrimas de pânico surgindo em seus olhos.


— Vai ficar tudo bem meu amor, elas estão bem. - murmurou Sehun em tom baixo, tentando confortar Jongin ao máximo, mesmo sem poder tocá-lo. 


— Nós somos os pais de Sehun meu lindo jovem, é um prazer lhe conhecer. - disse Jia em um cinismo que nem o próprio Jongin confuso com a pancada que levou em sua cabeça comprava. 


— Já que ele acordou, que tal andarmos logo com isso????? - falou Egor olhando para Jia de forma impaciente, vendo a mesma acenar em concordância. — Já que você destruiu o nome da nossa família e virou as costas para nós, nós vamos tirar aquilo que lhe é mais precioso… - Egor fez uma pausa para sorrir largo. — Matar Kim Jongin, o seu amor, bem na sua frente.


— Não… Não… Vocês não fariam isso… Vocês não podem… - disse Sehun de olhos arregalados, seu corpo inteiro entrando em desespero, seus olhos arregalados em incredulidade enquanto seus progenitores biológicos apontavam suas armas para Jongin. — NÃO… EU FAÇO O QUE VOCÊS QUISEREM, M-MAS NÃO O MATEM… POR FAVOR, NÃO… 


— S-SEHUN… - murmurou Jongin em desespero e sem saber o que dizer.


— Nós demos a você todas as chances do mundo Sehun, mas você preferiu ignorá-las. Nós poderíamos ser a família perfeita, o nosso sonho de dominar como a máfia mais poderosa em todo o globo poderia estar acontecendo agora, mas você destruiu tudo ao se virar contra nós e caçar todos os nossos aliados e membros, você e seus lobos famintos da ISP. - disse Jia dando um sorriso sem emoção. — Agora nós vamos tirar tudo o que você tem, da mesma forma que você fez conosco. Aqui se faz, aqui se paga. 


— NÃO!!!!!!!!!! NÃO FAÇAM ISSO!!!!!!!!! EU IMPLORO, NÃO!!!!!!!!!!!!!!!!! POR FAVOR!!!!!!!!!!!!!

 

E então Egor se moveu na direção Jongin juntamente com Jia enquanto Sehun gritava a plenos pulmões para que ambos parassem.


E como um som de milagre, o barulho das portas do teatro sendo forçadas com força desviou a atenção de Jia para a porta, o que fez o músico que tocava o shamusen desaparecer correndo e atrás das cortinas e chamar a atenção de Egor, e nesse exato momento Sehun reagiu no impulso, saltando de pé e acertando Jia no rosto, abraçando-a por trás e virando o braço da mesma no exato momento em que ela disparava a arma na direção de Jongin, a mesma acertando seu próprio marido no peito que caiu de imediato no chão. Jia gritou ao ter sua arma tomada, Sehun chutando-a no chão e pegando a arma de Egor que havia caído aos seus pés, assistindo Jia se arrastar aos berros até seu marido. Sehun puxou um canivete de um compartimento pequeno na sola de seus sapatos e cortou as cordas de Jongin, deixando o moreno com uma arma nas mãos enquanto focava sua atenção em Jia para que a mesma não fugisse. 


— Você poderia ter sido uma boa mãe, mas você enlouqueceu de amores por um louco e lunático, tomando o sonho dele para si e se tornando uma psicopata sem coração como ele. - disse Sehun em tom ríspido. — Isso não é amor, amor não deseja o mal de ninguém, amor não faz com que você abra mão de seus próprios preceitos, sonhos e família para seguir um caminho que não tem saída. Eu sei o que é amor… - disse Sehun olhando para Jongin que dava um sorriso cansado para si. — Porque eu encontrei, eu finalmente encontrei, e quer saber de uma coisa??? É o melhor sentimento do mundo. Eu encontrei também uma família, coisa que vocês dois jamais me deram ou foram para mim… E todo o meu passado ficou para trás, porque agora eu não tenho mais o que temer. Eu era sozinho, agora não mais. Nunca mais. 


— Acaba logo com isso Sehun, atira em mim… Me deixa morrer ao lado de Egor, ele é o homem que eu amo. - pediu Jia deitada no peito de seu marido.


— Não, você tem que viver e pagar pelos crimes de vocês dois. 


As portas ainda estavam sendo arrombadas por fora enquanto Eunbi e Yeeun usavam um machado da caixa de vidro ao lado do extintor de incêndio para quebrar as correntes que as fechavam, o som reverberando por todo o teatro, como as batidas de um coração, lentamente parando, até não bater nunca mais. 



— NÃOOOOOOOOOOO!!!!!!!!! 



A pequena pistola que Jia retirou do bolso de seu marido com precisão foi apontada para Jongin, Sehun viu movendo-se para frente como em câmera lenta, disparando sua arma na cabeça de Jia sem hesitação, seu corpo cedendo ao chão em completo alívio por ter salvo Jongin, mas os gritos que jaziam no ar já não eram mais os seus, eram os de Jongin, um Jongin tocando seu peito esquerdo ensanguentado, um Jongin berrando por ajuda e soluçando alto de uma forma que Sehun jamais o viu chorar, um Jongin vulnerável e desesperado de uma forma que Sehun jamais queria ter que ver.


— S-SEHUN!!!!!! P-PORQUE VOCÊ FEZ ISSO???!?!???!?????!??? POR QUE VOCÊ ENTROU NA MINHA FRENTE??!??!!???!??!? - gritou Jongin desesperado enquanto via o peito esquerdo ensanguentado de Sehun.


Sehun olhou para Jongin com um sorriso fraco nos lábios, seus olhos franzidos sobre as luzes do palco, seu corpo imóvel e expressão de dor em sua face que devastava Jongin por completo, sua voz saindo fraca, rouca e sem o mesmo tom que fazia Jongin se arrepiar e sorrir sempre que ouvia.


— P-porque e-eu… Eu prometi que eu… J-Jamais iria deixar nada acontecer com v-você meu amor. 


As portas foram finalmente abertas e um batalhão de agentes adentrou o teatro, Jongin preso em suas lágrimas desamparadas enquanto pressionava o peito de Sehun com suas mãos, sangue saindo sem parar e a cor da face de Sehun ficando cada vez mais pálida.


— F-fica comigo, v-você vai sair dessa, okay? A gente vai sair daqui e fazer muitas missões juntos m-meu amor… 


— E-eu só quero que você saiba que v-você… Você é a melhor coisa que já me aconteceu Kim Jongin… E que e-eu te amo p-para sempre… Eu… Eu jamais irei te deixar, n-não importa onde eu estiver… Obrigado p-por ter sido o m-motivo pelo o qual v-valeu a pena viver e l-lutar… Me dê um b-beijo meu amor…


— Eu te amo t-tanto Oh Sehun, o-obrigado por me s-salvar… V-vamos ficar bem e j-juntos para sempre. S-somos um time, lembra? 


Sehun balançou a cabeça com dificuldade, sorriso cheio de dor nos lábios.


Jongin se abaixou aos prantos, molhando a face de Sehun já banhada em suas próprias lágrimas, selando seus lábios aos dele, sentindo as mãos frias de Sehun em sua face. E então as mãos frias se deitaram ao chão, e os olhos de Sehun se fecharam diante dos seus, e seu corpo se despedaçou em dor enquanto o arrastavam para longe de Sehun, seus gritos sofridos inundando o teatro com sua dor que marcavam um choro de negação ao que estava acontecendo com o amor de sua vida.


— NÃO!!!!! NÃO DIGA ADEUS!!!!!! SEHUN, NÃO ME DEIXE SOZINHO!!!!! SEHUN!!!!!!!! EU TE AMO MEU AMOR, P-POR FAVOR!!!!!!!! NÃAOOOOO!!!!!!!!! SEHUN, NÃAAAOOOOOO!!!!!!!!!!!! SEEEEEHUUUUUUUUNNNNN!!!!!!!!!!





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