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História Amor, segredos e mentiras (Catradora) - Capítulo 51


Escrita por:


Notas do Autor


Boa noite, gente linda!
Como quem é vivo sempre aparece, apareci!!
Vamos ver no capítulo de hoje Catra e Adora sendo fofas e românticas e o início da operação de interceptação das provas contra a Prime. Será que vai dar certo?
Boa leitura e obrigada por acompanharem!

Obs.:
Este capítulo apresenta cenas de tiroteio, sangue e violência, e podem provocar desconforto psicológico.

Capítulo 51 - 51 - A interceptação


*Floresta do Sussurro*

*Tempo atual*

Catra e Adora atravessavam o bosque e iam em direção ao ponto mais alto da Floresta do Sussurro, que era o lugar especial onde elas gostavam de ir desde a adolescência. Elas iam de mãos dadas, conversando, mas, de vez em quando, Adora acelerava o passo e ia puxando Catra, que reclamava:

– Vai mais devagar, Adora! Pra que essa pressa?

– É porque eu quero chegar antes do pôr do sol! Eu te chamei aqui pra gente ver o pôr do sol, não podemos chegar depois que o sol já tiver se posto!

– Mas dá tempo! O sol ainda está longe do horizonte.

– Mas eu não quero arriscar! – Adora disse, puxando-a para andar mais depressa.

No caminho de subida, elas foram se lembrando de algumas das muitas vezes em que haviam ido ali, das vezes que Catra ia para fugir da Weaver, ou quando elas iam contar segredos uma para a outra, ou dos planos que faziam olhando o pôr do sol no horizonte e as luzes da cidade se acendendo na encosta do monte.

– Nós vamos chegar na hora perfeita! – Adora disse e, quando elas já estavam bem perto, a loira se virou para Catra e disse – Espera um pouco, eu vou tapar seus olhos antes de chegar.

– Ah, pronto! O que você está inventando, Adora? – Catra disse meio desconfiada, mas curiosa.

– É uma surpresa! – Adora disse se posicionando atrás de Catra e tapando os olhos da morena com as duas mãos.

– Adora, eu vou acabar tropeçando e caindo aqui! – Catra disse se grudando nos braços de Adora.

– Não se preocupa que eu vou colada em você aqui atrás e vou guiando seus passos.

Elas foram andando devagar, com Adora dando orientações para Catra, mas logo chegaram. Pela brisa um pouco mais intensa, Catra percebeu que elas já tinham saído da trilha cercada por árvores e estavam na área próxima à beira do penhasco.

– Eu vou tirar as mãos dos seus olhos, ok? Espero que você goste da surpresa!

Adora tirou as mãos e, quando Catra abriu os olhos, viu, um pouco mais próxima à beira do penhasco, uma toalha estendida no chão e toda arrumada como se fosse para um piquenique, só que era um piquenique mais sofisticado, quase um jantar. Havia cestas com frutas, pães e queijos, havia duas garrafas de vinho e um par de taças, havia um discreto arranjo com flores dali do bosque e dois castiçais com velas, que ainda não estavam acessas.

Os olhos de Catra brilharam ao ver aquilo e ela perguntou emocionada, mal conseguindo encontrar as palavras:

– Adora... o que...

Adora a abraçou e disse, olhando-a com carinho:

– Eu não disse que era para você desconsiderar aquele pedido desastroso de namoro que eu ia te levar pra jantar e fazer um pedido mais romântico? Então eu achei que esse era o melhor lugar pra gente fazer isso.

Catra nem sabia o que dizer e apenas de um beijo lento e tranquilo em Adora e depois perguntou:

– Você fez isso tudo pra mim? Mas... quando você fez isso? A gente passou quase a tarde toda juntas.

– Ãhnn... digamos que eu tive a ajuda de dois dedicados ajudantes... – Adora disse rindo.

– Ah, claro! Eu deveria ter imaginado! Você nunca iria conseguir fazer um arranjo de flores desse. Aposto que foi o Bow! – Catra disse rindo.

– Com certeza! – Adora concordou.

Adora pegou na mão de Catra e as duas se aproximaram da toalha e, tirando os tênis, se sentaram lado a lado, bem perto uma da outra, e de frente para o penhasco. Adora olhou para o horizonte e disse:

– Chegamos na hora perfeita! O sol está começando a avermelhar o céu. Deixa eu encher as nossas taças para fazer um brinde – e, pegando a garrafa, olhou o rótulo e disse – Você me disse que tinha que ter um vinho muito bom neste jantar. Espero que este agrade!

– Este é ótimo! Foi uma ótima escolha – Catra disse com a voz suave, olhando para Adora apaixonadamente.

Adora abriu o vinho, encheu as taças, entregou uma para Catra e, estendendo a sua em direção à garota, disse:

– A nós!

– E a este lugar! – Catra completou – Que continue sendo nosso lugar especial para sempre!

As duas brindaram e deram o primeiro gole. Então Adora pegou a taça de  Catra, colocou as duas taças de lado e, segurando as mãos da morena, disse:

– Catra, eu pedi que você viesse aqui no nosso lugar especial não só para ver o pôr do sol, que é uma coisa que a gente sempre gostou, mas também para dizer que, apesar de você sempre ter feito parte da minha vida, e apesar de eu sempre ter gostado muito de você, agora parece que tudo é diferente. Depois de tudo o que nós passamos e vivemos, depois de termos brigado e nos afastado por tantos meses, agora que a gente se reencontrou e... agora que eu tenho certeza de que eu te amo... eu... eu queria que você fosse minha namorada.

Adora ficou meio corada de timidez e sorriu para Catra. Apesar de sempre ter sido mais aberta do que Catra, também era difícil para ela falar de sentimentos sem dizer alguma idiotice para quebrar o clima. Catra percebeu o esforço dela e resolveu que também não reagiria com hesitações nem ironias, e respondeu emocionada:

– Eu também tenho certeza de que te amo e... eu quero muito ser sua namorada! Eu acho que sempre quis...

As duas sorriram uma para outra e se beijaram. Não havia pressa nem dúvidas e nem hesitações naquele beijo. Era um beijo gostoso, lento e intenso, um beijo para celebrar o amor que elas estavam sentindo e que parecia que ia fazer o peito explodir de alegria, enquanto o vermelho do céu parecia pulsar junto com o coração das duas.

Quando elas pararam de se beijar, Catra disse:

– Mais um brinde? Um brinde ao nosso primeiro dia de namoro!

Elas brindaram e beberam e Adora disse:

– Tem mais uma coisa! – ela mexeu no arranjo de flores e tirou uma caixinha do meio dele. E, mostrando a caixinha para Catra, disse – Eu tenho um presente pra você.

Catra ficou sem saber o que dizer. Adora estava sendo tão maravilhosa, carinhosa e perfeita que ela teve vontade de se pendurar no pescoço da loira e não largar mais. Pelo tamanho da caixinha, ela percebeu que não era uma correntinha, nem um anel e nem nada muito pequeno e ficou curiosa para saber o que era. Adora entregou a caixinha para ela e disse:

– Abre!

Catra abriu a caixinha e tirou de dentro uma pulseira de couro trançado cheia de pequenos pingentes e Adora disse:

– É a história da sua vida! Me dá aqui seu braço, deixa eu colocar pra você.

Catra estendeu o braço e Adora colocou a pulseira, abotoando o fecho dourado e mostrando os pingentes para ela:

– Eu escolhi cada pingente para poder representar algumas partes da sua vida. Tá vendo essa pimentinha vermelhinha aqui? Ela é você – Adora disse rindo.

– Humm, já começou com indiretas, hein, Adora? – Catra respondeu rindo.

– Não sei se você sabe, mas pimentas são afrodisíacas.

– Tá querendo limpar sua barra com uma cantada ordinária dessa?

– Ok! Prometo melhorar meu repertório da próxima vez – Adora respondeu rindo. E continuou – E esse gatinho aqui simboliza o Morro do Gato, que foi onde você nasceu. E essa coroa representa a sua mãe, que era a rainha dos Magicats.

Catra mexeu na pequena coroa e olhou para Adora sorrindo:

– Boa escolha!

– E tem também essa pirâmide dourada. Ela representa o seu pai, que é o cara mais cheio de ouro que eu já vi na vida!

As duas riram e Adora mostrou para Catra o pingente de uma pequena garrafa e disse:

– Bom... já que é a história da sua vida... tinha que ter a Weaver, né? Fazer o quê?

– Outra boa escolha! – Catra disse rindo – Nada melhor que uma garrafa pra representar aquela cachaceira!

– Se você quiser, eu tiro esse pingente, não tem problema – Adora disse, preocupada de estar chateando Catra.

– Não, pode deixar! Como você disse, esta é a história da minha vida. E as cicatrizes também fazem parte da nossa pele, né?

Adora acariciou o rosto da garota e beijou a sua mão, e Catra disse:

– Continua! Estou curiosa para saber o que significam os outros pingentes!

– Ok! Bom, como eu te conheço desde sempre, eu faço parte de todas as fases da sua vida, tá? – Adora disse rindo.

Catra também riu e disse:

– Como você é egocêntrica! Cadê você então?

– Aqui! Esse dentinho aqui representa a nossa infância.

– Representa você banguela, né? – Catra disse rindo.

– Você também ficou sem dente quando era criança!

– Por um curtíssimo período de tempo, não por séculos como você!

– Tá bom, vamos continuar! – Adora disse desconversando – E essa estrelinha vermelha simboliza Marte e representa a nossa adolescência – Adora disse, olhando para ela com um sorriso carinhoso.

Catra ficou olhando para a estrelinha e disse:

– Sabe... às vezes eu fico pensando naquele acampamento... como a gente conseguiu não ficar junto naquele dia?

– Olha... como a gente conseguiu, eu não sei. Mas aquele foi o dia em que eu, definitivamente, descobri o que era tesão.

Catra deu uma gargalhada e disse:

– Tá vendo como você já era sem vergonha, Adora?

– Eu?? Você fez eu tirar a sua roupa!

– Não foi bem tirar, foi trocar! Eu estava com o braço quebrado, oras...

– Foi a desculpa perfeita! – Adora disse rindo.

Catra olhou para os outros pingentes e disse:

– Já vi que tem uma máquina fotográfica aqui.

– Isso! Ela representa a sua vida adulta e a sua profissão.

Catra abaixou a cabeça e disse, pensativa:

– Será que um dia eu vou ter uma profissão de verdade? Não consigo nem ir pra faculdade porque estou jurada de morte pelo Sr. Prime...

Adora apertou a mão da garota e falou carinhosamente:

– Vai sim, você vai ver! Se tudo correr bem, o Micah vai conseguir tudo o que ele precisa para montar o caso e uma hora vai acabar tirando o Sr. Prime de circulação. E aí você vai retomar o seu curso. Você tem tanto talento! Ainda vai ser uma fotógrafa incrível!

Catra olhou para Adora e sorriu, e depois deu um beijo rápido na loira, agradecendo:

– Obrigada por me motivar! Eu realmente quero muito retomar meu curso, retomar minha vida normal!

Adora sorriu e, olhando para a pulseira, disse:

– Bom, falta o último pingente...

Catra viu que se tratava de um pequeno coração dourado e olhou para Adora sorrindo:

– E isso representa...

– Representa a gente agora – Adora disse, ficando meio vermelha – Significa este dia, o dia em que a gente começou a namorar de verdade.

As duas se abraçaram apertado e depois Catra disse:

– Eu amei o presente, Adora! É lindo e foi muito criativo! Não vou mais tirar do braço! Adorei a surpresa! Pena que... pena que eu não sabia e não comprei nada pra você...

– Não tem problema! O importante é que você gostou! E aceitou o meu pedido...

– Foi perfeito! Como tudo que você faz! – Catra olhou para o céu à frente delas e viu que o sol estava vermelho e com uma parte já escondida no horizonte, e disse, apontando – E foi na hora certa!

Adora também olhou o céu, respirou fundo e, pegando a taça de vinho e dando um gole, perguntou:

– Você lembra que foi aqui que a gente começou a falar sobre o apartamento dos nossos sonhos pela primeira vez?

Catra olhou para o horizonte e disse:

– Lembro... foi um dia que eu briguei feio com a Weaver e vim pra cá chorar... e você veio me consolar e eu disse que não via a hora de poder sair da casa dela...

– É... foi nesse dia mesmo. Aí eu te falei que quando a gente começasse a trabalhar, a gente ia comprar um apartamento juntas e ia montar o apartamento dos nossos sonhos – Adora acariciou o ombro de Catra e disse sorrindo – Mas agora parece que quem vai te dar o apartamento dos sonhos vai ser o seu pai.

Catra respirou fundo e disse, olhando para Adora:

– Ahnn... sobre isso... Eu já fui lá várias vezes tentar fazê-lo mudar de ideia... mas ele é teimoso demais, e está determinado a achar esse apartamento pra mim...

– Ué, mas você não quer? – Adora perguntou, estranhando.

– É que... eu não acho certo... – Catra disse meio hesitante.

– Por quê? Ele só quer te agradar, Catra. Ele te adora!

– Eu sei e eu também gosto muito dele, mas... tem uma coisa que eu ainda não te contei...

– O quê?

– Ele... ele não é meu pai... – Catra disse com tristeza.

– O quê? Como assim? – Adora perguntou surpresa.

– Pois é... um dia a Weaver me jogou uma indireta sobre isso e eu fiquei cismada. Aí eu dei um jeito de fazer um exame de DNA sem ele saber e... o exame deu negativo...

Adora segurou as mãos de Catra com as suas e disse em voz baixa:

– Puxa, Catra... eu sinto muito... E... e como ele reagiu a isso?

– Este é justamente o problema: eu não consegui falar para ele ainda. Eu já tentei muitas vezes, eu fui lá algumas vezes apenas com esse objetivo, mas... quando eu chego lá... ele vem todo carinhoso, falando um monte de coisa, querendo me mostrar isso ou aquilo, todo animado... eu... eu não consigo encontrar coragem pra isso. E eu acho que ele vai ficar arrasado... assim como eu fiquei...

– Puxa, que situação complicada!

– Pois é... mas eu preciso falar com ele o mais rápido possível. E por isso eu não quero que ele compre o apartamento.

– Se tiver alguma forma de eu te ajudar, Catra...

Catra apertou a mão de Adora e sorriu para ela:

– Obrigada! Mas isso é uma coisa que eu vou ter que fazer sozinha. E vou fazer isso depois da nossa missão de amanhã.

– Vocês vão ficar bem – Adora disse, acariciando o ombro de Catra.

– Tomara... – e, olhando novamente para o horizonte, Catra disse – Eu estou tão ansiosa para amanhã, sabia? Estou apostando todas as minhas fichas de esperança nessa ação do Micah! Não vejo a hora de ter a minha vida de volta.

– Eu também estou ansiosa! E nós vamos estar lá para ajudá-lo, pra dar tudo certo. E com o seu... com o Gildo dando retaguarda, tenho certeza de que a missão vai ser um sucesso!

– Espero que sim!

Elas ficaram um tempo em silêncio, olhando o horizonte, até que Catra olhou para as coisas dispostas em cima da toalha e disse:

– Nosso jantar de comemoração está nos esperando. E acho que já podemos acender as velas. Vamos comer porque a gente não pode fazer desfeita pra Glimmer e pro Bow e não comer o que eles prepararam.

– É verdade! E eu estou morrendo de fome! Vou comer tudo o que tem aqui.

– Adora do céu... tem uns dois quilos de comida aqui...

– E depois, pra fechar nosso encontro com chave de ouro, a gente podia fazer sexo no mato.

– O quê?? Claro que não!

– Ué? Por que não?

– Adora!?!

 

*****

*Universidade Etheria*

*Laboratório Coração de Etheria*

*1 dia depois*

 

No dia seguinte, logo depois do almoço, Micah e Pereira estavam na universidade, disfarçados de funcionários de limpeza, varrendo o chão próximo à porta que dava acesso ao laboratório que o pessoal do Sr. Prime chamava de Coração de Etheria. A porta estava trancada e por ela se entrava em um corredor curto que terminava no laboratório. A poucos metros dali, no lado oposto, ficava o anfiteatro onde seria a reunião. O anfiteatro também estava trancado, mas pelo vidrinho da porta, Micah conseguiu ver que já havia algumas pessoas lá dentro.

E, no corredor, entre as portas do laboratório e do anfiteatro, havia uma terceira porta, que dava acesso a um outro corredor que levava até um dos estacionamentos externos da universidade.

Próximo dali, numa sala de aula vazia, estavam Catra, Adora, Glimmer, Bow, Double Trouble e Gildo com alguns de seus homens. Havia outros homens de Gildo escondidos em outras salas de aula vazias. Espiando por uma fresta da porta, Glimmer conseguia ver o pai dela um pouco distanciado, e esperava o sinal dele para começarem a agir.

Faltando 15 minutos para as 14h, Micah foi varrendo até a porta que dava saída para o estacionamento e parou ali. E, olhando discretamente em direção à sala onde estavam Glimmer e os outros, conseguiu captar o olhar da filha pela fresta da porta e fez um leve gesto com a cabeça.

Glimmer olhou para dentro da sala e disse para Catra:

– Hora do show de Double Trouble.

Catra tinha gravado em um celular o número do laboratório Coração de Etheria, que Entrapta tinha passado para ela. Ela ligou e passou para Double Trouble, que já sabia o que fazer. Quando atenderam lá do laboratório, Double Trouble, falando com a voz do Sr. Prime, disse:

– Houve uma mudança de planos. Nós temos que tirar as amostras daqui o mais rápido possível. Entregue-as, juntamente com os slides da apresentação, para um funcionário que estará vestido de faxineiro, ao lado da porta que dá acesso ao estacionamento. Faça isso agora, não temos tempo a perder!

– S-sim senhor, Sr. Prime! – a voz respondeu trêmula e Double Trouble logo desligou.

Glimmer olhou novamente pela fresta da porta e, cruzando o olhar com Micah, fez um sinal afirmativo com a cabeça. Catra, Adora e Bow também correram para a porta e foram espiar pela fresta para ver o momento em que Micah finalmente pegaria as amostras.

Enquanto todos tinham os olhos fixos na porta do laboratório, Catra olhou em direção ao anfiteatro e viu uma mulher saindo de lá de dentro. E então cutucou Adora e disse, apontando para o local:

– Olha quem está ali.

Adora viu a mulher de costas, indo embora, e disse:

– Ué... parece a Juliet...

– Eu tenho quase certeza de que é ela – Catra disse.

– Que estranho... – Adora disse cismada.

Mas então a porta que dava acesso ao laboratório se abriu e um homem de óculos, vestindo um jaleco branco e usando luvas, provavelmente um cientista, saiu de lá de dentro carregando uma pequena caixa térmica lacrada, um pouco menor que uma caixa de sapato. Ele foi andando em direção à Micah, olhando de vez em quando para os lados para ver se havia mais alguém ali perto, além dele e Pereira.

Quando o rapaz já estava próximo, Micah encostou a vassoura na parede e estendeu a mão para pegar a caixa. Mas, antes que ele conseguisse completar esse gesto, dois homens de terno escuro saíram de dentro do anfiteatro e um deles, já sacando a arma, disse para Micah:

– Ei, o que você está fazendo aí?

O outro homem também sacou sua arma e apontou para Micah, e disse para o companheiro:

– Bem que a Profa. Weaver disse para ficarmos atentos porque hoje iria acontecer alguma tentativa de ataque!

Ao ouvir isso, Micah rapidamente se escondeu atrás de uma coluna no corredor e, sacando sua arma, gritou para Pereira:

– Proteja-se!

Os homens começaram a trocar tiros com Micah, enquanto Pereira abriu a porta de uma sala de aula ao lado dele e, entrando na sala, começou a atirar também, tentando dar cobertura para Micah. Assim que começou o tiroteio, o cientista ficou apavorado e correu com a caixa para trás de um bebedouro, abaixando-se, mas o lugar era muito pequeno e as balas zuniam perto dele, deixando-o trêmulo a ponto de quase deixar a caixa cair no chão.

Quando os tiros começaram a soar, Glimmer deu um grito e chamou pelo pai, mas sentiu uma mão no seu ombro. Era Gildo, que olhou para ela e disse com calma:

– Fica tranquila, mocinha, que a gente veio aqui pra ajudar justamente nesta situação! – e, olhando para trás, disse para dois dos homens que estavam na sala – Vocês dois vão lá onde minha filha mora, que vocês sabem onde é, e peguem aquela cobra velha da Dona Sandra, porque pelo que eu acabei de ouvir, a culpa dessa palhaçada toda é daquela sucuri. E depois a levem lá pra boate e não deixem ela sair de lá de jeito nenhum. E se ela não estiver na república, vocês vão revirar esta cidade, mas a gente vai acerta as contas com ela ainda hoje!

E depois, olhando para os outros rapazes, faz um gesto com a mão e disse:

– Vamos lá! Pra cima deles!

Neste momento, Maciel, com comunicador, deu um sinal para que os homens nas outras salas saíssem também, e o tiroteio se intensificou porque, no momento em que Gildo e seus homens saíram atirando, também mais homens do Sr. Prime já estavam saindo do anfiteatro.

O barulho de tiros era ensurdecedor e alguns homens de ambos os lados estavam sendo atingidos e sangravam. Glimmer, Bow, Double Trouble e Catra estavam encolhidos em um canto protegido dentro da sala, com medo de serem atingidos por alguma bala perdida, mas Catra viu que Adora continuava espiando pela fresta da porta, e então, se movimentando o mais rápido possível, chegou perto dela e disse:

– Adora, venha aqui pro canto! Você vai acabar levando um tiro!

– Não posso! – Adora disse – Estou vigiando o rapaz com as amostras. Desde que o tiroteio começou, ele está escondido atrás de um bebedouro, mas estou vendo que logo, logo ele vai deixar aquela caixinha lá e vai fugir. Ele está morrendo de medo!

Catra tapava os ouvidos para abafar o barulho dos tiros. Aquele som, aquela confusão e aquela correria de gente atirando e sangrando traziam a ela uma sensação horrível que ela não sabia explicar. Era como se fosse um medo ancestral que ela nem sabia por que tinha.

Mas ela não queria sair de perto da porta e deixar Adora ali sozinha, correndo o risco de ser atingida. E quando ela ia tentar novamente convencer Adora a sair dali, olhando pela fresta, ela viu o momento exato em que Gildo foi atingido no abdômen por um tiro.

 

*****

 

O corpo grande e roliço de Gildo tombou de costas no chão. Com o impacto do tiro, gotas de sangue voaram para todos os lados. Ticão, que estava bem próximo de Gildo, estava tão concentrado no tiroteio que não viu que Gildo havia sido atingido. Mas, enquanto o homem tombava no chão, algumas gotas de sangue respingaram perto do olho de Ticão que, incomodado pela sensação, passou a mão no rosto e depois olhou para os dedos manchados de vermelho. E, olhando para baixo, viu o patrão caído no chão, com sua camisa azul de seda se tornando cor de vinho na altura do abdômen avantajado.

Sem se importar em se proteger, Ticão se abaixou e tocou de leve na barriga do homem e depois olhou novamente para seus dedos ainda mais sujos de sangue, como se ele precisasse se convencer de que era verdade. Imediatamente, seus olhos se encheram de lágrimas e, tomado de uma fúria incontrolável, pegou a arma do chefe, caída ao lado dele, e tornou a se levantar atirando com as duas armas. Ticão atirava e apontava para todos os lados, atingindo vários homens do Sr. Prime em sequência.

Dentro da sala, Catra estava em desespero e chorando, enquanto Adora a segurava pelos ombros tentando acalmá-la. Então Catra viu Maciel próximo à sala onde ela estava e gritou para ele:

– Maciel! Pegue meu pai e o arraste para um canto! Eu preciso tentar ajudá-lo!

– Catra, não faça isso! – Adora disse apavorada – É perigoso! Não saia daqui de dentro da sala!

– Eu não posso deixá-lo lá pra morrer sozinho, Adora! Não posso! Eu preciso tentar fazer alguma coisa... nem que eu vá lá só pra segurar a mão dele! – Catra respondeu, com o rosto molhado pelas lágrimas.

Adora ainda quis dizer alguma coisa, mas Maciel e mais um dos rapazes já arrastavam Gildo pelos braços para um canto, atrás de uma coluna. Antes que Adora conseguisse dizer alguma coisa, Catra saiu da sala, andando abaixada mas ligeira, beirando uma parede, e chegou perto de Gildo que, ao ser locomovido, gemeu de dor:

– Aaargh!! Maldito seja! Que dor dos infernos!

– Graças a Deus!!! – Catra disse chorando e segurando o rosto do homem com as duas mãos – Pensei que o senhor tinha morrido!

– Minha filha... – Gildo disse, sorrindo. Mas depois, percebendo o risco que Catra corria, disse, meio sisudo – Volte para dentro daquela sala, Catarina! É perigoso aqui!

– Eu não vou deixar o senhor aqui sozinho! – Catra disse segurando a mão dele.

O grande bigode escuro do homem se moveu para cima, num sorriso, e ele disse com a voz fraca:

– Essa é minha filha!

– Eu vou tentar te ajudar! – Catra disse, levantando a camisa do homem e vendo que o tiro havia atingido a parte lateral esquerda do abdômen.

Felizmente, Gildo era gordo e a gordura de sua barriga se alastrava para os lados. Então havia uma chance de o tiro não ter atingido nenhum órgão. Catra puxou o inseparável lenço de seda que Gildo carregava no bolso da camisa e, o embolando, tapou o buraco do tiro, pressionando para tentar estancar um pouco do sangue. Com a pressão, Gildo gemeu de dor e Catra começou a olhar para os lados para ver como iria tirá-lo de lá.

Enquanto isso, lá na sala, Adora analisava um jeito de sair e chegar perto de Catra para ajudá-la, mas não havia mais lugar para se esconder atrás da coluna onde a garota e Gildo estavam. Adora procurava com o olhar algum lugar ali perto, onde ela pudesse ficar, quando viu o cientista se levantando de trás do bebedouro e correndo para tentar entrar novamente no laboratório, levando as amostras com ele.

Adora entrou em desespero: aquelas amostras eram a melhor chance de Micah concluir suas investigações e prender o Sr. Prime, fazendo com que Catra ficasse finalmente livre das ameaças de morte e pudesse retomar a sua vida. Então, sem pensar muito, Adora gritou para dois homens de Gildo que estavam ali perto:

– Me deem cobertura! Eu vou sair!

Um dos homens avançou uns passos para frente, atirando e atraindo a atenção para si, enquanto outro atirava enquanto corria acompanhando Adora, que ia rapidamente beirando a parede, em direção ao laboratório. Como se tivesse pressentido alguma coisa, Catra, ainda agachada ao lado de Gildo, olhou para trás e viu o vulto de Adora passar a alguns metros dela e entrar correndo e sozinha no Coração de Etheria.

 

*****

 

Adora passou tão rápido que Catra mal pode ter certeza de que era realmente ela. Catra então se virou para o outro lado e, olhando por trás da coluna que a abrigava dos tiros, conseguiu ver Adora de costas, passando pela porta que dava acesso ao laboratório, e que ainda estava aberta pela passagem do cientista.

A morena ficou desesperada ao ver Adora indo sozinha lá para dentro, pois ela não sabia quantas pessoas estariam ali e se eram perigosas. Então ela ainda tentou, em vão, chamar a loira de volta:

– Adora!! Adora, não entra aí sozinha!

– O que foi, minha filha? O que aconteceu? – Gildo perguntou com a voz fraca, abrindo os olhos para ver o que estava se passando.

– A Adora! – Catra disse desesperada – A Adora entrou sozinha no laboratório para pegar as amostras!

Gildo respirou fundo, tentando controlar a dor, e disse:

– Vai lá, minha filha! Vai lá ajudar a loira! Ela está tentando garantir a sua liberdade pegando essas amostras.

– Eu sei, mas... eu não posso deixar o senhor aqui... – Catra disse hesitante, olhando para Gildo e olhando para a porta do laboratório.

– Pode ir, eu estou bem! Isso aqui não é nada, é só uma cosquinha! Já tomei tiros piores! – Gildo disse sorrindo, tentando se fazer de forte.

– Tá bom! – Catra disse por fim – Eu só vou tentar trazê-la de volta e já volto aqui pra cuidar do senhor!

– Deus abençoe, minha filha!

Dentro do laboratório, Adora corria atrás do rapaz. Ela era mais rápida que ele, mas não tinha certeza se era mais forte, por isso precisaria pegá-lo de surpresa. Então, aproximando-se, Adora deu um salto e pulou nas costas dele, derrubando-o no chão com o peso do seu corpo. Com o impacto, ambos caíram e saíram rolando, enquanto a caixa com as amostras deslizou pelo chão do laboratório.

O rapaz deu um grito de susto e ficou um tempo no chão, atordoado, tentando entender o que estava acontecendo. Aproveitando-se do estado dele, Adora se levantou e começou a procurar aonde a caixinha tinha ido parar. Ela sabia que tinha que ser ligeira e sair dali o mais rápido possível. Até que ela viu a caixa quase embaixo de uma bancada.

Ela foi até lá e se abaixou para pegar a caixa, mas então o rapaz chegou por trás dela e lhe deu uma gravata. Com o golpe, Adora soltou a caixa e sentiu que ele puxava seu corpo para trás, prendendo-a pelo pescoço. A loira procurou não se apavorar para não perder o fôlego mais rápido e se concentrou em juntar toda a força que tinha. Embora o rapaz também fosse forte, Adora notou que ele era desajeitado e não sabia lutar, e estava todo atrapalhado tentando contê-la. Ela se aproveitou disso e, movendo a perna para trás, deu um pisão no pé dele com toda força, fazendo-o gritar de dor e arquear um pouco o corpo. Com o movimento, ele afrouxou um pouco a força dos braços ao redor do pescoço dela. Um pouco mais livre, Adora juntou toda a sua força e deu uma cotovelada no estômago dele, fazendo-o largá-la de vez. Adora se virou para trás e, vendo o rapaz curvado para frente e com as mãos no estômago, aproveitou e deu uma joelhada no nariz dele, fazendo com que ele tombasse para trás.

Com o rapaz caído e gemendo de dor, Adora abaixou-se novamente para pegar a caixa, que tinha deslizado ainda mais para baixo da bancada. Enquanto ela pegava a caixa, Catra apareceu na porta do laboratório e a chamou, e fez uma expressão de alívio quando viu que ela estava lá e estava bem. E chegou até a sorrir para Adora, que retribuiu o sorriso.

Adora pegou a caixa e começou a correr em direção à Catra, mas, olhando para a morena, viu que a expressão dela mudava do sorriso para um olhar de pavor. E então Catra gritou:

– Adora! Cuidado!

Um estampido ensurdecedor soou dentro do laboratório e Adora foi atirada ao chão com um tiro nas costas.

 

*****

 

Antes que Adora tivesse conseguido chegar na porta do laboratório, o rapaz se levantou do chão e, ainda com a mão no nariz, se encostou na bancada, abriu uma gaveta e tirou uma arma de dentro dela. E, meio desajeitado, empunhou a arma e desferiu um tiro em direção a Adora. E o tiro a acertou por trás.

Sem se preocupar em se proteger do rapaz que continuava armado, Catra correu até Adora com o coração aos saltos e já chorando. Ela só pedia a qualquer força superior que a estivesse ouvindo para que Adora estivesse viva. Catra se atirou de joelhos no chão, ao lado de Adora, que estava caída de lado, e colocou a mão de leve sobre o braço da loira. Ela tinha medo de mexer em Adora e piorar a situação, mas ela precisava, mais do que tudo, verificar se Adora estava viva.

Ao sentir a mão de Catra no seu braço, Adora gemeu baixinho e Catra agradeceu aos céus por ela estar viva. Catra a examinou com cuidado e chorou de alívio ao perceber que o tiro havia acertado no ombro e não nas costas. Talvez não fosse grave. E ela rezava para que não fosse mesmo.

– Adora... aguenta firme... eu vou dar um jeito de tirar você daqui! – Catra disse baixinho, colocando suas pequenas mãos sobre o ferimento no ombro de Adora para tentar estancar o sangue.

Mas suas mãos escorregavam no líquido viscoso e vivo que saía do ombro de Adora, além de estarem manchadas de um sangue que ela nem sabia mais se era de Adora ou de Gildo. Ela começou a olhar em volta para ver se conseguia achar algum tipo de tecido para ajudar a estancar o sangue quando viu o rapaz se aproximando, com a arma apontada para ela.

O rapaz tremia, transpirava e respirava fundo, e estava nitidamente nervoso. Então Catra, olhando fixamente para ele, sem desviar o olhar, como se isso pudesse congelar seus movimentos, disse, tentando manter a voz o mais tranquila possível:

– Calma... eu tenho certeza de que você não quer fazer isso... eu sei que não é este o seu papel aqui...

– E não é mesmo! – o rapaz disse com a voz trêmula, como se fosse chorar, embora houvesse raiva em sua voz – Eu sou um cientista, não deveria estar envolvido nessa confusão toda! Mas... eu não posso decepcionar o Sr. Prime... – ele disse, voltando a firmar a arma e apontar bem na direção da cabeça de Catra.

Novamente, um tiro estrondoso soou no laboratório, seguido imediatamente de outro. Catra deu um grito de susto e se debruçou sobre o corpo de Adora, envolvendo-a com os braços, o máximo que conseguia. E então ela viu o cientista cair perto delas, gemendo de dor, atingido no ombro e na perna, derrubando a arma ali no chão, enquanto Micah se aproximava correndo.

Micah examinou Adora e disse para Catra:

– O tiro atravessou o ombro e a bala já saiu do outro lado. Mas ela está perdendo muito sangue, precisa ser atendida o quanto antes!

Catra passou o braço por baixo do pescoço de Adora e a ergueu nos braços com delicadeza. E, olhando para Micah, perguntou, com medo da resposta:

– Ela vai ficar bem?

Micah respirou fundo e apenas disse:

– Aguenta as pontas aqui que eu vou buscar ajuda o mais rápido possível!

Micah saiu correndo do laboratório e Catra apertou suavemente Adora nos braços, querendo acariciar o rosto da loira, mas suas mãos estavam sujas demais de sangue para fazer isso. Então Catra sussurrou para Adora:

– Adora... por favor... fica aqui comigo...

Ao ouvir Catra dizendo seu nome, Adora abriu vagarosamente os olhos e sorriu. Era um sorriso fraco e suave, que logo veio seguido de um franzir de sobrancelhas, e Catra percebeu que Adora estava sentindo dor. Mas Adora disse, tentando sorrir novamente:

– Que bom que você está aqui...

– É claro que eu estou! E não vou sair de perto de você! E logo o socorro vai chegar e você vai ficar bem! – Catra disse, segurando o choro.

Adora sorriu novamente, mas logo gemeu de dor, e disse, com a voz fraca:

– Catra... eu estou com tanto frio...

Catra ficou desesperada quando ouviu isso e, apertando Adora mais ainda, segurou o rosto da loira com uma mão, não se importando em sujá-lo de sangue, e disse:

– Adora, por favor! Fica acordada! Vai ficar tudo bem! – e vendo que Adora não respondia, Catra disse, chorando – Adora, não desiste, por favor! Não me deixa aqui sozinha!

Catra se debruçou no peito de Adora, já chorando muito, quando ouviu a porta do laboratório se abrindo e deu graças a Deus. A ajuda finalmente havia chegado e Adora ia ficar bem.

Mas quando ela olhou para a porta do laboratório, não era Micah quem vinha entrando.

Era um homem negro, forte e muito alto, e absurdamente bonito e elegante. Ele vestia um terno impecavelmente bem cortado, usava dreads até abaixo do ombro e sua barba era levemente grisalha, deixando-o ainda mais charmoso.

E ele trazia uma arma na mão e olhava para Catra com seus olhos verdes faiscando de ódio.

O homem parou próximo à porta e Catra prendeu a respiração. Ela nunca o havia visto, mas tinha certeza de quem era: aquele, certamente, era Harold Prime. E ele estava ali para matá-la e acabar de matar Adora.


Notas Finais


Segura o coração, minha gente!!!
No próximo capítulo, o desfecho dessa operação!! Será que Micah vai conseguir pegar as amostras?
Será que Gildo vai sair vivo dessa? E será que seus homens vão conseguir pegar Weaver?
E o que vai acontecer com Catra e Adora?
Tudo isso no próximo capítulo que, infelizmente, também vai demorar para sair, por conta dos meus compromissos de trabalho. Mas logo, logo a minha vida volta ao normal e prometo que vou começar a postar, pelo menos, dois capítulos por semana. Obrigada pela paciência de quem acompanha aqui!
Até lá!


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