História Amor Sem Fronteiras - Capítulo 4


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Babizinhah, Bad, Cadeirante, Califórnia, Coração Ferido, Fanfic Reescrita, Hannah Robles, Hanner, Original, Recomeçar, Romance
Visualizações 128
Palavras 4.177
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Esporte, Famí­lia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


✦ E aí, meus pimpolhos! Tudo baum com vocês? Espero que sim, pois comigo tá tudo beleza, só tô sofrendo pelo fim de mais uma série mesmo que eu não tenha chegado na temporada final ainda (The Originals, série épica <3), mas tá beleza.

✦ Então, esse capítulo demorou um pouco mais para sair, não é? Isso foi porque eu me enrolei com o andamento dos capítulos adiantados por ter ficado uns dias sem escrever, daí não queria postar este sem ter terminado o que estava em andamento para manter a vantagem de capítulos e a organização. Mas agora tá tudo resolvido. Entretanto, como já disse, não tenho data para as postagens, então aviso que posso fazê-las mensalmente ou postar algumas vezes em um mês só, vai depender da minha criatividade e disponibilidade para escrever ^^

✦ Enfim, só queria deixar claro mesmo. Podem ficar com o capítulo. Boa leitura! <3

Capítulo 4 - Cristal


Fanfic / Fanfiction Amor Sem Fronteiras - Capítulo 4 - Cristal

Capítulo 4

Cristal

 

São Francisco, CA

Setembro, 2016

 

O corredor estava quase vazio, pois, em alguns instantes, o sinal iria tocar e os alunos já começavam a tomar caminho para suas respectivas salas. 

Porém, a situação era diferente para Tracy, a qual tentava encontrar um livro entre a bagunça de seu armário.

— A organização mandou beijos, Tracy Collins. — disse para si mesma, em um tom meio irônico. 

Ser desorganizada não era uma de suas características, mas digamos que era difícil manter a ordem dentro de um espaço tão pequeno e, com isso, tudo ali acabava virando um grande caos. 

Enquanto tentava fazer as pazes com aquele emaranhado de coisas, ela ouviu o armário ao lado ser aberto. Aquilo fez com que uma leve tensão tomasse seu corpo e seu coração bater mais forte. Tentando manter a respiração calma, entreabriu os lábios, expirando lentamente. Ela sabia exatamente quem estava ali.

Não o via fazia algum tempo, e até pensava que não sentiria mais nada quando acontecesse, porém agora via que estava errada. Contudo, no fundo, sabia que ele ainda mexia consigo. Tentava esquecer, negar para si mesma, mas a verdade era que ainda existia um sentimento. Infelizmente, hoje em dia, aquilo era somente da parte dela, pois o garoto nem sequer lhe olhava, e, quando o fazia, tinha mágoa e decepção em seu olhar. 

Então, visto que não encontrou o que queria, Tracy decidiu deixar aquela zona do seu armário de lado. Estar no mesmo ambiente que ele a deixava tão desnorteada que não conseguia fazer nada, sua mente não funcionava direito. Em seguida, fechou o objeto, assim, podendo notá-lo ao seu lado, mexendo em algo no armário dele. 

Suspirou, mantendo seus olhos para frente; não conseguia olhá-lo diretamente sem sentir um pesar em seu peito. Ela sabia que aquela situação era sua culpa. Uma mentira, e tudo o que tinham desmoronara. 

Percebendo que o rapaz fechava a porta do objeto, Tracy fitou-o pelos cantos dos olhos, vendo-o se distanciar em seguida, indiferente. A vontade de falar com o jovem era persistente, mas não devia. Tinha medo de receber aquele olhar tão frio com o qual ele a olhava ultimamente. Aquilo despedaçava seu coração. 

Mas, ainda assim, não podia conter-se.

— Zac... — chamou-o em tom baixo. Ao mesmo tempo em que queria falar com o garoto, tinha esperança de que este não a ouvisse.

Mas ele a ouviu.

Logo, parou de caminhar, porém permaneceu de costa para ela. Mesmo que ainda houvesse uma magoa dentro de si, não era tão mal educado a ponto de deixá-la falando sozinha. Zac a escutaria, entretanto, olhá-la diretamente era algo mais difícil.

Tracy levou seus olhos azulados até o garoto, observando-o por alguns instantes. Ele continuava o mesmo — com seu físico atlético devido a natação e aqueles dreads, os quais já haviam virado sua marca registrada e que ela gostava tanto, presos de um jeito descolado. 

A loira havia se encantado pelo rapaz desde a primeira vez que o viu, e, depois que o conheceu melhor, apaixonou-se completamente por seu jeito gentil e atencioso com o qual lhe tratava, e pela capacidade que ele tinha de fazer seu coração acelerar com apenas um sorriso.

Mas agora tudo havia mudado, Zac apenas a tratava com indiferença e frieza, e isto a machucava muito. Porém, sabia que merecia aquilo. Ela estragara tudo, e agora sofria as consequências de seus erros. 

O magoou.

Tracy queria dizer outra vez o quanto estava arrependida, que ainda o amava, que sentia sua falta. Entretanto, sabia que não adiantaria. Zac estava irredutível. Ela havia errado duas vezes, e ele disse que não haveria a terceira.

— Não é nada, esquece. — Sua voz não saiu tão firme quanto gostaria; não conseguia ser indiferente com o moreno. Mas, também, não diria o que queria, afinal, ele nem sequer lhe olhava. Isto significava muita coisa.

Com isso, Zac abaixou os olhos, enquanto suspirava sutilmente. Apesar da insensibilidade que demonstrava, ouvir a voz dela outra vez lhe desestabilizou um pouco. Não negava que a loira ainda tinha um efeito sobre si. Por um instante, pensou que ela pediria mais uma chance ou desculpas de novo. No entanto, Tracy havia pisado na bola, seria difícil perdoar mais uma vez. Não sabia se seria capaz.

— Achei que iria pedir desculpas outra vez... — Virando-se de perfil para ela e olhando-a de lado, ele disse.

Com aquilo, a garota sentiu um arrepio percorrer todo seu corpo com aqueles olhos escuros sobre si novamente depois de um certo tempo. Mas eles estavam tão opacos e frios que lhe doía lá no fundo.

— Me diga se adiantaria alguma coisa. — Tracy pediu, e uma certa esperança surgia em suas orbes entristecidas. Ela já tinha feito aquilo algumas vezes e não se importaria em fazer novamente, mesmo sabendo que seria em vão.

— Não, não adiantaria. — Zac disse, abaixando seu olhar brevemente e com certa decepção em sua voz. 

Via a tristeza que transparecia nos olhos dela e aquilo era doloroso, não gostava de vê-la daquela forma. Porém, já tinha tomado sua decisão e não voltaria atrás. Não queria correr o risco de se decepcionar mais uma vez. Seria melhor ela esquecê-lo, e vice-versa.

Diante daquela resposta, a garota apenas assentiu, mantendo-se forte. 

— Tchau. — Ele deu uma última e rápida olhada para Tracy, depois seguiu seu caminho. 

Vendo-o se afastar, a loira sentiu um nó na garganta e seus olhos arderem com as lágrimas que surgiam. Levando as mãos até o rosto e encostando-se no armário, desabou ali mesmo, enquanto ouvia o sinal tocar. 

 

~ ✯ ~

 

— Bom, é isso, jovens. Até a próxima aula. — A professora disse, após o sinal de fim de aula soar; alguns suspiros de alívio foram ouvidos.

Logo, os adolescentes começaram a sair da sala como um furacão, todos ao mesmo tempo, o que resultara em uma grande aglomeração na porta. 

Como não gostava muito de agitação daquele tipo e sabia que seria difícil passar por ali, Hannah esperou pacientemente tudo se acalmar em seu lugar. 

Enquanto isso, aproveitava para terminar algumas anotações em seu caderno. O ano letivo mal havia começado e já tinha várias coisas a fazer. Realmente, o Ensino Médio era bem puxado, principalmente no último ano. Assim como para alguns alunos, demoraria um pouco para ela se habituar a tudo aquilo novamente depois de algum tempo de férias.

Quando terminou e já não tinha mais alunos por ali, Hannah pegou suas coisas e seguiu caminho para fora da sala. 

— Que estranho... 

Já do lado de fora, a morena pôde ouvir uma voz que naquele dia já lhe era familiar. 

O garoto estava há poucos metros dela e parecia estar pensativo com seu cenho franzido. Também parecia procurar alguém, já que percorria seus olhos por todo o local.

— Costuma falar sozinho? — Hannah indagou com certo humor na voz, enquanto aproximava-se. 

Rapidamente, saindo de seus pensamentos, ele direcionou sua visão para ela, sorrindo quando a viu.

— Falando sozinho, eu? Claro que não! 'Tô batendo um papo com meu amigo imaginário. — Hunter disse como se aquilo fosse óbvio, porém irônico, tirando uma pequena risada da garota.

Hannah não havia passado muito tempo com o loiro depois das desculpas do mesmo, já que tiveram que voltar para as aulas em seguida. Mas, pelo pouco que viu dele, Hunter demonstrou ser um cara legal, ao contrário da imagem que passou inicialmente. Fora que era divertido e já havia arrancado algumas risada dela — o que não era muito difícil. Ao seu ver, o cara com pinta de bad boy não era tão mau assim.

— Você é doido, sabia? — Ela disse em tom brincalhão, e foi a vez do rapaz rir.

— Já ouvi isso antes. — revelou, ainda sorrindo. — Mas, falando sério agora... — Desfez o sorriso, passando a mão pela nuca e percorrendo sua visão pelo corredor outra vez. — Eu 'tô meio preocupado... 

— Por Tracy não ter aparecido na aula? — indagou mais séria. Ela também havia notado a ausência da colega. Aliás, era impossível não notar, já que esta sentava ao seu lado. E não negava que havia sentido sua falta ali.

— Exatamente, menina esperta! Ninguém estranharia se isso viesse de mim, mas matar aula não é muito a cara dela. — Hunter expôs, cruzando os braços e voltando suas orbes azuis para a garota. 

Tracy não era nenhuma nerd que se afundava nos estudos, mas também não era uma desinteressada no assunto. Sendo focada, estar sempre presente era importante para ela. Não faltava, a menos que tivesse um motivo relevante para tal coisa. 

Bom, matar aula não era um grande motivo para preocupar-se, mas, mesmo assim, ele estava. Se a loira fez isto, com certeza devia ter acontecido alguma coisa ou ela não estava bem. Hunter a conhecia muito para saber que aquela ausência não era por simplesmente querer faltar, tinha algo mais nisto.

— Talvez ela não tenha vindo hoje. Eu não a vi desde que cheguei...

— Não, ela veio comigo e com meu irmão. A gente sempre dá carona 'pra ela. — informou. — Mas não é nada demais. Vai ver aquela doidinha quis faltar mesmo. — Sorriu. 

Mesmo que não fosse do feitio de Tracy fazer aquilo, poderia estar num dia ruim e não querer ouvir um professor no momento. Existia uma primeira vez para tudo, afinal. Também não queria deixar Hannah preocupada à toa, pois sabia que as duas estavam iniciando uma amizade e, certamente, a garota já se importava pelo menos um pouco com a loira. Enfim, era melhor deixar aquilo de lado.

— É, deve ser. — Ela também sorriu mínimo.

— Bom, eu 'tô com fome e vou comer. Vem comigo? — Hunter convidou.

— Ah, não. Não 'tô com fome ainda e tenho que guardar isso no meu armário antes. — Hannah disse, tocando com uma das mãos os livros que estavam em seu colo.

— Ah, você quer ajuda com isso?

— Não precisa, obrigada. Pode ir almoçar tranquilo. — Sorriu gentilmente.

— Certo. Então, a gente se vê. — O loiro devolveu o gesto e, por uns segundos, a garota observou-o com um pouco mais de atenção, reparando em cada detalhe de seu rosto.

— Ok. — Ainda sorrindo, Hannah assentiu. 

Depois disto, cada um seguiu em direções opostas. 

 

[...]

 

Após guardar os livros em seu armário, a morena seguiu para o banheiro feminino.

— Tracy? — Hannah franziu o cenho ao encontrá-la.

Ela estava de frente para o espelho acima das cubas, com as mãos apoiadas em uma destas. Sua cabeça estava baixa, fazendo com que seus cabelos loiros cobrisse seu rosto quase por completo. Aquilo não lhe parecia bom. 

— Tudo bem...? — Meio hesitante, perguntou enquanto aproximava-se um pouco. Não sabia se devia se meter, mas a garota não lhe parecia muito bem e não podia deixar de se preocupar. 

— Sim... — Tracy respondeu, com a voz um pouco baixa, erguendo seu olhar em direção ao espelho e vendo a imagem da morena atrás de si refletida através deste. — Não é nada demais, apenas problemas com o ex. — esclareceu, percebendo o olhar meio preocupado da colega diante de seus olhos avermelhados pelo choro. 

Após o ocorrido no corredor, Tracy não se viu em condições de ir para a aula. As lágrimas vieram descontroladamente e não pôde contê-las. Seu coração se quebrava cada vez mais, toda vez que ele lhe olhava com aquela frieza. Aquilo era como uma facada em seu peito. Doía demais. 

Achava que já estava bem, que já tinha superado, afinal, já havia se passado alguns meses desde que terminaram. Contudo, vê-lo de novo fora como reabrir a ferida e sabia que estes encontros seriam inevitáveis. Isto a destruía mais, pois ainda o amava, e tê-lo tão perto e não poder senti-lo como antes era angustiante.

Tentava manter-se forte e aceitar o fato de que aquele relacionamento não tinha mais volta, porém era difícil suportar a falta que Zac lhe fazia, a saudade que sentia ao pensar nos bons momentos que tiveram juntos. Estava tão feliz ao seu lado, e saber que não o teria mais era doloroso. Por causa de seus erros e de sua imaturidade, perdeu tudo aquilo. Perdeu seu amor.

— Entendo... — Hannah abaixou os olhos por alguns instantes. Aquele assunto não lhe trazia boas recordações. Certamente, não era a mesma situação, mas ela sabia como era sofrer por conta de um coração partido. 

— Eu estraguei tudo... — disse, fazendo a outra retornar sua atenção para si, e virando-se de frente para ela. 

Então, a morena pôde perceber uma tristeza nítida nas orbes azuladas da loira. A angustia era notável em sua voz. Hannah não sabia o que dizer para confortá-la, então, permaneceu em silêncio e aproximou-se um pouco mais. Talvez Tracy precisasse desabafar e, com aquilo, queria mostrar que estaria ali para ouvi-la. Mesmo que não tivesse muita intimidade para tal coisa, estava disposta a ser um ombro amigo naquele momento. 

A outra entendeu aquele gesto e o olhar da garota. Nos olhos cor de mel via confiança e acolhimento, o que a fazia sentir-se mais à vontade para falar. Ela não era de preocupar outras pessoas com os seus problemas, preferia guardar algumas coisas para si própria. 

Mas, naquela hora, sentia como se algo lhe sufocasse e precisava colocar aquela angústia para fora. Sentia que reter aquele assunto não estava lhe fazendo bem agora. Encontrava-se cansada de tanto prendê-lo em seu íntimo, pois não havia falado como se sentia em relação a tudo para ninguém — nem mesmo para Alex ou Hunter. Então, necessitava desabafar.

Talvez fazer aquilo com alguém que mal conhecia não fosse uma boa ideia, porém Hannah lhe passava uma coisa boa, uma compreensão em seu olhar. Sentia que poderia confiar nela. Seria a ouvinte que precisava no momento. Estava certa de que o melhor a se fazer era colocar aquela inquietação dentro de si para fora. 

Então, caminhou até o banco vermelho à sua frente e sentou-se neste, mantendo seu olhar baixo, fitando as próprias mãos. 

— Já fazia um ano que a gente namorava... — começou, levantando suas orbes para a colega. A morena se pôs de frente para ela, ouvindo-a com atenção. — Estávamos felizes, mas aí eu pisei na bola, não só uma vez. Na primeira, ele não queria que eu fosse a uma festa e eu afirmei que não iria. Mas fui. O Zac acabou descobrindo e ficou furioso. Porém, não por eu ter ido, e, sim, por ter mentido... — Suspirou, lembrando-se da discussão que tiveram naquela noite. 

Naquela época, estava tão centrada em se divertir e curtir a vida que não pensava nas consequências. Sua imaturidade não a permitiu deixar aquilo de lado pelo menos uma vez e apenas ficar em casa como disse que faria. Ela queria muito ir, pois todos os seus amigos estariam lá e não queria ficar sozinha em um sábado à noite.

Movida por isto, acabara quebrando sua palavra e indo àquela festa. Pensava que nada iria dar errado, que seu namorado não ficaria zangado se soubesse, afinal, não faria nada demais, apenas iria se divertir com seus amigos. Com isso, não pensou no fato de estar traído a confiança dele por ter dito uma coisa e ter feito outra.

Não era por querer prendê-la que Zac não queria que ela fosse àquela festa, afinal, ele também gostava de curtir e sempre a acompanhava nestas ocasiões. Mas o garoto não se dava bem com o anfitrião e, por este motivo, não iria, e não queria que Tracy fosse sem ele. E até havia planejado passar a noite ao lado da loira, mas tinha coisas a fazer e não pôde ficar com ela. 

Sabia que Zac confiava nela cegamente, pois nunca havia dado motivos para o contrário — e vice-versa. Porém, isto fora abalado depois do ocorrido. Ele odiava mentiras, porque sempre fora sincero no relacionamento, e, com aquela atitude dela, sentiu-se traído. E tinha razão em se sentir daquele modo, Tracy sabia que havia errado.

Contudo, felizmente, ele a perdoou depois de alguns dias, quando a raiva havia passado. Tudo voltou a ficar bem entre o casal, e a loira jurou que nunca mais iria decepcioná-lo. Mas não foi bem isso que aconteceu.

— Na segunda vez, ele precisava de mim, mas eu não estava lá. — Com as lágrimas invadindo seus olhos mais uma vez, Tracy continuou contando. — Era o dia de um campeonato de natação do qual o Zac participaria, e ele estava contando com meu apoio naquele momento. Mas eu acabei esquecendo e fui para outro lugar. Céus, como eu pude esquecer algo tão importante?! — repreendeu-se com certa raiva na voz. Sim, tinha raiva de si mesma por ter vacilado tanto.

— Tracy, isso é normal, todo mundo esquece alguma coisa na vida. — Hannah disse com o tom calmo, pousando uma de suas mãos sobre o ombro da colega. 

— Eu sei! Mas eu não podia esquecer, não naquele dia. Aquele campeonato era muito importante 'pra ele, e eu não estava lá para dar o apoio necessário. O Zac acreditava em mim, mas, ao invés de estar lá lhe dando forças, eu estava no shopping, satisfazendo um capricho banal. Ele ficou muito decepcionado, pois tinha confiança em mim e eu quebrei isso duas vezes, e agora acabou tudo... 

Para muitos, aqueles motivos podiam parecer banais e não suficientes para levar ao fim de um relacionamento. Mas sabia que para o garoto não era bem assim, ele dava valor às promessas. E Tracy não havia cumprido as suas, ela não cumprira com sua palavra. 

Aquilo fez com que a confiança que Zac depositava nela se abalasse e ele já não conseguia acreditar mais, sempre achava que iria decepcionar-se outra vez. Não poderia seguir com o namoro nesta situação, então achou melhor terminar.

— A confiança é algo difícil de recuperar, mas não é impossível. Talvez você consiga isso, Tracy. — Hannah disse esperançosa.

— Você não conhece o Zac. Ele é cabeça-dura e, quando toma uma decisão, não volta atrás. — A loira expôs sem esperança na voz. Ela sabia o quão difícil era seu ex-namorado e era praticamente impossível fazê-lo mudar de ideia. — Ele acha que eu ainda sou a garota imatura de antes e que vou decepcioná-lo de novo.

— É, eu não o conheço. Mas, talvez, se você mostrar que mudou, ele possa repensar sobre e te dar outra chance. — A morena refletiu. — Pois, pelo o que eu vejo, você ainda gosta muito dele, não é?

— Eu ainda o amo... — Com um sorriso melancólico e meio nostálgico, ela confessou; amava aquele garoto como no primeiro dia. — Mas não acho que ele ainda sinta alguma coisa por mim depois de tudo. — disse com pesar, uma lágrima escorrendo por seu rosto. 

Zac estava tão frio desde que romperam, parecia que não era mais o mesmo. Seu olhar estava completamente diferente, não havia mais o mesmo brilho de antes, estava vazio e lhe fitava com certo desprezo. Aquilo partia seu coração. Pensar que não teria mais aqueles olhos sobre si de modo carinhoso lhe consumia. Saber que havia perdido o afeto daquele que amava era insuportável.

Porém, aguentaria, pois pensava que não tinha nada mais a ser feito. Ela já havia se esforçado para recuperar o que tinham e fora em vão. A esperança que transparecia nas orbes de Hannah já não estava presente dentro de si. Poderia até tentar fazer o que ela lhe aconselhou, mas não acreditava que daria certo.

— Não pense assim. Nunca sabemos o que se passa no coração do outro. Sim, ele pode estar ressentido e até com raiva, mas ainda é possível existir um sentimento. Nada acaba de uma hora para outra. E, se assim for, ainda há esperança. Não entregue os pontos tão fácil, mas também não viva apenas 'pra isso. — A morena falou otimista, pousando sua mão sobre a de Tracy e apertando-a carinhosamente. 

Ela não achava que tudo estava perdido. Se existira algo forte entre os dois, podia haver vestígios disto, ainda poderia ter volta. Porém, viver somente em função de fazê-lo perdoar seus erros não lhe faria bem. Tinha que pensar em si própria também.

Tracy havia errado, mas agora estava arrependida, isto era claro. Seus erros tiveram suas consequências, e não julgava o garoto por sua atitude, pois sabia como era se decepcionar tanto com algo ao ponto de não conseguir acreditar mais. O medo de acontecer novamente era inevitável. Mas, também, não julgava a garota. Afinal, quem nunca errou na vida? 

Errar é humano. Mas, agora, a loira estava arrependida e reconhecia seus erros, isto valia muito. Quem sabe, Zac possa perceber que ela havia mudado e amadurecido, e, com isso, voltar a confiar sem medo.

— É, talvez você tenha razão. — Após refletir nas palavras da colega, assentiu. — E, embora eu não tenha muita fé de que isso vá acontecer, espero que ele perceba que não sou mais a mesma imatura. Talvez ainda exista alguma coisa. 

Hannah estava certa, ela não podia entregar os pontos assim, tinha que lutar mais mesmo que sua esperança seja quase nula. Tinha que demonstrar que estava diferente, que não era mais a mesma de antes. 

Porém, claro, não iria sair correndo atrás dele e implorar que a perdoasse, não faria mais isso. Passaria a agir de maneira diferente, e, com isso, quem sabe ele notaria que estava mudada e que poderia perdê-la também. Porque, mesmo que o ame, ela não ficaria esperando Zac lhe desculpar a vida toda. 

— Mas não vou mais ficar implorando por isso. — afirmou com segurança, um pequeno sorriso nascendo em seus lábios.

— Isso! Não se desgaste tanto, deixe que o tempo aja. E, o que for 'pra ser, será. — Hannah proferiu, olhando-a nos olhos, lhe passando conforto. 

— É. Olha, obrigada por me ouvir. Você é a primeira pessoa com quem eu falo sobre o assunto abertamente. — revelou com gratidão, apertando de volta a mão da morena que ainda segurava a sua.

Não esperava fazer tal coisa com uma pessoa que conhecia há apenas dois dias, mas, realmente, ela estava precisando se abrir com alguém, aquilo lhe fez bem. Colocar o que sentia para fora foi completamente libertador, sentia-se mais leve e um alívio dentro de si.

— Não precisa agradecer. Eu que agradeço por ter confiado em mim 'pra isso. — Ela sorriu com sinceridade, vendo-a devolver o gesto. 

Hannah sentia-se feliz por ter recebido aquele voto de confiança, pois aquele assunto não é algo que se pode ser tratado com qualquer um. De verdade, havia se preocupado quando a encontrou naquela situação, ainda que não a conhecesse tanto, e, quando soube da história, comoveu-se e sentiu empatia. Foi ruim vê-la tão triste, sentiu um aperto em seu coração como sentiria se fosse com alguém de muita importância para si.

Apesar das tristes circunstâncias da situação, ambas sentiam que aquela conversa havia feito com que ficassem mais próximas. Talvez fosse cedo para dizer que eram grandes amigas, mas uma coisa era certa: uma cumplicidade e um afeto estava nascendo ali.

— Bom, agora, enxugue essas lágrimas, erga a cabeça e abra um lindo sorriso. — A morena disse, passando a ponta dos dedos na bochecha da loira para secar a lágrima que ali estava. — E vamos comer, porque 'tô com fome. — revelou com certo humor, arrancando uma leve risada da outra.

— Ah, eu também! — Tracy exclamou do mesmo modo; foi a vez de Hannah rir. 

Depois disto, levantou-se e foi até a pia para lavar seu rosto e tirar aquela maquiagem borrada.

— O Hunter estava preocupado com seu sumiço na aula. — Hannah comentou, enquanto a observava secar a face com uma toalha de papel.

— Ah, então você já conheceu o loirinho? — Tracy quis confirmar, sorrindo.

— É, já.

— Que bom! Espero que vocês se deem bem. Ele é um pouco difícil de lidar às vezes, mas é gente boa. — disse com certa diversão na voz. De fato, esperava que eles se dessem bem, pois achava que não demoraria muito para a morena juntar-se ao grupo de amigos e seria ótimo se fosse com todos como foi com ela.

— Eu percebi. — Sorriu.

— Bom, vamos. — Quando terminou, Tracy falou, vendo-a assentir. 

Então, elas saíram do local, seguindo para a área onde faziam a refeição.

Naquele momento, ela não sabia ao certo se iria conseguir recuperar a confiança do cara que amava, mas seguiria o conselho da colega: deixaria o tempo agir e, com ele, talvez Zac perceba que realmente não queria decepcioná-lo e faria de tudo para isto não acontecer de novo. Talvez ainda existisse aquele sentimento que sempre demonstrara ter por ela quando estavam juntos. Queria muito que isto fosse possível, e manteria o pouco de esperança que tinha viva em seu peito.

Muitas vezes, a confiança poderia ser como um cristal que, quando quebrado, não há mais concerto. Mas nem tudo poderia ser dado como perdido, poderia ter um jeitinho de concertar as coisas. Todo mundo merecia uma segunda chance. 

E, mesmo que, às vezes, o processo seja doloroso, talvez, fosse possível juntar os cacos e colar pedacinho por pedacinho daquele cristal quebrado. Claro, não ficaria tão bonito e perfeito como antes, mas, quem sabe, a cola usada para restaurá-lo poderia torná-lo mais forte e resistente a quedas que pudessem acontecer novamente. 

Poderia ser um trabalho árduo e minucioso, o qual devia ser feito com paciência, mas tinha de haver alguma esperança. E se realmente não for possível concertá-lo, que seja refeito. Como no início, recomeçando do zero.


Notas Finais


✦ Uiui, personagem novo aparecendo, e essa história entre ele e a Tracy parece tensa! O que será desses dois? Têm palpites, teorias? Já torcem para eles reatarem? Digam aí, pois a Babi aqui adora ver tudo o que vocês pensam que vai acontecer rs.

✦ Ah, uma novidade: a história também foi postada no Wattpad, UHUUUUUU! Torçam para que ela tenha um bom reconhecimento lá também kkkkkeutôcommedo rs <3

✦ Espero que tenham gostado do capítulo! E não sejam tímidos, podem aparecer, eu não mordo rs. Estou gostando muito desse retorno dos novos leitores que estão chegando, isso me alegra muito. Muita gratidão por vocês <3

✦ Agora, peço que os antigos leitores deem as caras também, pois, até agora, quase nenhum apareceu e isso me faz pensar que estão insatisfeitos com a história. Não estou querendo forçá-los a comentar, longe disso. Quem não quiser comentar, não comente. Eu só quero saber o que estão achando da história, pois seria bom saber se gostaram das mudanças. Só quero que interajam como antes, quando a fic era de Amor Doce, pois estou sentindo falta disso. Tá bom? Então tá ^^

✦ Então, mudando do acarajé para o pão de queijo (de onde eu tirei isso, man? Kkkk), temos kappopeiros(as) por aqui? Se tem, vão adorar essa sugestão de leitura que tenho pra vocês! E mesmo se não curtir muito K-Pop, aconselho a dar uma olhada porque a história é ótima e merece ser lida e reconhecida. Uma comédia leve para alegrar seu dia ^^
“Que a Verdade nos Drible” é escrita pela @kyllin e se passa no período da Copa do Mundo. Olhem que belezura:
https://www.spiritfanfiction.com/historia/que-a-verdade-nos-drible-13749413

✦ Depois disso, uma curiosidade: como vocês leem o nome do Hunter? Como tá escrito? Isso veio na minha cabeça quando eu estava lendo um negócio com uma pessoa e lá tinha o nome Hunter, daí essa pessoa pronunciou “runter”. Então, baseada em que nem todos sabem como se diz deste nome, queria dizer que a pronúncia correta é “rãnter”. Basicamente, é só trocar o “u” pelo “a”. Era só pra explicar rs, mas quem quiser pode chamar ele de caçador mesmo e tá tudo certo (hunter quer dizer caçador, mas também é um nome) kkkkkkkkkk.

✦ E é isto, vou ficando por aqui. Até o próximo, babys <3


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