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História Amor sem preconceitos - Capítulo 22


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Capítulo 22 - Tempo de Recuperação


Fanfic / Fanfiction Amor sem preconceitos - Capítulo 22 - Tempo de Recuperação

 

                                                           Capítulo XXII

                                                     Tempo de Recuperação

                        Chegaram ao hospital e Isabella foi deitada em uma maca e levada para dentro. Ignazio e os dois policiais, a pedido de Cipriani, foram levados para uma sala de espera discreta, onde ninguém poderia incomoda-los. Enquanto Ignazio andava de um lado para outro, Cipriani  ligou para Vincenzo. Assim que ele atendeu foi direto ao ponto.
_ Eles ligaram?
_ Até agora não. Mas nós sabemos que eles não vão demorar. Com o sumiço dela, eles vão se apressar, com medo de que ela consiga chegar em casa. Já expliquei a todos e o Sr. Bernini está a postos. Diremos que Ignazio teve um colapso nervoso. Mas se você conseguir traze-lo a tempo, será muito mais convincente.
_ Vou fazer o possível; o homem está mesmo a um passo de um colapso nervoso. Quero que você mande a Sra. Bernini para cá, urgente. Talvez, com ela aqui, ele aceite voltar comigo  e fechar este cerco.
_ Como ela está?
_ Muito machucada e debilitada. Mas parece que se machucou na fuga. Mande logo a Sra. Bernini para cá. Vou desligar e conversar com ele.
                  Cipriani olhou bem para Ignazio e suspirou. Colocou a mão no ombro dele e falou:
_ Ignazio, sente-se por favor! Preciso te explicar o que faremos.
                Controlando-se o melhor possível, Ignazio se sentou, de frente para Cipriani. Este não perdeu tempo.
_ Liguei para Vincenzo e pedi que mandasse a Sra. Bernini para cá. Ignazio, agora que eles não tem uma refém, vão apressar as coisas, na esperança de receber o resgate antes que ela consiga entrar em contato com vocês. Para isto, eu preciso que você esteja lá e atenda aquele telefone como se não soubessemos de nada.
_ Eu não vou sair daqui... eu não vou levar dinheiro para estes canalhas enquanto minha mulher está aqui, neste estado. Você já tem o suficiente para prende-los.
_Para prende-los sim; mas para mante-los atrás das grades, talvez não. Um advogado mediano, pode livra-los dessa com uma certa facilidade. Mas, se eles forem pegos com o dinheiro do resgate na mão, nem o melhor advogado do mundo livra estes filhos da puta. O que você prefere?
                    Ignazio segurou a cabeça entre as mãos, esfregando o rosto.
_ Quanto tempo vai demorar até que eu leve este maldito dinheiro e volte? Como vai ser isto?
_ Você não vai ter que levar nada. Você só precisa atender aquele telefone e fingir que ainda acredita que ela está com eles. Eu já tenho um homem muito parecido com você para levar o dinheiro. Depois de vestido com as suas roupas, de boné e oculos, até você vai pensar que ele é você mesmo. Nós vamos cercar discretamente a casa onde eles estão e vigiar. O velho vai dar as coordenadas do esconderijo. Tenho todo o cerco preparado e só preciso que ele pegue o dinheiro para colocar as mãos neles. Assim que você atender o telefone e combinar tudo, você volta para cá na mesma hora. Entendeu? E ela vai ficar com a mãe e um policial dentro do quarto e outro na porta. Não vamos deixar ela desprotegida de jeito nenhum. E então?
                   Ele lutava com sua vontade desesperada de vê-la. Por fim, concordou.
_ Mas vamos esperar Bianca chegar. E quero os dois policiais aqui, com elas!
_ Considere feito!
                  Neste momento, Bianca chegou, acompanhada por outro policial. Correu para Ignazio abraçando-o e chorando.
_ Como ela está?
_ Muito machucada e fraca. Parece que tem febre... eu não sei. Estou louco para os médicos virem dar notícias. ( Ele respirou fundo e olhou direto para a sogra.) Bianca, eu vou ter que voltar com Cipriani. Quero pegar estes caras e vê-los apodrecer na cadeia. Preciso faze-los acreditar que não sabemos que ela fugiu. Assim que atender aquele maldito telefone, eu volto. Pelo amor de Deus, cuide dela por nós! Eu vou com o coração apertado e só vou porque você vai estar aqui, com ela. Está bem? Eu espero voltar logo.
               E deu um abraço apertado na sogra, beijou-lhe a testa e saiu com Cipriani. O trajeto até a casa foi feito em silencio. Ao entrarem, Vincenzo já anunciou:
_ Até agora nada. Eu acho que não devem demorar.
              Lorenzo e os filhos correram para Ignazio:
_ Como ela está... como?
              Ele respondeu o mesmo que dissera a Bianca.
_ Não muito bem. Está muito machucada e fraca, com febre. Eu não tive tempo de falar com os médicos. Mas assim que atender o telefonema, vou para lá, não quero nem saber.
               Todos ficaram em um silêncio tenso, aguardando, cada um imerso em seus pensamentos e medos. Quando o telefone tocou, Ignazio respirou fundo e atendeu. Aquele rosto que ele já odiava, apareceu na tela do celular. Se ele não soubesse, pensaria que o homem tinha tudo sob controle. Pois ele também saberia fingir.
_ Buon giorno, Signore Boschetto! Já tem meu dinheiro pronto?
_ Você nos deu tres dias de prazo.
_ Mudei de idéia. A sua mulher é muito chata e estou louco pra me livrar dela. (E riu, cínicamente.). Quero o dinheiro agora.
_ E eu quero ver a minha mulher. Agora!
_ Você não manda aqui, Signore Boschetto! Eu tenho a sua mulher e eu dito as regras. Mas tudo bem! Se o Sr. não quer me entregar o dinheiro, eu mato ela. Tchau!
_ NÃO!!! Tudo bem... tudo bem... Diga o que você quer e nós faremos. Eu já tenho o seu dinheiro.
_ Assim é que se fala! Porque eu iria mata-la na sua frente, Signore Boschetto, já que você faz tanta questão de ve-la... iria vê-la morrer. Muito bem, vamos às instruções.
                   De tanto ódio, Ignazio quase não ouvia. Queria matar aquele homem. Nunca se julgara capaz de matar outro ser humano. Mas aquele homem ele mataria e com prazer. 
_ Entendeu tudo?
_ Sim, não se preocupe, faremos do seu jeito. Mas eu só entrego o dinheiro em troca da minha esposa. Entendeu?
_ Não se preocupe, você a terá. 
                        E desligou. Todos os policiais se levantaram. E Ignazio´, surpreso, viu entrar uma cópia sua. Dirigiu-se a Cipriani.
_ Agora faça o que me prometeu. Quero ir para o hospital. 
_ Não se preocupe, agora é conosco. E eu vou ter o prazer de te dar a notícia de que todos eles estão presos em breve. Vincenzo, você pode leva-los ao hospital?
_ Posso, não se preocupe, deixa comigo. E boa sorte para vocês.
               Vincenzo saiu com Ignazio, o pai e os irmãos de Isabella. Usaram o carro de Lorenzo que era maior e caberiam todos. Ignazio dirigiu-se ao sogro.
_ Eles estão levando aquele dinheiro todo?
_ Não. O dinheiro é falso. Como Bella já está a salvo, Vincenzo mandou eu guardar o dinheiro e eles estão levando uma maleta com dinheiro falso. Só para pega-los com a mão na massa. Isto vai fazer com que a prisão seja em flagrante e eles não tenham nenhuma escapatória nem atenuante.
              Todos se calaram. Ao chegarem ao hospital, correram para a sala onde Ignazio deixara Bianca esperando. Ela não estava mais lá. Uma enfermeira informou-os que Isabella já estava no quarto e Bianca estava com ela. Foram levados ao quarto com a recomendação de que só poderiam permanecer duas pessoas com a paciente. Depois que todos a vissem, escolheriam dois para ficar com ela. Entraram no quarto em silêncio. Bianca levantou-se e abraçou o marido com um sorriso no rosto marcado de lágrimas.
_ O médico disse que ela vai ficar bem. Estava desidratada e as feridas estavam muito inflamadas. Ela está tomando soro e antibióticos. Tomou também uma antitetânica. Ela precisa de repouso e calma, mas vai ficar bem.
               Ignazio, que já estava debruçado sobre Isabella, perguntou angustiado:
_ E o nosso bebê?
_ Perfeitamente bem. Eu fiquei preocupada com o efeito dos antibióticos nele, mas o médico disse que, se  ela não tomar agora, pode ter uma infecção generalizada. Precisamos acabar com a infecção o mais rápido possível. Mas até a febre já baixou, graças a Deus, o que é um ótimo sinal. O médico disse que ela está reagindo muito bem.
                   Todos respiraram aliviados. Franco, Tomaso e Nico rodearam a cama da irmã, os olhos cheios de lágrimas ao ve-la naquele estado, o rosto arranhado e com um hematoma onde ela levara a bofetada, muito pálida e abatida. Beijaram-na de leve, acariciando seus cabelos.
_ Coragem, sorella! Fica boa logo, precisamos de você. Nós te amamos muito. Volta logo para casa.
                 Se afastaram relutantes. Lorenzo também beijou a filha e os quatro sairam, deixando Bianca e Ignazio com ela. Ele sentou-se ao lado da esposa, segurando sua mão, sem acreditar que ela estava ali, viva, com ele. Levou sua mão ao rosto, fechou os olhos e ficou assim, agradecendo a Deus por devolve-la a eles.  Sua mulher e seu filho, graças a Deus! 
                 Isabella ficou internada quatro dias. O médico recomendou repouso ainda por mais alguns dias, para que ela se recuperasse plenamente. Bianca pediu-lhes que fossem para a casa dela, não queria que os dois ficassem sozinhos. Eles aceitaram, ainda muito traumatizados. Não tinham mesmo, vontade de ficarem sozinhos por enquanto. Ao chegarem, Lorenzo e os filhos receberam-nos com a maior alegria. Fizeram uma pequena festa de recepção, mas logo Isabella foi levada para o quarto, para descansar. 
                Quando acordou já havia anoitecido e o quarto estava escuro. Por um momento ela se sentiu perdida e apavorada, sentindo-se novamente na escuridão do cativeiro. Gritou desesperada. Ignazio, que estava no banheiro, saiu correndo, apavorado.
_ O que foi, amore? Eu estou aqui, o que foi? Calma, meu anjo, está tudo bem!
_ Acende a luz... acende a luz...
              Ele acendeu. Ela estava aos prantos, em pânico. Ele abraçou-a, sentando-a em seu colo. Os pais e irmãos dela entraram correndo no quarto, assustados com os gritos. Ignazio falou:
_Olha, mio amore! Está todo mundo aqui, com você. Você está em casa. Está vendo? Está tudo bem.
              Ela foi se acalmando aos poucos. Sua família a rodeou, beijando-a e falando calmamente com ela. Nico enxugou-lhe as lágrimas, carinhoso.
_ Sorella, ninguém vai te fazer mal. Olha só, vai ter que passar por cima de nós todos, viu? Fica tranquila, todos nós estamos com você.
               Ela parou de chorar, se acalmando.
_ Por favor, deixem a luz acesa. O escuro me apavora.
_ Vamos deixar. A casa toda vai ficar iluminada, está bem? Pode ficar tranquila. Ninguém mais vai apagar as luzes.
                Ela suspirou.
_ Eu estou com fome. Vão me deixar com fome? (E sorriu, aliviando a tensão).
              Imediatamente Bianca se levantou.
_ Vou buscar seu jantar, meu amor! Já estava peparado, só esperando você acordar.
           E desceu para buscar o jantar enquanto os outros continuavam conversando e brincando para distrair Isabella.
            No dia seguinte, Lorenzo chamou Ignazio para conversar. Sentaram-se no escritório, enquanto Bianca e Franco faziam companhia a Isabella. Tomaso e Nico tinham voltado para suas casas. Lorenzo não perdeu tempo.
_ Meu filho, eu quero contratar seguranças para a família, para todos nós. E também quero instalar o melhor sistema de segurança em nossas casas. 
                Ignazio ia falar e Lorenzo o interrompeu:
_ Eu sei que você pode pagar por tudo isto e você é um homem orgulhoso. Mas, por favor, me deixe fazer isto por vocês. Afinal, vocês são meus filhos e agora vem um netinho ou netinha. Eu pensei em aproveitar este período em que vocês estão conosco e mandar instalar o sistema na casa de vocês. Quando vocês voltarem para casa, já estará tudo pronto.
               Ignazio olhou para o sogro e acabou sorrindo. 
_ Vá bene! Eu também já tinha pensado nisto. Isabella nunca mais vai andar sem seguranças. Quero pelo menos dois, sempre com ela. Nós poderíamos pedir a Vincenzo que nos recomendasse uma empresa. Ele conhece estas pessoas, pode nos indicar os melhores.
_ Eu tinha pensado exatamente nisto. Aqueles miseráveis estão presos, mas, infelizmente, o mundo está cheio de bandidos. Não quero passar por isto nuncca mais!
_ Nem eu, nunca mais! Então estamos de acordo. Pode providenciar tudo, Lorenzo. Eu te ajudo no que você quiser.
_ Ótimo, graças a Deus! Eu sabia que você iria me ajudar. Os únicos que me preocupam são Nico, Franco e Tomaso. Sinto que vou ter um pouco de trabalho para convence-los a andar com seguranças.
_ Se precisar, eu o ajudo a convence-los, não se preocupe. Quanto a mim, agora tenho um filho e uma esposa para cuidar, quero me manter a salvo.
                  Os dois se abraçaram sorrindo. Mais dois dias se passaram e a notícia do sequestro da esposa de Ignazio Boschetto vazou para os jornais. No dia seguinte, Gianluca e Piero apareceram apavorados. Bianca os recebeu feliz.
_ Que bom que vocês estão aqui, meus filhos! Nós estamos precisando mesmo de alegria nesta casa. Iganzio e Bella precisam, mais do que nunca, de apoio. Vou chama-los.
                  Ignazio já vinha descendo as escadas e correu para os amigos, abraçando-os. Os dois o abraçaram forte, transmitindo toda sua solidariedade.
_ Que bom ver vocês... que bom! Precisava mesmo disto!
             Eles se soltaram e caminharam até o sofá. Bianca foi buscar algo para eles beberem e saiu, deixando-os conversarem.
_ Por que você não nos avisou, Igna? Foi horrível ler aquilo nos jornais. Todo mundo está apavorado. 
_ Eu não tive tempo de pensar ainda. Nós todos aqui estamos muito abalados. Eu confesso que estou traumatizado. Tenho pesadelos horríveis e Bella também. Acorda gritando apavorada, está com medo do escuro, enfim, não está facil. ( Respirou fundo e tentou sorrir). Mas nós vamos superar. O mais importante, estamos vivos e o nosso bebê está bem!
                Os dois amigos respiraram aliviados.
_ Foi a aprimeira coisa que nós pensamos, no bebê. Ficamos apavorados! Graças a Deus que ele está bem. E aí! Já sabem se é menino ou menina?
_ Ainda não! Tínhamos um exame marcado antes de tudo isto. Agora, estou esperando Bella se recuperar. Os joelhos dela ficaram muito machucados na fuga e ela sente dores ao andar. Estamos indo com calma.
                  Neste momento ele ouviu a voz dela chama-lo do alto das escadas. Levantou-se de um pulo e correu para ela. Subiu as escadas de dois em dois e segurou-a.
_ Amore, você não devia ter se levantado sozinha. Está doendo?
_ Só um pouquinho. Preciso começar a tentar. Quem está aí?
               Ele sorriu.
_ Venha, você vai adorar!
              E desceu as escadas cuidadosamente com ela no colo. Bella vestia um pijama curtinho para não machucar os joelhos. Ao ver Piero e Gianluca, gritou feliz.
_ Piero, Gian! Ai, me Deus! Como é bom ver vocês!
              Os dois se levantaram e a abraçaram carinhosamente, beijando seu rosto.  Ignazio sentou-se com ela no colo e ela ficou segurando as mãos de Piero e Gianluca, sorrindo. De repente, uma sensação maravilhosa encheu seu coração. Seus irmãos do coração estavam ali, preocupados com ela. Foi como se uma luz surgisse no final daquele tunel  horroroso em que ela estivera nos últimos dias e tudo clareasse. Olhou em volta, para Ignazio, para Bianca que se aproximava e para seus amigos tão queridos. Ela tinha todos eles e seu pai e seus tres irmãos e seu bebê. Nada de ruim acontecera com seu bebê. Ela só tinha motivos para agradecer e se felicitar. Começou a chorar, mas, desta vez era de alegria. Todos se assutaram.
_ Bella, o que foi? Por que você está chorando, mio amore? O que você está sentindo?
                Ela passou as mãos nos rostos de todos eles, sorrindo por entre as lágrimas.
_ Pela primeira vez em dias, eu estou me sentindo muito bem. Vocês dois me fizeram lembrar que eu ainda tenho tudo, todas as pessoas que eu amo e que me amam. Não me falta nada. E eu vou recuperar as minha forças e voltar à vida normal. Pode até demorar um pouquinho, mas eu vou conseguir.
                 Ignazio apertou-a contra o peito, beijando-a feliz como há muitos dias não se sentia.
_ Nós vamos, amore mio! Nós vamos!
               Ela se virou para a mãe.
_ Mama, você me sugeriu ontem que eu fizesse uma terapia para me ajudar a superar tudo isto e eu estava com medo. Pois agora eu aceito, pode chamar a terapeuta que a senhora me falou. E você vai fazer comigo, não vai amore mio? Acho que nós dois precisamos.
_ Faço... faço o que você quiser. E em breve nós dois vamos estar de novo na nossa casa, com o nosso bebê, felizes da vida.
                  Era o começo de uma lenta mas inevitável recuperação. Para todos. Afinal, a vida segue e tem sempre uma luz na frente para nos guiar.

                                                             ************



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