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História Amor Sincero. - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Orbes Azuis.


 ~Dezessete anos depois.~

Kaique fazia suas malas enquanto cantarolava alegremente, enfim havia conseguido sua tão desejada promoção no emprego, o que resultou em ele ter que mudar de estado para que pudesse trabalhar na sede da empresa a qual trabalha longos vinte anos. Enfim poderia fugir para bem longe daquele inferno e daixaria lá tudo aquilo que considerava imprestável, começaria uma nova vida em outro lugar muito melhor da que está vivendo agora e dessa vez não teria praga alguma para destrui-la.

Assim que arrumou tudo o que iria levar na mudança pegou todas as malas e as levou até o carro que estava estacionado na frente de sua casa e as guardou no porta-malas, depois disso entrou novamente na residência indo direto para uma porta que dava acesso ao porão, ele entrou ficando alguns minutos naquele cômodo e logo após saiu com um sorriso enorme e um tanto quanto sombrio estampado em seu rosto como se tivesse acabado de fazer algo terrível, mas que lhe agradou grandemente.

Kaique saiu novamente de sua morada trancando tudo porém, esqueceu a porta dos fundos a qual pouco usava destrancada por puro descuido afinal a última coisa que queria era que algum curioso adentra-se sua residência e visse seu maior segredo que estava disposto a se livrar. Após fazer tudo que tinha de fazer andou até seu veículo com uma felicidade gigantesca que em poucos segundos desapareceu tamanha raiva que tomou conta do homem, tudo isso por ver uma das pessoas que mais odiava no mundo, sua vizinha Márcia.

- Como vai Kaique? - Perguntou a vizinha com falsa simpatia apenas para ser educada, porquê na verdade não suportava aquele homem.

- Muito bem, obrigado por perguntar, mas é você como está? - Terminou de falar se segurando para não matar Márcia, já que na cabeça dele ela foi uma das causadoras da desgraça que assolou sua vida durante esses dezessete anos.

- Também estou muito bem. - Disse mostrando um leve sorriso quase que imperceptível. - Fiquei sabendo que vai se mudar é verdade?

- Sim. - Respondeu simples para acabar logo com aquela conversa irritante.

- E o vai fazer com a casa, pretende vende-la?

- Não irei ficar com a casa, afinal ela guarda muitas lembranças da minha falecida esposa, as vezes fico pensando como seria se ela é nosso filho que nem chegou a ver o mundo não tivessem morrido naquele acidente de carro. - Falou deixando uma lágrima forçada escorrer pelo seu rosto.

- Sinceramente Kaique, você não cansa de ser tão hipócrita? - Disparou de uma vez se sentindo um pouco aliviada de enfim está falando para aquele monstro o que pensa.

- Como? - Perguntou se fazendo de sonso, coisa que ele sabia fazer extremamente bem.

- Não se faça de idiota, sei que entendeu muito bem o que eu quis dizer, como é que você pode fingi esse sofrimento todo assim como se fosse a coisa mais normal do mundo, a Joana me contou tudo o que ela estava vivendo com você, seu hipócrita nojento...

- Já chega! - Gritou fazendo Márcia se calar. - Tenho mais o que fazer do que ficar aqui ouvindo suas ofensas sem fundamentos, adeus. - Disse entrando em seu carro, dando partida e indo embora daquele lugar desejando nunca mais voltar.

- Maldito. - Praguejou vendo o veículo se distância cada vez mais.

Márcia deu uma olhada na casa de sua falecida amiga e se dirigiu a sua residência adentrando a mesma vendo seu maior tesouro dormindo deitado no sofá todo largado, Wellington seu filho, um menino gentil e educado que mesmo com com apenas dezessete anos já vivenciou muito da maldade humana por conta de sua sexualidade.

Desde pequeno o garoto já se sentia dos demais meninos, com o tempo ele foi crescendo e entendendo o que tinha de diferente dos demais, no começo foi extremamente difícil para que conseguisse aceitar a si próprio como era, foram longos dias e noites chorando trancado em seu quarto sozinho se remoendo e se culpando por ser assim, até que cansado de tanto se lamentar ergueu a cabeça, enxugou as lágrimas e se aceitou como era, afinal não tinha nada de errado nisso e não estava fazendo nada de errado, mesmo que não fosse dessa forma que a sociedade pensasse não deixaria que isso o impedisse de viver, nesse mesmo dia Wellington se sentou com seus pais e lhes contou tudo, foi absurdamente difícil se abrir com sua mãe e seu pai as pessoas que mais amava, mas foi até o fim e disse tudo o que precisava e como verdadeiros país devem ser os dois apoiaram o filho, mesmo que tenham sido pego de surpresa pela notícia sempre estariam ao lado dele sendo homossexual ou heterossexual não importava, a única coisa que importava é o amor e o orgulho que sentiam pelo filho.

Márcia sempre foi uma mãe super protetora e carinhosa, sempre tentando resguardar o filho da brutalidade do mundo, mas era impossível fazer isso o tempo todo afinal o garoto já se encontrava em sua adolescência e queria curti a juventude em totalidade o que incluía sair com os amigos para lugares longe de sua vista e foi em uma dessas saídas que algo que a deixou de coração partido e se sentindo totalmente impotente aconteceu, Wellington foi agredido e chegou em casa todo sujo e cheio de hematomas. O garoto se recusou a falar quem fez aquela atrocidade mesmo com toda insistência vinda de seus pais, esse fatídico ocorrido deixou o garoto cabisbaixo por um tempo, mas logo retomou sua rotina não permitindo que a toxina venenosa presente no mundo o derrubasse.

[...]

Já havia anoitecido e a lua brilhava no céu em todo seu esplendor enquanto Wellington estava em seu quarto se arrumando para ir a uma festa com seus amigos, Márcia e Matheus insistiram para ele não ir, mas o garoto já estava no final de sua adolescência em alguns meses iria entrar na maior idade e já estava muito difícil de segurar o rapaz, sua mãe sempre lhe dava conselhos para que tomasse cuidado quando saísse e seu pai fazia o máximo para proteger o garoto, as vezes até ia as festas junto do filho apenas para ter certeza que nada o aconteceria, mas isso nem sempre era possível, como dessa vez que não poderia acompanha-lo por ter que termina alguns relatórios do trabalho.

Wellington terminou de se arrumar e foi até a sala de estar aonde encontrou os pais sentados abraçados sentados no sofá, achou aquela cena linda e desejou com toda sua vontade um dia encontrar um companheiro para amar e ser amado assim como seus progenitores.

- Bem, eu já vou. - Disse chamando a atenção dos outros dois.

- Tem certeza querido? - Márcia levantou, foi em direção ao garoto e Matheus fez o mesmo.

- Tenho mãe e não precisa se preocupar, prometo que não volto tarde. - Falou tentando acalma-la

- Como você me pedi para não ficar preocupada sabendo o que aconteceu da última vez que saiu.

- Te entendo mãe, juro que entendo, mas não posso me privar de viver minha vida com medo do que aconteceu e do que possa vir a acontecer, isso só mostraria a essa sociedade estúpida que sou fraco e que podem pisar em mim a todo momento. - Disse com firmeza na voz mostrando que não deixaria se abater.

- Entanto se não quer se mostrar fraco nos conte o que aconteceu naquele dia. - Matheus falou com um semblante sério e Wellington soltou um longo suspiro percebendo que não poderia mais escapar do assunto.

- Okay, falo tudo para vocês, mas não agora, estão me esperando e preciso ir. - Dito isso se despediu dos mais velhos, saiu da residência e foi andando até o local da festa onde encontrou seus amigos.

Na festa tudo estava perfeito, todos alegres e se divertindo, até que um bando de brutamontes chegou e começou a implicar com Wellington e seus amigos, então para evitar confusão eles decidiram ir embora mais cedo do que planejaram.

As ruas estavam desertas e somente as luzes fracas dos poucos postes as iluminavam, por sorte todos os garotos moravam moravam perto então não se preocuparam em se apressarem, até que perceberam que estavam sendo seguidos pelos mesmos idiotas que os importunaram na festa e resolveram apressar os passos porém, os perseguidores fizeram o mesmo, começando a sentirem o medo aumentar cada vez mais os garotos a correr sem olhar para o caminho por onde seguiam e isso acabou ocasionando no Wellington se separando dos demais sem nem parece e o pior de tudo é que ainda continuava sendo perseguido por um dos babacas. O homem já se aproximava do Wellington e mesmo ele estando perto de casa não daria tempo dele entrar em sua morada e se proteger, seria pego antes que conseguisse, então sem nem pensar direto entrou no quintal da residência vizinha a sua e a contornou se escondendo nos fundos. Enquanto tentava recuperar o fôlego começou a escutar passos lentos em sua direção e se xingou internamente por não ter ido na direção de sua residência e gritado a plenos pulmões, mas não pensou por conta do medo e acabou encurralado.

O desespero bateu mais forte e sua única saída seria a porta que dificilmente se encontraria aberta, afinal o Kaique havia se mudado e reservado do jeito que era dificilmente deixaria sua habitação aberta e desprotegida, mas talvez se tivesse sorte... O garoto girou a maçaneta e agradeceu quando a passagem se abriu lhe dando acesso a casa, ele adentrou e depois fechou a porta colocando um móvel na frente para impedir que fosse aberta de novo.

Wellington ouviu vários barulhos do lado de fora como se o homem estivesse vasculhando o local atrás dele, além disso escutou o barulho da maçaneta, mas a entrada do desconhecido foi impossibilitada pelo peso do móvel.

Não se ouvia mais nada do outro lado porém, o garoto ainda estava inseguro para sair, por isso resolveu explorar aquela residência que nunca havia entrado antes, ele andou por alguns corredores, entrou em vários cômodos observando tudo, mas claro sem ligar a luz, afinal a última coisa que queria era chamar atenção, o rapaz entrou em outro cômodo que se encontrava mais escuro que os outros e por isso acabou não percebendo os degraus e acabou rolando escada abaixo, por um grande milagre nao se machucou gravemente, apenas alguns arranhões. Wellington se levantou com dificuldade tateando a parede em busca do interruptor o encontrando rapidamente e o apertando acendendo a lâmpada e tendo a visão de um porão bem sujo, o rapaz olhou em volta e se assustou quando viu duas orbes azuis o olhando fixamente, mas logo a feição de susto em sua face foi tomada por uma de incredulidade ao ver o estado deplorável em que o dono daqueles lindos olhos se encontrava.



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