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História Amore Nostrum - Capítulo 24


Escrita por: alicecdiangelo

Notas do Autor


Demorei, mas voltei. Espero que gostem da leitura.

Capítulo 24 - Capítulo XXIV


Assim que o ônibus parou no estacionamento do internato, descemos com alívio. O blá blá blá de sempre durou muito tempo, e eu já estava ficando extremamente impaciente quando eles nos liberaram para ir para os quartos. Eu não me lembro de ter me sentido tão cansada na vida antes, e nem tão estranha e irritada. Enfiei a mão na mochila à procura da chave do quarto, quando topei com o bloco de notas de um certo ser cabeça de vento. Isso me trouxe um pequeno sorriso.

-Lysandre!- chamei ao notar sua cabeleira branca seguindo para longe. Ele pareceu nem ouvir, perdido em pensamentos, mas Castiel ouviu e olhou em volta, me procurando. Com uma cotovelada no braço, chamou a atenção do amigo e apontou para mim, que me dirigia até eles com o bloco na mão, deixando Rosalya para trás, já que ela não parecia inclinada a correr também- Seu bloco de notas. Vamos achar alguns exercícios de memória pra você, podemos fazê-los juntos, parece que está precisando muito.

-Obrigado, Bianca! Podemos fazer os exercícios, se eu me lembrar deles depois- eu ri, e ele tinha uma expressão divertida devido à situação- Certo, agora precisamos de um banho e de um descanso.

-Eu concordo, até mais anão de jardim- revirei os olhos e me despedi, não tinha energias nem para socar Castiel, de tão esgotada que estava. Rosalya me alcançou assim que eles se foram, e meu irmão vinha logo atrás, enquanto Nathaniel ficara mais distante, acompanhando Ambre e conversando com a irmã. Eu sentiria muita falta de Bernardo se estivesse na mesma situação que ele, então eu entendo, e espero que eles se acertem, embora eu não goste dela.

-Vamos embora daqui, estou bem cansada, não dormi nada naquele avião- assenti e passei meu braço pela cintura da minha amiga, que passou o seu pelos meus ombros. Eu estava ficando mais carinhosa ultimamente, acho que era a falta de Ken, ou a presença de Nathaniel que causavam isso... Ou a ausência da minha mãe maluca. Seguimos pelo caminho, ladeadas de Bernardo, que chegou logo. Estávamos silenciosos, e penávamos para arrastar as malas pelo caminho pedregoso sem quebrar as rodinhas, mas chegamos inteiros ao dormitório. Tomamos um banho, ignorando as bagagens que deveriam ser desfeitas, e eu me joguei na cama, já vestida com um short jeans, uma camiseta rosa e uma jaqueta de moletom fina. Não se passou nem um minuto e nossos celulares começaram a apitar com mensagens do grupo. Parando para pensar, era engraçado como consegui juntar todos eles num mesmo grupo de amigos, e organizar coisas juntos, mesmo Castiel e Nathaniel.

-Os meninos estão perguntando se gostaríamos de nos juntar a eles no salão comunal para assistir a um filme, colocaram um projetor e um telão lá- ponderei alguns segundos, mas finalmente assenti e me sentei, enfiando os pés no par de crocs e me levantando junto a ela. Ao mesmo tempo, batidas insistentes na porta se iniciaram, e eu segui para abri-la. Eram Kim, Violette e Iris.

-Vocês vão, guria? Estamos cansadas, mas um filme não faria mal a ninguém, antes do jantar- assenti, passando para fora do quarto, seguida de Rosalya, e colocando as mãos nos ombros de Violette, seguindo até o elevador enquanto conversávamos e ríamos animadamente, como um grupo de adolescentes histéricas que éramos. Descemos até a entrada e seguimos porta afora, encontrando os gêmeos no caminho. Parei e mudei a alça de meu sapato de forma que ficasse preso aos pés, enquanto os olhava falsamente desconfiada.

-Dramática- Alexy riu e me apertou, ele era bem grudento com os amigos, e principalmente com o irmão. Eu sorri e me soltei, continuando a andar com todos.

-E aí, se divertiram na viagem? Fiquei o tempo todo ajudando o Nathaniel que se machucou, não tive tanta chance de vê-los- perguntei, olhando de um para o outro.

-Então você se lembra da minha existência? Nunca mais me procurou para jogar videogame- Armin fez um bico exagerado, olhando para frente. Espremi os lábios para reprimir um sorriso.

-E se jogarmos algo amanhã, à tarde? Podemos marcar um encontro com todos no meu quarto, e fazer uma bagunça e tanto, com salgadinhos e videogame- seu bico não se desfez. Suspirei, fechando os olhos- E se formos só você, Alexy, Rosalya e eu?- seus olhos me fitaram de soslaio, mostrando interesse- Pode ser? Não tenho o dia todo!- virou-se para mim, assentindo freneticamente.

-BIANCA!- Nathaniel gritou da porta, meu irmão não estava com ele, mas pude ouvir seus gritos de dentro da sala. Bufei e me dirigi até lá.

-CARALHOOOOOOOO! FUNCIONA, PELO AMOR DE DEUS- cheguei à tempo de ver meu irmão surtando com o aparelho que não ligava. Todos pareciam meio surpresos, já que Bernardo normalmente era ranzinza e calado, ou um pirralho irritante, não surtado e irritado assim, mas era isso o que acontecia sempre que ficava sem dormir e comer por muito tempo- PUTA QUE PARIU, EU MEREÇO UM PRÊMIO. Funcionou, galerinha, podem trazer a pipoca da copa- toquei seu ombro, franzindo a testa e o encarando.

-Ficou maluco, foi? Acalma os ânimos aí- não que alguém se importasse com a nossa bagunça e a gritaria dele, raramente alguém além de nós usava essas salas fora do horário de aulas, o pessoal preferia ficar no quarto, no ar-condicionado e de pijamas- Que filme a gente vai ver mesmo?- ele deu de ombros, se jogando no sofá e abrindo os braços. Eu sabia que ele estava sentindo minha falta durante a viagem, assim como senti a dele, visto que passamos o maior período de tempo com nossas duplas. Me sentei próxima ao meu irmão e me aconcheguei em seu colo, recostando a cabeça no seu ombro.

-Desde quando aceita tanto contato físico assim? Achei que só ia me abraçar e depois fugir- resmunguei contra sua camiseta, apertando os braços ao seu redor e fechando os olhos.

-Mamãe tinha razão, vocês estão me fazendo virar uma bobona, com tanto amor- ele riu, beijando a minha cabeça e acariciando meus cabelos.

-Gente, vem ver isso. Bianca e Bernardo se amando e sem brigar ou se agredir, isso é novidade- eu gargalhei com o comentário de Alexy, e ele também, enquanto Nathaniel se jogou sobre nós.

-Ei, eu também sou parte da família!- ele se arrumou no meu colo, esmagando a mim e Bernardo e se encaixando da maneira mais engraçada possível- Ah, agora assim- acariciei seu cabelo, enquanto ria, e depois nos acomodei de maneira mais cômoda, ficando no meio dos dois e entrelaçando nossos braços. Ele deu um sorriso satisfeito.

-Agora, pronto? Vocês são dois bebês, não é possível- o meu sorriso desfazia completamente a grosseria das minhas frases, eu não poderia estar mais feliz, apenas se Ken e Santino estivessem aqui também.

-Vocês três são uns grudentos impossíveis, agora. Desde quando, isso? E estou te achando muito rebelde Nathaniel, usando essa botinas e esse cabelo bagunçado!- Kim comentou, apontando para os pés e o rosto dele.

-Nós o levamos para o mal caminho- sorri maléfica, me jogando para fora do sofá- Eu vou ver o que estão fazendo na copinha, estou com fome e ninguém aparece nunca com essas pipocas- enfiei a cabeça pela porta, vendo Lysandre, Castiel, Armin e Rosalya fuçando na cozinha, enquanto Violette tentava segurar todas as garrafas de refrigerante e suco de uma só vez em seus braços, para levar até a sala. Arregacei as mangas da blusa, me dirigindo a ela- Aqui, Vi, eu te ajudo- seus olhos brilharam em gratidão. Ela nunca se pronunciava ou impunha, e eu acabava me impondo por ela ou a ajudando sempre.

Levamos as garrafas até a sala, largando sobre a mesinha de centro e chamando a atenção dos demais às bebidas, e eu voltei a cozinha para checar o lanche. Os quatro continuavam na mesa, fuçando por tudo, exceto Lysandre, que parecia perdido em pensamentos, e vendo através de mim quando entrei.

-Não encontraram nada? Deixe-me ver...- procurei pelos armários mais baixos, e apenas consegui a panela de pipoca- Castiel, me ajude um instante sim?- ele veio até mim, sem entender o que eu queria- abaixa aí que eu vou subir nos seus ombros, pra procurar nos armários mais altos- ele riu, e me levantou como uma criança, pela cintura- AH, NÃO!- berrei, contrariada- EU ME RECUSO A PASSAR POR ESSA HUMILHAÇÃO- saindo de seu torpor devido aos meus gritos e às gargalhadas do amigo, Lysandre se aproximou, passando por baixo de mim e erguendo-me em seus ombros. Foi tão repentino que eu me desequilibrei e quase caí, mas Castiel colocou suas mãos em minhas costas para impedir.

-Depois eu digo que é uma criança, ainda reclama- revirou os olhos, espalmando minha cintura por mais um tempo, inseguro- Posso soltar, monstrinha?- assenti, rindo e abrindo os armários rapidamente.

-Sem pressa aí em cima, por favor, cuidado- olhei para baixo, e pude ver a cabeleira branca. Ele nem mesmo parecia tremer enquanto me segurava pelas pernas.

-Eu não peso?- perguntei enquanto procurava no armário mais a fundo, quase me enfiando lá dentro, e finalmente achei o pacote de milho e o de sal, em meio às demais mercearias.

-Está brincando? Que homem seria eu se não pudesse levantar 48kg nos ombros? Tão leve quanto uma pena, e tão pequena quanto um amendoim. Não se preocupe, eu ficarei bem- eu ri. Ele era tão elegante e doce ao falar que eu nem consigo me irritar com ele.

-Tá aí um bom apelido, amendoim- Castiel se pronunciou, rindo, e eu bufei- Vem amendoim, desce devagar pra não cair- novamente, ele me pegou como uma criança e puxou pra fora das costas de Lysandre, que se abaixou para auxiliar. Me debati para ser colocada no chão.

-Ninguém mais me respeita nessa merda?- resmunguei, brava, me dirigindo até a panela com os pacotes e começando a fazer a pipoca- Você gostam que coloque manteiga?- todos assentiram, e eu continuei o que fazia. Enquanto isso, era possível ouvir um programa de tv aleatório passando na sala, tudo estava pronto, aparentemente- Sabe, acho que poderíamos pedir pizza também. Vejam se a galera lá fora concorda!- Lysandre se retirou com Castiel, e Rosa, que havia ficado no celular ao canto, se aproximou, guardando o aparelho no bolso.

-Que filme vamos ver afinal?- dei de ombros enquanto mexia os milhos com a manivela da panela- Ninguém sabe? Será que alguém escolheu algum?- franzi a sobrancelha, desviando o olhar para ela.

-Sabe que eu nem sei? Será que alguém escolheu algum filme?- começamos a rir, e as pipocas, a estourar. Remexi até que acabasse o estouro, e depois desliguei o fogo, despejando em tigelas e levando para a sala, com a ajuda de Rosalya- Gente, alguém escolheu algum filme?- olhei em volta, mas ninguém parecia querer se pronunciar. Me joguei de volta ao meu lugar entre os garotos, aguardando uma decisão e comendo a pipoca.

-E se assistirmos um filme de terror?- com essa sugestão, Violette resmungou ao lado de Kim, mas só eu pude ouvir, além de sua vizinha de assento- Tem esse aqui- continuou Armin, movimentando o cursor do controle na direção do filme.

-Violette- sussurrei em sua direção- Vocês podem dormir no nosso quarto depois, está bem? Eu te deixo dormir na minha cama- sorri para ela, que assentiu, insegura. Finalmente, escolhemos esse filme, mas na metade dele, eu estava babando de sono, Bernardo já dormia com a cabeça no meu ombro e Nathaniel na minha barriga. Tombei para trás e adormeci também, esgotada.

 

....

 

Meu sono não durou mais que vinte minutos, visto que a pizza chegou, e todos fizeram um auê sobre quem iria buscar, mas não tiveram coragem de me acordar e me colocar na equação. No fim, os gêmeos foram até lá, acompanhados de Bernardo, e eu me sentei devagar, coçando os olhos e chamando atenção de Nathaniel, que já estava acordado. Nos olhamos, com cabelos bagunçados e olhos inchados, e caímos na risada.

-Pra ser sincero, nem sei sobre o que é o filme. Você conseguiu ver algo? Eu dormi em cinco minutos, com o cafuné que você fazia- eu sorri, soprando um riso e negando com a cabeça.

-Eu fiquei perdida num limbo com sono, e depois dormi, e o Bê dormiu antes de mim- os meninos não demoraram mais que dez minutos para retornar com a comida, e o cheiro de pizza encheu a sala. Os franceses não ficariam orgulhosos da nossa alimentação de hoje, se a vissem- Eu quero de queijo e peperoni!- ergui a mão e falei alto.

-Eu quero um pedaço de vegetariana- Nathaniel se pronunciou logo depois. Comemos tudo com animação, nem nos lembramos de dar play. No fim das contas, todos tinham tirado uma soneca coletiva, e Alexy tinha acordado com a notificação do app de delivery. Depois de devorar tudo, reiniciamos o filme e assistimos ele todo dessa vez, e realmente era bom. Nathaniel era, aparentemente, um medroso, e apertou meu braço ao menos dez vezes ao longo do filme, e a cada susto, pulava do assento, foi realmente engraçado. Enquanto isso, Bernardo só se preocupava com as bebidas e o que sobrou das pipocas. Oh garoto sem fundo, esse. Nos divertimos muito, para variar um pouco, todos juntos. Nem vimos o tempo passar. Eu me foquei no filme e decidi deixar de lado minhas preocupações por um instante, e foi uma ótima escolha.

Ao fim da reuniãozinha, nos retiramos para os quartos, e Kim e Violette dormiram conosco. Kim dormiu com Rosalya, e Violette comigo, e seu bichinho de pelúcia de segurança. Ela pareceu muito assustada com o filme, e me senti um pouco culpada, então deixei que ela deitasse do lado longe da porta, e mantive as cortinas abertas para termos uma luz fraca entrando. Eu enxergo de qualquer maneira, mas elas não. Não demorou para cairmos no sono novamente, cansadas e abatidas. 


Notas Finais


A única coisa que tenho a dizer, é que tudo que é bom dura pouco. Bianca que o diga. Então fiquem ligados aos próximos capítulos.
Beijos de Nutella com morango,
Tia Alice.


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