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História Amores - Capítulo 6


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Notas do Autor


oioioi, se você está lendo isso saiba que eu te amo, tá? mas bem, vamos lá:

O CAPÍTULO TÁ GRANDEEEEEEE e nossa que foi uma preguiça ENORME pra betar, até porque eu estavaa beeeeem insegura com o capítulo, motivos? porqque ele capíttulo é mais delicado e sensível, porque vai expor o pensamento que a prota tem sobre ela e sobre tudo e todos. é algo que por ser sensível me toca e comove e me deixa muito insegura com isso :/

mas bem, espero que vocês gostem do capítulo, fiz com muito amor e quero saber o que vocês achaaram logo, logo nos comentários, sim? aliás... GENTE, COMO ASSSIM A GENTE JÁ É MAIS DE 200 FAVORITOS?! vem cáa, de onde surgiu gente pra isso, hein? sskskskks medo

Capítulo 6 - Na pontinha dos pés


Fanfic / Fanfiction Amores - Capítulo 6 - Na pontinha dos pés

Meu corpo todo treme e entra em êxtase, sentindo a língua aveludada adentrar minha boca e brincar com o mesmo órgão de sua espécie: minha própria língua.

Sinto o âmago se contrair em euforia e subo a mão trêmula até sua nuca, onde puxo os fios ralos dali, juntando mais seu rosto ao meu. Não percebo que estou na pontinha dos pés quando sinto seus braços me rodearem a cintura de forma meiga e carinhosa. Minha cabeça se move para o lado contrário da sua e nossas línguas se enroscam numa brincadeira que pede para não acabar, e sinto o rosto corar.

Não sei o que deu em mim quando correspondi ao beijo, mas deve ser só pra ajudar ele a dar um gostinho a mais na víbora da ex. Mas deve ser só isso mesmo, porque eu ainda tenho raiva do Jungkook por não ter me deixado dar tchau, tchau pra esse mundo tão escroto.

Quase gemo quando sou mais prensada contra seu corpo másculo, mas de todo jeito tremo e arfo, puxando ainda mais os fios castos da nuca. Me sinto bamba e eufórica demais pra pensar em algo, mas o raciocínio vem devagar quando nos separamos e grudamos as testas. Respiro ofegante e sinto um selinho ser distribuído em meus lábios duas vezes e sorrio boba.

— Idiota. — Xingo. — Você sabe que o seu povo é conservador demais e não gosta dessas demonstrações em público e mesmo assim me beijou? Cara, qual o nível de ódio que você tem por essa garota? Aliás, ela ainda tá vendo?

— Não, não sou idiota, sou… É, sou idiota. — Fica sem fala e eu rio. — E, nossa, é muito ódio, porque ela realmente me magoou… — Fala cabisbaixo e puxa minha cintura, grudando nossos corpos e apoiando o queixo em minha cabeça. Suspiramos em uníssono. 

Coloco a bochecha apoiada em seu peitoral e meu olhar vai direto para uma garota alta e magra, com traços que de longe dá para perceber não serem coreanos, diria que ela é de outro canto. Mas da Coreia mesmo ela não é.

— É aquela estrangeira ali de cabelo loiro?

— Essa mesmo.

— Ah. — Dou de ombros. — Jungkook.

— Diz.

— Eu tô morrendo de sono!

Seu riso me deixa calma, mas não me faz desgrudar os olhos da estrangeira que me olha com fúria. Franzo o cenho, mostrando que não entendi por que ela me olha daquele jeito e dou de ombros. Ela bufa alto, atraindo a atenção das amigas. Elas conversam entre si e depois me direcionam o olhar com um sorrisinho cúmplice e cínico.

Ih, lá vem.

Reviro os olhos instintivamente e abraço a cintura fina de Jungkook, virando o rosto para o outro lado. Fecho os olhos por um tempo enquanto aproveito o abraço que eu queria receber há mais de dois anos por ter sofrido em silêncio sem ninguém saber e não sentir mais o calor de um corpo humano para me consolar. Por isso aproveito a sensação e sem perceber o aperto mais entre os braços, até cair no sono.

Sim. Eu dormi em pé porque me senti muito confortável nos braços do Jeon. Isso mesmo que você leu. Fiquei tão perdida que só acordei quando senti que ele me balançava de um lado para o outro.

— Hein? — Resmungo e escuto seu riso acompanhado de um "desculpa". — Está se desculpando por me acordar? Pois bem, que peça de novo, seu lesado. — Dou de ombros e ele aproxima os lábios de minha orelha discretamente.

— Foi pra você, mas também para uma das amigas de Lisa.

— Como é?

— Só entra na onda. — Murmura e me vira.

Sinto um pouco de cabelo entrar na minha boca e tusso discretamente, rindo depois. A garota me olha com desdém e eu reviro os olhos. Lhe estendo a mão com um sorriso, mas só recebo vácuo e mais olhar desdenhoso para comigo.

— Se vai ser tão mal educada por que não dá o fora, hein? — Cruzo os braços e a olho debochada, vendo a garota arregalar os olhos e bater o pé. Quase rio.

— Olha aqui, você aprenda a falar com as pesso…

— Você veio aqui me dar lição de moral sobre educação quando, justamente, fui educada contigo e levei só um olhar esguelhado? Olha, nem te conheço pra dizer isso, mas se toca que eu não fiz nada pra você.

— Não, mas fez pra minha amiga. — Cruza os braços e endireita a postura, me olhando com superioridade enquanto um sorriso cintila em seus lábios. Franzo o cenho e olho para suas amigas, que nos olham agitadas.

— Mas hein? — A olho.

— Você estava beijando o namorado da minha amiga na frente dela e ela não gostou nada disso.

— Pelo amor, Mi… — Ele é impedido de prosseguir com a frase.

— Calado, Jungkook.

— Que eu saiba ele nem namorada tem mais. — Reviro os olhos. — E, além do mais, se ela não gostou que eu beijei o meu namorado, por que ela própria não veio tirar satisfação do ciúme e despeito dela comigo, aqui, e mandou você? Desde quando amiga tem que ser baba ovo e cheira peido dos outros? — Falo séria e Jungkook gargalha do meu lado, apertando minha cintura.

— O-oras! — A pose de durona dela se quebra todinha e a frustração invade seu rosto. Sorrio internamente.

— Gata, desculpa dizer, mas se ela se doeu, quem devia vir era ela, não você, sinto muito em dizer que você foi uma otária. Agora deixa eu beijar meu namorado em paz, sim? Ou vai querer ver até onde os beijos vão chegar? — Provoco e puxo a cintura de Jeon com possessividade evidente. — Vem, Jungkookie, vamos embora. — Falo com manha no pé de seu ouvido e beijo seu pescoço. Sua pele se arrepia e eu rio.

— Aham… Tchau, Miyen. — Acena, zonzo.

Dou as costas para a tal Miyen e Jungkook sorri bobo até sair da loja. Quando já estamos bem afastados do estabelecimento, eu me desgrudo dele e resmungo. Cruzo os braços e faço um bico casto nos lábios. Jeon repara e me abraça por trás.

— Por que tanta raiva?

— Eu realmente tô com sono, Jungkook. — Resmungo com manhã, passando o indicador sobre a pálpebra direita. — Eu quero tirar nem que seja dez minutinhos de descanso. Hoje o dia foi cheio! Fiquei de sutiã na frente do ensino médio todo dentro daquela universidade, ainda bem que os universitários não viram meu estado, já bastava o ensino médio, os universitários seria azar demais, que horror; tive crise de ansiedade e chorei feito um bebê; não me concentrei nas últimas aulas do dia e depois tenho que me informar mais sobre o assunto contigo; comi uma comida porreta hoje, e que delícia; e agora acabei de dar um gostinho de vingança na sua ex namorada. Ai, ai, hoje o dia foi turbulento demais e eu realmente tô cansada e com sono. Acho que quero tomar um banho quentinho! E só ir dormir.

— Mas você prometeu que ia comer lá na minha casa hoje! — Fala com tom de reprovação e eu franzo o cenho para si.

— Hein? Desde quando eu disse isso?! Garoto, faz nem uma semana que a gente se conhece direito! Você acha que eu vou pra sua casa comer?!

— É. — Dá de ombros e eu bufo, porque ele tem razão. Jungkook viu o estado da minha cozinha hoje mais cedo e não vai desistir até eu disser sim, e por isso eu solto:

— Pois então você está devidamente certo, meu caro! O que vai ser o rango, hein?

— Ainda não sei, mas a Lee comprou cinco polvos, então vai ser algo bem gostoso! — Sorri. — Eu pedi pra ajudar na janta de hoje.

— Vai querer minha ajuda também?

— Não preci…

— Certo, vou ajudar.

— Mas não precisa, (S/n).

— Mas eu vou, Jungkook. Além do mais, eu meio que não conheço ninguém da tua casa, nem você direito eu conheço, rapaz!

— Bem, você me conhece mais ou menos e detesta a Jennie.

— Espera, o quê?! — Escuto ele apertar um botão e o carro liga, alertando-nos que está a dez carros de distância com o alarme ecoando o estacionamento.

— A Jennie meio que é filha da Lee, sabe? E a Jennie pra ganhar um dinheiro extra e ajudar a mãe, trabalha lá em arrumar os quartos… Então a Lee, por ser a empregada mais velha da casa, tem um alojamento no terreno da minha casa e a Jennie mora lá… — Ele abre a porta para mim e eu passo por ele, sentando no banco, atônita.

— Eu não acredito que vou ter que suportar aquela insuportável hoje, de novo! Argh, que raiva!

Cruzo os braços revoltada e ele engole em seco, passando o cinto de segurança pelo corpo.

Imito seu ato e dou um suspiro, ajeitando a bolsinha no colo. Desbloqueio o celular com a impressão digital e ligo os dados móveis, recebendo notificações de um aplicativo de livros em que os alugo, dizendo ter atualização e o livro de A Bela e A Fera ter acabado de chegar com um novo preço e se eu aceito o aluguel. Recuso, porque o livro que quero mesmo não tem e mesmo assim nem quero alugar. Suspiro desgostosa. Jungkook parece notar meu descontentamento e segura minha mão entre os longos dedos, balançando-os no ar com alegria.

— Que carinha é essa, Sasa?

— Eu tenho um aplicativo aqui que alugo livros pra ler e tal, tal, tal, mas o livro que eu quero não tem. E mesmo assim nem quero alugar, eu quero comprar mesmo. — Solto minha mão da sua e ele me olha surpreso.

— Gosta de ler livro?

— Claro, panaca!

— Ah, por isso tantos apelidos e xingamentos com minha pessoa. — Eu rio nasal. — Qual o nome?

— É O Pequeno Príncipe! — Exclamo feliz e ele me olha sorrindo. — Meu pai comprou um pra mim no meu aniversário de sete anos e eu lia direto! Foi assim que aprendi a gostar de ler, mas, tipo, eu não tenho mais. — Abaixei a cabeça e ele virou o carro, parando no sinal vermelho.

— Por quê?

— Meu pai me deu ele quando era vivo e disse que quando eu sentisse medo o lesse toda vez. Quando ele morreu, eu coloquei o livro no caixão, em cima dele.

— E por que fez isso?

— Ele falou que quando eu sentisse medo sempre lesse O Pequeno Príncipe, e achei que se ele sentisse medo também depois da morte, ele devia ler o livro pra não se sentir só ou com medo. — Sussurro baixinho e fungo cabisbaixa. O sinal abre e ele volta a andar pelas ruas pouco movimentadas.

— Eu sinto muito. — O Jeon pega minha mão com delicadeza e junta nossos dedos, apertando minha palma para me passar segurança.

Sorrio e o olho.

— Obrigada, JJ. — O sorriso que Jungkook dá ao escutar as siglas de seus nomes sair em forma de apelido é a coisa mais satisfatória e já não me sinto pequena e insegura sem meu pai, porque tenho um desconhecido idiota que me deixa feliz e acolhida a cada palavra proferida e a cada mínimo detalhe que ele repara em mim.

Eu sinto que ele só não me quer ver chateada, como a sua amiga fez hoje de manhã. E, nossa, como isso é gratificantemente lisonjeiro!

Sinto as pernas fraquejarem e o corpo inteiro treme em surpresa no banco; tenho a visão da casa de Jungkook que mais parece uma mansão, e se brincar é uma, e isso tira todas as minhas dúvidas de uma vez por todas de que Jeon Jungkook é…

— RICO! VOCÊ É RICO?! Por que não me disse que era rico?! Eu já tinha desconfiado, mas pensava que era coisa da minha cabeça um cara bonito e todo gostoso como você ser ainda por cima rico! Ai, meu Deus! — Arregalo os olhos e passo a mão pelo cabelo, o puxando para trás. — Eu não acredito que você é rico. — Sussurro, com um fio de voz, e ele ri nasal.

— Eu não sou consideravelmente rico, (S/n), eu trabalho de vez em quando com meu pai pra receber um dinheiro a mais da mesada e tudo mais, mas não sou rico, rico; eles que são. — O dar de ombros que ele dá me deixa indignada. Abro a boca em um perfeito "O" e solto tudo de uma vez. — E obrigado pelo elogio.

— Mas isso não quer dizer que de qualquer jeito você tem uma grana gigante nesse teu bolso, seu abobalhado! — Bato no bolso frontal da sua calça e ele ri mais. — Argh! Para de debochar de mim! Eu juro que te dou um soco.

— Ah, tá. — Não dou um soco, mas sim o tapinha fraco no íntimo do rapaz, que arregala os olhos e cobre ali. — A-ai!

— Ah, qual é, nem foi tão fraco, até meu peteleco é mais forte que isso. — Me remexo no banco, tentando não rir. O vestido levanta um pouco com o ato e lá vai eu abaixar.

— Você não tinha esse direito, (S/n) Santos! — Ameaça e eu arregalo os olhos quando percebo ele falar sério.

Dou um risinho fraco e tiro o cinto de meu corpo. Abro a porta do carro e fujo, segurando fortemente o celular e a bolsinha entre os dedos, então me toco de que o celular ainda cabe na bolsinha e paro de correr pra colocar o aparelho ali dentro. Eu juro, juro mesmo, que pensei estar longe o suficiente do Jeon, mas foi só eu fechar a bolsa e levantar a cabeça que na mesma hora a palavra sai:

— Uh-oh… — Corro e grito, vendo ele mais próximo de mim. — Ah! Sai, Jungkook, sai!

Ele corre mais rápido que eu — até porque se um cara desse que tem uma cintura fina que só a porra deve malhar demais, né — e quando vejo, estou sem saída prensada contra o carro. Eu rio, mas aí sinto ele agarrar meus pulsos e os colocar sobre meu bumbum e um arrepio me invade. Começo a tremer de medo quando vejo flashbacks de meu maior trauma na vida passar diante de meus olhos.

Você não vai escapar de mim, nem adianta. — Seu tom é brincalhão, mas eu estou tensa e suando frio. Começo a entrar em pânico e a voz não sai da garganta e eu me remexo num desespero só.

— Jung… — Sou interrompida por mim mesma e seu nome sai incompleto, com um gemido de súplica. Vejo por cima dos ombros ele franzir o cenho. — Me solta… — Falo por fim num fio de voz, sentindo toda a ansiedade se aflorar e minha respiração sumir de meus pulmões.

Jungkook me solta rapidamente, mas me pega no colo com delicadeza quando repara que vou cair por estar trêmula o suficiente para nem em pé ficar. Me agarro ao seu pescoço com o resto de força que me resta e eu choro ali, feito um bebê indefeso. Seus braços rodearam minha cintura com carinho e sinto o arrependimento bater em seu ser por ver meu estado de espírito. Mas não é minha culpa, só sinto todas as sensações, os toques sujos por meu corpo sem meu consentimento e a mesma frase que Jungkook me disse ser pronunciada diversas vezes ao longo dos dias, das semanas, dos meses e dos anos. Sou feita agora de uma pura ansiedade que se aflora e me sensibiliza.

Sim, eu choro de novo àquele dia. Sim, eu me sinto confortável quando Jungkook me passa sua segurança. Mas, não, não estou bem.

— Desculpa… — A culpa é evidente em sua voz embargada e eu me agarro mais a seu pescoço, quando sinto que a ansiedade diminui e eu já posso me mover, que já posso tentar me tranquilizar um pouco. Porque antes eu só estava chorando desesperada entre seus braços, sem conseguir me mover por medo e por impulso de meu psicológico.

— Não me solta, Jungkook… Por favor. — Imploro, falando em seu ouvido com a voz embargada na minha manha e medo e insegurança. — Eu não quero cair de novo, Jungkook, eu não quero mais chorar nem sentir nem desmaiar mais! — Exclamo contra seu ouvido. — Não me prensa mais daquele jeito, não… Não brinca mais comigo daquele jeito horrível, por fav… A-ah! — A fala se perde e eu dou um grito fraco, porque sinto a garganta falhar miseravelmente e arder a cada mínimo esforço, liberando mais as lágrimas que não cessam.

— Tudo bem, não faço mais. Me desculpa, me desculpa. E-eu não sabia… Me perdoa, (S/n)... — Sua culpa sai junto com o meu medo; as lágrimas escorreram pelo seu rosto bonito e ele me prensa mais ainda contra seu corpo.

O tempo parece não passar enquanto ainda estamos assim; juntos e abraçados, tremendo e desconcertados, magoados e com medo, chorando e chorando e chorando sem fim. Eu fungo, me sentindo melhor, e encosto a bochecha em seu ombro, fechando os olhos. Minha cabeça está virada para o lado da sua e não pra rua, mas de todo jeito é como se eu estivesse sozinha, sem e com Jungkook. Sinto os olhos queimarem em mim e falo, mais calma:

— Eu já tô bem, JK, só quero descansar um bocadinho. — Ronrono e me enrosco em seu pescoço, quase sorrindo quando escuto seu riso fraco. Ele debocha de bom humor:

— Quer que eu te leve no colo, como aquele estilo clichê de noiva, para dentro da minha casa e te deixe dormir na minha cama?

— Já tô pronta, gatinho. — Dou um pulinho num fraco impulso e ele me pega mesmo em estilo noiva.

Abro os olhos finalmente e ele me olha. Repara em cada mínimo detalhe meu e eu no seu. A pintinha abaixo do lábio, a cicatriz na lateral da bochecha esquerda, os lábios finos e brilhosos, os brincos cintilando pelas orelhas, batendo uns contra os outros, e a pintinha escondida no lado esquerdo do nariz.

Reparo em tudo.

O modo como o cabelo parece ser sedoso, até como é a maciez de sua boca junta à minha. Eu juro que tentei odiar ele com todas as minhas forças por interromper algo que estou planejando faz meses, eu juro mesmo! Mas simplesmente não deu, ele me encheu de vida em tão pouco três dias. Jungkook fez eu me lembrar qual o significado da vida sem o seu trauma constantemente ao seu lado em sua morada. Acho que eu ia odiar o Jungkook se não tivesse visto o bilhete de Trevor dizendo que estaria fora por conta do trabalho por uns dias.

Fecho os olhos e me agarro a seu pescoço, escutando ele conversar com um segurança, que ri nasal e diz que eu "devo estar muito cansada física e psicologicamente",  é claro que eu estou, seu pateta ambulante! Oras.

Jeon agradece quando o segurança abre a porta da mansão para si e sinto o mesmo me pular em seu colo para cima, agarrando com mais força minhas coxas e costas. Gemo sensibilizada ainda e arranho sua nuca de propósito. Ele ri envergonhado e pede desculpas. Eu somente resmungo. Eu hein.

— Jungkook?! É você?! — Uma voz enjoada vem mais afastada de nós e eu reviro os olhos nas órbitas fechadas, me agarrando mais ainda, caso isso seja possível, ao seu pescoço avermelhado pelas minhas unhas que lhe arranharam. — O…? O quê?! Por que está com ela? E por que ela está no seu colo?!

— Ela tá cansada e você nem sequer me dirija a palavra, você é a última pessoa que quero ver! Licença que ela vai dormir no meu quarto! — Seu tom sai tão rude e com tanta repulsa que me sinto culpada por ele tratar a amiga de infância desse jeito por conta de uma desconhecida.

— Mas você não é nada dela! — Consigo reparar na provocação ácida que sai de seus lábios e interligo tudo; foi como eu pensei e como Jungkook deve também ter pensado.

— Desde quando minha namorada e eu te devemos satisfação? — Foi simplista com as palavras e eu sinto — infelizmente só sinto mesmo, porque ainda estou de olhos fechadinhos e sinto o sono bater em meu ser, sei que dormi a tarde toda, basicamente, mas eu tô cansada faz meses e hoje o sono tá maior e quero e tenho o direito de dormir que só a porra, né — sua boca se abrir em descontentamento quando sai de seus lábios o:

— Mentira que você tá namorando esse tribufu estrangeiro, né?!

— Eu namorei a Lisa, que é Tailandesa, quem é você pra me julgar por agora namorar uma brasileira? Só porque você não gosta dela como gosta da Lisa? Ah, Jennie, me poupe. Com licença.

Ele a deixa falando sozinha em sua indignação e eu agradeço imensamente quando ele sobe as escadarias grandes da mansão. Sinto sua mão suar em minhas coxas e franzo o cenho. Ele para e me encosta à parede, para tomar todo o cuidado ao abaixar meu vestido que subia conforme ele também subia as escadas.

— Eu não sou pesada demais, não, Jungkook?

— Se brincar, você é mais leve que a Jennie, e olha que você tem um corpo que… Uau!

— Para de ser besta. — Resmungo e abro os olhos, encontrando suas orbes juntas às minhas.

— É sério, ela se mexe demais e você é quieta, o que facilita muito. — Dá de ombros. — Aliás, eu malho, isso é quase que um treino. — Ri nasal e balanço a cabeça negativamente.

Já até imaginava que malhasse, com um fôlego todo daquele, quem não repara? — Falei e ele franziu a testa. Foi minha vez de dar de ombros, vendo ele não entender nada com minha fala retórica dita em minha língua natal. — Nada, nada. — Balanço a cabeça.

Volta a andar comigo em seu colo como se fosse uma flor de tão leve.

— Sua voz é ainda mais linda em sua língua natal. — Sorri fofo pra mim e sobe o último degrau da escada. — É um charme, senhorita Santos.

Adentra um quarto comigo em seu colo.

— Obrigada, senhor Jeon.

Com muito cuidado, o Jeon me deita em sua cama e me sinto tão feliz em saber que pelo menos alguém quer o meu bem que me agarro a um dos travesseiros grandões — tipo, muito grandes mesmo, são do meu tamanho, velho — e o olho manhosa. Ele ri nasal e murmura um "Fofa" antes de pegar minha bolsa e tirar dali meu celular. Ele liga o aparelho e acho que tenta descobrir a senha reserva, mas sou enganada quando vejo que ele tira uma foto minha e sorri derretido. Reviro os olhos e sinto o rosto esquentar.

Fungo.

Ele me mostra a foto e, na real mesmo, eu coro violentamente quando vejo o ângulo tão bem tirado de mim. Me aqueço até a ponta do dedo mindinho do pé esquerdo e sorrio, sentindo os olhos se encolherem com o tamanho em que foi alargada minha boca nesse sorriso instantâneo.

Todo o meu ser se acalma e o Jeon joga por cima do meu corpo um cobertor fofinho, que pego e me agarro nele, ainda com o travesseiro em braços. Ele se levanta e fecha a porta na chave, liga um aparelho de música e aumenta o volume. A música que soa é tão melodiosa e suave que me faz fechar os olhos para apreciar. Mas sem perceber caio de novo no sono.

Não tão profundamente assim, porque ainda consigo escutar ao fundo do subconsciente os passos leves, ao menos o que ele tenta fazer, de Jungkook por todo o cômodo. Escuto o barulho de cortinas se fecharem e consigo sentir o quarto mais escuro. Seu peso distribuído pela cama ao meu lado me deixa mais tranquila em saber que ele não vai sair ou vai me deixar sozinha. Simplesmente porque eu não quero, e simplesmente porque quero ele ao meu lado até eu conseguir dormir de verdade ou até quando eu acordar.

Sinto uma onda de euforia me inundar a alma e a calmaria que eu quero sentir vinte e quatro horas por dia durante toda semana, todo mês e todo o ano desde minha mudança para outro país finalmente me acerta em cheio e me sinto preenchida de merecimento por tão pouca coisa. Ou era assim que na cabeça de Jungkook dizia, porque convenhamos que isso aqui é demais até pra mim, né! Sou simples!

Ou pelo menos é o que na minha cabeça se passa. Ai, ai, vida de pobre iludida num mundo perfeito para depois ser destruído por um filho da puta é foda, galera.

Formo um bico manhoso nos lábios sem perceber — até porque eu tô dormindo mas não sei como consigo pensar em tanta merda, esse é o meu sonho: pensar em um monte de besteira enquanto durmo porque se for pra sonhar mesmo eu vou acabar tendo pesadelo — e sinto uma maciez conhecida ainda hoje por mim encostar nos meus lábios rechonchudos.

Realmente não penso direito quando sinto e muito menos quero me lembrar do que quer que isso possa ser ou signifique, porque estou tão cansada física e psicologicamente ultimamente, nesses últimos anos, que só pra isso me sinto relaxar mais ainda. Quero entender de onde tá vindo tanta calma nesses últimos dias, sinceramente.

Mas, sabe, eu consigo sentir perfeitamente quando o senhorio ao meu lado sobe o cobertor e se enfia nele, se encolhendo enquanto puxa meu corpo para perto de si. É estranhamente confortável isso, enquanto ainda consigo escutar a música reverberar por meus ouvidos e só uma palavra poder me representar neste momento em específico:

Calmaria.

***

Resmungo longamente, me remexendo na cama bagunçada, sentindo a textura dela ser incrivelmente macia ao meu ver. Mas o que resmungo não é por estar acordando num bem bom desses, o que resmungo é o simples fato de acordar escutando vozes um tanto quanto altas dentro do quarto fechado.

Estranho isso e a consciência vem finalmente, me fazendo escutar com atenção a conversa desses dois seres que me despertaram tão insignificantemente.

— Omma, eu já te disse que ela não é minha namorada!

— Então por que você veio com ela até aqui em casa e passou o dia todo fora, com ela?! Por que disse à Jennie que ela é sua namorada quando não é?! Por que me escondeu que está possivelmente namorando e que agora a garota está dormindo ali, na sua cama, possivelmente depois de ter dormido, no outro sentido, contigo?!

— Omma… — Resmunga. — A gente não namora! Eu simplesmente…

— Ele simplesmente tem pena de uma garota que tem depressão por motivos horríveis… — Interrompo ele e fungo, me sentindo novamente insuficiente nesse mundo e agora nessa casa. Me sento na cama e abraço meus joelhos, virando a cabeça para o lado oposto, tentando ao máximo desviar dos olhares espantados dos dois para comigo.

— E-eu… Quê? — Sua mãe falha e a pergunta que sai entre seus lábios é o mínimo para me fazer suspirar, sentindo o marejar constante nos olhos.

— Seu filho, ele… — Direciono o olhar à mulher, que agora me olha com pena e pesar por reparar na minha voz embargada em tristeza, esta que está prestes a eclodir e sair em forma de lágrimas quentes por meu rosto. Respiro fundo, olhando indiretamente para ela. — Seu filho é um "amigo" meu. — Faço aspas. — Ele e eu nos conhecemos quando eu estava tentando me suicidar. — Dou de ombros e vejo ela arregalar mais ainda os olhos, fraquejando miseravelmente sobre as pernas cobertas por uma calça pantalona muito chique. — Ele tem me ajudado desde esse dia pra que esse acontecimento não aconteça novamente… — Comprimo os lábios.

Viro a cabeça em outra direção e olho para baixo.

— Sinto muito se ele tentou me ajudar a não desaparecer desse mundo por minha própria vontade; eu tentei retribuir o favor beijando ele em frente a ex namorada dele para dar um gostinho de vingança na boca daquela víbora. Sinto muito mesmo. — A visão já está embaçada e vejo ela andar incerta até mim. — Eu realmente sinto muito, senhora… — Choro, me sensibilizo novamente àquele dia e me sinto tão insuficiente quanto em toda a vida por em um dia só chorar mais de três vezes.

— Eu quem peço desculpas, meu anjo…

Sinto ela passar as mãos trêmulas delicadamente por meu rosto inundado em lágrimas e puxar em sua direção, sorrindo terna para mim. Me surpreendo quando a vejo me abraçar compreensiva e choro mais em seus braços, sentindo-me bem mais refugiada.

Ela também desaba e para que ninguém escute o nosso choro meio que alto, Jungkook aumenta o som do aparelho de música. Me agarro a seu pescoço cheio de colares caros e encosto a bochecha em seu ombro.

— Obrigada! — Fungo e me afasto dela. Me sinto corar mais do que já estou pelo choro quando a vejo sorrir fraco para mim.

— Me desculpe caso fui indelicada, doce. Só achei estranho meu neném não me falar nada quando ele só tem a mim por esses tempos. Jungkook não está mais perto da irmã por ela estar cursando enfermagem nos Estados Unidos e o pai estar fazendo companhia a ela por esses primeiros meses… Me desculpe mesmo! Eu me sinto tão culpada agora por ter falado daquele jeito de você… Como se fosse um objeto sem valor… Não sabia que você fosse ser tão mais frágil, garotinha. — Sorri, e o sorriso se desmancha ao finalizar a frase com um: — Muito menos sabia que tinha depressão, o que sensibiliza tudo mais ainda. — Os ombros estão tensos e Jungkook se aproxima de nós. — Mas… Podem me fazer um favor?

— Por gentileza, diga. — Fungo ao dizer.

— Me digam como que isso aconteceu exatamente.

— Tudo começou há uns três dias, Omma… — Ele começa e eu me levanto, pego o celular em cima do criado-mudo e vou ao banheiro.

Limpo o rosto com cuidado, tirando qualquer resquício de maquiagem ainda existente no meu rosto. O ruim é que o rímel é à prova d'água, e, caralho, como isso vai demorar para sair!

Procuro por, qualquer que seja, um produto para tirar isso com mais facilidade. E por incrível que pareça eu encontro exatamente um demaquilante semi-aberto. Penso em pegar um pouco de papel higiênico, mas me toco que se Jeon Jungkook tem demaquilante, tem, com toda a certeza do mundo tem aqueles algodões especiais para tirar essa maquiagem aqui da minha fuça, né!

Abro cada gaveta que encontro por ali e encontro camisinha antiga, gel para cabelo já no final, fio dental jogado de qualquer jeito, perfumes muito bem alinhados, sabonetes em barra e líquidos, óleos corporais que me deixam boquiaberta, e pente de cabelo. E quando penso que já acabou e que vou ter mesmo que usar o tal do papel higiênico, me deparo com o tamanho exorbitante desse banheiro. Se já é gigante dentro do quarto dele, imagine um fora do quarto dele para as visitas?! Meu Deus, me arrepio só de imaginar.

Reparo na jacuzzi branca em detalhes dourados bordados ao seu lado em desenhos lindinhos de flores ou pétalas delas e em todos os sais minerais para um devido banho de espuma, e isso me parece tão tentador que mordo o lábio apreensiva. Aperto o celular entre os dedos e hesito se devo ou não chegar mais perto e me encantar mais ainda com a banheira, mais do que já estou, né. Deixo o celular num canto seco e seguro ao meu ver e passo a mão pela borda da banheira.

Me arrepio toda com a sensação de calmaria que seria sentir a água até mesmo morna em contato com esse corpo cansado e consideravelmente morto de tanto dormir. Coço a nuca e olho para trás. Sei que não seria possível eu tomar banho nessa jacuzzi deliciosa porque nem roupa eu teria aqui comigo. E eu já, já teria que ir para casa. Aliás, que horas eu cheguei aqui e que horas são agora mesmo, hein?

Que eu me lembre, eu cheguei aqui era bem umas três e meia, quatro horas, não? Então isso quer dizer que… Bem, é melhor eu olhar a hora antes de me precipitar dizendo ser…

Ai, meu Deus! São mais de seis e meia da noite! Eu dormi tanto assim?! — Penso em correr de volta para a porta e ir para casa, mas Jungkook e sua mãe estão parados ao lado da porta, me olhando atentamente com um sorriso abobalhado nos lábios. Franzo o cenho e eles desmancham o sorriso envergonhados. — Eu tenho que ir… Está tarde e… E… E…? Espera, nem sequer tem gente em casa, como e por que estou me preocupando em chegar mesmo cedo em casa? — Fico indignada comigo mesma e me lembro que não é aqui que eu moro e que, claramente, é lá onde eu tenho minhas roupas pra dormir confortavelmente. — Droga! Eu tenho mesmo que ir pra casa… Não tem ninguém lá além de mim por esse meio tempo, mas eu nem tenho roupa aqui pra… Tomar banho nessa bebê aqui. — Suspiro sonhadora e passo a mão pela jacuzzi. — Droga, eu me apaixonei mesmo por uma banheira de meia-tigela de gente rico?! — Bato o pé revoltada e me toco de que falei isso em coreano, e não em português, e agora eles me olham de cenho franzido, acabando por rirem da minha ilusão. — Tá bem, tá bem, parem de rir. Já chega. Eu realmente tenho que ir pra casa. — Resmungo e cruzo os braços.

— Sua amiga é engraçada, docinho. — Sorri contente. — Oh, jante conosco, por favor! E durma aqui, vai ser melhor, se não tem ninguém na sua casa, é melhor dormir aqui, estaria mais calma. — Ela hesita em falar sobre isso, mas entendo. Ela está preocupada que eu me sinta chateada por conta da depressão. Que coisa fofa.

Isso é fofo demais de sua parte e agora entendo de quem Jungkook herdou toda essa sua gentileza e tanta empatia com os outros.

— Mas se eu aceitar, nem teria como eu… Você sabe, eu nem tenho roupa aqui, senhora Jeon!

— Primeiramente que é Jeon Sun-ji, então me chame somente de Sun-ji, querida! Segundo que Jungkook sabe onde você mora, certo?

— Aham! — Balanço a cabeça em confirmação.

— Pois bem! Ele vai lá e pega uma muda de roupa pra ti! — Sorri abertamente e dá um tapa no ombro do filho, antes de juntar as mãos ao rosto. Eu realmente ri com a cena.

Nego com a cabeça.

— Seu filho. Pegar uma. Muda. De. Roupa. Pra. Mim? — Falo mais pausadamente do que eu achava que seria possível e rio nasal. — Ele nem…

— Sem mas, anjinho! — Resmunga e faz careta. — Ele vai lá sim e ponto final! E, moleque, pegue roupas íntimas que você ache que são confortáveis pra ela e que seja dela, viu?! — O olha indiferente e ele arregala os olhos, corando e engolindo em seco.

— M-mas, Omma...!

— Nem vem, Jeon Jungkook! Se você sabe tirar calcinha e sutiã de garotas quando têm um relacionamento com elas, você também sabe escolher peças de roupas íntimas que passe pela sua cabeça ser confortável para a garota! Você pensa que eu não sei que você não é virgem?

— Eu nunca escondi que era… — Resmunga e leva um tapão em sua cabeça. Eu gargalho alto.

— Me respeite, seu malcriado! Agora vá lá depois de explicar a ela como ela faz pra namorar a paixão da vida dela que é essa tua jacuzzi. Anda, anda, Jeon Jungkook. — Balança os braços em exasperação e sai do banheiro resmungando.

Troco um olhar com o Jeon mais novo e juro que me seguro para não rir de sua indignação eminente. Mas eu não me seguro e rio, rio tanto que quase caio na jacuzzi, mas quando me equilibro adequadamente rio mais ainda.

— Aish.

Ele vem até mim e liga a jacuzzi, e faz mais uns caralho a quatro até finalmente deixar a banheira cheia de espuma. Pulo animada e expulso o próprio dono do quarto e do banheiro para fora do último dito. Me tranco ali e ajeito o cabelo, fazendo um coque no alto da cabeça, deixando até mesmo a minha raiz dolorida por um tempo. Jogo o vestido ao chão e tiro a calcinha. Me toco agora de que quando Jungkook me deitou na cama tirou minha rasteirinha e agradeço mais ainda, só que mentalmente, por ele ter sido tão cuidadoso e delicado.

Todo o meu corpo entra em erupção quando entro na banheira e gemo em satisfação, sentindo a água morna me acalmar. Espremo os dedos dos pés e abro mais as pernas, as deixando flexionadas e apoiadas ao lado da jacuzzi. Sinto como se fosse borboletas no estômago quando todos os nós tensos do meu corpo se soltam gradativamente, conforme eu me deixe levar mais por estar em contato com essa belezura aqui.

Não tenho o que reclamar quando passo a mão por todo o corpo, tirando o suor da pele com delicadeza. Gemo em insatisfação quando passo a mão pela vagina dilatada. Pendo a cabeça para trás em repulsa, mas vendo bem, não é culpa minha. Eu sou introvertida demais e quando minha mãe se casou com ele eu já não me sentia mais tão à vontade quanto antes e como ele dizia para eu me sentir ou não.

Trevor reparava em cada detalhe de mim: não tinha amigos e muito menos fazia algum esforço para tal, minha vida não tinha tanto movimento e minha mãe estava começando a viajar bastante por uns dias e depois semanas, até se tornar uns poucos meses. E foi com isso que fui violada por aquele monstro. Mas eu vou fazer ele pagar!

Tive que trancar o segundo ano por seis meses para me adaptar melhor à Coreia e tudo mais; ao modo como falavam, agiam, como devia ser e como não devia. E me esforcei para voltar e concluir o segundo ano a tempo enquanto estava ainda me adaptando ao país, só que, aí, perdi foi o ano todo. Trevor veio, Trevor de mim abusou: Trevor me estragou psicológica, física e internamente de maneira devassa demais. O suficiente para que a depressão em pouco tempo viesse e dissesse “Oi, farei parte da sua vida por agora e estragarei sua auto-estima, te culpando pelo o que você não tem culpa. Me chamo depressão, e você?” e foi desse jeito que fiquei. Auto-estima? Hã, isso existe em mim, por acaso?! Tcs.

Jungkook me salvou naquele dia e me sinto tão agradecida com isso que… Nossa, até consigo enxergar que realmente não tenho culpa de ter sido estuprada, de ser frágil e por acabar tendo um inimigo mortal. É tudo culpa dele e ele vai ver. Sim, Trevor Black, você vai me pagar por me violentar por mais de um a dois anos, oh, se vai! Sim, Trevor Black, você vai ficar atrás das grades, vou te fazer sofrer por me deixar tão horrível comigo mesma.

Você agora que vai ter a depressão e eu que vou usar seu corpo a meu favor.

Vou ter e violarei seu direito como você violou o meu, e você vai perceber o que fez comigo.

Vou te fazer apodrecer como merece por ser o monstro que você é.

Mas para isso, eu primeiro preciso ter dinheiro para ter que pagar uma ou mais consultas com uma psicóloga, para isso eu vou ter que ter tratamento e vou ter que tomar remédios que me ajudem com a depressão e com toda a ansiedade que se apodera em meu ser por completo.

Não dá mais! Eu vou mudar para o meu próprio bem, mesmo que isso demore tanto.

Um sorriso satisfeito contornou meus lábios quando penso em que darei todo o troco que este ser merece e em como eu já estou bem mais leve em pensar bem sobre tudo que tem me atormentado durante anos. A depressão me consumiu por inteira e se dissipou por meu corpo, se apoderou de mim e me intoxicou de uma forma devastadoramente terrível por conta de um ser humano que pensa ser a última bolacha do pacote.

Tadinho dele, você vai comer na minha mão quando eu aprender a controlar meus sentimentos e minha dor, e quando ver, já não tenho mais medo e vontade de morrer por conta de seu sadismo para comigo.

Me sobressairei e ficarei por cima para ditar as regras. E elas serão as seguintes: só um sofrerá e irá chorar e querer morrer de agora em diante, e será somente quem me fez ter todos esses pensamentos que vai ter isso posto sobre seus ombros, e essa pessoa vai ser definitivamente Trevor Black.

Afundo na jacuzzi e a água encosta indiretamente em meu cabelo, passo no mínimo dez segundos assim até voltar para respirar devidamente.

— Eu te odeio, seu monstro.

Simples, eu pensei nisso tudo, mas me senti insuficiente demais e mais ainda humilhada para conseguir fazer tudo isso e agora estou abraçada aos meus joelhos como uma criança que acaba de perder a mãe e está devastada com a sensação que é.

— Ah, papai, por que você morreu? Por quê?! — O choro da indignação vem em uma corrente de arrependimentos e insuficiências constantes e me pego saindo da banheira para me enrolar num roupão grande, fofo e branco. Abraço-me a meu corpo e choro em silêncio, escorregando pela parede até o chão, envolta de um roupão e melancolia por todo o ar que é tão tóxico que quando inspiro sinto o queimar nos pulmões. — Por que o senhor se foi e não levou a sua princesinha, papai?

As lágrimas caem sem permissão vinda de minha parte e me sinto tão cabisbaixa que passo mais de dez minutos naquela posição, sem me mover, só soluçando enquanto choro feito uma criança indefesa. Jungkook chega e com a hesitação existente em sua voz, diz que trouxe tudo que eu preciso e que vou precisar. Ele escuta o meu choro e prefere não perguntar mais que uma vez o que houve comigo e eu só respondo que é só muito amor para uma banheira dessas.

Mas ele percebe que é mentira e prefere não me interrogar ou forçar a dizer o que realmente é e eu prefiro que ele vá embora e me deixe assim, e ele faz isso, como se lesse meus pensamentos.

Fungo, choro e sinto o rosto inchar todinho e corar, coberto por lágrimas grossas e salgadas que me enchem a alma de forma densa e horripilante.

Me levanto a custo e abro a porta, pegando a mochila que ele deixou ali, encostada à madeira, e pego a muda de roupa e peças íntimas que ele trouxe.

Visto uma camisa moletom preta enorme e um short justo cintura alta; tudo é em moletom e tudo é preto, mas as peças de roupa íntima que ele me trouxe não são em moletom — óbvio —, mas é confortável o bastante para ele ter reparado nesse detalhe e eu sorrio chorosa com isso. Não visto sutiã, mas coloco uma meia nos pés para os aquecer, porque agora começou a chover bastante. E olha que à tarde estava um calor do inferno!

Saio do banheiro depois de organizar tudo bonitinho e colocar o vestido e a calcinha antes usados ao lado do cesto de roupa suja de Jungkook. Pego o celular e a mochila, deixando tudo ao lado da cama.

Hoje eu bati meu recorde! Chorei quatro vezes e mesmo assim ainda quero chorar mais. Eu realmente quero saber quando que esse maldito sofrimento vai ir embora de uma vez por todas, porque eu realmente não aguento mais! Mas que inferno!

Saio do quarto e ando com passos pesados e lentos e calculados até ver Jungkook e a mãe sentados à mesa com uma mulher muito fofa e Jennie ao seu lado. Jungkook está tenso e não olha para Jennie, que está chateada e não faz questão de manter contato visual com o maior.

Vou ainda hesitante me sentar junto deles para jantar e não reparo qual a comida que está sendo servida, somente me sento ao lado do Jeon mais novo, que quando me vê dá um sorriso aberto e feliz.

— Come. É… — Interrompo.

— Eu estou sem fome, Jungkook… — Comprimo os lábios e vejo de esguelha Jennie revirar os olhos.

— Mas… Olha, tenta comer nem que seja um pão com queijo e presunto, tá? Você não pode ir dormir de barriga vazia… — Passa a mão pelas minhas costas de forma acolhedora e eu nego. — Vem, eu vou fazer pra você.

— Eu já disse que não precisa, bocó! — Exclamo envergonhada.

— Para de ser marrenta e chata, anda, sua chorona.

— Vou te bater por me chamar de chorona, Jungkook! — Ele me levanta da cadeira e segura minha mão, me levando até a cozinha. Fungo um tanto alto. — Tá, senhor chefe de cozinha, faz alguma coisa aí pra eu não "morrer de fome". — Dou de ombros e me sento numa cadeira da bancada branca centralizada na cozinha grande e chique.

Sinto olhares em cima de mim e quando olho para trás vejo três pares de olhos em mim, que quando veem que os reparo viram a cabeça para o lado contrário e fingem que não estavam me olhando. Resmungo baixinho e volto minha atenção ao garoto, que agora está colocando mais de trezentos queijos diferentes num maldito pão; uma fatia de um queijo aí e presunto, outra fatia e outro presunto. Mas, gente… Quando ele termina, eu juro que vai me dar, mas coloca dentro de uma frigideira posta sobre o fogão.

— Hein? — Franzo o cenho e me aproximo mais.

— Você vai entender.

Ele corta um pedaço de manteiga e coloca dentro da frigideira, agora indo fazer outro sanduíche-de-gente-rica. Apelido feito por mim, tá legal? Ele pega o outro pão e coloca numa boca vazia do fogão e eu me levanto da cadeira, ficando ao seu lado enquanto vejo ele ligar a boca do fogão e deixar o pedaço ridiculamente pequeno da manteiga derreter, pra depois colocar o pão ali e pressionar até finalmente ver a mistura dos trezentos queijos derreterem e saírem nas bordas abertas do pão.

— Uhu. — Murmuro atônita e ele ri.

Me entrega o pão num pratinho charmoso e eu dou uma mordida a contragosto, enquanto ele faz o mesmo procedimento com o outro pão na frigideira. Mastigo o pedaço que tem na minha boca e arregalo os olhos. Resmungo de raiva e bato o pé, chamando sua atenção.

— Isso está ridiculamente bom. Argh, por que você tem que ser ótimo com comida, hein? — Falo de boca cheia, engolindo com dificuldade o pedaço.

O meu estômago ronca e eu me toco de que estou com fome e que Jungkook fez um, dois já que ele jogou o outro no meu prato, sanduíche bem gostoso só pra mim para que eu não morra ou passe fome mais tarde. Ele ri nasal e dá de ombros com aquele ar convencido ao seu redor. Reviro os olhos e tampo sua boca com a mão.

— Cala a boca e deixa eu comer isso aqui antes que eu me arrependa, valeu?

— Certo, chefia. — Assente sorridente.

Dou outra mordida e outra mordida, até não ter mais o pão em mãos. E depois de uns minutos nem o outro. Bebo um pouco de água e faço careta. Não queria admitir, mas o bichinho tem uma mão boa com temperos, hein.

— Estava gostoso. Muito bom, pra falar a verdade. Sério, obrigada. Ah, e, desculpa por não comer lá, eu estou meio que cansada e… Acabei até chorando no banheiro, JK, me perdoa, de verdade. — Baixo a cabeça e olho para o prato ainda em mãos.

— Tudo bem. Aliás, adorei suas lingeries, pra uma garota que tem raivinha de mim, seu gosto é peculiarmente bonito.

— Eu vou quebrar esse prato na tua cabeça, seu besta! — Rio e bufo. Ele me acompanhou na risada.

Jungkook me sugestiona se quero assistir um filme e eu prontamente concordo. E assim que ele liga a TV, peço com urgência pra ele colocar num desenho.

— Virou criança do dia pra noite, foi?

— Eu só quero assistir um desenho, me deixa, seu chato!

— Ok…? Vem cá… Você gostaria de assistir ao tal O Pequeno Príncipe? — Sinto meus olhos brilharem e na mesma hora assinto descompassadamente, e não duvido nada que a cabeça vai doer com o ato. E dói, porque sinto como se fosse uma cãibra, tá me entendendo? Gente, não façam mais isso, na verdade não façam isso, dói demais da conta. — Pois bem, O Pequeno Príncipe!

Assim que ele dá play eu me encolho no sofá da sua sala, sinto toda uma euforia se inundar em mim e fico toda bobinha com cada acontecimento que aparece ao decorrer de tudo. Sei que Jungkook não entende uma palavra por ter colocado em minha língua natal, mas ele adiciona a legenda em espanhol e tenta entender melhor; ou como ele diz “tenta aprimorar a língua que ele está estudando”, vai nessa que eu caio. Meus olhos brilham com absolutamente tudo! Vejo as casinhas padronizadas do filme e acabo por rir, por ser algo tão estúpido, isso. E quando aparece a casa do Aviador, eu me sinto mais leve, lembrando cada detalhe do livro que li mais do que tudo nesse mundo, lembro dos acontecimentos que vi ao assistir o filme umas mil vezes e lembro do meu passado. Lembro do quão bom e significante fora tudo e o quão tristonho e melancólico se tornou da noite para o dia assim que meu pai morreu.

Não quero me lembrar os detalhes, mas é inevitável. Papai morreu num dia de chuva forte, quando houve um acidente horrível na rodoviária, minha mãe e eu estávamos lá e vimos tudo; ele era médico e saiu desesperado de dentro do carro para ajudar as pessoas feridas. Eu fiquei parada, lá, assistindo tudo horrorizada, minha mãe me impediu de sair porque disse que eu ia ficar gripada e que tudo ia dar certo, mas não deu. Meu pai tentou ao máximo ajudar a tirar as pessoas de dentro daquele carro e quando vimos, ele se foi, junto a uma explosão por conta da gasolina e uma mínima faísca. As peças do carro voaram para longe, mas o meu coração todinho se desmanchou e eu fiquei lá, chorando e gritando para sair e ver se meu pai estava bem. A explosão não foi grande, não o suficiente para mil pessoas morrer, mas foi o bastante para que alguns poucos pedaços do carro pulasse e voasse para longe.

Acontece que ele não estava, e eu muito menos. Minha mãe chorava em silêncio, eu chorava desesperada; não queria perder meu pai, a pessoa que eu mais amava e me entendia. Minha mãe? Ela não aguentou a pressão e seu luto foi ficar no trabalho em tempo integral. Quando chamaram ela para a autópsia, eu me desesperei, estava em casa, comendo cinco potes enormes de sorvete com a ansiedade batendo no coração e fazendo-o retumbar na caixa torácica; eu perdi meu pai e não queria que ele morresse sem pelo menos uma lembrança da filha. Não pensei duas vezes em devolver o livro para ele, deixando sobre o caixão. E não pensaria novamente nem duas vezes se o fizesse de novo.

Nem estava na metade do filme e eu já estava chorando desesperada com todas as emoções aflorando pelo livro, pelo filme e pela minha perda. É, eu realmente bati meu recorde de chorar num dia e, nossa, que irônico, não? Tcs… O braço ao redor dos meus ombros me tira um terço da tensão instalada ali e tiro minha concentração do filme para olhar Jungkook, que tem os olhos brilhando em preocupação.

— O que houve, hein? Minha mãe tá te olhando ali da cozinha...

— Eu tô lembrando de quando lia o livro, de quando assisti o filme e do quão frágil eu fiquei com a morte do meu pai… Acho que esse misto de sensações me deixa bem… Sabe, chateada, mas é a vida, né? — Fungo e forço um sorriso. — Eu só quero terminar de assistir esse filme sem chorar, quero depois ir dormir e me lembrar que tenho que acordar cedo pra passar o dia numa sala quente e com olhares direcionados a mim novamente por conta de uma coisa que sua amiga fez comigo… Eu só quero paz, Jungkook… Eu, sei lá, é difícil demais pra eu ter paz?

— Não pensa nisso, sua boba. — Sorri fraco e passa a palma grande por minha bochecha, e depois a outra, até entrelaçar os dedos em meu maxilar e puxar meu rosto para de encontro ao seu. Seus olhos estão conectados aos meus e o brilho de preocupação que ronda as orbes escuras me deixa hipnotizada, porque não sai nem mesmo num piscar de olhos.

E eu dou tchau, tchau para toda a realidade quando sinto ele aproximar os lábios de minha testa e ali selar um beijo longo e carinhoso. Meus lábios se comprimem num sorriso fraco e tristonho.

— Você é especial demais pra chorar, mocinha, então não chore mais e assista ao filme como você sempre assistiu, vendo os momentos bons e os ruins, os difíceis e os fáceis, os significativos e os insignificantes. Só, simplesmente não chore mais, (S/n), me preocupo contigo e te ver chorar é algo que me abala demais e me chateia. Agora pare mesmo de chorar pra não ficar com o nariz entupido! — Me repreendeu e eu solto um riso manhoso, me aninhando em seus braços.

— Obrigada, senhor JJ. — Ronrono e volto minha atenção ao filme. Ele ri nasal e estufa o peito em contentamento.

As cenas seguintes me fazem ficar em silêncio, me calo e assisto a tudo com a atenção merecida e fico boiola com tudo, tanto que, sem perceber, na parte em que a garotinha, que eu nem prestei atenção ao nome, chega à cidade do Empresário, eu caio no sono. Só me sinto pesar e a pele se eriçar quando sou pega no colo de maneira cuidadosa. Ouço vozes ao longe mas não consigo prestar atenção por estar muito exausta. Gente, convenhamos, estou com o saco cheio há mais de um ano, sabe? E eu dormir duas vezes hoje, tirar dois cochilos e dormir a terceira vez não vai fazer nenhuma diferença, eu ainda vou estar cansada e ponto final!

Sinto o colchão entrar em contato com minhas costas e resmungo, procurando o travesseiro grandão e o abraçando fortemente entre os braços. Gemo em manha quando me cobrem até o pescoço com um cobertor fofão e grande. Fico deitada em posição fetal, sentindo a sensação maravilhosa do frio da chuva misturado ao meu corpo todo cobertinho. Hoje vou dormir feito um bebê e tô nem aí.

O outro lado da cama afunda e meu corpo reage por si só, largando o travesseiro para me agarrar ao corpo quente e musculoso de Jungkook. Ronrono de novo em acolhimento e sinto todo o corpo relaxar, anestesiado. Ao fundo consigo ouvir uma voz e me forço a escutar o que se é falado. E coro violentamente quando escuto a frase sair pelos lábios bonitos:

— Vou te proteger, pequena.

***

A custo coloco a saia cafona do uniforme imposto e ajeito melhor para que não mostre minha bunda. Quando saio do banheiro me deparo com Jungkook já pronto, sentado com uma carinha de sono na cama. Rio fraco e ele arregala os olhos, se forçando a ficar acordado. Uma careta se forma em seu rosto.

— Essa saia está curta demais pro meu gosto, vem cá.

Ando até ele e me sento ao seu lado, que se levanta e vai em direção ao guarda-roupa, e ao abri-lo, tira um casaco enorme dali e me estende. Franzo o cenho e ele revira os olhos. Me levanta da cama e circula o casaco pelo meu quadril, dando um nó forte ali. Resmungo com a força que se foi desferida.

— Ai! — Ele me lança um sorriso fechado. — Como é cínico, Jeon Jungkook. — Cruzo os braços e lhe dou língua.

Pego a mochila e saio do quarto, ele vem logo atrás e anuncia que vai tomar café da manhã. Assinto e que abro sua mochila, pegando o caderno e copiando a correção da atividade que perdi. Formo um bico nos lábios e copio com calma, sentada no sofá com as pernas cruzadas. Todo o meu saco se vai quando vejo que boa parte da atividade eu errei as questões por conta de uma besteirinha. Bato o lápis nos lábios envoltos num bico e vou corrigindo com o resto de paciência que ainda me resta.

Jungkook volta e se senta ao meu lado de forma desleixada e me estende uma maçã, penso em recusar, mas ele tira o caderno de minhas mãos e copia o resto ele próprio. Reviro os olhos e dou uma trincada na maçã. Jennie passa por nós com a ira evidente nos olhos e no modo como anda e isso é realmente uma coisa tosca. Passo o polegar pela tatuagem do pulso e sorrio com ela. É tão lindinha que me deixa boiola.

Dou uma última mordida na maçã e me levanto, recebendo o caderno de volta. Guardo na mochila e agradeço. Jungkook estufa o peito todo cheio de si e lhe dou um peteleco na testa.

— Aish. Qual é. — Resmunga, rindo nasal. — Quanta agressividade, (S/n) Santos.

— Você que queria se mostrar, amado, agora sofra com o peteleco. — Rio e lhe dou as costas. Paro no hall de entrada e o espero. — Vamos, garanhão? — Chuto o ar e espero ele chegar bem perto de mim.

Bato com as mãos em seu peitoral de maneira descontraída e saio correndo até o carro, com o lábios inferior preso entre os dentes, tentando esconder o sorriso traquina que me invade.

— Ai, ai, era só o que me faltava. — Um sorriso discreto surge em seus lábios e uma covinha na bochecha direita é reparada por mim, depois a da esquerda e vejo a pintinha linda abaixo do lábio inferior.

Me amoleço e espero ele abrir a porta pra mim, e quando o faz, entro no carro e coloco a mochila no colo. Mecho no celular assim que o desbloqueio e espero a gente chegar logo ao destino que é o recinto de nosso aprendizado. Ele para em frente a uma padaria. Eu só faço franzir o cenho e rir, o olho confusa. Jeon sai do carro e entra lá dentro.

Eu hein…?

Sinto o corpo tremer em ansiedade quando vejo ele me estender minutos depois um saco com rosquinhas doces. Minha felicidade é tamanha e abro a sacola, encontrando nesta com quatro rosquinhas cobertas de chocolate de diversas cores mas mesmo sabor, se brincar. Dou um pra ele e como uma das rosquinhas com uma gula enorme. Tá, eu estava com fome, sim.

Quando o carro finalmente começa a se movimentar para o lugar, onde de princípio era para estarmos, eu escondo as rosquinhas dentro da mochila, engolindo com uma careta o último pedaço da comida gordurosa. O Jeon ri da minha cara e sai do carro quando para no estacionamento da universidade. Imito seu ato e fecho com cuidado a porta, quase correndo para ficar ao lado dele. E como previ, os olhos caem para cima de mim e isso me desconcerta. Eu só queria não dar atenção ou ter atenção, velho! Mas, agora? Hã, não tem ninguém que não esteja me olhando agora e não tem ninguém aqui que já não está falando aos sussurros de mim e como isso me tira a paciência!

Quando entro na sala, tipo, literalmente, todo mundo me olha e eu reviro os olhos nas órbitas de forma tediosa. Vou até meu lugar e vejo as mesas ainda juntas uma a outra como deixamos ontem. E antes que eu abra a boca, a Rosé vem até mim e me abraça de forma calorosa. Arregalo os olhos e fico parada. Procuro pelos olhos de Jungkook e o encontro risonho. Com o susto que levei pelo abraço, me encontro na pontinha dos pés, com o corpo arrepiado em estranhamento.

Ela se afasta de mim com empatia evidente e eu sorrio amarelo, desconcertada. Ela se vira para Jungkook e solta de maneira normal, como se o conhecesse:

— Jungkook-ah, Jimin tá propondo um bingo lá em casa sábado, você vai?

— Acho que vou… Fale ao seu irmão que depois procuro ver se a minha companhia vai comigo, sim?

— Claro. — Ela assente e vai ao seu lugar, não sem antes me lançar um sorriso.

— Hein?

— Nem esquenta. — Dá de ombros.

Assim que me sento na cadeira, a professora de ética chega e nos olha sorridente.

— Hoje eu tenho uma proposta diferente de atividade! — Exclama alegre.

— Ai, Deus. — Resmungamos em uníssono.

O sorriso pende nos lábios calorosos de alegria e ela joga a bomba de que essa atividade vai durar mais que uma semana, em dupla, deixa todo mundo com raiva. Os resmungos são escutados e eu olho de relance para Jungkook, que revira os olhos enquanto digita rapidamente no celular. Me aproximo e olho, com uma careta estampada no rosto, ela dizendo que “não quer papo com a Jennie” e, ao sentir minha presença curiosa, ele ri nasal e balança a cabeça em negativa.

Não consigo não o olhar, o cabelo brilha e o brilho reluz de forma eufórica, com os fios castanhos se movimentando e destacando-se mais ainda, ficando dourados conforme o pouco sol bate contra as madeixas. Mas não é só o cabelo que me hipnotiza: Jungkook é tentador, e a tentação dele me deixa inerte à hipnotização e me vejo perdida nas orbes escuras que brilham quando me veem.

E isso é aquecedor.

***


Notas Finais


se você leu o capítulo até aqui, saiba que você deve amar demais Amores por ter lido mais de DEZ MIL palavras :") #novoBannerPor @woni, cof cof amor da minha vida cof cof
amo que amo um bobo :)

o que vocês acharam, hein? as insegranças afloradas, os sentimentos...? é fogo, né? mas bem, eu tô muito curiosa pra saber o que vocês acharam, na moral

ah, vei, eu senti muita falta de vocês na moral. mais ceedo ou mais tarde atualizo My Human e depois com maias calma vou voltando a encher o saco de vocês com mais capítulos das fanfics, sim? amo vocês! @bigwanjeog chora com tamanha saudade dos leitorees, entenda o caso:
BYE!~><


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