História Amores Destinados - Capítulo 17


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Categorias Saint Seiya
Personagens Bian de Cavalo Marinho, Camus de Aquário, Io de Scylla, Shion de Áries
Tags Amor, Bian De Cavalo Marinho, Calisto, Camus De Aquário, Eos, Harmonia, Io De Scylla, Romance, Ryuthos, Saint Seiya, Selene, Shion De Áries, Side-fanfic, Yuzuriha De Grou
Visualizações 58
Palavras 3.814
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hey, mina-san!
No final não demorou tanto assim kkkkkkk Bem, esse aqui é o cap especial de Camus e Calisto com participações especiais da família de Escorpião e duas certas lunares que fizeram uma pontinha. A música do capítulo é Thinking Out Loud do Ed Sheeran (thinking=pensar=casal racional... sacaram? :v) e devo dizer... GENTE, EU AMO ESSA MÚSICA <3 Tão linda, tão refinada. Dá até pra imaginar os dois dançando kkkkkkkk Ou não né? Teremos algumas questões familiares e um enfoque mais no pouco sentimentalismo que essas duas cabeças de gelo não têm.
Enfim, boa leitura!

Capítulo 17 - 13. O Amor que Reina (parte 4)


Fanfic / Fanfiction Amores Destinados - Capítulo 17 - 13. O Amor que Reina (parte 4)

 

Escadarias de Sagitário e Escorpião, Tarde de Novembro daquele mesmo ano

 

“When your legs don't work like they used to before

(Quando suas pernas não funcionarem como antes)

And I can't sweep you off of your feet

(E eu não puder mais te carregar no colo)

Will your mouth still remember the taste of my love?

(A sua boca ainda se lembrará do gosto de meu amor?)

Will your eyes still smile from your cheeks?

(Os seus olhos ainda sorrirão em suas bochechas?)”

 

-Ártemis! - berrava o escorpiano enquanto corria.

-Acalme-se, Milo! - berrava o aquariano em resposta no meio de sua correria para alcançar o amigo - Ela está tendo um bebê e sofrendo com as dores do parto, não sendo atacada!

-Onde está a parte reconfortante de tudo isso?!

O mês de Novembro finalmente havia chegado assim como o ciclo de Escorpião que iniciou-se um pouco antes do fim de Outubro. Desde aquele momento, Milo ficou ainda mais ansioso pelo nascimento do seu filho que poderia ser um possível sucessor de Escorpião. Embora também acreditava que, se tivesse uma filha, ela também daria uma boa amazona de ouro ou, talvez, uma maravilhosa Fase Lunar. O importante era que a criança nascesse com o espírito guerreiro do pai, já o exército que a aceitaria era um detalhe “menos importante”. 

Os dois então entraram na Casa de Escorpião e ouviram os gritos de Ártemis que estava no quarto já em trabalho de parto, tal como as ordens de Calisto e o consolo de Atena para a irmã, além do apoio que Luna e Usagi davam à comandante. As servas da oitava casa pediram para seu guardião e o amigo ficassem na sala e, apesar dos protestos do primeiro, eles acataram a ordem.

Aos poucos, os outros dourados entraram em Escorpião para aguardar o nascimento com o grego e tentaram ajudar Camus a acalmá-lo. Porém nada parecia adiantar muito. Milo estava nervoso demais e mesmo Mask, que tinha passado pela mesma coisa com o nascimento de Marco, não conseguia confortá-lo.

-Veja pelo lado bom, Milo! Eu não tive o apoio dos meus amigos com o Marco nasceu - arriscou o canceriano - Embora, eu viajei para a Itália sozinho com a Helena para ele nascer lá justo para me livrar de vocês…

-Nem sei como deixou só o Afrodite ver o seu casamento - disse Shura que estava meio chateado por ter sido excluído da viagem.

-Eu não levei só ele. Vieram só ele, a Belle, o Ryuthos e os irmãos da Helena asgardiana. E você nem quis se manifestar! Eu achei que nem tinha se interessado! Além do mais, você estava em missão na época e eu queria casar logo.

-Querem deixar essa discussão para depois? - perguntou Helena que censurava-os com o olhar - O Milo está passando por um momento difícil e isso não vai ajudar em nada. 

Os dois logo baixaram a cabeça e até o pequeno Marco, que estava no colo do pai e não entendia nada da situação, abaixou a cabeça junto. Ver aquela pequena cena fez Milo sorrir. Um de seus maiores sonhos era ter um filho só para vê-lo seguir os passos dos pais e arrancar uma ou duas risadas de vez em quando.

Camus, ao ver o amigo um pouco mais calmo, se aproximou dele e chamou a atenção de todos para dar uma notícia importante. Estava fazendo isso tanto para distraí-los com um assunto mais calmo quanto para liquidar logo a ansiedade que o consumia nos últimos dias.

-Você vai se casar?! - exclamou o escorpiano arrancando a frase de todos os dourados e presentes que estavam boquiabertos.

-Esse é outro que faz as coisas no maior segredo… - resmungou o espanhol.

-Espera… eu ainda não entendi… como isso aconteceu, Camus? Você e a Calisto não disseram que estavam indo devagar? Como é que do nada você já aparece para ela com uma aliança de noivado?

-Completamos o estágio do namoro mais cedo do que pensamos e Calisto é “old fashion”, da época em que o namoro ainda não existia e o noivado era o momento apropriado para conhecer mais o seu futuro cônjuge - começou a explicar o cavaleiro - Então eu cheguei até ela, me ajoelhei e pedi a sua mão em matrimônio. Simples.

Os dourados continuaram a olhá-lo, impressionados com tamanha a calma que ele relatava os detalhes daquela cena. O clima, o horário, a maneira como os dois se vestiam, o lugar e mesmo adicionando parte de seus preciosos e desconhecidos pensamentos. Parecia que estavam ouvindo a narração de uma cena romântica.

“A única diferença é que o Romeu é frio e calculista e a Julieta tem um vocabulário grande e poucas expressões - eles completaram o pensamento em conjunto.”

Um tempo se passou até que Milo foi convidado a entrar e Camus o acompanhou para caso algo acontecesse. Eles entraram no quarto de hóspedes e viram entre o sangue e o líquido amniótico, uma pequena criança nos braços de Luna que a limpava com todo o cuidado. O escorpiano então foi até a esposa e pegou na sua mão para mostrar que estava ali com ela.

A deusa virou lentamente sua cabeça e sorriu para o marido, enquanto Calisto terminava seu trabalho ao limpar tudo com a ajuda do cavaleiro de Aquário, a filha mais nova de Selene e Atena. Dava para ver que por trás do sofrimento contido nos olhos de Ártemis, aquilo havia valido a pena e seu sorriso confirmava isso.

-Amor… - o grego murmurou tentando tranquilizá-la - Eu estou aqui, não se preocupe.

-Pergunte à Luna se temos uma Calvera ou um Kardian - pediu ela.

“Santa Lua cheia, é esse os nomes que vão dar para o bebê? - perguntou-se Usagi em pensamento horrorizada.”

A morena que terminava de embalar a criança numa toalha limpa e deixava um pouco da cabeça dela aparecendo, pegou-a nos seus braços para dar à deusa que servia. Estava meio suja com o sangue que limpou mas, tinha um sorriso confiante no rosto ao ficar na frente do casal.

-Espero que consigam comprar espadas e carrinhos porque ganharam um lindo menino - disse ela dando o pequeno para Milo.

O escorpiano pegou a criança nos braços e deixou-a num ângulo onde tanto ele quanto a lunar poderiam olhar mais de perto o mais novo membro da família. Kardian era pequeno e ainda tinha os olhos fechados, embora ostentasse uma penugem de cabelos vermelhos. Calisto explicou para o cavaleiro que o nascimento do garoto estava relacionado com o eclipse lunar que estava tendo naquela noite e que isso influenciou um pouco a aparência dele.

-Isso é bastante comum nas crianças semideusas, Milo e principalmente naquelas cujos pais têm influência em elementos naturais como a Lua. Algumas saem com uma aparência diferenciada dos pais mas ainda conservam na sua personalidade alguns traços deles - completou a deusa reencarnada.

-Por que estão falando comigo como se a qualquer momento eu fosse acusar minha esposa de pular a cerca? - perguntou o cavaleiro irritado.

As duas mulheres se entreolharam e Ártemis riu.

-De qualquer forma, outra coisa que fez ele ter esses lindos cabelos vermelhos foi o brilho de Antares no céu hoje. É um evento que acontece de mil em mil anos, quando a constelação de Escorpião brilha com um vermelho tão intenso e a Lua entra em eclipse lunar fora de época - a divindade então acariciou o pequeno - Tão pequeno e já está destinado à ser um cavaleiro da Oitava Casa.

-Vai crescer e se tornar um grande guerreiro - disse Milo ao encostar o dedo indicador para acariciar o pequeno e este pegou-o levemente - Já estamos nos conectando afinal…

-Que fofo! - Luna não pôde guardar a exclamação para si mesma.

O casal então virou-se para a Fase completamente vermelha e riram um pouco. O clima estava mais descontraído naquele momento e Camus saiu do quarto junto de Calisto e as duas jovens para anunciarem o nascimento do sucessor de Escorpião.

Os cavaleiros comemoraram a notícia e a festa rolou solta na Casa de Capricórnio, que aceitou a comemoração para não atrapalhar o casal e a criança que ficariam em Escorpião por mais alguns dias. Como procedimento padrão, Kardian iria demorar para receber visita e por ser justo um bebê semideus, receberia cuidados especiais para uma criança comum. Ártemis deixou isso a cargo de Luna e Calisto, parabenizando também a segunda pelo noivado com o aquariano. 

Apesar da grande festança na casa abaixo, o casal de Aquário permaneceu na Décima Primeira Casa e ficaram olhando as estrelas. A azulada tinha a cabeça tombada no ombro do cavaleiro, ainda cansada por tudo o que tinha acontecido naquela noite.

Mas, de certa forma, Calisto tinha de admitir que se sentiu mais humana ao trazer aquele tão pequeno ser para o mundo. A forma como ele se mexia, a inocência contida em sua face e o tão bonito cosmo que emanava dele mexeu muito com ela. Quando Kardian conseguiu sair e ela o levantou para ver se estava bem, sua máscara de frieza caiu. 

“Então é esse o poder de presenciar o nascimento de uma vida? - esse pensamento ia e voltava em sua mente.”

-Camus… - ela chamou pelo nome do cavaleiro que estava concentrado na sua própria constelação que era vista pelo telescópio.

-Sim, querida? - perguntou o francês concentrado no que fazia.

-Camus, depois que nós casarmos… 

-Sim?

-... podemos ter um filho?

Ele abandonou o telescópio e virou-se para a amada, com uma expressão vazia que a atormentou um pouco no primeiro momento. Sabia que essa era a cara do aquariano quando ele estava pensando. Mas, para sua surpresa, ele abriu um doce sorriso.

-Calisto, nós ainda iremos esperar um pouco para isso mas, sim, poderemos ter um filho. Quando o Milo segurou o Kardian, eu pensei em como me sentiria segurando alguém do meu próprio sangue… ele ficou tão feliz - comentou Camus com doçura - Não vejo a hora de poder fazer o mesmo.

-No final, é tudo no seu próprio tempo - disse ela olhando para a aliança de prata em seu dedo - Primeiro, o noivado, depois o casamento e enfim…

-Degelus ou Seraphina - eles disseram ao mesmo tempo as duas opções para nomes para o futuro filho.

Os dois então se aproximaram mais um do outro e continuaram sua observação astronômica. A noite estava fria mas haviam dois corações que se aqueciam de felicidade.

 

“And darling I will be loving you

(E querida, eu te amarei)

‘Till we're seventy

(Até que tenhamos 70 anos)

And baby, my heart could still fall

(Amor, meu coração ainda se apaixonará tão fácil)

As hard at twenty-three

(Quanto quando tínhamos 23)”

 

Três anos haviam passado rápido para todos no Santuário e muitas coisas haviam acontecido naquele meio tempo. Camus e Calisto se casaram no ano seguinte ao nascimento de Kardian e o casal de Escorpião foram seus padrinhos. O casamento foi lindo e suave além de muito emocionante, uma característica que muitos não esperavam se tratando de quem estava casando com quem.

A comandante lunar estava linda em seu vestido branco e o cavaleiro não perdeu a pose nobre com seu terno negro e uma flor de lis na lapela, a flor-símbolo da França, sua terra natal. A Lua de Mel foi em Paris e durante alguns meses, eles apenas desfrutaram da companhia um do outro. Claro que seguiram o conselho de Hécate e de Harmonia para esperarem um pouco antes de terem filhos.

-Primeiro curtam a companhia um do outro. Depois, podem ter os filhos que quiserem. É uma ordem mais eficaz para se viver as coisas - aconselharam as duas deusas e eles aceitaram.

Mas, um tempo depois, no ano em que o filho de Escorpião iria fazer três anos, Calisto viu que estava grávida. O casal ficou emocionado por dias a fio e revisaram seus planos para cuidarem do futuro filho. Queriam que, ele ou ela, tivesse uma boa educação, senso simples de etiqueta e que, acima de tudo, tivesse bons valores.

-Vocês vão criar uma criança, não um filósofo! - disse Milo uma vez enquanto trazia o próprio filho nos ombros.

-Uma coisa não exclui a outra, Milo. Pense! Minha criança pode se tornar a pessoa mais importante da história. Pode se tornar um grande filósofo, um grande salvador de vidas ou mesmo uma pessoa que ajude ao máximo as pessoas… que orgulho - o aquariano, numas das poucas vezes em sua vida, sorriu sem motivo.

-Acho que a coitada vai nascer chata que nem o pai.

-Ca… Camus… ca… cha… chato… - o pequeno Kardian balbuciou suas primeiras palavras, impressionando o pai.

-Viu?! Até meu filho concorda!

Nove meses depois e uma nova luz chegava para animar o Santuário. Degelus, o menino de Camus e Calisto, era encantador desde quando ainda era um bebê e mesmo com os anos que se passavam, ele não deixava seu encanto e sua beleza para trás. Mesmo se escondendo com seus grossos óculos de grau, que ganhou aos quatro anos ao ser diagnosticado com hipermetropia, era bonito igual o seu pai. Um “beautiful gentleman”, como a mãe gostava de dizer.

Claro que por ser filho de um cavaleiro de Ouro e ainda ser bastante culto para sua idade, começando a ler livros mais longos assim que começou a ser alfabetizado, Degelus ficava bem afastado das outras crianças. Elas não queriam nada com ele e ele tão pouco persistia naquilo.

Seus únicos amigos eram os filhos dos outros cavaleiros de Ouro e o seu melhor amigo era Kardian, filho de Milo. Apesar dos protestos de Camus de deixar o filho passar pelas mesmas coisas que ele teve que aguentar na infância com a companhia do escorpiano, o menino de cabelos azuis escuros pensou que seria uma grande experiência ser amigo do semideus.

-Você mesmo disse que um homem forte deve saber carregar uma cruz desde cedo - disse o garoto repetindo os dizeres do pai.

-Mas você está novo demais para isso, Degelus! E mesmo assim, você não irá carregar uma cruz… irá carregar um globo vermelho e inconstante nos ombros que irá te atormentar até depois de sua morte - o mais velho tentou argumentar num tom frio e o amigo o olhava com irritação.

-Não esquenta com isso não, tio Cam. Venha, Degelus! Vou te ensinar a escalar uma árvore - disse Kardian que sem esperar o menor responder, pegou-o pelo braço e subiram escada acima.

Camus então olhou para Calisto, buscando alguma repreensão dela para os atos do filho, porém ela permaneceu calada apenas olhando para Ártemis. Claro, ela não iria ofender o primogênito de sua deusa. Ao menos, não até que a deusa desse permissão e para a surpresa da própria azulada, a lunar.

-Pode impedí-los e repreender Kardian, Calisto.

-... DEGELUS! - a mulher levantou-se rápido do sofá e foi correndo até eles, arrancando risadas do casal e do marido.

E aquela cena conseguia se repetir todos os dias de todos os anos que se passaram e mesmo a própria Calisto podia impedir aquilo. No entanto, a companhia agitada e talvez mau exemplar do lunar foi completamente ofuscada pela presença de Usagi que ajudava Luna a cuidar dos dois quando eles iam com as mães para o Templo da Lua.

A japonesa permanecia indiferente ou até achava graça do tratamento educado que Degelus dirigia a ela, mas ela não conseguia ver a paixão estampada no olhar azul do pequeno garoto nascido em Gêmeos. Aliás, não era só ele quem nutria sentimentos especiais para com uma guerreira filha de Selene.

-Luna, que saudades! - exclamava Kardian toda vez que ia no templo da mãe e encontrava a francesa, abraçando as pernas dela com força já que ainda não era muito alto.

-Mas você me viu ontem, Kardian - ria a guerreira acariciando os cabelos vermelhos dele.

-Por isso mesmo, ué. 

Então, Degelus revirava os olhos e via Usagi indo até eles. Ele logo corria para cumprimentá-la, como se fosse a coisa mais importante para se fazer sempre que ia para aquele lugar divino.

-Usagi-senpai - o menino aprendera os pronomes da língua natal dela só para cumprimentá-la com todo o respeito que julgava merecedor - Como vai, senpai?

-Vou bem… hã… obrigada, Degelus-san - respondia a garota tentando esconder um pequeno sorriso em meio à sua vergonha.

A pequena dupla com as duas irmãs ficavam brincando e estudando durante a manhã e depois, os dois eram mandados de volta para o Santuário para os treinos com seus pais. Contudo, as duas vez ou outra iam junto para serem os outros quatro olhos que ficariam de olho neles, ainda que o filho de Aquário tentasse ao máximo convencer o outro a fugir de encrencas.

 

“And I'm thinking about how

(Estou pensando em como)

People fall in love in mysterious ways

(As pessoas se apaixonam de maneiras misteriosas)

Maybe just the touch of a hand

(Talvez seja apenas o toque de uma mão)

Oh me, I fall in love with you every single day

(Bem, eu me apaixono por você a cada dia)

And I just wanna tell you I am

(E eu só quero dizer que eu estou)”

 

 

Santuário, Manhã, Casa de Aquário, Muitos anos mais tarde

-Maman! Papa!* Eu estou indo treinar agora com o Kardian e o tio Hyoga - avisava o adolescente geminiano em alta voz para os pais que estavam na cozinha - De noite eu volto. Amo vocês!

-Mas, Degel… - Camus mal completou a sua frase e só viu a silhueta azulada do filho partindo.

Mais atrás estava Calisto que acompanhava a cena de longe, vendo também o filho descendo as escadarias para mais um de seus treinamentos com o já Cavaleiro de Aquário, Hyoga, e Kardian que dali há alguns meses já receberia a armadura de Escorpião. Mas o que mais lhe chocou foi ver a face tristonha do marido.

Ela, primeiro, franziu as sobrancelhas e depois compreendeu. Ele sentia falta do filho, tal qual ela sentia. O aquariano então sentiu uma massagem nos ombros e viu a esposa praticando o ato com um olhar sereno e compreensivo. Sim, os dois sentiam a mesma coisa: Degelus estava crescendo.

Parecia que era ontem que o menino havia nascido em Gêmeos, chocando todo um Santuário por nascer numa constelação diferente da do pai. E parecia que só há algumas horas ele ainda tinha cinco anos e começava a ser alfabetizado. No entanto, o rapaz cresceu e se tornou um esbelto jovem de dezesete anos, aspirante à armadura de Cisne.

Ultimamente, Degelus estava muito ocupado com as leituras, os estudos, os treinos e mesmo com seus passatempos com Kardian e os demais amigos. Claro, o geminiano continuava amando muito os pais e se orgulhava muito deles, porém ele entrou num outro mundo e o casal temia que já não existisse mais espaço para eles. Ao menos, Camus era quem mais temia isso.

-Camus, não se perturbes com isso - disse a mulher calma. Afinal, quando um se estressava, precisava do outro calmo para entrar em um clima mais tranquilo.

-Eu sei, Calisto, mas… - o francês respirou fundo - … ele está crescendo tão rápido! Sinto-me com Hyoga novamente. Essa sensação de temor de que eu não ensinei-o direito ou que eu o deixe voar e quando ver, ele caiu…

-Não seja tão precipitado. Estamos criando um pequeno cisne e não um Ícaro*.

-Ainda assim, eu tenho medo… hum.

-O que foi?

Ele então soltou um riso abafado.

-Eu, o cavaleiro mais frio de todo o Santuário, com medo… pior, tendo medo com algo tão natural da questão paterna - ainda que não houvesse um humor cômico em suas palavras, Camus parecia prestes a rir de verdade - No que eu me tornei afinal?

-Em um ser humano completo e em perfeito equilíbrio entre a razão e o sentimento - respondeu a mulher abraçando-o por trás - Sei porque eu sempre me sinto mais humana com você, meu amor. Isso é natural e já era hora de experimentarmos esses sentimentos novos.

-Storge.

-O amor familiar.

Camus virou-se então para Calisto, desfazendo o abraço dela e puxando-a para mais um abraço e um beijo amoroso. Ficaram assim por alguns minutos até que ouviram a porta abrir e Degelus passar por ela, com as roupas meio amassadas, o joelho ralado e a face cheia de poeira. Puderam perceber que ele estava sem os óculos desde que saiu já que a face estava limpa e ele não fazia ideia do que acontecia à sua frente.

Os dois desfizeram sua posição e se aproximaram dele, perguntando o que tinha acontecido. Depois de tatear os móveis mais próximos até chegar neles, Degelus se apoiou no ombro do pai e soltou um sorriso amarelo. 

-Pai… mãe… - o rapaz abafou um gemido como se quisesse conter o choro na frente deles - Eu esqueci o óculos de novo, não foi? Tirei eles por um segundo e esqueci completamente.

-Parece ter lembrado deles no meio do caminho - observou a mãe pegando o objeto e colocando-o no rosto do filho - Por isso eu te digo para não ser tão apressado! 

-O que você disse sobre criarmos um cisne mesmo, querida? - perguntou o azulado provocando-a.

A outra revirou os olhos e arrancou um leve riso do filho. Os dois então pegaram a caixa de primeiros socorros e cuidaram de outros machucados do filho, ocultos pelas roupas de treinamento dele. No final da “operação”, o casal puxou o filho para um abraço e o encheram de beijos nas bochechas como quando ele era uma criança.

E como naquele tempo, Degelus ria com as cócegas indiretas que recebia e abraçava-os também, com um grande sorriso no rosto. Era uma cena linda de se ver e que era melhor de se aproveitar quando estavam sozinhos, sem ninguém para os incomodar.

Olhando aquela situação, Camus e Calisto também soltavam seus maiores e mais sinceros sorrisos. Depois de tantos anos sendo frios com a vida e com seus próprios emocionais, os dois sentiam-se mais humanos e mais completos naquele momento de suas vidas. Tinham um ao outro, tinham uma família e amigos e tinham uma vida calma. Era a melhor combinação que o amor Eros e Storge poderiam oferecer. Um amor que equilibra a emoção e o pensamento, um amor que se sustenta pela sua ordem natural, um amor racional.

 

“So honey, now

(Então, querida, agora)

Take me into your loving arms

(Me abrace com seus braços de amor)

Kiss me under the light of a thousand stars

(Beije-me sob a luz de mil estrelas)

Place your head on my beating heart

(Apoie sua cabeça sobre meu coração que bate forte)

I'm thinking out loud

(Eu estou pensando alto)

And maybe we found love right where we are

(E talvez tenhamos achado o amor bem aqui, onde estamos)”

 

Continua...


Notas Finais


*Degelus (jovem): https://i.pinimg.com/originals/5d/1c/80/5d1c80bf6ac3341efbd407788693ed36.png
Pensem num menino com óculos que nem tá na descrição. Ainda não pensei numa imagem boa para representar ele mais velho...
*Kardian (jovem/abstraiam os olhos vermelhos ¬¬): https://i.pinimg.com/originals/61/bd/25/61bd25ef8b4fc15d458714f015a3b824.jpg
*Maman: significa "mãe" em francês. E papa, obviamente, significa "pai" em francês.
*Ícaro: foi um jovem da mitologia grega que junto de seu pai, Dédalos, inventou asas de cera para poderem escapar de Creta voando. Porém, ele se aproximou demais do Sol e suas asas derreteram, culminando em sua queda mortal. A frase de Calisto foi um trocadilho com a história, embora não tenha nada a ver com Tohma de Ícarus (ex-guerreiro de Ártemis na história do O Amor É).
*Fils: "filho" em francês.

Amor racional porque Camus e Calisto sempre gostaram de ordem e razão em tudo o que fazem e encontrar um equilíbrio bom de sentimentos e razões (ainda que irracionais num primeiro momento... vide cap 3 :v) foi muito bom para eles. Só isso mesmo.

kkkkkkk mano, Kardian e Degelus serão uma das melhores duplas do spin-off da série kkkkkkkk É tipo um Milo e Camus versão 2 mas muito mais louco já que o Kardian é semideus e tem lá seus poderes lunares. O que é que pode dar errrado?! :V
Aliás... lembram daquela Lua Sangrenta que teve semana passada? Então... já sabem de quem é a culpa kkkkkkkk

O próximo cap é com meu amado Dohko(-senpai) e a Hécate (eu, deusinha da Lua), onde teremos explicações melhores sobre o filho deles citado na primeira parte do cap 13, Yi-Tai e a tal garota misteriosa que já gosta dele (a jovem Ino não vai gostar disso não). Estou animadíssima para escrever esse e as razões são bastante óbvias kkkkkkk Ainda que eu provavelmente vou demorar mais nesse. Que sad. Bye! ;----;/


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