História Amores Furtados - Versão oficial - Capítulo 11


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Categorias Histórias Originais
Tags Romance Morro Traficante
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Palavras 2.702
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Literatura Feminina, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 11 - Capítulo 9


Fanfic / Fanfiction Amores Furtados - Versão oficial - Capítulo 11 - Capítulo 9

Capítulo narrado por Isabela.

Meu celular despertou às seis.

Escorada na parede e sentindo rastros do frio intenso da madrugada, levantei-me com uma fisgada nas costas, minha coluna doía por causa da má posição em que dormi. Pensei em tomar café, mas foi aí que me lembrei de que eu não tinha café, muito menos um fogão. Ri mentalmente, ironizando o fato de eu não ter nada.

Na mochila eu tinha escova de dente e creme dental.

Escovei meus dentes e tomei banho sem sabonete. –Por imprudência minha, é claro, o dinheiro que ganhei ontem dava para eu ter comprado essas miudezas. –E quantos as roupas eu iria continuar pegando as da Kel emprestadas até meu salário sair. Por mais que seja inconveniente eu sei que ela tem bom coração e irá continuar me ajudando.

Penteei meus cabelos com os dedos, fiz um coque apertado e saí vestida com a mesma roupa de ontem, e fui rumo ao trabalho.

Passei a manhã inteira descascando, picando legumes, e auxiliando dona Maria fazer os outros pratos. Tudo na correria, diferente do que ela me disse, eu não tinha que me desdobrar em duas, era no mínimo cinco para poder dar conta de tanto serviço. Após meio dia tirei o avental e fui para o salão atender os clientes. Fiz quentinhas, prato feitos, servi e retirei pratos e bebidas das mesas. A pensão era bem movimentada naquele horário, ela tinha preços bem acessíveis por isso um número alto de clientes fixos.

O restaurante fechou às quatro. Fui embora apressada porque queria muito ir à faculdade, não gosto de faltar de aula. Antes de ir para casa aproveitei e passei num mercado naquela mesma rua, comprei algumas coisinhas básicas como sabonetes e absorventes. Depois segui para a casa de Kel.

—Meu Deus! Assim não dá. Minhas calcinhas novas eu já te dei tudo. –Disse enquanto revirava as gavetas do guarda roupa de forma espalhafatosa.

—Desculpa... – murchei.

—Não se preocupe querida, eu sei bem como resolver essa situação. Hoje eu vou estourar minha conta pro Taquara aprender a fazer as coisas sem meu consentimento. E se você realmente tivesse ido, largado tudo aqui?!

—Já disse: esquece isso. Estou aqui não estou?! –Sorri para ela.

Ela fechou a gaveta se reergueu e me puxou pelo braço até chegarmos na porta da casa.

—Vamos ali renovar o guarda roupa. –Piscou para mim.

Assenti. Eu a segui pelas ruas e becos estreitos feitas de paralelepípedos, passamos por casas humildes, becos com vestígios de balas nas paredes, mas eu só focava em admirar a vista lá de baixo. Que vontade de ir à praia outra vez. Durante o caminho algumas adolescentes junto a outras mulheres mal humoradas nos olhavam e cochichavam algo.

—O que foi? Perderam alguma coisa na minha bunda?! –Kel gritou para o grupinho que não desgrudavam os olhos de nós.

Eu ri. As mulheres fingiram não ouvir.

—Povo aqui faz muita fofoca, não pode abrir brecha pra ninguém não.

—Sei como é isso, as pessoas sempre gostaram de pôr meu nome no meio de conversa fiada. –Sorri para ela.

Nós continuamos subindo. Kel parou na porta de uma casa e chamou insistentemente até uma mulher ruiva abri-la. A moça fez questão que entrássemos, dentro da sua casa ela nos guiou para um cômodo espaçoso que mais parecia uma loja secreta dentro de casa. Havia manequins e um provador, achei estranho, mas ela disse que tinha muitas clientes fixas como a Kel e atendia todas ali.

Kel experimentava uma porção de roupas, todas elas curtas, com brilho e extravagantes. Eu procurava peças mais discretas que não chamasse muito atenção. E por fim acabei escolhendo duas calças jeans, duas camisetas e uma porção de lingerie.

—Meu Deus menina, você tá no Rio de Janeiro, aqui quando esquenta parece o inferno de tão quente! Pega uns shorts, croppeds, body, biquíni. Ah! Cidinha também vende maquiagens da Mary Kay e cremes e perfumes importados da Victoria Secret.

—Eu não preciso disso tudo Kel... –Ela me interrompeu.

—É claro que precisa, toda mulher precisa de Victoria Secrets.

—A Kel tem razão! –A dona exclamou.

Elas praticamente me empurraram aqueles cremes. As pessoas ali são humildes, mas gostam de vestir roupas caríssimas, que loucura.

No final das contas ela também vendia sapatos e bijuterias, e eu acabei pegando de tudo um pouco.

—Somando tudo dá 2 mil e 350 reais!

Meu queixo quase caiu da cara.

—Não! Eu vou tirar tudo, vou deixar só minhas calças mesmo.

—Não vai não! Cidinha, anota tudo na conta do Marreta.

—Não! Deus me livre, nem pensar! –Exclamei desacreditada com o que a Kel queria.

—Kel, a conta do Marreta tá liberada só pra Rafaela, e ela nunca comprou isso tudo aqui!

—Eu sei minha querida, mas foi ele mesmo que mandou eu trazer a Isa aqui. Ela é a fiel dele sabe... - Engoli um seco no mesmo instante. –Você não vai fazer a gente passar uma vergonha dessas, ou vai?!

A mulher estreitou os olhos em mim, ficou ali parada me encarando por longos segundos, como se tivesse perdido algo. Eu iria cortar a Kel e dizer que aquilo era mentira, mas ela me encarou de uma maneira tão cínica que eu preferi não intervir.

—Então tudo bem... Pensei que a mulher dele fosse a Suzy...

—Pensou errado. Anota tudo aí no nome dele. Isabela, pega as sacolas e vamos embora!

Apanhei as sacolas cheia de receio, não devia ter feito aquilo, mas a Kel não abriu nenhuma brecha para que eu recusasse. Minha consciência pesava por eu ter comprado mais do que irei ganhar em 2 meses de trabalho árduo, numa conta que não era minha. Rafael iria descobrir mais cedo ou, mais tarde, e com certeza o que eu fiz não seria do seu agrado.

—Kel eu não devia ter feito isso.

—Devia sim! Marreta tem mais é que se foder mesmo!

—Não! Eu gosto dele.

—Ah é mesmo?! Cuidado de quem você gosta.

—Gosto dele como amigo, que nem gosto de você.

—Ata. Deixa eu ir ali, vou aproveitar que Taquara vai trabalhar de madrugada hoje e vou resolver uns problemas. Precisando você já sabe Isa, pode contar comigo. –Ela abriu um sorriso, me deu um beijo na bochecha e seguiu para sua casa que era do lado oposto da minha vila.

Eu segui para minha casa, no meio do caminho achei uma caixa e a usei para guardar as roupas que havia comprado. Ai que droga! Por que fui na onda da Kel? dois mil em roupas daria para mobiliar essa quitinete tranquilamente. Mas, pensando bem por outro eu não iria ter que usar mais as roupas e calcinhas dos outros.

Tomei um banho gelado, aproveitei para lavar e hidratar meus cabelos. Coloquei uma calça jeans rasgada com um body preto liso de mangas compridas acompanhado de um tênis branco. Fiz uma make leve, penteei e soltei os cabelos, apanhei a mochila e parti.

[...]

Do morro eu levava mais tempo para chegar a faculdade porque tinha que pegar dois ônibus, e devido a isso mais uma vez cheguei atrasada. Thalita e Carol perguntaram o motivo de eu ter faltado, e eu mentir, é claro. Até porque eu já havia botado um ponto final naquilo tudo.

—Você perdeu a resenha, foi um arraso. Você acredita que tinha até DJ lá?! –Carol abriu um sorriso empolgada. –Inclusive Thalita deu uns pegas nele, o cara era muito gato!

—Não melhor do aquele ruivo tatuado que você pegou. Jesus! Que homem é aquele! –Thalita exclamou abanando o rosto.

—Então nenhuma de vocês ficou com o Diego?

—Sim. Nós duas! –Carol afirmou mirando um sorriso para Thalita, na qual foi igualmente retribuído. –Foi uma festa muito louca, eu acho que fiquei com três ou mais, sei lá, isso pra mim não importa.

—Ah entendi.

—Mas e você Isa, quando é que vai parar de ficar bancando a certinha e ir pra night com a gente?

—Um dia, quem sabe. Eu não tô numa fase boa pra sair pegando geral, aliás, eu acho que nunca cheguei nessa fase.

—Ah sim. Sinto lhe dizer Isabela: você está perdendo tempo.

Forcei um sorriso. Não acho que estou perdendo tempo, só não sinto toda essa necessidade de homens, eles nunca estiveram nas minhas prioridades, tanto é que meu ex-namorado terminou comigo, porque segundo ele eu preferia os livros, e ele tinha razão. Apesar de que Willian era muito chato, só sabia falar de vacas e cavalos, aquele papo repetitivo de vaqueiro que nunca foi do meu agrado. No final das contas acabou sendo melhor para ambos os lados.

O professor de fundamentos de biologia ambiental indicou dois livros para comprar, e pior de tudo é que cada um deles eram quase trezentos reais, fiquei abismada. A aula acabou às 10 em ponto. Eu e as meninas nos direcionamos a saída. Do lado de fora Diego estava dentro de um luxuoso carro vermelho, quando nos viu ele buzinou dando sinal para que fôssemos até ele. As meninas pararam em sua janela, mas eu continuei caminhando para o ponto de ônibus.

—Ei! –Ouvi um grito masculino, virei e confirmei de quem se tratava.

Ele deu passos largos quase correndo até mim.

—Eu e suas amigas vamos dar uma voltinha na barra, quer ir? –Abriu um sorriso convencido enquanto ajeitava o cabelo liso.

—Não. Obrigada.

—Mas, porque não quer ir? É só um passeio vamos num barzinho, tomar um shopp, uma vodcka e depois...

—Não me interessa o que vocês vão fazer depois, eu não vou mesmo. E sinceramente eu acho que você não precisa perder seu tempo me chamando para sair com minhas amigas.

—Entendi... E se for só nós, eu você, um lugar tranquilo...

Fiquei desacreditada, não é possível que um garoto tão lindo, ainda por cima milionário estaria dando mole pra mim.

—É...

—Fica tranquila Isabela. Vou te dar meu cartão, você me dá um toque e eu te ligo para conversamos melhor. Por mim seria hoje, mas como pode ver já tenho compromissos. Até breve. –Seus olhos azuis me penetraram de uma forma que me fez corar as bochechas.

Diego despediu-se de mim com a famosa troca de beijinhos. Ele me deu um cartão, nele tinha sua foto e contato. Que cara ridículo ele tem um cartão de visitas para dar para as mulheres, isso é tão coisa de retardado.

Diego saiu deixando para trás um perfume forte e viciante, de longe dei tchau para ele e as meninas –que já estavam dentro do carro,-e prosseguir para meu rumo o ponto de ônibus.

—Ei! –Um garoto de aparentemente a mesma idade que eu se aproximou. –Vou te dar um conselho, aproveita e passa ele para suas amigas: Aquele cara que você estava conversando é meio louco... Não dê IBOPE praquele lixo.

Eu nem sei o nome do garoto, e ele já chega assim falando mal dos outros.

—É mesmo?! Como vou saber? Pode chegar um maluco ne mim e dizer que outra pessoa é maluca não é mesmo? A propósito qual é o seu nome?

—Ah desculpas! –Ele abriu um sorriso tímido. –Meu nome é Mateus e o seu, qual é mesmo?

—Isabela, é um prazer Mateus.

—O prazer é meu, Isabela. –Ele fitou o relógio no pulso e me encarou por um instante. –Caramba, meu ônibus sai agora! Eu preciso me apressar!

Mateus se despediu de mim e saiu a passos largos. Isso me fez pensar que eu tenho que passar a me informar mais sobre o horário de meus ônibus.

Várias pessoas, -boa parte alunos- seguiam para o mesmo destino, os pontos de ônibus, BRT, ou metrôs. Eu continuei seguindo tranquila, me sentia melhor em lugares movimentados. Mas, por ironia, mesmo estando ali no meio de uma porção de pessoas senti minha mochila ser puxada bruscamente das minhas costas.

Eu fui ao chão no mesmo instante. Quando estava prestes a reagir meus cabelos foi agarrado com força, enquanto sucessivos tapas esquentavam minha cara.

Quando pude raciocinar e me dar conta de quem era, o sangue em minhas veias ferveu como lavas num vulcão.

Puxei-a pela blusa larga, fechei meus punhos concentrados de ódio à sua direção. Ali ela ficou bamba, eu aproveitei e montei por cima dela com todo rancor. Dei fortes socos, tapas, segurei sua cabeça e bati várias vezes contra o cimento da calçada.

—Sua desgraçada! Como tem a coragem de levantar a mão pra mim depois de tudo que fez?! –Gritei enquanto lágrimas de revolta banhavam minhas pálpebras.

—Cadê meu marido sua puta! O que foi que aqueles bandidos fizeram com ele?! Cadê o Ernesto! –Seus gritos agudos rangiam na minha cabeça, e me deixava ainda mais enraivada. Eu estava tremendo de ódio, de mágoa.

—Seu marido tá no inferno! E espero que você também vá pra lá! –Gritei a socando mais uma vez, vendo seu nariz sangrar. Foi aí que as pessoas pararam de assistir e tomaram a atitude de nos separar. Meu corpo foi puxado com tudo para cima, mesmo eu me retorcendo e querendo bater mais naquela vadia, que por ironia do destino carregava em suas veias o mesmo sangue que eu.

—Se acalmem!

—Tá repreendido! Isso é coisa do diabo! Essa menina estava conversando tranquilamente comigo, e do nada isso aconteceu! Vocês não veem que é exatamente isso que satanás quer! Ele quer desgraçar com nossas vidas! –O castanho fechado do cabelo do garoto reluzia enquanto se expressava.

Meus lábios tremiam, e eu continuava com a mesma vontade de arregaçar aquela mulher.

—Isabela. Venha. Vamos comigo! Eu até voltei quando ouvir os gritos... Meu Deus o que houve aqui foi armação do diabo...

—Com certeza foi, até porque essa mulher é o próprio diabo!

—Eu quero meu marido! Essa menina chamou bandidos para sumir com meu marido depois de ter se oferecido pra ele! –Gritou desesperada com as lágrimas caindo de seus olhos.

As pessoas me olharam com acusação e eu senti vergonha. Mateus segurou meu braço e me puxou daquele meio.

Eu não conseguia dizer nada, meu coração sangrava, e minha mente parecia um flashback daquela noite amargurada.

—Isabela calma! –Disse pausadamente olhando em meus olhos. –Eu não sei o que houve... Mas, se me der a permissão posso te levar em casa, porque você está muito abalada, sem condições de ir sozinha.

—Hurum... –Resmunguei.

—Onde você mora?

—No Chapadão...

Ele arqueou as sobrancelhas.

—Meu Deus! Que coincidência, também moro lá. Vai sei fácil te acompanhar até em casa.

Eu concordei. Mateus e eu esperamos por alguns minutos até que nosso ônibus chegasse. Ele tentou me acalmar durante todo o tempo, mas a imagem daquele monstro asqueroso em cima de mim não largava meus pensamentos. Eu pensei que se eu me distraísse, fizesse coisas diferentes iria esquecer, mas não, eu não estava esquecendo, eu estava apenas remoendo e guardando uma dor que me causava um mal extremo.

Descemos do ônibus e subimos o morro, com ele me apoiando o tempo todo. Chegou certa altura que eu preferi ir sozinha, mas eu e Mateus trocamos contato e ele me convidou para ir ao culto da igreja a qual seu pai era pastor. E eu com certeza vou.

Subi algumas longas escadas, passei por alguns becos escuros e finalmente cheguei a Vila em que eu morava. O cheiro de churrasco acompanhado de risos e um som alto de funk predominavam. Eu passei pelo portão com a cabeça baixa, mas pude ver que todos tinham motivos para sorrir e comemorar, menos eu...

Na minha frente Taquara dançava e beijava uma das minhas vizinhas.

Do outro lado estava Rafael e Suzy aos beijos sob o muro da varanda.

Ali me vi desmoronando, meu coração que já estava remendado voltou aos pedaços mais uma vez...

Eu corri para a porta antes que um deles me visse e foi aí que Taquara deu um grito.

—Tu não viu nada!

Eu assenti, corri para dentro e tranquei a porta.

Me escorei no canto da parede enquanto as lágrimas saíam, e uma dor cutucava meu peito.

—Isabela! –O barulho da porta batendo era quase tão estrondoso quanto o funk dos vizinhos.

Eu não respondi. Eu só queria ficar sozinha e esquecer de mais um dia ruim.

—Se não abrir eu vou arrebentar essa porta na bala! –Ele gritou com uma voz grossa.

Eu não gostei de ter visto o amigo dele com outra, mas eu não iria contar, não estava procurando nada para me foder mais.

Levantei secando as lágrimas e abri a porta temendo com que ele a arrombasse por nada.

—Tá chorando por quê? –Perguntou calmo, enquanto nossos olhares se cruzavam.

—Não é nada... –Parecia que minhas emoções tinham chegado ao extremo, estavam lutando para sair, e eu lutava para prendê-las dentro de mim.

Mas não consegui.

Me deixar levar, e quando me dei conta já estava me desabando em lágrimas no peito dele.





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