História Amores Furtados - Capítulo 12


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Categorias Histórias Originais
Tags Romance Morro Traficante
Visualizações 19
Palavras 4.249
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Literatura Feminina, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 12 - Capítulo 10


Fanfic / Fanfiction Amores Furtados - Capítulo 12 - Capítulo 10

Perdoem os erros ortográficos e as faltas de descrições, capítulo sem revisão.

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Capítulo narrado por Marreta.

Rafaela

Dei uma escapadinha da boca para curtir a folga da minha loira. Estava a fim de dar uma foda gostosa, e isso ela tirava de letra. Sou gamado na minha enfermeira particular. Estávamos ali abraçados, curtindo um som e tomando uma gelada. Ao ouvir o ranger do portão meus olhos rapidamente miraram sob o mesmo. Meu coração disparou no momento em que vi Isabela, triste com os olhos derramando lágrimas sem parar.

Eu gosto da carinha emburrada que ela faz, mas vê-la assim aos prantos chega a doer no meu coração. –Sei muito bem da fase problemática que está. –Por isso não resisti, tirei meus braços de Suzy e caminhei a passos largos ficar frente a porta de alumínio do barraco de Isabela. Tive que dar umas porradas naquela merda, e gritar para que todos escutassem para que ela largasse de pirraça e abrisse logo aquela porra.

No momento em que a vi notei seus olhos avermelhados me fitando com um semblante de dor; ela ofegou e não resistiu, se jogou no meu peito. Na moral eu não esperava... Mas quando percebi que ela estava desabada, aos prantos apoiada em mim, minha única atitude foi envolvê-la num abraço quente e apertado.

-Branquinha, o que tá pegando? –Sussurrei em seu ouvido, enquanto sentia um cheiro gostoso vindo dos seus cabelos sedosos. Aproveitei para penetrar meus dedos entre eles e acariciar aquela cabecinha linda.

-Eu é que pergunto: O que tá pegando nessa porra? –Uma voz estridente ecoou atrás de mim, nem precisei pensar muito para manjar que era minha loira.

Ao se dar conta do ciúmes de Suzy Isabela se afastou no mesmo instante, respirou fundo e tentou se justificar.

-Desculpa. Eu não queria fazer isso... –Deu as costas para nós. Entrou no barraco e bateu forte a porta, deixando o barulho da batida se misturar com o som do furdunço.

Suzy me agarrou pela camisa e me virou à sua direção.

-O que foi isso... –A interrompi.

-A mina tá mal, só tava dando uma moral pra ela. Nada de mais!

-Ah, quando eu tava mau não precisei de homem dos outros para me dar uma moral!

Respirei fundo balançando a cabeça com tédio daquele papinho chato.

-Cara eu não sou teu homem, não viaja, para de ficar explanando essas ideia errada!

Ela estreitou os olhos claros e dei de ombros, calada, marchando firme até o barraco ao lado.

Sou de boa, curto pegar uma aqui, outra ali... Mas na moral sempre tem umas que a gente gosta de foder mais do que as outras, no meu caso é a Suzy. Ela era casada com um parceiro meu, ou melhor ainda é. Na época em que ele estava solto ela passou mó perrengue, Cadu a comia na porrada com força e é por esse motivo que quando o filho da puta foi preso ela negou quaisquer tipos de visitas, e outros assuntos envolvendo ele. Nesse tempo eu fui seu consolo, nós começamos a ficar sempre, mas sempre deixei claro que ela podia dar pra quem quisesse, assim como eu não perdoava uma boceta na minha frente. O problema é que ela acabou se apegando na pegada do negão aqui, mas eu não tenho culpa disso.

Esperei-a entrar para atravessar a porta do barraco, e deparei-me com ela debruçada sob a mesa. Um copo de cerveja estava ao lado do celular que não parava de tocar a merda daquela música Amor Falso.

-Loira! –Disse enquanto puxava uma cadeira e me assentava ao seu lado. Fiquei com pena de vê-la triste daquele jeito.

-Você não presta. Sempre diz a mesma coisa: "Eu não sou sei homem" e sai por aí enfiando seu pau em qualquer boceta, correndo o risco de me por uma doença! Quer saber Marreta eu cansei! Tô cansada de fazer papel de trouxa, eu não nasci pra ser pente certo de ninguém! Quando sua mãe se recusar a lavar suas roupas eu não vou lavar, e muito menos vou deixar você almoçar e jantar aqui em casa! Pra mim já chega!

Filha da puta. Isso lá é coisa de jogar na minha cara?

Murchei constrangido.

-A parti de agora se você realmente quiser ficar comigo, vai ser pra ficar de verdade, entendeu?! Chega dessa palhaçada de enfermeira particular! Você vai decidir agora se eu sou, ou não sua mulher!

Engoli um seco. "Minha mulher", que frase forte, normalmente só digo isso na hora da foda...

-Calma loira. Pow, pega leve! Tu sabe que eu te curto pra caralho, sempre te dei mó moral... –Ela me interrompeu.

-Como se eu também não te desse.

Eu apanhei o copo de cerveja que estava ao seu lado e sorri.

-Sou gamado nessa sua crisezinha de ciúmes, tu fica ainda mais gostosa! –Disse enquanto afastei uma de suas mechas e lhe dei uma mordida na orelha.

Sua respiração ficou irregular, Suzy mirou seus olhos nos meus. E eu não pude deixar de notar aquela boca rosinha que já me saciou tantas vezes.

-Você sabe que eu gosto muito de você... Eu te...

Encaixei logo minha mão por trás da nuca dela e a roubei um beijo. Ela retribui deliciosamente, e se jogou para cima de mim cheia de calor. Eu estava doido para saciar, e fode-la até ver aquela bocetinha loira inchar.

[...]

Depois de tirar umas três no barraco da minha loira, cheguei com as pernas bambas na boca. Lá eu adiantei uns bagulhos, mas travei novamente na hora de resolver aquele relatório louco. Eu sei que trabalho nisso há quase uma década, mas eu tenho sérios problemas com os números, no meu caso a porra da calculadora é uma inútil, minha irmã disse que isso deve ser o mesmo distúrbio que ela tem: discauculia. Minha cabeça dói e os números começam a dançar diante dos meus olhos. Antes eu até pedia uma moral para meus crias que manjavam de contas, mas nos dias de hoje tenho andado mais precavido. Preciso encontrar alguém de confiança para cuidar disso.

Trabalhei até às 5h. Parti pro meu barraco quase dormindo de tão cansado.

Ao chegar em casa guardei minha moto na garagem e entrei de fininho, pois estava ciente que naquele horário minha coroa já estava acordada, se aprontando para mais um dia de trabalho.

Abri a porta devagar, entrei nas pontas dos pés para não chamar atenção.

-Bom dia! Parece que alguém aqui lembrou que tem casa!

Fiquei sem graça, e alarguei um sorriso falso.

-Essas mulheres tem que ser da sua laia mesmo pra deixar você dormi na casa delas! Porque não mora lá de uma vez? Tá ficando mais lá do que cá! –Mamãe disse enquanto ajeitava o uniforme do trabalho.

-Quê isso dona Carminha, não precisa ficar com ciúmes, já te dei o papo que minha fiel é você. Vou ficar aqui nesse barraco pra sempre! –Sorri e me acheguei até ela.

-Deus que me livre! Rafael você já tem 25 anos, não acha que já tá na hora de escolher uma dessas doidas e juntar seus panos de bunda?! –Mamãe disse enquanto eu a espremia num abraço.

Eu sorri e disse no seu ouvido.

-Pow mãe, eu até queria... Mas fazer o quê se elas não me merecem!

Mamãe revirou os olhos e me empurrou.

-Eu que não vou te dar confiança e me atrasar pro trabalho de novo! Lá na cozinha tem café e bolo! Agora deixa eu ir! –Disse apanhando a bolsa.

-Quê isso mãe?! Não vai me dar nem um beijinho? Se fosse a Rafaela tu já taria agarrando ela a força!

-Rafaela não é uma marmanja velha e atoa! Fica com Deus Rafael, vê se pelo menos hoje fica em casa... –Gritou do outro lado da porta.

Esperei minha coroa fechar a porta. Tomei o café e segui para meu quarto, ficou até difícil encontrar minha cama de tão bagunçado que estava. Quando a vi não perdi tempo, tirei logo minha roupa e me afundei pelado na cama.

[...]

Meus olhos ainda estavam pregados quando senti minha cabeça ser acertada por sucessivos tapas... Cansado, e muito sonolento me revirei na expectativa de que aquela sensação passasse.

-Marreta! Marreta! Acorda porra!

Além da voz irritante senti outro tapa estalante.

Abri os olhos vagarosamente e dei de cara com a chata da minha irmã.

-Caralho! Eu tô pelado! Some do meu quarto porra!

Ela sorriu enquanto me levantei num impulso procurando um lençol para me tapar.

-Eu devo ser a única aqui no morro que não tem um pingo de interesse nesse seu pau preto!

Balancei a cabeça enquanto vestia uma de minhas bermudas espalhadas pelo chão do quarto. Respirei fundo e criei coragem para encarar a cara feia da minha irmã depois de todo esse constrangimento.

-Não tá na escola porquê caralho?!

-Deve ser porque eu estudo de manhã, e já são quase 4 da tarde. Mas, vamos direto ao ponto: Eu preciso de roupas novas, as que eu comprei mês passado já estão usadas...

-A máquina tá ali pra isso mermo.

-Larga de ser chato e me leva lá na Cidinha pra comprar roupa! –Rafaela disse enquanto se admirava em frente ao espelho.

-Esqueceu o caminho? –Ironizei.

-Não. Mas, é que eu tenho um irmão que carrega puta pra cima e pra baixo, então não custa nada ele me dar uma carona. Até porque a casa daquela mulher é quase no céu de tão alta!

Garota chata.

-Deixa dar uma molhada primeiro.

Rafaela assentiu e saiu do meu quarto jogando seus volumosos cachos castanho mel pra trás. Apanhei minha toalha pendurada no para peito da janela e segui para o banheiro. Escovei os dentes, aproveitei para fazer a barba. Me encharquei de perfume e desodorante, vesti uma bermuda de tectel vermelha e uma camiseta regata preta, joguei meus cordões de ouro no pescoço e calcei meu kenner.

Chamei Rafaela, que por vez me esperava deitada no sofá da sala com os olhos vidrados no celular. Eu a puxei dali, peguei minha moto da garagem e subi até a loja em que ela queria. Na casa da mulher fiquei naquele tédio vendo minha irmã comprando mais uma porrada de roupa iguais as que ela comprou mês passado. Não vi diferença nenhuma, era só uma desculpa de torrar minha grana suada.

Caminhei até a dona, entediado, e perguntei quanto deu aquela porra.

-3 mil. –Ela disse calma.

Meu coração fisgou e eu tive vontade dá uma na minha irmã.

Balancei a cabeça e tirei o dinheiro. Eu não gosto de chamar atenção daquela pirralha na frente dos outros, mas ela pode ficar ciente que se depender de mim ela não ganha mais nenhuma peça esse ano.

-Peraí... Como assim... O que eu peguei deve dar no máximo uns 700... Eu não te devo nada Cidinha. –Rafaela afirmou.

A moça sorriu.

-Não Rafaela, não foi você é que a Kel trouxe Isabela aqui e ela pegou algumas coisinhas... E eu passei o valor total.

-Como assim? Nem sei que é essa? –Minha irmã perguntou com raiva.

-Foi a Kel, aquela filha da puta não perde uma pra me afrontar!

-Eu vou ligar pra ela agora, que palhaçada! –Rafaela apanhou o celular e foi para o canto da loja.

Eu aproveitei pra dar a visão naquela mulher.

-Pow tu não pode liberar minha conta essas maluca! Assim tu me quebra porra! –Franzi a testa ao dizer.

-Desculpas... Sua irmã compra comigo há anos, ela sabe que nunca fiz isso. Mas é que a menina disse com todas as letras que é sua fiel.

-Minha fiel? E eu lá sou igreja pra ter fiel? –Me irritei.

-Desculpa mais uma vez... Mas, isso quer dizer que você continua solteiro né?! –Ela abriu um sorriso safado ao perguntar.

Imaginei o que ela queria.

-Solteiro, mas sempre a disposição das que precisa, tu tá ligada no meu papo né?! –Pisquei pra ela.

-Tô ligada. –Sorriu. –Meu provador tá estragado, se você não se incomodar em me ajudar a dar uma moral nele...

-Pra agora! –Apalpei o bolço da minha bermuda para confirmar se havia trago camisinhas, e sim, eu havia trago.

No provador botei pra foder com a ruivinha. Ela até que fodia gostoso, não deixava a desejar. Foi uma rapidinha para minha irmã não sacar.

Saímos do provador. A mulher ajeitava o cabelo enquanto eu terminava de vestir minha camiseta.

Rafaela parecia uma estátua nos olhando, ela veio até mim cheia de fúria, me agarrou pelo braço e saiu me puxando para fora do barraco.

-Obrigada pelas compras Rafaela! –A gostosa gritou.

-Vai se foder! –Minha irmã retrucou, me encarando boladona.

Montamos na moto, descíamos a ladeira quando Rafaela não se conteve e iniciou as reclamações.

-Porra! Você comeu aquela mulher praticamente na minha frente! –Esbravejou.

-Tu que me chamou pra brotar naquele barraco, eu nem sei o nome daquela mulher. –Respondi tranquilo.

-O nome dela é Maria fuzil. Desgraçada, oferecida, não pode ver um pau!

-Tá certa, boceta foi feita pra dar mesmo, pra quê ficar amarrando esse negócio! –Falei num tom de deboche.

-Que bom que você pensa assim mano.

-Quê? Como assim? Essa ideia não serve pra tu não hein... Respeita porra!

-Hurum... Pode deixar maninho.

Deixei Rafaela em casa.

[...]

Como só iria pra boca amanhã de manhã seguir para o boteco do Xulipa e fiquei lá a espera de Pica Pau até anoitecer. Havia combinado com uns parceiros, eu como não sou de bobeira aproveitei e passei um rádio pras vadias aqui da área. Do nada o bar virou uma resenha, e olha que nem era essa minha intenção.

Pedrão foi o primeiro a chegar, ele me cumprimentou e se assentou ao meu lado. Pica Pau brotou logo em seguida.

Eu estava tão de boa dando uma tapa que nem percebi o tempo passar. As minas rebolavam em frente a máquina de música, uma delas me puxou da cadeira e começou a sarrar com a bunda no meu pau. Eu acompanhava seu ritmo quando meus olhos fitavam a rua movimentada.

Entre um monte de noiados, novinhas e outros moradores, de longe avistei Isabela passando com a mochila nas costas chacoalhando, ela estava séria como sempre.

Dei um tapa na bunda da morena e corri para fora até alcança-la entre a aglomeração.

Isabela virou-se assustada.

-Desculpa! É que eu ando meio cismada com esses puxões de mochila. –Ela abriu um sorriso, mas deu para ver que não foi sincero. Ela continuava triste, que nem ontem.

-Quer colar com nóis ali no boteco?

-No boteco? Ah não... De onde eu vim é tão feio mulheres ficar desse jeito em boteco, melhor não.

-Esquece esse buraco que tu morou e bora pro boteco, porque aqui até as coroa curti um furdunço. E na moral tu tá precisando tirar essa carinha, não combina com tu. –Disse sorrindo abertamente.

-Ata, o que combina comigo é ficar do lado de um homem comprometido num boteco, entendi. –Afirmou num tom de ironia.

-Quem tá comprometido aqui? Você? Porque eu que não sou, a não ser que tu queira é claro! –Pisquei e ela corou as bochechas no mesmo instante. Isabela ficava uma gracinha envergonhada.

-Hum...

Falei antes dela.

-Bora lá. Isso vai servir como pagamento pros 2 conto de roupa que tu pegou na minha conta.

-Ah meu Deus! Eu juro... Juro que vou te pagar, eu não queria, mas a Kel...

-Relaxa. Vamo curti. –Dei meu copo de cerveja para ela e a envolvi num abraço enquanto seguíamos até o bar movimentado.

Os olhos dos moradores que estavam ali nos sondavam. Mas, não mais do que o dos meus parceiros, eles me encaravam tanto que até cheguei a ficar bolado.

-Eita! Novidade aqui no Chapadão?! Essa daí eu nunca vi...

-Essa daí tem nome tá bom! –Isabela retrucou Pedrão, se afastou de mim e puxou uma cadeira.

Pedrão estreitou os olhos e sorriu com malícia pra ela. Isa ignorou sua investida, murchou repentinamente e manteve o olhar sob o copo de cerveja.

-Pedrão, deixa a mina em paz cara. Tá vendo que ela não quer papo! –Passei a visão para aquele cuzão. –Liga não Branquinha, esse cara é chato assim mermo.

Peguei uma cadeira e me assentei ao seu lado. Apanhei a garrafa de vodcka coloquei no meu copo e depois misturei um pouco de red bull. Beberiquei um pouco e dei para Isabela, na qual bebeu tudo num gole só. Como vi que ela gostou enchi meu copo novamente, ela bebeu tudo de novo.

-Caralho tu bebe hein porra!

Ela sorriu, e aquele sorriso eu vi que foi de verdade.

-Isso pra mim não é nada, eu tô acostumada a beber cachaça direto do alambique!

-Porra... –Eu odeio cachaça, mas não custava nada pegar uma. Queria que ela esquecesse pelo menos por algumas horas aquela merda toda.

Levantei-me e fui até o balcão, lá peguei uma dose de cachaça com Xulipa e voltei com um sorriso, deixando o copo em sua mão.

Novamente ela tomou tudo num gole só.

-Vocês tão rejeitando Absolut pra tomar cachaça, caralho! –Pica Pau sorriu ao dizer. –Qual é o seu nome morena? –Pica perguntou.

-Isabela.

-Isabela... Acho que já ouvir... Tu é a menina que meu parceiro tentou assaltar e tava mais foddida do que ele?

Ela ficou vermelha, até eu fiquei.

-Pow Pica Pau!

-Ei! Você sai falando isso pra todo mundo? O que mais você fala de mim?! –Perguntou com a cara fechada.

-Ele fala que tu é mó gata, gente boa e que tá doido pra te dar uns pegas! –Pica Pau piscou com um sorriso no canto dos lábios.

-A é... –Ela ficou ainda mais vermelha do que antes, como reação apanhou a garrafa de vodcka e a bebericou no gargalo do litro.

-Caralho! –Pica Pau exclamou com as sobrancelhas arqueadas.

Tomei o litro da mão dela.

-Vai com calma, isso aí não é água. Melhor fumar um baseado!

-Eu não uso drogas, eu só bebo.

-Tô ligado.

-Isabela, tu dança?

-Eu danço! –Exclamou sorrindo. Não demorou muito para que ela se levantasse e puxasse Pica Pau para dançar o forró que um coroa tinha botado na máquina.

O zé ruela estava com a mão praticamente na bunda dela, cheio de vacilação. Estava me remoendo de raiva daquele otário e quando a música estava prestes a acabar não hesitei a puxa-la para mim. Envolvi-a e apoiei um braço em suas costas e outro na cintura, ali começamos dançar e continuamos no mesmo ritmo por várias músicas seguidas.

Isabela exalava energia, estava muito melhor do que nos outros dias. Mantinha um sorriso espontâneo no rosto quase o tempo todo, seus estavam entrelaçados no meu pescoço e era quase que inevitável nossos olhares não se encontrar e se perder um no outro.

-Eu tô aqui dançando como se não tivesse que pegar cedo amanhã no trabalho. –Disse em meu ouvido.

-Tô na mesma. Mas esquece amanhã, é bom curti um dia de cada vez!

-Uma noite, você quer dizer... Sabia que por incrível que pareça eu gosto da sua companhia?! –Disse sorrindo se achegando mais em mim no ritmo.

-Quem é que não curte?! –Exclamei com sarcasmo. –Mas... Eu também curto a sua.

Ela riu.

-Isso eu já percebi a muito tempo... Eu tô com impressão que eles tão tocando forró só por causa da gente. Vocês aqui gostam de funk né? –Perguntou pensativa. –Coloca um funk!

-Tu que manda.

Me distanciei dela e segui para a máquina onde coloquei um som pesado daqueles da antiga, MC Magrinho. Quando voltei para trocar umas ideias, me assustei com a cena em que vi. Isabela estava indo até o chão com a garrafa de vodcka nas mãos ao lado de Pica Pau, Pedrão e umas minas da área. Me assentei e fiquei ali admirando ela rebolar, imaginando ela fazendo daquele jeito em cima do meu pau.

-Ei! –Isabela me tirou do transe estalando os dedos sucessivas vezes na minha cara. –Pensei que você também dançava funk...

-Eu até danço, mar é bem melhor te ver rebolando, tá ligado?! –Afirmei com um olhar malicioso, e por incrível que pareça ela também me olhou cheia de maldade.

Ela virou de costas dobrou os joelhos rebolando aquela bunda gostosa quase a esfregando na minha cara. Ela insistia com a porra daquele quadradinho que fazia com que meu pau endurecesse entre as pernas. Ela queria me enlouquecer só pode.

-Qual foi Marreta! Vai arregar caralho? –Pica Pau gritou enquanto ele e outros parceiros apontavam o dedo para minha cara de bobo, que provavelmente estava fazendo.

Isa parou de mexer o corpo, virou para mim num olhar de deboche e gritou pelo meu mano.

-Pica Pau! E aquilo que a gente combinou?!

-Opa! Pra agora! – Pica Pau deu um grito.

Na companhia de uma morena Pica Pau veio até Isabela, juntos os três subiram sob a sinuca do bar e começaram dançar a porra daquela música só quer vrau. Quando os três incluindo Isabela tiraram a blusa eu tive a certeza de que ela estava bêbada e iria se arrepender muito daquela merda quando caísse em si.

Eu não gostei nada daquele strip-tease, geral de olho, vendo ela dançar sem blusa com aquele sutiã cavado. Uma sensação gélida invadiu meu coração, e eu não me segurei levantei e puxei-a da sinuca de maneira brusca.

-O que foi? Não tava gostando? Eu tava dançando pra você! –Disse com sacarmo dando altas gargalhadas ainda no meu colo.

Calei-me. Dei o sinal para Xulipa que amanhã eu pagava aquela porra coloquei-a no chão e saí furioso, enquanto meus parceiros me zoavam.

Fora do bar precisei segurar Isabela porque ela estava cruzando as pernas e a todo o momento inventava algo para poder tropeçar. O pior de tudo é que estava de moto e eu não me arriscaria levar ela na minha garupa, muito menos na minha frente.

-Sabe eu até que gostei daquele boteco. –Ela sorriu.

Eu respirei fundo, entediado.

-Se depender de mim, tu nunca mais pisa lá. Tu acha bonito o que você fez em cima daquela sinuca? Porra o boteco tava cheio de macho e tu tava lá dançando que nem uma puta!

Ela mudou a feição sorridente no mesmo instante, apoiou os braços em meus ombros e deu um chute entre minhas pernas. Eu subi para o céu e desci no inferno de tanta dor.

Ela ainda deu uma de maluca e saiu correndo que nem louca pela viela, mas caiu na subida da calçada. Me dei uma vontade do caralho de deixar ela largada ali, pra ver se ela parava de gracinha.

Mas acabei agindo que nem otário. A ajudei a levantar, mesmo que recebendo vários tapas fortes na minha cara.

É por isso que odeio bêbados, já estava me estressando com aquela porra.

-Na moral, eu só quero que tu lembre disso amanhã, tá ligada?!

-Vou me lembrar sim, principalmente dessa sua carinha de bravo! –Ela debochou e tropeçou de novo numa pedra.

Antes que ela viesse ao chão novamente a segurei firme e puxei pelo braço.

Balancei a cabeça inconformado.

Nunca fiz tanto papel de trouxa na vida cara. A culpa também foi minha, se eu soubesse que ela era uma cachaceira não teria chamado.

Chegou uma hora que me senti frustrado, cansado de ver ela se arrastando que nem uma lesma naquela porra. Me humilhei a ponto de ergue-la e a pôr no meu ombro. A carreguei nas costas até chegarmos a vila. Ainda bem que Suzy estava de plantão, porque isso com certeza iria queimar meu filme.

Ao chegarmos lá ela se deu conta de que havia deixado a chave na mochila, e que havia deixado a mochila no bar, então eu tive que pular a janela junto com ela. A cada segunda eu ficava mais puto de raiva, parecia que ela se esforçava para que as coisas dessem mais errado do que já estava. Eu acendi a luz, e na moral eu me assustei porque esperava no mínimo um colchão ali. É sério que ela estava dormindo no chão?

-Rafael... Me perdoe, você tem razão, eu sou uma puta. Por isso que aconteceu aquilo comigo... –Disse enquanto as lágrimas escorriam de seus olhos.

Ela mudou do nada, como uma bipolar. Vá entender.

-Eu tava de caô aquela hora, eu quis dar o papo de que tu é uma puta de tão santa!

-Como?

-Deixa pra lá. Onde que tu dorme aqui nesse barraco?

-Ali! –Ela apontou o dedo para o canto que tinha um edredom dobrado.

- Entendi... –Meu coração chegou a doer de pena. –Então é isso...

Seu estado de aflição era explícito, os olhos acastanhados me fitavam de uma maneira tão crua e melancólica que trazia uma expectativa de arrependimento.

-Você vai embora né?! Você tá com raiva de mim depois do eu fiz! –Disse aos prantos.

-Tu quer mermo que eu fique? –Questionei desacreditado.

-Eu quero... –Disse num tom sério, seus cabelos estavam desajeitados e quase cobria sua face. Ela estava bêbada, se eu dormisse ali com certeza iria encher minha cabeça no outro dia. Porém se eu fosse embora e a deixasse ali sozinha, chorando iria me sentir pior.

-Tá...

Ela se escorou na parede, me fitando incessantemente com se tivesse perdido algo em mim enquanto eu pegava o edredom e forrava no chão do piso de cera.

-Vamo dormi!

-Tá!

Ela se jogou no canto da parede, na verdade ela caiu mesmo, fiquei com medo de que ela tivesse se machucado. Mas aparentemente ela estava bem, até se sentou ao lado das sacolas.

Quando eu ia pressionar o apagador Isabela disparou um grito.

-Só apaga a luz se você me prometer que não vai embora no meio da noite! Eu tenho medo.

Eu ri.

-Relaxa. Eu ficar.

Tirei meu chinelo e a camisa, deitei-me com meus olhos concentrados, perdidos ne como ela era linda.

-Não vai deitar?

-Não. Eu não me sinto bem dormindo deitada, prefiro ficar assim sentada.

-Por causa do chão né, amanhã vou descolar uma cama... –Ela me interrompeu.

-Não é por isso... –Resmungou com a cabeça baixa. Eu percebi o motivo. –Mas eu tô te incomodando, estou praticamente te obrigando a dormir aqui nesse chão duro...

-De boa. Mas tu bem que podia me deixar usar suas coxas como travesseiro. –Brinquei.

-Tudo bem, pode usar. –Quando ela espichou as pernas fiquei desacreditado.

Mas eu que não iria me recusar. Suas coxas eram bem mais macias do que qualquer travesseiro que já apoiei minha cabeça. E eu me sentia bem de estar ali com ela, também sentia que ela estava bem comigo, e que precisava de mim como eu precisava de sua companhia.




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