História Amores Furtados - Capítulo 13


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Categorias Histórias Originais
Tags Romance Morro Traficante
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Palavras 2.486
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Literatura Feminina, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 13 - Capítulo 11


Fanfic / Fanfiction Amores Furtados - Capítulo 13 - Capítulo 11

Capítulo narrado por Marreta.

Sentia o frio do piso ultrapassando a coberta e resfriando minha pele. Apesar disso, dormi traquilaço, ainda mais por estar ciente que minha cabeça estava apoiada sob as coxas macias de Isabela, ela por vez parecia ter entrado em coma, num sono bem pesado.

Espreguicei os braços antes de arregalar os olhos, meu relógio biológico funcionava bem e eu nem precisei conferir o relógio para saber que era aproximadamente 6 da manhã. Abrir os olhos vagarosamente enquanto me apoiava nas pernas da mina, e foi aí que minha cabeça foi chutada para longe. Caralho tomei um susto que chegou a gelar meu coração. Como já ando com a cabeça esquentada não pensei duas vezes ao apanhar minha Glock ao lado do meu chinelo e cordões.

Isabela me encarava com os olhos estreitados, podia jurar que se minha arma estivesse em suas mãos ela não iria pensar duas vezes em me mandar pro espaço.

—Como você veio parar na minha casa?! Em cima da minha perna? O que fez comigo ontem a noite? –Gritou assustada com o cheiro de álcool exalando de sua boca.

—Eu tava ciente que isso ia acontecer, é sempre assim, o filho da puta enche o rabo na cachaça, faz um monte de merda e depois não lembra de nada. É por isso que eu prefiro um baseado! –Sorri para ela enquanto guardava o cano na cintura e vestia minha camisa.

—Você não respondeu minha pergunta! –Gritou apontando o dedo na minha cara.

—Tá querendo saber se nóis fodeu ontem a noite? Eu até queria, mas acho que essa calça jeans responde sua pergunta. –Coloquei meus cordões no pescoço. Na moral eu não sabia se Isa estava com vergonha, ou com raiva, mas tinha certeza que ela estava moída na ressaca. Ela se esforçava para manter os olhos abertos e ficava espreguiçando o tempo todo. Senti dó quando ela apoiou as mãos nas costas tentando ajeitar a posição, é foda dormir no chão puro. Caralho, isso não é vida.

—Bom... Então você já pode ir embora, vou me arrumar pro trabalho.

Balancei a cabeça e sorri.

—Porra! Eu cheio da boa vontade te chamei pra colar comigo ontem, sendo que a única coisa que tu fez foi me passar vergonha e me dar o trabalho de te carregar nas costas até aqui! Tu parecia aqueles coroa de boteco, caindo, tropeçando no meio da rua. –Debochei. –Eu podia ter dormido na casa de qualquer mulher aqui no morro, mas eu fiquei aqui nessa porra que nem cama tem, porque tu praticamente implorou pra eu ficar aqui contigo. E agora tu acorda me chutando, e ainda me manda meter o pé do barraco. Ah não fode!

Suas bochechas coraram.

—Eu implorei pra você ficar aqui?! Impossível... Eu estava bêbada, só pode, porque só consigo me lembrar de quando a gente estava dançando... -Me olhou atentamente. –Melhor você ir embora antes que sua enfermeira apareça e tope você aqui! –Disse me empurrando a direção da porta.

—É assim?! Pow, não vai rolar nem um café? –Pisquei ao dizer.

Ela abriu um sorriso forçado.

—Café?! Como?! Não tenho fogão querido. Tchau! –Me empurrou para fora e bateu a porta na minha cara.

Cara bom que nem eu só se fode mesmo. Elas me tratam assim e depois veem chorando, vai entender. Isabela disse que não tinha fogão, mas afinal, o que ela tinha? Eu não vi nada naquele barraco além da coberta. Tive que seguir a pé até meu barraco, minhas costas doíam enquanto eu caminhava. Como é que ela conseguia dormir na porra daquele chão duro todo dia?

Cheguei em casa na correria. Tomei um banho e me vesti. Minha coroa não trabalhava nos finais de semana, e eu fiquei feliz por saber que o café já estava na mesa me esperando. Troquei umas ideias com dona Carminha e parti para a boca trocar de turno com Taquara.

[...]

Chegando lá estava tudo no esquema, uns probleminhas ou outros como sempre, mas nada para esquentar minha cabeça. A não ser aquela cara de chupa rola que meu parceiro estava fazendo.

—Ontem na madruga eu dei um chega lá no barraco. E adivinha cara: Kel não tava lá. Eu já mandei um monte de mensagens praquela vagabunda, e ela nada... Ela tá brincando com fogo, se eu pegar já sabe... –Afirmava desinquieto, pensativo enquanto acariciava o fuzil.

—Mano eu já te passei a visão a muito tempo. Não me meto mais cara. –Acendi o cigarro enquanto via ele ficar ainda mais enraivado.

—Ela vai se arrepender muito desse mole de ontem... Pode ficar ligado... Vou meter o pé e dá um jeito nisso.

—Vai lá! Vaza!

Taquara levantou-se do banco ao meu lado, pôs o fuzil nas costas e saiu mal humorado. Eu fico bolado quando escuto esses papinhos tortos de Taquara. Porra, porque ele não mete o pé na bunda daquela mulher de uma vez? Os dois parecem gato e rato, não tem um único dia que não se pegam.

Conferi as paradas na boca. Como o bagulho aqui em cima estava de boa, aproveitei para marcar um 10 na laje da 26, onde alguns dos meus olheiros ficavam de tocaia. Desci a viela acelerado, entre uma rua e outra, passei próximo a pensão de dona Alzira, e meus olhos mesmo sem minha permissão buscaram Isabela lá dentro. Ela servia a mesa com uma péssima cara. Também pudera, depois da noite de ontem imagino que ela esteja moída na ressaca, e o pior de tudo é que ela iria trampar, chegar no barraco cansada, e não iria ter nem uma cama decente para tirar um sossego em paz.

Pensar naquilo me trazia uma imensa agonia, não sei por que, mas me sentia na obrigação de dar uma moral naquilo. E se eu não fizesse nada a respeito, iria dormir com a consciência pesada por dias seguidos.

Cheguei na laje e cumprimentei os moleques de boa, fui na intenção de marcar um 10 com os caras, mas acabei marcando uns 100. Fiquei ali me lembrando da época de moleque, quando ficava firme com o foguete debaixo do sol quente, nem piscava, eu e os outros fogueteiros competíamos para pegar uma furada e ver quem iria dar a ideia no chefe primeiro. Época boa, me sinto vitorioso por estar vivo até hoje, porque muitos que fechavam comigo na antiga rodou há anos.

Quando o relógio marcou as quatro me despedi dos moleques e acelerei rumo ao brechó de um velho conhecido no beco da 40. Ele vendia móveis seminovos, sendo que todos estavam no grau, conservados pra caralho. –Eu até podia comprar móveis novos, ou dar dinheiro para que ela mesma pudesse fazer isso, mas tive preguiça e achei desnecessário. –Também peguei uma geladeira, fogão, e uma televisão. Era só para dar uma moral naquele barraco mesmo, por isso comprei o essencial. Colocamos tudo que comprei na estradinha velha do meu parceiro e subimos. Lá no barraco eu fiz um macete na porta para conseguir abri-la. Me desgastei e perdi um bom tempo botando aqueles bagulhos no lugar, mas no final das contas eu me senti feliz e aliviado, o barraco oco de antes finalmente ficou parecendo uma casa de verdade.

[...]

Depois daquela trabalheira toda desci cansado rumo à boca. O sol estava indo, e aos poucos as luzes da favela se acendiam como uma constelação.

Escorei minha moto fora do barraco e entrei a passos lentos, na expectativa de encontrar tudo na mesma tranquilidade em que deixei.

Mas não foi isso com que me deparei.

Meus punhos latejaram quando vi a cena escrota diante dos meus olhos. Tilapa parecia um rato fuçando meus bagulhos. O filho da puta mexia em tudo, na minha caixa, no caderno que usava para fazer os relatórios da boca.

O que aquele merda pensa que estava fazendo?

Reagi espontaneamente. Tirei meu fuzil das costas, engatilhei e mirei para ele. Caminhei a passos lentos com o cano pesado apontado a sua direção.

Geral se aquietou. Ninguém ousou a piar nada naquela porra, senão o cuzão, que assim que me viu ergueu os braços como uma redenção.

—Qual foi patrão? –Perguntou com a voz e olhos trêmulos.

—Eu mandei tu meter o dedo naquela porra?! Eu mandei caralho?!

—Não... Eu só queria te dar uma moral ali com as conta... Vi que tu tava lento no bagulho... –Falou cabisbaixo.

—Ah! Então agora eu sou devagar? Não fode caralho. Dá o papo! O que é que tu queria com meus bagulhos?! –Gritei pausadamente enquanto me achegava com o cano da AK47 na testa dele.

—Nada... Nada... Eu juro, era só isso mermo. –Engoliu um seco.

—Eu vou dar um papo pra tu, mar serve pra quem vai ouvir também. Não quero ninguém encostando em nada... Caralho nenhum meu tá ligado?!

Geral assentiu.

—Isso aí patrão. Tu tem que botar moral mermo! –Jão gritou ao lado de outros crias meus.

—Cala a boca, que hoje eu não tô pra babação de ovo! –Ele engoliu um seco e tornou a se calar.

Respirei fundo e coloquei o fuzil nas costas novamente. Olhei com faísca nos olhos para cada um deles.

—Tilapa. Ajoelha.

—Pra quê isso Marreta... Eu não vou vacilar mais não... Eu assumo meu erro... –Disse ofegante, dobrando os joelhos, me olhando com um suplício lamentável.

De joelhos no chão, eu dei um tapão naquela cabeça oca, e pedir para que Jão se aproximasse.

—Trás lá o alicate. –Afirmei calmo. Jão atendeu minha ordem e logo veio com a ferramenta.

—Levanta os braços Tilapa. O que vai acontecer aqui é pra ficar de exemplo. Vou voltar fazer valer as leis do Chocolate nessa porra. Desobedeceu neguim, vai um dedo de cada mãozinha!

Eu ri.

—Não! Não! Chefe eu juro... Por favor, eu não vou vacilar de novo! –Suas lágrimas banhavam meus pés.

—Tu tá me tirando de comédia? Tá achando que eu sou otário?! Hoje vai dois dedinhos, e amanhã se eu te pegar de vacilação vai tua vida!

Apanhei o alicate na qual já estava banhado por sangues anteriores. Conferi se estava amolado na luz, segurei firme a mão direita do otário e arranquei o dedo mindinho. Com a mão esquerda prossegui da mesma maneira pressionei o alicate contra sua pele, quando chegou no osso estalei com força até o dedo descolar do membro e fazer o sangue jorrar enquanto descolava da mão. Tilapa gritou, gemeu, chorou se contorcendo de dor.

Eu o empurrei e entreguei o alicate para Jão. O acompanhei até o tanque, e enquanto lavávamos as mãos eu o questionei.

—Tu viu Tilapa dando um vacilo desses e não fez nada mermão?!

—Não vi não. Tava ali ajudando os cara a consertar uns cano travado...

—Então agora tu passa a prestar mais atenção. Não vacila comigo caralho, tu é meu cria, boto fé em ti parceiro.

—Ih... Qual foi Marreta?! Até parece que tu não me conhece, tô aqui pra fechar contigo mermo tá ligado?!

Eu sorri com dificuldade e lhe dei um tapa firme nas costas.

—Isso aí.

Caminhei a passos lentos pelo barraco, vendo todos me observar com olhares temerosos. Ignorei geral, aproximei da minha mesa e vasculhei tudo para ver se havia algo de importante ali, ou nas caixas ao lado. Só encontrei o caderno do relatório. O filho da puta teve meses para se oferecer para me dar uma moral, e nunca falou nada. E hoje do nada ele aparece fuçando tudo. Nem vou mais deixar esse caderno aqui, a parti de agora ele só fica na minha mão, ou na de Taquara. Vou ter que passar um pente fio nesse barraco, odeio trampar com a desconfiança roendo meus neurônios.

O clima no barraco era tenso, mas eu permaneci como estava, de boa como se nada tivesse acontecido. A culpa daquele merda toda é minha, até esses noiadim já estão manjando minha dificuldade, fico puto com isso.

—Patrão, tem uma mina ali fora querendo trocar ideia contigo.

—Se for a Suzy pode dar a ideia de que não dá pra brotar lá hoje não!

—Não é ela... É a mina que eu trouxe aquele dia. Falou que o papo é rápido, tá ligado?!

Olhei para ele enquanto batia a ponta da caneta na mesa.

—Eu vou lá fora. E quando chegar não quero pegar outro vacilo, copiou?

—Copiei.

Levantei-me e me direcionei para fora do barraco. Ela estava escorada num poste ao lado, com os braços cruzados. Os cabelos negros caíam sob os ombros, parece que ela tinha mania de ficar enroscando ele nos dedos. Isa usava um short tão apertado que chegava a fazer dobra nas coxas, estava com uma blusa de manga preta que marcava a cintura fina dela.

Assustei-me quando ela correu e me envolveu com um abraço.

Eu não esperava.

—Muito obrigada. Eu sei que foi você que mobiliou minha casa, nem sei o que dizer... Nem sei como agradecer... –Disse me apertando forte com os braços.

Devolvi com um abraço mais apertado do que o dela.

—Relaxa, tá de boa.

—Você vive me ajudando... Tudo que eu tenho até agora foi graças a você... –Inclinou a cabeça para cima e mirou os olhos mel nos meus. Meus batimentos cardíacos se aceleraram com ela tão perto de mim. –Queria compensar de alguma forma. Se você quiser eu posso fazer um jantar...

—Outro dia. Não vou arredar o pé daqui hoje.

—Ah... É... Então tá. Só queria que você soubesse o quanto estou grata, e se mudar de ideia o jantar vai estar pronto. Agora, deixa eu ir estudar as matérias de ontem. –Dei de ombros e eu a puxei novamente.

Sorriu constrangida, e ali eu vi uma luz.

—Tu faz faculdade de quê mermo?

Isabela arqueou as sobrancelhas, desentendida.

—Engenharia química. –Sorriu. –Nunca pensei que você se interessasse por isso.

—Tô me interessando agora, sabe se tu faz engenharia tu deve manjar das contas, não é?

—Sim. Mas...

—Quer me agradecer? Então me dá uma moral com umas paradinha ali. –Falei jogando o cabelo dela para trás. –Eu não manjo nada de conta, nada que tenha números. E o bagulho é coisa rápida, é só somar umas coisinhas ali, outras aqui...

Ela deu dois passos para trás assustada.

—Isso tem alguma coisa com o tráfico? Olha... eu não posso fazer isso, é errado...

Droga! Eu deveria ter imaginado que ela não iria fechar com essa porra.

—Tudo bem Isabela. Deixa pra lá.

Deixei ela parada me fitando estranha. Dei as costas e voltei para dentro do barraco.

Estava bolado, cheio de problemas e do nada comecei a criar paranoias de que alguns de meus crias estariam armando para cima de mim. Lidar com isso é foda.

—Ei tu não pode entrar aqui! Pirou?!

Um dos meus crias gritou ao ver Isabela entrando a passos desconfiados.

Fiquei sério observando ela vir até mim. Ao se achegar, Isa parou frente a minha mesa e perguntou.

—O que é que você quer que eu faça?

Sorri com malícia, ao ver que ela havia mudado de ideia.

—Primeiro senta aqui no meu lugar, depois tu resolve esses bagulho aqui. –Levantei-me dando lugar para ela e usei a caneta para indicar o que ela precisava fazer.

—Ah isso é fácil. –Ela tomou a caneta da minha mão e apanhou a calculadora ao lado.

Puxei um banquinho que tinha ao lado e me acheguei até ela.

—Se tu for boa, vou querer que tu vire minha secretária. -Olhamos um para o outro e caímos na risada.



Notas Finais


Deixem os comentários, adoro ler❤❤


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