História Amores Furtados - Capítulo 15


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Categorias Histórias Originais
Tags Romance Morro Traficante
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Palavras 3.346
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Literatura Feminina, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 15 - Capítulo 13



Capítulo narrado por Isabela.

Taquara quase matou Kel queimada na minha frente, eu fiquei parada feito um espantário, tremendo, chorando vendo suas contorções de dor e ouvindo seus gritos lamentosos sem fazer nada, ou melhor, eu até tentei, mas minha força não era nada perto ao do desgraçado.

Recebi uma mensagem da própria garantindo que havia melhorado, me senti aliviada porque eu já estava agonizada com ela há quase um dia no hospital internada. Ela disse que teve queimaduras de 1º, 2º e 3º. Os médicos fizeram uma raspagem e receitou analgésicos para aliviar a dor e a febre, provavelmente amanhã ela voltará para casa, para minha casa. Segundo ela, depois de toda desgraça Taquara acabou concordando que pelo menos por um tempo seria melhor eles ficarem distantes um do outro, mas o que me enfureceu mais, foi saber que o traste estava como acompanhante dela, ou seja nem deu para ela fazer o Boletim de Ocorrência no hospital. Eu sinceramente tomei ranço da sua inescrupulosa falta de senso.

Estava prestes a ultrapassar a entrada do portão da faculdade quando minha mochila foi puxada bruscamente para trás. Friccionei os punhos, deixando-os preparados. Quando me virei Thalita debochou da cara apática que fiz ao nota-la.

—Ah Isa! Para né. Como é que você não suspeitou que era eu? –Jogou os cabelos loiros para trás e aproximou-se. –Você sabe que hoje é aquela aula chata e desnecessária do professor Maycon né? Mas graças a Deus surgiu uma alma boa e caridosa para reverter essa merda! –Sorriu com os olhos quase saltando para fora. –Adivinha: Diego nos convidou para beber no barzinho ali do lado, Carol já está lá com eles. Partiu agora?!

Isso é que eu chamo de um convite inesperado. Em plena segunda-feira, eu morta de cansaço por causa do trabalho, e com a cabeça doendo devido ao estresse de ontem, sou convidada para matar aula. É claro que não vou, olha meu estado, tudo que eu mais quero é assistir aquela aula chata e correr para o morro ajudar Rafael com as contas da boca.

—Isa! Isa!

Ela estalava os dedos na minha frente, enquanto meus pensamentos vagavam longe, em Rafael para ser específica.

—Oi. Não vai dar. As aulas do professor Maycon são chatas, mas não deixam de ser importantes como as outras. Se você tomar um pau nela, vai com dependência para o próximo período. –Acenei me despedindo, ao mesmo tempo em que dava dois passos adiante.

—Será que você não se cansa de ser assim? Hello, a vida tá passando, larga de ser boba e vamos curti. Isabela nós não estamos te fazendo um convite, estamos te convocando, é sim ou sim! – Thalita correu até mim, e me agarrou pelo braço, praticamente me arrastando à direção do bar.

Eu ri daquilo.

—Diz isso porque não é você que vai trabalhar amanhã com ressaca. Mas, tá bom. Eu vou, mas quando a aula acabar eu vou direto pra casa, não vou ficar até tarde aí com vocês!

—Já é considerado uma vitória a Madre Teresa de Calcutá matar aula!

Nós rimos. Atravessamos uma rua e entramos no bar agitado para uma segunda feira. O local era grande, havia mesas fora e dentro, Carol e os garotos estavam sentados nas de fora, Thalita e eu os cumprimentou e sentamos ao seu lado ouvindo a música eletrônica que dava um ar de animação no ambiente. Na mesa uma garrafa de whísque estava no centro, ao lado de alguns petiscos.

—Estávamos só esperando vocês para começar a brincadeira! –Diego disse piscando para Thalita e eu. Ele apanhou uma caneta e a exibiu para nós. –Já sabem né quem a caneta apontar responde: Verdade ou consequência. Bora começar?

Droga. Eu sempre odiei esse jogo, se Thalita tivesse me avisado que eles estavam aqui pra isso nem teria vindo.

—Deixa eu rodar. –Carol apanhou a caneta e a girou sob a mesa com um sorriso cheio de expectativa. A caneta apontou para um dos amigos de Diego.

—Kaleb, verdade o consequência? –Ela perguntou com olhos sinuosos mirados á ele.

Kaleb sorriu enquanto bebericava mais uma dose de whísque.

—Consequência é claro. –Piscou para ela.

Eu me mantinha atenta, por mim eles podiam fazer de tudo, desde que não me envolvesse é claro.

—Tape os olhos.

—Uol! O jogo começou interessante. Diego afirmou sorrindo dando um leve tapa na costa do amigo.

Carol levantou-se da mesa sensualmente, caminhou cruzando as pernas como a Gisele Bündchen. Afastou sua cadeira abriu as pernas e começou a rebolar sob o colo dele. A mesa inteira gritava, e eu ia na onda fingindo que não estava abismada com o que ela estava fazendo.

—Pode abrir os olhos. –Carol afirmou.

Assim que ele abriu a agarrou pelos cabelos. Eu não soube quem beijou quem primeiro, foi muito recíproco de ambos os lados. Nossa mesa era o centro das atenções, as pessoas bebiam com o pescoço quase se contorcendo a nossa direção.

—Agora é minha vez de rodar! –Diego apanhou a caneta e girou-a sob a mesa. Meu coração disparou quando aquela merda apontou pra mim. Droga!

—Verdade ou consequência Isabela?

Respirei fundo, me vendo num beco sem saída, então foi aí que eu pensei ninguém ali me conhecia direito mesmo, não haveria nada comprometedor para que eles perguntassem.

—Verdade!

—Droga Isabela, não corta o clima! –Thalita gritou enraivada.

—Tudo bem. Deixa comigo. Isabela, é verdade que você vai tomar um drink comigo no quiosque em Copacabana, amanhã depois da aula?

Engasguei. Enquanto todos, incluindo aos das mesas próximas o aplaudiam pela jogada.

—Aceita Isabela. Não custa nada. –Carol gritou.

—Aceita! Aceita! –As pessoas a volta também começaram a gritar no embalo dela. Minhas bochechas coraram feito um pimentão, eu não teria coragem de recusar e passar uma vergonha daquelas em Diego.

—Sim... –Disse tentando evitar olhá-lo nos olhos, por isso mantive minha visão concentrada na rua, e foi aí que vi aquele garoto da igreja que seguiu comigo até no morro aquele dia.

Não pensei duas vezes em me levantar. Dei um tchau coletivo e saí dali sem mais conversas, era melhor me afastar antes de assisti uma cena pornô bem na minha cara, porque aquele jogo provavelmente só iria ter fim num motel.

Ele caminhava apressado a direção do ônibus, corri até alcançá-lo.

—Ei, tem um tempo que não te vejo, nem te agradeci por aquele dia.

—Não há pelo o que agradecer. –Sorriu. –Também estou matando aula, mas diferente de você é por um motivo nobre, irei ajudar meu pai no culto de hoje a noite, tenho uma palavra preparada para pregar. –Disse sério.

Sorri para ele.

—Você é tão admirável.

—Não tanto quanto você, que está cheia de problemas e está louca para se afundar em mais um.

—Porque está dizendo isso?

—Por quê? Ora por que. Eu já te avisei sob Diego, aquele cara é o diabo encarnado, ele até me tortura pra eu fazer trabalhos e passar cola nas provas. Eu odeio ele, eu também odeio as pessoas que andam misturadas com aquele diabo só porque é milionário! –Exclamou com um tom de ameaça.

Garoto esquisito. Parecia louco.

—Ei! Eu não ando com ele, e se eu andasse não seria por causa do dinheiro. Diego é gente boa.

—Hurrum.

Meu celular vibrou dentro da mochila, tirei-o para ver quem seria, tive a sensação gostosa de dezenas de borboletas dançando no meu estômago. Era Rafael, e ele deixou uma mensagem no whatsApp dizendo:

To te esperando

Eu abrir um sorriso entusiasmada enquanto Mateus me encarava na expectativa de desvendar o que me causava tamanha sensação.

—Nossa... Quem é esse varão?

Eu sorri ainda com os olhos fitados na foto dele.

—É Rafael, ele é do morro também.

—Ah sim. Tem um rapaz na minha igreja que se chama Rafael, se for ele você é uma menina de sorte. –Disse abrindo um sorriso metálico.

—Não é ele, com certeza não. Acho que Rafael nem é de frequentar igreja. O apelido dele é Marreta, quase todo mundo o conhece...

Mateus engoliu um seco e se afastou.

—Eu vou pegar o próximo ônibus Isabela. Você não é uma boa companhia pra mim. Mas vou continuar orando por você de qualquer forma. –Abriu um sorriso forçado enquanto me dava tchau.

—Mas... Mateus... –Ele me interrompeu apontando para o ônibus que estava chegando.

—Ali seu ônibus. Vá com Deus Isabela!

Acenei para Mateus, totalmente incompreendida. Entrei no ônibus e parti.

[...]

Rafael estava mesmo precisando de mim com urgência, toda hora me enviava um monte de mensagens no whatsApp. A pressa era tanta que quando eu avisei que estava na subida do morro, ele mandou uma moto para me buscar. Eu fiquei mexendo no celular aguardando a carona, quando ouvir a buzina, cheguei a me assustar, a moto veio mais rápida do que era de se esperar.

—Sobe! –Ouvir a voz que me era familiar, e montei na garupa rapidamente.

—Você veio muito rápido.

—Han? Tu tava me esperando?

—Sim. Rafael disse que ia mandar uma moto me buscar... –Ele me interrompeu na hora.

—Puta que pariu. Marreta não pode nem sonhar que tô aqui hoje. Onde é seu barraco?

—Eu tô indo pra boca.

—Pra boca? Tá doida é?!

—Pica Pau porque está me dando carona, não tô entendendo nada! –Gritei.

—Pow, mar tu é ingrata caralho. Tava passando te vi lá em baixo, não custa nada te dá uma moral. Mar na boca não dá pra te deixar!

Ele acelerava, cortando becos que eu nem sabia que existia ali. Enquanto pilotava seu celular vibrou e nós quase caímos quando ele o tirou do bolso. Pica Pau parou a moto com o coração acelerado.

—Fodeu cara. Porra a mina tá me esculachando aqui, ela me viu passar contigo. Onde é que essa porra tava?! –Disse preocupado balançando a cabeça incessantemente.

—Que falta de sorte...

—Monta aí nessa porra. Vou te levar lá pra provar que não tá rolando nada!

Arqueei as sobrancelhas frustrada.

—Eu?! Vai que sua mulher seja uma dessas barraqueiras que tem por aqui! E se ela arrancar meu cabelo e me deixar pelada no meu da rua?

Ele riu.

—Tá maluca?! Ela é doida, mar não é pra tanto. E sendo tu fica mais fácil de passar a visão. Anda, monta logo.

—Tá bom... –Desconfiada me assentei na garupa, eu rezava em meus pensamentos para não arrumar mais um problemas pra mim.

Ele retornou três becos e parou atrás de uma quadra, como se estivesse se escondendo. Nem estava frio, mas ele fez questão de levantar o capuz da jaqueta.

Saímos da moto e ficamos escorados na grade, esperando alguém. Até aparecer uma garota nova, com longos cabelos cacheados, seus olhos faltavam sair faíscas de tão enraivada que ela estava, mas antes de se achegar até nós ela parou frente a moto, quebrou os retrovisores e a empurrou no chão. Pica Pau correu desesperado na intenção de contê-la.

—Pow minha Barbie não faz isso! Aí tu me quebra!

—Minha Barbie? Vai pro inferno Vagner, fica aí com sua puta branquela!

Aproximei-me dos dois furiosa.

—Escuta aqui menina se me chamar de puta de novo eu vou dar na sua cara!

—A é! Puta! Que fica por aí se oferecendo pra homem dos outros por causa de moto!

—Quê?! –Gritei e avancei nela. Pica Pau jogou nós para longe uma da outra.

—Barbie, relaxa. A parada dela é com teu irmão, Isa é sua futura cunhada!

Ela me fitou com descrença, rolou os olhos pelo meu corpo até parar na minha cara. Respirou fundo inconformada.

—Minha cunhada... O que não falta aqui no morro é piranha me chamando de cunhada, pra mim acabou Vagner. Também não vai me fazer falta, eu tenho uma fila de homens me querendo só esperando um mole seu!

—Pow Isabela! Passa a visão pra ela, não te trouxe aqui atoa não porra!

—Ela é irmã do Rafael?

A garota ficou me encarando pensativa.

—Então você que é a Isabela... Que pegou mais de 2 mil reais em roupas na conta do meu irmão! Ele tem que ser muito trouxa mesmo. Olha só seu peito tá na cara que é silicone, e aposto que foi o idiota do meu irmão que pagou! –Disse apontando o dedo na minha cara. Eu puxei e botei pra baixo.

—É melhor você parar antes que eu perca minha paciência. Pirralha dos infernos, meu peito e nem minha bunda não é silicone, e eu não tenho culpa se você parece uma tábua de tão reta!

Ela chutou minhas pernas e Pica Pau mais uma vez afastou-a para longe de mim. Depois me olhou com os olhos estreitos, cheio de raiva. Cheguei a ficar com medo.

—Aí tu nunca mais chama minha Barbie de tábua. E o que tu viu aqui, fica aqui. Nada de abrir o bico pro Marreta, tá ligada?!

—Você pega a irmã do seu amigo escondido, que baixaria cara! Mas por mim! Não tô nem aí com vocês, façam o que quiser. Eu não vi nada. –Afirmei pausadamente a última frase.

O silencio predominou junto a calmaria da noite. Rafaela não tirava os olhos de mim e isso me incomodava.

—Vai ser nosso primeiro segredinho. Cunhada! –Disse a única palavra com tanto deboche que me fez ficar envergonhada.

Mesmo com a moto meio quebrada, ela montou na garupa de Pica-Pau, levantou o capuz do casaco para cima, assim como ele. Os dois saíram acelerados e desapareceram entre os becos próximo a quadra.

Eu tive que seguir a pé até chegar na boca. A carona do Pica Pau não me ajudou em nada, pelo contrário só me atrasou.

Depois de 15 minutos subindo escadarias cheguei no beco que dava acesso a boca. Entrei séria, calada e ressentindo meu atraso.

—O que os chefe faz quando a secretária chega atrasada? –Perguntou com sarcasmo, os outros funcionários riram.

—Houve um imprevisto... Mas o que importa é que eu tô aqui. Anda me diz o que é tão importante. –Me aproximei e sentei-me ao seu lado na mesa.

—Vai adiantando esses bagulho aí, Coroa tá na lombra me enchendo pra eu mandar essa porra pra ele logo!

—Coroa?

—Só adianta Isabela. Sem pergunta atoa, não tô afim de papo! –Disse num tom frio e de imposição.

Assenti.

Senti-me mal com suas palavras. E foquei em fazer aquela merda e saí dali logo, eu sei que eu tinha obrigações a cumprir, mas se ele passasse a me tratar da mesma maneira que falava com seus "crias" eu não iria continuar. Eu já estava me arriscando ao me envolver com coisas ilícitas, que poderiam até me levar a prisão por associação ao tráfico e ele vem e fala assim cheio de dureza? Ainda bem que aquele relatório pra mim era moleza, em menos de uma hora resolvi tudo, guardei na gaveta e aproveitei que ele estava distraído conversando com uns homens e saí a francesa sem que ninguém percebesse.

Eu descia os degraus da escada correndo, arrependida por tudo que fiz hoje. Eu não deveria ter matado aula, muito menos ter me metido naquela boca escrota.

Meu coração disparou quando ele atravessou o beco a minha frente, e me cercou.

—Pow tu ia embora sem dar um tchau?! Porra que vacilo. –Me olhou sorrindo. E a única coisa que eu pensei foi: como ele chegou ali antes de mim?

—Cara você é não normal, você estava gritando comigo, e agora vem de conversinha falar que foi vacilo! –Me desviei dele frustrada, continuei seguindo, ignorando sua presença.

—Eu não explanei contigo não. Para de caosada, tu bola assim por qualquer coisa?

—Não é qualquer coisa. Minha desde nova me ensinou o tom certo de falar com as pessoas. Educação acima de tudo. E para de me seguir que nem um retardado, eu já sei o caminho de casa.

—Minha moto tá ali na frente. Vou te dar uma carona.

—Eu pedir por acaso?

—Sua mãe te deu papo que sair por aí dando patada também é coisa de gente mal educada? –Ele disse me envolvendo num abraço. –O que tu fez de bom lá no barraco? Eu vou jantar lá hoje. –Falou numa tranquilidade, como se eu tivesse convidado.

—É assim? Eu nem te convidei!

—Me chamou ontem, não tá lembrada?! –Piscou pra mim.

Que ódio, o pior que é verdade, eu convidei ele mesmo. E eu realmente tinha que agradecê-lo pelo resto da minha vida por tudo que estava fazendo por mim.

Respirei fundo e disse:

—Verdade. Eu vou fazer algo quando chegarmos lá em casa, mas não fique criando expectativa de mais.

—Tendo arroz e feijão pra mim já basta, é isso que mata minha larica!

Eu ri. Ele tirou a chave do bolso e ligou a moto que estava a nossa frente, próximo a um muro. Eu montei e ele acelerou até chegar a vila em que eu morava. Como as luzes da casa de Suzy estavam acesas entrei com cautela para que ela não percebesse. Porque eu estava com essa sensação ruim de quem esconde algo, eu estava fazendo papel de uma amante? Claro que não Isabela, Rafael é apenas um amigo, vocês não tem nada, então não precisa se sentir mal por isso. Meu subconsciente gritou.

Como eu não gosto de fazer o que as pessoas pedem me recusei a fazer arroz com feijão. Fiz macarrão a bolonhesa, maionese e frango a parmediana. A comida saiu quase meia noite, e assim como ele eu estava morta de fome.

Eu mal coloquei os pratos na mesa, e ele praticamente tomou da minha mão.

Eu ainda estava na metade da minha comida, sendo que Rafael já havia dado fim a dois pratos.

—Porra, a melhor coisa que eu fiz foi ter te dado esse fogão, teu rango é bom pra caralho! Melhor do que o da minha velha. –Resmungou dando mais uma garfada.

—Obrigada. –Disse sorrindo.

—Vou passar jantar aqui toda noite.

Meu coração acelerou. E eu não me contive:

—Toda noite? Nem pensar, uma vez ou outra tudo bem, agora toda noite é de mais. Vou acabar pegando ranço da tua cara. –Debochei.

—Duvido, ninguém pega ranço da minha cara. –Ele afirmou me lançando um olhar penetrante que me fez arrepiar.

Eu levantei logo, recolhi nossos pratos vazios sob a mesa e segui para a pia. Lá comecei lavá-los.

—Pode ir embora Rafael, você já comeu duas vezes. Vai acabar me levando a falência desse jeito.

Estranhei o silêncio que se apoderou da cozinha, mas ao sentir suas mãos ásperas e frias tocando minha nuca meu coração errou os batimentos. Eu ofeguei sem saber se era medo, ou vontade de tê-lo mais perto.

—Quer uma moral aí com a vasilha?

—Não. Eu vou lavar sozinha!

—Porque tá nervosa assim?

—Eu não tô nervosa... sai logo de trás de mim! –Gritei.

Agarrou minha mãos ensaboadas e me virou para ele. Abaixou a cabeça até seus olhos ficarem na mesma direção que meu olhar, os cordões metálicos esbarraram em mim, e eu me senti ainda mais desconsertada. Ele apertou minha cintura, penetrou os dedos por debaixo da minha blusa e me roubou um beijo quente e molhado.

Um desespero cortou minha espinha e eu espontaneamente o empurrei para longe. Fiquei enlouquecida quando o vi caído espalhafatosamente sob a cadeira.

—Ah meu Deus! Rafael! Desculpa... Eu não queria fazer isso.

Ele se levantou contorcendo a coluna.

—Era só dar o papo que não tava curtindo! –Me olhou com malícia.

—Eu estava curtindo, mas... eu não sei o que aconteceu... –As lágrimas saíram dos meus olhos e ali eu me dei conta, que poderia ser ele, ou qualquer outro. Eu não iria mais conseguir ficar, muito menos transar com outra pessoa.

Ele ficou parado me encarando.

—Foi mal, eu que vacilei... Eu sei que tu...

—Eu queria muito te beijar, passar a noite inteira com você, mas... eu não consigo, eu não me sinto bem. Parece que minha pressão abaixa, e tudo fica escuro... Quando eu abro os olhos eu não te vejo, é como se estivesse aquele desgraçado no seu lugar! –Exclamei com as mãos trêmulas.

Ele se manteve sério, me encarou transparecendo tristeza.

—Fica de boa, não vamo forçar a barra... –Mudou de assunto como se tivesse evitando assistir meu sofrimento. –Isa eu tenho que dar um chega lá embaixo. Precisando de alguma coisa é só me dar um papo. –Se aproximou e afastou meus cabelos para o lado.

—Você não vai ficar com raiva né...

Ele acenou com a cabeça gesticulando que não.

—Não. Tá zen. –Sorriu e beijou minha testa. –Vou meter meu pé. Boa noite.

Meus olhos acompanharam cada passo seu até a porta. Eu sei que ele não ficou mal, mas eu fiquei... Eu queria muito passar mais tempo com ele, sentir seu corpo esquentando o meu... Mas isso não era possível, eu estava bloqueada por um dor insana e psicológica. Só quem já passou por uma desgraça dessas sabe o quanto estou sofrendo...

Não julgue minha dor quando você não a sente na pele.



Notas Finais


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