História Amores Furtados - Capítulo 16


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Categorias Histórias Originais
Tags Romance Morro Traficante
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Palavras 2.396
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Literatura Feminina, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 16 - Capítulo 14


Capítulo narrado por Isabela.

Depois de um longo dia descascando, picando, temperando, lavando e limpando mesas, fui para casa na intenção de tomar um bom banho e tirar todo suor que impregnava e marcava o cansaço em minha pele.

Estava distraída observando as carnes e saladas que trazia em um pote dentro da sacola, - dona Alzira era um amor comigo e dona Maria, sempre nos deixava levar o que restou do cardápio para casa.

Caminhava exausta subindo degrau por degrau da escada até me deparar com o beco que dava acesso a vila em que eu morava. Quando ergui o tronco na expectativa de encarar melhor o que estava á frente não disfarcei o semblante de asco ao ver Kel escorada em Taquara, enquanto ele a apoiava e carregava suas bolsas com todo cuidado. Ambos olharam para trás e sorriram, percebi logo que estavam indo para minha casa.

Eu esperava no mínimo que Taquara fosse preso depois daquela covardia toda, mas não, por incrível que pareça aquela briga intensificou o "amor" dos dois. Tentei fingir que estava feliz com a reconciliação, mas se tem uma coisa que não aprendi é disfarçar minha cara de nojo quando vejo algo ou alguém que não curto muito.

—Boa tarde Isabela. –Taquara me cumprimentou abrindo um belo sorriso.

Saí do seu lado, dei a volta e fiquei mais próxima a Kel.

—Boa tarde Kel. Ainda bem que você está melhor... –Ela me respondeu com um sorriso tão sincero, que quem a olhava jamais imaginaria que suas costas estariam despeladas e com a carne exposta, tapada apenas por gases e faixas.

—Tô mega animada porque agora vou morar com você. Eu sou um amor! Não fico incomodada com limpeza, hora certa de comer, de tomar banho...

Taquara a interrompeu.

—Amor assim tu vai assustar a mina pow! –Os dois trocaram risos.

—Eu não me importo, desde que você não seja dessas que não limpa, mas gosta de sujar a casa!

Nós três rimos enquanto atravessávamos o portão da vila. Entramos para casa e quando eu vi os dois parado ali na cozinha, justamente no lugar onde a queimou, me senti frustrada. Coloquei as sacolas sob a mesa, deixei-os a sós e fui logo para o banheiro tomar um banho. Quando voltei, eles já estavam deitados na minha cama. Senti um fio de raiva atravessar meu peito, mas me contive, continuei enrolada na toalha, apanhei minhas roupas e me vesti no banheiro.

—Ah Isa! Aqui só tem um quarto... Enquanto você vai pra faculdade Taquara vai trazer a cama pra gente colocar na sala. É melhor pra eu e ele.

—Ata!

Como assim "eu e ele"? Droga! Não é possível que eu teria que aturar os dois juntos aqui? Já que é assim porque eles não ficam na casa deles de uma vez? Que saco!

—Eu vou dar uma passada lá na boca, daqui a pouco é meu turno. Marca um 10 aí preta! –Disse enquanto seus olhos apaixonados rolavam por ela.

—Tá bom meu preto! –Ela abriu um sorriso sincero.

Engoli um seco, nunca tive tanto ranço de um casal, eles só não superavam a ridícula da Suzy com Rafael. Taquara saiu e Kel ajeitou a coluna ainda murmurando pela dor. Eu me deitei ao lado dela porque queria descansar um pouco antes de ir para a faculdade. Mas a curiosidade e meu inconformo gritaram no meu interior, não me contive ao perguntar:

—Sinceramente Kel, eu não entendi porque vocês voltaram...

—Isa, essas coisas acontecem... Quem ama de verdade uma hora ou outra acaba saindo da linha, isso é normal. Eu já perdoei e ele me garantiu que não vai fazer isso mais.

Estava prestes a abrir a boca e dizer tudo o que achava, o quanto é ridículo os dois juntos depois de tudo que rolou, mas preferi me virar para o lado e cochilar.

[...]

O celular despertou e eu já sabia que era hora de me arrumar para ir para a faculdade. Levantei-me e como já havia tomado banho e escovado os dentes, apenas penteei meus cabelos, fiz uma make básica, coloquei um vestido laranja de mangas comprimidas, que marcava bem minha cintura. Por fim calcei botas, apanhei minha mochila e segui a baixada rumo ao ponto de ônibus.

Depois de pegar o ônibus lotado – algo normal pra esse horário – e descer em frente à faculdade, atravessei o portão a passos largos temendo que alguém me chamasse para matar aula novamente.

Mas hoje ocorreu tudo bem, assistir e fiz todos os exercícios em aula com muita atenção, minhas colegas também. Fluiu tudo tão normalmente que quase me assustei quando o professor encerrou a última aula.

Enquanto saíamos, jogávamos conversa fora pelos corredores.

Os olhos das meninas pareciam fogos de artifício quando viram Diego e os amigos cercando nossa passagem. Ele ajeitou a jaqueta, jogou os cabelos escorridos para trás e veio a mim sorrindo audaciosamente.

—Eu não te disse que era um quiosque na praia? Você tá muito bem arrumada... Galera, não vamos mais par um quiosque em Copa...

Ao ouvi-lo as meninas e até mesmo seus amigos fecharam a cara, até ele acrescentar:

—Vamos na baladinha acústica da lapa. As meninas estão com roupas bem sociais para praia... –Ele sorriu. –Não me achem chato, é que minha mãe é estilista, então eu costumo reparar bastante nessas coisas.

Sorriu.

—Um homem atencioso... Que lindo. Diego você com certeza é o sonho de toda mulher! –Carol afirmou sorrindo para ele.

Como assim eu não estava vestida de acordo? Eu estava sim, vestida de acordo para mais uma noite fria na faculdade, nada, além disso. Não vou sair com ninguém, de onde é que tiraram essa ideia?

—Gente eu não vou pra lugar nenhum. Tenho compromisso agora, e ele é inadiável! –Apertei os passos, passando por cada um deles.

Senti uma mão mais fina e delicada do que a minha me puxando para trás.

—É inadiável mesmo, até porque você marcou comigo ontem a noite esqueceu?!Ou você não é mulher o suficiente para manter sua palavra? –Disse me sondando com os olhos azulados.

Engoli seco, respirei fundo e olhei no fundo de seus olhos. Diego deu dois passos para frente e acariciou meu rosto.

—Isabela. Me desculpa se fui antipático, é que... desde que eu te vir pisar nessa faculdade eu não consigo tirar os olhos de você... Meus amigos, suas amigas sabem! Por favor, me dê essa chance. Te garanto que não vai se arrepender, pelo contrário, será uma noite inesquecível para nós.

Distanciei-me dele ainda atordoada pelo efeito de suas palavras.

—Bom... é que...

—Vai Isabela! Aceita! –Carol exclamou.

—Partiu Isabela! Você não vai perder essa oportunidade! Todas as garotas da faculdade queriam estar no nosso lugar! –Thalita gritou enquanto abraçava os dois caras que acompanhavam Diego.

—Eu vou. –Disse cabisbaixa, sem graça. Não sei por que, mas me sentia perdida, era como se estivesse prestes a fazer algo que não era para eu fazer.

Saímos da faculdade. Senti-me desconfortável por estar num carro tão luxuoso, tinha medo de encostar e quebrar alguma coisa que custasse mais do que meu rim, por isso me concentrei na música, ela dava um ar mais alegre ali dentro. As meninas foram no carro dos amigos dele, que provavelmente estariam seguindo para o mesmo lugar que nós.

Meu celular vibrou, e quando vi quem era senti meu coração parar por um segundo.

Vai brota aki que hora?

Visualizei e não respondi. Fiquei nervosa e desliguei o celular. Eu não gosto de mentir, mas acredito que a verdade soaria meio que estranha...

Chegamos ao local, e eu me senti um peixe fora d'água. As pessoas, o ambiente, até a música tinha um timbre diferente. Quando entramos a escuridão deu espaço apenas pela iluminação avermelhada, o DJ estava no centro da boate, as pessoas estavam animadas, mas comportadas, diferente do dia que bebi naquele boteco no morro.

Um garçom trouxe uma bandeja com um drink azul para cada. Diego tirou um vidro do bolso traseiro e colocou uma bala na taça de cada um de nós, como eu presumia do que se tratava arranquei minha taça antes dele contamina-la com aquela porcaria.

Nós estávamos empolgados, curtindo ao máximo a música eletrônica. Porém mesmo com o ar-condicionado da balada ligado ao máximo, o calor se espalhou e passou a arrancar suor de nossas peles. Isso serviu como uma desculpa vaga – porque uma hora ou outra, eles iria fazer isso – para os caras tirarem a camisa, e minhas amigas tirarem a blusa.

—Tá esperando o quê pra tirar princesinha?

—Eu não vou tirar, não estou com calor! –Gritei para que ele escutasse.

—Sei uma maneira fácil de te esquentar.

Diego me puxou pelos ombros e aproximou nossos rostos. Eu virei o rosto e ele acabou beijando minha bochecha.

—Diego! Para! –Gritei colocando meu drink sob a mesa.

Ele continuou sacudindo o corpo, os braços, enquanto a luz vermelha e os flashes marcavam sua pele.

—Entra na onda! Sabe o que tá faltando? Você tirar a blusa! –Gritou enquanto afastava meu vestido para baixo.

Eu o empurrei para longe, outra pessoa também me empurrou e parou entre nós.

—Se ela não quer gatão! Tem quem queira!

A mulher era linda, cabelos ondulados até o pescoço, olhos azuis mais claros do que o dele, com lábios marcados por um batom na cor vermelha. Parecia até uma modelo Plus zise.

A garota tirou a blusa sensualizando empolgada, como se tivesse fazendo uma strip-tease especialmente para ele.

Diego apanhou uma das garrafas que estava na mesa e quebrou no meio da cabeça dela. Ela ficou tonta e desiquilibrada.

—Se afastem! Vai acontecer um terremoto quando essa baleia cair! –Diego gritou.

A boate inteira riu. Antes da moça cair eu a apoiei frente uma pilar. Havia sangue escorrendo entre seus fios de cabelo, ela gemia de dor. Me afastei quando um viado amigo dela me empurrou para longe.

Era difícil crer no que acabei de ver... Diego quebrou a garrafa na cabeça dela com tanta naturalidade que acabei relembrando das palavras de Mateus.

"Aquele cara é louco." E ele era! Com certeza era.

Ignorei minhas amigas enlouquecidas de droga, e saí dali a passos firmes, deixando todos para trás. Passei no guarda volumes na entrada e apanhei minha mochila. Quando cheguei fora da boate averiguei todos os lados para garantir que não havia ninguém me seguindo. Está tudo tranquilo... Respirei e saí confiante.

Na porta da boate havia tantos carros luxuosos como os de Diego, que eu temia não ter um ponto de ônibus por perto. Precisei andar duas quadras, e esperar 45 minutos para pegar um ônibus. Tirei o celular da mochila. Quase entrei em convulsão ao ver que já passavam das 3:00 da manhã.

Meu coração pulsava na mesma velocidade do motor do ônibus. Droga! Era como se estivesse me afundando a cada passo, tudo que eu fazia dava errado. Será que essas merdas só aconteciam comigo?

Desci no ponto dois quarteirões longe da subida do morro. Tirei as botas e caminhei com elas nas mãos até a subida. Após 40 minutos subindo vagarosamente as vielas, e as escadarias infinitas cheguei no portão que dava acesso á entrada da vila. Eu abrir devagar porque diferente dos outros dias não havia nenhum barulho perturbando.

Atravessei o portão e quando avistei Suzy ao lado de Rafael junto a uma cortina de fumaça que saía do seu cigarro, senti como se meu coração tivesse sendo arrancado goela afora. Respirei fundo e continuei sem olhar para eles.

Tirei a chave da mochila, quando estava prestes a penetrá-la na fechadura. Senti mãos grossas e ásperas me puxando bruscamente para trás.

Estava desiquilibrada e quando ergui a cabeça meu corpo foi empurrado bruscamente contra a porta de alumínio, chegou amassá-la.

Fiquei com medo, me senti inútil e pequena perto daqueles braços tão grandes.

—Tu tá me tirando de otário?! Que porra essa? Tô bolado te ligando, te mandando mensagem e tu brota aqui quase de manhã?

Meu peito doeu, lágrimas cortaram minhas pálpebras.

—Eu saí com umas amigas da faculdade... Me larga!

Engoli um seco, enquanto ouvia passos rápidos vindos até ele.

—Não era tu que tava toda cheia de mimimi ontem? Não tava com trauma?! –Ironizou. –Melhorou rápido pra caralho, já tá até dando rolê com piranhas por aí!

—Para com isso Marreta! –Uma voz fina gritou por trás dele. Quando firmei o olhar era Suzy tentando afastá-lo de mim.

Ele enfiou a mão na cintura e retirou a arma, e afundou seu cano na minha bochecha.

—Pega só a visão que vou te passar: Eu não tô aqui te bancando, te dando mó moral pra tu ficar de onda com minha cara não, caralho! –Sua voz parecia um rugido, eu tentava me afastar a cada palavra que ouvia.

—Rafael! Para com isso! –Gritei aos soluços. –Você nem tá parecendo o mesmo que conheci... –Meu corpo tremia como uma corda bamba.

—Para Marreta! Pra quê essa crise por causa dela! –Suzy gritou desesperada.

O silêncio preencheu a negritude da noite enquanto ele surrava a droga daquela arma na minha cara. Seus olhos pareciam um infinito, através deles era impossível descrever o que ele estava sentindo além de raiva. Eu fechei meus olhos para não ter que continuar vendo aquilo.

Me soltou e se afastou, quando abri os olhos vi Taquara puxando ele para trás, Kel estava ao lado.

Todos estavam calados, me encarando como se eu tivesse acabado de cometer um homicídio.

—Você tem que cobrar horário da sua namorada! Não de mim! –Exclamei secando as lágrimas.

Abrir a porta e entrei correndo, cheguei no meu quarto me joguei contra a cama. Bati várias vezes nela porque foi ele que me deu. Se não fosse para dar com boa vontade era melhor nem ter dado! Fiquei inconformada, desacreditada com a maneira em que ele me tratou. Eu sei que me atrasei... Mas não havia necessidade daquilo tudo...

Kel entrou mancando, espalhando a fumaça do cigarro dela pelo quarto.

—Calma Isa... Ainda bem que a gente chegou, porque aquela trouxa da Suzy parecia uma múmia. Onde já se viu? Ver o homem dela se roendo de ciúmes por causa de outra e não fazer nada! É vagabunda mesmo! Nasceu marmita e vai morrer marmita de bandido! –Ela disse aspirando a fumaça.

Afundei minha cabeça no travesseiro. Um devaneio corrompia meus pensamentos.

—Você quer cigarro? Uma cerveja? Eu comprei...

—Não. –Resmunguei.

—Eu sei que você veio da roça querida, mas não precisa ser ingênua ao ponto de saber que ele vai te bancar, te tratar como uma princesa, enquanto você sai por aí com as "amiguinhas" da faculdade. Você pode até dar uns perdidos, mas tem que saber dar! –Ela riu baixo.

—Kel. Apaga a luz, vou dormir, tenho que acordar cedo amanhã.

Tirei minha cabeça do travesseiro, assim que a luz apagou. Kel deitou ao meu lado.

Eu não me aguentei, me desesperei e chorei mais desabafando com ela.



Notas Finais


Antes de qualquer coisa vou enfatizar que eu sou contra relacionamento abusivo, e não apoio a atitude dos meus personagens.

Se estiverem gostando da história deixem os comentários e indiquem para os amigos, talvez eles tbm possam gostar❤❤


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