História Amores Furtados - Versão oficial - Capítulo 6


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Categorias Histórias Originais
Tags Romance Morro Traficante
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Palavras 3.771
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Literatura Feminina, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - Capítulo 4


Fanfic / Fanfiction Amores Furtados - Versão oficial - Capítulo 6 - Capítulo 4

Capítulo narrado por Isabela.

Perdi a conta do número de currículos que distribuí durante essa semana. E mesmo diante de todo meu esforço para conseguir uma oportunidade de emprego, minha tia e seu marido manteve a mesma concepção de mim. "Você só dá prejuízo", "Eu ainda estou sendo boa por deixar você aqui." ,"Será que não tem jeito de você morar lá naquela faculdade?" Essas eram as frases, ou melhor, as indiretas mais repentinas que eu ouvia ao longo do dia. Eu, como muitas outras pessoas no meu lugar fingia não me importar. Mas a verdade é que no fundo as palavras e a maneira que eles me tratavam feria meu orgulho, e magoava meu coração.

Para não causar um incômodo maior, desde que me hospedei na casa deles o casal não teve que se preocupar mais com serviços domésticos. Eu lavava e passava não somente as roupas de tia Lucinda como também os farrapos surrados do Ernesto, além disso eu cozinhava, limpava a casa, fazia tudo sem medir esforços. Não era uma obrigação, e sim uma possibilidade de demonstrar que eu não era apenas mais uma daquele típico modelo de sobrinha oportunista.

As garotas em que me afeiçoei na faculdade me aconselharam a entregar currículos nos shoppings da cidade. –Garantiram que lá seria um mar de oportunidades. –e eu fui na fé, crendo que conseguiria. No ônibus como de costume fui de pé, em meio ao aglomerado de pessoas suadas, a maioria vestidas em modestos trajes de banho. –Inveja branca. Eles com certeza estavam indo para a praia, enquanto eu iria procurar emprego.

O mais próximo que cheguei do mar foi através de uma televisão de 14 polegadas daqueles modelos antigos. Nas novelas, séries e filmes as praias eram as paisagens que mais me encantavam.

Estava me sentindo num labirinto consumista. Nunca havia visto tantas lojas num único lugar e quando entrava em uma delas para entregar um de meus currículos tinha que lidar com a resposta previsível de sempre. "No momento estamos priorizando os currículos que contém certa experiência..." E eu continuava mantendo minha percepção a respeito da maneira ultrapassada com que eles raciocinavam.

Atravessei a porta da loja, da mesma maneira que fiz nas outras. Eu só não contava que iria escorregar no tapetinho da entrada, pior, dar de cara com o cara que tentou me assaltar. Meu Deus! Senti meus batimentos cardíacos sendo interrompidos no segundo em que me dei conta de que era ele. Naquele instante as lembranças daquela noite vieram a tona junto ao medo que ainda sentia por ele. Juro que fiquei com uma imensa vontade de gritar e sair correndo que nem uma louca. Mas, como aconteceu naquele noite eu me aquietei, me controlei.

O pior de tudo é que Rafael se tratava de um ladrão com vários outros atributos. Por incrível que pareça, mais uma vez ele me tratou com simpatia, gentiliza, cavalheirismo e claro com um sorriso lindo no rosto. Aliás, para ser sincera ele era lindo. Será que todos os ladrões aqui do Rio tinham as mesmas qualidades que ele? Claro que não, não se iluda Isabela! –Estava tão desconcertada com a situação que meus pensamentos travavam uma guerra para compreender a razão de tudo aquilo. Porém, mesmo incompreendida não resisti, cedi ao convite de ir a praia com ele.

[...]

Estávamos na estrada há mais de uma hora, parecia até que Arraial do Cabo estava localizado no fim do mundo. Dentro do carro havia uma troca incessante de músicas, uma hora era pagode, outrora funk, e quando era este o ritmo todos se empolgavam principalmente as garotas e o cara lá de trás. Eles cantarolavam as letras vulgares que pra mim era desconhecida enquanto bebiam as cervejas da caixa de isopor que haviam trago consigo.

A brisa forte que ultrapassava a janela do veículo insistia em brincar com meus cabelos, eu tentava ajeitá-los e nesse mesmo contratempo notei que Rafael reversava o olhar entre a direção e minhas pernas.

—Tá animada com o rolê? –Perguntou sorrindo, deixando exalar um ar convincente daqueles que já conseguia prever qual seria a minha resposta.

—Sim. Eu nunca fui a praia, quero muito saber se a água do mar é salgada de verdade! –Disse alargando um sorriso, enquanto o tom da minha voz deixava claro que eu era a mais empolgada dali.

O silêncio dominou o carro, ao mesmo tempo em que os olhares curiosos carregados de deboche viam à minha direção.

—Não é não, tem gosto de catuaba!

Rafael exclamou sério. As garotas de trás não conseguiram segurar o riso e cuspiram a cerveja espalhafatosamente. Quando me dei conta Rafael e o amigo também foram contagiados pelo sarcasmo. Eu era a única ali que não estava rindo, e isso me deixou irritada.

—Qual é o problema?! Eu não tenho culpa se de onde eu vim não tem mar! –Afirmei com a cara fechada. Eles não me ofereceram, mas eu me virei, elevei meu braço até a caixa de isopor onde apanhei duas latas de cerveja. —Aposto que nunca foram numa cachoeira!

—Pra tudo tem a primeira vez. Hoje eu te levo na praia, amanhã tu me leva na cachoeira, depois nóis brota no teu barraco... –Ele disse enquanto acariciava minha perna com a mão esquerda, sorrindo, se insinuando maliciosamente.

—Será que dá pra você prestar atenção no volante e esquecer minha perna?! –Exclamei revoltada com o gesto audacioso. Quem ele pensa que é pra agir com essa liberdade toda pra cima de mim? Minhas bochechas chegaram a ficar coradas, não sou tímida, mas é impossível não me constrangi diante de tanto atrevimento. Segurei firme a mão que ele insistia em manter sob minha perna e a forcei até o volante, no lugar onde não deveria ter se afastado.

—Tu é foda Marreta. –O amigo dele gritou lá de trás enquanto era abraçado pelas garotas que assim como ele sorriam e se fartavam com a cerveja.

Para evitar que o clima continuasse inconveniente, aumentei o som e me afastei até que meu corpo colasse na porta ao meu lado. Me mantive dura como uma estátua e não fiz questão de olhar novamente para aquela cara de safado de Rafael. E, assim eu prosseguir até chegarmos a praia.

[...]

Senti-me no céu quando pela primeira vez pisei na areia quente da praia. O calor que exalava minutos atrás era ameno, ali sobressaía o frescor das repentinas rajadas de vento que açoitavam minha pele agradavelmente. A maneira com que as pequenas ondulações atingiam com delicadeza a beirada da praia me hipnotizava, era tão bom ver aquilo, era maravilhoso estar ali.

Fiquei observando a paisagem deslumbrante, os banhistas se movimentando e os camelôs transitando descalços debaixo do sol escaldante. Virei-me para trás e me surpreendi com a eficiência das garotas. O tempo que me distraí foi o suficiente para que elas encaixassem e abrissem o guarda-sol. Por fim elas estiraram a canga sob a areia e se banharam com uma porção improvisada que elas diziam ser um tipo de bronzeador caseiro e posteriormente viraram-se de costas para receberem o sol na pele.

Mesmo louca para correr contra aquela imensidão de águas azuladas, preferi fazer como as garotas. Tirei a saída de praia e me esbanjei com o óleo de bronzear. Confesso que ser comparada a um defunto tenha mexido um pouco comigo, por isso minha prioridade era pegar uma cor, ficar com uma aspecto bronzeado, com aquelas marquinhas que a maioria das cariocas possuíam.

Deitada de costas me esforçando para tomar a cerveja antes que ela esquentasse, uma das meninas me questionou:

—Tu cola com o Marreta a quanto tempo? Nunca te vi no morro. –A garota que mais parecia uma globeleza de tão linda me perguntou.

—Eu não colo com ele, pra ser sincera eu mal o conheço, hoje foi a segunda vez que o vi.

—Pronto já até vi. Com certeza hoje ele vai querer ficar contigo, eles sempre prefere novidade. –A loira disse com um ar desprezível.

—Vocês falam de um jeito... Como se nós três fôssemos um cardápio. Que ridículo!

—Ah para de caô, vai me dizer que não acha ele um nego bonito?

—Desgraçado! Além de lindo fode gostoso! –A loira respondeu por mim a pergunta da mulata.

Preferi não acrescentar com meus comentários. Até porque eu não tenho nada para acrescentar, eu com 18 anos de idade posso contar nos dedos as vezes que tranzei com meu ex namorado. E para ser realista sexo não é tão bom quanto elas dizem... Não é possível que só eu pense assim.

Enquanto admirava o movimento da praia notei Rafael e o amigo vindo molhados à nossa direção. Ele estava só com uma sunga, e bom... É inegável que o corpo dele chamava atenção, o colega parecia invisível ao seu lado. Eram tantas tatuagens que eu podia jurar que era uma para cada músculo que saltava de seu abdômen. Droga! Porque eu estava olhando tanto aquilo?

Quanto mais eu os encarava, mais eles se aproximavam, e quando notei que estavam a poucos passos distantes de mim, debrucei o rosto sob a canga na intenção de conter minha indiscrição involuntária.

Me atentei em ouvir apenas o barulho das ondas se encontrando no mar. Me entretia com a canção viciante das águas, quando inesperadamente senti meu biquíni ser deslizado pela minha bunda. Meu coração deu um pulo, assim como todos os pelos do meu corpo. Me vi num estado inteiramente constrangedor no momento em que me virei de bruços temendo que fosse algum molestador.

—Hum... Agora ficou no ponto. Já tá até com marquinha, do jeito que o pai gosta! –Seus olhos corriam Indiscretamente por cada detalhe do meu corpo. Naquele momento não sabia se estava vermelha pelo sol, o se era pela vergonha que estava sentindo.

—Você não tem noção? É sério que você realmente queria arrancar meu biquíni no meio da praia?! –Gritei revoltada, ajeitando a parte de baixo do biquíni  dominada pela vergonhada.

—Ih pirou. Quem te deu esse papo?! Eu só tava conferindo a marquinha, e na moral destacou pra caralho no seu rabo!

Os olhares ao redor se desviaram para nós. Minha vontade era soca-lo até seu corpo afundar  na praia. Não resistir, cedi a raiva que me consumia, elevei meus pés contra a areia abrasiva, lançando-a contra aquela cara de safado inconsequente.

Levantei, saí marchando indignada a inconveniência. Mas o que eu poderia esperar? Fui eu que aceitei acompanhar um ladrão até a praia. Meus pés afundavam na areia e eu continuava prosseguindo cheia de raiva, desorientada, esbarrando em todos que se atreviam entrar no meu caminho.

Enquanto caminhava tentava encontrar uma forma de não ir para casa com aquele marginal. Num piscar de olhos senti meu braço ser pressionado com brutalidade, num impulso ríspido meu corpo foi desviado para trás até que novamente fiquei de frente com o retardado.

—Tá indo pra onde? –Perguntou sério, enquanto mantinha a mão áspera pressionando  meu braço.

—Eu vou embora. Não vou ficar aqui pra você continuar com esses atrevimentos ridículos. Eu não me sinto bem quando um cara como você fica se jogando como um louco pra cima de mim. Qual a necessidade disso?! –Afirmei com um tom de veredito. Forcei meu braço e me afastei dele.

Rafael estreitou os olhos, caminhou dois passos até mim e novamente abriu um sorriso sarcástico.

—Hum Marrentinha… Tu não tem ideia de com quem ta falando. Mas tá de boa, não vou dar mais uma de cachorrão. É que tô acostumado a zoar assim com as mina, mas fazer o quê se tu não gosta… –Ela estendeu os braços para os lados gesticulando pouca importância diante de tudo.

—Eu realmente não gosto disso. É melhor cada um ficar no seu canto, na verdade eu queria ir embora.

—Mas já?! Não era tu que tava doida pra curti a praia? Nem te vi entrando no mar…

—É que… –Ele se intrometeu antes que minhas palavras saíssem.

—Quer saber vou te levar pra dar um rolê de jet, acho que tu vai curti pegar uma onda no mar.

Um sorriso espontânea se destacou em meu rosto. Eu ainda queria sentir as águas salgadas banhando meu corpo, e agora com mais esse convite, dar uma volta de jet ski, nada mal para uma iniciante nas praias.

—Eu quero!

Ele sorriu sinuoso para mim.

—Bora! –Ele disse, dessa vez sem ousadias.

Seguimos lado a lado até nos aproximar da proa onde se alugava os o jet ski. Rafael agiu como um cavalheiro, segurou minha  mão e fez questão que eu sentasse na frente para desfrutar de uma melhor experiência. Ele sentou-se atrás, meus quadris pareciam estar encaixado entre suas pernas. O impacto das curvas e altas derrapagens fazia com que nossos corpos ficassem ainda mais colados.

Rimos, gritamos e curtimos, a cada volta a sensação de liberdade carregada de adrenalina ultrapassava meu corpo. Esse de todos os dias que estou aqui, foi o melhor, sem dúvidas.

Depois de longas voltas Rafael parou o veículo no outro lado da praia, diferente de onde estávamos anteriormente lá estava pouco movimentado. O lugar era tranquilo, podia se escultar calmamente o barulho dos barcos, lanchas e jet skis cortando as águas do mar.

Rafael saiu do jet ski sério, acariciando sua barba por fazer. Cada bicipes que saltava de seu corpo, reluzia ao receber a luz fervorosa do sol aquela tarde. Mais reluzente que seu corpo tatuado era seu sorriso, nos seus lábios havia um ar maliciosamente provocante.

Me acheguei até ele sorrindo, esbanjando uma alegria que não sentia a dias.

—Hoje foi  melhor que tive desde que cheguei aqui no Rio, e foi graças a você.

—Eita porra, que honra. Acho que tu ainda não curtiu embrazada, porque na moral rolesinho de praia não é de nada. Tá aqui a quanto tempo?

—Quase dois meses.

Ele sorriu.

—Caralho agora saquei porque tu tava perdidaça aquele dia.

—Sim, estou me adaptando aos poucos, e bom, pra um assaltante você até que está sendo bem bonzinho...

Ele sorriu ao me ouvir.

—Tira essa ideia da cabeça, não sou ladrão não, caralho! Só me empolguei com a ooportunidade, pow tu queria o quê com essa cara de patricinha dando bobeira por aí?!

— Não brinca, eu tenho cara de patricinha?! Quem dera se minha realidade fosse essa, tô numa fase tão ruim, nem trabalho eu tenho… –O desânimo ficou claro no soar de minhas palavras.

Rafael me fitou de cima abaixo como se estivesse fazendo uma sondagem de cada detalhe do meu corpo.

— Mulher gostosa não precisa trampar, o que mais tem por aí é homem querendo da patrocínio… –O interrompi antes que soltasse mais besteiras.

—Nunca ouvi um papo tão machista. E se Beyoncé parasse de cantar porque é gostosa, se Juliana Paes parasse de atuar porque sabe que é gostosa, se Gisele Bwintch parasse de fotografar…

—Tá, entendi. Foi mal, deixa pra lá. –Rafael ficou me encarando pensativo, como se tivesse refletindo sobre tudo que disse.

—Mas, e você trabalha com o quê?

—Eu… Eu sou chefe de vendas! Tipo isso.

—Me contrata, por favor. Eu faço qualquer coisa, eu vendo, eu fico no caixa, eu lavo, passo, cozinho! –Exclamei cheia de expetativas.

—Não vai rolar. Mulher no meu trampo só atrasa as parada! –Exclamou sério, não ligando muito para meus suplícios.

—Poxa… Podia pelo menos me chamar pra uma entrevista, é sério que só porque sou mulher você vai me descartar?! –Afirmei nervosa, não sei lhe dar bem com esse tipo de situação.

—Entrevista? –Abriu um sorriso debochado enquanto se aproximava a passos lentos. – Eu não costumo entrevistar meus crias, mas no seu caso acho que vale a pena. Bora fazer um teste, se tu passar eu te contrato, tô te dando minha palavra! –Afirmou piscando o olho direito.

—Teste? Mas que teste?

Rafael encarou-me com olhos negros sinuosos, havia tanta malícia na sua maneira de olhar que eu facilmente poderia compará-lo a dois punhais prontos para me atravessar. Ele deu dois passos imprevisíveis para frente, segurou firme meu braço, e me trouxe para si até que nossos corpos estivessem colados. Não tive tempo para protestar, ele agiu rápido, não abriu nenhuma brecha para que eu pudesse ao menos tentar impedi-lo. Senti um choque ultrapassar as artérias do meu peito quando dei conta de que seus lábios grossos, macios, carregado por um sabor exótico e amargo de cigarro se apoderavam dos meus. Sua língua guiava a minha, nossos lábios travavam uma batalha de desejo infame, ao mesmo tempo em que seus braços fortes se enroscavam em meu corpo, me acariciando eloquentemente. Seu beijo era delicioso…

Meu Deus! O que estou fazendo? Eu tô mesmo beijando o cara que tentou me assaltar?

Meu subconsciente gritou. Fui aí que caí em si, empurrei aquele louco safado para longe de mim.

—Você é um discarado! –Gritei cheia de raiva por sua petulância.

—Ih relaxa, vai me dizer que tu não tava curtindo a entrevista?! –Afirmou piscando com os olhos exalando maldade.

—Desgraçado! –Empunhei meu braço e bati com força, causando um estalo na sua cara.

Eu agi por impulso, não queria ter feito isso. O medo veio a tona quando seu olhar safado sofreu uma metamorfose para um frio de ameaça. Retrocedi dois passos desconfiada, temendo uma reação ruim.

—Porra! Tu bateu na minha cara?! Nem minha mãe bate na minha cara! –Se expressou carregado de rancor, ao mesmo tempo em que acariciava o lado do rosto que havia acertado.

—Deve ser por isso que você  ficou assim! Será que não sabe fazer outra coisa que não seja roubar? Primeiro tentou roubar meu celular, e agora me roubou um beijo… –E como foi gostoso aquele beijo.

—Tu acha mermo que eu ia roubar a porra desse seu celular fodido?! Não viaja. Pow, tu é cheia de frescuragem, nunca conheci uma mina tão chata!

–Afirmou sério, me encarando com acusação.

O olhei com desprezo. Como ele ainda acha que está na razão?

—Melhor eu ir embora. Vir aqui foi um erro.

—Vaza então, tá esperando o quê pra meter o pé? Não tá achando que vou te levar né?!

—Como… Você não vai me levar? –Perguntei num tom ameno, temendo que ele confirmasse minha suspeita.

—Claro que não. –Afirmou ríspido.

—Você não pode fazer isso, por favor, Rafael… Como é que vou voltar?

—Sei lá, dá seu jeito. Vira sereia e vai nadando! –Sorriu com sarcasmo, enquanto seguia a direção do jet rodopiando a chave.

Corri até ele enlouquecida com a possibilidade de ficar largada ali. Se eu já havia me perdido na cidade imagina o que eu não faria numa praia que nunca vi. Estava praticamente me humilhando para que ele me levasse de volta.

—Tu não pegou a visão ainda?! Já falei que não porra! –Advertiu cheio de dureza, se afastou de mim com um ar esnobe. Montou no jetski e deu partida deixando para trás somente os respingos das águas salgadas.

—Rafael! Rafael! –Meus gritos saíram como o estrondoso som de um berrante. –Não me deixe aqui! Por favor, não!

Implorei por socorro por mais 5 longos minutos, não tive resposta e de longe fiquei observando ele desaparecendo na imensidão azulada sob o jetski, que deixava um rasto esbranquiçado por onde passava.

O erro foi meu. Eu não devia, não podia ter aceitado vir com ele. Confesso que me iludi com a oportunidade de sair, me distraí, deixar os problemas de lado e aproveitar um único dia de lazer, sem a presença daqueles dois chatos.

Minhas glândulas vucais doíam devido o esforço que fiz. Sem saber o que fazer me joguei de joelhos na areia molhada próxima ao mar. Apesar de estar diante de uma paisagem inspiradora, eu não conseguia enxergar nada além do fiasco que foi meu dia, e com certeza também seria o mesmo com a noite. As lágrimas corromperam minhas pálpebras, abaixei minha cabeça e a pus entre os joelhos. Pensativa, perguntei a mim mesma: Por que diabos eu sou tão ingênua? Bem que mamãe falou que eu não estava pronta, e nem tinha perfil para viver na cidade grande.

Meu coração bateu irregularmente quando senti as águas do mar me banhando. Levantei assustada, descompreendida, mas ao direcionar meu olhar a frente vejo aquele discarado manobrando o jetski. Ele estava calmo, cheio de si, parecia até que não tinha feito absolutamente nada.

—Vamo embora. –Disse calmamente.

Minha vontade era correr para cima daquele desgraçado e espancá-lo. –De onde já se viu, ele me abandona desesperada e volta como se nada tivesse acontecido?–Mas, como não queria mais prolongamentos pra este dia me mantive calma e serena. Não discuti, deixei apenas um pensamento alto escapar em palavras.

—Você é louco. Não tem senso, e se acha!

—Só isso? Também sou gostoso, tu não acha?!

Fingir não ouvir. Caminhei até ele, quando as águas alcançaram meus quadris, com esforço subi no jetski. Desta vez na garupa, fiz questão de me afastar o máximo que podia dele.

Durante o trajeto ele me questionou:

—Qual a tua idade?

—18. –Respondi emburrada.

— Tem mina mais nova te dando um show por aí. Devia parar de agir que nem criança, tu só faz pirraça, porra!

—Pode pensar o que quiser de mim, eu não ligo. Já percebi que você é do tipo de homem que para uma mulher ser legal ela tem que ir pra cama com você. Por isso vou te adiantando: Você terá essa má impressão minha pelo resto da sua vida!

—Peguei a visão. Agora faz o seguinte: Cala a boca, tô cheio de ti já.

—Quem você pensa que é pra me mandar calar a boca?!

—Se não fechar o bico vou te deixar aqui.

Sua voz me atingiu com tanta agressividade, que optei por me aquietar e permanecer muda até que chegássemos novamente a proa em que o jet ski havia saido anteriormente.

Rafael e eu saímos do veículo sem trocar uma única palavra. Seguiamos sérios, calados, focados apenas no caminho, sendo que as vezes nossos olhares se encontraram de soslaio, e quando isso acontecia de nossos olhos faltavam sair faíscas.

[…]

Rafael etregou o jetski para o responsável da locadora, enquanto as garotas e eu lavávamos nossos pés para retirar o restante da areia impregnada.

Depois de tudo em seus devidos lugares entramos no carro, e antes que eu sentasse a frente Rafael exigiu que seu amigo ocupasse a poltrona e fosse ao seu lado. Então fui no branco de trás ouvindo os cochichos das garotas em relação a ele. outros homens, fieis, amantes e essas coisas.

Duas horas depois o carro parou frente a minha casa, ou melhor da minha tia. Desci me despedindo das mulheres, que por vez sorriram e deram tchauzinho para mim. O carro já estava ligado e antes que ele acelerasse aproximei-me até o vidro de Rafael.

—Apesar de tudo, muito obrigada pela sandália, pelo biquíni, pelo dia… –Ele foi curto e grosso quando cortou o final da minha frase.

—Beleza. Só me faz um favor: Apaga a porra do meu número, pode ficar ciente que tu não vai me ver mais!

O vidro do carro corrompeu a porta antes que eu dissesse algo. Ele desviou o veículo com as rodas arranhando bruscamente o asfalto e seguiu para seu destino acelerado.

Idiota! Amostrado! Cafajeste! Como se ter, ou não o número dele fosse tivesse alguma importância para mim.




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