História Amores Furtados - Versão oficial - Capítulo 7


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Categorias Histórias Originais
Tags Romance Morro Traficante
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Palavras 3.950
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Literatura Feminina, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Este capítulo contém cenas de abuso sexual explícito, podendo servir de gatilho para pessoas com estômago e coração fraco, ou para quem já passou por algo parecido.

Capítulo 7 - Capítulo 5



Capítulo narrado por Isabela.

Atravessei o portão fitando com astúcia os meros detalhes que compunham a casa. As paredes mal pintadas esbanjavam simplicidade, assim como as portas amadeiradas modestamente consumidas pelos cupins. Na laje se destacava uma antena parabólica antiga com o aspecto desgastado e enferrujado. A casa alugada que minha tia vivia era apenas mais uma das milhares que preenchiam os subúrbios da cidade. Ela tinha tudo para ser cômoda, aconchegante, se não estivesse imersa a tanta energia ruim.

Eu estava feliz, porque apesar dos pesares o dia foi surpreendente e divertido se comparado aos outros. Mas, quanto passei pela porta senti toda minha felicidade suprimir a nada. Ao que parecia tia Lucinda havia chegado a pouco tempo do trabalho, como na maioria das vezes que a vi estava visivelmente cansada. Seus olhos arregalados rolaram indiscretamente por mim e pararam sob a roupa com que havia chegado. –Quando percebi ajeitei minha saída de praia.

Seu olhar não foi o único a me constranger. Ernesto me encarava de maneira depravada, suas pálpebras se estreitaram a direção do meu corpo semicoberto. Eu realmente não tinha a intenção de provocar ninguém, tudo que eu mais queria era entrar tranquilamente, tomar um banho e vestir as roupas descentes que costumava usar no dia a dia.

Apertei os passos rumo ao meu quarto. Tia Lucinda não se conteve, veio até mim frustrada, cheia de ciúmes e inconveniências. De forma rude me agarrou pelo braço e saiu me arrastando até o quarto em que ficava. Seu marido obviamente se deu conta do seu estado alterado, mas preferiu manter-se calado, omitindo qualquer importância com a cena de ciúmes e qualquer outro sentimento que ela transparecia.

No quarto reparei na maneira com que suas mandíbulas eram forçadas pela raiva, ela quase não conseguia se conter diante de mim. Afastei meu corpo de suas mãos que não queria desgrudar e deixar de apertar meus braços. Ao desaproximar ela se achegou mais, e me sacudiu sucessivas vezes como um gesto de desabafo.

—Você não tem senso! Entra de biquíni pela casa, quase pelada sabendo que meu marido estava ali! Maldito dia que aceitei que Luzia mandasse você pra cá. Você parece que veio na intenção de destruir meu casamento! –Gritou carregada pelo ciúme, mantendo o indicador trêmulo direcionado para meu rosto.

Ao ouvir aquilo meu corpo inteiro pinicou de ódio. Mesmo sendo sangue do meu sague, tive vontade de quebrar aquele dedo e cuspir na cara dela. Odiei suas palavras acusadoras, desprovidas de qualquer convicção. É sério que ela disse que eu estava me oferecendo para aquele velho folgado, nojento e inescrupuloso?! Respondi-a de imediato:

—Eu não entrei com essa roupa com o objetivo de me amostrar pra ninguém. Eu apenas estou vindo de uma praia. E não. Eu não tenho interesse nenhum no seu marido, e muito menos motivos para destruir seu casamento! Eu sou muito grata por esses dias que a senhora está me acolhendo, mas pode ter certeza que na primeira oportunidade vou sumir da sua casa!

—Acho bom! Espero que você tenha senso. Ernesto e eu estamos casados a 6 anos, e eu nunca gostei de nenhuma novinha... Na verdade nunca gostei de nenhuma mulher ao lado dele! Eu até entendo sua situação, quando cheguei aqui passei por dificuldades e constrangimentos também. Mas eu nunca fiquei numa casa onde vive apenas o marido e a esposa pra atrapalhar a relação de ninguém! Nada contra você, muito pelo contrário, como minha sobrinha eu torço para que você se resolva, encontre um trabalho e estude. Mas, de fato aqui na minha casa não cabe duas mulheres, quanto mais rápido você sair melhor será para mim!

—Entendi tia! –Respondi com frieza enquanto prendia o choro na garganta. Era difícil absorver tantas palavras ruins vindas de um parente tão próximo. Pior ainda é saber que estou em um lugar onde não conheço e não posso contar com ninguém de verdade para me ajudar, ou até mesmo desabafar, botar as lágrimas para fora. Que saudades da minha mãe, meu pai, minha prima, amigas...

Como sempre ela saiu batendo a porta de madeira quase a partindo no meio. O estrondo ecoou pelo quarto, e assim que o timbre ficou ameno me joguei na cama. Aos prantos afundei minha face no travesseiro, onde soltei todas as minhas lágrimas presas.

[...]

De fato a discussão com tia Lucinda me fez refletir. Por isso ao invés de provir às horas noturnas a uma prazerosa noite de sono, optei por investi-las em estudos, e dessa vez não tinha relação nenhuma com a faculdade. Entrei em vários grupos no facebook, de repúblicas, casas para alugar e pessoas a procura de alguém para dividir o aluguel. Quando iniciei as pesquisas podia jurar que não encontraria ninguém disposto a dividir uma casa comigo. Enganei-me completamente quanto a isso, fiquei surpresa quando vi até garotas da zona sul implorando para me conhecer, chegar a algum acordo. –Eu realmente não era a única em uma situação financeira difícil. –Também pensei em maneiras alternativas de ganhar a vida, como: Vender caipirinha na praia, bolo em pote na faculdade, ou até mesmo ajudar alguma vizinha a cuidar dos filhos. Precisava tentar alguma coisa com urgência, eu queria muito sair dali e deixar a consciência da minha tia livre, não só a dela, a minha também.

Com o passar das horas minhas pálpebras tornaram-se pesadas. Pensei em ceder ao sono, mas quando notei 6h da manhã no canto superior direito da tela do meu celular reagir no mesmo instante. Não, hoje não posso dormir. Vou sair para entregar os currículos que me restaram e vou aproveitar para pesquisar os preços dos ingredientes que vou precisar no supermercado, e depois vou direto para a faculdade. –Pensei.

Antes de desgrudar os olhos da tela do celular, como qualquer pessoa normal entrei no whatsApp. Deparei-me com varias mensagens, meus olhos buscaram as de mamãe é claro.

Bonequinha, seu pai e eu estamos morrendo de saudades. Está tudo bem com você? Tem comido direito? Respeitado sua tia? Pelo amor de Jesus Cristo, não me diga que está andando a noite nesse lugar perigoso?!

Tá td bem comigo. Mas estou morrendo de saudades de vc e do papai, EU AMO VOCÊS❤

Respondi mamãe com o coração apertado, mais tarde assim como todos os dias iria ligar para garantir que tudo estava bem com os amores da minha vida. Passei meu dedo pela tela, visualizando uma por uma das mensagens praticamente idênticas das minhas amigas.

Isa vai voltar quando?

Não esquece que mês que vem tem cavalgada!

Como anda os estudos?

A pegada de um carioca é melhor do que a de um mineiro? Primaaa por favor, responde!

Eu ri. Tinha que ser a vaca da minha prima. A respondi:

Ainda não cheguei nessa parte😉

hahaha

Continuei rolando a tela até me deparar com um contato. Droga! Eu realmente salvei o número daquele cara?! No mesmo instante cliquei no número intencionada a excluí-lo de vez, mas infelizmente fui induzida pela curiosidade. Cliquei e abri a imagem do seu perfil. Na foto ele transmitia um olhar calmo e sereno. Seu semblante era intrigante, não sabia defini-lo em sério, arrogante, safado, lindo... divertido... engraçado... simpático... gentil...

Droga! De onde é que inventei tantas qualidades pra esse cara? Devo estar enlouquecendo, só pode.

Cliquei na aba excluir e pressionei. Mas parecia que nesses dias meu celular estava com o intuito de me contrariar, ele travou, logo com a imagem do rosto de Rafael em destaque. Eu cliquei, pressionei para sair, mas ficou só naquilo. Desisti e fiquei ali encarando seus traços, as sobrancelhas sinuosas, as curvas de seus lábios...

E que lábios. Ele tinha um beijo diferente, um gosto excêntrico, uma maneira singular de entreter com a língua. Poderia defini-lo como: perdidamente selvagem com um toque gostoso de carinho.

Droga! Isso que dar não dormir. Daqui a pouco vou começar a ter alucinações e agir como os zumbis de The Walking dead. A culpa também é do meu celular, essa merda não deveria ter travado nessa foto ridícula. Tô com ranço profundo desse cara!

Cansei do aparelho imprestável e resolvi ignorá-lo. Levantei-me sonolenta, calabreando pelo quarto. Direcionei-me ao banheiro onde tomei um banho quente e rápido, e escovei os dentes.

Vesti uma calça jeans acompanhada de um casaco vermelho de lã. Sim, hoje estava frio. –O clima aqui no Rio é incrivelmente imprevisível, há dias que estamos suando de calor, e também há os dias que tremulamos os membros por tanto frio. –Caprichei um pouco mais na make, pintei os lábios com um batom vermelho rebu e marquei mais meus olhos com um lápis escuro. Calcei a boot cano curto preta que havia ganhado do meu ex-namorado. Queria estar mais apresentável, talvez o que me faltava era isto: Investir no meu marketing pessoal.

Depois de pronta saí do quarto rumo a cozinha e dei-me de cara com Ernesto. O ignorei, nesta manhã eu só preciso de no mínimo meia garrafa de café para me manter de pé.

—Bom dia sobrinha. Tá bonita hoje, mas tenho que admitir: Você estava muito melhor com aquela roupa com que chegou aqui ontem!

Ele me encarou incisivamente, mas percebeu que não dei a mínima importância para o que disse.

O silêncio consumia o tempo na mesma velocidade que eu bebia o café.

—Não sei pra onde vai. Mas meu cesto está entornando de roupa suja, e são daquelas que precisam ser lavadas a mão.

—Que roupas são essas que precisam ser lavadas a mão?! Antes de ontem eu perdi a conta de tantas peças que lavei e estendi no varal, fora a faxina que eu dei enquanto o senhor nem arredava o pé do sofá!

—É mais do que sua obrigação arrumar a casa, lavar as roupas, fazer comida. Você ainda da sorte de poder viver aqui sem ao menos colaborar com nada. –Afirmou tranquilamente preenchendo o pão com mortadela.

—Digo o mesmo para você, porque eu pelo menos arrumo a casa, faço comida e lavo seus trapos, já o senhor nem isso, só come e assiste televisão e não faz mais nada!

—Você anda bem abusada bonequinha. É assim que sua mãe te chama não é? Ouvi ela conversando com Lucinda. –Eu tentava fingir não ouvir. Concentrei-me apenas em rechear meu pão com mortadela enquanto bebericava mais um gole de café. –Você ainda tem coragem de colocar mortadela no pão?! Acha isso certo? Sua tia acordou 5h da manhã pra ir trabalhar sendo que nem ela comeu a mortadela para poder deixar pra mim, e você está aí comendo ela? Não se sente mal por isso?

Ranço me define. Ignorei. No mesmo instante apanhei o copo e talheres que sujei. Lavei-os e algumas louças que estavam na pia. Posteriormente apanhei minha bolça e sair imaginando: Como minha tia teve coragem de se casar com um homem desses? Ou pior: Como ela tem coragem de imaginar que eu tenha qualquer tipo de interesse nele?

[...]

Como havia planejado entreguei o que sobrara de meus currículos. Algumas empresas davam fichas de inscrições, eu preenchi o questionário de três. Depois de andar em busca de empregos observei os vendedores ambulantes pelas ruas. Eles ofereciam balas, comida, óculos, de tudo um pouco, estavam trabalhando arduamente para conseguir o pão de cada dia. Isso me inspirou, eu só precisava perder um pouco da minha timidez e fazer como eles.

Fiquei vagando pelos supermercados pesquisando preços até o final da tarde. –Para mim tudo estava acima do orçamento. –Assim que deu hora peguei o metrô para a faculdade.

Pelo menos desta vez cheguei com antecedência, fui a quarta aluna a ocupar uma das carteiras. Já havia me preparado para as duas aulas de geometria analítica que haveriam seguidas. O professor explicou muito bem a matéria e passou um exercício envolvendo cálculos. Eu fiz tudo em 15 minutos, Thalita e Carol tiveram que copiar de mim porque não conseguiram chegar a um resultado. Agora me pergunto se elas estavam cientes que não são boas com os números porque diabos se inscreveram para engenharia? E como conseguiram uma bolsa? Será que chutaram na prova do ENEM?

O intervalo chegou, aproveitamos para andar um pouco pelo pátio e corredores da universidade. O espaço era gigantesco, quanto mais andávamos mais nos dávamos conta que tínhamos muito a conhecer. Thalita contava a história cômica que teve com seu primeiro namorado quando nos deparamos com três lindos garotos. Dentre eles um que mais parecia ser a reencarnação do Ian Somerhalder se destacou, não somente pela beleza, mas pelo seu jeito extrovertido e descolado.

—Olha só, aquele não é o Diego Coutinho?! Filho do dono daquela loja de móveis enormes... –Carol cochichou quase babando.

—É ele sim! –Thalita faltou soltar um grito.

—Nossa... Pelo visto só eu que nunca ouvir falar dele.

Continuamos seguindo, até que no momento em que iríamos nos cruzar ele e os amigos bloquearam nosso caminho.

—Ora, ora Kaleb. Veja o que temos aqui. Três calouras ao que me parece. –Ele disse abrindo um sorriso perfeito, enquanto ajeitava o cabelo arrepiado para trás. –Meninas me desculpem se serei inconveniente, mas hoje vai rolar uma resenha no apê. Tudo liberado, muita bebida, música, eu! –A última palavra saiu com tanta convicção que quase me assustei.

—Quando? Que horas? Quer dizer... Desculpa você nem nos convidou... –Thalita disse cheia de expectativas.

—Tudo bem. O convite já era previsível. Quanto a resenha vai ser agora! –Disse arqueando as sobrancelhas enquanto seus olhos incrivelmente azulados transpareciam.

—Poxa uma pena que não viemos preparadas... –Carol falou.

—Se estiverem falando das roupas vocês estão ótimas. Até porque lá tem biquíni pra todo mundo. É festa na piscina, piscina aquecida. –Sorriu dando uma leve piscadela para os amigos, que retribuíram com o mesmo gesto logo em seguida.

—Então partiu! Isabela, Carol a noite é nossa! –Sem dúvidas Thalita era a mais empolgada.

—Eu não vou.

—O quê? –As meninas perguntaram em couro.

—Tenho coisas importantes pra resolver. Outro dia quem sabe. –Eu que não vou me arriscar a sair com desconhecidos de novo, ainda mais nessa situação crítica em que encontro: desesperada, uma noite sem dormir e muito, mais muito cansada.

—Seu nome morena? –Ele perguntou se aproximando a um ponto de quase tocar nossos nariz.

—Isabela.

—Então Isabela, como pode ver meus amigos e eu estamos em três. O número da noite tem que ser par, não pode dar ímpar, porque senão prejudica entendeu?!

—Eu não tenho nada a ver com par, com ímpar. Não estou afim de sair!

—Se não vier irá se arrepender!

—Eu costumo me arrepender só das coisas que faço. Boa festa para vocês, vou ali assistir a última aula!

Dei de ombros, segui caminhado sem ousar olhar para trás, porque pelo silêncio suponho que provavelmente estariam me fitando e me imaginando como uma pré-histórica, uma ET que não gosta de festas; mas eu gosto sim, e muito, só que no momento tenho outras prioridades.

Voltei para a sala de aula, atenta durante todo tempo assisti a última aula, depois sair rumo ao ponto de ônibus, felizmente não tive nenhum imprevisto cheguei em casa tranquilamente.

[...]

Cheguei em casa exausta e fiquei ainda mais cansada quando me lembrei do trabalho bastante complexo que o professor passou, com o prazo de uma semana para entrega.

Sentei-me no sofá desgastado da sala, que por vez tinha a aparência velha disfarçada pelo forro de cetim na cor vinho que o cobria. Meu corpo agia involuntariamente, minhas pálpebras se encontravam gradativamente, e quando me dava conta que estava prestes a cair no sono, eu arregalava meus olhos, quase os saltando como se tivesse acabado de ver uma cena incomum, acima do absurdo.

—As roupas estão na varanda lá fora. Sua tia como sempre chegou cansada e está dormindo, tadinha... Mas antes de cair no sono ela deixou claro que quer minhas roupas e os uniformes dela limpos para amanhã! –Afirmou com um tom de insensatez que abalou até meu sono.

Estava cansada, pouco interessada em discutir com aquele chato. Meu interesse ainda era menor quando se tratava de suas roupas para lavar. Que ódio!

Entrei no quarto. Tirei o casaco, botas e posteriormente seguir para a varanda. Devido a fadiga meus movimentos eram curtos e lentos. Repentinamente me pegava descansando, quase dormindo escorada no tanque. Mesmo diante desses empecilhos esfregava com má vontade as cuecas e shorts de dormir daquele crápula.

—Deveria lavar minhas roupas com carinho. Fica feio para uma moça com um rostinho tão angelical, agir assim cheia de má vontade. –Disse se aproximando, enroscando seu corpo por trás do meu, a beira do tanque.

Uma sensação de repugnância me invadiu. Meus batimentos cardíacos diminuíram o ritmo como um sinal de alerta para que eu me afastasse. E foi isso que fiz. Remexi meu corpo de uma maneira tão brusca que facilmente conseguir escapar por detrás do Ernesto. Me faltaram palavras para falar do seu gesto, meu coração estava tão gelado quanto meus dedos molhados e ensaboados expostos ao ar gélido.

Muda, saí caminhando a passos largos pela casa evitando que nossos olhares se encontrassem, na verdade evitando que ele ousasse a tocar novamente em mim.

Meu pé direito iria se encontrar com o chão se meus movimentos não tivessem sido interrompidos por um puxão de cabelo.

—Para! O que pensa que está fazendo?! –Gritei num tom de advertência, ao mesmo tempo em que me afligia pelo medo.

—Ah, por favor, pare com esse charminho minha sobrinhazinha. Não precisa se fazer de difícil, sei que era exatamente isso que você queria quando chegou aqui ontem com aquele fio dental entocado dentro do seu rabo! –Afirmou repuxando ainda mais meus cabelos.

—Ernesto. Para logo com isso! Por favor... para! –Murmurei enquanto as lágrimas brotavam incessantemente de meus olhos. Eu tentava me contorcer, empurrá-lo para longe novamente. Mas fisicamente ele era muito mais forte.

—Tia! Tia! Me ajuda! Soco... –Meus clamores, junto a esperança de escapar de suas mãos asquerosas foram cessados quando ele tapou agressivamente meus lábios. O choro travava uma batalha árdua em minha garganta. Ela doía pelo esforço de querer soltar minhas palavras e ser impedida.

O desgraçado correu os olhos arregalados cheios de desejo pelo meu corpo. Jogou-me com força contra a parede, e quando mais uma vez tive a oportunidade de gritar e implorar por socorro ele me tomou um beijo asqueroso. O gosto nojento de sua saliva amarga ocupou cada canto da minha boca. Ele forçou minha blusa até conseguir rasgá-la ao meio, a parti daí ele não perdeu mais tempo elevou os lábios babados até os mamilos de meus seios e desfrutou de cada um deles, me causando asco, nojo, um sentimento indescritivelmente amargo e doloroso.

—Me solta! –Gritei alto. Ele reagiu batendo minha cabeça contra a parede me deixando atonteada, fiquei ainda mais fragilizada, consequentemente um alvo fácil para seus ataques.

O infeliz me jogou contra o chão como um brinquedo, depois me despiu sem muita dificuldade. Arrancou minha calça junto a minha calcinha, com os olhos exalando desejo, o maldito estava possuído pela covardia. Ernesto botou seu membro nojento para fora. A cada estocada que ele dava no meu corpo sentia como se estivesse acertando minha alma. Eu queria morrer... Eu não queria estar sentindo aquilo... Meu coração estava sendo corrompido, ele ardia, doía com mais intensidade do que minha intimidade.

Naquele instante perdi a capacidade de pensar, raciocinar, lutar pela realidade. Meu sangue junto a cada membro que me compunha fervia e tremulava no meu corpo.

—E-er-nesto... O que é isso... –Tia Lucinda surgiu vestida com uma longa camisola de algodão colorida suas pálpebras estavam inundadas de lágrimas.

Num impulso ele saiu de dentro de mim, recolhendo seus trapos espalhados ao meu lado.

—Foi ela... –Murmurou. –Ela estava andando só de calcinha pela casa. Ela estava me provocando desde o início, várias vezes Lucinda, eu tentei te alertar que essa vadia não prestava!

As palavras que eles trocavam parecia sussurros. Tentei movimentar meu corpo, mas não consegui, eu tinha nojo de mim, nojo dos vestígios de sua saliva na minha boca, nojo das lembranças asquerosas do seu membro dentro do meu corpo.

—Tia... Me ajuda... Eu quero ir embora... –Supliquei enquanto meus olhos ardiam a cada lágrima que atravessava minha pálpebra.

O silêncio e o frio dominou o ambiente. Eu me esforcei para apanhar minha calça e vesti-la de forma desajeitada.

—Você transou com meu marido no chão da minha casa. Você vive as minhas custas, e ainda teve tamanha coragem... O tempo todo tudo que você queria era tomar meu marido! –Desabafou carregada pela emoção. Seus lábios tremiam enquanto reparava no meu estado. O tempo todo ela tentava se esquivar dos olhares de Ernesto e quando não conseguia caía no choro, entrava em desespero.

—Esse desgraçado me estuprou! Será que você é tão burra que mesmo vendo tudo isso na sua frente ainda vai ter coragem de ficar do lado dele?! –Meu desespero gritou mais alto.

—Cala a boca! Você procurou e achou! Sai da minha vida, para de atrapalhar meu casamento! Some da minha casa, agora!

Não acreditei no que ouvi.

Tentei ajeitar minha blusa quando ela me segurou forte pelo braço, e saiu me arrastando para fora da casa.

Sentei-me na calçada tentando pensar na solução do que seria de mim a parti de agora. Mas, meus pensamentos ainda eram vagos, o devaneio de nojo, asco, terror se apoderou de todo meu corpo, da minha mente também.

O estalo do portão serviu para que eu notasse minha mochila sendo lançada com desprezo a minha direção.

Sentia como se meu corpo estivesse ali, mas minha alma não. A cada segunda eu me relembrava da sensação nojenta de ser penetrada por aquele monstro. Ele feriu minha áurea, meu corpo, meu orgulho, meus sentimentos. Ele me destruiu por dentro.

Desgraçado! Eu não sei o que fazer... Nem pra casa tenho dinheiro suficiente para voltar...

Não quero lutar e persistir com isso... Como irei viver com essas recordações dolorosas me afligindo?

Levantei-me da calçada com as pernas bambas. A cada passo eu me perguntava:

Por que ele fez isso?

Onde foi que eu errei?

Será que eu realmente estava me oferecendo pra ele?

Enquanto uma disputa pela razão era travada em minha consciência, o peso que apertava meu coração subia pelo meu torço me causando sufoco até alcançar minha mente. Parecia até que a dor e o trauma haviam travado meu raciocínio, eu não era capaz de pensar em nada senão em querer tirar minha própria vida. E pra quê viver? Eu não passo de uma inútil estuprada por um velho canalha, e de uma abestada humilhada pela própria tia. Se mamãe estivesse ao meu lado ela com certeza diria que isso foi uma espécie de provação divina.

Perdão meu Deus, mas eu acho que não vou conseguir passar...

Era quase meia noite e eu continuava aos prantos, desamparada, vagando sozinha pelas ruas sem rumo. Abri a minha mochila e apanhei meu celular. Entrei nos contatos para ver se eu conseguia falar com uma das minhas colegas da faculdade, talvez alguma delas poderia me hospedar até que eu conseguir dinheiro para comprar minha passagem e sumir desse maldito lugar.

Disquei o número da Thalita. O telefone tocou várias vezes, mas ninguém atendeu. Com certeza ela estaria empolgada com a festa do Diego.

Disquei o número da Carol prevendo o mesmo.

—Fala! Deixa eu imaginar: Se arrependeu e mudou de ideia, deve tá louca pra dançar e beber não é?! –Ela gritou para que sua voz sobressaísse sob a música eletrônica alta que tocava ao fundo da linha.

—É que...

—Tô pegando um amigo do Diego que é muito melhor do ele! –Ela gritou com a voz alterada, aparentemente bêbada.

Desliguei o telefone, não é porque minha vida é uma desgraça que tenho que atrapalhar a dos outros.

Continuei rolando meus contatos, sendo que quase todos eram de Minas. No final das contas daqui só me restou um.

Não hesitei em discar o número daquele marginal. Não me importo com o que mais acontecesse, minha vida perdeu o valor quando aquele infeliz me penetrou.

O número dele caiu direto na caixa postal e foi aí que me dei conta do meu declínio total.

Eu não sei mais o que fazer da minha vida! Nem sei mais se quero fazer alguma coisa...

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Amores se estiverem gostando indiquem o livro para as colegas tá bom😚😚😚



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