História Amores Furtados - Capítulo 8


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Categorias Histórias Originais
Tags Romance Morro Traficante
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Palavras 3.378
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Literatura Feminina, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 8 - Capítulo 6


Capítulo narrado por Marreta.

A madrugada sempre foi o melhor horário para receber e passar os bagulhos para frente. Por isso cortei a troca de turnos, hoje geral iria ralar que nem eu.

Estava no aguardo de uma única ligação, mas a porra do meu telefone tocava mais do que sirene de ambulância. A culpa dessa merda toda foi minha, nesses dias dei mole pra caralho, fiquei tão embrazado na onda da erva que acabei distribuindo meu número pra uma porrada de puta. Agora estou sofrendo as consequências disto.

As vadia não entende que eu só tenho um pau, não dá pra foder com 10 num dia, caralho!

Eu que não iria dar mais corda para esse problema, botei logo a porra do telefone para rejeitar os números desconhecidos e pedir para que Matuto ligasse no número de Taquara.

Estava quebrando minha cabeça para adiantar a porra do relatório para facilitar na hora de conferir os bagulhos. Mas, na moral: essa parada aí de matemática nunca foi nem vai ser minha praia.

Levei dois tapas leves nas costas, revirei o pescoço no mesmo instante e logo vi que se tratava de Taquara.

—É o cara, pega a visão aí! –Era Matuto, com certeza.

—Dá o papo. –Falei calmo com o telefone no ouvido.

—Já tô em Niterói com as parada parceiro. Daqui a pouco teu paiol vai tá entornando de pasta, o bagulho é certo.

—Manda a localização e vai adiantado a porra toda, vou colar aí agora com o bonde!-Exclamei, meu tom ríspido e crítico atravessou a ligação.

—Falou tá falado patrão. Tô com meia tonelada de coca aqui no caminhão certinha. Mar tu sabe né... Não dá pra atravessar a ponte sem escolta tá ligado?! Vou ficar aqui na atividade, só no teu aguardo.

—Tu tá ligado que tô te dando essa moral por caridade né?! Fica onde tu tá. Não mexe um dedo antes deu colar aí nesse pedaço. –Desliguei o telefone e o acomodei sob a mesa amadeirada, russa de tão velha. Conferi o relógio dourado que reluzia no meu pulso, os ponteiros apontavam às 1h.

Tratei logo de ir adiantando as parada, pra não dar treta muito menos enrolação da hora da missão. Tempo é precioso e não é bom perdê-lo.

Levantei-me da cadeira deixando na mesa o caderno cheio de rabiscos. Ao lado estava a AK 47, meu xodozinho que sempre fechava nos corre comigo. Seu cumprimento era inteiramente pichado na cor vermelha. A bicha era tão bolada que seu tamanho chegava a cruzar a mesa. Segurei-a firme passei o suporte pelo meu torço até deixá-la pendurada nas minhas costas. Ergui os braços para cima e bati palma para alertar aos crias que estavam de bobeira pela área.

—Geral pega a visão pra agora: Acabou a molezinha rapaziada, hora de pegar firme na missão, se precisar cês já tão ciente mermão: É largar o aço sem dó pra cima de quem entrar na nossa frente! Copiou?! –Explanei.

—Nóis tamo aqui é pra fechar contigo mermo patrão! -Jão disse acariciando a 38 que portava na cintura.

—Isso aí, gostosim no azeite. –Sorri –Então bora porque eu não tô afim de perder mais tempo não. Confere aí se seus fuzil tá direito, sá porra não pode travar na hora não mermão se não lombra pro nosso lado! Os radim também, vê aí se tá carregado... –Eu até aproveitei para conferir o meu e ter certeza de que estava tudo no esquema.

Em cerca de dez minutos meus crias e eu conferimos tudo, e sim, estávamos pronto para encararmos a missão. Não iria com a intenção de arrumar treta, mas se pintasse nóis não ia ficar de bobeira.

Eu inalava a viciante fumaça do cigarro em meus pulmões, ao mesmo tempo em que observava atentamente meus soldados desfilando e manuseando seus grandes fuzis de porte alto. Só dava 468, 550 .40. Lá fora Taquara já havia dado uma geral nos três carros que iriam fechar conosco.

Meu rádio chamou.

—Qual foi parceiro? É hoje ou não caralho, os bagulho já tá tudo no jeito. Bora partir!

Não respondi. Dei o sinal para os soldados que me acompanhavam dentro do barraco e juntos seguimos e nos dividimos entre os carros. Taquara e eu aceleramos na frente na companhia de mais três soldados sendo que dois deles eram adolescentes. Eu poderia dizer que tinha pena por eles estarem descartando uma oportunidade de viver honestamente e em paz, mas isso seria uma grande mentira. Passei pela mesma experiência, desde menor minha verdadeira escola sempre foi a boca da favela e sempre estive ciente disto, assim como tenho certeza que os malucos estão.

O bonde seguia normalmente para a baixada, com os canos malocados sem chamar nenhuma atenção. Atravessamos grandes bairros e avenidas até alcançarmos a ponte Rio-Niterói. Com o trânsito livre naquela noite não levamos mais do que 45 minutos para chegar ao ponto em que marcamos com Matuto.

[...]

Num bairro localizado próximo ao centro da cidade, entre os becos de uma rua asfaltada e sem movimento de moradores, avistamos um caminhão estampado por uma marca de produtos de limpeza, que por vez passou a piscar disfarçadamente quando nos notou. Nosso carro acendeu o farol brevemente dando o sinal para que Matuto pudesse seguir em frente.

E assim ele fez, e nós o acompanhamos.

Mais uma vez atravessamos a ponte e seguimos na direção do complexo do Chapadão. Como da última vez eu contava que a área estaria limpa para que eu e meus parceiros brotasse no morro com as parada sem dificuldade. E foi aí que vi a porra da avenida que dava acesso a favela toda engarrafada. Fiquei puto, caralho!

O celular de Taquara tocou e ele rapidamente o passou para mim.

—Marreta. –Pronunciou meu nome transparecendo preocupação. –É blitz caralho! –A sensação gélida ultrapassou meu abdômen como se estivesse dando um nó no meu estômago.

Tentei manter, ou pelo menos transmitir calma.

—Segue tranquilo parceiro. O bagulho tá tudo nas caixa de sabão, não vai dar em nada... –Passei a visão enquanto ajeitava meu cano por debaixo do carpete. Ao se darem conta de meus movimentos os demais soldados também se atentaram, Taquara permaneceu concentrado no volante da máquina.

—Lombrou a parada, tá cheio de pulguento farejador ali na frente... Já era meu parça...

—Já era o caralho! A porra desse bagulho já tá atrasado, a parada tem que abastecer minha boca hoje, tá ligado?! Vamo reagir mermão! Se der ruim tu já sabe: Acelera pro morro que nóis vai colado atrás pesadão!

—Pode crer... Só Deus no comando agora... –O medo do entregador era explícito, mas é compreensível caso ele rodasse com uma carga daquelas seria décadas trancafiado na gaiola.

Aguardamos a vez dele na blitz enquanto a ansiedade me deixava tenso e desregulava os batimentos do meu coração, que por vez estava em total aflição.

Depois de longos 10 minutos o caminhão parou. Os canos e os cães estavam preparados para abrirem e revistarem o baú do carro, quando Matuto queimou os pneus no asfalto, saiu acelerado cortando os carros que tentava impedi-lo de prosseguir.

Os disparos iniciaram.

Nós, assim como ele não economizamos tempo. Taquara pisou fundo no acelerador enquanto eu empunhei meu cano através do vidro e saí metendo fogo na porra daqueles vermes.

A manobra brusca que meu parceiro fez acabou atingindo uma das viaturas da PM, fazendo com que os vermes entrassem em estado de alerta. Dando início assim a uma perigosa perseguição. Cerca de cinco viaturas seguiam minha encomenda naquele momento senti a pressão da situação.

Mano, seu deixar uma quantidade dessa de droga rodar, amanhã já posso ser dado como morto!

Eu temi, mas não deixei que o suor frio e a tensão tomasse o controle da situação. Senti meu sangue ferver me veio um desejo infame de cercar as viaturas antes que aquelas porras terminassem de foder com nóis.

Com as veias carregada de sangue quente imerso a mais pura adrenalina, pressionei firme o fuzil e o mirei rumo aos camburão. Disparei na direção deles até que meus braços doessem tremulando. –Só tinha que ficar ligado porque só havia trago três pentes para minha bebê.

—Pisa fundo Taquara! Arregaça o pneu dessa porra, caralho! –Minha voz saiu rouca, agressiva, ocupando cada canto do veículo.

—Não tô de bobeira não otário, tô afundando o pé no acelerador! O bagulho é que tá lombrado!

Taquara afundava o pé no acelerador na medida em que cortávamos avenida e cruzávamos as ruas, com o objetivo de tirar a atenção dos canas de cima do caminhão. –Antes eu do que a entrega, aquela porra valia mais que minha própria vida. – As trocas de tiros pareciam incessantes, o estalo de uma bala arranhando a lataria do carro nos deixou ainda mais eufóricos, e apavorados.

O ecoar das balas contrastava com o assobio das sirenes. Por fora das janelas das viaturas os fuzis estalavam sucessivamente, a PM tinha a vantagem, e eu só tinha persistência mesmo. Fazia o possível para mirar nos pneus, o ponto fraco deles. Entre um dos meus sucessivos disparos ouvi o barulhoso ruidoso de um pneu se arrastando no asfalto. Na mosca caralho! O carro dos otários de bobeira derrapou bruscamente batendo em outro veículo que transitava por ali. Os dois acabaram capotados, disparei mais vezes até que aqueles desgraçados explodissem feito bombas no Cazaquistão.Os policiais se cagaram todo, uma das viaturas até voltou para tentar prestar socorro aos coleguinhas fodidos.

Estava tão concentrado no fogo cruzado que quando me dei conta nosso bonde e o caminhão já estavam próximos a entrada do morro. –Taquara é que nem eu, sempre manjou dos atalhos.

Passei logo o rádio para um dos meus soldados que estavam de plantão na entrada da nossa área.

—Já fica na atividade! Os verme tão brotando caralho! Não cessa fogo não, larga o aço na lataria dessas viatura, é pra foder com força o cu desses cana! –Minha voz ecoou além do rádio.

-Tá passada a visão patrão. Vamo ficar no esquema! –Assentiu com facilidade.

Correndo do perigo ainda atravessamos mais um bairro, com os canas na cola. Já estava no meu último pente quando brotamos no pé do morro com o bonde todo esperando para dar apoio. Até me senti, não era sempre que eu ficava com a vantagem diante dos vermes.

O caminhão subiu. Ali já me senti mais aliviado, quase tranquilo se não fosse a porra daqueles veados disparando enquanto nós subíamos.

Puto com os vermes conectei meu rádio no deles e mandei a real.

—Porra! Cês vão tentar mermão, vão ficar metendo bala no meu terreno sabendo que tão em desvantagem caralho! Se continuar nóis va descer pesado!

—Deixa a gente sair na boa então, sem covardia! –A voz do polícia saiu rígida através da linha.

—Covarde aqui é só vocês mermo cuzão. Vaza e para de lançar bala nessa porra, porque se acertar um cachorro no Chapadão vai lombrar pro seus lado!

—Tudo bem... Estamos saindo no pianinho. Sem fuzil pra cima, tudo no esquema!

—Rala!

Desconectei o rádio com os canas, e no mesmo instante contatei com um dos olheiros para saber se eles realmente estavam partindo como combinado.

—Tão metendo o pé que nem tu mandou patrão. Missão tá firme.

—Valeu, valeu!

Guardei o rádio junto a pistola em minha cintura. Enquanto Taquara seguia para a boca a brisa gélida e úmida que persistia naquela noite assoprava o suor frio que soltou do meu corpo, meu coração aos poucos voltou a bater no seu ritmo de sempre. Senti a tranquilidade tomando conta do momento.

—Porra... Essa foi por pouco hein...

—É... –Respondi sentindo meu peito aliviado. –Graças a Deus mais uma missão cumprida... –Aspirei e enchi meus pulmões de ar novamente, ao mesmo tempo em que tirava o celular do bolso da minha jaqueta da Calvin Klain pesada de algodão.

Mesmo com meu celular rejeitando as chamadas, as mensagens de quem me ligou continuava chegando normalmente. Entrei nas chamadas perdidas e meu queixo quase bateu no joelho quando vi um número desconhecido que tentou me ligar mais de 30 vezes.

Caralho essas puta é mó sem noção. Eu sei que meu pau é gostoso, mas porra... Não é pra tanto. –Pensei alargando um sorriso cheio de malícia.

Taquara parou o carro frente ao barraco da boca. Não demoramos a seguir rumo ao caminhão e ajudar nosso camarada a descarregar. Era tanto trabalho pra hoje, que iria durar até a metade da madrugada. Mas mesmo cansado eu realmente precisava de uma boceta para comemorar, e bom, aquela vadia que me ligou mais de 30 vezes parecia até que estava no cio... Vou retornar a ligação.

Apanhei meu celular novamente e disquei o número.

—Fala. Quem é?

—Sou eu... Isabela... –Respondeu com a voz um tanto melancólica.

—Isabela? Hum... Já manjei: Isabela da 24 né, tô ligado, se tu quiser hoje eu posso brotar aí no teu barraco...

—Não! Isabela, aquela que você tentou assaltar, que foi com você na praia... Eu preciso de ajuda... Eu tô na rua, não tenho pra onde ir...

Meu coração apertou, por algum motivo me faltou palavras.

Mas essas minas são assim mermo, só abrem brecha pra nóis quando tão fodida.

—Deixa eu adivinhar: Tá querendo vim pra cá?

—Se você puder me ajudar... Mais uma vez, eu agradeço.

—De boa. Pode vir então, dessa vez sem frescurajem caralho! Sabe onde eu moro?

—Não...

—Cola aqui no morro do Chapadão. É só perguntar quem é o Marreta que meus cria vai passar a visão.

—Seus o quê?

Que mina lerda.

—Meus funcionários. Enquanto isso vou trampando aqui.

—Tá bom... Obrigada.

Era até lindinha a voz doce dela, mas sei lá, parecia estar chorando. –Impressão apenas. –Pra ser sincero ela era uma morenona, toda boa. Vou até esquecer do mole que ela deu naquele dia, ela vai pagar hoje.

[...]

A mercadoria já estava no lugar. Estava me sentindo cansado e meio sonolento. Queria dar um raio, mas na frente dos cria não dá. Tenho que dar exemplo, porque senão daqui a pouco está geral fazendo o mesmo.

Meu rádio chamou.

—Fala patrão. Tem uma mina aqui querendo subir pra. Falou que fecha contigo, o nome dela é Isabela. Tá ligado de quem é?

—Pede os cara aí de baixo pra trazer ela aqui, valeu?!

—Valeu.

Aproveitei o tempinho vago, para ajudar meus soldados a montar uns canos que veio para nós desmontados, junto as drogas. Ainda trocávamos ideia a respeito do troca-troca que rolou horas atrás. Geral agora estava de deboche, mas na hora só faltou nego mijar pelas calças.

A madrugada aqui no alto é tão fria que tudo que eu dizia saía como uma fumaça gélida. A neblina já havia tomado conta de tudo.

Estava concentrado no encaixe dos bagulhos, quando um dos meus vapores meu entrou estrambelhado pela porta.

—Quê isso doido. Já falei que não quero ninguém aqui trampando na onda não! –Adverti com os olhos estreitados voltados para ele.

—Quê isso patrão, tô suave, meu kenner que arrebentou... –Falou desconcertado. –Mas eu trouxe a mina, e tipo ela tá muito esquisita... Sei lá parece que tá com medo de nóis, pow. Ela não quer entrar, tu quer que eu arraste ela até aqui?

—Não! Pra quê?! Já tô metendo o pé mermo. Tô a quase dois dia dobrando, tenho que tirar um descanso... –Levantei-me com as peças do fuzil nas mãos e as guardei na caixa ao lado da mesa. Fitei o barraco a procura de Jão. Ele decifrou meu olhar e acenou com a cabeça gesticulando que sim. –Agora é contigo mermão. Taquara já foi, e eu também tô metendo o pé. Amanhã a tarde tô brotando de novo, valeu?!

—Vai lá. Deixa comigo, aqui é fuzil pra toda hora!

—Isso aí. Segue nesse nipe que tu vai longe! –Eu só estava na espera dela mesmo para meter o pé.

Jão é meu soldado há anos e sempre nos passou confiança em sua maneira de proceder.

Atravessei a porta a passos lentos. Aquela mina é tão cheia de frescura que é bem capaz dela se assustar com o fuzil nas minhas costas, mas fazer o quê? Largado aqui que não vou deixar ele.

Meus olhos não se contiveram quando avistou-a aos prantos, com a blusa rasgada aparecendo parte do sutiã, cabelos embaraçados, sendo que algumas mechas negras colavam nas suas bochechas enquanto as lágrimas escorriam sem cessar. Ela mantinha o corpo escorado na parede com os braços cruzados tremendo.

Engoli um seco. Isabela persistiu em mirar os olhos para os pés no momento em que me aproximava dela. Sua aparência estava tão sofrida que eu realmente fiquei com pena. Impossível que ela esteja nesse estado apenas por ter se assustado ao subir aqui.

—Branquinha... –Falei baixo, dois passos a sua frente.

Ofegante. Trêmula. Com as pálpebras semicerradas ela encontrou seus olhos nos meus.

—Boa noite...

—Boa... –A minha intenção era levar ela pra um barraco qualquer e foder a noite inteira, mas por um momento eu me senti distante das minhas cantadas. Hoje mais do que nos outros dias que a vi, ela estar desanimada, pouco a vontade com a vida.

Intriguei-me. Queria saber o que houve.

—Cara... Tu tá acabada. O que tá pegando?

—Nada. Eu preciso tomar um banho...

Não compreendi bem. Me aproximei mais e ergui seu rosto com uma de minhas mãos apoiando em seu queixo. Seus lábios sangravam e estavam arroxeados. Os olhos castanhos claros se estreitaram, e num impulso ela se jogou para trás se afastando de mim.

—Fica longe de mim... Não quero que ninguém mais encoste em mim! –Sua voz saiu junto ao choro.

Fitei seu busto e encontrei mais manchas, e pelo seu estado não era pelo frio da penumbra que ela estava tremendo.

—Dá o papo! O que tá pegando contigo?

—Eu já disse: Nada.

—Olha seu estado, parece até que...

Ela encolheu os ombros e abaixou a cabeça como se ela fosse cair do pescoço.

—Tu foi estuprada?! –Perguntei o que suspeitava.

—A culpa não foi minha, eu juro! Eu não me ofereci pra ele, como ele me acusa... Na verdade sim, eu não deveria ter chegado em casa com aquela roupa... –Disse em meio aos soluções.

—Quem foi o desgraçado que fez isso? –Perguntei enquanto o ódio consumia, fazendo com que meus neurônios entrassem em conturbação.

Ela não respondeu.

—Fala! Quem fez isso contigo! –Apoiei minhas mãos em seu ombro o pressionando firme.

—O marido da minha tia... E ela viu e me expulsou...

—Mano que covardia, que bando de filho da puta!

Agarrei seu braço e saí trazendo-a comigo a direção da minha moto, - parada ali na esquina. –Tirei meu casaco e dei para ela. Isabela não recusou, estava realmente tremendo pelo frio também.

—Eu vou te deixar na casa de um parceiro... –Num grito ela me interrompeu.

—Eu não vou ficar na casa de um homem... Eu quero ir embora, só quero voltar e ver minha mãe!

—Relaxa, ele é de boa e tem a mulher dele lá... Tenta ficar tranquila.

Ela calou-se. E firmou seu corpo sob o meu enquanto seguíamos na moto.

Atravessei uma rua e três becos e cheguei no barraco de Taquara. Eu sabia que assim como eu ele estava cansado e nessa hora provavelmente estaria tirando um cochilo. –Já são 3h da manhã.

Liguei, mas ele não atendeu. Então gritei, na verdade eu berrei várias vezes no seu portão.

—Mas você é um fodido mesmo! Não deixa Taquara em paz nem pra dormir! Isso lá são horas de ficar aos berros aqui no meu portão?! –Kel deu um berro mais alto que o meu. Escorou na base da porta com os braços cruzados se apertando no edredom, enrolado sob seu corpo.

—Só vim deixar ela aqui.

Ela sorriu ironicamente.

—Não é possível... É sério isso?! Você tá querendo enfiar uma das suas putinhas na minha casa?! Tu é descarado, sem senso! –Gritou apontando o dedo na direção minha e de Isabela. Ela por vez permanecia muda encarando a barraqueira.

—Enfia sua língua no cu! A mina foi estuprada e jogada pra fora do barraco. Eu só tô dando uma moral pra ela. Pode ou não marcar um dez com ela aqui?

Kel ajeitou melhor o edredom sob o corpo, e veio a nossa direção a passos largos. Aproximou-se de Isabela e deu a mão para a garota descer da moto.

—Meu Deus que horror... Mas é assim mesmo querida, homem nenhum presta, todos eles não passam de covardes! –Eu podia jurar que aquilo foi uma indireta pra mim. Mas preferi me manter calmo e não dá muita corda para aquela mulher maluca.

—Eu vou pegar minhas coisas. Nós vamos pro hospital agora, você precisa de remédios, vai que o filho da puta tem alguma doença...

As lágrimas escorriam como uma cachoeira dos olhos de Isabela. Eu perguntei.

—Esse cara mora onde eu te deixei da última vez?

—Sim. Mas por que quer saber?

—Fica de boa. Isso agora é um problema meu, não é mais da tua conta!




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