História Amores Mortais - Capítulo 31


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Categorias Eliane Giardini
Personagens Personagens Originais
Tags Christiane Torloni, Dan Stulbach, Eliane Giardini, Gabriel Braga Nunes, Totia Meirelles, Werner Schunemann
Visualizações 30
Palavras 2.073
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Policial, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 31 - Capítulo 31


Já fazia um bom tempo que Helena entrara na quarto de Roberto e Maísa estava aflita por notícias do amigo. Embora cansada e faminta, não queria ir embora. Qualquer que fosse o motivo que levara Roberto a tratá-la daquela forma havia de passar e ela queria estar presente quando ele pedisse para lhe ver novamente. Porém, a fome apertara e ela decidiu comer algo na lanchonete do hospital. Quando se levantou a fim de se dirigir para lá, Helena surgiu à sua frente.

— Graças a Deus, Helena, como ele está? Ele sabe que eu estou aqui ainda? Não pediu pra falar comigo?

Maísa estava tão angustiada que não notara o semblante raivoso de Helena, até que esta lhe deu um forte tapa. Maísa levou a mão ao rosto que ardia, agora também pela vergonha que lhe acometera.

— Foi sua culpa! O Beto me contou tudo... Ele podia ter morrido, sabia? Nunca pensei isso de você, Maísa! Nunca imaginei que você fosse uma vagabunda.

Helena estava tão irritada que já não tinha controle sobre o que dizia. Apenas quando viu Maísa com a mão no rosto e os olhos marejados, se deu conta do que fizera.

— Maísa, desculpa! Eu não...

Maísa saiu dali o mais rápido que pôde, deixando Helena arrasada. As lágrimas rolaram timidamente, enquanto caminhava pelos corredores do hospital. Agora ela entendia a reação de Roberto; ele sabia que ela estivera com Nícolas. Passou em frente ao quarto dele e quase se atreveu a entrar a fim de lhe pedir perdão, porém se conteve quando avistou Helena indo em sua direção. Helena não a viu e Maísa se esgueirou, seguindo na direção oposta. Helena entrou novamente no quarto de Roberto, no momento em que o médico estava a examiná-lo.

— Por favor, a senhora volte de manhã. Agora ele precisa descansar.

— Me deixa ficar mais um pouquinho, doutor. Por favor...

— Certo, só mais um pouquinho — olhou para Roberto — Se você não se incomodar.

— De forma alguma. Eu iria adorar se ela pudesse ficar a noite toda aqui.

— Infelizmente, hoje não. Mas amanhã à noite é possível que eu libere.

— Quanto tempo vou ficar aqui, doutor?

— A pancada na cabeça foi forte. Precisa realizar uma nova tomografia pra se certificar que realmente não ficaram sequelas. Mais uns dois dias e poderá ir pra casa.

— Pra minha casa... Eu vou cuidar de você, Beto. Até você ficar cem por cento de novo — acariciando a mão dele.

— Bom, vou deixá-los sozinhos um pouco.

O médico deixa o quarto e Helena se senta ao lado de Roberto.

— Vamos ter que cancelar nossa viagem. É uma pena, porque já tinha conseguido adiantar minhas férias.

— Não vamos cancelar, pelo contrário. Logo que eu sair daqui eu viajo com você.

— É sério? — com um largo sorriso — Mas você não precisa de um repouso, pra se recuperar?

— É, eu deveria, mas sei que não vou conseguir ficar deitado numa cama, sem fazer nada. Só precisamos decidir um lugar pra ir. Deixo isso por você. Eu só quero ir pra longe de tudo isso. Eu não aguento mais...

Roberto não conteve mais as lágrimas que segurara até aquele momento. Seu coração estava estilhaçado, mas não podia se abrir com Helena. Não podia terminar aquela frase: “Eu não aguento mais... esse meu amor pela Maísa está me devastando”. Helena lhe secou as lágrimas e acariciou levemente seu rosto, que apresentava um ardor, indicando que ele estava febril.

— O Oliver não tinha o direito de fazer isso. A Maísa não podia ter...

— Por favor, não fala mais nisso. Eu preciso esquecer. Me ajuda a esquecer...

— Desculpa, não vou falar mais — sorriu e se inclinou para beijá-lo — Vou chamar o doutor, você está com febre.

Oliver chegou em casa, estressado. Mal tivera tempo de se preparar para a tão importante audiência. Dali a poucas horas teria que estar de pé, bem disposto e com seus argumentos na ponta da língua. Assim que entrou pelo hall, foi logo tirando aquela camisa que Maísa o obrigara a vestir. Parecia como se quisesse se libertar de uma doença, uma coisa nojenta. Largou-a ali mesmo, no aparador que se encontrava bem próximo à porta.

Já no quarto, terminou de se despir e após uma ducha rápida, decidiu abdicar de ao menos uma horinha de sono a fim de se trancar no escritório, se esquecer de tudo que ocorrera e focar apenas no que se destinara a fazer ali.

Sentado em sua cadeira, olhava para aqueles papéis à sua frente. Via apenas um embaralhado de letras. Não era apenas o cansaço, mas sua cabeça fervia. Ainda o incomodava o fato de Maísa ter continuado lá, só por causa daquele maldito. Largou aquele papel que segurava e permaneceu com o olhar sem foco, pensando. Deveria ir buscá-la, obrigá-la a voltar para casa? Afinal, o médico já dissera que ele estava fora de perigo, por que ela precisava ficar lá? Seu olhar se deteve no porta-retratos à sua frente, com uma foto antiga do casal. Todos os dias o via, era tão rotineiro que passava quase despercebido, mas naquele momento, Oliver o pegou em suas mãos e ficou olhando-o. Uma sensação estranha o acometeu. Parecia saudade. Mas saudade do quê, se ainda eram os mesmos e estavam juntos? E mesmo naquele tempo, Roberto já estava presente suas vidas. De repente, sentiu raiva. Por que Maísa dava tanta importância àquela amizade? Tinha que haver algo mais. Ela estava o traindo, não tinha dúvidas disso. Mas se não era Roberto, quem poderia ser? Nervoso, abriu uma gaveta e jogou o porta-retratos ali dentro. Implorava a si mesmo que esquecesse aquele assunto, precisava trabalhar. Ao fechar a gaveta, notou que a gaveta que Maísa havia reservado para ela não parecia estar bem fechada. Estranhou, pois ela sempre fora meticulosa. Ele nem sequer sabia onde ela guardava a chave. Oliver era esperto. Aquilo podia ser uma cilada. Será que Maísa estava desconfiada dele e deixou a gaveta aberta para saber o que ele faria? Seria esse o motivo da mudança repentina de sua esposa? Levantou-se da cadeira e, após se certificar que não havia ninguém por perto o espiando, trancou a porta do escritório e se sentou, finalmente abrindo a gaveta. Parecia um presente dos deuses: a pasta com o nome “Marcos Oliveira Santoli”. Aquela que ele tanto precisava se apoderar. O conteúdo desta não o animou muito. Tudo muito vago, afinal a investigação mal começara. Mesmo assim teria que enviar tudo para Osmar. A princípio pensou em escanear e mandar por e-mail, mas era perigoso; deixaria rastros. Achou melhor tirar cópias e entregar em mãos para ele. Ao ver a transcrição do depoimento de Nícolas, lembrou-se do incidente desagradável com este no velório de Marcos; aqueles olhares cobiçosos para Maísa. Estava tão focado em Roberto que não notara o perigo eminente. Nem sequer havia reparado que Maísa olhava para Nícolas com o mesmo desejo que ele olhava para ela. Mas nesse instante tudo começou a fazer sentido. Seria ele o verdadeiro amante dela?

Maísa deixava a lanchonete do hospital, quando Helena surgiu à sua frente.

— Vamos conversar, Maísa — com a voz calma — Vem comigo, eu te pago um café.

— Obrigada — o ressentimento explícito na voz — Acabei de comer um lanche.

— Pelo menos me acompanhe. Nós duas somos adultas e precisamos conversar seriamente sobre o que aconteceu. Não vamos ficar de birrinha a essa altura, né?

— Não é birrinha. Você me deu um tapa e me chamou de vagabunda!

— Eu estava descontrolada! Senta aqui, vem — puxando-a pelo braço.

Ambas sentaram-se e Helena pediu dois cafés a um garçom.

— O Beto me confirmou que você esteve com outro homem. Confirmou, porque eu já estava entendendo tudo. E quando eu me dei conta que o Beto apanhou por causa disso, da confusão que o Oliver fez, é claro que eu imediatamente culpei a você. Por isso eu me descontrolei e disse coisas que não devia.

— Como é que eu poderia imaginar que ele pensaria que era o Beto?

— Mas também pra que você precisava trair o Oliver, Maísa? Você não é assim. Na verdade, eu já não sei mais, porque você nunca me contou sobre esse homem com quem esteve. E pra chegar ao ponto de traição deve ser algo bem antigo, né? Não confia mais em mim não?

— Não, não é antigo. É muito mais recente do que você imagina. Coisa de uma semana.

— O quê? — surpresa

— Você ouviu falar sobre a morte do empresário Marcos Santoli?

— Claro. Nossa, fala disso toda hora na televisão. Mas o que tem a ver com o que falávamos?

— Um dos suspeitos nesse caso, doutor Nícolas, você o conhece?

— Conheço, por quê? É ele?

— É... É ele sim.

— Meu Deus, o Nícolas! Mas como que aconteceu isso?

— Não sei explicar... Foi uma atração imediata; das duas partes. Eu até tentei fingir, me esquivar, mas acho que não fui firme o suficiente. Quando percebi já estava lá, no apartamento dele. Só agora eu consigo enxergar claramente, ver quantas burradas eu fiz. Me deixei levar...

— Se deixou levar? Você, que é tão racional? Não é possível acreditar nisso.

— Eu também não consigo acreditar, nem consigo entender. Eu me transformo quando estou perto dele, Helena. É difícil de explicar, mas ele me faz sentir coisas que eu jamais senti, com nenhum outro.

— Você se apaixonou por ele, Maísa?

— Não, não tem nada a ver com paixão, com amor, nada disso. É tesão, entende? Não vou mentir que eu nunca me senti atraída por ninguém desde que me casei, mas com ele é diferente. Eu perco completamente o juízo, a noção de certo e errado. Talvez agora ele me esqueça, me deixe em paz.

— É melhor assim.

— Não sei se é o melhor, mas é o que deve ser feito. Assim ditam as regras, eu tenho que ser fiel ao meu marido, não é?

— Você fala isso como se fosse algo ruim.

— Não é ruim ser fiel, mas às vezes um pouco de liberdade não é mal.

— Você ainda ama o Oliver?

Maísa ficou muda. A pergunta a pegou de surpresa.

— Por que a pergunta?

— Sei lá...

— Se é pelo fato de eu ter traído, acho que qualquer uma está sujeita a um deslize sem pra isso deixar de amar o homem que temos a nosso lado. Era disso que eu estava falando: de liberdade pra provar tudo que a vida tem a oferecer.

— Inacreditável! Eu não estou falando com a mesma Maísa. Aquela tão certinha, onde foi parar, hein?!

— Aquela cheia de rédeas você quer dizer, né? Espero que ela não demore muito pra voltar, porque é essa que as pessoas querer ter por perto. A que obedece todas as regras. Mas por mim, ela podia ir embora pra sempre.

— Esse homem mexeu mesmo com a sua cabeça, hein?!

— Não foi ele. Ele só ajudou a despertar esse meu lado que estava adormecido, mas já existia.

— Acho que eu não estou acostumada a te ver assim, mas vou ser sincera: eu gostei — ambas riram — Apesar desse meio jeito, eu sou extremamente conservadora, fiel até a morte. Mas acho que cada um deve ser o que é. Se você se sente mais feliz assim, tem que ser assim.

— O Beto não pensa como você. Não entendo o porquê. Quando a gente gosta de alguém, de um amigo, aceita a pessoa como ela é. Por isso ele está tão chateado comigo.

— Vai passar. Ele gosta muito de você.

— E eu dele.

— Nós vamos viajar.

— Quando?

— Logo que ele receber alta.

— Espero que até lá ele aceite falar comigo.

— Vai sim — sorriu para Maísa com um olhar meigo — Você me perdoa?

— Você sabe que sim — retribuiu o sorriso.

— Agora vamos acabar com esse clima, vai. Depois você vai me contar direitinho essa história com o Nícolas.

— Não tem nada pra contar. É passado, acabou.

— Nem pensar! Você vai me contar sim. Eu me recuso a ficar sem saber detalhes desse babado.

Um tanto contrariada, Maísa conta a Helena tudo o que se passou entre ela e Nícolas.



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