História Amores Mortais - Capítulo 34


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Christiane Torloni, Dan Stulbach, Eliane Giardini, Gabriel Braga Nunes, Totia Meirelles, Werner Schunemann
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Palavras 1.552
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Policial, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 34 - Capítulo 34


Roberto acordou sentindo um tremendo vazio. Jamais imaginou que Helena lhe faria tanta falta. Mesmo não estando apaixonado, se acostumou a amanhecer ao seu lado e ter seu doce sorriso como a primeira imagem todos os dias. A viagem fora exaustiva e a noite mal aproveitada. Ainda pensava em tudo: Helena, Maísa... Da primeira sentia saudade e compaixão; da última mágoa e amor. Foi para a cozinha e quando enchia de água a chaleira, sua campainha tocou. Estranhou, pois acreditava que as únicas pessoas que pudessem querer visitá-lo estariam ocupadas demais àquela hora do dia. Abriu a porta despreocupado, de forma um tanto imprudente, sem olhar antes de quem se tratava e se deparou com Maísa, que lhe sorriu com receio.

— Oi, Beto.

Foi tudo tão rápido, tão inesperado, que ele não soube como reagir. Parte dele queria mandá-la ir embora, e a outra queria abraçá-la; porém, soube se manter firme e agir com a razão: controlou todas as emoções e procurou ser apenas educado.

— Oi.

— Desculpa ter vindo sem avisar. Nem teria como já que você não atende mais as minhas ligações — sorriu tristemente.

— Não tem problema. Entra — afastou-se para que ela entrasse — Quer tomar alguma coisa? Vamos à cozinha, eu preparo um chá para nós.

Maísa nada respondia, apenas observava o evidente nervosismo que Roberto demonstrava. Era claramente visto que ele não estava à vontade. Foram até a cozinha e ele acendeu o fogão, a fim de aquecer a chaleira.

— Pode sentar, se quiser — disse sem se virar para ela.

— Beto...

Roberto não queria olhá-la nos olhos. Não podia. Aqueles olhos o ganhariam.

— Sim — ainda de costas para ela, disfarçou buscando no armário o pote de chá.

— Me perdoa... Não gosto de você me tratando assim, tão formal, tão distante...

Maísa chegou mais perto, tocando nas costas dele. Aquele golpe baixo deixou Roberto irritado. Parecia que ela fazia de propósito. Parecia que ela sabia que tinha um poder sobre ele e que ele não resistiria àquele carinho. Roberto se afastou para o lado e quando percebeu que ela o tocaria novamente virou para ela e falou irritado:

— Acha que é só me pedir perdão que tudo vai ficar bem? Eu podia ter morrido! Você acha justo? Eu aqui apanhando, enquanto você estava lá com outro? E eu tão preocupado que fiquei com você, fui até lá, conversei com o Nícolas...

— Você foi lá? Naquela noite?

— Fui... Tentei convencê-lo a se afastar de você. Que idiota que eu fui! Minutos depois lá estava você... Nunca te vi tão empolgada, tão... Tão produzida. E vocês se agarraram logo ali, nem se importaram de entrar antes. Parece que queriam esfregar na minha cara como eu estava sendo otário. Sabe o que eu devia ter feito? Devia ter contado a verdade pro Oliver quando ele chegou na minha casa me acusando de ser seu amante. Ele tinha que ter pego vocês dois na cama. Só não fiz isso por você. Sei como o Oliver é estourado, fiquei com medo que ele te machucasse. Não pelo Nícolas, porque ele é que devia ter levado aquela surra que eu levei. Mas por você, pra proteger você, eu ouvi desaforos dentro da minha casa, apanhei e quase morri, enquanto vocês se divertiam e ainda debochavam da minha cara. Hoje eu me arrependo de ter sido tão piedoso com você.

Roberto tinha na voz um tom de angústia, como se todas aquelas palavras que despejou estivessem o sufocando. Pôs-se novamente de costas para ela, apoiando suas mãos sobre o armário, soltou um suspiro longo e aliviado. Maísa continuava estática e calada. Não sabia o que responder diante das verdades que ouvira. Sentindo-se mais calmo, Roberto voltou-se para ela.

— Quer que eu vá embora?

Roberto viu como era sincera aquela tristeza nos olhos dela que já se mostravam marejados.

— Não... Fica. Eu precisava falar tudo isso, senão iria explodir.

Ambos continuaram se olhando, calados.

— E como está a relação de vocês?

— Cada dia mais difícil. O Oliver não muda nunca.

— Estou falando do Nícolas.

— Não existe nenhuma relação entre mim e ele. Na verdade, mesmo naquela noite nós não... Nem chegamos a ir além. Fui embora assim que a Helena me ligou e eu deduzi que o Oliver tinha ido atrás de você. Nunca mais o vi, nem falei com ele.

Roberto percebeu que ela dizia a verdade.

— Ele não te procurou mais?

— Não... Não quero mais falar nesse assunto. Vamos esquecer aquela noite...

— Eu nunca vou esquecer. Tudo que eu vi, que eu senti, foi intenso demais...

— Só o que eu posso fazer agora é te pedir perdão. Sinto tanto a sua falta.

Roberto sorriu e, segurando-a pela mão, a levou para junto de seu peito. Ambos se abraçaram forte, saudosos daquele afeto amigo. Maísa sentia as palpitações do coração dele.

— Eu me odeio por te amar tanto — disse beijando-lhe a testa.

Maísa sorriu, tocando o rosto dele. Os olhares se encontraram, com os rostos mais próximos do que deveriam se atrever.

— Gosto de você assim... Doce, carinhoso... Esse é o meu Beto...

Ouvir isso da boca de sua amada, tendo-a tão junto de seu corpo, rodeado pela emoção daquele reencontro, foi mais do que Roberto pôde suportar. O toque das mãos dela em seu rosto nunca foi tão gostoso, o corpo dela encostado ao seu nunca pareceu tão quente, seu perfume nunca foi tão excitante... Nunca antes desejara tanto aqueles lábios. Pela primeira vez Maísa percebeu algo diferente naquele olhar hipnotizado com que ele a fitava. Algo que fez desabrochar nela um sentimento até então desconhecido. Num impulso, Roberto a segurou entre os cabelos, fazendo os lábios quase se tocarem. Ambos estavam ofegantes.

— Acho que deve estar quente.

— O quê?

— A água... Do chá.

— Não importa... Nada mais importa agora...

Havia algo de tão puro no olhar dele que Maísa não conseguiu se esquivar. Quando deu por si, já conseguia sentir a respiração dele soprando em seu rosto. Roberto se inclinou um pouco mais, enfim tocando os lábios dela com os seus. Aqueles lábios eram tão macios, tão deliciosos quanto ele conseguia imaginar. Era tão suave a forma como a língua dele interagia com a sua, que Maísa se entregou em seu braços como Roberto jamais imaginou que a teria algum dia. Ele sentiu que ela o envolvia em seu corpo, apertando-o contra si e conduzindo sua boca para mais junto da dela. O chão fugia dos pés dele, a cada segundo que tinha mais certeza do quanto ela estava gostando. Em um lapso de lucidez, Maísa se afastou do beijo, olhando-o, assustada e confusa. O rosto de ambos corados pela vergonha. Porém, Roberto exibia um ar bem mais confiante do que nunca. Estava esperançoso. Aquele beijo, aquela rendição, dizia alguma coisa sobre os sentimentos dela. Será que todos aqueles anos foram desperdiçados? Será que a mulher de sua vida sempre fora sua e ele nem se deu conta disso?

— Desculpa, Maísa! Er... Eu...

— O que você está fazendo? O que nós estamos fazendo?

Maísa se desvencilhou dos braços dele, desconcertada. Roberto a segurou pelo braço. Como pôde se deixar levar dessa forma? Ao mesmo tempo se sentia desafogado, livre daquele segredo. Agora era tudo ou nada.

— Isso está errado...

— Eu tenho que te falar...

— Você é namorado da Helena!

— Não sou mais. Nós terminamos ontem. Você não sabia?

— O quê? Claro que não! Por quê? O que aconteceu?

— Eu vou te explicar tudo. Sobre a Helena e sobre o que aconteceu agora. Já está mais do que na hora de você saber.

— Depois você explica... Agora... Agora eu tenho que ir — se soltando dele.

Roberto sentiu um aperto no coração. Um medo de ter colocado tudo a perder.

— Vem jantar comigo hoje. Assim conversamos com calma. Por favor...

— Hoje eu não posso, vou sair com o Oliver.

— Amanhã então.

— Er... Tudo bem. Agora tenho mesmo que ir.

Roberto acompanhou Maísa até a porta. Ambos calados. Maísa se virou para ele, a fim de se despedir.

— Quando você volta ao trabalho?

— Acho que a partir de segunda-feira.

Olhavam-se, sem palavras. Nunca uma despedida foi tão desconcertante.

— Nos falamos amanhã à noite então.

Roberto sorriu. Chegou a pensar que ela o evitaria, mas estava disposta a ouvir as explicações dele. Não era o fim, mas sim, a possibilidade de um novo começo; quem sabe, para os dois. Segurou na mão dela e se aproximou. Maísa ficou tensa, mas ele apenas lhe beijou suavemente a bochecha.

— Eu... Não posso me atrasar — soltando-se dos braços dele.

— Volta amanhã.

— Volto.Maísa se virou e caminhou até seu carro. Roberto continuou a olhá-la, até ela ir embora. Nunca se sentiu tão próximo da felicidade plena. Voltou para dentro de casa, eufórico e ligou para Mário. Enquanto a ligação chamava, tocava seus próprios lábios, apreciando aquele sabor que ele tanto sonhou em provar e esperava poder sentir muitas outras vezes dali em diante. Mário estranhou sua empolgação, mas Roberto não quis revelar nada pelo telefone. Marcou de se encontrarem numa lanchonete perto da delegacia na hora do almoço, anunciando que tinha novidades.



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