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História Amores Mortais - Capítulo 13


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Capítulo 13 - Cap. 13


Maísa chegou em casa. Os olhos insistiam em arder e lacrimejar. Não compreendia o porquê estava assim se opinião de Roberto de nada valia. O que importava era saber se ele contaria a alguém, e ele disse que não contaria, então por que ainda chorava pelas palavras do amigo? Mas ao mesmo tempo se tornava egoísta a ponto de pensar que foi melhor ele do que Oliver presenciar aquela cena. Porque se isso tivesse acontecido, não estaria em casa agora, provavelmente estariam todos na delegacia. Não se conformava com o que fez. Quase se entregou a Nícolas ali mesmo, no consultório dele. Talvez o barulho que Roberto sem querer fez na maçaneta da porta fosse um sinal de que ela precisava acordar daquele feitiço que tinha naquele beijo que a fazia se desmanchar. Naqueles olhos que a fazia se entregar a todo e qualquer desejo dele. Roberto estava certo. E se ele for um assassino, a categoria de bandido que ela mais abomina? Já estava se sentindo um monstro, como Roberto dissera, mas se essa suspeita se confirmasse jamais se perdoaria. Entrou no escritório, largou a bolsa numa cadeira e apenas tirou os sapatos, deixando-os perto da porta. Sentou-se em frente à mesa e destrancou a gaveta onde guarda seus relatórios. O arquivo nomeado “Marcos Oliveira Santoli” estava logo acima, e era exatamente o que ela procurava. Não havia muito para ver ali. Os laudos oficiais ainda não estavam prontos. Apenas fotos das cenas do crime, anotações dos peritos, transcrição dos depoimentos, entre outras coisas. Porém Maísa sentia necessidade de rever toda aquela papelada. Talvez algum detalhe que ela não tivesse reparado pudesse dar alguma pista. Aquele caso precisava ser esclarecido o quanto antes. Qualquer que fosse o resultado, poderia fazer Nícolas afastar dela, embora a ideia não a agradasse por completo.

 

Assim que Oliver chegou em casa, o sol já se despedia, o que estranhou, afinal, quando entrou no escritório, onde imaginou que Maísa estaria, ela sequer perguntou o porquê da demora. Continuava entretida com seus papéis.

— Maísa?

— Hum? — ainda concentrada em um relatório.

— Eu estava pensando em que restaurante poderíamos ir hoje.

— Restaurante?

Maísa largou o relatório que segurava junto aos outros papéis amontoados sobre a mesa. Oliver sentou em frente a ela.

— É que...

— Você prometeu, Maísa.

— Eu sei que prometi, mas é que eu estou um pouco com dor de cabeça. Também preciso revisar uns relatórios periciais. Eu realmente não estou com cabeça pra jantar fora hoje.

Oliver respirou fundo. Odiava quando Maísa o descartava como se fosse sem importância uma promessa que fizera a ele.

— Você entende, não é? — passando a mão pelo rosto dele.

Oliver inclinou o rosto para o lado, beijando a mão que o acariciava.

— Claro que entendo. Como sempre... — levantando-se.

Oliver subiu para o quarto. Havia convidado Maísa praticamente por desencargo de consciência. Sabia que ela não iria e também ele mesmo não estava nem um pouco a fim de ficar olhando Maísa por longas horas, guardando um segredo tão triste sobre o pai dela, sem poder dizer nada. Quando entrou no quarto lhe veio uma ideia. Olhou para a porta para ver se Maísa não entraria logo atrás e quando se certificou disso, pegou o celular e se afastou um pouco.

— Oliver?

— Oi, Laura... Er... Quer jantar comigo essa noite?

— Jantar?

— Sim, jantar... Conversar.

— Não estou uma boa companhia hoje.

— Que coincidência.

Laura sorriu do outro lado do telefone.

— Vamos? Distrair um pouco, será no mínimo... Divertido.

— Que horas?

— Te pego as 20hrs. Tudo bem?

— Tudo bem — sorrindo — Até mais tarde então.

Oliver desligou o celular e seguiu até o escritório novamente.

— Eu vou precisar sair.

— Uhum.

Oliver percebeu que ela nem prestava atenção no que ele dizia.

— Talvez eu chegue um pouco tarde.

— Tudo bem, Oliver.

Oliver irritou-se com aquilo e voltou para o quarto. Iria se arrumar para aquele jantar, que com certeza seria bem mais agradável do que ficar em casa com Maísa daquele jeito, alheia ao mundo à sua volta. Maísa continuava no escritório quando ele saiu sem se despedir dela.  

Maísa jogou todos aqueles relatórios no chão, nervosa. De que adiantaria acabar logo com aquela investigação? Nícolas daria um jeito de encontrá-la de qualquer forma. Ele era amigo de Helena e isso facilitaria tudo para ele. Juntou todos os relatórios que havia jogado ao chão e os guardou na gaveta. Com a cabeça transtornada, acabou se esquecendo de trancá-la. Subiu para o quarto do casal. Ainda era cedo, mas aquele dia havia sido estarrecedor. Precisava de um banho, um lanche e cama. Entrou em seu closet, e ao despir aquela blusa que vestia, pôde constatar o perfume de Nícolas ainda impregnado nela. Aquele cheiro delicioso que a tirava da realidade e a levava a um mundo de pecados que ela jamais gostaria de sair. Oliver provavelmente ainda demoraria a chegar... Não, ela não podia estar pensando em fazer isso. Encontrou o casaco que usara no velório. Ainda estava no bolso o cartão com o telefone de Nícolas, que ele depositara sem o seu consentimento. O coração batia acelerado. Aquilo era uma loucura, mas aquele desejo a enchia de adrenalina e a tornava inconsequente.

 

Depois que Maísa deixara sua casa, Roberto passara o resto do dia no quarto. Tomou um bom chá de camomila, mas precisava de algo de efeito imediato e acabou por tomar um comprimido para dormir. Acordou ainda com uma sensação entorpecedora, como se o corpo tivesse sido esmagado. Só conseguiu despertar totalmente depois de uma ducha fria. Já se sentia melhor, mas a dor ainda estava presente. Era irônico, mas ele queria Maísa ao seu lado nesse momento. Queria ser abraçado por ela, como ela costumava fazer vez por outra. Um abraço de pura ternura. Pôs-se a pensar se algum dia receberia aquele abraço novamente. Não conseguiria viver sem isso. Sem ao menos sentir seu cheiro e seu toque e deixar a que a imaginação se encarregasse do resto. Ele precisava dela, ao menos para continuar amando-a em silêncio. Mas aquele muro que estava se formando entre eles o deixava em desespero. As lágrimas já estavam anunciando que voltariam. Correu para a janela a fim de tomar um ar. Estava sufocado, acima de tudo, pelas incertezas do que se tornaria a amizade deles dali em diante. Sentia-se como uma criança. Precisava de um afago, um ombro amigo. Imediatamente a imagem de alguém surgiu em sua memória. Aquilo o fez sorrir. Já era um começo. Por que não tentar? A felicidade podia estar ao alcance de suas mãos. Trocou de roupa apressado. Não podia deixar que Maísa tomasse conta de sua mente mais uma vez, senão desistiria. Pegou as chaves do carro e saiu. No caminho, comprou algumas flores. Chegou ao apartamento dela e tocou a campainha.

— Beto? — sorriu, olhando para as flores em sua mão — Não acredito que você...

— Senti muita vontade de te ver hoje, Helena!

Helena abriu um enorme sorriso que deixou Roberto encantado. Uma mulher tão maravilhosa, e ela o queria. Por que não simplesmente esquecer Maísa e tentar ser feliz ao lado de Helena? Seria bom se fosse fácil assim...

— Desculpa eu ter vindo sem avisar, é que...

— Não precisa. Você pode vir à hora que quiser — sorrindo.

— Trouxe pra você. Espero que goste de copos-de-leite — entregando as flores a ela.

— E eu pensei que você não tinha como ser mais perfeito. Entra!

Roberto sorriu envergonhado e entrou no apartamento de Helena.

— Senta aí, Beto. Eu já volto!

Helena foi até a cozinha providenciar um vaso para as flores. Não conseguia disfarçar a alegria que estava sentindo pela visita inesperada de Roberto. Isso o entristeceu um pouco. Não queria alimentar falsas esperanças nela. E se ele não conseguisse amá-la? Como seria estar ao lado de uma mulher sendo apaixonado pela melhor amiga da mesma? Um dia Helena saberia de tudo e isso despedaçaria o coração dela... E o dele também, pois não o faria bem ver uma mulher sofrendo por seu amor, assim como ele sofria por Maísa. Helena voltou da cozinha, com as flores já no vaso e o sorriso ainda no rosto.

— Amei as flores. Obrigada! — colocando o vaso sobre a mesa de centro

Roberto apenas sorriu quando Helena se sentou ao seu lado.

— Você é de poucas palavras, né? Sabe que eu adoro um mistério? — sorrindo

Helena passou a mão pelo peitoral de Roberto e ele a segurou com delicadeza e beijou-lhe as pontas dos dedos, com o olhar fixo no dela. Aquilo fez Helena estremecer.

— Eu estou procurando as palavras certas... Pra dizer o que eu vim dizer.

— Eu espero o tempo que você precisar. Até lá você pode fazer isso mais vezes.

— O quê?

— Me beijar assim.

Roberto deu um pequeno sorriso e beijou-lhe mais uma vez as pontas dos dedos.

— Mas tem o corpo inteiro pra você fazer isso...

— E eu vou fazer. Mas calma... Vamos com calma, Helena.

— Pra que ter calma? Nós já fomos pra cama uma vez.

— Não é isso que eu quero, Helena. Não é apenas isso que eu quero.

O coração de Helena disparou. Ela já estava entendendo o que ele queria dizer, mas precisava ouvir de sua boca. Já estava cansada de tantas ilusões.

— Então o que é que você quer?

— Quero te conhecer melhor. A gente pode tentar... Se você quiser.

— Claro que eu quero. Eu quero muito.

Helena segurou Roberto pela camisa e beijou seus lábios com muita vontade. Roberto se excitou com os movimentos hábeis de sua língua, mas que nada se comparava às suas mãos, que exploravam o corpo dele com impaciência. A mão dele foi guiada por ela até o seu seio, que ele acariciou ainda sobre a roupa.

— Vem comigo... Vamos pro quarto!

Os dois seguiram para o quarto, em meio a carícias quentes. Ao entrarem, Helena o jogou na cama.

— Eu já volto!

Helena mordeu os lábios com um olhar e sorriso cheios de malícia. Roberto sabia que aquilo era uma promessa de uma noite inesquecível e aguardou ansioso, enquanto Helena entrou no banheiro. O celular dela, que se encontrava sobre o criado-mudo, tocou. Roberto olhou no visor e viu o nome de Maísa. Aquilo teve um efeito imediato nele. Sentiu-se ridículo, mas para ele, era como se estivesse traindo Maísa. Precisava contar a verdade à Helena. Ela não merecia isso. Quando formulava em sua mente as palavras que usaria para não magoá-la, ou magoá-la o mínimo possível, ela retornou do banheiro, usando uma lingerie extremamente sexy, que o tirou completamente da realidade. O desejo voltou, varrendo de sua mente qualquer racionalidade. Helena foi para cima dele e abriu sua camisa, passando as unhas sobre seu peitoral. Seu olhar percorria hipnotizado por todo o corpo dela. O que quer que ele tivesse que dizer à ela,  esquecera e, naquele momento, só existia Helena em seu mundo.

 

Oliver e Laura tiveram um jantar agradável. Aquela ânsia de saber o que Maísa estava fazendo, o que estava pensando, com quem ela estava, simplesmente não o acompanhava naquele momento. Laura ocupara todos os seus pensamentos. Queria apenas aproveitar aquele delicioso jantar, sem máscaras, sem segundas intenções. Os dois precisavam se isolar dos problemas e dos últimos acontecimentos. Conseguiram isso sem sequer perceber. Em frente à casa de Paola, onde Laura estava passando alguns dias, Oliver parou o carro.

— Espera — descendo do carro.

Oliver deu a volta e abriu a porta para Laura.

— Nossa — sorrindo, desceu do carro e parou em frente a ele.

— Eu... Foi uma noite maravilhosa — sorrindo

— Obrigada.

— Eu é que agradeço. E, ao contrário do que você disse, está uma ótima companhia sim.

— Faço minha as suas palavras.

Ambos riam.

— Quem diria...

— Não é? Nós dois sairmos assim para jantar, sem nenhuma discussão.

— É... O tempo muda tudo.

Laura ficou com um tom mais sério.

— Nada mudou.

Oliver se aproximou de Laura e levou uma das mãos ao rosto dela.

— Você mudou.

Laura esboçou um largo sorriso ao ouvir aquelas palavras.

— Preciso ir — beijou-lhe delicadamente o rosto.

Laura saiu da frente dele e se aproximou do portão.

— Quem sabe não marcamos outra coisa... Qualquer dia desses — olhando-a parada em frente ao portão do prédio.

— Quem sabe — sorrindo.

Oliver sorriu e esperou ela passar pela portaria para entrar no carro e seguir para casa, afinal, era tarde da noite.

 

Maísa se revirava na cama. Não acreditava que quase havia ligado para Nícolas. Nem ela se reconhecia mais. Perto dele se tornava apenas instintiva, como um animal que apenas quer aliviar sua necessidade do momento. Por pior que fosse, era exatamente como ela se sentia. Mas Nícolas estava longe e mesmo assim ela quase ligou. Por quê? Sentia-se aliviada ao menos por ter voltado a si a tempo. E Helena que não atendia suas ligações? Estava ficando preocupada. Oliver demorava muito a voltar. Melhor assim, pois não estava a fim de ouvir questionamentos sobre a sua alienação naquela noite. Pensava em Roberto... Seria estranho vê-lo todos os dias depois do abalo que sofrera a amizade deles. Porém, nada abalou o carinho imenso que ela sente pelo amigo. Será que ele não percebia que ela já se sentia culpada o suficiente? Ele não precisava dizer todas aquelas coisas para magoá-la. Ainda doía muito. E doía mais ainda pensar que ele teve razão em tudo o que dissera. Ela se sentia fria e monstruosa. Percebeu que, por causa de Nícolas, estava deixando tudo de lado. Casamento, amizade e principalmente, a ética. Sua cabeça estava latejando. Não conseguia mais coordenar os pensamentos que se misturavam e deixavam-na cada vez mais agitada. Não conseguiria dormir daquela forma. Foi ao banheiro e procurou um remédio no armário. Voltou ao quarto e tomou-o com um copo d'água. Dormiu dentro de poucos minutos, conseguindo assim, aquietar todas aquelas angústias.

 

Em seu apartamento, Nícolas estava ansioso pela ligação de Maísa. Ele já havia tomado um banho e se perfumado. Tentaria convencê-la a encontrá-lo ainda naquela noite. Tudo já estava planejado em detalhes em sua mente. Aquela noite talvez fosse curta para tantas loucuras. O celular tocou. Um pequeno arrepio percorreu todo seu corpo. Estava tão eufórico que não conferiu o número antes de atender e um “alô” frenético de Mateus cortou todo seu clima.

— Mateus? Droga, o que você quer agora?

— Ei, desse jeito eu vou entrar em depressão, cara. Toda vez que eu for falar com você vai ser assim?

— Fala logo, não posso ficar muito tempo no telefone. O que você quer?

— Não me diz que está esperando a sua policial ligar? — rindo

— Fala logo!

— Estou aqui com duas gatas. Uma delas está muito a fim de te conhecer. Nós vamos a um barzinho...

— Que ótimo, mas dessa vez não vou poder ir com vocês.

— Por que não?

— Porque eu não estou a fim, Mateus — ríspido — Agora tenho que desligar.

— Calma aí... Ela quer falar com você.

Nícolas mal teve tempo de protestar. A moça pegou o celular de Mateus e refez o convite de forma ainda mais tentadora. Ela tinha uma voz sensual e convidativa, isso Nícolas não podia negar. Ficou balançado. Olhou no relógio, aproximava-se das 21hrs. Ainda havia tempo para Maísa ligar. Inventou as mais variadas desculpas para a moça. Ela continuava insistindo. Mateus fazia sinal para que ela continuasse insistindo, mas ela já estava ficando desconsertada com as desculpas que Nícolas dava. Estava mais que claro que, para aquela noite, ele estava reservado para algo que julgara ser muito mais interessante.

— Tudo bem, quem sabe em uma próxima.

— É, quem sabe.

Mateus pegou o celular.

— Qual é Nícolas? Não vai sair só pra ficar esperando um telefonema?

— Fica na sua, Mateus — desligou.

Mateus olhou para as duas garotas que estavam à sua frente.

— Meninas, o nosso doutor está um tanto chato hoje. Vamos nos divertir sem ele!

 

Oliver chegou com as palavras ensaiadas na cabeça. No mínimo Maísa iria resgatar brigas das últimas festas que ele praticamente a obrigara a ir. Encontrou-a dormindo, com aparência exausta. Respirou fundo e deu graças por isso. Não precisaria conversar ou explicar nada àquela hora da noite. Não que tivesse feito algo demais, mas era uma conversa desnecessária. Após um banho rápido, Oliver deitou-se ao lado de Maísa e ficou a observá-la no seu mais profundo sono. Agora percebia o quanto ela estava estranha, desde quando a encontrara no corredor do hospital. Será que ela havia percebido algo sobre sua conversa com César? Mas ao mesmo tempo uma resposta mais óbvia pairava em sua mente. Com certeza ela esteve assim o dia todo por Roberto ter ido embora sem se despedir. A ideia o deixou irritado. Não suportava sequer se lembrar de Roberto. Ao chegar a essa conclusão, apagou a luz e resolveu tentar dormir. Ficou a relembrar aquele jantar que, sem dúvidas, tornou sua noite mais prazerosa do que poderia ter sido.



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