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História Amortentia - Dramione Fanfic - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


É apenas um PRÓLOGO!
Eu não sei se isso vai dar em alguma coisa de verdade, mas bem, minha primeira fanfic Dramione e eu estou gostando bastante dela

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Também postei no wattpad, caso algum de vocês tenha preferência em ler por lá. Link nas notas finais.

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Lembrem-se, se gostarem da fanfic, favoritem e comentem 🥰 quero saber se agradei às expectativas de vocês

Capítulo 1 - Prólogo


Fanfic / Fanfiction Amortentia - Dramione Fanfic - Capítulo 1 - Prólogo

Depois de tudo aquilo acabar, eu jamais pensei que pudesse voltar para Hogwarts ao lado dos meus amigos, jamais pensei que sequer ia ter coragem ou vontade de voltar a Hogwarts. Mas, por incrível que me pareça, eu estou extremamente animada. Agora que não havia mais Comensais da Morte, nem o professor Snape, nem Dumbledore, as coisas seriam diferentes, mas talvez tivéssemos a chance de ter um ano inteiro de paz e harmonia. 

Eu me lembro de ter retornado pra casa dos pais do Ron, mesmo depois de tudo que aconteceu entre nós. Aquele beijo... Não saía da minha cabeça, mas no momento, depois de tudo que eu havia passado, perdido, não sabia se era o momento certo. Eu precisava ter um espaço só meu pra pensar e analisar. Já seria complicado demais voltar a Hogwarts, eu não quero ter mais coisas por fora para ter que me preocupar. Eu precisava de um conselho ou alguém pra conversar sobre tudo isso. 

Sem contar que Molly estava extremamente interessada sempre que Ron contava sobre o beijo. Ele era meu melhor amigo... Ele e Harry. Não sei porque aquilo aconteceu, mas de uma coisa eu tinha certeza. Espaço. Eu queria espaço.

— Mione? Você está aí dentro? — ouço alguém dizer acompanhado de uma batida na porta. Acordei dos meus pensamentos e me liguei a voz de Gina. — A mamãe está te chamando pra ir lá embaixo, comer alguma coisa. Está tudo bem?

— Sim, estou. — respondi fraco, passando as mãos nos cachinhos bagunçados e arrumando meu suéter, saindo do banheiro. — Eu só precisava de um tempo sozinha, pra pensar um pouco. —  sorri fraco. — Ron ainda está falando?

Gina riu baixo enquanto empurrava uma mecha de cabelo para trás da orelha. — Ele parou faz alguns minutos. Por isso eu vim aqui te chamar.

— Eu já vou. Me dê apenas alguns minutos.

Gina assentiu e eu voltei a fechar a porta assim que ela se afastou. Resolvi encher a minha mão com um pouco de água e a jogar em meu rosto. Talvez fosse o melhor pra me acordar. Um pouco de água fria, certo? Isso sempre me ajudou a recuperar os meus sentidos ou seja lá o que for. Saí do banheiro pouco tempo depois e desci pra cozinha, me deparando com Rony, Gina, Harry e Molly sentados na mesa enquanto conversam. Eles provavelmente falavam de mim como se eu não estivesse dentro da casa. Resolvi ignorar esse detalhe e me aproximei sorrindo.

— Oi. — disse baixo, me sentando do outro lado da mesa, ao lado de Gina e respirando fundo. — Eu estou morrendo de fome. — sorri, estendendo a mão para pegar um pouco de comida.

— Você está bem? — Harry me perguntou, mas na mesma hora eu coloquei algo na boca e pedi pra esperar. Não sabia se ter descido ali foi realmente uma boa ideia.

Antes de responder Harry, respirei fundo. Faltavam poucos dias para todos nós retornarmos a Hogwarts. Harry já estava preparando suas coisas ao lado de Gina, e Ron estava animado pra retornar. E pensar que depois de tudo que passamos juntos, Harry e Gina terminariam juntos e, ao que parecia, eles estavam felizes. Eu estava feliz por eles. Mas diferente dos dois, eu não estava preparada pra um novo relacionamento. Esse ano, uma das minhas intenções seria encontrar os meus pais e apenas cursar o último ano. Por enquanto, eu estava preferindo manter Ron na minha friendzone e terminar os estudos.

— Sim, Harry. Eu estou bem. — respondi, com um sorriso fraco e com a palma da mão na frente dos lábios. — Eu só precisava respirar um pouco, passar um tempo sozinha.

Depois que respondi, Harry e Gina voltaram a conversar, enquanto Ron me encarava fixamente. Não posso dizer que fiquei desconfortável, afinal... Nós tínhamos algo que eu não era capaz de negar. De algum jeito, eu me sentia tão apaixonada, tão feliz com Ron que me esquecia das coisas. Mas depois do fim da batalha, acho que meus sentidos estavam de volta e eu finalmente percebi que o melhor seria distância. Por enquanto, seríamos apenas bons amigos.

Ron foi ao banheiro pouco tempo depois e Molly saiu para levar o café de George. Levei minhas mãos ao topo da cabeça e cocei os olhos com pouca força. De alguma forma, cobrir os olhos me fazia pensar que estava invisível.

— Você já conversou com Ron sobre o que aconteceu? — Gina perguntou, desviando da conversa que estava tendo com Harry e me encarou. — Não vi vocês dois conversando desde que chegamos em casa.

— Não tem muito pra conversar. — soltei, abrindo os olhos e olhando para os dois. — Eu decidi que durante meu último ano em Hogwarts, eu não quero deixar nada me atrapalhar. Eu só... Preciso de espaço. Preciso pensar, achar os meus pais primeiro, ainda mais agora que eles estão seguros.

— Nós temos certeza que eles estão bem. Você os mandou para um lugar seguro. — Harry disse. — Nós vamos tentar encontrar eles assim que chegármos em Hogwarts. O que você acha?

Sorri. — Obrigada.

— Enquanto isso, —Gina começou. — você deveria conversar com Ron sobre..., — ela hesitou, olhando pra mim como se esperasse aprovação. — Você sabe.

— Eu sei, Gina, mas... —hesito também, movendo as minhas mãos de modo desesperador. — Foi um beijo, e... E esse últimos anos têm sido complicados. Eu não estou preparada pra algo assim.

— Eu sei, Mione, mas você tem que dizer isso a ele. — Gina pediu, e eu tinha que concordar. — Eu conheço Ron, eu sei que ele vai entender. Ele vai saber esperar, mas mesmo assim, você precisa deixar as coisas claras.

— Você faria o mesmo por ele, não faria? — Harry perguntou, o que me fez pensar por um segundo se eu faria a mesma escolha. Ou se seria o melhor no momento.

— É claro que eu faria. — respondi rápido, levantando os olhos para os dois. — Mas como vocês acham que ele vai reagir? Mesmo depois de todas as juras de amor que nós fizemos no caminho pra casa? — ri baixo, e os dois acompanharam a risada.

— Ele vai ficar bem. — Gina sorriu, tocando o tipo da minha mão. — Ele já esperou um bom tempo, mais um ano não vai fazer mal algum, não é?

— É... Você tem razão. — sorri fraco, mantendo os olhos na tábua de madeira e mantendo o sorriso.

— Eu vou ver como ele está.

Harry se levantou e se afastou da mesa. O olhava a cada passo que ele dava e se afastava de mim e de Gina. Eu sabia que deveria realmente contar a Ron sobre tudo que estava acontecendo. Eu não sabia exatamente o que estava sentindo, meus sentimentos estavam tão... Bagunçados. Eu não sabia o que fazer naquele momento, estava me sentindo bagunçada. De qualquer jeito, eu não queria ficar enrolando Ron até o meu último segundo.

Voltei meus olhos a Gina me desfazendo do meu transe. Ela estava sorridente e com as bochechas tão vermelhas quanto uma das maçãs que estavam em cima da mesa. Ela me olhou enquanto empurrava uma mecha de cabelo pra trás da orelha.

— Então... Você e o Harry... De vez agora, certo? — comecei, com um sorriso ainda fraco enquanto sinalizava com as mãos pra ela. Ela assentiu e o sorriso se abriu ainda mais até o topo da bochecha. — Isso é ótimo!

— Foi quando nós chegamos. — ela disse, empurrando os cabelos ruivos pelos ombros. — Fico feliz que isso tenha acontecido. Se ele não tivesse dito, eu provavelmente teria... Algum dia.

— Eu queria estar pronta pra um relacionamento. — soltei um pouco baixo, dobrando os braços sobre a mesa. — Eu não acho que esse seja o melhor pra mim por agora, mas eu fico feliz por você e o Harry.

— Vai ser bom voltar pra Hogwarts ao lado dele. Acho que vai ser... Incrível. — Gina não conseguia tirar o sorriso do rosto. — Eu já arrumei tudo pra quando voltarmos.

— Falta apenas um mês. — disse ansiosa, devagar. Eu espero de coração que nada dê errado dessa vez.

— Espero que encontremos os seus pais. — Gina pegou minha mão, ainda sorrindo. Olhei pra nossas mãos e respirei fundo.

— Bem... — suspirei, puxando a minha mão devagar e me levantando, ajeitando o moletom no corpo. — Eu vou ficar lá fora um pouco. Quando Ron descer, diga que eu quero falar com ele.

— Claro. Se você precisar de alguma coisa, pode me chamar.

Assenti enquanto passava pela porta da frente. Dei alguns passos pra ficar mais distante o possível da casa enquanto sentia a brisa do vento frio no meu rosto. Cruzei os braços e olhei o horizonte. Um mês... Faltava apenas uma mês pras aulas em Hogwarts recomeçarem e eu estava completamente perdida. Ron e eu havíamos nos beijado e eu sentia que isso deveria ter acontecido há tanto tempo, mas... Agora, onde eu sabia que as coisas estariam mais calmas, eu precisava pensar melhor e me acalmar. Eu precisava me aprontar pra voltar pra escola.

Eu acabei sorrindo ao me imaginar colocando os meus pés em Hogwarts novamente depois de tudo. Eu sei que as coisas seriam diferentes sem o Dumbledore e ainda mais sem o Snape. Mas ainda era a mesma escola, o mesmo colégio. Seria impossível começar sem me lembrar de tudo de ruim que aconteceu, mas seria um ano novo, e — espero eu —, mentes novas.

— Oi... — ouvi Ron dizer e me virei rápido e em um piscar de olhos. — Gina disse que você queria falar comigo.

— Sim, sim. — respondi depressa, coçando o nariz enquanto me virava. — Eu estava querendo falar disso desde que voltamos. Eu sei que você não para de falar de nós dois pra sua mãe.

Ele riu baixo, de um jeito fofo. — Eu sei que devia ter esperado você descer, mas eu só estava animado. — ele interrompeu a risada. — Como acha que vai ser quando voltarmos juntos para Hogwarts?

— Eu ainda preciso arrumar as minhas coisas. — disse, tocando a minha franja frouxa do rabo de cavalo. — Ron, nós precisamos conversar.

— Está tudo bem?

— Sim, está. — respondi, envolvendo o corpo com os braços debaixo do moletom. — Eu queria poder resolver tudo isso antes de voltarmos pra Hogwarts. Se lembra que nós trocamos juras de amor enquanto voltávamos?

— Sim, eu me lembro. — ele respondeu, como se olhasse pro nada, se lembrando. — Nós estávamos parecendo duas crianças apaixonadas. Mas tem algum problema?

— Esse vai ser o último ano. — disse baixo, apertando as sobrancelhas. Eu quero poder resolver alguns assuntos pendentes antes de tudo. — Quero encontrar os meus pais, Ron. Eu sei o que prometemos um ao outro, mas não quero problemas esse ano.

— Por que eu seria um problema?

— Não foi o que eu quis dizer. — tento me corrigir rápido, levantando as mãos. — Falta só um mês, eu preciso arrumar as minhas coisas, me acertar. Eu prometo que depois, se tudo der certo, vamos resolver isso. — voltei a cruzar os braços, sendo torturada com um silêncio perturbador. — Ron, diga algo... Por favor.

— Eu... — ele gaguejou, tentando não achar os meus olhos. — Olha, Mione, tudo bem. Eu sei que você deve estar querendo encontrar os seus pais agora, e eu não quero te atrapalhar..

— Obrigada por me entender. — sorri, aliviada. — Eu tinha medo de falar, não queria magoar você.

— Eu entendo. — ele sorriu, dando um passo a frente e ficando mais próximo de mim, tocando meus dois braços. — Mas eu vou estar aqui por você, sempre que precisar conversar.

— Obrigada. — sorri. — Enquanto isso, o que acha de nós dois irmos arrumar as nossas coisas pra voltar ao colégio? Gina e Harry já estão arrumando as coisas deles.

— Está bem.

Eu não sabia o que estava acontecendo ou onde aquela conversa chegaria, mas eu precisava de espaço. Acho que o melhor seria ter uma conversa aleatória com Ron e arrumar as coisas pra Hogwarts pra tentar me distrair do que o havia dito. Eu sabia que, por mais que ele não tivesse demonstrado nada, ele estava magoado por causa do que eu disse. Todos esses sete anos que Ron e eu mantivemos nossa amizade, eu não queria estragar tudo justo agora, quando tudo estava previsto pra dar certo. Esse último ano em Hogwarts tinha que ser perfeito, ele precisava ser. Nada iria atrapalhar dessa vez.

Mais tarde, eu estava sentada na minha cama sozinha. Ron havia saído fazia poucos minutos depois de nós dois jogarmos um pouco de conversa fora. Estava quase tudo pronto, eu só precisava respirar e pensar agora. O melhor que eu poderia fazer e dar espaço a ele agora, o mesmo espaço que eu precisava quando cheguei. Merlin... Se eu tivesse feito qualquer coisa idiota que fosse afastar Ron de mim eu certamente voltaria atrás e pediria desculpas em questão de segundos. Eu sempre tive medo de magoá-lo.

— Oi... — ouvi uma batidinha na porta e olhei depressa. Vi Gina novamente, já com a roupa trocada pra dormir. — Eu vi que você e o Ron finalmente tiveram aquela conversa. — ela se aproximou, se sentando ao meu lado. — E como foi que ele reagiu? Eu espero que bem.

— Sim, ele reagiu bem. — respondi baixo, com um sorriso fraco. — Pensei que fosse ter que discutir com ele, dizer o quanto ele estaria sendo egoísta. Mas não... Ron fez aquilo parecer muito mais fácil.

— Onde ele está agora?

— Deve ter ido pro quarto dele. Estava me ajudando a arrumar as coisas pra quando voltarmos pra Hogwarts, mas ele saiu faz pouco tempo.

— E você já tem algum plano pra como achar os seus pais? — Gina desviou do assunto rapidamente, atraindo os meus olhos diretamente pra ela. 

— Bem, assim que eu chegar vou pedir a McGonagall. — levanto as sobrancelhas. — Se eu estiver certa, eles tem trinta dias pra achar os meus pais. Eles estão em algum lugar na Austrália, não parece ser tão difícil.

— Deveria se distrair disso nesse mês. São trinta dias para nos prepararmos para voltar, revisar algumas coisinhas, e tudo mais... — ela começou, mas desviei os olhos e parei de escutar antes dela terminar. — Você parece distante.

— O quê? — a olhei. — Ah, desculpa. Só estou um pouco distraída., bati as mãos nas coxas. Estou pensando no que dizer a diretora. Eu só estou preocupada. O que você estava dizendo?

— Não, deixa pra lá, você precisa descansar. — ela se levantou, sorrindo e bocejando. — Sei que não quer conversar agora, então... Eu vejo você amanhã, Mione.

— Até amanhã, Gina.

Esperei Gina sair pra deitar a cabeça no travesseiro e fechar os olhos. Estava sendo difícil parar de ter pensamentos obscuros quando era a única coisa que eu tinha chance de pensar. No fundo, eu me perguntava se ter mandado meus pais pra Austrália foi a melhor ideia. Talvez eu devesse ter mandado eles pra Groenlândia ou algo assim. Tenho certeza que os Comensais da Morte não botariam os pés em um lugar como aquele. Eu sabia que já tinha acabado, mas ainda não tinha certeza quanto aos meus pais. Seria bem mais legal se a minha mente não estivesse fazendo um jogo torturante com a minha sanidade. 

• • •

Acordei com o barulho das panelas na cozinha. Era como se tudo lá embaixo tivesse desabado. Continuei deitada esperando alguns segundos pra finamente colocar os meus pés fora da cama. Joguei um dos braços pra cima do meu rosto, tentando impedir que a luz batesse nos meus olhos e me deixasse com eles doloridos. Pra minha sorte, eu tive uma noite calma e livre de pesadelos, o que me fez acordar sorridente, embora estivesse morrendo de preguiça e falta de vontade de levantar. Alguma hora você vai ter que levantar mesmo, pensei comigo mesma, e cedi. Me levantei e desci direto pra cozinha.

— Acordou bem tarde hoje. — ouço Harry dizer quando coloco meu pés dentro da cozinha. O olhei depressa e vi que ele tinha um copo de café em suas mãos enquanto sorria pra mim. 

— Eu estava muito cansada. — disse enquanto me sentava na cadeira, arrumando os cachos bagunçados e sorrindo. — Eu acabei demorando muito pra dormir, com tudo que está acontecendo, e...

— Ei. — ele me cortou, o que me fez olhar diretamente pra ele. — Está tudo bem, eu só achei estranho. Vai ter que levantar mais cedo que isso quando as aulas recomeçarem.

Sorri. — Eu sei disso. — prendi o cabelo e apoiei as mãos na madeira. — Bem... O Rony e a Gina já acordaram ou vamos precisar de um balde de água fria?

— Ainda não, e não acho que água fria seja necessária. — ele sorriu. — Ah, eu quase me esqueço. Chegou uma carta pra você faz alguns minutos. Molly pediu pra eu te avisar.

— Uma carta? — perguntei surpresa, pegando a carta que ele me entregou. — De Hogwarts? Mas as aulas ainda nem começaram.


     Cara senhorita Granger,
     Falta apenas um mês para as aulas recomeçarem no nosso colégio, e o que você e seus amigos fizeram por todos nós... Eu não consigo encontrar nem palavras pra conseguir dizer o quanto eu estou agradecida. Primeiramente, houve algumas mudanças na administração do colégio e eu conversei com os outros professores. Todos concordamos que você, Hermione Granger, será monitora–chefe esse ano. E caso não saiba deste outro detalhe, o senhor Malfoy foi perdoado pelo Ministério e sua mãe nos pediu para dar a ele uma segunda chance. Este ano, ele também terá a chance de se tornar um monitor–chefe, ao seu lado. Eu vou lhe informar mais detalhes quando os dois estiverem de volta e as aulas retornarem.

Atenciosamente, diretora McGonagall. 


Suspiro quando termino de ler. Primeiramente, eu não tinha a menor ideia de que Draco Malfoy havia sido perdoado pelo Ministério. Segundamente, trabalhar com ele, depois de tudo que aconteceu, de todas as coisas que ele me disse... Eu juro que se ele começar tudo de novo, não vou hesitar em lhe dar outro soco no meio da cara. Apoiei o queixo na palma da mão enquanto revisava a carta mais algumas vezes. Eu aprendi desde pequena a dar uma segunda chance as pessoas que a mereciam, mas eu não sabia se Malfoy merecia. Olhei Harry, que estava mexendo em algumas coisas pra comer enquanto eu lia novamente a mesma parte da carta. O senhor Malfoy foi perdoado pelo Ministério e sua mãe nos pediu para dar a ele uma segunda chance. Nunca tive a chance de conhecer a dona Narcisa Malfoy, mas se McGonagall estava lhe dando uma chance, então eu quebraria um galho. 

— O que é isso? — a voz de Gina entrou nos meus ouvidos e rapidamente tentei cobrir a carta, como se fosse algo profano. — Nossa, desculpa. Não queria me intrometer.

— Não, tudo bem. — sorri, levantando a carta novamente. — É um carta da diretora McGonagall. Ela disse que eu vou ser a monitora–chefe esse ano.

— Monitora–chefe? — ela repetiu surpresa, sentando-se ao meu lado. — Isso é tão legal. Eu posso ver? — hesitei por um segundo quando ela estendeu a mão. Mas eu sabia que poderia confiar nela. 

— Claro...  — respondi hesitante, entregando a ela. 

Batia os dedos lentamente na tábua da mesa enquanto esperava impacientemente pra Gina dizer alguma coisa. Percebi que ela havia chegado na parte do Malfoy quando sua expressão mudou da água pro vinho. Mordi a língua e, quando eu ia dizer alguma coisa, ela começou. 

— Mas aqui está dizendo que você vai ter que trabalhar ao lado do Malfoy, e que eu saiba, isso não...

— Malfoy? — Harry se virou depressa. Bufei novamente e olhei ele, não antes de reprovar Gina mentalmente. — A diretora quer que você trabalhe com o Malfoy? Mesmo depois de todas as coisas ruins que ele fez, vão deixar ele voltar pra Hogwarts?

— McGonagall disse que ele merece uma segunda chance.

— Ele é um Comensal da Morte! — Harry gritou alto o suficiente pra todos nos cantos do mundo escutarem. Não podem aceitar ele de volta. — E ainda colocar ele pra trabalhar com você? Olha, Hermione, você não está pretendendo aceitar isso, certo?

— Por que eu não aceitaria? — cruzo os meus braços. 

— Porque você não pode trabalhar com o Malfoy. — ele fez o mesmo, deixando o prato de lado. — McGonagall não deveria ter feito isso. Ela pode, ela tem, que escolher outra pessoa...

— Eu vou ser uma monitora–chefe, — me levantei da cadeira, e dei alguns passos na direção dele, ainda de braços cruzados sem pestanejar enquanto me aproximação. — ao lado do Malfoy.

Harry me olhou com uma cara tão feia que eu pensei que estivesse enfeitiçando a si mesmo. A verdade? Eu não queria trabalhar com Malfoy, mas não iria permitir que nenhum deles me dissessem o que fazer. Se a diretora diz que ele merece uma segunda chance, então eu não sou ninguém pra discordar disso ou tentar dizer o contrário. Esse não é o meu trabalho. 

Ele saiu poucos segundos depois e eu continuei de pé, próxima a beira da mesa enquanto olhava pra Gina. Ela mantinha as mãos juntas sobre a mesa enquanto me olhava com as sobrancelhas levantadas e os olhos levemente arregalados. Eu não queria discutir com ela também, então apenas desviei os meus olhos para as frutas em cima do balcão. Acabei me sentando de novo, cruzando os braços e evitando olhar pra Gina, não estava a fim de discussão. 

— Você acha mesmo que ele mudou? — Gina perguntou, mas eu apenas fechei os olhos e respirei fundo, deixando meu ar mais leve aos poucos. A olhei logo depois. — Acha que o Malfoy mudou?

— Eu não vou saber enquanto não o ver. — disse baixo, com um dos braços apoiados na cadeira. — Mas talvez a diretora esteja certa... Talvez ele mereça uma segunda chance.

— Se lembre, se algum de nós tiver que apartar uma briga entre vocês dois, alguém vai se machucar feio. — ela disse, o que me fez rir baixo. — Harry tem razão, Mione. Você tem certeza que quer trabalhar com o Malfoy?

— Sinceramente? Eu não tenho a mínima ideia. — disse, desviando do olhar dela. — Quer dizer... Ele pode ter se arrependido do que fez, agora que isso pai dele foi preso. Se não der certo então eu aviso a McGonagall e peço pra tirarem ele. Mas eu preciso saber se ele mudou primeiro.

— Okay... — Gina sorriu leve. — Se você vai confiar nele, então que seja.

Sorri fraco pra Gina enquanto aos poucos ela sumia de vista. Trabalhar com Draco Malfoy... Malfoy. Esse sobrenome vai seguir ele até o dia que ele fosse morrer, mas, principalmente, aquela marca. Malfoy ainda tinha a marca de Comensal da Morte e, sinceramente, por mais que as coisas possam mudar, parte de mim não confiava nele. A ultima coisa que eu precisava esse ano era arrumar encrenca com qualquer um da Sonserina. Mas, eu ouvi uma vez que, recusar uma segunda chance era como impedir uma pessoa de crescer. 

Respirei fundo e me levantei da cadeira, tocando a beirada do moletom. Me abracei com as mãos e fui até a porta da cozinha. Eu precisava pensar um pouco sobre o que aconteceu, precisava descansar. Além do mais... Não poderia ser tão ruim trabalhar com ele.

— Harry me disse que você vai trabalhar com o Malfoy. — ouço Ron dizer, fechei os olhos com força e resmunguei um Droga enquanto me virava. — Se eu fosse você, não faria isso.

— Ron, você não tem que se preocupar com isso. — disse enquanto o olhava, ainda com os braços cruzados. — Nós vamos apenas trabalhar juntos, eu preciso saber se ele mudou depois de tudo.

— Mione, você sabe de quem estamos falando? — ele disse, levantando as sobrancelhas. — Ele não é um de nós! É um Comensal da Morte.

— Caramba, Ron! — acabei gritando, batendo as mãos no quadril. — Não são vocês que estão sempre dizendo pra ver isso lado bom das pessoas?

— Sim, mas não do Malfoy. — ele se manteve firme. — Eu só estou preocupado. Não pode ficar no mesmo lugar que ele. Você vai precisar tomar muito cuidado quando voltarmos.

— Ainda falta um mês. Eu vou tomar cuidado. Prometo.

Ron assentiu e saiu pela porta. Dei espaço a ele e continuei próximo a porta da cozinha. Eu o via caminhando pra fora e era como se todos estivesse caminhando pra longe justamente quando descobriram que eu iria trabalhar com o Malfoy. Eles me faziam questionar se era a melhor ideia, mas eu não ia deixar que uma paranoia boba me dissesse o que fazer. Eu mantive os braços cruzados enquanto olhava pro horizonte, pensativa. Até que vi um rosto familiar caminhando na minha direção, apertei os olhos pra ver melhor e sorri quando consegui identificar.

— Olha quem apareceu. — disse, sorrindo e me aproximando dela. — Como vai, Luna? E onde você se meteu?

— Fui cuidar de algumas coisas. — ela sorriu, parando quando estávamos alguns centímetros de distância. — Eu me encontrei com Ron. Ele me disse que vocês dois discutiram e me disse o porquê.

— E, já sei, como todos os outros, você também acha que o Malfoy não merece uma segunda chance, certo? — disse de uma vez, ela torceu os lábios e sorriu pra mim, um pouco sem graça.

— Eu não disse isso. — ela desviou os olhos. — Mas eu devo confessar, Ron está certo. — ela disse e não segurei dessa vez, revirei os olhos. — Olha, até você sabe disso. Ninguém quer ele de volta, e se eu pudesse, mandaria outra pessoa no meu lugar se fosse você.

— Eu não posso fazer isso, Luna. — disse, apertando as sobrancelhas. — Eu só quero ver como as coisas estão com ele. Talvez ele tenha mudado... Talvez não. Não vou saber até vê-lo. — disse, ela deu apenas um sorriso fechado. — Vem, vamos lá pra dentro. Tenho certeza que Harry e Gina vão querer falar com você.

Levei Luna até o quarto de Gina e foi preciso apenas alguns segundos para as duas se distraírem enquanto falavam de Harry pelas costas — mesmo ele estando no mesmo cômodo. Eu resolvi deixar os três em paz e voltei ao quarto logo depois que desci, peguei a carta da diretora e subi direto. Fechei a porta, mas não tranquei, sabia que qualquer um deles iria abrir a porta com um feitiço antes mesmo que eu pudesse responder. Além do mais, a casa era deles, então...



Depois de algumas horas, viro meus olhos pra janela e vi a lua cheia no céu. Já era tarde, e eu ainda tinha a mesma carta nas mãos. O papel já estava ficando amassado e as beiradas da carta já estavam um pouco úmidas por causa do suor da minha mão. Minha cabeça latejou a noite inteira por causa de tanto pensar nessa carta. Por um lado, Malfoy nunca foi o pior dos piores, e já tentou me ajudar algumas vezes, por mais que ainda não deixasse sua muralha cair.


Mas por outro lado, ele tinha a marca negra. Ele ainda era um Comensal da Morte e sempre seria um deles, e a última coisa que eu precisava nesse momento é de alguém que me atrapalhe enquanto tentou achar os meus pais. Merlin, eu estava tão perdida. Eu não sabia o que fazer, mas sabia o que era o certo.

— Ainda está acordada? — me viro depressa pra porta, observando Luna. Ela estava com os braços cruzados e o cabelo preso.

— Sim..., — disse baixo, quase como um sussurro. — Eu não consigo dormir. Não paro de pensar no que todos disseram sobre o Malfoy, sobre ser monitora–chefe ao lado dele.

— E isso aí é? — ela apontou pra carta na minha mão, se aproximando aos poucos.

— A carta da McGonagall. — entreguei o papel a ela, cruzando as mãos. — Ela disse que nós vamos discutir os detalhes quando voltármos.

— Você já sabe quem vão ser os outros monitores? — Luna perguntou, olhando pra mim e se sentando ao meu lado, sem tirar os olhos do papel.

— Ainda não, mas acho que ela me mandou essa carta apenas pra surpresa não ser muito grande. — olho Luna, depois a carta novamente. — O modo com ela disse... Sobre dar uma segunda chance, e o Ministério o perdoou. Talvez não seja tão ruim assim.

— Se realmente não liga pro passado, então faça o que achar melhor. — ela disse, dobrando o papel e me entregando. — Mas ainda vai ter que tomar cuidado com ele e a tropa.

— Espero que tenham mudado tanto quanto ele. — sorri. —Até hoje não sei exatamente como é ser da monitoria.

— Mione, ele ainda é um Comensal da Morte. Ele tem a marca.

— Eu sei. — disse um pouco alto. — Mas já passou um bom tempo, aposto que... Ao menos... Algo mudou. Talvez algo tenha mudado. — tentei, mas Luna não me olhava como se eu a tivesse agradado. — Não me olhe assim, Luna Lovegood.

—Eu admiro muito o seu otimismo, Hermione. — ela disse, sorrindo pra mim. ——A forma que você fala, faz isso parecer fácil. Tem certeza que quer confiar nele? Vocês tem um histórico um tanto... Complicado.

— Vou tentar deixar isso de lado. — disse, esticando os braços. — Ao menos enquanto a nossa convivência estiver civilizada. O que acha que devo fazer?

— Se você quer ir, então vá. — ela disse, o que me fez suspirar. — Mas ainda tem um mês pra pensar bem sobre isso, e quando voltar a Hogwarts, aí sim vai saber o que fazer. Okay?

— É, eu sei. — desvio os olhos dela, com a carta na palma da mão e deslizando o dedo polegar em cima dela. — Você está certa.

Luna saiu e eu continuei pensando. Mas, diferente das outras vezes, eu estava conseguindo pensar sem ler a carta. Ela me fez lembrar de uma coisa. Não teria só o Malfoy. Teríamos os outros. Zabini e Parkinson. Por mais que eu tivesse esperança que a mentalidade de todos da casa Sonserina mudaram, eu ainda não estava certa sobre esses três. Mas, como eu venho me dizendo desde mais cedo, eu não vou saber enquanto olhar pra ele e a tropa.


Notas Finais




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