História Amortentia II - Capítulo 1


Escrita por: e kpoperatroxa

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), Harry Potter
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Park Jimin (Jimin)
Tags Harry Potter, Jikook, Jimin, Jiminhouse, Jmh, Jmh!bruxos, Jungkook
Visualizações 115
Palavras 4.553
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Alôooooooo
Fanficzinha pra esse projeto xerozo chegando pra vocês! <3
Vai ser uma twoshot, ou seja, só mais um capítulo além desse :')
Se passa no universo de Harry Potter, mas NÃO em Hogwarts, entendem? É em outra escola de magia, no caso, uma que eu inventei na Coreia do Sul alksdjkalsd
Boa leitura para vocês, espero que gostem!

E OBRIGADA PELA CAPA @mocchiato AAAAAAAAAAA FICOU LINDAAA!!!

Capítulo 1 - Ódio


 

Foi realmente uma imensa surpresa para os meus pais quando aquela coruja mocho-dos-banhados entrou pela janela da minha casa e pousou no meu ombro como quem não quer nada, trazendo um envelope junto consigo para anunciar à minha humilde família de trouxas que eu, Park Jimin, era um bruxo. Foi um verdadeiro choque, e só então descobri que minha avó era, na verdade, uma bruxa também e todos meio que já esperavam isso de mim, já que eu costumava fazer coisas estranhas acontecerem ao meu redor.

As coisas foram uma loucura depois disso. Comprar material, uniforme, uma coruja-orelhuda para conseguir contatar minha família de onde quer que essa escola fosse, além do fato de eu ter que lidar com o bendito choque de um universo de magia inteiro todo escondido debaixo do meu nariz! Poxa, foi muito para a minha cabeça de meros dez aninhos.

Mas, bem, apesar da grande descoberta, com o passar dos anos notei que trouxa eu nunca deixei de ser. O mundo adorava acabar com a minha vida de todas as formas possíveis! Eu não era realmente bom em nenhuma das matérias da escola, mal conseguia me manter em uma vassoura por mais de três minutos sem cair, meu pássaro idiota me odiava e eu sempre tinha machucados nas mãos por conta das suas bicadas, a inspetora adorava implicar comigo por coisas que eu nem teria criatividade de pensar em fazer e, bem, tinha ele.

Óbvio que eu iria gostar de um garoto só para complicar ainda mais as coisas para a minha pobre e coitada pessoa, já muito trouxa e sofredora da vida. Aliás, minhas melhores notas eram em Estudo dos Trouxas, tem como a coisa ficar mais irônica que isso? É, pois é.

Enfim, ele era Jeon Jungkook. O sonho da minha vida. O garotinho prodígio do time de quadribol, bom em todas as disciplinas – principalmente em Transfiguração –, aquele típico cabeça de vento que é super popular e não percebe. Gentil, educado, mesmo que goste de zoar com seus amigos, andando sempre todo sorrisos pelos corredores, derretendo corações de todas as garotas... E o meu. Tudo porque ele me ajudou com Feitiços uma vez e depois passei a procurá-lo sempre com o olhar, tentando estabelecer contato sempre que podia.

Bem, pelo menos eu tinha essa vantagem. Sabe aquela coisa de amigo do amigo do meu amigo? Era exatamente assim, então sempre acabávamos no mesmo grupo de pessoas em algum momento. Podia ficar perto dele e conversar como dois garotos conversam, curtir sua companhia, comemorar suas vitórias no quadribol, porque se alguma garota tentasse essa proximidade, Jieun sempre vinha se meter. A garota era amiga de infância de Jungkook, então se achava nesse direito de fazer dele sua propriedade.

Então eu podia ficar bem pertinho dele, admirando seus cabelos pretinhos, seu sorriso com os dentinhos frontais grandinhos, as ruguinhas que se formavam ao lado dos olhinhos redondos quando ria, a pintinha charmosa logo abaixo de seus lábios... Você vê que a coisa tá feia quando há esse uso excessivo de diminutivos ao descrever alguém. Mas ele todo é muito lindinho!

Eu sou muito trouxa por esse moleque.

Apesar da minha timidez – e da dele também –, nós realmente ficamos muito amigos com o passar dos anos. Então eu só me apaixonava mais e mais; ele deixou de ser apenas um rostinho bonito há muito tempo para mim... Mesmo com o seu jeito teimoso, desatento, competitivo ao ponto de irritar, suas opiniões diferentes das minhas, seu jeito birrento e todos os seus defeitos e falhas, nossa, eu gostava dele demais mesmo. Gostava até do seu jeito sonso de perguntar “o quê? Por quê?” quando ficava confuso.

O enorme detalhe que eu sou obrigado a ressaltar mais uma vez é: ele é um garoto, eu também. Isso é simplesmente impossível de dar certo! Talvez se eu fosse uma garota, ele gostaria de mim, mesmo eu sendo tão... simples, ruim em tudo. Mas desse jeito... Jungkook jamais se apaixonaria por alguém como eu.

Sabe, as pessoas não gostavam muito de mim. Eu tinha alguns amigos no oitavo ano, além de Kim Taehyung no quinto – mesma turma que o meu crush supremo –, porém os outros garotos zoavam muito a minha aparência, pois fujo do padrão coreano com aquelas minhas bochechas enormes e as coxas gordas... E pra ajudar, tinha o meu cabelo. Eu era moreno até que o Tae tentou um feitiço de secar cabelos em mim, só que me deixou loiro acidentalmente. Quis bater tanto no desgraçado!

Passamos o dia todo tentando fazer voltar ao normal, mas toda hora era uma cor diferente, até que desisti e pedi que deixasse loiro mesmo, iria pedir ajuda para algum professor mais tarde. Porém, no intervalo da tarde, quando Jungkook me encarou daquele jeitinho todo admirado e falou que tinha ficado bem em mim, acabei deixando como estava, mesmo que a escola inteira tivesse discordado do elogio que eu havia recebido.

Viu só? Se eu fosse uma garota... Quem sabe? Grr, que droga!

Mas... talvez eu tivesse uma chance. Apenas uma. E todas as minhas esperanças moravam dentro daquela chocobola, um doce recheado de mousse de morango e creme cozido. Você deve estar se perguntando: como assim? O que pode ter de tão especial nesse doce? Pois bem, isso aconteceu uma semana antes, quando todas as meninas da escola estavam completamente enlouquecidas com uma certa novidade.

Kim Namjoon, um verdadeiro gênio audacioso, havia feito uma melhoria na poção do amor mais poderosa do mundo. Metido, não? Amortentia II era a sua criação – ou seria recriação? – mais desejada no momento, contudo ainda em pouca quantidade. Três pessoas haviam feito seus testes e os efeitos se mostraram persistentes por uma semana inteira, superando em sete vezes mais os efeitos da sua poção de origem. Uma pena que tal reinvento tão poderoso não pudesse chegar aos ouvidos dos adultos, ou então Namjoon-hyung estaria com sérios problemas, já que comercializar esse tipo de poção era proibido... Já pensou se esse segredo escapa?

E foi com essa chantagenzinha que eu consegui um pouco para mim, óbvio. Ah, qual é! Eu era pobre e desesperado! Não vejo motivos para me julgar quando o próprio chantageado já quebrava algumas regras...

De qualquer forma, tinha colocado a poção no mousse, bem no meio do bolinho, e havia decidido que eu o entregaria logo após mais uma vitória certa sua no quadribol. Seu time tinha o nome mais modesto entre os quatro da escola – Olppaemi, as corujas –, mas era sem dúvida o melhor. Como superar o artilheiro Jeon Jungkook e o apanhador Min Yoongi? Impossível.

Só por via das dúvidas, quadribol era um esporte bruxo que consistia em um enorme campo com três aros de cada lado, por onde os três artilheiros de cada time deveriam passar as bolas chamadas goles, marcando dez pontos por cada gol, o goleiro que estava lá para tentar impedir que esses pontos fossem marcados, dois apanhadores para ficar caçando uma bolinha dourada desgraçada de rápida que valia 150 pontos e findava a partida e, ainda, duas bolas assassinas enlouquecidas que tentavam atrapalhar a vida de quem avistassem pela frente, tendo dois batedores em cada time que defendem os outros jogadores usando tacos para rebater os balaços. Em resumo, é isso.

Então lá estava eu torcendo pelas corujas que estavam com oitenta pontos de vantagem sobre os Dogsuli, as águias do colégio. O pomo de ouro não havia dado nem sinal de vida e o jogo já se prolongava por longas três horas, coisa que havia torrado com toda a minha paciência e só me deixava cada vez mais ansioso. Eu até gostava do esporte, mas já estava cansado daquela enrolação toda, assim como muitos outros alunos e os próprios jogadores.

O único ainda empolgado parecia ser o locutor, mas Jung Hoseok tinha a energia de dez crianças e não se cansaria tão cedo. Ainda narrava tudo o que acontecia com uma vivacidade que até encheria o saco, se tudo que ele dissesse não fosse de um jeito tão engraçado, às vezes até mandava umas rimas pra ver se a galera se animava.

Fiquei viajando com as gracinhas do Hoseok-hyung, observando a torcida e papeando com a garota ao meu lado de vez em quando, já que ela, Irene, estava lá para apoiar uma das melhores amigas e eu estava lá por Jungkook. Toda vez que algum dos dois fazia um gol, eu e ela nos abraçávamos e gritávamos como loucos, entretanto a empolgação morria logo depois pela demora do jogo e voltávamos a conversar para passar o tempo.

Ficamos discutindo sobre os times, elegendo melhores jogadores e quais era os mais bonitos entre os garotos e garotas. Eu tinha que sorrir e acenar ao eleger qualquer um que não fosse Jungkook, porque, sério, eu só tinha olhos para ele.

A escola só era dividida em times para o quadribol. Havia uma minoria das Escolas de Magia e Bruxaria pelo mundo que repartia todos os alunos em casas, mas nossos fundadores coreanos preferiram evitar a competitividade e discriminação entre os grupos, mantendo a divisão das classes do primeiro ao oitavo ano de forma aleatória. Uma hipocrisia, considerando que eles super rebaixavam alunos medianos como eu, separando-nos com essa barreira invisível do desprezo.

Foi entre gols e conversas que o pomo de ouro finalmente apareceu, e aí sim toda a torcida voltou a vibrar como no começo do jogo. Yoongi prontamente passou a perseguir o pequeno objeto mágico com toda a sua agilidade de sempre, já que seu corpo leve lhe dava muita vantagem no voo e todos diziam que sua vassoura era uma das mais velozes atualmente. Eu odiava vassouras e elas também me odiavam, então eu não fazia ideia de que modelo era aquele. O apanhador do outro time parecia mais lento, mas era violento. Min mais tinha que se esquivar das investidas do que, de fato, se concentrar no pomo, além de ter que confiar nos batedores para que o defendessem dos balaços, pois mal estava dando conta do baixinho corpulento que disputava pelos 150 pontos que definiriam quem venceria e passaria para a final.

Hoseok ficou ainda mais empolgado – se é que era possível – e começou a disparar as palavras como um louco, descrevendo quase que ao mesmo tempo como os apanhadores perseguiam o pomo, como o batedor das águias, o estrangeiro Jackson, fazia os balaços irem para todos os lados, Jungkook marcava mais um gol, porém as corujas levaram dois gols depois disso, porque o goleiro Seokjin levou um balaço na perna e se recusou a sair do jogo, e quando o caminho para o pomo de ouro ficou livre, Yoongi pegou velocidade em um mergulho e o agarrou e, socorro, tudo aconteceu muito rápido! Aish, um jogo demorado assim para tudo se resolver em uns minutinhos!

Não nasci pra isso, meu coração é fraco.

Mas estava feliz, claro que estava! Aliás, eu surtei junto com todo mundo! Foi a gritaria de sempre, todos correram da arquibancada para o campo a fim de comemorar junto aos vencedores, todo mundo pulando e cantando uma rima de vitória aleatória. Ai, meu costume trouxa de chamar por Deus tá ficando difícil de controlar agora, porque meu Deus, meu Deus, meu Deus! Eu preciso dar logo esse bolinho para o Jungkook! Ah, que pânico, o que eu faço?!

Fui tentando passar por aquele aglomerado de pessoas, sem ver nenhum sinal do Jeon. Aish, eu só queria parabenizá-lo e dar esse doce antes que perdesse a coragem! Já estava ficando desesperado ao mesmo tempo em que queria curtir a alegria de todo mundo, então parei por um instante e respirei fundo, agora não era hora de surtar! Mais calmo, ao passar por entre as pessoas, encontrei uma amiga próxima, sendo obrigado a interromper minha busca para dar um abraço nela.

— Eu sabia que vocês iriam ganhar de novo! — pulei na capitã do time, Seulgi, comemorando junto com todos por aquele jogo finalmente ter acabado.

— Jiminnie! — sorriu para mim, retribuindo o abraço com empolgação. – Jungkook estava procurando por você! — avisou, fazendo meu coração se remexer todo com a notícia. Rapidamente, voltei a procurar pelo artilheiro, surpreendendo-me quando o vi bem ali perto onde um grupo de pessoas segurava o seu corpo e o erguia diversas vezes. O moreno olhava na minha direção mesmo em movimento daquele jeito e imaginei que fosse porque estava me procurando, mas seu rosto estava meio estranho. Não combinava nada com a estrela do jogo, muito menos na situação em que ele estava ali, sendo tão exaltado pelos outros.

— Jungkook-ah! Você foi incrível! — afastei-me de onde a capitã estava, gritando para o artilheiro e esperando que aquela feição fosse apenas impressão minha, mas ainda sim ele parecia esquisito. Ele sorria enquanto pedia para que todos o colocassem no chão, no entanto suas sobrancelhas tensas denunciavam sua irritação.

Mas ué.

Fiquei num canto, esperando que as pessoas se dispersassem um pouco e largassem o moreno no chão, assim eu poderia chegar mais perto dele. No meio daquela bagunça toda, aproveitei assim que tive uma chance e puxei Jungkook para um canto mais quieto, já que todos estavam levantando o apanhador enquanto gritavam como loucos.

— O que foi? O que houve? — perguntei preocupado, ainda andando e o guiando até debaixo da arquibancada.

— Não foi nada, hyung. — respondeu seco, erguendo os ombros de forma indiferente.

— Como que não foi nada? As corujas vão para a final e você está com essa ruguinha aqui! — cutuquei rudemente sua testa, tentando fazer graça.

— Hyung! — exclamou emburrado, afastando minha mão enquanto eu falhava em conter um sorriso, porque ele era uma gracinha até quando ficava irritado.

— Aish, Jungkookie... — chamei fazendo bico, passando a mão por meus fios loiros de forma nervosa. — Tudo bem se não quiser me contar. Mas tente comemorar com os outros, pelo menos! Vocês treinaram demais pra chegar aqui... — sorri pequeno, tendo que segurar aquele impulso que eu tinha de tocar seu rosto e deixar um carinho ali.

— Você tem razão... — admitiu tristonho, olhando para a comemoração que faziam lá fora por uma das frestas da estrutura. — Desculpa.

— Não precisa pedir desculpas. E, sabe, eu... — apertei com força a alça da bolsa que usava, onde a chocobola estava. Deveria entregar agora, ou então não teria coragem! — Eu fiz algo pra você. — sua expressão rapidamente se suavizou, mesmo que a dúvida predominasse.

— O quê? Por quê? — perguntou rápido e super confuso, daquele jeitinho que falei mais cedo que achava fofo.

— Ah, é pela vitória... — sorri envergonhado, coçando a nuca. — E se vocês perdessem, o que era impossível, seria um prêmio de consolação. — brinquei e, dessa vez, ri de nervoso, colocando a mão no bolso até que alcançasse a caixinha onde o doce estava. — Mas não é nada de mais... É só... O-Olha. — puxei, enfim, a embalagem decorada e lhe entreguei, olhando para o chão por não conseguir de jeito nenhum ver sua reação.

— Você, hm, fez para os outros do time também? — foi a primeira coisa que disse, então o encarei sem entender a pergunta.

— Não, eu fiz só... pra você...? — respondi honesto demais, pois só depois notei como aquilo era super estranho! Ai, que droga! Eu não penso em nada, né?! — Ah, m-mas eu... Eu comprei umas balinhas para os outros e...

— O-Obrigado, hyung. — ele me interrompeu e agora parecia que toda aquela sua irritação anterior tinha sumido, dando lugar a uma vermelhidão que eu juro que não entendi.

Quê?

— Achei vocês! — antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, Taehyung apareceu do nada e quase pulou em cima do moreno. — Kook, estão todos te esperando, a capitã quer conversar! — foi puxando o Jeon para fora, deixando-me ali sozinho completamente sem reação ou sem ter a menor ideia do que havia acontecido ali.

 

*

 

— Jungkook, não coma nada que qualquer garota te ofereça. Nem beba! — Taehyung avisou com certo desespero, segurando o melhor amigo pelos ombros após se sentar ao seu lado.

— O quê? Por quê? — o moreno arregalou os olhos para as atitudes do outro, a confusão clara no olhar. Estávamos no meio da festa improvisada no salão principal, todos comendo e rindo espalhados pelas mesas compridas. Eu estava sentado do outro lado da mesa, junto com Hoseok e Seokjin, ainda pensativo sobre a cena de mais cedo quando peguei a conversa no ar e tentando entender o que rolava.

— Porque Kim Namjoon é um gênio! — o mais alto, então, exclamou desacreditado. Isso só fez com que nosso querido dongsaeng ficasse ainda mais perdido e, obviamente, que eu congelasse com o rumo da conversa. Ai, não, é sobre a poção, eu tenho certeza. Eu já estava com medo antes, agora então...!

— Quê? — o mais novo ainda estava perdido e eu querendo me perder bem longe daqui.

— O desgraçado melhorou a poção do amor mais forte do mundo. Simplesmente isso! — a conversa continuava entre os dois amigos, com o Kim indignado.

— E o que poção do amor e garotas têm a ver comigo?!

— Você é um desgraçado popular! — exclamou pasmo, Jungkook era realmente desatento, nem notava isso! — Ainda não notou? Aish, Jungkook, vê se acorda! Por acaso tá gostando de alguém pra não notar todas esses suspiros apaixonadinhos sempre que você passa por qualquer lugar?!

— N-Não... — negou constrangido, estranhamente olhando pra mim de soslaio. — Eu só não presto muita atenção mesmo. Até porque eu nem conheço essas garotas, não sei o que tem para que elas gostem tanto assim de mim. Vocês sabem que eu detesto coisas superficiais... — ao que falou a última parte, meu coração apertou e eu me senti um idiota. Que droga! Aquela poção... era exatamente isso!

— Por isso que você nunca responde quando eu pergunto qual é o seu tipo? Ah, nem vem, aposto que tem alguma garota que te atrai! — Tae insistiu mais para provocar o outro, dava para ver isso em seu olhar travesso.

— Hyung, para com isso! Meu tipo é alguém que eu conheça de verdade, só isso! Não quero algo falso, quero algo real... — e quando ele afirmou isso foi que eu me senti ainda mais um completo idiota. Estava tão preocupado que ele nunca gostaria de mim que não parei para pensar nos sentimentos verdadeiros dele. Aquilo seria temporário, superficial e falso. Tudo que ele menos queria. Eu me agarrei tanto na esperança de que ele poderia gostar de mim após os efeitos da poção que não pensei na mentira do durante.

E se ele me odiasse ainda mais depois disso tudo?

Eu sou um idiota.

Todos continuaram conversando, Hoseok-hyung tentando puxar papo comigo, porém eu me afundei demais em todos esses pensamentos e não estava reagindo muito bem. Queria cavar um buraco e sumir, mas só depois de colocar fogo naquele doce idiota.

Um bom tempo se passou depois disso, mal conseguia encarar o artilheiro em minha frente por causa disso tudo. Estava pensando em ir para o meu quarto, até murmurei que o faria para Irene que havia aparecido ali por perto em algum momento, só que a voz de Jungkook me fez paralisar antes que eu, enfim, levantasse e saísse dali.

— Gente, eu estou bem cansado. Esse jogo me matou! — brincou, rindo e dando de ombros quando Jin-hyung o chamou de frouxo ao mostrar sua perna machucada pelo balaço. — Aigoo, é sério! Eu vou descansar, e você deveria também, senhor Kim Seokjin!

Tentei ignorar e continuei minha ação de retirada, tendo alguns pensamentos cruzando minha mente naquele instante. Será que eu conseguiria tomar a chocobola de volta dele? Ai, isso pode dar certo!

Fui andando devagar pelo salão, esperando que o de cabelos pretos andasse logo com isso para eu encontrá-lo por acaso nos corredores. Fui meio que o seguindo quando ele saiu do ambiente, notando que ele carregava uma bolsa nas costas, onde provavelmente o meu doce estaria. Cheguei cada vez mais perto de si, pensando até que conseguiria pegar o bolinho sem que ele percebesse, mas só então notei que, na verdade, ele tinha algo em mãos. Exatamente a caixa que eu o entreguei... Vazia!

— Jungkookie, acho melhor você não comer isso...! — do nada, puxei seu braço para que se virasse para mim.

— O quê? Por quê? Está gostoso. — droga! Ele já estava comendo! O mais alto mastigava tranquilamente e parecia já ter comido metade da chocobola.

— Jungkook! Cospe isso fora! — voei nele para tentar fazer algo, bater nas suas costas, na sua cabeça, qualquer coisa que o fizesse tirar aquilo de dentro da sua boca!

— Jimin, tá maluco?! — ele questionou depois de engolir, mesmo quase se engasgando. — O que deu em vo...

Repentinamente, ele parou. Parou e ficou olhando para o nada, depois para mim e assim ficou, com o cenho franzido e a boca meio aberta com se quisesse dizer algo.

— Jun... Jungkook?! – só depois de uns segundos em que eu paralisei junto que consegui reagir. — Está tudo bem? Olha, eu tentei fazer você não comer isso! Mas isso não justifica... Porque fui eu quem fez você comer, em primeiro lugar... — falei tudo muito rápido, tentando explicar, tentando qualquer coisa! — Como... Como você está se sentindo? — perguntei devagar, preocupado com a forma que ainda estava quieto.

— Eu estou me sentindo... — disse baixinho, franzindo as sobrancelhas cada vez mais. — Irritado pra caralho. — eu me choquei e não foi pouco com a sua resposta. Como assim? Jungkook nunca fala palavrão! E “irritado”?! Algo deu muito errado. — E o que você está fazendo aqui? Sai da minha frente! — sua fala saiu com um desprezo que eu nunca havia escutado dele antes. O que foi que eu fiz com esse menino? — Argh! Esse doce fede! — exclamou enquanto jogava o que segurava no chão, encarando o que restou da massa de chocolate e do mousse espatifados no chão.

Eu estava pasmo.

— O que foi que aconteceu? Era pra... — resmunguei confuso, assustado. Comecei a andar de um lado para o outro, alternando meu olhar entre Jungkook e o chão, tentando a todo custo entender alguma coisa! Ainda resmungando, peguei a caixa da mão do outro e juntei a chocobola, tirando aquilo do meio do corredor. — O que está acontecendo?! Era uma poção do amor, não deveria ser assim...!

— Poção do amor? Poção do amor?! — sua voz saiu mais grave e baixa na primeira vez, mas quando repetiu quase que berrou, mantendo o tom alto na frase seguinte: — Você tentou me dar uma poção do amor?!

— Shh! Fala baixo! — corri até ele e cobri sua boca com a minha mão, sendo afastado rudemente em seguida. Ouvi vozes vindas de onde viemos, então apressei-me em segurar seu pulso e o arrastar até o primeiro banheiro ali perto, que por sorte não ficava longe.

— Me solta, seu maluco! — exigiu pela quinta vez, sendo atendido por mim ao ver que não havia ninguém ali junto conosco. — Você tem o que na cabeça, hein?! Tem merda?! O que foi que você fez comigo?! — jogou as perguntas de forma indelicada, enquanto eu voltava a andar de um lado para o outro, nervoso. Estava completamente perdido! — Ah, já sei. Você tentou fazer uma poção, mas nem pra isso presta! — a frase ressaltou a vontade que eu estava sentindo de chorar, fazendo meus olhos se encherem de lágrimas. Droga!

— J-Jungkook, para de gritar, por favor... — pedi trêmulo, quase puxando meus cabelos de tão aflito. — A poção não é minha, ok?

— Por que raios você achou que isso seria uma boa ideia, de qualquer forma?!

— Me desculpa! — pedi limpando meu rosto molhado. Tinha que ficar calmo, mas estava difícil com o Jeon gritando assim! — E-Eu só queria que você gostasse de mim!

— Mas eu já gostava, seu idiota! — esbravejou, massageando a têmpora e começando a imitar meu jeito de andar de um lado para o outro, impaciente.

Já eu quase morri do coração.

— O quê? — perguntei fraco, desnorteado. Ele estava brincando, né?

— Eu já gostava de você. Há muito tempo, por sinal! — confessou mais uma vez, fazendo minha cabeça fundir com a mistura de sentimentos e pensamentos. Eu estava em pânico, porém ouvir aquilo me deixou feliz, muito feliz!

— Achei que você nunca gostaria de alguém como eu... — confessei em choque, esboçando um sorriso.

— Pois é, agora eu não entendo como eu gostava de alguém como você. Nossa, não sei como você consegue ser tão burro! — minha felicidade se esvaiu quando mais palavras dolorosas saíram da sua boca.

— E-Eu não tinha como imaginar, Jungkook! — voltei a sentir os olhos arderem, contudo me segurei o máximo que consegui. — Tente entender... N-Nós somos dois garotos!

— E isso importa?! Era tão óbvio! Hoje mesmo eu... Eu estava bravo porque você ficou o jogo inteiro do lado daquela Irene e depois foi correndo pra capitã! Não era óbvio? Estava morrendo de ciúmes! Caralho, como eu odeio você agora, e eu odeio isso! — era muito para a minha cabeça! Não estava sabendo conciliar tudo isso... Merda, eu só quero chorar!

— Não achei que... Você tem todas as garotas aos seus pés! Por que eu?! Olha, eu... Eu te dei a poção porque... — estava me perdendo nas palavras, não conseguia raciocinar direito. — Eu sou inseguro, ok?!

— E eu sou tímido! Por isso nunca te disse nada! — explicou, parecendo bastante frustrado.

— Não parece nada tímido agora brigando comigo...! — rebati magoado, as coisas que o moreno estava dizendo machucavam!

— Porque, dã, eu estou sob o efeito de uma poção idiota e desnecessária, como tudo que você faz! — e aquela foi a gota d’água. Afastei-me dele e me apoiei em uma das pias mais distantes possíveis, cobrindo meus olhos com as mãos e sentindo-as ficando molhadas aos poucos. Respirei fundo várias vezes, tentando colocar na minha cabeça apenas a primeira parte que havia escutado.

Ele estava sob efeito de uma poção. Nada do que dizia era real. Aquele não era Jeon Jungkook falando, era a Amortentia II que havia dado errado de alguma forma. Precisava manter a calma e pensar no que fazer. Iria procurar por Namjoon e contar o que havia acontecido, mesmo que fosse morrer de vergonha por revelar que era apaixonado por um garoto, por Jungkook.

Acalme-se. Respire.

— Algo em mim quer pedir desculpas, mas a parte que diz que a culpa é sua está falando mais alto agora. Eu nem sei o que está acontecendo... — o outro falou mais calmo agora, e acho que daquela vez ele realmente tinha razão. A culpa era minha. — Dê um jeito de resolver, se você se importa tanto.

— Eu vou. — respondi com firmeza, limpando o rosto com um pouco de água, esperando que aquilo tirasse um pouco da minha cara de choro. — Mas você vem comigo.

Precisávamos urgentemente achar Kim Namjoon.


Notas Finais


E AÍ? KKKKK EU FICO COM DÓ DO JIMIN, MAS EU FICO RINDO
Porque é bom, já que o Jungkook já gostava dele, mas é ruim pela situação KKK ai que dóoooooo
O segundo capítulo sai ainda esse mês! Digam aí o que acharam da primeira parte :3
Até logo!! Beijinhosss o/


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