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História Amortentia (Xiaojun, NCT) - Capítulo 4


Escrita por: roseum

Notas do Autor


#roseum: oi, oi 🥰 tudo bem? Xiaojun que lute, viu?
é só isso mesmo, boa leitura ♡

Capítulo 4 - Reações químicas do ciúmes


Fanfic / Fanfiction Amortentia (Xiaojun, NCT) - Capítulo 4 - Reações químicas do ciúmes

Atirei meu corpo cansado e dolorido no sofá que ficava de frente para a televisão da sala. Suspirei satisfeito com meus minutos de paz alcançados. Como passei o dia pra lá e pra cá, em função dos corres do estágio, minhas pernas pediam por alívio desde às três da tarde. Até a Bela ficou com pena do meu estado e veio me fazer companhia, deitando no braço do sofá. ( Ela mordeu meus cabelos, mas isso é um mero detalhe). 

Tudo corria bem, exatamente como os planos da minha cabeça. A minha mistura especial de oreo com bolo de caneca —  que o Ten diz ser muito nojenta —  ‘tava na mão e tudo. Sério, nada desalinhado, nenhum ruído à parte que pudesse levar minha tranquilidade. Bom, isso era o que eu pensava, me iludi até que Yang Yang entrou pela porta da frente, causando todo tipo de estrondo, atirando a mochila para um lado e os tênis para o outro. Por consequência disso, a Bela passou por cima de mim como um rolo compressor, correndo lindamente na direção dele. 

Eu suspirei de tristeza, meu momento foi arruinado outra vez, como nos outros dias. O ciclo de ilusão, causa e efeito se repetia numa espécie de looping temporal.

— E aí — disse ele passando pela sala, segurando a nossa beagle com um dos braços. — Tá comendo aquela porcaria de novo, né?

Não respondi. Não precisava. Ele e Ten concordavam em muitas coisas. 

Yang Yang sentou-se na poltrona no exato momento em que Hendery veio pisando manso até a sala, dando um giro trezentos e sessenta quando escolheu o lugar certo para parar e fazer mais uma de suas poses ridículas — e costumeiras.

— Mas que belíssima noite, né, minha gente? — tentou ele, com sua cara de príncipe fajuto. É vergonhoso pensar sobre, porém, confesso que nos últimos dias, qualquer coisa no Hendery, ou, que faça alusão a ele, tem me irritado como nunca antes visto. 

— Belíssima noite pra quem? — Yang Yang foi direto. — Quer falar alguma coisa?

— Que foi, meu anjo? Não tinha toddynho na merenda da escola?

Yang Yang estalou os lábios e ficou em silêncio. A aura dele exalava quatro palavrinhas: mau humor do caralho.

— Fala, cara — respondi com tédio, esperando que ele fosse mencionar qualquer coisa sobre os jogos ou animes da temporada. Possivelmente o assunto seria a última skin conquistada e…

— É que eu preciso de ajuda de vocês — disse arrastado, prendendo os dentes num sorrisinho empolgado —, é sobre Sonho de Uma Noite de Verão, já vou adiantando.

Hendery finalmente prendeu a atenção de Yang Yang, que chegou a se ajeitar melhor para ouvir a resenha. Ele abandonou o semblante entediado de antes. Acho que fiz a mesma coisa.

— Por que? — perguntei surpreso.

— Como assim por que? É porque eu vou na festa da turma de vocês.

Aaah — reagiu Yang Yang —, tá aí um negócio que eu não imaginava. Achei que não fosse te ver de fantasia se não fosse pra algum evento cosplay.

— Guarde suas gracinhas, Liu Yang Yang. — Hendery fechou os olhos e ergueu o braço direito teatralmente. — Estou de ótimo humor hoje, nem você vai conseguir atravessar minhas camadas de defesa.

— Tá ligado que a vida não é tipo League of Legends, né?

Aff, deixa pra lá, vou atrás disso sozinho.

— ‘Pera aí! — falei mais alto do que tinha imaginado. — Que festa da nossa turma? — Procurei pelo olhar de Yang Yang, que mal se moveu, limitou-se a levantar as sobrancelhas, como se o tema da conversa fosse óbvio. — O que foi que eu perdi?

— Como assim, cara? — Hendery colocou as mãos na cintura e então, sacou o celular do bolso. Bastou dois ou três toques na tela para que encontrasse o arquivo que queria e o virasse na minha direção. — Aqui, ó, o convite do baile “Uma noite de verão” da turma de vocês. 

— A gente falou disso na última aula, lembra? — Yang Yang reforçou. — Foi confirmado hoje mais cedo. Não recebeu o e-mail?

— Não tive tempo de verificar minha caixa de entrada hoje...

Hendery e Yang Yang se entreolharam e deram de ombros.

— Então… eu nunca li esse caralho de livro, nem sei sobre o que se trata. 

— ‘Cê só tá esquecendo da parte mais importante aqui. 

— Que é…? — Hendery disse pausadamente, mantendo um contato visual esquisito. 

— Que é como você sabe da festa da nossa turma.

— Oh, porque a YunYun me contou. — Ele abraçou o celular. — Foi ela que enviou o convite. Só que esse lance é à fantasia e eu não sei nada de nada sobre Shakespeare…

A voz de Hendery foi se perdendo enquanto eu chutava as portas da paranoia com os dois pés. Pode me chamar de dramático, mas meu chão foi embora. Juro que a sensação de ser passado pra trás me abraçou com tudo e grudou como chiclete no cabelo. 

“Oh, porque a YunYun me contou", tsc.

A risada de Yang Yang ao fundo foi a última coisa que ouvi conscientemente antes de dar uma desculpa qualquer e me enfiar no quarto. Eu tinha que tirar aquela história à limpo com Lee Ha Yun. Afinal, que papo é esse? Desde quando ela conta as coisas pro Hendery antes de me contar?

 

♡ ♡ ♡

 

— Não tem nada demais nisso — repeti pra mim mesmo enquanto andava de um lado para o outro no quarto. — É só uma pergunta inocente, não é nada demais, a Yun mal vai se importar...

Repassei todas as informações que eu tinha em ordem cronológica. Não queria ligar para ela do nada, sem ter meus argumentos muito bem definidos e, antes disso, precisava fazer um levantamento dos tópicos um a um. Primeiro, a aula onde a possibilidade da festa foi lançada, pareceu um momento de delírio coletivo para mim. Foi num dia onde eu 'tava mais pra lá do que pra cá. Simplesmente peguei essa ideia e enfiei na caixa de spam da minha cabeça... Mas consegui lembrar do motivo da tal festa: levantar fundos para nossa peça de encerramento. O cenário, o figurino, a iluminação... Todos esses itens pesavam no nosso orçamento e a maioria de nós éramos meros estudantes vivendo às custas dos pais. Alguns com bolsa, tendo que se virar com as migalhas do salário de estagiário.

Agora, em segundo lugar, por que Ha Yun não veio falar comigo sobre a confirmação da festa? Revisei nossas conversas nos últimos minutos e ainda não encontrei um motivo para que ela fizesse pouco caso da minha pessoa. Não sou um bom amigo? Olha, talvez eu não seja. Percebi também que em noventa por cento dos casos, é ela quem inicia os assuntos. Só vou atrás quando tenho algo muito definido ou tô com alguma dúvida. Sim, isso é patético. Talvez eu seja mesmo um mau amigo e o Hendery seja um bom. E, pior que isso, talvez ele seja mais que um amigo.

Mas se esse for o caso…

Ela não deveria ter a decência de me contar?

Eu contei pra ela quando percebi que ‘tava caído pela Saki. 

Só queria saber…

O QUE DIABOS TÁ ROLANDO?

É pedir demais? Eu acho que não!

Esfreguei o rosto com as mãos atrás das lentes dos óculos. Bufei irritado. Soquei o ar várias vezes. Dei meu showzinho. Tomei coragem pra ligar e fiz. 

— Oi? — respondeu Ha Yun num risinho, conseguia ouvir outras vozes ao fundo. — Que foi, aconteceu alguma coisa?

— Hum, por quê? Precisa acontecer algo pra eu te ligar? 

— Sinceramente?

— Não posso só ligar pra minha melhor amiga? — Fiz uma pausa. — Sinceramente o quê?

— Tá de mau humor?

— Não! 

Sim, eu ‘tava de mau humor. 

— Sei.

— Só me responde.

— O que? — perguntou tranquilamente, despreocupada mesmo. O tom doce dela me irritou. 

— Sinceramente o que?

— Ah, não leva a mal, mas...  — riu baixinho — é que você só me liga se tiver alguma coisa urgente rolando.

Ok, o certificado de péssimo amigo vai para…

— O que houve? — Ha Yun insistiu. — ‘Cê não parece estar bem, sua voz tá… alteradinha. Sabe? Não tenta esconder nada de mim, Xiaojun, eu sou mais esperta.

Suspirei profundamente e sentei-me na cama, derrotado pelo diminutivo muito bem empregado por ela. Não adiantou nada me preparar previamente, falhei miseravelmente.

— Ha Yun, por acaso continuo sendo seu melhor amigo?

Ela não respondeu de primeira. Conseguia ouvir sua respiração, mas as palavras demoraram pra alcançar meus ouvidos ansiosos. 

— Sim — respondeu simplista. — Vou perguntar de novo, o que aconteceu?

— É difícil falar assim.

— Então a gente pode conversar sobre isso amanhã.

— Mas é que… — Puxei o ar, inflei bem meus pulmões porque a situação pedia. — Euqueriaconversarsobreissoagora.

Não sei se foi a forma como falei, o tom desesperado e emergencial, mas Ha Yun riu muito e fez toda aquela ansiedade doer um tantinho mais em mim. Cada vez que eu encarava os detalhes da situação me sentia pior, mais digno de pena. Eu não queria admitir que estava sentindo aquela coisa que começa com C e quem pairado ao meu lado nos últimos tempos, mas era exatamente isso.

— O que foi? — voltei a me pronunciar. — Tá ocupada? Não pode me ver agora?

— Eu tô sim, ocupada… — disse com muita, mas muita calma. Doeu em mim essa nossa disparidade de cenários. — Tô dando conta das encomendas da minha mãe enquanto ela dá aula de Yoga, sabe? Enquanto a gente tá conversando, tô modelando velas aromáticas e ainda tenho muito trabalho pela frente.

Ha Yun era sempre ocupada. Não sei nem porque perguntei. Tô mal acostumado, normalmente ela me responde rápido e sempre pode nos dias que eu a convido para fazer qualquer coisa.

— Posso te ajudar.

— Sério? Bem, depois eu vou receber visita e…

— De quem? Do Hendery?

— Não, de outra pessoa. Mas como ela trabalha até tarde, você pode ficar até a hora que quiser, eu acho. — A voz de Ha Yun era suave, venenosa. Não sei como não notei isso antes, mas ela reverbera por todo o corpo, abala os meus nervos devagar. Ou será que isso é por causa daquele dia com a venda? Não consigo parar de pensar sobre… — Só não quero ter que te mandar embora quando ela chegar, entende?

— Eu entendo e não me importo.

— Mesmo?

— Mesmo.

— Bem, então você pode vir e ficar algumas horinhas… 

— Ótimo, tô indo agora.

— Agora? Sem pressa, Xiaojun. — A frase soou mais como um aviso do que qualquer outra coisa. — Você se atrapalha fácil.

Ha Yun falou a verdade, eu me atrapalho mesmo. Sou ansioso, inseguro e um pouco paranóico. São tantos predicados que nem sei por onde começar a listar. Mas isso não importa agora.

Segui a orientação indireta de Ha Yun, não tive paciência para pensar num trajeto onde eu voltava para o transporte público mais uma vez naquele dia. Chamei um carro pelo aplicativo e fiquei ansioso durante todo o percurso. 

Como se algo estivesse tentando subir até a superfície e avisar sobre a tormenta, senti que era a última vez que estaria tranquilamente ao lado dela, jogando conversa fora.

 

♡ ♡ ♡

    

— Ah, você é o Xiaojun. Certo? — Um garoto de cabelos escuros e olhos que pareciam duas linhas fininhas apareceu no portão assim que desci do carro. — Vem, pode entrar. A Yun tá logo ali… — Ele indicou com a mão, enquanto me esperava abrir caminho.

Passei por uma pequena área do gramado que dava acesso a uma espécie de recepção casa onde as paredes eram de vidro. Era como Ha Yun dizia, a casa parecia uma clínica holística misturada a um imóvel residencial. Mas era interessante de qualquer forma, com incensos cheirosos colocados próximos à porta, diversos cristais coloridos aqui e ali, agregando à decoração. (Reconheci uma imagem da deusa Lakshmi no meio do caminho).

Através das paredes de vidro, conseguia ver Ha Yun sentada de frente para uma bancada de madeira rústica. Delicadamente, ela usava uma espátula para dar formato às velas. Era bonito de ver àquela distância. Quis continuar assim, de repente minha coragem sumiu e senti vontade de voltar pra casa e me desculpar pelo meu pequeno surto por mensagem.

Hmm… — O garoto murmurou às minhas costas, relembrando da sua presença. — É só… seguir, cara. Ela realmente tá te esperando.

Fiquei tão desconcertado que sequer consegui perguntar quem ele era. Perdi o timing e tive que deixar pra lá ou soaria como um esquisitão. Criei minhas teorias pelo meio do caminho. Ou ele trabalhava ali ou era o irmão que Ha Yun tanto mencionava. Porém, conforme fui me aproximando, um segundo garoto surgiu, e de braços dados com uma outra menina. Presumi que eram aquelas vozes que escutei ao fundo da ligação de antes. Ha Yun estava muito bem acompanhada pelo visto. Sorriu quando o casal se aproximou, alcançando a xícara que traziam em mãos. Os cabelos cor de rosa estavam presos no topo da cabeça, envoltos por um lenço colorido. 

Tinha alguma coisa diferente…

Não consegui concluir o que era, Ha Yun me enxergou nesse ponto e tive que ir até ela, antes que tudo ficasse ainda mais estranho. 

— Oi — disse receoso, olhando para os lados. Cumprimentei os outros com um simples aceno de cabeça. Era estranho ter plateia. 

— Bem, você já conheceu meu maninho, então? — Yun sorriu de novo, olhando para o garoto que abriu o portão para mim. — Né, Jeno?

Então era isso, minhas teorias não estavam tão erradas assim. 

— Então você tem alguém pra te ajudar essa noite? — perguntou a outra garota, que tratou de enganchar o braço livre no de Jeno. 

— Isso, ‘cês tão tudo liberado’ pra fazer o que quiserem hoje.

A garota deu uma boa olhada em mim, como se desconfiasse das minhas habilidades. Era realmente como se estivesse me desafiando a fazer aquele trabalho no lugar deles. 

— Ó, então tá! — Jeno falou, arrastando os outros dois consigo. — Qualquer coisa, avisa. A gente vai ver filme.

— E é só filme mesmo! — O segundo garoto comentou. — Se quiser chamar a gente, não precisa ter medo de ver uma cena vergonhosa como na outra vez...

— Meu Deus, Nana, para de fazer a gente passar vergonha.

Ha Yun acenava alegremente para eles, ainda sentada na banqueta alta de madeira. Ela parecia se divertir com a menção da cena vergonhosa, riu disso até que estivéssemos imersos em um silêncio estranho. A sensação constrangedora dominou a pequena estação de trabalho assim que ficamos só nos dois ali, eu me senti menor do que antes, o nervosismo levou mais uns pontos da minha coragem embora.

— É engraçado como você é tão… extrovertido normalmente, mas hoje tá agindo de um jeito que não bate com o que eu conheço. — Foi direta, mas suas palavras carregavam gentileza. — Se não tem alguma coisa estranha aí, então eu realmente tô fazendo uma leitura muito fraca da situação.

— Calma, vamos devagar.

Ela me olhou comovida, os lábios se curvaram num sorriso travesso bem devagar. Só isso me afetou em níveis estratosféricos, tive que prender o ar. E eu nem sei dizer o motivo.

— Tá bem, vamos começar pelas trivialidades. — Ela gesticulou no ar, balançando o corpo devagar. — Agora você conhece a minha casa e o meu irmão mais novo.

— Sim, mas… — disse enquanto me sentava na banqueta disponível ao lado dela. — Quem eram os outros?

— Ah, o Nana é namorado do Jeno.

— Entendi…

— E a Yeri é namorada do Nana e do Jeno.

Virei-me rapidamente na direção de Ha Yun, confuso com a dinâmica. Pisquei várias vezes, fiz careta.

— Como é?

— Eles são um trisal.

— Que…

— O que?

— Que estranho.

Ha Yun ergueu os ombros e as mãos. 

— Não acho, se funciona pra eles, é tudo que importa.

— Certo, certo. É só que eu não consigo me imaginar numa situação assim.

— Entendo, mas não tem nada a ver com você — explicou ela, girando a espátula no ar —, não é?

— É um bom ponto. — Afundei as costas no ar, encolhendo os ombros. — Você tá certa.

— Eu sou mais esperta do que você pensa. 

Pelo canto do olho vi Ha Yun sorrir de novo, mas de um jeito diferente dos que eu conhecia. Misturava sensações estranhas e meu coração apertou só de imaginar o motivo. Ela não me olhava, focada no seu trabalho mais recente, sorria conformada. Estava além do meu entendimento por agora. 

— E como posso te ajudar?

— Bem, primeiro você pega um daqueles aventais que estão pendurados perto da porta e depois a gente conversa melhor. — Yun não virou-se para me entregar qualquer um dos seus olhares meigos, foi esquisito. Mas ela era assim quando estava concentrada, então tentei só deixar pra lá e fazer como pediu.

Ficamos uma hora ou mais modelando a parafina das velas que já estavam prontas. Eu demorava muito mais do que ela para criar os efeitos de espiral que a mãe havia desenhado para o projeto, mas tive minha parcela de utilidade. Pelo menos não atrasei nada.

Então, depois das onze, Ha Yun finalmente cansou de ficar curvada sobre a bancada e arqueou as costas um pouquinho, alongando-se desajeitada. Sem mais distrações e obrigações como empecilho, ela resolveu ser taxativa:

— O que foi aquela ligação mais cedo?

A sinceridade fez com que eu voltasse ao marco de antes, onde eu queria desesperadamente voltar para casa.

— Eu...hm, bem. — Remei os ombros, cruzei os braços e deixei que pendessem ao lago do corpo na sequência. Não sabia como me portar. Ninguém te ensina sobre isso na escola ou na graduação. — Ciúmes, eu acho.

— Ciúmes? — ela repetiu risonha. — De quem?

— Do Hendery, que veio todo, todo… — Inflei o peito, erguendo o indicador para apontar na direção dela, mas me arrependi assim que comecei a levantar a mão. — Veio todo se achando pra cima de mim, falando que você tinha convidado ele pra festa da nossa turma.

— Mas eu convidei mesmo.

— Sim, convidou.

— E daí?

— Bom, e daí que eu não sabia. Fiz papel de idiota.

— Eu preciso te avisar quem convido pra festa da nossa turma? — perguntou com divertimento, as sobrancelhas de curvando de leve.

— Não deveria? — Ha Yun abriu os lábios incrédula. — Ok, você não tem a obrigação de me avisar... — murmurei constrangido —, é que eu não sabia nem da festa da turma. 

— Mas eles enviaram um e-mail mais cedo...

— Sim, disso eu sei! — Abri os braços exageradamente. — O Yang Yang me falou no meio dessa conversa aí que a gente teve, até então eu não tinha conhecimento de nada! — Fiz uma pausa porque Ha Yun começou a rir da minha cena. — Só que eu pensei que, sei lá, você não me falou primeiro. 

— Eu não sabia que você não tinha visto o e-mail e, assim, não tem nada demais eu não te falar primeiro. Não acha?

— Não acho.

— Claro que não acha, quando a gente tem ciúmes é assim mesmo. 

— Sim, eu já admiti que era ciúmes.

— O que é ótimo.

— É?

— Sim, é mais fácil de lidar porque você já admitiu.

Yun levantou da banqueta e caminhou até onde eu estava. Não quis recuar, mas a verdade é que continuava me sentindo esquisito sempre que ela ficava tão próxima assim, meu corpo reagia de formas estranhas, explodindo em vários pedacinhos desconhecidos.

Nós temos alturas próximas. Não preciso inclinar a cabeça para alcançar seu par de olhos tão escuros e gentis, o que pode ser um grande problema quando eles me causam arrepios que descem pela coluna e… Não quero nem terminar essa frase.

— Tá tudo bem, viu? ‘Cê continua sendo meu melhor amigo, não tô te substituindo por ninguém.

— É… — engasguei, meus lábios tremeram quando visualizei os dela, que eram cobertos por um gloss rosinha, assim como seus cabelos. Até meu nariz me traiu, inspirando mais do cheiro que Ha Yun exalava: esse era diferente, uma fragrância nova. — Yun?

— Hum?

— Você trocou de perfume?

— Ah, você notou?

— Uhum… — Pisquei, meus lábios voltaram a tremer, mas não ousei desviar o olhar. Era impossível desviar quando os olhos dela se curvavam felizes, porque ela sorria com eles também. — É uma das suas invenções?

— É sim. Gostou?

— Muito. Já tem um nome?

— Tem. — disse de um jeito que soou perigoso para mim — Amortentia. 

— Como a poção de Harry Potter, é? — Engoli em seco.

— Isso.

O sorriso de Yun aumentava e, à medida que isso acontecia, eu derretia como um desgraçado. Centímetro por centímetro, minhas convicções e meus motivos de terem ido até ali se desfaziam em camadas, até que eu não entendesse mais nada, nem mesmo as reações químicas que aconteciam no meu corpo por causa dela. 

Só sei que o meu ciúmes cheira à Amortentia.



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