História Ampulheta - Capítulo 15


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Categorias Inuyasha
Personagens Personagens Originais, Rin, Sesshoumaru
Tags Hinadono, Inuyasha, Jaken, Kagome, Lady Rin, Lorde Sesshomaru, Personagens Originais, Rin, Sesshoumaru, Sesshyrin, Shippou
Visualizações 43
Palavras 2.419
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Fluffy, Luta, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Voltei! Como de costume, para vcs conseguirem se situar na geografia de Ampulheta, trouxe um mapinha. Na história, Edras fica em Niigata (essa parte em vermelho).

Boa leitura :)

Capítulo 15 - Perseguindo Uma Lenda


Fanfic / Fanfiction Ampulheta - Capítulo 15 - Perseguindo Uma Lenda

O que estavam fazendo era loucura, Aya sabia muito bem disso. Acreditar que a criatura citada em uma lenda antiga realmente existia, era uma coisa, agora, depositar o futuro de todo um país nessa possibilidade era simplesmente loucura! Aya sabia de tudo isso e podia apostar que o Imperador também, e ainda assim, mesmo com todos os alertas dos políticos presentes naquela reunião, ali estava ele: andando há horas por uma floresta assustadora, buscando alguém que nunca sequer tinha ouvido falar a respeito cinco dias antes. 

 Suspirou. Não sabia até que ponto deveria ser grata pela fé que o Imperador depositou em sua pessoa. Se bem que não dava para ter certeza sobre o quanto daquilo era fé e o quanto era desespero. Olhou para as costas do rapaz que seguia alguns passos à sua frente, em meio ao mato e terra molhada, analisando-o profundamente.

 Jovem. Ele era jovem demais. Mas sem surpresas até aí já que Sua Majestade Imperial, Hitoshi  - outrora, Príncipe Akishino - tinha apenas dezenove anos de idade. Não que a pouca idade tenha sido levada em conta por aqueles que o colocaram no trono durante o ano anterior, quando ele tinha apenas dezoito anos. Para os políticos tradicionalistas do Japão, era preferível que um adolescente ascendesse ao Trono do Crisântemo do que ver uma mulher ocupar tal lugar. E daí que a mulher em questão era a filha única do falecido Imperador, o que fazia dela a herdeira legítima do trono?

 Sorriu amargamente, desviando os olhos dele. Seria mais fácil se ele fosse um ser tão desprezível quanto Haru Shinzou. Nesse caso, poderia odiá-lo livremente; poderia amaldiçoá-lo por roubar seu lugar de direito, ainda que ele não tivesse culpa alguma do fato dela ter nascido com um belo par de seios. Mas não, Aya não podia odiá-lo. Não quando Hitoshi, seu primo, era uma das pessoas mais gentis que já conheceu; não quando ele era sua única família.

 E pensar que a Dinastia Yamato resumia-se agora a somente duas pessoas... Seus antepassados deveriam estar se revirando em suas covas, tamanha vergonha a atual família imperial havia trazido para o sobrenome Yamato. 

 Suspirou novamente, só para perceber que até suspirar estava tornando-se cansativo.

 - Aya-nee-san, você está bem?

 A Princesa assustou-se ao ouvir a voz do primo chamá-la. Ele, assim como o resto da comitiva imperial - um nome pomposo demais para um grupo de apenas nove pessoas -, tinha parado de caminhar e agora a olhava à espera de uma resposta.

 - A-ah, não. Eu estou bem, Vossa Majestade, não precisa se preocupar. - Sorriu tranquilizadora. - Mais importante, o senhor está bem?

 - Estou sim. Na verdade, isso é um tanto divertido, não acham? - perguntou. Ainda que estivesse tentando ocultar sua animação, ela era palpável. Infelizmente, ninguém compartilhava de seu entusiasmo.

 - Divertido? - perguntou o secretário/segurança pessoal do Imperador, olhando-o desacreditado. 

 O senhor Satoru aparentava o cansaço extremo de quem viajava por dias, sem quase nenhuma parada para o descanso: olhos fundos, olheiras escuras e um tom ceroso na pele. A aparência do restante da comitiva não estava muito diferente, o que era compreensivo.

 Viajavam há três dias. Depois daquela reunião na qual expôs suas teorias - sem dizer que eram somente teorias, é claro - para o parlamento, houve uma rápida, porém furiosa, discussão a respeito do assunto.  Alguns riram dela, outros a chamaram de louca, e quase todos concordaram em fingir que tal disparate nunca havia sido pronunciado. Os poucos que não insinuaram que Aya deveria ser internada em um hospício, ajudavam a completar o grupo: seis políticos, todos membros da Câmara dos Conselheiros, e todos relativamente jovens - pelo menos jovens o suficiente para se deixarem levar por "fantasias de uma criança", como o próprio Primeiro-Ministro havia dito.

 Ah, a reação de Haru Shinzou conforme ia contando aquela história de terror foi impagável. O homem ficou vermelho como um tomate, parecendo que iria explodir. Todavia, conseguiu controlar sua raiva enquanto ela falava. Foi só quando Aya terminou de falar que ele esboçou reação: gargalhou divertidamente, fazendo pouco caso de sua ideia, humilhando-a sem precisar ofendê-la verbalmente. Após sua crise de riso, pediu a todos os presentes que ignorassem o que ele chamou de "uma atitude bem-intencionada, embora tola, advinda do desespero de ajudar seu amado país", tal atitude recebeu ovação do público. Como dito anteriormente, apenas alguns acreditaram em suas palavras, ou melhor, se mostraram dispostos a tentar ajudá-la mesmo não acreditando nela. 

É, o desespero faz coisas engraçadas com o ser humano...  A maior prova disso era que estavam ali agora, no extremo oeste do país, numa área que, tecnicamente, não deveria existir nada além de uma paisagem morta, pois há muito foi abandonada devido a radiação. Por alguma razão que nem mesmo os livros de história ou geografia explicavam, aquela parte do Japão foi completamente destruída durante o Período Sengoku, tornando-se inabitável. Por mais que tentasse descobrir o porquê, nunca conseguiu; tudo o que seus professores diziam é que aquela área estava contaminada e que vida alguma poderia florescer ali. Sim, claro. Aya gostaria de poder mostrar à senhorita Sumire aquela paisagem. As árvores frondosas com folhas nas mais diversas cores, o solo ainda molhado pela chuva dessa madrugada... Nada daquilo parecia "árido", "infértil" ou "contaminado". Na verdade, uma coisa que havia notado desde que o guia os deixara ali - o homem que os trouxera de carro até o local, recusou-se taxativamente a cruzar as enormes cercas de proteção com placas escritas "perigo" e "não se aproxime" por todos os lados - era que todo aquele lugar transbordava vida. E era mais do que vida silvestre - pássaros cantando, ruídos de animais e coisas assim. Não, era bem mais que isso. Assim que chegaram no local, foi como se uma aura especial os abraçasse, dando as boas-vindas aos novos visitantes, e essa aura só fazia aumentar conforme adentravam a floresta, aproximando-se de seu objetivo: o Castelo de Edras. Bem, pelo menos era o que Aya rezava para que eles encontrassem. E não só o castelo, mas o seu dono também. 

A Princesa foi tirada de seus pensamentos pela voz animada do primo que respondia à pergunta do secretário: 

 - ... parece com uma espécie de excursão escolar!

 - Excursão escolar?! - o homem soou ofendido. - Francamente, Vossa Majestade, o senhor tem pensamentos mirabolantes certas vezes! Mas esse deve ser um traço de família, imagino... - disse, olhando Aya com desgosto. 

Apesar de não ser um parlamentar - e por isso não ter estado na reunião -, Satoru estava a par de tudo o que foi dito nela e tinha sido um dos que não acreditaram em uma só palavra do que ela falou. Se estava ali naquele momento era unicamente por causa de Hitoshi, a quem servia desde os três anos de idade. 

 Aya sorriu internamente, grata. Quando o Imperador não intercedeu a seu favor durante a sessão, tinha ficado chateada. Mas compreendeu tudo quando ele a procurou, horas mais tarde, em sua residência. Ele tinha dito que de nada adiantaria argumentar com o Primeiro-Ministro, que era melhor agirem sozinhos, assim, caso a missão fosse um fracasso, não precisariam lidar com ele e, caso fosse um sucesso... Bem, digamos que Haru Shinzou já estava há tempo demais no poder. Assim, uma pequena equipe foi montada - Aya, Hitoshi, os seis parlamentares que se ofereceram, Satoru e um guia contratado - e, após um dia de espera até que o Primeiro-Ministro e sua corja esquecessem o assunto e voltassem para seus afazeres, eles rumaram para Edras. Devido a situação precária e perigosa que o país se encontrava, a viagem tinha sido mais longa do que o usual e com toda certeza mais cansativa também. 

 Entretanto, nem mesmo todo o cansaço que o homem estava sentindo justificava a forma que ele vinha tratando-a desde que deixaram Tóquio. Estava prestes a repreendê-lo por sua atitude quando aconteceu. 

 De repente, a aura agradável que os cercava mudou. Tornou-se pesada, densa... O sentimento de desconforto aumentou rapidamente, logo todos estavam no chão, sufocando, mãos fantasmagóricas impedindo que o ar entrasse por suas vias respiratórias. Somente alguns segundos foram necessários para que sua visão turvasse. Iria morrer, tinha certeza disso. Antes de perder completamente os sentidos, no entanto, Aya poderia jurar que viu algo... Algo muito semelhante às feições de um monstro. 

*** 

- Aya! Por que está chorando? - Mikasa assustou-se ao ver a filha voltar a chorar copiosamente. Pensou que tinha conseguido distraí-la do outro assunto.

 - É q-que.. É que é tão triste! - exclamou. - T-todos traíram o senhor youkai! Pobrezinho! 

 Ah, então era isso. De fato, aquela história era bem triste. Talvez não devesse ter contado algo tão perturbador para a filha, mesmo tendo omitido os detalhes mais assustadores.  

Sorrindo compreensiva para a menina, disse: 

 - Não se preocupe, Aya. É só um conto de terror, uma lenda. 

 - L-lenda? - Fungou em uma tentativa de parar o choro. - Quer dizer que os youkais não existem?

 - Mas é claro que não! - Riu levemente. - Se bem que muitos acreditam que eles tenham existido um dia... 

 - Êêê? Mas então no que a senhora acredita, okaa-sama?

 - Eu? Hum... Eu acredito que talvez eles tenham existido, mas que, assim como os dinossauros, algo aconteceu para levá-los à extinção. 

 - O senhor Genocida! - a criança gritou, animada. - Foi ele! A senhora mesma disse que ele ficou tão furioso por terem feito mal à humana amiga dele, que ele jurou vingança! 

 - Alto lá, mocinha! - Mikasa espalmou a mão em frente ao rosto da filha para interrompê-la por um momento. - Eu também disse que a história que acabo de te contar é uma lenda, não é mesmo?

 - Hai... 

 - Então não vá tirando conclusões precipitadas, certo? 

 - Hai.

 A menina sorriu envergonhada. Tal sorriso fez o peito da Princesa Herdeira encher-se de felicidade. Em busca de estravasar tal sentimento, deu um abraço apertado na filha. Estava extremamente aliviada por sua filha ter voltado ao normal. Agora, tudo o que precisava fazer era garantir que continuasse assim. 

 - Okaa-sama! Está me sufocando! - disse a pequena, entre risos.

 - Desculpe! Desculpe! - Afastou-se, mas só o suficiente para olhar o rosto da filha. - É só que estou tão feliz por termos conversado... Você promete que sempre que tiver um problema irá me contar imediatamente?

 Foi preciso alguns segundos para que Aya se livrasse da indecisão, mas quando o fez, respondeu: 

 - Hai!

 - Ah, que alívio! 

A mulher voltou a abraçar a filha. 

 - Okaa-sama! 

 E o riso voltou a ecoar pelo enorme cômodo do Palácio Touguu.

 - Okaa-sama! Okaa-sama! Eu preciso te perguntar algo! 

 - Hai, hai! Pode perguntar! 

 - Todos os youkais se parecem com cachorros? 

 - Não exatamente - fez um expressão de dúvida. - Embora essa lenda fale sobre seres que podiam transformar-se em cachorros, é dito popularmente que youkais são o que eles querem ser, ou seja, podem assumir qualquer forma. 

 - Então eles podiam virar humanos também? - espantou-se. 

 - Acredito que eles podiam se disfarçar de humanos se quisessem, sim. Principalmente porque a maioria dos youkais não era bem-vinda entre os humanos. Não com suas verdadeiras aparências.

 - Qual a verdadeira aparência deles? - sussurrou. Os arrepios de medo estavam de volta. 

 - Bem, certa vez me disseram que os youkais são divididos em dois grupos: aqueles que conseguem ocultar o que são e os que não conseguem.

 - E o que eles são? Diga! Diga!

 - Ah, Aya. - Suspirou por ter que arruinar a animação da filha. - Todos os youkais, bonitos ou feios, não passam de criaturas cruéis, sem coração. Youkais são monstros, Aya. Apenas isso. 

Youkais são monstros, Aya. 

Apenas isso. 

 Youkais são monstros.

 Monstros, Aya. 

Apenas isso. 

 Monstros. 

 Aya. 

 Os youkais, Aya. 

Aya. 

São monstros.

 Aya. 

 Aya. 

 Aya. 

 - Aya-nee-san! 

 Novamente Aya foi arrancada de seus pensamentos - sonhos, no caso - pela voz do primo. Ou melhor, pelo grito dele. Estava ofegante e suava. 

 - Tudo bem? - ele perguntou. - Você parecia assustada... Foi um pesadelo? 

 - Onde estamos? - respondeu a pergunta com outra pergunta. 

 - Presos, aparentemente.

 Olhando ao redor, constatou que estavam em uma sala mediana, sem móveis ou janelas, fracamente iluminada por uma lamparina e com somente uma porta servindo como entrada e saída. Presumindo que seus companheiros de celas já tinham checado-a, não fez perguntas a respeito, ao invés disso, questionou: 

- O que aconteceu? 

 Uma risada irônica ressoou pelo ambiente, ela vinha de Satoru Toshinori.  

- O que aconteceu? O que aconteceu foi que sua imprudência colocou todos nós em apuros! - exaltou-se. - Sua loucura pode custar as nossas vidas! A vida do Imperador! Está satisfeita? Está?!

 - Acalme-se, Satoru-san - a voz suave de Hitoshi contrapôs-se com a irritada do outro homem. 

- Como posso me acalmar, Vossa Majestade?! Não vê no que ela nos meteu?! Fomos sequestrados! E se esses lunáticos forem aliados dos russos? Ou pior, dos chineses?! Eles não hesitarão em nos matar! Em matar o senhor! 

 - O senhor não foi arrastado até aqui, Satoru-san - disse Aya, cansada de ouvir as reclamações do homem. Sua cabeça latejava e a voz dele piorava tudo. - Por favor, seja decente e não aja como se eu tivesse o obrigado a vir até aqui. Não obriguei o senhor, não obriguei nenhum dos senhores. - Olhou seriamente para as quatro mulheres e dois homens espalhados pelo local, desafiando-os a contradizê-la. Como o esperado, apenas Satoru continuou reclamando: 

 - Fiz isso pela Sua Majestade, o Imperador. Se não fosse por ele eu nunca teria aceitado compactuar com tal ideia estapafúrdia! 

 - Já chega! - Hitoshi perdeu a paciência. Entretanto, não foi o grito dele que silenciou os presentes e sim uma voz debochada que vinha da direção da porta: 

- Humanos... Como eu sempre digo: o único motivo para vocês ainda existirem é o fato de que se multiplicam como coelhos. 

O momento em que Aya distinguiu o que exatamente estava parado em frente a porta, agora aberta, também foi o momento em que os gritos de alguns dos seus companheiros tiveram início. Foi entre o segundo desse momento e aquele em que uma das mulheres desmaiou, que ela se lembrou das palavras ditas anos antes por sua mãe: youkais são monstros, Aya. Apenas isso. 

 Parado a poucos metros de si havia um monstro saído direto de uma lenda antiga. Parado perto de si havia um... 

- Youkai...  


Notas Finais


\o/ quem vcs acham que é? Me contem o que estão achando da fic!


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