História Amputado - Capítulo 3


Escrita por: ~

Visualizações 792
Palavras 3.135
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hello, hello!
Tinha previsto a atualização de Amputado para ontem, mas tudo acabou dando errado e só consegui fazê-la agora. Peço mil desculpas pela demora, no entanto, com o horário apertado da faculdade e o trabalho, as postagens demorarão mesmo. Porém, já comecei a escrever o próximo capítulo, a meta é ser breve.
► Este capítulo é dedicado à Sam (@bailarina-), quem me inspirou na cena do perdão;
► Ficou um pouco maior do que o esperado, desculpem-me;
► Revisei brevemente antes de postar, mas algum erro pode ter passado despercebido. Desde já, peço desculpas.
Vejo vocês nas notas finais (leiam-nas, é importante!). Espero que gostem ♥

Capítulo 3 - Pedaço


Fanfic / Fanfiction Amputado - Capítulo 3 - Pedaço

"O perdão é um catalisador que cria a ambiência necessária para uma nova partida, para um reinício."

— Martin Luther King.

 

Meu corpo fica de pé, em nítido choque ao constatar o que ouvi. O que se passa na cabeça de um criminoso ao retornar à cena do crime? Aliás, ainda pior, deparar-se com quem assassinou internamente? Stewart nunca foi de ter a mente mais sã de todas, porém, para vir até aqui, toda a fração mínima de sanidade que havia dentro de si se extinguiu.

Se ele pensou que aparecer em frente à minha porta com um sorriso no rosto resolveria o caos que implantou, enganou-se amargamente. O pedido de desculpas não me colará o antebraço no lugar, nem acenderá uma luz em meio à escuridão dentro de mim. Não tenho o menor interesse em ouvir suas asneiras. Bridget já me encheu de desgosto o suficiente.

Viro-me para a porta da cozinha e, parado no meio da sala, consigo enxergar o garoto com ambas as mãos no bolso da frente de suas calças jeans. Uma delas abandona a vala e acena para mim. Forço um sorriso contido, aquele sem mostrar os dentes. Volto o olhar para a minha mãe, quem me devolve um balançar de cabeça.

— Não estou pronto para isso. — sussurro a ela.

Posso notar uma risada sem som, antes que sibile:

— Vá. Será bom para você. — a progenitora inclina o rosto para vê-lo e cumprimenta-o com a mão. — Stew, querido, como vai? Shawn está terminando de comer um bolo e irá aí. — os olhos castanhos retornam aos meus. — Tente, meu filho. Precisa sair, reencontrar os amigos...

— Ele não... — mordo o meu lábio inferior, contendo o excesso de informação que quase me escapa. — Okay, mãe.

Caminho tensa e lentamente em direção à sala de estar. O sorriso radiante em seu rosto me incomoda. É como se tudo o que eu passei não significasse nada ou houvesse acontecido. Eu bato com a cabeça no chão e ele quem perde a memória. Estranho. Stewart estende o braço para me cumprimentar, justamente no lado em que me falta. Sem jeito, corrige-se, dando-me a mão esquerda. O aperto é breve, assim como o semblante receptivo em meu rosto.

Nossos olhos ficam alinhados. O silêncio nos rodeia. Para piorar, posso sentir o fervor do olhar atento de meu pai, contente ao me ver perante o amigo mais uma vez. James sempre adorou a minha amizade com Stew, porque trabalhava com Bob, seu pai, e, após o falecimento do colega, acabou por considerá-lo um filho. O pigarro de quem me derrubou rompe a quietude ensurdecedora.

— Abriu uma cafeteria no final da rua, quer conhecê-la? — não demonstro interesse, tampouco permanecer sob a vigília de meu pai não está em meus planos. — Sei que você é grande fã da Starbucks, mas a torta de maçã aparenta ser uma delícia. Tem aquele bolo vermelho que você gosta também. — seu tom manhoso quase me convence. — Vamos, Shawn... você adora bolo.

Dando-me por vencido, concordo com a cabeça. Em maneio, faço menção para a porta, pedindo que saia primeiro. Sem tardar, o amigo vai. Sigo-o de imediato. Juntos, descemos os degraus e, mais ou menos no final de meu jardim, permitimos que o silêncio nos envolvesse outra vez.

Não a fim de olhar em seus olhos, ocupo-me em vigiar o chão. O gramado vívido muda para asfalto negro e fresco, as beiradas de grama sobre a calçada também estão em meu campo de visão. Ergo o meu rosto, enxergando mais à frente. A rua está vazia, não há pessoas nem carros em nosso caminho. A ausência de movimento é estranha a este horário. Recordo-me de um vai e vem constante.

— Stew, essa cafeteria existe mesmo?

— Shawn, desculpe-me. — dispara, ao mesmo tempo em que eu o indago.

— O quê? Pode falar primeiro. — meu tom é calmo. — Insisto.

Ele suspira fortemente, dá um passo largo e fica diante de mim. Seus lábios se entreabrem e fecham, como se buscassem as palavras certas.

— Olhe, eu sei que errei muito com você, mas, com toda a minha sinceridade, não quero que carregue magoa de mim. — sem muito jeito, começa. — Eu não estava bem àquela noite. Ainda não estou.

— Que bom! Pelo menos, não estou na merda sozinho. — soo irônico.

Suas mãos rumam a nuca, onde coçam ligeiramente, voltando a posição inicial. Stewart bufa. Aparenta guardar algum segredo. Com omissões ou mentiras, será difícil desculpá-lo.

— Estou fodido, irmão. Devo muita grana aos gângsters da cidade. — paro imediatamente, com os olhos arregalados. — Eu estava precisando de um dinheiro a mais, já que sempre perdia nas siamesas... então, acabei aceitando vender cocaína na festa da Charlotte. O negócio funcionou e acabei topando mais uma vez.

— Você virou traficante? Está maluco, cara? — as palavras saem numa espécie de grito, no entanto, contenho-me, continuando em sussurro. — Pode acabar preso... ou pior, morto.

— As corridas também são ilegais. Você não pode me julgar.

Solto uma risada rouca.

— Eu sei que são, mas elas não acabam com as nossas vidas aos poucos como as drogas fazem... — ele interrompe.

— Acabou. — ergo uma das sobrancelhas castanhas. — Aquele acidente acabou com a sua.

— Não, você quem fez isso. Você, Stewart, quem se dizia ser meu melhor amigo, marcou minha vida para sempre. — minha voz embarga, mas me mantenho firme. — Serei eu quem carregará a consequência das merdas que você fez.

— Não fiz de propósito. — defende-se. — Acha que não dói em mim? Olho para você e vejo o mal que lhe causei. Dói para caralho.

Mais uma vez, meus olhos insistem em se preencher de lágrimas. Mordo meu lábio inferior, na tentativa de conter as inúmeras palavras chulas que invadem a minha mente. Nego com a cabeça.

— O problema é que não consegui vender tudo que peguei, precisava pagar por cada grama que eu tinha. — a feição de desgosto não me abandona. — Se eu lhe contasse, você jamais me apoiaria. Sei que odeia álcool e drogas, além do mais, você estava juntando dinheiro para viajar com a Bridget, não me daria tudo que acumulou. — de fato, eu não o cederia. É uma ideia doentia. — Os caras me deram uma dura. Eu estava possuído em ódio, só pensava em vencer para me livrar deles. Você precisa me entender. Desculpe-me, Shawn. Por favor.

Desvio o olhar para o jardim de uma casa qualquer. Avisto uma lasca pequena de um galho em meio ao gramado. Caminho até ele e fisgo-o, virando-me novamente para o ex-amigo. Como se uma fita cassete rebobinasse em minha cabeça, tudo o que ele acabou de falar volta à mente. Repenso em seus atos. O momento em que ele chutou seguidamente a moto na qual eu estava também passa como um filme diante de meus olhos, assim como as gargalhadas e provocações contínuas.

Eu sei o que fazer. Um sorriso ameno surge em meus lábios. Aproximo-me, um tanto receoso.

— Finja que este é o meu perdão. — repouso o graveto em meus dedos e, com o polegar, parto a ponta do galho. — Tome-o. — estendo a mão com o ramo e entrego-lhe.

— Shawn, isto é patético. Aqui não tem nem a metade do graveto. — com um sorriso debochado no rosto, ele reprova o tamanho lhe dado.

— Sim, é só um pedaço do meu perdão. — ele ergue uma das sobrancelhas. — É muito mais do que você merece.

Em um ruído baixíssimo, quase mínimo, posso escutar engolir em seco. Ele confirma com a cabeça e fecha os olhos, dando-se por vencido. Para evitar o clima tenso devido ao silêncio, Stew retorna ao assunto da cafeteria. Responde a pergunta que fiz quando começara a se desculpar. Afirma que a loja existe de fato. Cita algumas atendentes bonitas do estabelecimento e insiste em enaltecer uma loira com seios avantajados.

Sendo bem sincero, não sou fã de fios claros, nem curto padrões. Em toda revista há uma moça magra, peituda, cabelos dourados e olhos azuis. Tornaram-nas comuns, previsíveis.

Poucos passos nos levam à porta da loja recém-inaugurada de café, American Coffee Shop. As portas e paredes são feitas com madeiras pintadas de verde e, acima, vidros com escrituras. As palavras desenhadas dizem "café brasileiro", "cappuccino" e "a tradicional torta de maçã holandesa". Enquanto eu observo os detalhes caprichosos da cafeteria, percebo uma atendente alourada puxar a porta para mim. Ao julgar pelo volume avantajado em sua blusa, esta é a moça a quem Stewart se referia. Sem tardar, um rapaz com camisa branca puxa uma cadeira para me sentar.

De súbito, estranho o excesso de gentileza dos funcionários, mas, assim que me abanco e vejo a garçonete à disposição, recordo-me de que, agora, aos olhos dos outros, preciso de atenção especial. Certa quantidade de fúria se mistura ao meu sangue e percorre as minhas veias. Preencho os meus pulmões de ar e esvazio-os em um suspiro.

— Obrigado. — digo a fim de dispensá-los. — Não se preocupem comigo. Quando eu escolher, pedirei no balcão, como os demais clientes. Mais uma vez, obrigado pela gentileza.

Com um sorriso amplo, ela assente e, em seguida, afasta-se.

— Reparou no tamanho das tetas? — comenta, ao se sentar em frente a mim.

— Fale direito, ela não é uma vaca. — reprovo completamente a atitude patética. — Mas, sim, notei. Realmente, os peitos dela são enormes. Acredito que dará algum problema em sua coluna com o tempo.

— Como é capaz de pensar nisso? Eu só consigo me imaginar afundando o rosto ali. — o movimento de negação que a minha cabeça faz é involuntário. Definitivamente, Stew e eu somos diferentes.

— Poupe-me dos detalhes e do excesso de intimidade. — disparo, sem conter as palavras, porém, de qualquer modo, não me arrependo de nenhuma sílaba cuspida. — Lembre-se de que ainda não lhe perdoei por completo. — alfineto.

Ele ri de forma sarcástica, mas acredito que tenha absorvido o pouco de verdade existente em minha fala.

Suas mãos se unem sobre a mesa de madeira, bem como os olhos se erguem na direção do painel preso à parede com as opções de bebida e comida da casa. Em forma de reflexo, faço o mesmo.

Atrás do balcão, consigo avistar outra atendente. Seus fios longos e ruivos têm ondas das pontas, a pele é tão clara que a única cor visível é o polvilhado doce de sardas delicadas. Por conta da distância razoável entre nós, não consigo observar com clareza a cor de seus olhos ou o restante de seu corpo, contudo, o que tira completamente a minha atenção é o tamanho exagerado de seus lábios.

— Chá de hortelã fresca e torta de maçã, e você? — a voz de Stew me traz de volta à realidade.

— O quê? — indago, confuso por completo.

— O que eu quero. — esclarece. — Está viajando... tudo bem com você? — afirmo com a cabeça. — Posso fazer meu pedido?

Outra vez, assinto. Ele se levanta e ruma à fila indiana que beira às mesas. Encaro de novo o cardápio escrito a giz e fico em dúvida entre duas possibilidades de bolo. Para beber, apetece-me um frappuccino de caramelo. Ergo-me para entrar na fila. Assim que piso os pés atrás da última pessoa, uma mão repousa em meu ombro e seu dono me alerta:

— Você não precisa esperar na fila, pode se dirigir direto ao caixa.

A voz é do mesmo rapaz com camisa branca, é provável que ele seja o gerente da loja. Nego com a cabeça, como quem diga "não há necessidade", mas suas mãos insistem na menção ao balcão. Sem como rejeitar sua atitude de bom grado, sigo ao local onde uma moça morena pressiona um monitor. Seu cabelo é curtinho, tem estilo, e seus olhos são castanhos escuros. Ao julgar pela beleza extrema de cada funcionária, concluo que só contratam mulheres bonitas aqui.

— Boa noite. Um frappuccino de caramelo, por favor. — ela confirma com a cabeça e aperta na tela com agilidade. — E, para comer, gostaria de... desculpe-me perguntar, mas o que acha mais gostoso: o red velvet ou muffin de cranberry?

— O muffin é o meu preferido, sem sombra de dúvidas. Tem pedaços de chocolate branco na massa... é incrível! — rebate com total simpatia.

— Então, o muffin, por favor. — suas sobrancelhas se erguem à espera de mais informações. — Só isso mesmo. Obrigado!

Chego brevemente para o lado ao aguardar o que pedi. Antes que a morena do caixa atendesse a próxima pessoa da fila, ela se inclina um pouco e chama a minha atenção com seu sorriso estonteante.

— Pode se sentar, senhor. A Heather levará o seu pedido à mesa.

Sei que todo este cuidado é em respeito ao meu estado, todavia, se vim até aqui é porque acredito que consiga me virar. Com este pensamento em mente que rebato não escolhendo as palavras.

— Não tenho um braço, não estou morto. Posso carregar a bandeja numa só mão. — no instante em que percebo minha arrogância, conserto-me. — Obrigado! — ou quase.

Fecho os meus olhos, envergonhado pelo que acabo de fazer. Mentalmente, conto os segundos para que meu pedido chegue e eu o carregue para a mesa, e, assim, pare de ficar no campo de visão da funcionária.

O muffin vem primeiro, em um prato branco e com um garfo descartável, a bebida demora um pouco mais do que eu gostaria, entretanto nada exagerado. Calma e cuidadosamente, puxo a borda da bandeja. Conforme o lanche escorrega sobre a bancada preta, tento posicionar a minha mão esquerda sob a superfície estreita. A tentativa de equilibrar a refeição com a palma da mão me apresenta simplória. Viro-me devagar para as mesas e reparo em todos os pares de olhos presentes grudados em mim.

Nunca gostei de ser o centro das atenções.

Na escola, eu fazia parte dos alunos normais, aqueles que passam despercebidos. Não era amigo dos populares, nem dos mais excluídos. Apesar de Bridget ter sido animadora de torcida, os holofotes não nos seguiram. Em toda a minha vida, fui só mais um.

Agora, estou sob a vigília de inúmeras pessoas das quais não me lembrarei segundos depois. Nada obstante, elas sempre se recordarão do rapaz com um braço só carregando a bandeja na mão que lhe resta. Estou em foco.

Um nó se forma em minha garganta e engulo-o em seco. Observo a mesa em que eu e Stewart estávamos sentados. Traço uma reta imaginária até lá. Respiro fundo, fechando os olhos rapidamente. No instante em que os abro, caminho às pressas. Meus pés são ágeis sobre o chão de cerâmica claro. A distância se encurta a cada passo. Sem acreditar no que acabo de fazer, ao apoiar a bandeja sobre a madeira, abro um sorriso largo nos lábios.

Terceira conquista.

A fim de disfarçarem, os olhares outrora em mim se dispersam. Embora sejam falsos, agradeço por me deixarem em paz. Enfrentar o que estou é um tanto complicado. Acordar e receber a notícia de que tudo será diferente não é fácil. Sei que me faltar uma parte assusta qualquer pessoa, sinceramente, até eu mesmo me assusto. Contudo, não quero ser olhado com diferença, a única vontade que tenho é de ser tratado como alguém normal.

Sento-me e aconchego-me na cadeira. Parece que todos os músculos de meu corpo se relaxam. Fico mole por completo. Como se meu corpo zombasse de mim, assim que o conforto me atinge, certa coceira na minha mão direita se faz presente. Transformando-se em formigamento, o incomodo sobe para o antebraço. Em consequência, é notória uma dormência. É como se corroessem o lugar onde não me pertence mais. A pior parte é que nada pode fazê-la parar.

— Maldita dor fantasma. — esbravejo, quando esmurro a ponta da bandeja, a qual se empina.

A pequena altura que toma é suficiente para fazer o prato saltar com o bolo e espatifarem-se no chão, junto a bebida gelada que cai sobre a minha roupa.

Num ato de ápice de tensão, esta que julguei não ter mais após me sentar, liberto um grito encharcado de ódio e incontáveis palavrões. Sem mais conseguir segurar as lágrimas que acumulei por todo o dia, transbordo. Exatamente como uma bomba relógio prestes a explodir. A erupção de emoções acontece em cada parte de mim.

Percebo a atendente de cabelos acobreados se agachar próximo à mesa e recolher os fragmentos do prato caído. Se eu não estivesse em um momento de tamanha raiva, diria que as lascas sobre o chão são de minha alma dilacerada. No entanto, só consigo pensar em quão inútil eu me tornei e na vergonha que estou passando diante destes desconhecidos.

— Relaxe, cara. — a voz de Stew ecoa em minha mente, como uma espécie assombração.

— Saia daqui! Vá embora, Stewart. Isto tudo é culpa sua. — resmungo em forma de grito. — Não era para eu ter vindo, ou lhe escutado. Vá embora! Saia! Sou inútil por culpa sua. — ele não hesita em se afastar. — Sua. Tudo culpa sua. — insisto em murmurar.

— Acalme-se, okay? Catarei tudo, não há problema algum. — ainda ajoelhada, a moça me consola do chão. — Pegarei outro lanche para o senhor. Por favor, só fique tranquilo. Essas coisas acontecem, ninguém tem culpa.

— É culpa dele. — aponto para a porta onde o ex-amigo passa ao se retirar.

A ruiva se levanta, enquanto eu seco as minhas lágrimas e tento me recompor, mesmo que aparente ser mais um ato sem sucesso.

— Não pense que derrubou a bandeja por ser especial. — outro consolo lhe escapa. — É normal, acontece com qualquer um. Eu mesma sempre deixo alguma coisa cair. — seu tom é dinâmico, talvez para tentar me animar.

Não demonstro sentir o efeito de sua simpatia. Por mais educada que esta atendente seja e melhor seja a sua intenção, estou inconsolável. Nada que ela diga me fará mudar de humor.

— Imagino que seja difícil, mas precisa se acalmar. Afinal, foi só um prato...

— Não perca o seu tempo conversando comigo. Não tenho jeito. — interrompo-a, e ela arqueia as sobrancelhas alaranjadas. — Escute, ... — verifico seu nome no crachá — Heather, você tem o corpo inteiro. Com todo o respeito, não tente entender como é ser deficiente. Nunca entenderá como é ser algo sem conserto.

— O quê? — seus lábios grossos se entreabrem, numa explícita surpresa. — Desculpe-me pela sinceridade, mas o senhor é muito mal-agradecido. Não merece o milagre de ter sobrevivido.

Sua petulância me choca, ao ponto de arregalar meus olhos.

— Ah! Realmente, tamanha amargura não tem conserto. — usa minhas próprias palavras contra mim, antes de se retirar.

Suas palavras estapeiam meu rosto. Sem ter como respondê-las, apenas crispo os olhos. Franzo o cenho. A garçonete acabou de dizer que era melhor que eu tivesse morrido. Não acredito no que acabei de ouvir.

Entorpecido em desgosto, ergo-me da mesa e prometo internamente nunca mais retornar à esta cafeteria. Jamais voltarei a olhar nos olhos desta mulher. Pretendo esquecer como se chama este estabelecimento e apagar tudo o que vivi aqui da memória.

No entanto, por mais que eu me esforce, não deixarei de lembrar todos os dias das palavras ríspidas da garçonete e de seu nome angelical que não combina com a personalidade rude: Heather.


Notas Finais


Obrigada por terem lido aqui!
Saibam que isso significa muito para mim ♥

Papo sério agora! Preciso agradecer infinitamente a cada comentário e favorito que venho recebendo. Amputado tem sido a minha história que mais tem me feito feliz, tanto pelo enredo quanto com a aceitação dos leitores. É muito gratificante saber que o que eu estou escrevendo toca é capaz de tocá-los. Mais uma vez (e quantas vezes forem preciso), muito obrigada por estarem aqui ♥

► Teaser da Fanfic • https://www.youtube.com/watch?v=tscRM4-FKDo
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Com amor,
Lali


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