História Amputado - Capítulo 5


Escrita por: ~

Visualizações 581
Palavras 3.099
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, pessoas incríveis da internet!
Preciso agradecer mil vezes por todo carinho que Amputado tem recebido.
Estou muito, muito feliz com a aceitação da história! Vamos ler mais um capítulozinho escrito com muito amor?
► Como de praxe, o capítulo não está revisado, perdoem-me os erros;
► O Link para o Teaser da fanfic está nas notas finais;
► A personagem Ella é protagonista da história "Suíte", escrita pela @SrtaHerrera — link nas notas finais.
Espero que vocês gostem do capítulo!
Acredito que este seja o meu preferido até então ♥

Capítulo 5 - Recomeço


Fanfic / Fanfiction Amputado - Capítulo 5 - Recomeço

"O esperado nos mantém fortes, firmes e em pé. O inesperado nos torna frágeis e propõe recomeços."

Machado de Assis.

Em frente ao espelho, observo cada detalhe do meu corpo refletido. Alguma coisa em mim fez a Bridget perder o interesse. Os músculos de meu braço ainda estão robustos, embora eu tenha perdido muito peso. Há um pedaço que falta, mas consigo enxergar mais em mim do que isso agora. Talvez a falha não esteja em mim, afinal, abdômen permanece definido. Ainda sou bonito e educado. De fato, o erro não sou eu.

Amanhã farei minha primeira aula de natação. Se eu não me adaptar, escolherei outro esporte. Quero experimentar a melhor parte de mim, uma que nem eu mesmo a conheço, a positivista. Mereço ser versátil. Sem motos, namorada, amigo, ..., porém feliz. Suspiro pesadamente. Rodo os braços como quem nade. Acho que posso fazer isso. Insisto nos movimentos e divirto-me com o sucesso. Pelo menos, fora d'água, eu consigo.

O soar do que de meu celular sobre a mesa do computador me interrompe. Abaixo os braços, rumando ao aparelho. Na tela, consigo ler o nome de Heather e sorrio. Deslizo o polegar sobre a superfície sensível, no momento em que levo o telefone ao ouvido.

— Alô? — indago, confuso. Ela nunca me ligou.

— Oi, Shawn. — seu timbre é baixo, há um toque de compaixão. — Como está?

— Sem antebraço. — ironizo, pela primeira vez, sem dor.

— Você é bobo. — ri de forma contida. — Estou falando sobre o lance que aconteceu no sábado. Está melhor?

A sensação pesada retorna aos meus ombros e sinto como se não fosse aguentá-la por muito tempo.

— Dói bastante, mas só quando lembro... — suspiro, na tentativa de despejar o peso sobre mim. — prefiro não tentar.

— Nem vale a pena sofrer por causa deles, você é mais que isso. — minha resposta é um sorriso.

— Eu gostava tanto dela... pensei que fosse recíproco. — desabafo.

Seu silêncio me comprova que Heather não tem o que dizer. Nenhuma palavra me consolará agora. Fui apunhalado pelas costas, não dá remendo à esta ferida que não seja o tempo. De súbito, a lembrança dos lábios da ruiva contra os meus me invade.

— Desculpe-me pelo que fiz. — rompo o silêncio.

— O quê?

Minhas bochechas fervem. Tomo coragem para dizer o que está na cabeça.

— O beijo. — meus lábios se esticam num sorriso tímido. — Fiquei parado igual a um robô, peço desculpas. O pior foi tentar lhe beijar depois. Que vergonha!

— Shawn, aquilo não foi um beijo. Pode se esquecer daquele momento. Não se preocupe, entendi sua confusão. — gargalha d'outro lado da linha. Finjo rir também.

— De qualquer forma, desculpe-me, ok? — ela afirma com a garganta. — Foi uma espécie de choque. Nenhuma mulher tinha me beijado antes... achei legal. Heather, preciso dormir. Boa noite!

— Já? Ok... boa noite, Shawn! Tentarei lhe encontrar amanhã, depois da natação.

Encerro a ligação, atirando o celular na cama e a me deitar, logo em seguida. Não tardo a me entregar aos inúmeros pensamentos sobre o dia. A traição coletiva me dilacerou, contudo, sob a presença de Heather, sinto que sou capaz de me remendar. O fim de um ciclo é o começo de outro, preciso entender isso. Tudo ficará bem.

Difícil é compreender a mente feminina. A dona dos cachos sempre esteve comigo, foi uma namorada, ao menos, aparentemente, perfeita, eu dei tudo de mim a ela, e Bridget, no segundo seguinte, jogou nossa história toda no lixo. Ficar com o meu melhor amigo? Isso é tão doentio e desrespeitoso. Jamais esperaria uma atitude como essa.

Stewart também me decepcionou. Contudo, ficar frustrado pelas atitudes dele já estava se tornando normal. As pessoas são diferentes um das outras. Eles são diferentes de mim. Heather está certa, estou melhor sem os dois por perto. "Antes só do que mal acompanhado", já diziam os sábios. Mas, não estou sozinho, tenho a ruiva. Ela se importa comigo.

Sem nem me dar conta de que a noite havia passado, o despertador me chama atenção. Pelo susto ao crispar o olhar, percebo ter dormido um pouco mais do que o planejado, afinal, nem me recordava de ter compromisso pela manhã.

O alarme na tela me informa que é hora de ir à natação.

Está de tarde. Levanto-me num pulo. Abro o armário e encaro a sunga azul por alguns instantes. Sem mais tardar, visto-a. Nunca em toda a minha vida pensei que usaria sunga sem uma bermuda cobrindo. Não é nada confortável ter meu volume marcado no tecido úmido.

Tendo isto em mente, coloco a bermuda. Caso me peçam, tiro-a. Sobre a cadeira de rodinhas do computador, minha blusa branca está esticada, pego-a. Apronto-me e encaro-me mais uma vez no espelho. Ainda falta do antebraço para baixo, porém consigo enxergar beleza em mim.

Desço as escadas, deparando-me com os pais abraçados, com os olhares presos um no do outro. Esse laço transborda romance.  Espero um dia viver um amor tão puro como o deles.

— Família, voltarei mais tarde. — digo, sem me aproximar para não interrompê-los de vez.

— Vai a cafeteria, Shawn? — o pai inclina o rosto para me ver. — Qualquer coisa, não hesite em ligar.

— Vou a uma aula experimental de natação. Preciso me motivar e acho que um esporte fará bem.

A certeza em minhas palavras é convincente. Talvez eu tenha dito isso mais para mim do que para eles.

— Que orgulho do meu bebê! — ela comemora, mas a feição preocupada do meu pai rouba o sorriso de seu rosto. — Quanto é isso, meu filho? Precisamos ver nosso orçamento...

— Não se preocupem com isso. Tenho o dinheiro do Xbox que vendi há uns meses, posso me virar. — tranquilizo-os.

— Boa sorte, Shawn! Nós lhe amamos. — dispara o pai.

— Também amo vocês. — abro a porta. — Podem se beijar novamente. Finjam que eu atrapalhei nada.

Ouço as gargalhadas confidentes, enquanto desço os pequenos degraus. Controlando a hora pelo celular, aperto os passos para chegar a tempo. Preciso chegar em quinze minutos. Passo em frente à cafeteria e observo quem há ali. Não consigo enxergar Heather ali, provavelmente, devido à minha pressa. Continuo a seguir com certa rapidez.

Assim que viro a esquina, avisto a academia onde será a aula. Adentro, um tanto inseguro, analisando cada pessoa ali presente. Cumprimento a moça da recepção e alguns professores que converso com ela na entrada. Rumo ao final do corredor e deparo-me com a enorme piscina.

Dentro d'água, há algumas crianças. O professor com quem falei na semana passada, Ralf, acena para mim, sorridente, e aproxima-se. Tenho grande simpatia por ele.

— Você veio, Sean! — ele se demonstra tão feliz que não me preocupo em corrigi-lo. — Sua namorada não lhe assistirá na primeira aula?

Uma de minhas sobrancelhas se ergue com a pergunta.

— Namorada? — a imagem de Bridget se forma em minha mente, bem como o estômago se revira. — Qual namorada?

— A ruivinha que estava com você no Sábado.

Minhas bochechas fervem ao imaginar Heather como uma namorada. A vaga possibilidade me causa estranheza, não que isso seja algo ruim, entretanto, sim, praticamente impossível.

— Ela não é minha namorada... — o sorriso involuntário no meu rosto chega a ser cômico.

— É sua irmã? Desculpe-me. — continua especulando. — Achei vocês muito diferentes fisicamente.

— Heather não é minha irmã. — gargalho com o professor, revirando os olhos sem acreditar nas hipóteses. — Ela é minha melhor amiga... talvez a única. — por um instante, a presença da ruiva aparenta ser o melhor conforto. — Mas, não. Ela trabalha à tarde, então o horário fica apertado.

— Tudo bem, garoto. Arranque essa roupa e corra para a água.

Afirmo com a cabeça. Todavia, interrompendo meus movimentos, percebo o celular vibrar no bolso da bermuda. Leio o nome de Stewart na tela. O sangue entra em ebulição nas artérias. Ergo o dedo indicador, como quem diga "um instante" ao mentor, quem assente.

— Alô? — atendo-o, seco.

— Shawn? Mano, preciso falar com você... é muito importante. — a única coisa que sou capaz de responder é uma risadinha irônica. — É sobre a Bridget, cara.

— Stew, divirta-se na cama com ela. Eu não quero saber o que acontece entre vocês. — meu sarcasmo se torna um desabafo.

— Shawn, eu... — interrompo-o.

— Estou ocupado, Stewart. Seja feliz com a Bridget, com o tráfico, ..., as escolhas são suas. — suspiro pesadamente. — Só, por favor, deixe-me ser. Boa tarde.

Sem esperar uma resposta, desligo a ligação e termino de me despir. Envergonhado pelas crianças, entro na piscina com cuidado. Do lado direito, uma menina com cabelos castanhos cacheados e olhos azuis tenta se equilibrar na borda; d’outro, um ruivo com a pele repleta de sardinhas brinca de tocar os pés no chão e voltar à superfície.

— Você se parece com o Ed Sheeran. — tento fazer uma aproximação.

— O que é isso? — ele nada desengonçadamente até a arraia próxima a mim e agarra-se na corda.

— É um cantor muito famoso. — esclareço. — É bom se parecer com ele.

— Você se parece com a boneca da minha irmã. — ergo uma das sobrancelhas. — O cachorro arrancou o braço dela, enquanto a gente dormia.

Gargalho alto. A sinceridade das crianças é algo que deveria ser estudado. Sem o menor pudor, esse baixinho brincou com uma coisa tão delicada. Pela primeira vez, consegui enxergar graça quando alguém, quem não seja eu, analisa meu corpo sem reprova-lo. Não fico magoado com as palavras do pequeno Ed. Ele não teve malícia, nem quis me ofender. Foi humano.

— O que houve com o seu braço? — a menina do lado oposto me questiona.

— Eu o perdi. — amenizo para explicar a ela. Nada como o bom e velho eufemismo.

— Quer ajuda para encontrá-lo?

Solto uma risada curta.

— Não precisa, obrigado. Gosto dele assim. — a morena ri e concorda com a cabeça.

Não mais podendo postergar, o professor nos apresenta e dá início a aula. O ruivo se chama Rick e tem nove anos, já Stella, a pequena cacheada, ainda tem seis. Como nunca nadei sem um braço, Ralf optou por me encaixar numa turma de iniciantes.

Primeiro, treinamos girar os braços. Algumas longas repetições até que os três ficassem perfeitos. Após isso, seguramo-nos à borda e batemos as pernas. O cansaço toma conta de cada fração do meu corpo. Se não fosse pelo tronco imerso, eu diria que o suor se alastra sobre a pele. Com os pulmões trabalhando inquietamente, o pedido para atravessarmos a piscina me desespera.

Encaro o final dos azulejos a 50m de mim. A distância é imensa. Eu consigo.

Afundo o corpo n’água e mergulho a cabeça. Com os olhos abertos, traço uma linha imaginária até o outro lado. Prendo o ar nos lóbulos pulmonares e solto-o aos poucos, conforme meus braços se movimentam contra a água. Meus pés se ocupam em me impulsionar, já que um dos braços não me auxilia perfeitamente. Tiro o rosto para recuperar o fôlego em alguns instantes. No entanto, não são o suficiente.

Exausto, paro no meio da piscina. Observo as crianças continuarem a nadar. Abro um sorriso no rosto. Tomo ânimo para persistir e nado com força. Não há um músculo em mim que não doa, mas insisto em dar o meu máximo. Sem acreditar na minha capacidade, sinto a parede lisa tocar meu dedo da mão esquerda.

Consegui. Nadei toda a piscina. Quinta conquista.

— Bata aqui, Shawn. — choco a minha mão contra a de Rick.

Meu peito se preenche e murcha seguidamente. O cansaço está expresso em cada traço de meu rosto. Porém, mesmo com as forças reduzidas, esforço-me para abrir um sorriso. A sensação de missão cumprida é maior que a exaustão.

— Muito bem, pessoal! — o professor bate palma. — Aula encerrada. Pela borda, venham até a escada e subam com cuidado. Sean, ajude-os, se precisarem.

Apenas assinto e guio-os à escada. Um a um, eles sobem, e, em seguida, galgo os degraus. Assim, que piso os pés no chão, deparo-me com um par de olhos verdes na arquibancada.

— Sean? — ela franze a testa. Nego com a cabeça, como quem diga “deixe para lá”, e ela ri. — Estou tão orgulhosa de você!

— Há quanto tempo está aí?

— O suficiente para ver você chegando até a borda como um nadador profissional. — seu tom é de incentivo. Balanço a cabeça em concordância e solto uma risada.

— Quer comer alguma coisa? — pego a toalha da própria academia sobre a arquibancada e seco as mãos. — Estou faminto!

— Quero, sim, mas, antes, vista-se. — ela pressiona os lábios, contendo uma gargalhada.

 A vergonha toma conta de mim, quando percebo que estou apenas de sunga. Esmago a toalha contra minha intimidade, e as bochechas aquecem, em questão de segundos. Estou completamente corado.

Enrolo-me e sigo até as roupas que deixei no começo da piscina. Visto-me rapidamente e aceno para Ralf. Os pais das crianças chegam para busca-los, cumprimento-os cordialmente. Não tardando, junto-me a Heather até a cantina.

Dentre todas as opções saudáveis ali disponíveis, escolho um sanduíche com frango e salada. Para minha surpresa, a ruiva opta por um cheeseburguer com bacon. Odeio carne de porco com todas minhas forças e comidas gordurosas, embora não dispense um doce. Disfarço para não reprová-la, enquanto come.

Um vácuo de palavras nos atinge. Apenas comemos no momento em que nos olhamos. Algumas risadas, nada de sílabas. Heather se suja com o ketchup na bochecha e, depois de vê-la devorando um hambúrguer como um leão faminto petisca um antílope, percebo que não há mais pudor entre nós. Encorajo-me para retornar ao assunto de dias atrás.

— Dezoito. — digo em meio ao silêncio.

— O quê?

— Aquele dia você me perguntou com quantos anos perdi a virgindade... — esclareço, um tanto apreensivo. — Foi com dezoito anos.

— Nossa! Um pouco tarde para um garoto. — ela analisa. Fico em dúvida se em tom de reprovação ou não, mas abro um sorriso. — Você só transou com a sua ex-namorada, então?

Apenas assento, enquanto ela arranca outra lasca do sanduíche. Lembrar-me de Bridget não é lá tão bom. Os fragmentos deixados de meu coração ainda doem.

— Só. Várias vezes, é claro, mas só com ela. — solto uma risadinha ao assumir minha pouca experiência.

Para alguns homens, ser como eu pode soar menos viril. No entanto, não me abalo. Gosto de como deixei as coisas acontecerem.

— Você é um dos últimos românticos, Shawn. — ela debocha, despejando as palavras com algumas gargalhadas.

— Claro que não.

— Esperou o momento certo para perder a virgindade, só transou com a menina que gostava... provavelmente, disse "eu te amo" primeiro. — confirmo com a cabeça, no momento em que minhas bochechas fervem de constrangimento. — Assuma, Shawn, você é um romântico.

— Não se esqueça de que perdi o braço num racha ilegal. — tento me esquivar, embora seus argumentos sejam realmente bons.

— Fazer merda não lhe faz menos fofo. — solta uma risada ruidosa, ao defender sua tese. — Com um braço ou dois, você ainda acredita no amor. Não se envergonhe, isso é bonito.

Encaro o lanche, preenchendo os pulmões de ar. Mordo a parte de dentro da bochecha e encaro a mulher à minha frente, com receio nos olhos. Seu rosto ainda estampa um sorriso amplo e claro. Seus olhos verdes se espremem, quase desaparecendo na pele salpicada de sardas. Chega a ser estranho constatar que ela fica ainda mais bonita quando sorri.

— Fale sobre você. — digo, trazendo-me de volta à Terra. — Sou eu sempre quem falo. Quero lhe conhecer.

— Prometa-me que não julgará?

Faço menção com a mão de que é obvio.

— Perdi a virgindade com quinze anos.

— Sério? — indago, embasbacado.

— Você disse que não julgaria. — confirmo com a cabeça. — Estava curiosa. Todas as minhas amigas já transavam, menos eu. Queria muito saber como era e, na primeira oportunidade, fiz.

— Você se arrepende? — ela nega, chacoalhando os fios acobreados.

— Pelo menos, nunca mais olhei para cara do garoto. — outra risada ruidosa lhe escapa. — Doeu muito, do início ao fim, e eu reclamei o tempo inteiro. Fiquei com pena. Ele deve ser traumatizado até hoje.

Não evito a gargalhada. É praticamente impossível imaginar Heather como uma menina indefesa, ela é tão forte e cheia de si. Tenho certeza de que esse rapaz não conseguiu tirá-la da cabeça desde o dia em questão. Eu não me esqueceria dela, no lugar dele. Principalmente, se o perfume forte e hipnotizantes que usa ficasse empregado em meus lençóis.

— E depois dele?

— Só outros dois. — confessa com tamanha sinceridade capaz de me surpreender. — Um namorado de três anos e um fotógrafo da faculdade, ele era legal, mas não era o meu ex. Como eu ainda estava apegada, não foi bom. Sem contar que... — ela se interrompe, com um suspiro forte.

— O que houve? — assusto-me ao notar que a ruiva está com os olhos preenchidos de lágrimas.

— ... naquela noite, houve o incêndio. — será que é indelicado de minha parte perguntar detalhes sobre este momento de fragilidade? — Foi ali que minha vida virou de cabeça para baixo. Precisei me mudar de cidade, largar a faculdade, procurar emprego... crescer.

Ela embola o papel do hambúrguer sujo e respira de forma pesada.

— Vamos embora, Shawn? — confirmo com a cabeça. — Ella acabou de chegar da Irlanda, preciso recebê-la.

— Quem é Ella? — ela nunca disse nada sobre essa pessoa e fala como se eu a conhecesse.

Heather gargalha, dando um toque suave na testa.

— Ella morava aqui em Seattle, ao lado da minha tia, então brincávamos desde sempre. — esclarece. — Um belo dia, ela se mudou para a Irlanda, arrumou um namorado meio louco e nunca mais deu notícias. Obviamente, isso contribuiu para piorar minha fase depressiva. Agora, ela voltou. Mais bonita do que nunca. Ela se parece com a branca de neve. — a de olhos verdes soa empolgada. — Vamos?

— Vamos!

Levantamo-nos e jogamos nossos guardanapos sujos no lixo. Juntos, seguimos para fora da academia. Cruzando pelos funcionários, cumprimentamos um a um. Ralf, no entanto, tem a feição tensa ao conversar com a mãe de uma das crianças com quem assisti à aula.

Nossos passos cessam, e tento identificar alguma palavra do que dizem. A maldita queimação no meu braço direito retorna. Não havia a sentido por todo o dia, mas os argumentos ríspidos da mulher fazem um peso inexplicável cair sobre meu antebraço, percorrendo até a ponta de meus dedos.

— A minha Stella não pode nadar ao lado de uma aberração! — ela grita com Ralf. — Eu exijo que este garoto saia da turma. Tem ideia do quão traumatizada a minha filha ficará?

Aquele mesmo peso cai sobre os meus pés. Todo a alegria que acumulei durante o dia se extingue. O sorriso em meu rosto se vai. Algo esmaga meu coração de forma impiedosa. Os olhos marejam e, antes que eu tentar contê-los, transbordam-se.

A única coisa que ainda consigo enxergar, até o ínfimo instante em que tudo se torna turvo pelas lágrimas, é a mão de Heather tocar a minha esquerda e murmurar meu nome.


Notas Finais


Muito obrigada por lerem até aqui! Isso significa muito para mim. Vejo vocês em breve.
A história está exatamente no meio, faltam exatos cinco capítulos para chegar ao fim. Estou ansiosa!
Com muito carinho,
Lali


► Suíte, por Andressa • https://spiritfanfics.com/historia/suite-8152119
► Teaser da Fanfic • https://www.youtube.com/watch?v=tscRM4-FKDo
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